← Todas as histórias
Capa de O Diário de Renata
Contos de Terror

O Diário de Renata

Publicado em

Sinopse

A amizade com Marisa transforma a vida de um adolescente tímido, até o dia em que ela lhe entrega uma caixa trancada e pede que a destrua sem abri-la. Dividido entre a promessa e a curiosidade, ele se aproxima de um segredo capaz de converter suas lembranças mais queridas em um pesadelo.

COMEÇAR A LEITURA
BOA LEITURA
Fonte 18 px
Espaçamento 1.4

Capítulo único · O Diário de Renata

Eu tinha 15 anos e estudava no colégio Santa Fé. Este colégio era famoso por ter um sistema de ensino bem diferente dos demais. Por exemplo: no colégio Santa Fé você fazia o seu próprio horário, entrava e saía quando bem entendesse; estudava as matérias que quisesse e fazia quantas provas achasse melhor.

Mas não se engane, apesar de toda esta liberdade eu aprendi muitas coisas lá. Os professores eram maravilhosos; eles tratavam os alunos não apenas como seus alunos, mas como cidadãos em processo de formação. Sinto muita saudade daquela época.

Sempre fui um garoto muito fechado, do tipo que só fala quando a necessidade é extrema. Esta incapacidade de me entrosar com as outras pessoas me deixava sempre isolado num canto. Eu estava sempre sozinho.

Mas isso mudou quando Marisa apareceu.

Nunca vou me esquecer do dia em que nos conhecemos. Eu estava sentado num canto do refeitório, comendo o meu lanche, quando de repente ouvi uma voz angelical sussurrar no meu ouvido:

— Posso me sentar com você?

É claro que aquilo me pegou totalmente de surpresa. Primeiro porque ninguém nunca havia feito aquilo antes, e segundo porque Marisa era uma garota de uma beleza ímpar — certamente a mais bela que já passou pelo colégio Santa Fé.

Até aquele momento o meu currículo com garotas era absolutamente nulo. Sempre que qualquer uma se aproximava eu suava frio e minhas pernas tremiam. Era como se eu estivesse prestes a ter um ataque cardíaco, tamanha era a minha timidez.

Por incrível que pareça, com a Marisa os sintomas não se manifestaram. Senti me tão à vontade ao seu lado que tive a impressão de estar com alguém que eu já conhecia há séculos. Ficamos amigos imediatamente. Viramos unha e carne. Entrávamos e saíamos do colégio nos mesmos horários e passamos a freqüentar as mesmas aulas.

Nossa amizade era limitada apenas ao colégio. Fora dele, cada um tomava o seu rumo. Insisti várias vezes em acompanhá la até sua casa, mas Marisa sempre recusava. Pedia desculpas e dizia que amava a minha companhia, mas insistia que a recusa era para o meu próprio bem. Na época eu não entendia o que ela queria dizer com isso.

Certo dia Marisa faltou. Sua ausência mostrou o quanto ela era importante para mim. Não consegui prestar atenção em nada do que os professores disseram ou fizeram naquele dia. Fiquei o tempo todo preocupado, pois Marisa jamais havia faltado uma aula sequer. O pior de tudo é que eu não sabia o seu endereço e também não tinha seu telefone.

No dia seguinte ela reapareceu. Senti um alívio e uma felicidade enormes, era como se o sol tivesse surgido após meses de trevas e escuridão. Pode parecer exagero, mas foi exatamente assim que eu me senti.

Mas Marisa não estava bem; chorava muito e parecia exausta. Seus lindos olhos azuis estavam inchados e sua pele clara estava ainda mais pálida do que de costume.

Pedi centenas de vezes para que ela me contasse o que estava acontecendo, mas ela insistia em dizer que estava tudo bem. E não estava tudo bem! Era óbvio que não estava. Marisa tinha sempre um sorriso no rosto; aquela não era a Marisa que eu conhecia.

No final daquele mesmo dia, quando nos preparávamos para deixar o colégio, Marisa me puxou pelo braço e me levou para um canto afastado do colégio; era um lugar onde jogavam cadeiras e carteiras velhas e quebradas; uma espécie de lixão do colégio.

Chegando lá, Marisa abriu sua mochila e retirou uma caixinha de madeira. A caixa tinha um formato retangular e era um pouco maior do que uma caixa de bombons. Não era muito pesada, mas percebi que havia algo dentro dela. O detalhe que mais me chamou a atenção foi que ela estava trancada com um cadeado pequeno.

Fiquei com a caixa em minhas mãos por alguns segundos e tive uma sensação muito estranha, como se houvesse outras duas mãos me ajudando a segurá la.

De repente Marisa caiu em prantos.

— O que está acontecendo com você? — perguntei, aflito.

— É muito difícil de explicar — disse ela, sem tirar os olhos da caixa.

— O que tem aqui dentro? — e dei uma balançada leve na caixa.

Marisa ficou em silêncio. Depois de algum tempo ela limpou as lágrimas do rosto e disse:

— Posso lhe pedir um favor?

— Claro, quantos você quiser.

— Destrua esta caixa. Faria isso por mim?

— Destruí la? Mas por quê?

— Porque sim.

E a caixa caiu das minhas mãos. Foi ainda mais estranho, pois eu juro que estava segurando com força.

Marisa começou a chorar outra vez.

— Fique calma — falei, enquanto pegava a caixa do chão. — Eu irei destruí la. Não se preocupe.

— Promete?

Balancei a cabeça positivamente.

— Promete que não vai tentar abri la em hipótese alguma? — insistiu ela.

— Prometo.

E Marisa aproximou se para me dar um beijo no rosto. Mas no último segundo ela me beijou nos lábios. Foi o meu primeiro beijo.

Eu nunca imaginei que aquele seria o nosso último dia juntos.

Guardei a caixa na minha mochila e voltei para casa, como sempre fazia. Mas aquele dia eu cheguei com uma terrível dor nas costas, como se o peso da mochila tivesse sido vinte vezes maior.

Tirei a caixa de dentro da mochila e fiquei olhando para ela. Devo ter ficado assim por horas e horas. Ela me deixou meio hipnotizado, apesar de sua tremenda simplicidade. Era apenas uma caixinha de madeira! Não tinha entalhe nem gravura, não havia absolutamente nada de especial com ela. Até mesmo o seu cadeado era comum. Mas eu não conseguia parar de olhar para ela. E também não conseguia parar de pensar no que poderia ter dentro dela.

Resumindo a história: não tive coragem de destruí la.

No dia seguinte, nada da Marisa. Senti um calafrio percorrer todo o meu corpo. Tive uma sensação de que algo muito ruim havia acontecido com ela.

A primeira medida que tomei foi procurar a diretora do colégio, dona Cássia. Dona Cássia era muito amiga da minha mãe e me tratava como um sobrinho. Ela era uma mulher muito estranha, meio masculinizada. Com exceção dos seios enormes, o restante do seu físico lembrava um homem.

Perguntei se ela poderia me fornecer o endereço de Marisa, visto que eu estava muito preocupado com ela. Dona Cássia me disse que ia contra o regulamento do colégio, mas abriria uma exceção porque sabia da minha afeição pela menina.

Acompanhei Dona Cássia até a sala onde ficavam arquivadas todas as matrículas e fichas curriculares dos alunos. A quantidade de gavetas e pastas era enorme; e só então eu me dei conta de que seria difícil encontrá la, afinal de contas eu não sabia qual era o seu sobrenome. Com certeza haveria centenas de Marisas ali no colégio, não é?

Mas para o meu espanto, Dona Cássia localizou a ficha muito rapidamente.

— Ela era a única Marisa do colégio? — perguntei, curioso.

— Não. Acho que temos umas oitenta alunas com este nome.

— Mas como conseguiu localizá la tão rápido se eu não lhe forneci o sobrenome?

— E quem disse que precisava?

Olhei espantado para ela. Foi então que ela me explicou que o sobrenome de Marisa era bem incomum, e que jamais saíra de sua memória desde então. O nome completo da minha amiga era Marisa Luz da Vida. Assim como Dona Cássia, eu também nunca me esqueci deste sobrenome tão bonito.

Tudo estava indo bem, até que Dona Cássia abriu o envelope que continha a matrícula de Marisa. A mulher ficou muito agitada e nervosa.

— Mas quem foi que fez isso? — repetia ela, várias vezes, olhando estupefata para a matrícula.

— O que aconteceu? — perguntei, assustado e muito curioso.

— Algum vândalo andou mexendo nos arquivos! — disse ela em voz alta.

— Como assim?

Dona Cássia me mostrou a matrícula; estava toda rabiscada. A mulher ficou uma fera. Se agindo normalmente ela já lembrava um homem, imagine zangada. Ela saiu da sala batendo os pés e xingando meio mundo. Fiquei ali sozinho com a matrícula estirada sobre a mesa. É claro que a curiosidade falou mais alto e peguei a matrícula para examiná la melhor.

Foi então que eu percebi que não havia só rabiscos e riscos aleatórios, mas havia algumas coisas escritas também. Infelizmente eu não consegui entender o que diziam; não estavam em português.

Dona Cássia voltou para a sala irritadíssima; estava vermelha de raiva. Esperei que ela se acalmasse um pouco para lhe contar a respeito das frases estranhas. A princípio ela não conseguiu enxergar, mas quando conseguiu ... senti que ela ficou muito assustada.

— Você tem razão — disse ela, olhando fixo para a matrícula. — Tem mesmo algumas frases rabiscadas aqui.

Dona Cássia estava tão branca quanto a folha de papel.

— Não consegui entender uma palavra — disse eu. — , mas dá pra ver que ...

— Não entendeu porque está em latim — e Dona Cássia sentou se. Acho que se ela não o fizesse, cairia. Suas pernas estavam trêmulas.

— A senhora está passando bem?

— Traga me um copo de água com açúcar, meu filho, por favor.

Dona Cássia não quis traduzir para mim o que estava escrito naquela folha, pois segundo ela eram coisas terríveis e não deveriam ser pronunciadas.

Se eu já estava preocupado antes disso, imagine como fiquei depois. Entrei em desespero total. Voltei para casa chorando muito. Pela primeira vez na vida eu fui obrigado a tomar um calmante.

Tudo ficou ainda pior no dia seguinte, quando correu um boato pelos corredores do colégio a respeito de um incêndio muito estranho na cidade. Segundo diziam, o incêndio estava consumindo uma casa havia horas, e os bombeiros não conseguiam apagá lo nem diminuir sua força.

Assim que o boato se espalhou por todo o colégio, a grande maioria dos alunos saiu correndo para ver com os próprios olhos aquele fenômeno tão curioso.

Eu também acompanhei a maioria, mas o meu interesse naquele incêndio era outro. Alguma coisa me dizia que aquilo tinha algo a ver com o desaparecimento de Marisa. No fundo eu torcia para que não tivesse absolutamente nenhuma relação, mas o meu coração praticamente já sabia.

A casa em chamas era mesmo da família de Marisa. Minha amiga vivia com os pais e uma avó. Morreram todos no incêndio. A tragédia foi primeira capa de vários jornais.

Acreditem ou não, a casa queimou durante cinco dias seguidos. Até hoje ninguém conseguiu explicar como aquilo foi possível. Na época ouvimos rumores sobre cientistas estrangeiros que vieram só para estudar a casa.

Os restos da casa ainda estão lá, mas o lugar tem uma força negativa tão grande que prefiro não divulgá lo.

A morte de Marisa me abalou profundamente. Fiquei ainda mais recluso.

Não tive mais ânimo e motivação para estudar durante um bom tempo; tudo o que eu queria era ficar deitado na minha cama e esquecer o resto.

Para piorar as coisas, ainda havia aquela misteriosa caixa de madeira.

Uma parte de mim queria destruí la; outra achava errado, pois a caixa era tudo o que restava da minha querida Marisa.

Aquela dúvida sobre o que fazer com a caixa estava me consumindo por dentro. Senti que precisava tomar uma decisão rapidamente ou enlouqueceria de vez.

Certo dia eu tive um ataque de desespero tão grande que peguei a caixa e a joguei com toda a força contra a parede.

O que parecia ser tão protegido, demonstrou ser exatamente o contrário. A caixa partiu se em duas, revelando finalmente o que havia no seu interior: um livro.

O livro tinha uma capa preta bem simples e não havia nada escrito nela. Abri o livro e comecei a folheá lo aos poucos. Suas páginas estavam muito velhas e davam a impressão de que se não fossem manuseadas com cuidado, poderiam desintegrar se com o simples toque dos meus dedos.

Não havia uma gravura ou ilustração sequer, somente textos ... e escritos a mão! E o mais incrível de tudo: era a letra da Marisa. Quando bati os olhos naqueles manuscritos o meu coração ficou apertado outra vez. Por um momento tive a visão da Marisa sentada bem na minha frente, escrevendo sem parar. Sua letra era magnífica, eu tinha muita inveja de sua caligrafia perfeita. Seus cadernos eram sempre impecáveis, bem diferente dos meus.

O que estaria escrito ali naquele livro? Seria um diário?

Mas a pergunta principal era outra: eu tenho o direito de ler?

Envergonhado, fechei o livro e o coloquei na estante. Se Marisa queria tanto que eu destruísse aquilo, é porque ela deveria ter bons motivos, não é?

E o tormento começou ... Uma parte de mim queria que eu pegasse o livro e o devorasse linha por linha; a outra insistia para que eu desse fim àquilo, queimando todas as suas páginas.

Eu confesso que queria destruí lo, mas fui vencido pela curiosidade. Fui fraco.

Certa noite eu tive um pesadelo e acordei apavorado. Não consegui pegar no sono outra vez. Tentei de tudo e não consegui. Acendi a luz e olhei para a estante. O livro não estava mais lá. Meu coração disparou.

O livro estava sobre o criado mudo. Como ele fora parar ali eu não sei. Quero dizer, na época eu não fazia idéia, mas hoje eu sei.

Se eu soubesse o que aquelas páginas teriam me prejudicado, jamais teria aberto aquele maldito livro.

Comecei a ler os manuscritos e descobri que não pertenciam à Marisa, apesar da letra ser idêntica. O livro era na verdade o diário de uma ancestral da Marisa. Os relatos datavam do ano de 1918; a dona do diário chamava se Renata Luz da Vida.

Fiquei fascinado pela sua história. Renata descreveu sua vida com tanta riqueza de detalhes que senti como se estivesse ali com ela. A dona do diário ficara viúva na mesma noite em que dera à luz. Nas primeiras páginas ela narra a dificuldade que foi sustentar uma filha sozinha e com pouco dinheiro. Para não morrerem de fome, Renata arranjou emprego como dançarina numa espécie de cabaré. Segundo ela, jamais se prostituiu, mesmo com a oferta de homens ricos e poderosos.

Até a metade do diário, sua história era muito bonita e fascinante; mas do meio para a frente as coisas começaram a ficar mais tristes e sombrias.

Charlene, filha de Renata, tinha treze anos de idade quando começou a passar por sérios problemas mentais. Os relatos de Renata vão ficando cada vez mais estranhos, até o ponto em que ela descreve minuciosamente a possessão demoníaca da filha. Eu não conseguia acreditar que tudo o que estava escrito naquelas páginas pudesse ter realmente acontecido com uma garota de apenas treze anos.

Aquilo mexeu demais comigo; fiquei em estado de choque. Afinal de contas eu me via dentro da história, tamanha era a capacidade narrativa de Renata.

Resolvi parar de ler o diário. Aquela história estava me fazendo mal, pois eu estava começando a sentir todo aquele peso. Foi muito estranho.

Apesar de não ler, não tive coragem de destruir o diário. Não me perguntem o porquê, pois eu não saberei responder.

Não agüentei ficar sequer duas noites sem ler o diário. As páginas me atraíam. Eu estava viciado naquilo.

Quanto mais assustadora ficava a história, mais páginas eu consumia por noite.

O mais estranho de tudo é que eu percebia o quarto ficar muito frio e carregado quando eu começava a leitura. Naquela época a minha irmã caçula tinha oito anos de idade; a pobrezinha começou a evitar o meu quarto a todo custo. Ela dizia que tinha muito medo; apesar de nunca ter conseguido me explicar o motivo.

Mas as coisas começaram a ficar sérias quando eu li a passagem sobre a morte de Charlene. Sua morte foi tão terrível que me traumatizou. Segundo Renata, o exorcismo de Charlene aconteceu numa manhã de domingo. Quatro padres da região compareceram à sessão. Foram horas de luta e muito sofrimento, até que o demônio começou a perder suas forças. Infelizmente, antes de abandonar Charlene, o demônio causou feridas por todo o corpo fragilizado da menina. Feridas que jamais cicatrizaram, levando a à morte.

Pode parecer bizarro para vocês, mas eu vi esta cena com meus próprios olhos. Vi flashes rápidos, é verdade, mas eu vi. Fiquei tão horrorizado que apaguei. Só fui acordar três dias depois num quarto de hospital.

Quando voltei para casa, não tive coragem de revelar para a minha mãe o verdadeiro motivo do meu estranho apagão. Ela ficaria ainda mais traumatizada do que eu. Guardei o segredo apenas para mim.

Entrei no meu quarto e o diário estava lá, sobre o criado mudo.

Confesso que pensei em me livrar dele, mas tive muito medo. Lembrei das imagens da casa da Marisa pegando fogo por cinco dias ininterruptos.

Será que aquilo também iria acontecer comigo se eu me desfizesse do diário?

Minha vida virou um inferno.

Eu ouvia vozes o dia todo, sempre me convidando a abrir as páginas do livro e prosseguir com sua leitura. E quando a noite chegava era ainda pior. Eu não conseguia dormir. Aquelas vozes estavam me enlouquecendo.

Mas eu seguia resistindo. Até que numa noite a situação passou dos limites.

Eu estava deitado na cama, as luzes apagadas, de repente senti uma mão gelada sobre as minhas pernas. Meu coração disparou e o resto do meu corpo congelou. Nunca senti tanto medo em toda a minha vida.

Senti um puxão forte e fui parar no chão do quarto.

Não sei de onde consegui reunir forças para me levantar e acender a luz do quarto. Ao fazer isso, vi o diário aberto sobre o criado mudo, bem na página em que eu havia parado de ler.

— Eu não vou continuar — falei, com a voz trêmula.

Todos os livros que estavam na minha estante foram jogados longe.

— Pode fazer o que quiser — falei com mais força e convicção desta vez. — Não vou continuar.

Todas as gavetas do criado mudo foram jogadas ao chão.

Quando eu comecei a rezar uma Ave Maria a estante balançou e caiu na minha direção. Se eu não tivesse sido rápido e rolado para debaixo da cama, não estaria aqui para contar esta história.

No dia seguinte eu não tive dúvidas; contei a história toda para a minha mãe. Ela ficou apavorada e chorou muito.

Passado o susto, destruímos o maldito diário juntos. Rasguei suas páginas em milhares de pedaços e depois queimei tudo. Não deixei sobrar absolutamente nada. Feito isso, peguei as cinzas e as joguei num rio que passa perto da minha casa.

Naquela mesma noite, dois padres amigos da minha família vieram em casa e terminaram o “serviço”. Não sei exatamente o que os padres fizeram, pois pediram que nos retirássemos do meu quarto durante todo o processo, mas o que eu posso dizer é que a minha vida finalmente voltou ao normal.

Não vou dizer que fiquei totalmente livre das vozes, mas quando elas me provocam eu faço uma oração e elas me deixam em paz.

FIM

↑ Voltar ao topo

MAIS UMA HISTÓRIA PARA GUARDAR

Que nota este conto merece?

Conclua a leitura para avaliar.

Seja um leitor fiel. Cadastre-se grátis para salvar sua leitura e avaliar.