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Contos de Terror

Viagem Noturna

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Sinopse

Exausto ao volante durante uma viagem de volta para casa, Steve Barwel encontra uma menina sozinha à beira da estrada e decide ajudá-la. Quando uma tempestade os obriga a procurar abrigo em um hotel-restaurante isolado, a gentileza dos anfitriões parece trazer algum alívio. Mas o silêncio da criança, os relatos de luzes estranhas na região e os acontecimentos daquela noite logo fazem Steve desconfiar de que parou no lugar errado.

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Espaçamento 1.4

Capítulo 1 · Viagem Noturna

Era tarde da noite e o caminho de volta pra casa ainda era longo. A estrada parecia não ter fim. Steve Barwel estava há horas diante do volante, pois prometera à esposa que apareceria para o almoço familiar.

— Malditos advogados, sempre atrasados, e o pior é que quem se ferra sou eu, o samaritano Mr. Bar. Enquanto eles estão em casa ou em algum motel com a secretária eu estou aqui nesta maldita estrada que não acaba nunca.

As horas passavam e o sono começava a aparecer. Steve ligou o rádio para quebrar o silêncio. Passou por várias estações, estavam todas com péssima recepção. Acabou deixando o dial em uma qualquer, que no momento tocava a música Tarzan Boy, sucesso dos anos 80’s.

— Ah, essa música me faz lembrar da.... — O farol ilumina algo à beira da estrada. — Mas que diabos era aquilo?

Steve pára o carro.

— O sono deve estar brincando comigo, eu vi uma menininha correndo no acostamento, mas não é possív.....

Uma garotinha passou correndo ao lado do carro. Steve esfregou as mãos sobre os olhos e voltou a olhar. Finalmente percebeu que aquela garotinha de apenas 7 ou 8 anos de idade era real. Preocupado, e ao mesmo tempo abismado, Steve deixou o carro e correu atrás da menina.

— Hei, cadê seus pais? O carro de vocês quebrou?

A menina parou de correr e virou se em sua direção.

— Seus pais devem estar preocupados, menina.

A garota lhe sorriu.

— Diga me onde estão seus pais, posso ajudar se o carro estiver quebrado.

Algo parecia incomodá la. Não parava de coçar o corpo. Despiu se.

— Não faça isso! O Vento está frio.

Steve se aproximou e tentou vesti la novamente. Mas ela resistiu.

— Ok, já entendi. Você não quer se vestir. Mas você vai congelar, meu bem.

A menina não tirava os olhos de Steve. Seu olhar demonstrava curiosidade e medo ao mesmo tempo.

— Qual o seu nome?

Ela não lhe respondeu.

— Vem comigo. Aponte onde seus pais estão eu te levo até eles.

Não lhe deu atenção. Vendo que não havia colaboração da menina, Steve segurou sua mão e a levou até o carro. Fechou a porta e voltou para recolher vestidinho branco sobre o asfalto. Steve não parava de olhar para os lados, procurando pela família da menina.

— Onde estão o papai e a mamãe? Pra lá.... — Steve apontou para frente. — ... ou pra cá? — apontando para trás.

A menina não lhe deu atenção.

— É, parece que a noite vai ser mais longa do que eu pensava.

Steve saiu á procura dos pais da garotinha. Voltou alguns quilômetros, mas não havia nada na estrada além do seu próprio carro. No céu a dança das nuvens negra indicava a vinda de uma tempestade monstruosa.

— Precisamos achar um lugar pra ficar, pois o tempo está fechando.

O frio aumentava a cada segundo. Steve cobriu a menina com sua jaqueta. Desta vez ela não se opôs.

Steve continuou sua viagem. De vez em quando tentava um diálogo com a menina:

— Você é muito bonita, hein?

Mas ela não respondia.

— Qual o seu nome? Vamos, não precisa ter medo! Eu só quero saber o seu nome! Mas era impossível, ela mantinha o mesmo olhar, agia como se tudo ao seu redor lhe fosse inteiramente desconhecido.

— É, para ser sincero, gosto do seu jeito. Gostaria muito que a minha filha de 19 anos você assim como você, quietinha e recatada.

Alguns minutos depois, a tempestade que há pouco, apenas ameaçava, agora se fazia presente.

— Oh, droga, só faltava essa! — e olhou para a menina — Mas não se preocupe, sou um ótimo motorista.

A visibilidade ficara péssima.

— Hoje não é mesmo meu dia. Será que o Senhor tem mais alguma coisinha pra me aprontar, hein? Pois faça agora e....... — Steve avista algumas luzes piscando. Era um Hotel – Restaurante. — Steve parou o carro e deu uma olhada para o céu. — Ok, agradeço.

Steve estacionou em frente ao restaurante. Havia ali alguns caminhões de pequeno porte.

— Estou morrendo de fome, você não?

Steve pegou na mão da menina e entrou no restaurante. Havia apenas um homem gordo comendo um sanduíche e tomando cerveja. Do outro lado do balcão, servindo, havia um casal de velhos. Steve e a menina se aproximaram do balcão. Como os bancos eram altos, Steve precisou erguer a menina e colocá la sentada em um deles.

— Olá, bonequinha! — disse a velha, aproximando se da menina. Mas esta, como sempre, não respondeu nem sorriu.

— Senhora, — disse Steve — já viu esta menina antes?

— Olha, moço, ela não me é estranha. Muitos lenhadores aparecem por aqui com seus filhos.

— Eu a encontrei na beira da estrada, quase a atropelei, pobrezinha.

— Meu Deus!

— Ela estava sozinha? — perguntou o velho.

— Sim, estava uma escuridão imensa na estrada. Procurei pelos pais, mas não havia nada na estrada. Mesmo assim, se houvesse alguém com ela, gritaria ou faria alguma coisa. Ainda não consegui entender como ela foi parar lá.

— Pobrezinha — disse a mulher, passando suavemente sua mão entre os longos fios de cabelo da menina. — , qual é o seu nome, filha?

O velho se dirigiu à cozinha.

— Não adianta, ela não abre a boca para nada. — disse Steve — Não tenho certeza, mas parece que algo a assustou. Parece que ela gostou da minha jaqueta. — sorriu.

— Você disse que a encontrou na estrada? — perguntou o homem gordo, após dar a última mordida em seu sanduíche.

— Sim, ao lado da floresta.

— Aposto que ela é filha de um dos lenhadores.

— É bem provável. — disse a velha. — Mas é muito estranho ela ter conseguido chegar até a estrada.

O velho retornou da cozinha, trazendo um copo bem grande de chocolate quente.

— É todo seu! — disse o velho, colocando o copo diante da menina. Mas esta nem se moveu.

— Tome, meu anjo! — disse a velha. — É chocolate, o melhor da região.

— Olhe, meu irmão é lenhador. — disse o homem gordo — Estou indo a casa dele, se quiser eu posso levar a garota. Aposto que o meu irmão conhece os pais dela.

— Agradeço a gentileza, senhor. Mas...

O homem gordo deu lhe as costas e saiu, sussurrando frases sem nexo.

— Fez muito bem em não deixar a menina ir com ele. — disse a velha. — Não gosto nem de imaginar o que um homem daqueles poderia fazer a uma criança indefesa como esta.

— Não julgue as pessoas pela aparência, Wanda. — disse o velho. — Você nunca viu aquele homem antes. Talvez só quisesse ajudar.

— Vejo rostos e mais rostos todos os dias. — disse a velha. — Aprendi a distinguir a diferença entre gente boa e má.

— Vocês têm um telefone? — perguntou Steve.

— Sim. — disse o velho — Mas com esta tempestade ele não funciona. Coisa velha, sabe como é.

— Não se preocupe, moço. — disse a velha. — O velho Martin encontra os pais da criança.

O velho caiu na gargalhada. — Ah, sim, finalmente ele terá algum serviço pra fazer antes de se aposentar.

— Quem é este Martin? — perguntou Steve.

— O Xerife. — disse o velho. — Uma tremenda figura.

— Assim que o telefone voltar a funcionar a gente chama o velho Martin.

Todos voltaram a atenção para a garotinha.

— Pobre criança. — disse Steve. — Espero que não tenha acontecido nada com seus pais.

A velha fez o sinal da cruz.

— O senhor não vai sair nesta tempestade, vai? — perguntou o velho. — o hotel está completamente vazio.

— Não está mais. — disse Steve. — Um quarto já é meu. Mas antes, o que tem para comer? Estou faminto.

— Ah, temos o melhor sanduíche da região! — disse a velha. — Aguarde só um instante.

Steve agradeceu lhe com um sorriso, e sentou se ao lado da menina, acariciando seus longos cabelos loiros.

— Beba seu chocolate. Vai lhe fazer bem.

Enquanto a mulher preparava os sanduíches, o velho tentava sintonizar alguma rádio. A velha trouxe os sanduíches.

— Mas que cheirinho delicioso! — e olhou para a menina — Olhe, não faça desfeita a esta simpática senhora, vamos, dê uma mordida neste sanduíche!

A menina não se mexeu.

— Coma primeiro, — disse a mulher — talvez, se ela ver o senhor comendo, fique com vontade e coma também.

E foi exatamente isso que Steve fez. Funcionou. Mas era estranho, parecia que a menina nunca havia visto um sanduíche antes. Após ela dar sua primeira mordida...

— Gostoso, não?! — disse Steve, sorrindo.

— Nossa! — exclamou a velha, arregalando os olhos para a menina — Devagar, meu anjo!

A menina devorara o sanduíche, enquanto Steve ainda estava na metade do seu.

— Meu Deus, há quanto tempo você não come? — perguntou Steve à menina, e olhou para a mulher — Olhe, daria para a senhora preparar mais um sanduíche para ela?

— Claro, a pobrezinha está com muita fome!

No momento em que a mulher se dirigia à cozinha, o velho conseguiu sintonizar algo no rádio:

— Luzes estranhas foram vistas sobre a Região dos Lagos. Lenhadores locais afirmam ter visto....

A transmissão ficou péssima.

— Ah, vai começar tudo de novo. — disse o velho.

— Esta área é a Região dos Lagos, não é? — perguntou Steve.

— É sim.

— O que quis dizer com vai começar tudo de novo?

— Histórias de lenhador, como diz Ernest. — disse a velha. — Mas eu acredito nelas. Meu avô dizia: “Eu não acredito nas bruxas, mas que elas existem, existem.”

— Não diga bobagens, mulher! — disse o velho. — Aqueles lenhadores idiotas vêem luzes e saem dizendo bobagens.

— Eu mesma já vi luzes muito estranhas lá para aqueles lados da floresta — disse a velha, olhando seriamente para Steve, — , e para falar a verdade, não sou só eu quem já viu estas luzes, garanto que se o senhor sair perguntando por aí, encontrará muitas outras pessoas que também viram.

Steve não estava a fim de ficar ouvindo aquelas histórias, além disso, estava morrendo de sono. Pagou pelo lanche e já adiantou o pagamento do quarto, onde passaria a noite.

A velha lhe entregou a chave.

— Quarto número sete.

— Obrigado. — disse Steve, nitidamente sonolento. — Bom, até amanhã.

— Nós entraremos em contato com o Xerife quando o telefone voltar a funcionar. — disse o velho. — Tenha uma boa noite. — e olhou para a menina — Durma com os anjos.

Steve pegou a menina no colo e caminhou até a porta do restaurante.

— Vire à esquerda e siga em frente. — disse Jimmy.

— Tudo bem, obrigado.

— Espere, pegue isto. — a mulher lhe emprestou um guarda chuva.

— Vocês são muito gentis.

Após Steve sair e retirar sua mala do carro...

— Boa gente. — disse a velha.

— Sim, obviamente não é daqui.

O quarto não era muito grande, mas era o suficiente para uma boa noite de sono. Tinha um pequeno banheiro e duas camas de solteiro.

— Bom, é bem melhor do que dormir no carro. — e sentou se ao lado da menina, na cama — Fique tranqüila, vamos achar um jeito de te ajudar. — e beijou lhe a testa. — Você não se incomoda de ficar sozinha alguns minutos, não é? Preciso de um banho.

Steve tirou a carteira do bolso e colocou sobre o criado mudo. A menina ficou curiosa e a pegou.

— Olha só, você se parece mesmo com a minha filha. Ah, tem uma foto dela aí. — Steve sentou se novamente ao lado da menina. — Deixe me mostrá la. Ela é tão linda quanto você. Tem uma foto da minha esposa também.

Ao perceber que a menina não abriria a carteira, Steve tomou a delicadamente e o fez.

— Aqui estão elas. Linda, não? Estas duas morenas são os bens mais sagrados pra mim.

A menina olhou para a foto com grande interesse.

— Tenho muitas saudades da minha filhinha. Aliás, quantos anos você tem? 7, 8? A menina continuava olhando a foto com admiração.

— Deixa pra lá. Você não quer falar mesmo. Mas surda você não é, pois já percebi que reage aos sons.

A menina começou a se coçar. Tentava tirar a jaqueta, mas não conseguia.

— Calma, calma. Eu tiro a jaqueta. Você é alérgica a tecido, meu bem?

A menina ficou nua novamente.

— Está muito frio. Você não pode ficar assim. Deite se, vou cobri la .

Steve pegou um cobertor que estava sobre uma das camas e tentou cobri la, mas foi em vão.

— Ok, ok, sem cobertor. Já vi que você realmente não se importa com o frio. Bom, mas eu sim. Fique quietinha aí que eu já volto. Preciso de um banho bem quente.

A água não estava tão quente quanto Steve desejava, mas depois de tudo o que passara até ali não se importou.

— Meu Deus, com toda esta confusão eu nem me lembrei de avisar a Deborah que não chegarei em casa a tempo. Ah, é claro que não avisou. O telefone do restaurante não estava funcionando mesmo.

Deborah, a esposa de Steve, é uma mulher extremamente nervosa. Preocupado com o estado da esposa, Steve nem percebeu que ficara quase 30 minutos debaixo do chuveiro.

— Droga, o restaurante já deve estar fechado agora. Ah, mas quem garante que o telefone voltou a funcionar? Parece que esta noite também não vai ser fácil pra você, Deby.

Steve finalmente saiu do chuveiro. Trocou se. Quando começara a escovar os dentes, ouviu alguns barulhos estranhos vindo do quarto.

— O que você está aprontando aí, meu anjo?

O barulho continuou. Steve largou a escova e foi ver o que estava acontecendo. Ao abrir a porta do banheiro não viu a menina.

— Querendo brincar de esconde esconde? Está muito tarde, o tio precisa dormir.

Steve deixou o banheiro e viu que a porta do armário estava aberta. Havia um amontoado de cobertores e travesseiros jogados ao chão.

— Ah, não faça bagunça, meu anjo. O tio precisa mesmo descansar esta noite.

Tudo que havia dentro do armário estava sendo jogado para fora. Como a porta não estava encostada, não era possível ver a menina.

— Saia já daí. Vem aqui com o tio, vem.

O armário continuava a ser esvaziado. Steve acabou perdendo a paciência e foi em sua direção.

— Quando eu digo que você se parece com a minha filha.........

Steve encostou a porta do armário e levou um tremendo susto.

— Deborah?

Steve não conseguiu entender o que estava acontecendo. Atrás do armário estava sua esposa Deborah, totalmente nua.

— Mas.... mas..... o que você está fazendo aqui? Ou melhor, como veio parar aqui? Ela não lhe respondeu. Olhava o de um jeito estranho. Steve não conseguia acreditar no que estava vendo. Precisou tocá la, o que lhe espantou mais ainda, pois era real. Steve começou a procurar pela menina, mas ela sumira.

— Não é possível, devo estar delirando.

Apesar do corpo ser o da sua esposa havia algo estranho naquela mulher nua, o olhar frio, como o de um tubarão. Aquela não era sua Deby. Não podia ser. Steve nunca se sentiu tão confuso em toda a sua vida.

— Quem é você?

Alguém bate na porta. Steve estava tão transtornado que não sabia o que fazer.

— Tem alguém aí? — gritou uma voz atrás da porta.

Steve pegou um cobertor e cobriu a mulher nua, a qual parecia uma irmã gêmea da sua esposa.

— Quem é? — perguntou Steve. Sua voz estava trêmula e fraca.

— Xerife Martin. Abra, por favor.

Steve abriu a porta.

— Boa noite, senhor. — disse o homem. Um baixinho atarracado, com um bigode desproporcionalmente grande em relação ao rosto pequeno e arredondado. Usava uma capa de chuva azul marinho. Segurava um rifle na mão direita.

Steve não conseguiu responder. Estava transtornado.

— Está tudo bem? — perguntou o xerife, olhando para todos os cantos do quarto. — O senhor está meio pálido.

— Estou bem. Não se preocupe. Só um pouco cansado.

— O velho Ernest me disse que você encontrou uma garotinha na beira da estrada.

— Quem? Ah, sim, encontrei sim. Perdoe me, xerife, estou mais confuso que....

Ao olhar para trás, Steve levou o segundo susto. Não era mais Deborah que estava debaixo do cobertor, mas sim sua filha Ângela.

— É aquela ali? — perguntou o xerife. — Acho que estou ficando surdo, eu entendi o velho Ernest dizer que era uma garotinha de 7 ou 8 anos. Aquela ali é uma jovem muito bonita.

— Ângela? — gritou Steve, perplexo. — Mas... mas...

O corpo de Ângela começou a se transformar, ficando idêntico ao seu. Era o mesmo que se olhar no espelho. Não dava para acreditar no que estava diante dos seus olhos.

— Mas.... que diabos está acontecendo? — Steve pensou estar num episódio daquele seriado Além da Imaginação.

Apavorado com aquela cena, Steve não percebeu que o xerife se preparava para ataca lo com o rifle. Este não atirou, mas deu lhe uma pancada forte na cabeça. Steve desmaiou.

Horas depois, Steve acorda dentro de uma cela, sozinho.

— Puta merda! Mas que diabos estou fazendo neste lugar? Estou preso? — neste momento sentiu uma dor terrível no topo da cabeça, onde levara a pancada. Sua camisa estava toda suja de sangue. — Não consigo me lembrar de nada. Lembro me apenas de um pesadelo horrível.

Vozes estranhas ecoam pelo local. Não era possível entender o que diziam.

— Hei, tem alguém aí? — Grita Steve.

As vozes ficam cada vez mais perto. Estão se aproximando. Steve conseguiu ouvir uma frase: “Você sabe muito bem que ainda não idade pra sair! Quase nos meteu em encrenca, sabia?” A voz não era estranha, parecia com a voz da velha do restaurante, Wanda. Mas a velha do restaurante fazia parte do pesadelo, não fazia? Não, não fazia, e Steve ficou ainda mais horrorizado por descobrir.

— Pelo amor de Deus, o que está havendo aqui?

Neste momento entra alguém, a velha do restaurante. Ela se aproxima da cela e sussurra com uma voz estranha, masculinizada:

— Sinto muito. Mas é o que tem de ser feito.

— O que houve? — o olhar da velha não era o mesmo. Olhava o com raiva. — Não estou entendendo! O que está acontecendo? Cadê a garotinha?

Entraram o xerife e o velho do restaurante, Ernest.

— Hei, agora estou me lembrando! — disse Steve, levantando se apoiado nas grades.

— Foi você que me apagou! — olhava raivoso para o xerife.

— Não tive escolha. — disse o xerife. — Você viu o que não devia.

Steve começou a lembrar da cena em que Ângela, ou algo parecido com ela, começara a se transformar numa cópia idêntica dele mesmo.

— Aquela não era minha filha, era?

Ficaram todos em silêncio. Olhavam no com total indiferença.

— Quem são vocês?

— Acredite, você não vai gostar de saber. — disse Ernest.

— Lunáticos, isso sim. — Disse Steve. — Aposto que tinha alguma droga naqueles sanduíches. É, isso explica as minhas alucinações.

— Vamos acabar logo com isso. — disse Ernest ao xerife.

— Isso aí. — disse Steve. — Vão me soltar ou não? Seus malucos, vou processá los por isso!

— A seqüência de experiências já acabou. — disse Wanda. — Não tem utilidade nenhuma para nós neste momento.

— Experiências? — perguntou Steve, confuso. — Do que estão falando? Eu sei que vou me arrepender por perguntar, mas........ O que diabos são vocês?

Neste momento a garotinha entrou correndo e se agarrou nas pernas de Wanda.

Steve a olhou surpreso.

— O que vocês vão fazer com ela, seus malucos?

Ernest acertou um chute na cela, jogando Steve para trás.

— Cale se, seu idiota! Ela é nossa filha.

— O quê? — Steve ficou dez vezes mais confuso.

Wanda gritou com a garotinha:

— É por isso que você não pode sair de casa! Olhe só pra você!

Neste momento a garotinha se transformou em algo horrível. O corpo começou a inchar, sua altura dobrou, a pele foi escurecendo, seus braços dobraram de comprimento, garras longas e afiadas substituíram as unhas dos pés e das mãos, seus olhos enegreceram e ficaram enormes, o nariz deu lugar a dois pequenos orifícios, a boca era cheia de dentes, muitos deles saltados para fora em forma de garras.

— Esta é a minha garota. — disse Ernest, passando as mãos sobre a cabeça da criatura.

Steve entrou em pânico. Ele estava realmente num episódio de Além da Imaginação, mas este era real. Mais real do que desejava.

— O que vão fazer comigo? — Perguntou Steve, tomado pelo pânico. Seus poros jorravam suor.

Ernest deixou o local de forma apressada.

— Onde ele foi? O que vocês vão fazer comigo?

Wanda e o xerife também se transformaram em criaturas horríveis, assim como a garotinha. A única diferença era o tamanho, eram bem maiores e mais peludos.

Steve não conseguia acreditar nos seus olhos. Era demais pra uma noite só. Steve, aquele que odiava dar carona, hoje deu a pior e talvez a última carona da sua vida.

A pequena criatura voltou a se transformar na sua esposa Deby. Steve sentiu se feliz por poder ver sua esposa mais uma vez. Percebeu que talvez fosse a última.

— Você estava certa, Deby. — disse Steve. — Nunca dê carona para estranhos. Ainda mais se este estranho for uma criatura do outro mundo! — Steve caiu numa gargalhada histérica. A perda de sangue começava a tirar sua consciência.

Wanda gritou para mulher, que na verdade era sua filha.

— Você precisa aprender a se controlar! Olhe só pra você! Que figura mais horrível é esta?

— Não fale assim da minha Deby, sua vaca filha da puta!

O corpo nu de Deborah foi se transformando novamente na pequena criatura. Steve sentiu que nunca mais veria sua amada novamente.

Steve caiu num choro. Estava zonzo, apavorado, mais morto do que vivo.

Ernest voltou. Trazia consigo um enorme facão.

A enorme criatura tomou a forma da velha novamente.

— Como você sabe, nosso restaurante tem a fama de servir o melhor sanduíche da região. Bom, dizem que uma boa cozinheira não revela a receita, mas..... acho que posso abrir uma exceção para você, Steve. — e deu uma gargalhada.

— Oh, meu Deus! Não....... não........ não........ nãããããããããããããão.

FIM

Autor: Julio Cesar Bianchi Furtado (Julio Fantasma) Mais Contos: http://www.juliofantasma.com.br/contos de terror/ Facebook: http://facebook.com/juliofantasma Twitter: http://twitter.com/juliofantasma

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