← Todas as histórias
Capa de Edição 9 — Sangue do Meu Sangue
Nando e Pezão

Edição 9 — Sangue do Meu Sangue

Publicado em

Sinopse

Sem sinopse.

COMEÇAR A LEITURA
BOA LEITURA
Fonte 18 px
Espaçamento 1.4

Capítulo 1 · Trote?

Caralho, que céu!!! Acho que nunca vi um dia assim tão bonito. Praia, mulheres gostosas por todos os lados, cerveja gelada, churrasquinho de gato ... ai ai ...

De repente uma voz grita pra mim:

— Ei, você, será que poderia passar bronzeador nas minhas costas?

Não consegui ver seu rosto, pois o sol estava batendo nos meus olhos, mas algo naquela voz era familiar. Meu, foda-se a voz, olha o corpo da mina!!!! Vai, gostosaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Fiu-fiu!!!

— É pra já! — respondi, excitado.

Fui até ela, peguei o bronzeador, passei nas mãos e comecei a massagear aquele corpo escultural. Nunca vi um corpo tão perfeito em toda a minha vida. Nem me preocupei em ver o rosto. Alguém tão gostosa assim não pode ser feia, não pode. Seria uma aberração da mãe natureza.

— Hmmmmmmm, que delícia!!! — disse a gostosa. Putz, eu conheço esta voz ... é uma voz rouca, sexy ... Será que é a ... ???

— Daniela Cicarelli, é você?

A gostosa virou o rosto pra mim e respondeu:

— Sim, sou eu!!! Será que você poderia tirar meu biquíni? Eu quero ficar bronzeadinha por inteiro.

— Uhuuuuuuuuuu!!! Mas é claro que ...

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmm!!!!!!!

— Não, não, nãoooooooooo!!!! Puuuuuuuuuuuuuuuta que o pariu!!!!

Era um sonho??? Porra, mas é claro que era um sonho. Eu passando bronzeador na Daniela Cicarelli! Só em sonho mesmo. Se liga, Nando! Mas quem foi o filho da puta que me acordou na melhor parte?

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmm!!!!!!!

— Calma! Já vai! Já vai! 

Porra, alguém tem dúvida sobre quem seja? Peguei o maldito telefone.

— Fala, Pezão filho da puta dos infernos!!! Antes que você diga alguma coisa, enfie este seu dedo sujo no cu e assopre, assovie e morra!!! Tudo junto!!!

— Nossa, quanta violência!

Ops! Esta não é a voz do Pezão. É voz de biscate.

— Quem está falando? — perguntei.

— Olha, eu não sei se você lembla de mim.

— "Lemblo" sim, você deve ser o Cebolinha, da Turma da Mônica.

Comecei a rir feito uma hiena leprosa.

— Englaçadinho!!!

Meu, que diabos é isso? Hahaha ... alguém querendo me passar um trote logo cedo? Porra, são 11 horas da manhã ainda!!!

— Meu, fala sério, tenho mais o que fazer, quem é você?

— Eu tenho algo muito sélio pla te contar.

— Porra, vai me perdoar, mas imitando o Cebolinha eu duvido que você tenha algo sério pra me contar. Vou desligar, não tenho tempo pra trotes assim tão cedo.

— Espela!!! Não é tlote!!! Eu tenho um ploblema na fala.

— Ah, fala sério, você só pode estar me zoando. Vou desligar.

— Não desliga! Eu estou falando sélio. Não é tlote! Quando eu ela pequena eu lia muitos gibis do Cebolinha e fiquei com este ploblena na fala.

— Eu estou começando a desconfiar que você é o próprio Cebolinha. Sabia que você acabou de melar o melhor sonho que já tive até hoje? Eu estava sonhando com a Daniela CICALELLI.

— Englaçadinho você, hein!!! — disse ela, num tom bem irritado.

— Sou não, você é que é. Querendo passar trote logo cedo. Você não tem nada melhor pra fazer? Afinal de contas quem é você?

— Sou a mãe do seu filho.

Putz! Até caí da cama. Será que eu ouvi bem o que esta biscate metida a Cebolinha disse?

— Oh, agora o trote já pegou mais pesado, você não acha?

— Não é tlote, calamba!!!

Desliguei o telefone. Ah, vai tomar no cu! Trote logo cedo, ninguém merece. Melhor eu voltar a dor ...

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmm!!!!!!!

Puta merda, viu? Eu devo ter jogado cocô na cruz. Peguei o telefone novamente.

— Alô!

— Não é tlote, Nando!

— Então você sabe meu nome, não é?

— Sei, eu conheço uma amiga sua, foi ela que passou seu telefone.

— Que amiga?

— A Leila.

— Ah, é a cara dela fazer isso. Aquela filha da mãe adora sacanear os outros.

— Nando, não liguei pla te zoar. Estou falando sélio.

— Meu, você pode parar esta imitação barata do Cebolinha. Acho que o trote já acabou, não acha?

— Quantas vezes vou plecisar repetir ???? NÃO É TLOTE!!!!!

— Nossa, calma!!! Não precisa gritar.

A garota começou a chorar. Putz, ninguém merece.

— Oh, desculpa, acalme-se, está tudo bem. 

— Eu estou muito pleocupada, não sei o que fazer.

— Espere um pouco, você insiste que isso não é um trote.

— Não é mesmo. Estou falando sélio.

— Calma aí, mas que papo é este de você ser a mãe do meu filho? Que porra é esta? Eu não tenho filho nenhum!

— Nando, tente se lemblar de uma festa na casa do Coluja, ano passado.

— Coluja? Ah, saquei, Coruja.

— Isso, o Coluja.

Meu, isso aqui está ficando uma piada surreal. Eu estou me sentindo o Cascão conversando com o Cebolinha num gibi. Ninguém merece.

— Festa na casa do Coruja? Ano passado?

— Sim, não é possível que você não se lemble. A festa foi do calalho.

Putz!!! Agora eu me lembrei. A festa na casa do Coruja! Não digo que me lembro totalmente, pois foi foda pra caralho aquela festa. Meu, posso não ter comido todas, mas eu garanto que chupei umas quatro ou cinco biscates naquela noite. O Coruja é foda, conhece mulher pra caralho. Os pais dele tinham viajado e o filho da puta armou a maior zona. Foi a melhor festa que eu já fui até hoje. Na manhã seguinte eu acordei de cueca no sofá da sala, segurando uma garrafa de uísque.

— Olha, mina, pra ser bem sincero eu lembro desta festa, mas não me pergunte se eu me lembro de tudo o que rolou.

— Eu me lemblo de tudo. Nós tlansamos, sem camisinha.

— O quê ???

— Foi isso mesmo que você ouviu. Tlansamos sem ploteção.

— Ah, vai te catar! Eu só trepo com camisinha.

— Aquela noite você não usou. Quelo dizer, não usamos.

— Ah, fala sério, vou desligar o telefone. Este trote já passou dos limites.

— Tudo bem, vou ablir o jogo com você.

— Ah, eu sabia! É trote, não é? Ufa!

— Não, não é tlote. Eu só omiti um pequeno detalhe.

— Que detalhe?

— Eu tlansei sem camisinha com mais uma cala naquela festa.

— Porra, mina!!! Então como você vem me acusando de ser o pai da criança? Se é que existe mesmo esta criança.

— Quanto a isso você não duvide, a cliança existe, é um menino lindo. O nome dele é Rodligo.

— Rodrigo?

— Isso, Rodligo.

— Mina, não me importa se é Rodrigo, Pedro, Paulo, João ou o caralho!!! Eu não sou o pai deste menino.

— Como você sabe?

— Sei lá, mas não sou!

— Eu liguei pala o outlo cala.

— E o que ele achou disso tudo?

— O cala é um tlemendo filho da puta! Desligou o telefone na minha cala. Depois não falou mais comigo. Tomala que ele não seja o pai do Rodligo. Você é mais bonzinho.

— Bonzinho o caralho!!! Pra ser sincero nem sei porque estou dando atenção pra você. Isso aqui está com cara de trote. Fala sério, ninguém fala assim como você! Só o Cebolinha, porra!!!

— Já falei!!! Eu lia muitos gibis do Cebolinha quando ela cliança, aí eu acabei ficando com este ploblema na fala.

— Ah, fala sério!

— É sélio, calamba!!!

— Mas me diz uma coisa, por que você só me ligou agora?

— Meus pais me colocalam pla fola de casa.

— E a criança?

— Com o Rodligo e tudo.

A menina caiu no choro outra vez. Putz! Odeio mulher chorando! Fico sem saber o que fazer.

— Calma, mina, não chora. Tudo vai ficar bem.

— Não vai, não!!! Não tenho pla onde ir.

— Já tentou conversar com os seus pais? Não é possível que eles sejam tão ruins assim? 

— Eles quelem saber quem é o pai do Rodligo. Acham que eu sou uma vabagunda.

— Bom, você deu uma ajudinha também, né?

— Vocês homens são todos iguais, viu? Calalho!!! 

E a mina desligou o telefone na minha cara.

Puta merda, ninguém merece.

E agora? Será que foi trote? Será que já sou papai mesmo? Bom, se ela transou com outro cara aquela noite as minhas chances são iguais as dele. Meu, não estou preparado para ser pai agora. Não tenho grana, não tenho maturidade suficiente, não tenho porra nenhuma!!! Tomara que o pai seja o outro. Caralho, é isso que dá transar sem camisinha. O problema é que aquela festa foi foda, nem lembro direito com quem transei ou deixei de transar, foi uma zona dos infernos.

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmm!!!!!!!

Caralho!!! Deve ser a mina com síndrome de Cebolinha outra vez.

— Alô!

— Alô??? Mas que porra é esta? Virou gay?

Preciso perguntar quem é?

— Fala, Pezão do caralho.

— Agora sim. Beleja?

— Beleja nada, acabaram de passar um trote em mim.

— Porra, eu ia dizer a mesma coisa! Uma mina imitando o Cebolinha me ligou dizendo que sou o pai do filho dela. É mole?

Putz!!! Então o outro cara é o ...

Santa Pixirica!!!!!!!!!!!!!!

Capítulo 2 · DNA

— Fala, Pezão do caralho.

— Agora sim. Beleja?

— Beleja nada, acabaram de passar um trote em mim.

— Porra, eu ia dizer a mesma coisa! Uma mina imitando o Cebolinha me ligou dizendo que sou o pai do filho dela. É mole?

Putz!!! Então o outro cara é o ...

Santa Pixirica!!!!!!!!!!!!!!

-----------------------------------------------------

Comecei a suar frio.

— Porra, cara, eu não estou preparado pra ser pai.

— Sei lá, será que é tão ruim?

— Não acredito! Será que eu entendi bem? Você curtiu a idéia?

— Não sei, seria legal ter um "Pezinho" por aí ... alguém parecido comigo.

— Ah, fala sério!!! Outro filho-da-puta igual a você no mundo? Dá um tempo.

— Vai se foder, Nando! Se o guri for seu filho também não será grande coisa.

— Vira esta boca pra lá! Aposto que o pirralho é seu. 

— Ela disse que deu pra gente na festa do Coruja, certo?

— Isso mesmo.

— Cara, pra falar a verdade eu nem lembro quem comi ou deixei de comer naquela festa. Foi uma zona do caralho. Lembra?

— Claro que me lembro. Quero dizer, lembro de algumas coisas. Foi realmente uma suruba dos infernos aquilo lá.

— Porra, teve uma hora lá que passavam tantas mãos na minha bunda que eu já não sabia de onde vinha.

— Foi foda pra caralho. Precisamos fazer outra festa como aquela.

— Com certeza. Mas voltando ao assunto da biscate ... você acha que ela falou a verdade ou é apenas um trote?

— Sei lá, está me cheirando a trote. Aquele lance dela falar igual ao Cebolinha foi foda ... só pode ser piada.

Pezão caiu na gargalhada. Parecia uma hiena com constipação. Depois disse:

— Meu, quando ela falou "vai se felar!!!" eu quase fiz cocô na calça de tanto rir.

— Deve ser alguma amiga do Coruja fazendo uma pegadinha com a gente.

— Verdade, deve ser isso. Pau no cu do Coruja, aquele puto dos infernos.

— É, pau no cu dele.

— Pra falar a verdade vou ligar pra ele agora mesmo e esclarecer esta história. Daqui a pouco te ligo pra contar como foi.

— Beleja.

Desligamos o telefone.

Não deu nem 5 minutos a porcaria tocou novamente. Atendi:

— Fala, Pezão do caralho, era trote?

— Já falei pla você que não é tlote!!!!!!

Xiiiiiiiiiiiii, lá vem a imitação de Cebolinha outra vez. Fiquei puto.

— Olha aqui, minha filha, pode parar com esta brincadeira do caralho. Já perdeu a graça.

— Você está achando glaça? Pois eu não!

— Quero saber quem é você e de onde é.

— Nossa, você tem razão, eu não me aplesentei. Meu nome é Sonisvalda.

— Saravá, meu pai.

— Está tilando salo do meu nome?

— Claro, minha filha, você poderia arranjar um nome melhorzinho pra passar o trote, não acha? 

— Pola, não é tlote!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Calalho!!!!!!!!!!

Vão me desculpar, mas caí na gargalhada. Não é todo dia que você ouve alguém gritando "Calalho" ao telefone ... hahahahahahahaha

— Quero ver se você vai achar tanta glaça assim quando descoblir que é o pai do meu filho. Vou plocular meus dileitos, viu?

Parei de rir.

— Tudo bem, vou falar sério agora. De onde você é?

— Alalaquala.

— O quê?

— Alalaquala.

— Espera, deixa eu ver se entendi ... Araraquara. Isso?

— Isso. Alalaquala. Foi o que eu disse.

Porra, só pode ser piada isso.

— Porra, mas o que você estava fazendo na festa do Coruja?

— Eu estava passando félias na casa de uma amiga. Ela foi convidada pla festa e me levou junto.

— Onde transamos sem camisinha.

— Isso.

— E daí? Você disse que também transou com o Pezão.

— Pezão?

— O Maurício.

— Ah, ta. Pezão é o Maulício, entendi. Sim, também tlansei com o Maulício. Você é amigo dele?

— Infelizmente, minha filha, infelizmente. E você também deu pra ele, sem camisinha.

— Sim, sem camisinha.

— Porra, mina, você também é foda, hein!

— Eu nunca tinha tlansado sem camisinha antes. Foi sem queler, eu tomei muita tequila aquela noite, fiquei doidona.

— Se ficou doidona como sabe que deu pra mim e pro Pezão?

— Minha amiga que me contou. Ela foi uma das poucas pessoas sóblias naquela festa.

— Sóbria o caralho! Não vi ninguém sóbrio naquela festa.

— Ela estava, ela não pode tomar bilita, faz muito mal pla ela.

— Porra, mas o que você quer de mim então?

— Eu quelia um exame de DNA. Meus pais não me deixam voltar pla casa enquanto eu não descoblir quem é o pai do Rodligo.

— Caralho.

— Desculpa, eu não quelia fazer isso. Mas eu e o Rodligo não temos pla onde ir. Pleciso dos meus pais.

— E se o exame revelar que eu sou o pai do moleque?

— Não se pleocupe, não quelo dinheilo nem nada. Só pleciso saber quem é o pai.

Porra, meu coração partiu quando ela disse isso. Se for um trote eu mato o responsável.

— Tudo bem, farei o tal exame.

— Que bom. Nem sei como agladecer. Olha, pleciso desligar, estou falando de um olelhão.

— Entendo. Não se preocupe. Ah, também vou convencer o Pezão a fazer o exame. Vai ser foda, mas vou tentar.

— Obligada!!! Você é muito bacana. Pla ser bem sincela eu torço pla que você seja o pai. Não gostei do outlo.

— Porra, minha filha, agradeço as palavras, mas não sei se quero ser pai agora não.

— Quelendo ou não ...

— Já sei, já sei, mas vamos esperar o exame.

— Sim, vamos espelar. Bom, agola vou desligar.

— Espera! Só uma última pergunta.

— Sim, pergunte.

— Se você tem o mesmo problema do Cebolinha, o nome do seu filho não ficaria Lodligo?

— Tive sessões de fonoaudiologia. Conseguimos coligir alguns ploblemas. Mas como já percebeu ... não coligimos tudo.

— Sim, percebi.

— Amanhã eu ligo novamente pla saber se o seu amigo topou fazer o exame.

— Certo. Você vai ficar bem?

— Acho que vou. Eu me vilo, não se pleocupe.

E desligou o telefone. Logo em seguida a porra tocou novamente. Atendi:

— Caralho, não agüento mais!!! Meu ouvido já está até fervendo.

— Falei com o Coruja. — disse Pezão.

— Eu acho que não é trote, Pezão. A mina está falando sério.

— Pode ser. O Coruja me disse que não sabe de nada. E olha que eu apertei o desgraçado.

— Cara, agora só nos resta fazer uma coisa.

— O quê?

— Precisamos fazer o exame de DNA.

— Sai fora! Eu me recuso.

— Nossa, que medo é este?

— Não é medo, o problema é que eu nunca acerto o potinho.

— Que potinho?

— Exame de DNA não é aquele em que você faz cocô num potinho?

— Caralho, isso aí é exame de fezes!!!!!!!!!!!!!!

Ninguém merece.

Capítulo 3 · Genérico

— Precisamos fazer o exame de DNA.

— Sai fora! Eu me recuso.

— Nossa, que medo é este?

— Não é medo, o problema é que eu nunca acerto o potinho.

— Que potinho?

— Exame de DNA não é aquele em que você faz cocô num potinho?

— Caralho, isso aí é exame de fezes!!!!!!!!!!!!!!

Ninguém merece.

-----------------------------------------------------

Gastei uma meia hora pra explicar para o atrasado mental o que é um exame de DNA. Tudo bem que eu também não sei muito bem como funciona o bagulho, mas sei que não precisa cagar num potinho.

Por mais incrível que pareça Pezão topou fazer o exame numa boa. Eu acho que o filho da puta está curtindo a idéia de se tornar papai. Porra, pra ele seria fácil, não é? A mãe dele caga dinheiro, o cuzão nem precisaria se preocupar com nada.

Naquele mesmo dia procurei saber como e onde fazer o tal exame. Fiquei pasmo quando descobri que custava tanta grana. 

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmm!!!!!

Puta merda, será que é o Pezão ou garota Cebolinha?

— Alô! — atendi.

— Alô, que porra de alô? 

— Fala, filho da puta.

— Oh, estou ligando do meu celular novo.

— Ganhou da mamãezinha, foi?

— Cara, muito louco o bagulho!!! Tira fotos e o caralho.

— Vai tomar no seu cu, Pezão, estou preocupado com outras coisas.

— Eu também estou, ainda não descobri como faço pra fotografar.

— Leia o manual, seu merda.

— Manual? Eu não, quem curte manual é o pirralho, eu sou mais um fuça-fuça.

— Foi assim que você quase morreu eletrocutado com a televisão, lembra?

— Porra, claro que me lembro. Desde aquele dia não crescem mais cabelos no meu saco.

— Pezão.

— Fala.

— Enfia o dedo no cu e assovia!!!!

— Consegui !!!

— Enfiar o dedo no cu e assoviar?

— Isso é fácil. Consegui bater a foto com o meu celular novo!

— Ah, vai se foder, enfia este celular no cu.

— Seu celular aceita receber fotos por torpedo?

— Acho que não, meu celular é de pobre.

— Azar o seu. Eu ia lhe enviar a foto que bati aqui.

Pezão caiu na gargalhada. Parecia uma hiena assistindo o Chaves.

— Do que está rindo, seu bosta?

— Da foto. Ficou show!!!

— O que você fotografou? 

— Deixa pra lá, você não consegue receber mesmo!

Putz! Ninguém merece. Pezão prosseguiu:

— Vou mandar pra galera!!! Quem aceita torpedo com foto?

— Porra, Pezão, dá um tempo. Eu estava pesquisando quanto custa fazer um exame de DNA. Você imagina quanto custa?

— Não faço a menor idéia.

— É caro.

— Quanto? Uns 5 mil reais?

— Não chega a tanto, mas é caro.

— Ah, então foda-se, não se preocupe, eu pago o seu exame também.

— Paga mesmo?

— Vou aproveitar que a velha está de ótimo humor hoje. Ela ganhou um caso para uma multinacional. A velha está cagando dinheiro hoje. Não vejo a hora dela encher a cara e começar a jogar notas de 50 para o alto.

— Filho da puta sortudo.

Pezão caiu na gargalhada outra vez. Maldito.

— Espera aí, a velha acabou de passar aqui em frente ao meu quarto. Vou contar pra ela sobre o exame. Vou levar o celular comigo pra você ouvir nossa conversa. Vai ver como a coroa está animadaça.

Foda-se, pagando meu exame, estou me lixando. Bom, vamos ouvir a conversa:

— Mãe!!! — gritou pezão. Caralho, o celular é bom mesmo, o gritou saiu tão forte que tive a impressão dele estar gritando no meu ouvido. Quase caí da cama, tamanho foi o meu susto.

— O que é? — respondeu ela. A voz estava meio mole, acho que ela já começou a encher a cara de uísque. Rico é cheio de frescura, né? Eu prefiro a boa e velha cerveja.

— Eu preciso contar um negócio pra você.

— Desembucha logo, cacete!!!

A mãe do Pezão é desbocada igual a gente. Se não for pior. Imagine bêbada.

— Eu preciso de grana pra fazer um exame de DNA.

— Como é que é?

Xiiiiiiiiiiiiiiiiiii, a coroa não ficou muito contente.

— Eu acho que vou ser papai. — disse Pezão.

— Papai? Eu ouvi bem? Maurício, você não cuida nem do seu cachorro!!!

— Mas ...

— Cale esta boca e ouça bem o que vou lhe dizer, você vai mandar esta vagabunda abortar, não quero nem saber!!!

Caralho!!! A mulher ficou uma fera!!! Esperem, ela está gritando mais coisas:

— Olha bem pra mim!!! Acha que eu tenho cara de avó?

— Mãe, você ...

— Cala esta boca e me responde! Eu tenho cara de avó?

— Não.

— Então pronto. Caso encerrado. Ah, tenha dó! Eu, hein!!! Você não usa camisinha?

— Uso, mãe.

Caralho, nunca vi o Pezão baixar a cabeça pra mãe dele assim, geralmente as brigas são feias. Lá vem a velha outra vez:

— Pois eu acho que não!!! O que você faz com o dinheiro que eu lhe dou?

— Ah, sei lá.

— Como é que é? Ah, mas você está precisando de uma lição, hein!

— Isso aí, mãe!!! — é a voz da Maura, a mana. Putz, agora é que o Pezão vai ficar puto.

— Dá licença que a conversa não chegou no chiqueiro. — disse Pezão.

— Fiquem quietos vocês dois!!! Você também não tem moral pra criticar seu irmão.

Putz!!! O humor da velha "estava" bom, agora foi pro saco.

— Mas e o meu exame, mãe? — gritou Pezão, quase chorando.

— O que tem? Acha que eu vou pagar? Está muito enganado, Maurício.

— Mas, mãe ...

— Azar o seu!!! Fez a cagada, agora vai lidar com as conseqüências.

— O que ele quer, mãe? — perguntou a Maura.

— Seu irmão transou com alguma biscate e agora quer fazer exame de DNA pra saber se é o pai.

A mana do Pezão caiu na gargalhada, e disse:

— Seu idiota, não sabe usar camisinha?

— Vai tomar no seu cu, sua vaca! 

Não deu pra ver, mas aposto que Pezão mostrou aquele famoso dedo pra mana.

— E me passa este celular pra cá! — disse a velha. Acho que ela tomou o celular das mãos do Pezão. — Esta porcaria me custou quase 2 mil reais.

— Porra, mãe! — disse Pezão.

A voz dele ficou mais distante. Com certeza a coroa pegou o celular.

— Mas era só o que me faltava!!! — disse a mãe do Pezão, puta da vida. — Isso aqui no visor ... é a foto de um saco? Seu filho da ....

E a ligação caiu.

Puta merda, tomei no cu. Lá se foi o meu exame com custo zero. Meu único consolo é que o Pezão também se fodeu. Bem feito!!!

E agora, quem poderá me defender?

Porra, quando eu era criança eu vivia repetindo isso, certo de que o Chapolim cairia da janela ou do teto.

Mas não caiu.

Fui obrigado a procurar uma solução para o exame de DNA. Nem cogitei a hipótese de pedir grana para os meus pais. Se a mãe do Pezão reagiu daquela forma, imagine a minha mãe então. Nem pensar!!! Seria o mesmo que suicídio. Estou novo pra morrer, vocês não acham?

Foi então que topei com um velho conhecido. Na verdade vocês também o conhecem. Lembram do ...

— Fala, Mamutão!!!

— E aí, Nando, beleja?

— Beleja nada. Porra, Mamute, as coisas não estão muito boas, mas a gente vai levando.

— O que aconteceu?

— Ah, deixa pra lá. Conta as novidades.

— Acabei de sair da cadeia.

— Caralho, é mesmo? Mas o que você fez?

— Fui solto, porra, acabei de dizer.

— Caralho, eu sei, mas o que você fez para ficar preso?

— Nada.

— Nada? Ninguém vai preso por não fazer nada. Conta aí, porra!

— Ah, eu dei uma voadora na minha namorada.

— Caralho, uma voadora?

Comecei a rir, só de olhar para o tamanho da barriga do Mamute. Algo monstruoso.

— Mamutão, fala sério, como é possível você dar uma voadora em alguém? Olha só pra você!

— O que tem?

— Porra, o máximo que você pode fazer é rolar sobre alguém. Duvido que você consiga dar uma voadora. Duvido que você consiga sair mais do que 10 centímetros do chão.

— Estou falando pra você! O bagulho foi tão feio que eu quase arranquei a orelha dela. Eu nunca contei pra você, mas eu já fui mestre em karatê.

Fala sério, hein! Mestre em karatê? Hahahahahaha ......

— Ah, e eu já fui samurai. Fala sério agora, como deixaram você sair? Pagou fiança.

— Não, minha mina tirou a queixa contra mim.

— Não acredito. Depois de você ter dado uma ... "voadora" ... ela retirou a queixa?

— O amor é lindo, Nando.

— Ah, vai se foder, se fosse comigo eu deixaria a minha namorada apodrecer na cadeia. Comigo não tem boi.

— Mas eu acho que ela retirou a queixa porque está grávida.

— Caralho, não acredito, você vai ser pai?

— Pois é.

— Não acredito, o mundo vai ganhar um mamutezinho?

— Na verdade será uma mamutezinha. 

— Ninguém merece.

— Fala assim não, cara, um dia você também será pai.

— Nem me fale, Mamute, você nem sabe da última.

— Como assim? Você já é pai? Como? Quando? Onde? Quem é a mãe?

— Calma, porra!!!

Contei toda a história para o Mamute.

— Caralho, que situação! — disse ele.

— Pra você ver. Joguei cocô na cruz ou não?

— E a mãe do Pezão cortou a mesada dele e tudo?

Mamute quase rolou no chão de tanto rir, parecia uma hiena com tesão.

— Precisa ver, ela só não cortou o carro, mas como a grana está acabando, quero ver como ele vai se virar pra abastecer. Ontem mesmo ele me pediu 6 reais. Mandei ele tomar no cu, é claro.

— Já imaginou o Pezão trabalhando?

Putz, agora quem caiu na gargalhada fui eu. Só de imaginar o Pezão trabalhando quase me mijei todo. Já tentaram imaginar o Pezão trampando como entregador de pizza ou empacotador em supermercado?

— O pior de tudo é que ele ia pagar o meu exame. Tomei no cu também.

— Nando, não se preocupe, eu conheço um lugar onde vocês poderão fazer este exame a preço de banana.

— É mesmo? Mas não é ilegal?

— Fica frio, não existem os remédios genéricos?

— Sim.

— Então, eu conheço um hospital genérico.

— Ah, isto não está me cheirando bem.

— Você já foi lá? O cheiro é foda mesmo, mas você se acostuma.

— Porra, eu disse que a "situação" não me cheira bem.

— Fica frio. Não confia no velho Mamute?

Depois da história do karatê ... é ruim, hein!!!!

Hospital genérico? Meu, fala sério, ninguém merece.

Mas o problema é que estou mais duro que bilau de ator pornô em dia de décimo-terceiro. Acho que não terei outra alternativa. Pezão também não.

Hospital genérico, aqui vamos nós.

Capítulo 4 · 60 Reaus

Hospital genérico? Meu, fala sério, ninguém merece.

Mas o problema é que estou mais duro que bilau de ator pornô em dia de décimo-terceiro. Acho que não terei outra alternativa. Pezão também não.

Hospital genérico, aqui vamos nós.

-----------------------------------------------------

Ao cair da noite fui até a casa do Pezão contar a novidade.

— Hospital genérico? — perguntou Pezão, com uma cara bem desconfiada.

— Pois é, quem não tem cão caça com gato.

— E quanto vai custar o exame?

— Ainda não sei, mas o Mamute garantiu que é tudo baratinho lá.

— Porra, até que enfim uma notícia boa, hein! Onde fica isso?

— Nem o Mamutão soube explicar direito, mas ele disse que vai com a gente.

— Pegou um telefone pra gente marcar o exame?

— Sim, ele me passou um telefone.

— Liga lá e já vê quanto fica o exame! Eu não suporto mais aquela guria me ligando. Quero fazer logo esta porra de exame e ficar livre disso.

— E se você for o pai?

— E daí?

Bom, acho que isso responde minha pergunta.

— Deixa pra lá. — falei. — Passa o aparelho, vou ligar e descobrir quanto custa o exame lá.

Pezão me passou o telefone sem fio e liguei para o número que o Mamute me passou. 

Uma voz super esquisita atendeu, dizendo:

— Crínica Pichiquita, boa noite.

Putz, caí na gargalhada, qual o nome da clínica? Perseguida? Periquita? Além disso a moça teve a moral de dizer "crínica" ... Ninguém merece.

— O que foi, o que foi? — perguntava Pezão, desesperado pra saber o motivo da minha gargalhada.

Mas fiquei quieto.

— Algum pobrema, senhor? — perguntou a secretária, um pouco nervosa.

Putz!!! Pobrema? Meu, ou a secretária é analfabeta ou está tirando uma com a minha cara. Fala sério!

— Não, não, perdoe-me. Eu só fiquei um pouco confuso. Qual o nome da clínica?

— Crínica Pichiquita, senhor.

— Ah, ta, entendi. — quase comecei a rir novamente. — Eu gostaria de uma informação. Vocês fazem exame de DNA?

— Sim, fazemos.

— Poderia me informar quanto custa?

— Cobramos sessenta reaus por exame.

Caralho!!!! Eu ouvi direito? Sessenta reais? Mas eu pesquisei e não consegui achar por menos de mil e quinhentos. Ah, não é possível, deve ser gozação.

— Moça, você tem certeza disso? Sessenta reais? É exame de DNA mesmo, né? Não é de fezes, certo?

— Sim, sessenta reaus. Exame de DNA. Temos alguns horário disponível para amanhã, gostaria de marcar um exame?

Meu, a secretária é analfa, mas cobrando sessenta reais eu nem ligo. Pode até trocar Jesus por Genésio ... ou melhor, por Genérico.

— Olha, é tentador, mas preciso consultar mais uma pessoa. Volto a ligar, ok?

— Tudo bem, tenha uma boa noite, senhor.

— Porra, minha filha, senhor? Não sou tão velho assim, mas tudo bem. Boa noite pra você também.

E desliguei o telefone, feliz da vida, é claro. Meu, sessentinha dá pra encarar numa boa. Mas deve ter gato nesta tuba. Está barato demais.

— Sessenta reais, é isso mesmo? — perguntou Pezão.

— Acredite se quiser. Finalmente o Mamutão nos serviu para alguma coisa.

— E como é que o Mamute sabia deste lugar?

— Putz! Boa pergunta. Nem faço idéia. Mas foda-se, o importante é que o lugar existe e o precinho é camarada.

— E por que não marcou logo o nosso exame, porra?

— Pezão.

— Fala.

— Enfia o dedo no cu e conta até cem!!! Seu bosta, não está esquecendo de nada?

Pezão fez uma puta cara de quem não está entendendo porra nenhuma e respondeu:

— Não.

— Porra, como vamos fazer o exame de DNA sem a mãe e o moleque?

— E daí? O que eles têm com a história?

— Pezão, comeu cocô? Sem os exames deles como vamos saber se um de nós é o pai?

— Seu merda, mas é justamente pra isso que vamos fazer o exame!!! Dããããã!!!!

Fala sério, hein!!! Sorte do Pezão que ele é rico, caso contrário o coitado não conseguiria nem vender mamão papaia na feira.

De repente passa alguém pela porta do quarto do Pezão. Este sim é o esperto da família.

— Fala, Bill Gates!!! — gritei, chamando a atenção do pirralho.

O guri estava com um caderno na mão. Parecia estar bolando alguma coisa. Mas veio falar com a gente. Olhei para o caderno todo rabiscado e perguntei:

— Criando alguma bomba nuclear?

— Infelizmente não tenho todos os elementos necessários para isso, mas se quiser derrubar um prédio de até 10 andares eu consigo uma fórmula na internet.

— Não, muito obrigado. Fica para outro dia.

O pirralho meteu a mão no bolso e retirou uma bolinha branca, tipo uma bolinha de gude.

— Aceita? — disse ele, segurando a bolinha entre o polegar e o indicador.

— O que é isso? Outra daquelas malditas balinhas do caralho?

— Não, fica frio, parei com aquilo. Fabricar balinhas com sacanagem é coisa para criança. Esta aqui eu comprei ali na padaria mesmo.

Ele pegou a bala e jogou na boca. Foda-se, não caio nessa. Este guri é foda. Vocês sabem muito bem disso.

— Eu quero uma. — disse Pezão.

— Babacão, vai cair na pegadinha? — alertei.

— Não é pegadinha, Nando. — disse o pirralho. — Eu já falei, agora meus projetos são bem maiores do que ficar fazendo balinhas com truques.

— Vai me dar a bala ou não, porra? — gritou Pezão.

O maldito Bill Gates Júnior enfiou a mão no bolso novamente e pegou outra daquela balinha. Bom, avisar eu avisei.

Pezão pegou a balinha e jogou pra dentro de sua maldita boca. 

— Hmmmmmmm!!! Gostosinha, hein!!!

— Foda-se, eu não me arrisco.

O pirralho deu uma olhada no seu caderno e partiu. Mas antes que deixasse o quarto eu perguntei:

— Ei, e a sua ex-namorada? Como era mesmo o nome dela?

— Do que você está falando?

— Aquela guria gótica, aquela que lavava o cabelo com mijo. Morreu, né?

— A Samires.

— Exatamente, Samires. É verdade que você fez umas ganbiarras no celular do meu primo e consegue falar com ela?

— Sim, mas não falo só com ela. Consigo falar com outros espíritos também.

— Você conversa com fantasmas através daquele celular?

— Sim, foi mole pro gato, nem precisei mexer muito. Pra ser sincero com qualquer celular você consegue fazer isso, desde que saiba teclar os números certos e apontar na direção certa também.

Meu, senti até um arrepio na nuca. 

— Caralho!!! Meu, você vai me ensinar a fazer isso, não vai?

— Nem vou. Isso é muito perigoso. Exige prática.

— Porra, Bill Gates, vai regular?

— Meu, esta balinha é boa pra caralho!!!! — disse Pezão, totalmente alienado da nossa conversa sobre espíritos. 

Porra, estou achando que tem maconha nesta balinha do pirralho. Pezão está na maior viagem. Só falta ele dizer ... "é isso aí, camaradinha Nando, quer que eu delete esta joaninha que está na sua camiseta??? ".

— Ah, antes que eu me esqueça, — disse o pirralho. — a Dona Mirandinha mandou um beijão pra você, mano!!!

Depois de soltar essa o guri saiu correndo pelo corredor. Eu caí na gargalhada, tipo uma hiena com gangrena. Pezão, o zoado, parece nem ter ouvido, continuou sua viagem com a balinha suspeita.

— O que você está olhando? — perguntou ele, com aquela cara de cuzão.

— Eu? Estou tentando descobrir qual é a pegadinha desta bala.

— Tem pegadinha não, porra! Pra falar a verdade eu nunca chupei uma bala tão gostosa como esta. Pra ser mais sincero ainda, é quase tão bom quanto chupar uma bucetinha.

— Ah, se liga!!! Está necessitado, hein! Confundindo bala com buceta. Eu, hein!

— É sério!!! Se duvida tanto pede uma pra você experimentar. O bagulho é bom mesmo, cara!!!

— Sai fora, do seu irmão eu só aceito bom dia e boa noite. Aquele moleque é meio bruxo. Ouviu os papos dele? O filho da puta conversa com gente morta pelo celular.

— Cara, esta bala é boa pra caralho!!! Em qual padaria será que ele comprou? Vou comprar uma caixa inteira.

— Vai, bobão, vai nessa, daqui a pouco seu pau fica fosforescente outra vez. Aí eu quero ver você choramingando pelos cantos.

— Porra, Nando, isola!!! Vai jogar praga na puta que o pariu!!!

— Cara, to indo nessa. Amanhã cedinho vou ligar pra Cebolinha Cover e dizer que ela precisa vir até aqui com o moleque para fazermos esta porra de exame.

— Você está viajando. Nem precisa dela nem do moleque.

— Pezão, fica frio, vai por mim. Ah, e quando você for pedir outra bala pro maninho aproveita e pede pra ele lhe ensinar alguma coisa sobre DNA.

Olhei para a cara do Pezão e notei algo muito estranho. O cara estava amarelo. As mãos apoiavam o estômago.

— O que foi? Deu caganeira?

— Sei lá, acho que ....

Meu, ninguém merece, Pezão soltou um peido tão estrondoso, mas tão estrondoso, que até o abajur atrás dele caiu do criado-mudo.

Tapei o nariz e saí correndo do quarto.

— Porra, Pezão, fala sério!!!!!!!!!!!!! — gritei, já bem longe do quarto.

De repente uma cabecinha surge de uma porta no corredor. Era o pirralho, com uma cara de quem fez arte.

— O que aconteceu? — perguntou ele, já com um sorrisão nos lábios.

— A anta do seu irmão jogando merda no ar.

Quando eu terminei de dizer isso o pirralho caiu numa gargalhada nunca vista antes. Era como se umas cem hienas tivessem se reunido para uma convenção.

— Então funciona? — perguntou o pirralho, entre uma gargalhada e outra.

— Sei lá o que você aprontou desta vez, só sei que seu irmão está com o cu desregulado. Quanto tempo ele vai ficar assim?

— Sei lá, talvez alguns dias .... ou meses!!! Hahahahaha.

Putz!!! Eu sabia que aquela bala tinha alguma sacanagem.

Pezão apareceu no corredor e .... Caraaaaaaaaaaaaaaalho!!! Aquilo foi um peido ou um jato sobrevoando a casa??? Meu, já ouvi peidos estrondosos na minha vida, mas estes dois últimos fugiram do normal.

Tapei o nariz outra vez, é claro.

— Meu, fica longe de mim!!!

— Caralho, eu não sei o que está acontecendo comigo! Nem comi nada pesado hoje!

— Seu bosta, você ainda não percebeu? 

— Percebi o quê?

— Foi a balinha do seu irmão, seu bosta!!!

Nem bem terminei a frase e Pezão peidou novamente. Se é que posso chamar aquilo de peido. E este terceiro foi tão estrondoso ou até pior que os dois primeiros. Meu, este rasgou a cueca, com certeza!!!

— Estou indo nessa, Pezão, e só volto quando você estiver melhor.

Pezão ficou furioso. Correu até o quarto do pirralho, mas já era tarde. O guri trancou a porta. De onde eu estava ainda dava para ouvir claramente as gargalhadas de hiena com catapora que o guri estava soltando lá dentro. Maldito pirralho dos infernos.

Capítulo 5 · O Antídoto

Nem bem terminei a frase e Pezão peidou novamente. Se é que posso chamar aquilo de peido. E este terceiro foi tão estrondoso ou até pior que os dois primeiros. Meu, este rasgou a cueca, com certeza!!!

— Estou indo nessa, Pezão, e só volto quando você estiver melhor.

Pezão ficou furioso. Correu até o quarto do pirralho, mas já era tarde. O guri trancou a porta. De onde eu estava ainda dava para ouvir claramente as gargalhadas de hiena com catapora que o guri estava soltando lá dentro. Maldito pirralho dos infernos.

-----------------------------------------------------

Trrrrrrrrrrrrrrimmmmm!!!!

Caralho, tarde deste jeito só pode ser um indivíduo. Porra, não são nem duas horas da tarde!!!

— Fala, Pezão dos infernos.

— Aqui é a Sonisvalda.

— Sony o quê?

— Sonisvalda, a galota de Alalaquala.

Meu, caí numa gargalhada descomunal, eu parecia uma hiena solta num manicômio.

— O que eu falei de tão englaçado?

— Perdão, é que eu sempre acordo de ótimo humor. Tudo me faz rir. Uma vez ligaram pra avisar que minha tia tinha morrido, nem te conto o rolo que deu.

— E o exame, vocês vão fazer ou não? Eu não agüento mais molar de favor na casa da minha amiga. É chato pla calalho.

— Imagino. — e caí na gargalhada novamente.

Porra, vocês não imaginam o quanto é difícil se manter sério ouvindo alguém falar feito o Cebolinha. Dá a impressão de que você está dentro de um gibi. É foda.

— Selá que eu liguei elado? Quem costuma agir assim comigo é o seu amigo Maulício. Você semple me tlatou bem.

— Perdoe-me novamente. Agora falando sério, nós vamos fazer o exame. Só não marquei porque eu queria saber quando você poderá vir aqui pra fazermos juntos.

— Puxa, que ótima notícia! 

— Vamos descobrir quem é o pai do Rogério.

— Não é Rogélio, é Rodligo.

— Isso aí. Falando nisso, quantos anos ele tem?

— Oh, cabeça de vento, acorda, ele não completou nem 3 meses ainda.

— Ah, é verdade. Dã!!!!

— Ele é lindo, aposto que vai se dar muito bem com a mulhelada quando clescer.

— Só espero que ele seja mais esperto que o pai.

— Como assim?

— Espero que ele use camisinha, porra!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

— Verdade, foi muita bulice nossa. Pense bem, podelíamos ter contlaído uma doença venélea.

— Putz, é mesmo, eu nem tinha parado pra pensar nisso.

— Mas voltando ao assunto do exame, eu esqueci de lhe dizer, não tenho glana pla pagar. Como vamos fazer?

— Não se preocupe, a gente paga.

— Calalho!!!!!! É mesmo????? Não acledito!!!!!! Você é um anjo?????

— Nem, idiota mesmo.

— Não fale assim, vocês estão agindo como homens. Estou orgulhosa de vocês.

— Acho melhor você vir logo pra cá, antes que a gente mude de idéia.

Agora quem caiu na gargalhada foi ela.

— Você é muito englaçado, Nando. Tomala que você seja o pai do ...

— Opa, opa, opa!!! Não vamos nos precipitar, ok? Façamos o exame e depois a gente fala neste assunto.

— Tudo bem, você tem razão. Olha, amanhã cedinho vou pegar o ônibus aqui em Alalaquala. Devo chegar aí por volta das 10 holas da manhã.

— Combinado.

— Vocês me espelam na rodoviália, certo?

Putz! Este negócio de esperar na rodoviária me trouxe tantas memórias!!! Lembram da ... Ruthinha? Lembram do primo Jaime e da fofoqueira Joana? Lembram da Lu? Caralho, acho que peguei trauma de rodoviária. Aquele lugarzinho é meio sinistro.

— Sim, esperamos por você lá.

— Só mais uma perguntinha, você se lembla de mim, certo?

— Pra ser sincero ...

— Calalho, homem é tudo safado mesmo!!! Come e esquece.

— E você se lembra de mim?

— Bom, eu acho que ...

— Também não lembra, né? 

— Mas eu fiquei de costas pla você o tempo todo, né?

— É mesmo? Disso você lembra.

— É que eu adolo tlansar de quatlo.

Caí na gargalhada novamente.

— Do que está rindo agola?

— Nada, fica fria, amanhã a gente se vê na rodoviária.

— Sou gostosa, quando me ver vai se lemblar da festa do Coluja.

— Espero que sim.

— Até amanhã.

— Até.

Nem bem desliguei e a porra tocou novamente.

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmm!!!!!

— Fala, Peidão dos infernos!!!!

— Peidão dos infernos o caralho!!!! Nem me fale nisso, estou com o cu rasgando de dor. Se eu pego aquele pirralho eu mato!!!! Maldita balinha da porra!

— Eu te avisei, cara.

— Eu detesto admitir, mas foi verdade, você me avisou.

— Até parece que você não conhece o seu mano.

— Aquele filho da puta ainda vai se dar muito mal na vida, ou muito bem, sei lá. Isso se eu não esganar aquele pescocinho fino de galinha que ele tem.

Ouvi um trovão pelo telefone. Bom, na verdade não era bem um trovão, mas um ...

— Caralho, Pezão!!! Você ainda não parou de peidar?

— Não, porra!!! Não acabei de dizer que estou com o cu rasgando de dor? Aquela maldita bala me fodeu. Eu vou matar aquele pentelho dos infernos.

— Nem pense nisso, você sabe muito bem que ele é o xodó da sua mãe, se você fizer isso ela mata você depois.

— Bom, isso é verdade.

— Falando na mama, acabei de conversar com a Cebolinha cover.

— E daí?

— E daí que ela virá pra cá amanhã.

— Amanhã?

— Sim, faremos esta porra deste exame de uma vez por todas.

— E ficaremos livres.

— Não é bem assim, afinal de contas um de nós é o pai do moleque.

— Não sei explicar, mas eu tenho certeza de que sou o pai do guri.

— Sei lá, semana passada sonhei com a ... Ruthinha. No sonho ela aparecia com uma barriga gigantesca, grávida de um filho meu.

— Se a minha mãe descobrir que é avó eu acho que ela me mata.

Outro trovão. Ainda bem que telefone não tem cheiro!!!!!!!

— Meu, parece que você tem uma corneta colada no cu. Que diabos tinha naquela bala?

— O pior é que o filho da puta não sai daquele quarto!!! Ele sabe que se sair eu pego ele de jeito e quebro todos os ossinhos. Cara, meu cu está em chamas!!!

— Enfia a mangueira que passa!

— Nando.

— O quê?

— Enfia o dedo no cu e conta até cem.

Desliguei o telefone.

Triiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmm!!!!!

Caralho!!! Mas que diabos está acontecendo? Não me deixam em paz!!! Não agüento mais atender telefone, meu ouvido está ardendo.

— O que você quer, porra??? — gritei, apertando o telefone com muita raiva.

— Calma. — não é a voz do Pezão, se eu não me engano é o pirralho.

— Cara, seu irmão está muito puto com você.

O pirralho caiu na gargalhada.

— Sério, cara, — falei. — eu acho que desta vez ele te mata. Fica esperto.

— Olha, eu queria te pedir um favor.

— Favor? Olha, eu adoro zoar com a cara do seu irmão, você sabe disso, mas ajuda o cara, ainda mais que nós vamos fazer um exame amanhã e não quero ser obrigado a agüentar o Pezão jogando bosta no ar que eu respiro.

— Então, o favor é justamente pra ajudar. Eu acho que consegui desenvolver uma outra bala pra reverter o efeito dos gases incontroláveis.

— Espera um pouco, você "acha" que conseguiu? Então você ainda não tem uma fórmula pra fazer aquilo parar?

— Mas acho que vai funcionar, só preciso da sua ajuda.

Lá vem merda. Duvidam?

— Qual é o favor? — perguntei, pensando mil e uma coisas ruins.

— Preciso de um pêlo do cu do meu irmão.

Não falei? Eu tenho um ótimo faro pra sacanagem.

— Pêlo de onde?

— Do cu.

— Porra, isso é um favor ou um pedido suicida?

— Eu preciso pra fazer a bala.

— Ah, fala sério!!!

— Estou falando, eu preciso do pêlo do cu da pessoa que chupou a bala, sem este ingrediente o bagulho não funciona. Já fiz vários testes.

— Então sinto muito, seu irmão vai ficar com o cu pegando fogo até morrer.

— Pois é.

— Porra, mas por que precisa ser eu? Você que fez a porra da bala, vai lá e pede um pêlo do cu dele! Se for pra ajudar ele vai dar numa boa.

— Nem vai. Antes ele me mata, eu nunca vi ele tão puto assim comigo. E pra ajudar minha mãe viajou. Não tenho ninguém pra me proteger dele.

— Xiiiiiiiiii, sua mãe viajou? Sujou pro seu lado então, hein!

— Sujou. Vai ajudar ou não?

— Nem vou.

— Grande amigo você é, hein!

— Tudo tem um limite, guri. O máximo que eu posso fazer é pedir pra ele arrancar um pêlo e jogar aí pelo vão da porta do seu quarto. Serve?

— Claro, você faria isso?

— Bom, aí não me custa nada.

— Legal. Fico no aguardo.

O pirralho desligou o telefone.

Porra, lá vou eu novamente. Não agüento mais ver telefone na minha frente. Vou pegar raiva desta merda.

Disquei para o celular do Pezão, o filho da puta atendeu.

— O que você quer?

— Fica na tua, só estou ligando pra ajudar.

— Ajudar? Cara, a única coisa que pode me ajudar neste momento seria um caminhão de gelo pra eu sentar e aliviar minha dor anal.

— Não tenho um caminhão de gelo, mas tenho a solução.

— Ah, fala sério, não venha me zoar agora, né? Estou sofrendo.

— Cala a boca e escuta, porra! Seu irmão acabou de me ligar.

— É mesmo? Meu, hoje eu pego aquele filho da puta e acabo com a raça dele.

— Calma, ele quer ajudar. Acho que ele descobriu um jeito de parar o efeito da bala.

— Aquele Bill Gates da porra deve estar planejando algo ainda pior.

— Nem está, cara. Senti sinceridade no pirralho.

— Xiiiiiiiiii, acho que você está metido nessa também.

— Nem estou, porra!!! Estou falando sério. Ouça, ele precisa de uma coisa pra fazer o antídoto.

— Não quero nem saber o que é, não vou cair nessa.

— Fica frio, cara, eu acho que o bagulho é sério. Acho que ele está arrependido do que fez, ou está com medo de você porque sabe que sua mãe viajou.

— Minha mãe viajou?

— Foi o que ele disse. Você não estava sabendo?

— Nem!

Putz! Lascou. Agora o pirralho está fodido. Daqui deu pra ouvir Pezão correndo até o quarto do guri. Antes um outro trovão. Cara, o cu do Pezão deve estar um regaço só.

— Abre esta porta, filho da puta!!! — gritava Pezão, sem parar.

— Pezão, me escuta!!! — comecei a gritar ao telefone, tentando fazê-lo me ouvir.

E consegui.

— O que você quer? Já falei que não vou cair nessa.

— Dá uma chance pro guri, eu acho que ele está mesmo arrependido e quer ajudar.

— Sei lá.

— Arrisca. O que pior pode acontecer?

— Muitas coisas. Meu pau pode ficar preto, roxo, azul ou até cair. Eu não duvido de mais nada. O moleque é bruxo.

— Bom, isso é verdade.

— Fala logo o que ele quer de mim.

— Ele disse que precisa de um pêlo do seu cu.

Pezão deu uma bicuda na porta do quarto do pirralho. A violência foi tão grande que Pezão deve ter fraturado algum dedo.

— Acha que eu vou cair nessa??? — gritou ele.

— Um só! — gritou o pirralho, do outro lado da porta.

— Sai fora! 

— Pezão, arranca um pêlo aí e dá pro garoto, porra!!! Quem não arrisca não petisca.

— Se fosse com você eu queria ver se teria coragem. Você também morre de medo das bruxarias dele.

Admito, isso é verdade. O Bill Gates Júnior é foda.

— Ah, sei lá então, faça o que lhe der na cabeça. Eu estou cagando e andando.

— Vai funcionar, eu juro. — disse o pirralho.

Quando eu já ia desligar o telefone Pezão disse alguma coisa:

— Tudo bem, mas reze pra funcionar, caso contrário seu funeral será amanhã cedo. Isso se conseguirem achar todos os pedacinhos do seu corpo espalhados pela casa.

Capítulo 6 · Mendigo, Anões e Espirros

Admito, isso é verdade. O Bill Gates Júnior é foda.

— Ah, sei lá então, faça o que lhe der na cabeça. Eu estou cagando e andando.

— Vai funcionar, eu juro. — disse o pirralho.

Quando eu já ia desligar o telefone Pezão disse alguma coisa:

— Tudo bem, mas reze pra funcionar, caso contrário seu funeral será amanhã cedo. Isso se conseguirem achar todos os pedacinhos do seu corpo espalhados pela casa.

-----------------------------------------------------

Nada disso aconteceu, Pezão não precisou esquartejar o irmão em vários pedacinhos. Parece que o antídoto realmente funcionou. Ainda bem, pois Pezão já é insuportável em condições higiênicas, imaginem o filho da puta peidando de cinco em cinco minutos. Ninguém merece.

No dia seguinte acordei bem cedinho e fui até a casa do Pezão. No portão dei de cara com uma cena um tanto ... excitante. Maura, a irmã biscate do Pezão, estava no maior pega com uma morena. Beijo de língua, mão naquilo e aquilo na mão e tudo mais que vocês possam imaginar. Nem preciso dizer que Nando Júnior ficou todo animado, né? Puta merda, a irmã do Pezão realmente assumiu seu lado bolacha? Fiquei ali parado por quase dois minutos observando e elas nem perceberam minha presença. Na verdade eu não era o único a observar as duas na pegação, do outro lado da rua estava ele, Zé Biruta, o mendigo mais doido da cidade, com os olhos vidrados naquela cena pornô-erótica-sensual. Os olhos do mendigo nem piscavam.

Estávamos quase gozando em nossas cuecas, quando Maura nos descobriu. As duas pararam com os malhos. Que bosta, estava tão bom!!!

— Caralho, acho que eu vou cobrar ingresso!!! — disse ela, puta da vida.

— Calma, Ma! — disse a morena, agarrando a cintura da Maura.

Meu, faz tempo que eu não consigo uma morena dessa. Pra ajudar eu ainda flagro a gostosona com outra mulher. Fala sério, hein!

— Só estávamos apreciando a paisagem. — falei, com uma puta cara de pau.

Maura apontou o dedo para o mendigo e disse:

— Apreciando, sei. Você chama aquilo de apreciar?

Quando olhei para o mendigo tive uma visão das mais terríveis. O cara estava com a calça arriada e com o pau murcho na mão, tocando a maior punheta de sua vida. Olhos fechados, língua pra fora, suava feito um peru na véspera de natal.

Caí na maior gargalhada. Mas Maura e sua namoradinha ficaram horrorizadas.

— Que noooooooojo!!! — disse a morena, desviando o olhar do mendigo.

— Vamos embora daqui, rápido! — disse Maura, puxando a morena pelo braço.

Ambas correram até um carro vermelho estacionado na esquina e saíram queimando os pneus. Zé Biruta nem percebeu que as duas já haviam desaparecido, continuou sua punheta na maior fissura.

Toquei a campainha e Pezão apareceu na janela do quarto.

— Que zona é esta? — gritou ele. — Do que estava rindo?

Apontei na direção do Zé. Pezão olhou, olhou, e não entendeu o que Zé Biruta estava fazendo.

— Mas que diabos é aquilo?

— O Zé está na maior punheta, não está vendo?

— Puta merda, eu não sabia que o Zé gostava tanto assim de você, cara!!!

— Vai se ferrar, seu filho da puta!!!

Mostrei-lhe aquele famoso dedo.

Olhei para o mendigo punheteiro e não acreditei no que vi. Zé Biruta ainda estava lá, na maior fissura ... o pinto do mendigo estava até mudando de cor.

— Porra, Zé, as duas já se mandaram faz tempo!!! — gritei. — Dá uma maneirada aí, caralho!!! Já está pegando mal.

O mendigo continuou, nem me deu atenção.

Quando eu menos esperava Pezão apareceu com um tijolo nas mãos.

— O que você vai fazer com isso? — perguntei.

— O que você acha?

Antes que eu pudesse fazer alguma coisa Pezão jogou o tijolo na direção do mendigo. Preciso dizer o que aconteceu? O tijolo acertou em cheio a testa de Zé Biruta. O maluco foi a nocaute, caiu duro no asfalto. Detalhe, com a mão esquerda no pinto, até parecia estar colada.

— Caralho, Pezão!!! Você comeu cocô?

— Corre, corre!!! — gritou ele, correndo pelo jardim de sua casa.

Bom, corri também. Eu não ia socorrer um mendigo caído com as calças arriadas e com a mão no pinto, ia? Claro que não. Mesmo assim não pude deixar de sentir pena do coitado. Reflitam comigo, o coitado mora na rua, não tem dinheiro, não tem mulher, não tem porra nenhuma, quando é que ele vai ter a chance de ver duas biscates se agarrando daquela forma? O coitado ficou excitado, é normal. Até eu fiquei, não é? A diferença é que eu não botei meu pau pra fora e não toquei punheta no meio da rua. Bom, não que eu nunca tenha feito isso, eu até já fiz, mas era último dia de carnaval e eu estava mais bêbado que um ... Deixa pra lá, outro dia eu conto este causo.

— Cara, parece que sua irmã assumiu a bolachice.

— A Maura é foda, ela aproveita que minha mãe não está em casa.

— Sua mãe não sabe?

— Claro que não, você acha que a velha ia curtir uma filha sapatão?

— Sei lá, sua mãe é advogada respeitada, pensei que tivesse uma mente mais aberta.

— A velha é foda, é mais fácil ela abrir a mente da Maura com um porrete, isso sim.

— E você?

— O que tem eu?

— Não liga da sua irmã ser bolacha?

— Estou cagando e andando. Bolacha, biscoito, bolinho, tanto faz. Ela pode fazer o que quiser da vida, só não venha me encher o saco.

— Porra, Pezão, é sua irmã. Um dia você ainda vai precisar dela.

— Nem vou, e se isso acontecer eu prefiro estar morto. Aquela biscate sempre me sacaneou. Eu só não conto este lance dela por dois motivos. Primeiro, minha mãe vai ficar muito puta da vida, e quando ela fica assim ela desconta em todo mundo, inclusive em mim.

— Eu qual o outro motivo?

— Que outro? Ah, sim, claro, o segundo e mais importante: gostosas passeando de calcinha pelo corredor.

— Como é que é?

— É isso mesmo que você ouviu. Cara, não sei o que acontece, toda biscate que minha irmã traz pra casa adora andar de calcinha ou pelada pela casa. 

— Mas do que adianta elas desfilarem de calcinha por aí se você não vai comer?

— Quem falou que não?

— Seu bosta, não inventa.

— Estou falando sério, porra! Nem toda biscate que vem pra casa com a minha irmã é totalmente bolacha, algumas são giletes. O único problema é quando as biscates querem fazer ménage à trois.

— Porra, e você nem me chama???

— Seu bosta, você não entendeu, elas perguntam se podem chamar minha ... irmã.

— Eca!!! Aí é foda, hein!!! Com a irmã no meio?

Pezão ficou meio sem graça.

— Porra, não me diga que você topou? — perguntei.

— Não, é claro que não! Sai fora!

Sei lá, eu não duvido de nada. Pezão odeia a irmã, mas tem hora que a cabeça de baixo grita mais alto que a de cima. Bom, este assunto está me dando arrepio. Melhor mudar.

— Cara, esquecemos de marcar o exame. — falei.

— Porra, é mesmo. Liga lá na clínica e agiliza a parada, enquanto isso vou fazer um negócio.

— Caralho, não vai cagar, vai? Lembro muito bem das vezes que você saía pra cagar e depois isso aqui ficava insuportável.

— Nem. Vou procurar dinheiro pra pagar a porra do exame.

— Continua sem grana?

— Fica frio, eu consegui uma cópia da chave do quarto da minha mãe.

— Vai roubar sua velha?

— Roubar não, pegar emprestado, um dia eu pago.

— Paga porra nenhuma!!! Até hoje você nunca me pagou.

— Claro que não, nunca emprestei grana de você, caralho!!!

— Ah, é.

Enquanto Pezão foi lá assaltar o quarto da velha eu liguei pra clínica.

A mesma recepcionista analfa atendeu:

— Crínica Xurupita, bom dia.

— Bom dia. Xurupita? Não era Pichiquita?

— Era, mas tivemos uns pequeno pobrema na justiça e precisemo mudar.

Caralho, umas aulinhas de português não fariam mal, hein! Fala sério. Mas se ela for gostosa eu até perdôo. Mais vale uma gostosa tapada do que uma cria do demônio formada em física quântica.

— Tudo bem. Você pode me informar se tem algum horário disponível pra fazer exame de DNA?

— Vou ver, senhor.

— Ok.

— Meio-dia serve?

Ótimo! A cover do Cebolinha disse que vai chegar por volta das 10 horas, né?

— Sim, está perfeito! Pode marcar 4 exames.

— Marquei.

— Nossa, você é rápida!

— Eu guardo tudo na memória.

— Computador é uma maravilha mesmo, não?

— A gente não temos computador aqui na crínica, guardo na memória mesmo.

— Ah, entendi. Moça, o exame continua 60 reais, certo?

— Não, custa 80 reaus cada exame.

— Oitenta? Subiu?

— Sim, todos os exames subiu de preço.

— Mas por quê?

— A amante do doutor pediu uma geladeira nova de presente.

— Quem?

— Ops! Não era pra mim contar isso, escapuliu.

Meu, esta mina deve ser uma gostosa de parar o trânsito, não concordam? Como uma toupeira analfabeta dessa consegue um emprego de recepcionista?

Antes de desligar vou tirar uma onda com ela.

— Moça, você sabe como uma loira mata um passarinho?

— Nem faço idéia. Como?

— Ela joga o passarinho de um precipício.

— Credo, oh!!! Tadinho do passarinho!!! Oh, dó!

Ninguém merece.

Desliguei o telefone e procurei o filho da puta do Pezão. Lá estava ele, sentado sobre a cama da sua mãe revirando uma caixa de papelão.

Ele está tão concentrado na caixa, vou aproveitar pra dar um susto no desgraçado.

Fui andando bem devagarinho e ... quem tomou o susto foi eu. Pezão estava segurando uma foto da mãe dele, peladona, mandando ver com um anão.

— Caraca, meu!!! — gritei, perplexo.

— Sai pra lá, Nando! — disse Pezão, jogando a foto dentro da caixa de papelão.

— É a sua mãe mesmo? 

— Cala esta boca, caralho!

— Eu vi, é ela sim, é a sua mãe com um anão.

— Nem é! Cala esta boca ou eu te arrebento a fuça!

— Fica frio, Pezão, nem vou contar pra ninguém.

— Contar o quê? Você não viu nada. Absolutamente nada!!!

Pezão fechou a caixa.

— Claro que vi. Vi sua mãe de quatro levando uma manguaçada de um anão.

Meu, antes que eu tivesse tempo Pezão veio pra cima de mim e me lascou um murrão. Mas pra minha sorte ele acertou a porta do guarda-roupa. Ele deu um grito de dor tão alto que a vizinhança inteira deve ter ouvido.

— Seu filho da puta, por que desviou??? — disse ele, puto da vida.

— Fala sério, Pezão! Calma, eu não fiz nada.

— Você não viu nada. Aquela foto era de outra pessoa, caralho!!!

Nem era. Eu sei muito bem o que eu vi. Mas para não criar encrenca eu me calei.

De repente a porta que o Pezão golpeou abriu e deixou cair várias caixas iguais àquela onde ele guardara a foto.

Abaixei-me para pegar as caixas, Pezão ficou furioso novamente.

— O que pensa que vai fazer?

— Calma, porra! Só vou guardar as caixas.

Enquanto eu colocava as caixas no lugar vi Pezão revirando uma delas. Sua cara de espanto foi tão grande que só posso imaginar uma coisa, deve ter achado outra foto da mama dando para um anão de circo.

Mas permaneci calado. Com a mãe dos outros a gente não brinca, certo?

— Tomar no cu, viu? — esbravejou Pezão, olhando a foto. — Que merda, cara!

— Fica frio, Pezão, talvez nem seja sua mãe.

— É ela sim, caralho, e não se faça de idiota. Do que adianta eu mentir? Você já viu a foto. Agora foda-se.

— Sua mãe curte anões, e daí? Cada um tem sua tara.

Pezão ficou calado, balançando a cabeça para um lado e para o outro, parecia inconformado com as fotos.

De repente me distraí e derrubei uma das caixas. Fotos e mais fotos se esparramaram pelo carpete do quarto. Galera, eu juro que tentei não olhar para as fotos, mas não consegui, e vocês não vão acreditar no que eu vi. Perdi até o controle, caí numa gargalhada tão gigantesca que cheguei a molhar a cueca. Fiquei como uma hiena com gozos múltiplos. O motivo da gargalhada? Simples, na foto estava a mãe do Pezão fazendo gluglu com o bilau do Nelson Ned.

Pezão ficou fulo da vida, pra variar.

— Do que está rindo, porra?

Apontei para a tal foto. Pezão a pegou com cuidado e quase desmaiou quando viu aquilo.

— Porra, mãe!!! Assim não dá. Ninguém merece, viu? Nelson Ned? Fala sério.

Continuei rindo. Pezão estava tão transtornado com a foto que nem percebeu.

Pezão colocou a foto de volta na caixa e a jogou com raiva dentro do guarda-roupa. Pezão está tão vermelho que mais parece um pimentão. Suas veias da testa estão quase dando cria.

Após algum tempo andando de um lado e para o outro ele conseguiu olhar para mim e disse:

— Cara, se contar para alguém sobre estas fotos ... eu juro, mato você.

— Nem esquenta comigo, Pezão, o que eu ganharia com isso?

— Estou falando sério, porra, se você contar isso para alguém eu arranco seu pinto com uma serra-elétrica.

— Seja original, cara, já vi isso num filme.

— Porra, estou falando sério!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Pezão socou novamente o guarda-roupa. Novamente uma pilha de caixas foi ao chão. Juro que desta vez eu nem olhei para as fotos. Mas Pezão sim.

— Ah, puta merda!!! Era só o que me faltava, mãe!!! Até este Zé Mané já te comeu???

Quem será? Quem será? Quando fui olhar a foto Pezão voou na minha frente e a guardou novamente na caixa. Filho da puta!!!

— Nando, é sério, eu arranco seu saco com uma britadeira.

— Já entendi, porra, mas eu estou mais preocupado com outra coisa.

— Com o quê?

— Pelo menos você achou dinheiro pra pagar o exame??????????

— Achei um talão de cheques da velha.

— Seu bosta, mas sem a assinatura dela não adianta nada.

— Fica frio, seu merda, sei falsificar a assinatura da minha mãe desde que eu me conheço por gente.

— E desde quando você é gente?

Quase 10 horas da manhã. A Cebolinha cover está pra chegar. Descemos rapidamente as escadas e entramos no carro. Quando olhei no retrovisor avistei um amontoado de gente em frente ao portão.

— Mas que porra é aquela? — perguntei.

— Deve ter sido algum acidente, sei lá.

— Porra, o Zé Biruta!!!

— Caralho, é mesmo! Será que o filho da puta me dedurou?

— Fica frio, ele nem viu você, o cara estava tão concentrado na punheta que nem soube de onde veio o tijolaço na testa.

Saímos do carro e fomos até o portão. Havia umas vinte pessoas formando um círculo ao redor do mendigo. Pezão abriu o portão e nos aproximamos da cena.

— O que aconteceu? — perguntou Pezão, com a maior frieza do mundo.

— Mataram um tarado. — disse uma mulher.

— Tarado? — perguntei.

— Sim, ele estava perseguindo uma moça, com a calça arriada. — respondeu um velhinho.

Caralho, o povo adora inventar uma história, hein!

— Bem feito, levou o que mereceu! — disse a mulher, cuspindo no corpo do mendigo.

— Sim, a moça deu uma tijolada na cabeça do tarado e saiu correndo, nua. — continuou o velhinho.

Caralho, eu acho que o velhinho estava assistindo algum filme pornô e confundiu as bolas.

— Ele morreu mesmo? — perguntou Pezão.

— Chamamos uma ambulância, — disse um homem. — mas até agora nem sinal dela.

Cheguei no Pezão e sussurrei em seu ouvido:

— Cara, precisamos tirar o Zé Biruta daqui.

— O quê? — respondeu Pezão. — Por que nós?

— Porra, Pezão, foi você que jogou o tijolo no pobre coitado! Sacanagem!

— Foda-se! Não vou levar ninguém para lugar algum! Que morra aqui mesmo.

De repente uma mulher alta e magricela se aproximou de nós e falou baixinho:

— Eu sei o que vocês fizeram.

— Está falando com a gente, moça? — perguntei.

— Sim. Eu vi o que vocês fizeram com o pobre coitado.

— Como assim? — falou Pezão. — Comeu merda, moça?

Putz!!! Maldito Pezão, deixou a mulher vermelha de raiva. Ela manteve o tom de voz baixo, mas nos disse:

— Escutem aqui, seus filhos da puta, ou vocês providenciam um enterro digno para aquele pobre mendigo ou eu conto pra todo mundo o que vocês fizeram. Que tal?

A vontade que deu foi esganar aquela magrela dos infernos, mas ... sejamos honestos, ela fez algo muito bacana pelo pobre Zé Biruta.

Com muito nojo Pezão ergueu a calça do mendigo e o vestiu novamente. Segurei o coitado pelos braços e Pezão agarrou seus pés. Ninguém mais nos ajudou. Povo filho de uma puta dos infernos. A magricela ficou o tempo todo nos observando.

— Caralho, não está dando nada certo hoje. — resmungou Pezão.

Deitamos o corpo do mendigo na calçada e Pezão foi pegar o carro.

Colocamos o mendigo no banco de trás e Pezão saiu queimando os pneus.

— Para onde vamos? — perguntei.

Antes que Pezão respondesse ele encostou e parou o carro.

— Caralho, mas que cheiro dos infernos é este?????? — resmungou ele.

Realmente, Zé Biruta estava com um cheiro terrível.

— Porra, Pezão, tem um mendigo morto no banco de trás do seu carro. O que você esperava?

— Caralho, nunca mais eu jogo tijolo nestas porras de mendigo!

Abrimos todos os vidros do carro e Pezão saiu queimando os pneus novamente.

— Puta merda, já passam das 10 horas! — falei. — A Cebolinha cover já deve estar nos esperando na rodoviária.

— Vou levar este porra para o pronto-socorro. Lá eles se viram!

— Pezão, e se o Zé Biruta lembrar que foi você que jogou o tijolo nele?

— Aí eu enfio o tijolo no ...

De repente o mendigo se levantou e começou a gritar feito um doido.

— Seqüestro!!! Seqüestro!!! Socorro!!! Socorro!!!

Pezão perdeu o controle da direção por um instante. Sorte que estávamos numa rua menos movimentada. Por uma puta sorte do destino Pezão conseguiu encostar o carro sem maiores danos. Soltamos o filho da puta do mendigo. Ele saiu correndo e gritando feito um maluco.

— Ufa, que alívio. — falei.

— Alívio?

— Você não está aliviado? Você não matou o filho da puta.

— O desgraçado deixou meu carro com um puta cheiro de gambá. Se eu o encontrar novamente vou jogar um tijolo 10 vezes maior e mais pesado. Deixa ele comigo!

— Esquece isso e pisa fundo! Já são mais de 10 horas e a biscate já deve estar na rodoviária. Ou como ela diz, rodoviália.

Pezão saiu rasgando e chegamos à rodoviária em menos de cinco minutos. O relógio na parede marcava 10 horas e 37 minutos.

— Será que ela já está aqui? — perguntei, olhando para todos os lados.

— Talvez. Você se lembra dela?

— Não tenho a menor idéia. Ontem ela me disse que é gostosa.

— É mesmo? Bom, pelo menos isso.

De repente alguém diz em voz alta:

— Sim, gostosa eu semple fui mesmo.

Ali estava ela, Sonisvalda, a Cebolinha cover. Ela estava sentada com a criança no colo. Devo lhes confessar, é realmente gostosa. Estatura média, cabelos castanhos na altura dos ombros, olhos pequenos, porém expressivos. Nariz batatinha e lábios finos. Peitos nada exagerados e umas pernas aparentemente bonitas. Eu diria que Sonisvalda é do tipo Raimunda.

Ela se levantou e veio nos cumprimentar.

— Você deve ser o Maulício. — disse ela, sorrindo para o Pezão.

— Pode me chamar de Pezão. — disse ele, e beijou o rosto da Cebolinha cover.

Mas Pezão não tirava os olhos da criança.

— E você ...

— Nando, muito prazer. — e beijei seu rosto.

— Na verdade já fomos aplesentados, não é?

— Sim, é verdade.

— Então este é o guri? — perguntou Pezão.

— Lindo, vocês não acham? É o Rodligo, a paixão da minha vida.

Fiquei observando os traços do rosto do moleque e juro que não achei nada parecido comigo, apesar do nariz ter uma certa semelhança.

— É a minha cara, porra!!! — disse Pezão, vidrado no pirralho.

— Você achou mesmo? — perguntou ela.

— Deixa eu ver mais de perto. Posso segurá-lo?

Putz!!! Pezão está obcecado pelo pirralho! Quem diria? Que fique pra ele então, eu não estou a fim de ser pai agora não.

Assim que Pezão o pegou em seus braços o moleque teve uma crise de espirros.

— Calma, rapaz! Calma! — dizia Pezão, sem parar.

Mas não adiantou nada, o moleque espirrava tanto e com tanta violência que Sonisvalda ficou preocupadíssima. Pezão o devolveu. 

Incrível! Assim que o moleque voltou para os braços da mãe parou a crise de espirros.

— Oh, poblezinho!!! — disse ela, balançando o guri carinhosamente em seus braços. — Passou, meu anjinho, passou.

Pezão tentou novamente pegar o guri em seus braços. Mas novamente ele começou a espirrar sem parar.

— Caralho, este moleque está com defeito de fabricação! Veio quebrado!

Sonisvalda achou graça, e olhou pra mim.

— Quer tentar? — perguntou ela.

— Tentar o quê?

— Quer segulá-lo um pouquinho?

— Nem. Sou estabanado pra cacete. Se bobear eu deixo cair no chão e babau.

— Não seja bobo. Basta segular com calinho.

Ela insistiu tanto que acabei tentando. Com muito cuidado eu o peguei no colo.

— Porra, por que ele não está espirrando? — disse Pezão, fulo da vida.

— Olha só, acho que ele gostou de você.

Por incrível que pareça o guri se sentiu à vontade comigo. Parecia um bonequinho Pokémon. Ele olhou pra mim e tive até a sensação de que piscou o olhinho direito.

— Caralho, por que ele não está espirrando? Deixa eu tentar outra vez.

Passei o guri para as mãos do Pezão e nem preciso dizer o que aconteceu, preciso?

— Porra, este moleque está de sacanagem comigo!!! — disse Pezão, vermelho de raiva.

Quando o guri voltou para os meus braços a crise de espirros parou imediatamente.

— Que fofo!!! — disse Sonisvalda, olhando para o guri em meus braços. — Nunca o vi assim tão calminho como ele ficou com você, Nando.

— Nem eu estou acreditando. — falei. — Nunca me dou bem com criança. Eu sempre derrubo.

— Selá que você é o ...

— Opa! — falei. — Muita calma nesta hora.

De repente passou uma morenaça muito gostosa do meu lado e juro pra vocês, o guri ficou encarando os peitos da mina.

Fodeu!!! Deve ser meu filho mesmo.

Capítulo 7 · É Foda

Quando o guri voltou para os meus braços a crise de espirros parou imediatamente.

— Que fofo!!! — disse Sonisvalda, olhando para o guri em meus braços. — Nunca o vi assim tão calminho como ele ficou com você, Nando.

— Nem eu estou acreditando. — falei. — Nunca me dou bem com criança. Eu sempre derrubo.

— Selá que você é o ...

— Opa! — falei. — Muita calma nesta hora.

De repente passou uma morenaça muito gostosa do meu lado e juro pra vocês, o guri ficou encarando os peitos da mina.

Fodeu!!! Deve ser meu filho mesmo.

-----------------------------------------------------

Sei lá, não achei o guri parecido comigo. O moleque é feio demais, fala sério!

— Porra, este pirralho está com defeito!!! — repetia Pezão, frustrado pra cacete. Ele não conseguiu pegar o moleque no colo sequer uma vez. Juro que quase fiquei com pena dele. Quase.

— Já são mais de 11 horas, precisamos ir. — falei.

— Você sabe onde fica esta droga de clínica? — perguntou Pezão.

— Nem sei. Só o Mamute.

— Onde é que a gente acha aquele gordo do caralho esta hora?

— Deve estar dormindo.

E estava mesmo. Fomos até sua casa e Mamute nos recebeu com sua ilustre cueca samba-canção do Palmeiras. Ninguém merece uma imagem como esta logo cedo.

— Acorda, seu porra! — gritei, tentando despertá-lo.

— Caralho, o que vocês querem de mim? — respondeu ele, retirando remela dos olhos e coçando sua gigantesca bunda gorda, branca e cabeluda.

— Só você sabe onde fica aquela clínica dos infernos — disse Pezão.

— Então vocês vão fazer o exame de DNA mesmo?

— Vamos.

— Então um de vocês já é papai? Mas quem é a biscate?

Comecei a rir. Sonisvalda ficou puta da vida.

— Calalho, biscate é a sua vó!!! — gritou ela, socando o vidro do carro e encarando Mamute com um olhar enraivecido.

Quando Mamute percebeu a presença de Sonisvalda no banco de trás sua pele ficou mais branca do que de costume.

— Caralho, Mamutão, viu fantasma? — perguntei.

Ele se aproximou do carro, sem tirar os olhos de Sonisvalda. De repente disse:

— Eu te conheço de algum lugar.

— Sei lá, não fleqüento jardins zoológicos — respondeu Sonisvalda, ainda fula da vida com ele. Pezão e eu caímos na gargalhada com a resposta da Cebolinha cover.

— Não, sério, eu te conheço de algum lugar.

— Não cleio.

— Já sei!!!

— Porra, Mamute, não precisa cuspir!!! — falei, enquanto limpava meu rosto todo molhado.

— Eu comi você na festa do Coruja!!!

Como é que é ???????????

— Caralho, fala sério! — falou Pezão, rindo.

— É, Mamutão, pára de zoar.

Mamute estava ficando cada vez mais branco. Será que ele está dizendo a verdade? Olhamos para trás e Sonisvalda estava mais vermelha que um pimentão.

— Ele está brincando, não é? — perguntei pra ela.

Ela engoliu seco e disse:

— Clalo que está, eu nunca tlansalia com um gordo feio como este.

Mamute quase soltou fogo pelas ventas ao ouvir isso.

— Gordo feio o caralho!!! E você me chama de gordo feio agora, não é? Quando eu te peguei de quatro lá na garagem do Coruja você não me falou isso!!!

Olhei feio para Sonisvalda e refiz a pergunta:

— Meu, fala sério, você deu pro Mamute também?

— Ah, sei lá, acho que sim. Eu já disse, eu estava descontlolada.

Pezão olhou pra Cebolinha cover e soltou o maior esporro:

— Cacete, mina, você deu pra todo mundo naquela festa? Fala sério!

— Olha como fala comigo, hein!!! Nem dei.

— Sei lá se deu, só sei que pra mim ... deu. — disse Mamute.

— Só falta ter sido sem camisinha também. — falei.

— Claro que foi sem camisinha — respondeu Mamute. — Acha que alguém usou camisinha lá na festa do Coruja? Aquilo lá foi a maior suruba que a cidade já viu. Dizem que tem foto nossa num site da internet.

— Caralho, qual site?

— Sei lá, ouvi dizer. Não manjo disso.

Ficamos ali sentados sem saber o que dizer por alguns segundos. Até que Sonisvalda soltou alguma coisa:

— Não acledito que tlansei com uma baleia gorda e feia como esta.

Por sorte Mamute não ouviu.

— Bom, agora foda-se, — disse Pezão. — Mamute, vai lá pegar a grana.

— Grana, que grana?

— Seu bosta, você comeu a Cebolinha também, o moleque pode ser seu.

— Cebolinha o calalho!!! — gritou Sonisvalda, dando socos no banco do Pezão.

— Mas minha namorada já está esperando uma criança! — retrucou Mamute.

— E daí? — falei. — Mais um motivo pra você ser suspeito. Seus espermas são espertos. Provavelmente mais espertos do que seu cérebro de minhoca.

Mamutão mostrou aquele famoso dedo pra mim.

— Meu, não acredito nisso. — disse ele, coçando mais uma vez sua bunda gorda. — se a minha mina descobre que tenho filho com outra ela me mata.

— Azar o seu — disse Pezão. — Vai lá pegar sua carteira pra fazermos logo esta porra de exame.

Mamute fez uma cara de poucos amigos, coçou a cabeça, e por fim disse:

— Vou só me trocar e já volto. Puta merda, tomara que este filho não seja meu.

Quando Mamute virou de costas uma visão aterradora quase nos cegou, quase metade da sua bunda monstruosa estava à mostra. De repente alguém gritou:

— Olha o cofrinho!!!!

Todos procuramos pelo autor da frase, até que avistamos alguém perambulando pelo outro lado da rua. Acreditem se quiser, era ele ...

— Zé Biruta? — disse Pezão.

— Caralho, é ele mesmo.

— Mas como é que este filho da puta veio parar aqui tão rápido?

— Sei lá.

Mamute começou a demorar pra voltar.

— Porra, já está quase na hora do nosso exame — falei. — A analfabeta marcou para o meio-dia.

Pezão buzinou umas cinco vezes seguidas.

— Anda logo, gordo do caralho!!! — gritou ele.

— Seja quem for, — falou Sonisvalda, após um longo período quieta — o Rodligo vai ter um pai super educado, hein!

— Fica na tua aí, Cebolinha, eu acho até que está faltando gente pra fazer esta porra de exame.

Tudo bem que Pezão foi duro demais com a biscate, mas o pior é que eu acho que ele teve razão no que disse. Meu, fala sério, pra quantos mais será que ela deu aquela noite? Se o negócio continuar assim eu vou precisar fazer um exame de HIV logo após o de DNA, só por precaução.

Minutos depois Mamute finalmente apareceu. Sentou-se no banco de trás, ao lado de Sonisvalda e o pequeno Rodrigo.

Nem bem ficaram lado a lado e Sonisvalda me solta uma dessa:

— Ah, fala sélio, se o Rodligo for seu filho eu me jogo de uma ponte.

Olhei no espelho retrovisor e vi a cara do Mamute, o cara se segurou pra não esganar o pescoço da mina.

— Se eu for o pai deste moleque com cara de sapo eu me jogo da ponte junto com você, biscate!

De repente algo aconteceu dentro do carro, algo terrível, algo monstruoso, algo estupidamente nojento e asqueroso.

— Porra, Pezão, vai tomar no olho do seu cu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! — gritei com todas as forças do meu pulmão.

Galera, Pezão soltou um peido tão rasgador, mas tão rasgador, que aposto que o banco do carro foi pra casa do caralho. Abri a porta do carro e corri pra fora o mais rápido que pude. Salve-se quem puder!!!!!

O maldito cheiro levou menos de cinco segundos pra invadir a parte traseira do carro, mas quando invadiu Mamute e Sonisvalda pularam dali feito duas pererecas competindo nos Jogos Olímpicos. O único que não se deu ao trabalho de sair do carro foi justamente o dono do peido.

— Fala sério, Pezão, comeu um urubu vivo??? — disse Mamute, com os dedos no nariz.

— Acho que o Rodligo moleu! — gritou Sonisvalda, apavorada. — Ele não está respilando! Não está respilando!

— Porra, ele está certo! Melhor nem respirar mesmo! Melhor pra ele!

— Não, é sélio!!! Ele não está respilando!!!

— Faça o seguinte, afaste-o do carro. Esta área está contaminada.

A Cebolinha cover levou o moleque pra longe do carro e nem preciso dizer que eu estava certo, não é?

— Ele voltou a respilar!!! — gritou ela, com um sorriso gigantesco nos lábios.

— É claro, — falei. — o moleque é esperto.

— É mesmo? — disse Mamute. — Fica com ele então.

De repente ouvi um choro baixinho. O choro vinha de dentro do carro. Mamute também ouviu o choro. Demos a volta e lá estava o Pezão, chorando feito uma criança perdida no parquinho.

Bati no vidro duas vezes. Pezão nem se deu conta. Bati mais duas vezes, aí ele percebeu e abaixou o vidro. Nem olhou pra mim, continuou chorando e olhando o nada. Aproximei-me de leve, pois o maldito cheiro ainda estava ali. Tapei o nariz e falei:

— Nem precisa me dizer nada, acho que já sei o que aconteceu. O efeito da balinha do caralho voltou, estou certo?

Ele acenou com a cabeça, fazendo sinal de positivo. Mas continuou olhando para o vazio. Parecia estar em transe.

Outro peido. Daqueles rasgadores. Se o primeiro não rasgou o banco, este sim. Afastei-me da porta do carro, mesmo com o nariz protegido. Acho que foi reflexo. Pezão caiu num choro ainda maior, mas desta vez ele sussurrou algo:

— Meu, eu juro que mato aquele pirralho dos infernos, eu mato, mato, farei pedacinho daquele pau-no-cu dos infernos, vou cortá-lo em vários pedaços e fazer um puta churrasco pra comemorar, com seu sangue farei caipirinha pra galera, depois eu ....

— Vai com calma aí, o moleque é seu irmão.

Pezão fechou a outra porta do carro e deu a partida.

— Oh, espera aí, aonde você vai? — gritei.

— Preciso dizer?

— Porra, mas está na hora do nossa exame!

Pezão desligou o carro, deu um soco no volante, suspirou forte, depois disse:

— Bosta, maldito exame do caralho!!!!!!!!!!!!!! Entra logo aí e vamos acabar logo com isso.

Acenei para a Cebolinha cover, fazendo-lhe sinal para vir até o carro.

— Já está segulo? — gritou ela.

— Já, o cheiro já foi embora! Pode vir!

Assim que entramos todos no carro Pezão soltou outro daqueles gases estupidamente asquerosos. Meu, vocês podem até fazer uma leve idéia de como são estes peidos, mas eu torço para que vocês jamais venham a presenciar um fenômeno como este mais de perto. É algo tão forte que dá pra se ter uma noção de como o inferno deve ser.

Quando nos preparávamos para deixar o carro Pezão disse:

— Se saírem do carro eu largo todos vocês aqui. Tenho um assassinato urgente pra cometer. Vocês me entenderam?

Protegemos nossas narinas o máximo que conseguimos e permanecemos no carro. Pezão saiu cantando os pneus, como sempre.

Mamute foi mostrando o caminho e finalmente encontramos a maldita clínica. A porcaria fica num bairro afastado da cidade, pra não dizer na roça mesmo. É impressionante como a gente vive caindo nestas bocadas. Já perceberam? Só falta a gente encontrar o Macaco Virgem fazendo exame de próstata. Ninguém merece.

Descemos do carro e um rapaz de bicicleta quase atropela a Cebolinha cover e Rodrigo.

— Calalho, não olha pla onde vai??? — gritou ela, puta da vida.

— Perdão, moça! — disse o rapaz, enquanto freava a bicicleta.

— Doutor, é o senhor? — gritou Mamute, olhando para o cara da bicicleta.

— Mamutão, é você?

O cara largou a bicicleta na calçada e deu um abraço no Mamute.

— Você está em ótima forma física, hein! — disse o rapaz da bicicleta.

Ótima forma física? Eu ouvi bem? É por isso que ele quase atropelou a Sonisvalda, o cara deve ser completamente cego.

— Muito obrigado, Doutor, graças a você. Aquele purgante que o senhor me receitou foi ótimo.

— Só fiz minha obrigação. Bom, estou muito contente por vê-lo assim tão bem. Peço desculpas, mas estou atrasado, tenho pacientes me esperando.

— Nossa, mas é claro, muitas vidas pra você salvar.

— Ou cuzinhos para aliviar, como diria um velho amigo meu.

Ambos caíram na gargalhada. Depois o cara pegou sua bicicleta caindo aos pedaços e entrou feito um maluco pelos portões da clínica.

— Nunca vi médico andando de bicicleta. — disse Sonisvalda.

— E caindo aos pedaços. — acrescentei. — Nem pedal a bagaça tinha.

— E daí que ele não tem carro? — disse Mamute. — Vocês são um bando de nojentos, isso sim. Eu só sei que ele curou minha caganeira e pronto. Estou pouco me lixando se ele vem trabalhar de Ferrari ou de Monareta.

Puta merda, a fachada da clínica é tosca demais. Vocês não fazem idéia. O lugar é uma casa caindo aos pedaços. O muro pichado com palavrões de todos os tipos e naipes. O portão está mais enferrujado que os destroços do Titanic. No jardim tem uma placa bem grande escrito com letras garrafais: CRINICA XURUPITA. Detalhe, onde está escrito Xurupita nota-se que foi pintado à mão, tudo torto. Meu, muito tosco. Mas pra falar a verdade eu estou cagando e andando, o exame vai me custar só 80 paus mesmo.

Entramos na clínica e ficamos espantados com a quantidade de gente. Tudo bem que os preços são ótimos e seria normal encontrar uma multidão como esta, mas como eu já disse antes, o lugar é muito afastado e duvido que alguma empresa de ônibus passe por aqui perto. Acho que nem perueiros se arriscariam a tanto. Além disso eu nunca tinha ouvido falar neste lugar, como tem tanta gente assim que conhece? Eu, hein!!! Sinistro.

Já que estamos aqui ... ajoelhou tem que rezar. Pelo menos vou finalmente conhecer a recepcionista analfa. Se for tão feia quanto é burra ... melhor eu ir embora agora ou vou ficar traumatizado pelo resto de meus dias aqui na Terra.

Avistamos a recepção. Lá estava ela, a moça imbecil. Imbecil, porém gostosa pra caralhoooooooooooooo!!! Quase tive uma ereção ao vê-la. Deus sabe das coisas, Ele não seria capaz de fazer alguém tão idiota e não lhe dar nada em troca. A recepcionista é uma tremenda de uma asiática. Juro que nunca vi uma japonesa tão linda e gostosa em toda a minha vida. Seus cabelos negros, lisos, cortadinhos na altura das orelhas deixaram seu rosto ainda mais lindo e angelical. Seu narizinho pequeno e quase imperceptível a deixa com um ar misterioso. Sua boca larga e seus lábios finos me fizeram imaginar bobagens por alguns segundos, até que ela gritou:

— A gente podemos ajudar em alguma coisa?

O porra do Mamute já estava de frente para a mesa, praticamente debruçado sobre os peitos da japonesa analfabeta. Falando em peitos ... que decote!!!

— Oi, linda!!! — disse ele, demonstrando uma enorme intimidade com a japinha. — Quanto tempo, hein!!!

— Verdade — respondeu ela, sorrindo para o gordo do caralho. — E a caganeira, melhorou?

— Sim, hoje estou ótimo.

Mamute nem percebeu que todos na salinha estavam rindo dele.

— Não entendi, — disse a japa. — se está ótimo, o que veio fazer aqui?

— Além de ver você?

Ela sorriu gostoso pra ele. Maldito Mamute do caralho!!! Eu vi a japa primeiro!!! Bom, na verdade eu não vi, eu a ouvi, mas foda-se, eu quero ela pra mim.

Cheguei até a mesa e falei:

— Tínhamos um exame marcado para o meio-dia. Lembra? DNA. Nós conversamos pelo telefone algumas vezes. Eu contei a piada do passarinho.

— Ai, tadinho do passarinho! Não gostei daquela piada.

Pezão já chegou apelando:

— Porra, quando vamos fazer esta bosta de exame ?????????????????????

Ao terminar a frase Pezão soltou mais um dos seus gases intoxicantes. Esvaziou a pequena salinha. Só ficamos nós e a japonesa gostosa.

— Abaixa aí, pessoal!!! — gritou a japinha, pulando pra debaixo de sua mesa.

— Calma, gata, o que foi? — disse o Mamute.

— Acho que os traficante está de volta!!! — gritou a japinha, escondida debaixo da mesa.

— Traficantes? — perguntei.

— Sim, ali atrás da crínica tinha uma boca-de-fumo e os traficante ficava trocando tiro. Acho que eles voltou.

— Ai, mina, você não fleqüentou a escola??? — disse Sonisvalda. — Fala sélio, você fala tudo elado!!!

Dei a volta na mesa e puxei a japinha de volta para o seu lugar, com delicadeza, é claro.

— Não se preocupe, — falei. — não são traficantes, foi só o meu amigo.

— Avisa o seu amigo que é proibido entrar armado na crínica.

— Ah, mas aquilo não foi tiro, foi ....

Pezão peidou outra vez, ainda mais alto e estridente do que o primeiro. A japinha pulou pra debaixo da mesa novamente. No momento em que Pezão peidava passava um médico todo apressado por nós, mas tal evento chamou sua atenção. Afinal de contas, de quem não chamaria? Nunca viram um peido assim na face da Terra.

— Quem fez isso? — perguntou o médico, olhando pra cada um de nós.

Todos apontamos para o Pezão, é claro.

— Filhos da puta, — resmungou Pezão. — custava ficarem quietos? Seus porras.

O médico chegou mais próximo do Pezão, examinando-o dos pés à cabeça, depois disse:

— Há quanto tempo você está assim?

— Assim como?

— Com FODA.

— Eu sempre fui foda.

— Não, eu disse FODA, efe, o, dê, a, que é a sigla de Flatulência Orgânica Dinâmica Arrítmica.

— O quê? — Pezão ficou mais perdido que cachorro na missa.

— É uma doença raríssima, acho que não vejo um caso como o seu desde mil, novecentos e lá vai bolinha.

— O senhor está me gozando.

— Por que eu estaria? É uma doença gravíssima.

— Gravíssima? — Pezão arregalou os três olhos. Acho que o de baixo foi o primeiro, pois logo após o Doutor dizer "gravíssima" Pezão soltou outro peido daqueles.

O médico se afastou um pouco e respondeu:

— Sim, se você permanecer assim por mais uma semana seu ânus poderá atingir 15 centímetros de diâmetro, sem mencionar outros agravantes.

— Quinze centímetros?

E Pezão desmaiou. Caiu feito um saco de batatas no supermercado.

— Preciso de enfermeiros, rápido!!! — gritou o médico.

Logo em seguida dois enfermeiros vieram correndo. O médico olhou para nós e disse:

— Seu amigo precisa de ajuda urgente. Precisamos operá-lo o mais rápido possível.

— OK — respondi, na maior calma. O médico e os enfermeiros continuaram me encarando, como se eu fosse dizer algo mais.

Por fim o médico me perguntou:

— Ele tem dinheiro pra pagar?

— Sei lá, acho que tem. — falei. — A mãe dele é grande advogada e ...

Antes que eu terminasse a frase o médico falou:

— Ótimo — e olhou para os enfermeiros. — O que estão esperando? Pra sala de cirurgia, agora mesmo! Precisamos salvar este rapaz antes que seja tarde. Antes que a FODA o mate.

Comecei a rir feito uma hiena com ... FODA. Até lágrimas escorreram de meus olhos.

— Não chore, seu amigo ficará bem. — falou o Doutor, colocando as mãos sobre o meu ombro direito.

Chorando? É ruim, hein! Pouco me importa se Pezão está com FODA ou seja lá o que for. Mas nem perdi meu tempo o corrigindo. Fiz sinal de positivo e ele seguiu os enfermeiros pelo corredor.

Capítulo 8 · E o pai é ...

— Não chore, seu amigo ficará bem. — falou o Doutor, colocando as mãos sobre o meu ombro direito.

Chorando? É ruim, hein! Pouco me importa se Pezão está com FODA ou seja lá o que for. Mas nem perdi meu tempo o corrigindo. Fiz sinal de positivo e ele seguiu os enfermeiros pelo corredor. 

-----------------------------------------------------

De repente uma confusão. Gritos. Palavrões. Dois rapazes no maior quebra-pau.

Mamute aponta para a briga, depois olha espantado para mim e diz:

— Aquele ali não é o Pedrinho?

— Pedrinho, que Pedrinho?

— O Pau-no-cu!!!

— Pau no seu!!!

— Não, porra! Eu quis dizer que é o Pedrinho Pau-no-cu.

Olhei bem e Mamute tinha razão, era ele, Pedrinho Pau-no-cu, a bicha-louca que traz badulaques do Paraguai. A discussão era entre ele e seu amante gay, o japonês com cara de bonequinho do Jaspion. O barraco foi ficando cada vez mais feio. Um médico e um enfermeiro apareceram para apartar a briga, mas acabaram entrando no rolo.

— Se você fizer isso eu te largo, eu te largo!!! — gritava Pedrinho, histérico.

— Larga então, né? — respondeu o japonês, sendo seguro pelo médico. — Acha que vai fazer alguma falta?

Comecei a rir. Olhei para a mesa da recepção e falei para a japinha gostosa:

— Sabia que aqueles dois ali são um casal gay?

— Claro que eu sei — respondeu ela. — Aquele ali é o meu irmão.

Putz!!! Fala sério. A japinha sexy é irmã do bonequinho do Jaspion?

— Foi mal. — eu disse.

A japa nem me deu bola, saiu detrás da mesa e gritou para o médico largar o seu irmão, depois disse para o irmão:

— Faz a cirurgia, mano. Se esta bicha aí não quer ... foda-se!!! O bigulim é seu, não é?

Caí na gargalhada.

— Puta que o paliu. — falou a Cebolinha cover. — Que raio de clínica vocês me tlouxelam? Isso aqui palece hospício?

Pedrinho ficou furioso, e retrucou para a japa:

— Vai se foder, sua piranha!!! Quem manda no pinto do meu namorado sou eu!!!

— Manda porra nenhuma, sua bicha fedorenta!!!

Num movimento rápido Pedrinho Pau-no-cu soltou-se do enfermeiro e partiu pra cima da japonesa. Porraaada!!! Porraaada!!! Pedrinho Pau-no-cu acertou um tapa tão bem dado na japinha que ela veio parar nos meus braços. O bonequinho Jaspion tomou as dores da mana e partiu com tudo pra cima do Pedrinho.

Meu, depois disso perdi toda a pancadaria, eu só sei que agarrei a japa e não soltei até o quebra-pau terminar. É lógico que a minha preocupação não era com ela entrar ou não na confusão, eu aproveitei mesmo pra agarrar aquela cinturinha gostosa.

— Fica aqui, — eu repetia. — deixe que eles se entendam lá! Você vai acabar se machucando! Fica aqui!

E a japa era forte, foi foda segurá-la. Ela tentava me passar uma rasteira de todas as formas, aí eu aproveitava e grudava ainda mais nela.

Só sei que o pau comeu entre as duas bichonas. Até Mamute entrou no meio da pancadaria. Sonisvalda, com o pequeno Rodrigo em seus braços, correu para trás da mesa e tentou se proteger da confusão. Outros médicos entraram no meio do quebra-pau, foi um rebosteio geral.

Quando tudo terminou, o irmão da japa entrou pelo mesmo corredor onde levaram Pezão. Pedrinho Pau-no-cu ficou, mas só porque Mamute o segurou forte pelos braços.

— Relaxa, cara! — disse Mamute para Pedrinho, dando-lhe um chacoalhão.

— Relaxar? Como posso relaxar? Você tem idéia do que ele vai fazer naquela sala de cirurgia? Tem idéia?

— Sei lá! E estou cagando e andando. — Mamute soltou os braços de Pedrinho.

Pedrinho Pau-no-cu caiu em lágrimas. Chorou feito uma menininha no jardim de infância.

Soltei a japa. Fiquei exausto, a gostosa é forte pra caralho. Assim que ela se viu livre de mim, olhou na direção de Pedrinho e falou:

— É a vontade dele, você não entende?

Pedrinho ergueu os olhos cheios de lágrimas para a japa e respondeu:

— E como é que eu fico?

— Ué, se você gosta mesmo dele ...

Pedrinho caiu no choro novamente.

— Caralho, mas que porra está acontecendo aqui? — eu disse. — Que raio de cirurgia é esta que o seu irmão vai fazer? Vai cortar o pinto?

A japa olhou pra mim e disse:

— Sim, vai.

Putz!!! Doeu até em mim. E pela expressão no rosto do Mamutão ... acho que até o dele doeu.

— Ele vai mudar de sexo — falou Pedrinho, limpando as lágrimas do rosto.

— Caralho, ele vai virar mulher? — perguntou Mamute. — Isso é possível?

— Claro que é — respondeu a japa. — O Doutor Juan já fez esta cirurgia muitas vez.

Meu, o português da japa chega a me doer o estômago. Mamute prosseguiu:

— Quer dizer que neguinho entra aqui com uma pica e sai com uma buceta no meio das pernas?

— E vice-versa — disse Pedrinho.

— Calalho, é o fim do mundo — disse Sonisvalda, dando a volta pela mesa. — Se algum dia o Rodligo quiser vilar mulher eu vou bater tanto nele. Ele tem um peluzinho tão lindo, não selia justo.

— Eu vivia dizendo isso para o meu Almeidinha — disse Pedrinho.

Almeidinha!!! Meu, eu estava tentando lembrar o nome do japinha gay, mas não conseguia.

— O sonho do meu irmão sempre foi ser uma mulher — disse a japinha. — Agora ele vai realizar este sonho. Não é lindo?

— Isso quer dizer que ele vai ser sua irmã? — perguntou Sonisvalda, fazendo uma puta cara de nojo.

— Exatamente! 

Pedrinho Pau-no-cu caiu no choro outra vez. Puta merda, eita bicha chorona!!!

— Eu quero o bilau do meu Almeidinha de volta — resmungou Pedrinho.

— Faz igual aquela mulher da novela — disse Sonisvalda. — Pega o bilau e guarda pla você.

Pedrinho mostrou aquele famoso dedo pra Cebolinha cover.

Meu, fala sério, que rolo!!!

E os nossos exames de DNA? Será que ainda dá tempo? Ninguém merece.

A japa voltou para trás da sua mesa e tentou organizá-la novamente. Na hora da briga eu derrubei as canetas e aprontei a maior zona. Porra, não foi fácil segurar a japinha, a mina deve praticar caratê ou sei lá.

— Perdoe-me, eu ainda não sei o seu nome — falei pra japa. Meu, ela abaixou pra pegar uma caneta que estava na ponta da mesa e quase vi o biquinho dos seus seios. Azar o dela, ninguém mandou ela vir trabalhar com um puta decote como este. Se bem que a mulherada usa decotão assim é justamente pra gente ver, não é? Aposto que é.

— Myrian — ela respondeu, após colocar a caneta no lugar e ajeitar-se na cadeira. — Mas todos me chamam por Kazuki.

— Kazuki! Gostei, muito bacana. Parece marca de moto.

— Ela disse Kazuki, não Suzuki! — falou Sonisvalda, nitidamente irritada.

A japa olhou para Sonisvalda e disse:

— Seu filhinho é lindo — depois olhou pra mim. — É seu filho?

— Então, é justamente por isso que estamos aqui — falei.

— Ah, vocês vieram fazer o exame de DNA. Certo?

— Bom, pra cortar meu pinto é que não foi — disse Mamute, aproximando-se da mesa.

Vocês nem fazem idéia da facilidade e rapidez que tudo ocorreu. Fizemos o maldito exame e a enfermeira nos informou que agora é só esperar de quinze a vinte dias para obtermos os resultados. Isso nos desanimou um pouco, estávamos ansiosos pela resposta. Meu, pra ser sincero estou começando a mudar de opinião a respeito desta clínica. Tudo bem que a fachada é a coisa mais tosca que eu já vi em toda a minha vida. Reconheço que o ambiente é meio estranho e o cheiro também não é dos melhores. Também admito que os médicos e as enfermeiras são cabulosos e parecem ter saído de um filme trash. Mesmo assim eu ainda acho que no final tudo ocorreu maravilhosamente bem. Se algum dia eu ficar doente voltarei aqui, sem dúvida.

O único que não fez o exame foi o Pezão, é claro.

— Você tem alguma notícia do meu amigo? — perguntei pra Kazuki.

— Aquele do pum?

Foi meio sinistro ver um rostinho tão angelical dizer algo tão podre.

— Sim, este mesmo. Você sabe se a cirurgia dele já terminou?

— Olha, pra ser honesta eu nem sei. Está a maior confusão isso aqui. Ontem a gente participamos de um churrasco e ... não espalha pra ninguém, mas todos os médico encheu a cara. Alguns nem veio trabalhar hoje.

Meu, a mina fala tanta coisa errada que eu até me perco na frase. Mas acho que deu pra entender.

— Será que ele sai ainda hoje daqui?

— Nem sei.

De repente surge Pedrinho Pau-no-cu, com um puta sorriso nos lábios. Nem parecia a mesma pessoa de algumas horas atrás.

— O que houve? — perguntou Mamute. — Viu passarinho verde?

— Verde? Não, de outra cor — e abriu outro sorrisão.

— Como assim? — falei.

— Ele não fez a cirurgia! — Pedrinho estava tão contente que não se continha de tanta alegria, estava até dando pulinhos. Parecia uma bichinha vendo seu nome na lista dos aprovados da USP. — Não fez a cirurgia! Acho que deve ter desistido, sei lá. Ele me ama de verdade, deve ter pensado em mim e desistido. Ele me ama!

— Não acredito! — disse a japinha, indignada. — Este era o sonho dele, ele não desistiria por causa de uma bicha horrorosa feito você!

Antes que o quebra-pau recomeçasse Mamute segurou Pedrinho pelos braços outra vez. Pau-no-cu ficou uma fera.

— Me solta, Mamute! Me solta! Eu vou arrebentar as fuças daquela biscate!

De repente um enfermeiro veio correndo até a japinha e sussurrou algo em seu ouvido. O enfermeiro tinha uma cara de preocupação como eu não tinha visto em ninguém da clínica até agora. Algo sério tinha acontecido. Ou ele simplesmente comia a japa e estava contado-lhe alguma coisa íntima. Pela expressão no rosto da japa eu acho que a primeira alternativa é a mais correta.

— Santa Tókio dos Godzillas! — disse a japinha, levando as mãos à cabeça. — Não é possível, você tem certeza? — seus lábios tremiam de tanto nervosismo.

O enfermeiro fez um gesto de positivo com a cabeça, e disse:

— Está a maior confusão lá dentro, ninguém quer assumir a cagada.

A japa e o enfermeiro saíram correndo pelo corredor. 

— Ei, o que será que está acontecendo? — falei. Mas nem me deram atenção. Estavam todos olhando para o corredor.

— Vamos lá ver o que aconteceu! — disse Mamute, soltando os braços do Pedrinho e correndo para o corredor.

— Vamos, — falei para a Cebolinha cover. — agora fiquei curioso.

— Calalho, eu também.

— Você tem algum problema na fala, mina? — perguntou Pedrinho, ainda com um puta sorriso nos lábios.

— Outra hora você conta, — falei pra ela, e fui para o corredor. — Agora vamos!

No final do corredor viramos à direita e ouvimos a maior discussão. Estava o maior bate-boca entre médicos e enfermeiros.

— Foi você que inverteu tudo, seu bosta! — gritou um enfermeiro para um médico baixinho.

— Bosta é a puta que te pariu! — respondeu o médico baixinho. — Não inverti porra nenhuma! A culpa foi desse retardado mental aqui que ....

Neste momento a japinha entrou no meio da roda dos médicos e enfermeiros e soltou o maior esporro:

— Eu só quero saber quem errou a cirurgia do meu irmãozinho?

Ficaram todos em silêncio. Havia quatro enfermeiros e dois médicos. Ninguém teve a coragem de dizer alguma coisa. Isso me irritou profundamente, fiquei morrendo de pena da pobre japinha ali no meio, com os olhos lacrimejantes. Parecia cena de um mangá.

— O que fizeram com o seu irmão? — perguntei.

A japinha demorou algum tempo para responder, por fim disse:

— Fizeram outra cirurgia nele, pobrezinho, os idiotas pensou que ele estava com aquela doença lá ... como é mesmo o nome?

— FODA — respondeu um dos enfermeiros.

— Isso.

— FODA? — eu disse. — Mas quem estava com FODA era o Pezão!

— Então, estes burros aqui trocaram tudo!

— Calma aí, — disse o Mamute. — se inverteram as cirurgias, isso quer dizer que ...

— Trocaram o sexo do Pezão? — eu disse, pronto pra cair na maior gargalhada da história das gargalhadas. Algo tão estrondoso, alto tão monstruoso, algo tão fora da realidade que será capaz de ser ouvida até em outros planetas ou até mesmo em outros sistemas solares.

— Sim, — disse um dos médicos. — realizamos a cirurgia de troca de sexo no outro paciente.

Bom, admito que minha gargalhada não pôde ser ouvida em outro planeta, mas eu aposto que em outros bairros da cidade ela chegou ... eu nunca dei tanta risada na minha vida. Os médicos até pensaram em me internar para algum exame. Mas é lógico que eu não deixei.

— Meu, eu não acredito que fizeram isso com o Pezão — disse Mamute, quase chorando de tanto rir.

— Será que ele já está sabendo?

Um dos enfermeiros passou do nosso lado e disse, com um ar de riso nos lábios:

— Está o maior quebra-pau pra saber quem vai contar para o paciente. É claro que ninguém quer pegar este rabo de foguete. Já imaginaram a cara do rapaz?

— Posso dar a notícia? — perguntei, quase babando.

— Sério? Faria isso por nós?

— Meu, com todo o prazer!!! Eu esperei minha vida toda pra sacanear aquele filho da puta. Chegou a hora!!! Chegou a hora!!!

— Tadinho, oh! — falou Sonisvalda, apertando o pequeno Rodrigo contra seu peito. — Ele é filho da puta, mas é seu amigo.

— Tadinho??? Você não imagina o quanto que aquele maldito já me sacaneou. Hoje terei minha vingança. Esta será por Ubatuba e todas as outras histórias de sacanagem que Pezão já aprontou comigo.

Entramos devagarinho no quarto 37, onde Pezão estava acamado. Uma enfermeira entrou junto com a gente a acendeu a luz.

— Ele deve acordar a qualquer momento — disse a enfermeira, olhando para Pezão. — O calmante que demos pra ele já está próximo de perder o efeito.

— Sem problema. Eu espero, não se preocupe.

Antes de deixar o quarto ela sussurrou algo:

— Boa sorte.

Respondi com puta sorriso no rosto:

— Nunca me senti com tanta sorte em toda a minha vida, gata — e sorri para a enfermeira. Ela passou a língua pelos lábios, fazendo gestos sensuais e ... Bom, admito que inventei esta última parte. Ela apenas sorriu de volta e deixou o quarto. Não estou com tannnnta sorte assim, não é?

Estávamos todos dentro do quarto, Mamute, Sonisvalda, Rodrigo e eu. Todos aguardando pelo despertar do Pezão. Eu estava prestes a esbofetear a cara do Pezão, a fim de acordá-lo mais rapidamente, mas não foi necessário.

— Ele está acordando! — disse Mamute, mais nervoso do que eu.

— Já vi, porra! Fica quieto!

Pezão estava coberto por um lençol branco, exceto pelo rosto, é claro. Meu, admito, também estou uma pilha de nervos. A vontade que eu tenho é de gritar: "Pezão, seu porra, de agora em diante você será Pezinha!!!! Sim, olhe bem para o que você tem no meio das pernas, não parece uma buceta?????".

— Que diabos vocês estão fazendo aqui? — perguntou Pezão, logo após abrir os olhos.

— Queríamos saber se estava tudo bem com você, seu bosta — respondi.

— Fala sério, vocês vieram me gozar, isso sim.

Mamute deu uma risadinha sacana.

— Seus filhos da puta, eu sabia, vieram me sacanear.

— Nem. 

— Claro que vieram! Aposto que já prepararam várias piadas sobre cu arreganhado e tal.

Agora foi Sonisvalda que caiu na gargalhada, depois olhou pra mim e disse:

— Conta logo, calalho! Se você não contar eu conto!

Pezão olhou pra mim.

— Contar o quê?

— Porra, eu estava louco pra dar a notícia, mas acho que será bem mais divertido se você descobrir sozinho.

Pezão começou a ficar preocupado, notei suas veias da testa pulsando.

— Caralho, vocês estão me deixando nervoso! De que porra vocês estão falando?

Agora a risadinha de Mamute transformou-se em gargalhada.

— Não acredito, — disse Mamute. — isso aqui parece filme do Jim Carrey.

Pezão olhou pra mim novamente, ele estava apavorado.

— Nando, eu vou morrer, é isso? É isso, não é? Eu vou morrer!!! Puta merda, justo na melhor fase da minha vida? Eu não quero morrer!!! Eu ainda tenho muitas bucetas pra comer!!! Nem pude me vingar do pirralho ainda!!! Meu, não quero morrer!!! Por favor, eu não posso morrer agora, não agora!!!

Neste momento todos caímos na gargalhada. Acho que até o pequeno Rodrigo está rindo. Bom, olhei para o rostinho dele e não vi nenhum sinal de riso, mas aposto que por dentro ele está rindo feito uma hiena com esclerose múltipla.

— Calma, Pezão, você não está morrendo.

— É mesmo? Certeza? Não estou?

— Não está, mas depois que você descobrir um pequeno detalhe que mudou em sua vida ... aí eu já não garanto mais nada. Talvez a morte não seja uma opção tão ruim quanto parece.

Pezão ficou branco, parecia um copo de leite.

— Meu, se vocês me disserem que tem uma câmera do Sérgio Mallandro atrás daquela cortina eu mato vocês!!!

De repente Pezão soltou um daqueles malditos peidos dos infernos. O lençol até deu uma leve erguida.

— Porra, esta cirurgia não serviu pra nada!!! 

Tive uma ótima idéia ... bom, eu achei ótima, vamos ver se vocês também acham.

— Pezão, você não acredita no que me aconteceu enquanto você foi operado.

— O que foi, porra?

— Uma enfermeira super gostosa me puxou para dentro de uma sala, fechou a porta e fez o melhor strip-tease que eu já vi na minha vida! Depois abaixou a minha calça devagarinho, arrancou minha camisa, botão por botão, passou a mão por dentro da minha cueca e ....

— Cara, está acontecendo uma coisa tão estranha comigo — disse Pezão.

Acho que minha idéia funcionou.

— É mesmo? — perguntei, louco pra cair na risada.

— Como é que você me conta um bagulho desse e eu não sinto nada vindo do meu .... — Pezão finalmente ergueu o lençol e ... — MAS QUE PORRA É AQUELA????????????????????

Preciso dizer o que aconteceu?

Pezão fechou os olhos, tentando convencer a si mesmo de que aquilo não era verdade. Ele tremia mais do que gelatina. Suas mãos, por baixo do lençol, estavam em sua região genitália ... quero dizer, sua NOVA região genitália. Quanto mais ele apalpava, mais branco e desesperado ele ficava.

— Digam que isso é uma pegadinha! Digam que isso é apenas uma brincadeira dos médicos daqui! Digam! Por favor! Eu estou sedado, é isso, não é? Isso aqui é brincadeira, certo? Devo estar no programa do João Kleber ou do Sérgio Mallandro, certo? Digam alguma coisa, porra!!! Tem uma câmera ali atrás, não tem? — por fim ele deu um grito — CADÊ O MEU PAAAAAAAAAAAAU???

Pezão caiu num choro tão melancólico que eu pensei que fosse morrer afogado com as próprias lágrimas. Deu pena do filho da puta. Melhor dizendo, FILHA da puta ... hehehe.

Cheguei a pensar que eu ia cair numa gargalhada sem fim, mas nem foi bem assim. Não teve tanta graça como eu pensei. Eu acho que teria sido mais divertido se ele ficasse zangado, não chorando feito uma garotinha no jardim de infância.

Depois de algum tempo Pezão parou de chorar, olhou pra mim com um ódio que eu jamais vi em todo o nosso tempo de amizade, e perguntou:

— Quem foi o filho da puta descabaçado de uma figa que fez isso comigo?

— Ainda não sabemos — respondi. — Ninguém quer assumir a cagada.

— Meu, fala sério, isso não pode estar acontecendo comigo!!!

E olhou novamente por debaixo do lençol.

— E o pior de tudo é que eu não sei se me jogo da ponte ou se fico excitado.

Fala sério. Excitado?

— Eu quero ver! — falou Mamute.

— Vai tomar no seu cu, gordo do caralho! — retrucou Pezão.

— Eu também quero ver — disse Sonisvalda, aproximando-se da cama.

— Sai pra lá! — Pezão cobriu-se rapidamente. — Vão tomar no cu de vocês, porra! Estão achando tudo isso muito engraçado, não é?

Não entendo a curiosidade mórbida de Mamute e Cebolinha. Eu não tenho a menor intenção em ver. Acham que quero ter pesadelos pelo resto de minha vida? Não, obrigado. Já basta a bunda branca do Mamute pra fora da cueca.

De repente alguém entrou super apressado dentro do quarto, era um médico. Impressionante, o médico tem a cara do falecido comediante Costinha. Será reencarnação? Ele chegou até a cabeceira da cama e disse para o Pezão:

— UÓ!!!

Brincadeirinha. Não foi isso que ele disse. Na verdade ele disse:

— Bom, pela expressão no seu rosto eu creio que já lhe deram a notícia.

— Eu só quero saber quem foi o filho da puta que fez isso comigo! E trate de preparar os advogados desta bagaça, pois minha mãe vai processar até o faxineiro desta porra!!! Não vai sobrar pedra sobre pedra. Vocês estão todos fodidos!!! Fodidos!!! No pior sentido da palavra, fodidos!!!

O sósia do Costinha começou a suar frio.

— Ca..ca..calma, se..se..senhor, nós pedimos nossas sinceras desculpas e já agendamos uma nova cirurgia para amanhã cedo.

— Amanhã cedo o caralho!!! Vocês vão devolver meu pinto agora mesmo!!! Eu quero o meu pinto de volta agora!!!

— Mas não temos condições de fazer agora e...

— Foda-se!!! Ou vocês devolvem o meu pinto agora ou eu ligo para a minha mãe e amanhã de manhã isso aqui será história para boi dormir. Minha mãe é foda, cara, você nem faz idéia.

— Mas ...

— Não quero nem saber. Sabe o caso dos refrigerantes Biriguara contra a Coca-Cola? Então, minha mãe arrancou 200 milhões de dólares da Coca-Cola. A véia é fogo no cu. Vocês nem imaginam com quem foram mexer.

— Entendo — respondeu o médico, tremendo dos pés à cabeça. — Faremos a cirurgia o mais rápido possível.

E o médico saiu da sala coçando a cabeça, como se milhões de piolhos o incomodassem. Mas na verdade era apenas um, um piolhão filho da puta chamado Pezão.

Pezão olhou pra nós e falou com a maior tranqüilidade:

— Será que eu posso escolher o tamanho do meu novo pau?

Ninguém merece. Maldito Pezão dos infernos. Aprendi mais uma lição disso tudo, quando se tem dinheiro e uma mãe poderosa nada abala a gente. Puta merda.

Naquela mesma noite refizeram as cirurgias do Pezão e do Almeidinha. Novamente foi a maior confusão. Acredita que implantaram o pinto do Almeidinha no Pezão? Meu, Pezão ficou furioso quando viu que seu pinto novo media oito centímetros e meio. Usando o nome da mãe novamente ele conseguiu uma terceira cirurgia e, ao que tudo indica, esta ficou como que ele queria. Pezão finalmente aprovou seu pinto novo. Nem me perguntem se é maior ou menor do que o anterior. Não olhei, certo? E nem vou olhar. Estão me estranhando, caralho??? 

Mas desconfio de que tenham implantado um bilau de respeito, pois Pezão até desistiu de processar a clínica. Só sei que o Pezão continua o mesmo filho da puta de sempre, se é que não ficou pior.

Ah, e depois do episódio todo ele fez o maldito exame de DNA também, é claro.

Mesmo após a cirurgia de Almeidinha, ele e Pau-no-cu continuaram juntos, apesar dos protestos de Kazuki. O amor é algo muito bizarro, fala sério!!!

Acho que vocês também devem estar curiosos para saber quem, afinal de contas, é o pai do Rodrigo, certo? Então, estamos aqui na clínica, justamente esperando o resultado. Sonisvalda veio de Araraquara só pra ver o resultado com seus próprios olhos. Mamute ficou tão nervoso que preferiu nem vir desta vez.

Então ... aqui estamos nós, Pezão, Sonisvalda e eu.

Santa Pixirica!!! Lá vem a Kazuki com os resultados. Quatro envelopes sujos de gordura. É agora! Meu, estou tremendo!

— Cadê o gordo? — perguntou Kazuki. — Como é mesmo no nome dele?

— O Mamute? 

— Isso, Mamute. Ele não veio?

— Não, o cagão está morrendo de medo de ser o pai.

— Cagão? Ele está com caganeira outra vez?

— Não, eu quis dizer cagão no sentido de medroso mesmo.

— Ah, entendi.

Sonisvalda perdeu a paciência:

— Calalho, eu quelo saber quem é a dloga do pai!!!

Ela colocou o guri sentadinho no banco e puxou os envelopes das mãos da japa gostosa. Em cada um deles havia nossos nomes escritos à caneta, com um letra horrível. Mas deu pra gente decifrar de quem era cada um dos envelopes. Sonisvalda abriu o seu antes de todo mundo, mas é claro que o resultado dela nem seria necessário, não é? É lógico que ela é a ....

— Vinte e dois porcento? — perguntou Sonisvalda, perplexa. — Como assim?

— Bom, isso significa que você tem 22% de ser a mãe do menino.

— Meu, mas que dloga é esta? Como pode isso? O Rodligo é 100% meu filho!!!

Xiiiiiiiiiiii, era só o que me faltava, paguei 80 paus pra fazer esta bosta de exame e a merda não vai servir para nada. Bom, vou abrir o meu e ver no que dá. Saravá, meu pai.

Pezão abriu o dele antes.

— Parará, piriri, ah, achei ... está aqui ... 11,9999% ...

— Então você não é o pai — disse a japinha.

Senti Pezão meio decepcionado. Sabia! Ele queria mesmo ser o pai do guri.

Agora só me resta abrir o envelope e aparecer um 100% ... aí eu me jogo da ponte. Antes que eu pudesse abrir, Sonisvalda puxou o maldito envelope de minhas mãos e o abriu.

— Ah, fala sélio!!! — disse ela, com uma expressão nada animadora. Quero dizer, nada animadora pra ela.

— O que foi? — gritei, puxando o envelope de volta.

Olhei o resultado e entendi a reação dela ... marcava menos 0,10%.

— Meu, como pode um resultado de DNA dar resultado negativo? — gritou Sonisvalda. — Calalho, tem alguma coisa elada nesta pola!

— Eu quero o meu dinheiro de volta — eu disse.

Mas ninguém recebeu droga nenhuma. Meu, fala sério, não acredito que passamos por tudo aquilo pra nada. Quem é o pai do Rodrigo? Eu quero saber!

— Porra, não estamos esquecendo de nada? — disse Pezão.

Olhei para o envelope do Mamute em suas mãos e respondi:

— Claro, esquecemos de abrir o resultado do gordo da bunda branca.

— Putz, fala sélio!!! — disse a Cebolinha cover. — Se aquela cliatula holível for o pai do meu Rodligo eu nem sei o que selei capaz de fazer.

Pezão abriu o envelope.

— E aí? — perguntou Sonisvalda, nervosa. — O que deu?

— Vai tomar no cu. Eu vou processar esta porra desta clínica. Dá uma olhada.

Olhei e lá estava ... menos 0% ... Ninguém merece. Menos zero porcento? Existe isso?

Saímos da clínica putos da vida.

— Putz, era só o que faltava — disse Pezão, apontando para alguma coisa ou alguém atrás de mim. — Olha quem vem vindo ali.

Olhei imediatamente para trás e lá vinha ele, Pigmeu.

— Meus camaradinhas, são vocês?

Meu, não estou com paciência pra aturar maluco. Se ele abusar dou-lhe um peteleco na testa ou um chute nas bolas.

— Beleja, Pig ... ?

Nem tive tempo de desviar do tapão que ele me deu.

— Porra, Pigmeu, vai tomar no seu cu!!!

— Pega leve, carinha, tinha um lecópitru descendo em você.

— Lecópitru? — perguntou Pezão.

— Isso, vocês não sabem o que é um lecópitru, camaradinhas? É aquele bagulho que tem um outro bagulho em cima que fica girando, girando, aí o bagulho avoa. Lecópitru!!!

Meu, mesmo com muita raiva do maluco eu acabei rindo. Agora que eu entendi. Helicóptero!!!

— O que houve com as joaninhas? — perguntei.

— Onde? — nossa, o coitado do maluco tomou um susto tão grande. — Onde? Meu, eu tenho ódio deste bicho nojento! Onde você viu? Onde estão as joaninhas?

— Desde quando joaninha é bicho nojento? — falou Sonisvalda.

Acho que só agora o Pigmeu percebeu a presença dela. Ele tomou até um susto com ela. Xiiiiiiiii, agora está encarando o Rodrigo.

— Que bonitinho o seu sapo! — disse Pigmeu, sem tirar os olhos do menino.

Sonisvalda ficou uma fera de raiva.

— Sapo? Sapo o calalho!!! Você cheilou cola?

Pigmeu encarava o moleque sem piscar, parecia nunca ter visto uma criança antes em toda a sua vida.

— Seu sapo está morto?

Sonisvalda olhou pra mim, vermelha de ódio.

— Nando, eu vou bater nele, hein!!!

Antes que pudéssemos prever Pigmeu deu um soco no Rodrigo, derrubando-o dos braços de Sonisvalda.

— Você não viu? — disse o maluco. — Uma joaninha irada pousou bem no chifre do seu sapo!!!

Sonisvalda ficou desesperada com o menino caído no chão. Mas ainda bem que nada de grave aconteceu. Só alguns arranhões, mas é claro que Rodrigo abriu o maior berreiro. Fiquei com pena do guri.

Depois de verificar se estava tudo bem com o menino, Sonisvalda partiu com toda sua fúria pra cima do maluco. Nem a impedimos. Pigmeu bem que merece, não é? Onde já se viu dar uma cacetada daquelas numa criança indefesa? 

Fiquei segurando o Rodrigo enquanto Sonisvalda quebrava o maior pau com o maluco. Pobre Pigmeu, está apanhando outra vez. Primeiro foi a Lu, agora a Cebolinha cover. Isso que dá estar sempre chapado, o cara não tem força nem pra se defender. Meu, eu só sei que ele deu sorte que não pegou a Kazuki ... porque a japinha é forte pra caralho, um golpe dela seria capaz de partir o maluco em dez Pigmeus. Sonisvalda seguiu espancando Pigmeu por longos minutos, até que eles ficaram numa posição ... digamos ... erótica. Pigmeu estava caído de costas para o chão e Sonisvalda estava sentada sobre ele, enchendo o coitado de porrada. 

— Sapo? — gritava ela, enquanto o socava. — Meu filho é sapo? Toma isso, seu cheilador de cola do calalho!!!

De repente ela foi diminuindo o ritmo, diminuindo ... diminuindo ... até que parou de vez. Mas continuou sentada sobre Pigmeu, olhando fixamente para ele. Parecia em transe.

— Cansou? — perguntou Pezão, rindo.

Ela não respondeu nada. Só o Pigmeu que fazia uns grunhidos, o coitado estava todo roxo. Agora fiquei com pena do maluco.

— O que houve? — perguntei.

Nada. Ela permaneceu calada, encarando Pigmeu.

— A mina ta gozando sobre o pau do Pigmeu!!! — falou Pezão.

Aí sim ela acordou. Ergueu-se lentamente, mas ainda encarando o Pigmeu. Meu, não estou entendendo nada. Será que ela se arrependeu?

— Viu o satanás? — perguntei. — O que houve?

Finalmente ela respondeu:

— Enquanto eu batia neste babaca eu percebi algo super sinistlo. Meu, não quelo nem imaginar isso. Espelo que meu sexto sentido esteja muito elado.

— Como assim?

— Eu tenho um sexto sentido apuladíssimo. E algo me diz que ... Puta merda, não quelo nem dizer. Não pode ser verdade!!!

— Fala logo, porra!!! — gritou Pezão.

— Eu acho que este cheilador de cola do calalho é o pai do Rodligo!!!

O quê? Fala sério! Ela deu até pro Pigmeu?

— Os olhos são iguais — prosseguiu ela. — O naliz é idêntico. A boca então ... nem se fala. E o pior de tudo, eu me lemblo de ter tlansado com este filho da puta. Ele ficava me dando uns tapas, dizendo que tinha largatixa na minha nuca.

Ninguém merece.

Pigmeu fez o exame de DNA alguns dias depois, mas desta vez numa clínica de conceito. O pai da Cebolinha cover pagou tudo. Infelizmente o resultado não foi bem aquele que ele queria. Pigmeu é mesmo o pai de Rodrigo. Sonisvalda entrou em depressão, ou melhor, deplessão.

Querem saber a primeira frase do novo papai do pedaço?

— Camaradinha, tem coisa errada no bagulho, meu filho nasceu um sapo!

( FIM )

↑ Voltar ao topo

MAIS UMA HISTÓRIA PARA GUARDAR

Que nota este conto merece?

Conclua a leitura para avaliar.

Seja um leitor fiel. Cadastre-se grátis para salvar sua leitura e avaliar.