← Todas as histórias
Capa de Edição 7 — Show do Metallica
Nando e Pezão

Edição 7 — Show do Metallica

Publicado em

Sinopse

Sem sinopse.

COMEÇAR A LEITURA
BOA LEITURA
Fonte 18 px
Espaçamento 1.4

Capítulo 1 · Baianinha Porreta

Muita gente ainda me pergunta sobre Ubatuba. Todos querem saber a verdadeira verdade verídica. Bom, eu vou lhes dar uma bela pista ... Caverna do Dragão. Lembram deste desenho? Alguém aqui conhece a teoria de que eles estavam presos naquele lugar porque estavam todos mortos? Então, foi o que aconteceu comigo e Pezão. Nós morremos em Ubatuba. Sim, somos duas almas penadas presas neste mundo caótico. O Mestre dos Magos é o Pigmeu. Já perceberam que ele sempre aparece do nada? Então, igual o Mestre dos Magos do desenho. Vocês acham que eu estou brincando, certo? Olha, pode ser que sim, pode ser que não. Vou deixar mais esta dúvida no ar.

Hehehehehe.

Agora vamos ao que interessa, vocês devem estar curiosos pra saber como foi minha estréia na TV Globo, certo? Pois bem, vejam que decepção, o programa não foi exibido, sustaram meu cheque de 2 mil reais e ainda ouvi dizer que partes da filmagem estão rodando a internet. Sim, neste exato momento pode ter algum pervertido fazendo download da minha bunda. Putz, ninguém merece.

A única coisa boa que ficou daquilo tudo foi o sexo selvagem que fiz com a Patzinha. Ah, pelo menos uma vez por semana ela me liga. Sei lá qual é a dela, não sei se é saudade de mim ou do Nando Júnior ... hehehe.

Ah, antes que eu me esqueça, Pezão não está mais namorando a Bel. Parece que a mina era virgem e só vai liberar a periquita após o casamento. Nem preciso dizer o que aconteceu quando a guria disse isso pra ele, né? Hahahaha .... Eu quase me mijei de tanto rir quando ele me contou. Pezão, filho da puta como ele, virou pra mina e disse:

— Ah, Bel, enfia essa buceta no cu então!!!

Putz!!! Sacanagem, imagino a cara que a mina deve ter feito.

Ah, detalhe, isso porque Pezão estava apaixonado, hein!!! Imaginem se ele não gostasse da Bel.

Trriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmm!!!!

Putz!!! Olha aí, falando no diabo ....

— Clínica São Nicolau. Aumentamos seu pau por apenas 2 real !!!

— Foi engano, desculpa aí.

— Porra, Pezão, acorda!!! Sou eu!!!

— Nando?

— Não, seu bosta, sua avó!!!

— Pensei que fosse da clínica mesmo.

Caralho!!! O Pezão está estranho ou é impressão minha? 

— Você comeu cocô?

— Dá um tempo, caralho!! Fala logo porque você me ligou.

— O quê? Acorda, foi você que me ligou.

— Porra, é mesmo? Que bosta, acho que estou ficando meio doido.

— É a falta de buceta.

— Pode crer, acho que é isso mesmo.

— Mas e o lance lá com a Bel? Acabou mesmo?

— Então, cara, eu estou sentindo falta daquela lambisgóia.

— Liga pra ela então, cacete!!

— Já liguei, mas ela manda dizer que não está em casa.

— Porra, Pezão, mas você tinha que ter dito aquilo pra ela? Você é foda.

— Ah, a mina estava pensando o quê? Eu só queria dar uma metida e ela já vem com papo de que só dá depois do casório e coisa e tal. Sai fora, meu! Se liga.

— Isso é conversinha mole, cara, bastava você levá-la com calma, aposto que mais cedo ou mais tarde ia acabar rolando. Você não precisava ter dito aquilo. A mina era gente boa, agora você tomou no cu.

— Tomei no cu o caralho!!!

Hahaha .... já deu pra sentir o velho Pezão voltando ao normal.

— Mas afinal de contas você me ligou pra quê?

— Sei lá, pra gente marcar alguma coisa, estou precisando sair pra pegar biscate.

— Ouvi dizer que abriu um barzinho lá perto do ...

Meu celular começou a tocar. Atendi:

— Fala.

— Oi, Nandito!!!

Hahahaha ... Nandito? Putz, só tem uma pessoa no mundo que me chama assim.

— Luciane? É você mesma???

— Nossa!!! Lembrou de mim, seu puto???

— Claro, mulher gostosa é que nem primeiro sutiã, a gente nunca esquece!!!

Luciane caiu na gargalhada. Parecia uma hiena com pneumonia.

Vocês não conhecem a Lu, mas ela é muito gente fina, é a menina mais doida que já conheci até hoje. Um mulata linda, alta, olhos expressivos, boca carnuda, está sempre cheirosa e de língua afiada. Sempre preparada pra dizer alguma coisa a respeito de alguém, e geralmente algo nada agradável. Gênio difícil. Se ela acredita que está certa nem perca seu tempo tentando provar o contrário. Uma das suas características marcantes é sua boca suja. Meu, está pra nascer uma mulher que fale mais palavrão do que a Lu.

— Como vai você, seu Zé Buceta? — eu não disse? Hehehe.

— Melhor agora, com certeza.

— Mas continua o mesmo sem-vergonha, hein!!!

— Eeeeeeeeeeeeeu??? Você sabe que eu sou praticamente um monge.

— Porra, Nandito, pra cima de mim??? Hahahahahaha

— Verdade, você me conhece melhor do que ninguém.

— Claro, eu até já te chupei, cacete!!!

Putz!!! Finjam que não leram isso, certo? Isso é intimidade minha, caralho!!!

— Mas diz aí, Lu, a que devo a honra desta ligação? Sentiu saudade do seu Nandito?

— Nem. Errei de número, seu puto.

— Porra, esta doeu.

— Estou brincando, Nandito, é claro que senti saudade. Porra, você é o único paulista gente boa que eu conheço.

— Espera aí, seu pai é paulista, não é?

— Claro que é, mas eu nunca vou dar a bunda pro meu pai, certo?

Putz!!! A Lu é foda.

— Verdade. Mas me conta, faz muito tempo que a gente não se fala.

— Acho que mais de 2 anos.

— Sim, ou até mais. Eu senti saudade.

— Ah, Nandito, sentiu saudade porra nenhuma!!! Fala sério, nunca me ligou.

— Porra, você mora em Salvador, quanto você acha que custa uma ligação?

— Caralho, você continua mão de vaca, hein!!! Nandito, a mulherada hoje em dia não gosta disso, viu? Aprenda a meter ... a mão na carteira.

— Eu sei disso, não precisa me dizer. Hoje em dia "meter a mão na carteira" significa mais do que saber "meter" em outro sentido.

De repente comecei a ouvir vozes me chamando. Serão vozes do além? Claro que não, é o babaca do Pezão louco pra se "meter" na conversa. Peguei o telefone:

— Quem te ligou, Nando? É aquela baiana?

— Não te interessa.

E bati o telefone na cara dele. Ah, não fiquem com peninha do Pezão.

— Quem era? — perguntou ela.

— Ninguém.

— Era aquele seu amigo filho da puta, certo?

— Sim, era.

— Vocês ainda são amigos?

— Infelizmente somos.

— Mesmo depois de tudo que rolou lá em Ubatuba?

— Sim, pra você ver como eu vou pro céu.

— Céu? Se liga, Nandito, depois de tudo que já aprontamos nós não vamos pro céu ... mas nem fodendo.

— Então você ainda se lembra, né?

— Claro, seu merda, e você acha que eu estou ligando por quê?

— Hmmmmmmm, gostei do seu tom de voz, fiquei até arrepiado.

— Arrepiado você vai ficar quando souber onde eu estou agora.

— É mesmo? Onde você está?

— Estou pertinho de você, estou em São José dos Campos.

— Caraaaaaaaaaaaalho!!! Não brinca!!!

— Não estou brincando, porra!!! Estou na casa de uma tia minha.

— Mas veio em definitivo ou visita?

— Pra ser sincero nem um nem outro. Eu vim pra assistir o show do Metallica que vai acontecer amanhã lá em São Paulo, mas como não tenho nenhum parente lá eu resolvi ficar aqui mesmo.

— Porra, é mesmo, o show do Metallica!!! Você vai então?

— Não, Zé Buceta, eu vim lá de Salvador só pra te avisar sobre o show. É claro que vou, Nandito!!! Acorda, menino.

— Show de bola, hein!!! Eu tinha até me esquecido, mas agora é tarde.

— Hoje é seu dia de sorte, Nandito.

— É? Não estou sabendo de nada.

— Você vai comigo, caralho!!! Tenho um convite sobrando!!!

Antes que eu pudesse comemorar a ótima notícia o telefone tocou.

Atendi. Nem preciso dizer quem era, preciso?

— Porra, Nando, seu porra, vai tomar no seu cu!!!

— Pezão.

— O que foi?

— Enfia o dedo no cu e assovia, eu vou no show do Metallica!!!!

Uhuuuuuuuuuuuuuu!!!

Capítulo 2 · Filho da Mãe Biscate

Antes que eu pudesse comemorar a ótima notícia o telefone tocou.

Atendi. Nem preciso dizer quem era, preciso?

— Porra, Nando, seu porra, vai tomar no seu cu!!!

— Pezão.

— O que foi?

— Enfia o dedo no cu e assovia, eu vou no show do Metallica!!!!

Uhuuuuuuuuuuuuuu!!!

-----------------------------------------------------

Ai que saudade da Lu, putz grila. A gente se conheceu num carnaval alguns anos atrás. Meu, o que a gente aprontou ... nem vou contar pra vocês. Tudo bem, eu posso contar uma história, mas pelo amor dos meus filhinhos, não espalhem!!!!!!

Estávamos em São Sebastião, era nosso segundo dia de folia juntos, até então não havíamos feito nada além de uns amassos. Tudo bem que eram amassos maravilhosos, com direito a passada de mão em tudo quanto é canto, mas ... eram só amassos. Na nossa segunda noite juntos o clima esquentou tanto que se não transássemos nossos corpos explodiriam, vocês sabem como é, tesão é foda. A Lu é 2 anos mais velha do que eu, então eu calculo que ela devia estar com uns 18 ou 19 anos, gostosa pra caralho, seu corpo moreno brilhava. Corremos para o primeiro motel que encontramos. Lembro-me que eu estava com um RG falso, mas na verdade este não seria o meu problema. A falta de vaga, sim. Não havia uma vaga sequer. Procuramos outro motel. Nada. E assim foi, não havia um motel disponível naquela maldita noite. Eita povo pra gostar de trepar!!!!!! A gente chegava nos motéis e havia filas e mais filas. Um monte de casal com fogo no cu.

Eu só sei que a ficamos tão injuriados que decidimos transar na rua mesmo. Só precisávamos de um lugarzinho escuro e tchau pardal. Era tesão demais pra esperar na fila. Desistimos dos motéis e saímos à procura de uma rua escura. O problema é que nós não éramos os únicos que haviam pensado nesta possibilidade, é lógico que havia outros casais desesperados pra dar umazinha na rua. Foi aí que encontramos Diego e Natasha. Diego morava em São Sebastião mesmo, Natasha era sueca. E que sueca!!!! Meu, uma loiraça de tirar o fôlego de qualquer um. A única coisa que ela sabia falar em português era "caipirinha", e mesmo assim naquele sotaque que só gringo tem. Mas dane-se, eu nem reparei no sotaque mesmo.

— Vocês estão procurando uma beco escuro, estou certo? — perguntou Diego, agarrado à cintura da loira.

Nem eu nem a Lu estávamos em condições de negar alguma coisa. Caímos na gargalhada e respondemos praticamente juntos:

— Sim.

Notei que Diego não tirava os olhos de cima da minha mulata. Mas tudo bem, eu também estava de olho na loira dele ... hehehe.

— Eu conheço um ótimo lugar, — prosseguiu Diego. — muito sossegado, e fica perto daqui.

— Putz, demorou!!! — falei, apertando a bunda da Lu.

E lá fomos nós. Eu estava excitado com o fato de estar prestes a transar com uma mulata super gostosa e ainda ter a oportunidade de ver a sueca peladinha dando pro cara. A noite estava prometendo, iiiiiiiiiiiça!!!

No meio do caminho Diego vira pra nós dois e pergunta:

— Vocês topariam fazer swing?

— Como é que é? — perguntou a Lu.

— Swing, troca de casal, vocês topam?

Olhei pra cara da Lu e não deu pra perceber se ela curtiu ou não a idéia. Achei melhor esperar um pouco até responder. Porra, por mim tudo bem, já imaginaram eu comer a mulata e depois ainda pegar a loira? Era lucro total para uma noite só!!!

— O que você acha, Nandito???

Ah, detalhe, ela já me chamava de Nandito desde a primeira noite de Carnaval.

— Ah, Lu, você que sabe.

— Então eu topo!!!

Hehehe ... era tudo o que eu precisava ouvir! A noite ia ser foda!

Os olhos do cara arregalaram ainda mais pra cima da Lu. Aproveitei para dar uma olhadela pra loira. Eu não sei se era o efeito da cerveja que estava passando ou sei lá, só sei que a segunda vez que olhei pra sueca eu já não achei tanta graça. Eu estava quase me arrependendo de ter topado o tal swing. Mas já era tarde, palavra de bêbado é palavra de bêbado, certo? Cu de beudo pode não ter dono, mas a palavra tem.

Alguns minutos depois nós finalmente chegamos no tal lugar. Era exatamente como Diego havia nos contado. Estava um breu danado, só dava pra ouvir um som de trio elétrico bem distante e alguns latidos de cachorro. O lugar era perfeito. Agarrei as coxas da Lu e antes que ela pudesse dizer alguma coisa já estávamos nas preliminares.

— Agora sim, minha baiana porreta! — sussurrei no ouvidinho dela.

— Sim, e eu estou pegando fogo. — respondeu ela.

Dei uma olhadinha para os lados e notei que Diego e Natasha já estavam longe, certamente no mesmo estágio que nós.

Eu não sabia o que me deixava mais excitado, se era aquele corpaço gostoso da baiana ou o fato de estarmos fazendo tudo aquilo na rua. Era adrenalina demais para uma cabeça só. Ops! Quero dizer, duas cabeças, né? Hehehe.

Quando eu me preparei pra colocar a camisinha ouvi um grito.

— Puta que o pariuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!

Até perdi a ereção, de tanto que eu ria. A Lu também caiu na gargalhada.

— O que foi isso? — perguntou ela.

— Parece a voz do cara, o Diego.

— Sim, acho que é ele. Mas o que será que acon.....

De repente vimos o cara passar correndo por nós, peladão, correndo mais que um maratonista. Cuspia pra tudo quanto era lado. Parecia estar apavorado.

— Caralho, o que será que houve? — perguntei pra Lu, baixinho.

Antes que ela tivesse tempo de responder a loira passou por nós.

Estava escuro, mas não o suficiente para descobrirmos que a loira não era loira, mas sim um loiro, e com uma bisnaga de um tamanho considerável.

Caímos numa gargalhada que não tinha mais fim. Perdi a ereção, perdi a camisinha, caímos os dois sentados num negócio mole e pegajoso, que depois viemos a constatar que era esterco de cavalo. E foi assim que terminou aquela noite. Não foi do jeito que eu esperava, mas eu nunca dei tanta risada na minha vida. Parecíamos duas hienas ganhadoras da Tele-Sena.

No dia seguinte a gente se encontrou mais cedinho e fomos os primeiros no motel. Foi maravilhoso. Sem sueco pingueludo corendo pelado pela rua, sem esterco, só nós dois. Eu acho que a Lu foi minha primeira transa pra valer mesmo. A baiana fazia e sabia de tudo, lembro-me de ter saído daquele motelzinho branco feito um copo de leite. Ela tirou tudo de mim. Acho que até os vira-latas olhavam pra mim e sabiam que eu tinha feito sexo, pois meu sorriso nos lábios entregava. Putz!!! Aquele foi um carnaval inesquecível.

Caralho, nem acredito que amanhã eu vou me encontrar com a Lu outra vez. Vai ser gostoso demais. Meu, ela deve estar ainda mais gostosa. Uau! Estou sentindo boas vibrações. 

Porra, acho melhor eu parar com esta animação toda, não é? Merdas acontecem, e principalmente comigo. Minha única sorte é que desta vez o Pezão não vai estar junto. Eu acho que aquele filho da puta me dá azar. E tem mais, Pezão e Lu não se bicam. Na verdade aqueles dois se detestam. Ainda não sei direito o motivo, eu só sei que eles se odeiam de morte. Bom, talvez Pezão a odeie porque ela preferiu dar pra mim e não pra ele, não é? E o ódio dela por ele talvez seja mais simples ... Pezão é um filho da puta mesmo, é fácil odiá-lo, basta você conhecê-lo e alguns minutos depois você já fica com vontade de mandá-lo para os quintos dos infernos.

Triiimmmmmmmmmm!!!!

Puta merda, falando no diabo ...

— Fala, Pezão dos infernos!!!

— Ei, Nando.

— Desembucha.

— Enfia o dedo no cu e assovia, porque eu também vou no show do Metallica!!!

— Ah, nem vai!!!

— Vou!!!

— Não vai!!!

— Vou, porra!!!

— Comigo é que não vai.

— Foda-se, o importante é que eu vou.

— Mas como você conseguiu ingresso?

— Minha mãe é advogada de um dos organizadores. Uhuuuuuuuuuu!!!

— Filho da puta.

— Posso até ser um filho da puta, mas sou um filho da puta que poderá entrar no camarim!!! Ganhei vip!!!

— Camararim??? Ah, fala sério.

— Estou falando sério, cara, minha mãe é chegada do cara.

— Sei, você quis dizer que ela dá a bunda pra ele, isso sim.

— Ah, vai se ferrar, cara!!! Você está com inveja de mim, isso sim.

— Vai se danar, está todo animadinho só porque pode entrar no camarim com um monte de marmanjo que nem fala a sua língua. Você entende alguma coisa de inglês?

— Um pouco.

— Vai tomar no seu cu, Pezão!!! Você não sabe nada de inglês, vai pagar o maior mico lá com os caras.

— Vou nada, basta eu alugar um monte de DVD e você vai ver como aprendo a falar inglês hoje mesmo. Quer apostar?

Bati o telefone na cara do imbecil.

Maldito Pezão invejoso do caralho, além de conseguir ingresso para o show ainda conseguiu passagem vip para os bastidores. Mas é um filho da puta mesmo!!! Literalmente falando, pois ele só consegue as coisas graças à mamãe dele, não é? A biscate dá a bunda lá para o cara e consegue ingresso vip e o escambau. Ah, não é justo. Já a minha mãe é fiel, nunca traiu meu pai, e o que eu ganho? Nada.

Capítulo 3 · Aceita um Chocolate?

Maldito Pezão invejoso do caralho, além de conseguir ingresso para o show ainda conseguiu passagem vip para os bastidores. Mas é um filho da puta mesmo!!! Literalmente falando, pois ele só consegue as coisas graças à mamãe dele, não é? A biscate dá a bunda lá para o cara e consegue ingresso vip e o escambau. Ah, não é justo. Já a minha mãe é fiel, nunca traiu meu pai, e o que eu ganho? Nada.

-----------------------------------------------------

É hoje! Vou ver minha grande amiga Lu outra vez! Na verdade o que tivemos foi muito além de uma amizade, não é? Não sei se dá pra chamar de amiga alguém que já chamou meu peru de meu bem. Bom, amiga ou ex-ficante, não importa o nome, só sei que estou com saudade dela.

Ela me ligou cedinho avisando que ia pegar o ônibus meio-dia e meia lá em São José dos Campos, isso significa que ela vai chegar aqui por volta de uma e vinte da tarde. Putz!!!!! Se eu não me apressar vou me atrasar.

Puta merda, está um calor desgraçado hoje! Tomara que ela venha de saia, pois aquela mulata tem umas pernas que pelo amor dos meus filhinhos ... iiiiiiça!!! Eu caía de boca naquelas coxas com gosto, pessoal. Morram de inveja, cuecada encalhada dos infernos.

Enquanto eu corria para a rodoviária lembrei-me da época em que eu namorava a ... Ruthinha. Lembram? Meu, sinto a falta de uma garota bacana como ela. Foi uma pena o nosso namoro não ter ido além. Maldito Hitler.

Ling ling ling!!!

Gostaram do toque do meu celular? Hahahahaha .... Pois é, simples, mas isso sim é coisa de macho. Macho que é macho não coloca musiquinha em celular.

Preciso dizer quem está ligando?

— Fala, Pezão dos infernos infernais!!!

— Nando, seu porra, onde você está? Liguei na sua casa e você não está.

— Estou sim, liga lá.

— Espera então.

Puta merda!!! Não acredito. O Pezão comeu cocô? Acreditam que ele desligou?

Minutos depois o celular toca novamente.

— Fala.

— Seu bosta!!! Você não está na sua casa!

— Mas é claro que não, seu bicha! Desembucha logo, o que você quer?

— Onde você está?

— E lhe interessa?

— Já sei, sua amiguinha biscate está vindo pra cá.

— Biscate é a puta que te pariu!

— Nossa, olha como ele fica nervosinho!

— Dá um tempo, Pezão! O que você tem contra a Lu? A mina é super gente fina.

— Ah, isso é entre nós dois, fique fora disso.

— Por acaso você é racista?

— Não viaja, cara, nada a ver.

— Discriminação racial dá cadeia, seu bosta, vai brincando pra você ver.

— Não sou racista, porra!!!! Esqueceu que uma vez dei meu vídeo-game para um garotinho lá da minha rua?

— Pezão, seu bosta, antes de dar o vídeo-game você arrancou todos os fios e circuitos do bagulho. Esqueceu?

— Putz, é mesmo, eu tinha me esquecido disso. Mas foda-se, o moleque ficou super contente com a carcaça de plástico, não ficou?

Pior que ficou, galera, é verdade. Mas isso não inocenta o Pezão da sacanagem que ele fez com o moleque. Custava ter dado o vídeo-game funcionando? Maldito Pezão.

— Porra, cara, estou chegando na rodoviária, vou desligar.

— Manda um recado meu pra sua amiguinha aí.

— Vou mandar nada.

— Manda ela tomar no ....

Desliguei o celular. Ah, Pezão folgado do caralho! Assim que a Lu chegar vou perguntar de onde surgiu esta raiva toda um pelo outro.

Já são quase duas horas da tarde e até agora nada da Lu. Acho melhor ligar pra ...

Ops! Celular vibrando. Será o filho da puta novamente? Não, chegou torpedo. Uma mensagem da Lu:

"To chegando, Nandito! To morrendo de saudade"

Opa! Será que ela toparia um motelzinho agora? Eu conheço um aqui bem pertinho da rodoviária. Seria uma boa maneira de relembrar os velhos tempos, vocês não acham?

Alguns minutos depois e o ônibus apareceu, finalmente.

Putz! Meu coração começou a bater até mais forte. Ansiedade. Saudade. Acho que uma boa dose de tesão também. Eu já disse e vou repetir, a Lu é muito gostosa!!!!!!!!! Corpão violão, bundão, lábios carnudos ... e muito mais. Só de lembrar já fico arrepiado. E tudo isso está ali dentro daquele ônibus! Vindo pra mim. Uhuuuuuuuu!!! É hoje!

Os passageiros começaram a descer. Um a um, e meu coração acelerado, louco para reencontrar minha Lu e lascar um beijão nela, nem que seja um beijo no rosto, a esta altura do campeonato qualquer coisa é lucro.

Puta merda, de onde veio este ônibus, do inferno? Mas como tem gente feia no bagulho! Acho que só a Lu vai se salvar deste desastre. Caraca, está parecendo mais um ônibus de circo, primeiro desceu um anão com cara de cavalo, depois desceu um homem gigante com nariz de focinho de porco e agora está descendo uma gorda. Caramba! Eu acho que a gorda vai ficar presa na porta do ônibus. Não!!! Se isso acontecer como é que a Lu vai descer??? Ufa, foi só exagero meu, a gorda é gorda, mas não ficou presa na porta. Ainda bem.

O povo foi saindo e nada da Lu. Espera! Acho que estou vendo uma gostosa lá dentro! É ela! É ela!

— Oi, Nandito!!!!!!

Tomei um puta susto. Se a Lu está lá dentro do ônibus ... como ela conseguiu chamar meu nome aqui atrás de mim?

— Estou aqui, Nandito!!!

Senti um dedo me cutucar as costas.

Virei-me lentamente e .... Nãoooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!

— Oi, Nandito! Não me reconheceu?

Não, mil vezes não, não não não não não!!!!

Eu joguei cocô na cruz. Lembram da gorda? Sim, caros amigos, era a Lu.

— Eu passei por você e você nem me olhou, caralho! — disse ela, enquanto terminava de comer uma barra de chocolate. — Aí resolvi lhe fazer uma surpresa, seu puto.

— E conseguiu.

— Que cara é esta, porra? Parece que viu o demônio?

Bom, o demônio eu não digo, está mais para uma baleia.

— Nada não, Lu, é que faz tempo que eu não te vejo e ...

— Já sei, estou um pouco mais morena, não é?

— Bom, acho que é isso.

Mais morena??? Fala sério, Lu!!! Parece que você comeu duas leitoas inteiras!!!

— Ah, e também engordei um pouquinho, não é?

Um pouquinho???

— Ah, nem notei, Lu.

Puta merda, até o cara que estava do meu lado começou a rir depois dessa. E olha que o cara nem conheceu a Lu na versão gostosa.

Meu, fala sério, ninguém merece, acho que vou chorar. Eu quero a Lu do carnaval!!!! Eu quero a Lu gostosa!!!! Será que isso é um pesadelo????

— Puta merda, Nandito, nem lhe ofereci um pedaço de chocolate!!! Você quer?

Só se este chocolate possuir veneno, aí eu quero. Por favor, alguém me mate!!! Agora!!! Vocês devem achar que estou exagerando, mas não estou. Uma coisa é uma menina gordinha ... até tem seu charme, e já catei algumas, não tenho preconceito nenhum. Mas a Lu não está gordinha, ela está parecendo um balão da Goodyear. Se eu empurrá-la garanto que ela vai rolando até a Bahia.

— Nandito, estou aqui, pra onde a gente vai agora?

Minha sugestão seria uma academia de ginástica ou um spa.

Puta merda, galera, por esta eu não esperava, sério mesmo. Sei que tomar no cu é comigo mesmo, mas desta vez estou com vontade de chorar. O que eu faço?

— Caralho, Nandito, o que aconteceu com você? Está super estranho, você estava tão animado ao telefone!

— Nada não, Lu.

— Você está muito tenso, meu bem, o que acha de lembrarmos os velhos tempos?

— Como assim?

Antes que eu pudesse desviar ela me lascou um beijo de língua.

Putz!!! Que nojo!!! Senti um bafo de frango à parmegiana que me embrulhou todo o estômago. Eca!!!

— Nossa, seu beijo não mudou nada, Nandito. Continua gostosinho pra cassete.

— O seu também.

Puta merda, eu acho que nunca falei tanta mentira em tão pouco tempo. Daqui a pouco isso aqui vai mudar para as aventuras de Pinóquio e Pezão.

— Porra, Nandito, este fim de mundo não fica muito longe de São Paulo, não é? Precisamos estar lá no Morumbi antes das nove horas.

Putz!!!! Até me esqueci do show. Ah, agora nem sei se eu quero ir. Antes eu pensei que ia com a Lu gostosa, a Lu tesão, a Lu mulata fogosa que todos os homens olhavam e babavam. Mas agora as coisas mudaram, esta aqui não é a Lu, está mais pra Lua, cheia e redonda.

— Não se preocupe, daqui até São Paulo são menos de 2 horas.

— Ótimo!!! Então ainda dá tempo de passarmos num restaurante, não é? Estou com uma fome do caralho!!!

Santa Pixirica, agora eu tenho certeza, eu realmente joguei cocô na cruz.

Capítulo 4 · Pior que isso ...

Putz!!!! Até me esqueci do show. Ah, agora nem sei se eu quero ir. Antes eu pensei que ia com a Lu gostosa, a Lu tesão, a Lu mulata fogosa que todos os homens olhavam e babavam. Mas agora as coisas mudaram, esta aqui não é a Lu, está mais pra Lua, cheia e redonda.

— Não se preocupe, daqui até São Paulo são menos de 2 horas.

— Ótimo!!! Então ainda dá tempo de passarmos num restaurante, não é? Estou com uma fome do caralho!!!

Santa Pixirica, agora eu tenho certeza, eu realmente joguei cocô na cruz.

----------------------------------------------------

Você já viu aquela pegadinha onde aparece uma gostosa pedindo instruções sobre como chegar num determinado lugar e de repente surge uma mocréia no seu lugar? Então, agora eu sei como os manés se sentem. Eu estou me sentindo numa pegadinha, e o pior, sem cachê. Não sei se é loucura minha ou sei lá, mas eu estou até ouvindo o Silvio Santos rindo da minha cara, dizendo: "ma, ma, ma esta pegadinha é muito boa ... Dançando e rodando!!!".

Na verdade eu estou dançando e me fodendo.

O que eu faço agora? A mina está com fome e pelo tamanho da criança ... isso deve comer um cavalo inteiro, só de aperitivo. Eu não estou preparado monetariamente para arcar com um prejuízo desta proporção.

— Nandito, eu estou com fome! Não tem um restaurante aqui perto?

Pensa, Nando, pensa!!! Porra, usa esta merda de cérebro!!! Você não viu aquele documentário do Fantástico? O cérebro humano é a máquina mais complexa que existe, capaz de milhares de processamentos e coisa e tal. Será que o meu só presta pra pensar em fuqui-fuqui?

— Sim, conheço um restaurante aqui perto.

— Obaaaaaaaaaa!!! Com a fome que eu estou sou capaz de comer um boi.

Pelo seu tamanho eu diria que até dois.

Eu sou um gênio. Vou levá-la num lugar aqui pertinho, vocês até já conhecem ... o Bar do Gordo!!! Hahahaha ... Estão vendo? Meu cérebro funciona quando eu preciso. Vou matar dois coelhos com uma cassetada só. Lu vai comer aquela maldita gororoba lá do Gordo e não vai nem pensar em show, a única coisa que ela vai querer ver é uma bela e resistente privada, aí eu faço beicinho e fico com os dois convites para ver o Metallica!!! Eu sou foda!!! Tem hora que até eu me espanto com a minha mente maligna. Pra completar a cena só falta eu colocar a ponta do dedo mindinho no canto da minha boca e dar aquele sorrisinho de Dr. Evil. Porra, se você não sabe quem é Dr. Evil passa na locadora e aluga Austin Powers, né? Se liga.

Puta merda, tremendo mico andar com a Lu pelas ruas da cidade. Ela está tão gorda que chama a atenção de todo mundo. O problema são os "elogios" carinhosos que a galera grita pra ela:

— Eu não sabia que baleia anda!!!

— Oh, filhote de hipopótamo!!!

— Gorda, baleia, saco de areia ... comeu banana podre, morreu de caganeira!!!

Entre outros ...

Meu, sacanagem!!! Eu tiro sarro, mas é de boa, não tenho a moral de falar isso pra ela. Coitada da Lu.

Eu notei a Lu aloprando com o povo, até que ela desabafou:

— Vocês paulistas são uma raça filha da puta mesmo, hein!!! Caralho.

Eis que surge alguém na nossa frente, nem eu nem a Lu vimos direito, quando dei por mim o acidente de trem já havia ocorrido. Lu atropelou alguém com sua banha. O coitado do rapaz quase morreu esmagado. Quando consegui puxar a jamanta de cima dele, para meu espanto, adivinhem quem era!!!

— O que é isso, meu camaradinha? Soltar balão é proibido.

Sim, ele mesmo ... Pigmeu. Putz, ninguém merece.

A Lu ficou puta da vida com ele.

— Oh, seu bostinha, balão é a puta que lhe pariu!!!

Pigmeu olhou bem pra mim, deu uma piscada longa, e soltou:

— Nando, que irado, seu balão fala!

Meu, eu tive de me segurar pra não rir. Esta foi foda!!!

— Porra, Pigmeu, segura sua onda! — eu disse. — Esta é minha amiga Lu.

— Mas que cara folgado! — disse ela, tentando se levantar. — Balão! Balão é a mãe!!!

Pigmeu ficou olhando para a Lu com uma cara meio desconfiada, eu estou com medo do que ele vai dizer ... acho que se ele disser alguma besteira a Lu vai socar a mão nele, sem dó e sem piedade.

Xiiiiiiiiii, lá vem ... Pigmeu desferiu um tapão nos peitos da Lu. A gorda se estatelou no chão.

— Cara, o que é isso? — gritei, meio que no reflexo.

— As joaninhas estavam atacando o seu balão, Nando.

Acreditem se quiser, mas a Lu saiu do chão e partiu pra cima do Pigmeu. Que pena que não tinha ninguém do Discovery Channel por perto, pois daria uma bela imagem para um documentário sobre hipopótamos ferozes perseguindo uma presa.

Por mais surpreendente que possa ser, a Lu conseguiu pegar o Pigmeu. Eu acho que ele realmente estava vendo um balão, pois tomou um puta susto quando a Lu caiu por cima dele com murros e chutes. Galera, deu até pena do maluco. A gorda socou tanta porrada nele que ao invés de ver joaninhas iradas ele vai ver estrelinhas iradas por um longo tempo. Pobre Pigmeu.

E finalmente chegamos ao Bar do Gordo. Todas as vezes que eu entrei neste lugar eu sempre evitei olhar para as gororobas nojentas que ficam expostas por dentro do balcão sujo, mas hoje foi justamente a primeira coisa que eu olhei. Rezei para estar cheio daqueles quibes que, só de olhar, já me embrulham o estômago e causam arrepios. Coxinhas super gordurosas e os já famosos ovos cozidos do Gordo. Se algum dia a ONU fizer uma investigação meticulosa vai descobrir que o Bar do Gordo é uma verdadeira fábrica clandestina de armas químicas. Iraque é fichinha.

Entramos e sentamos numa mesinha bem lá no fundo. Por sorte o bar estava praticamente vazio. A Lu ficou meio desconfiada com o lugar. Não é pra menos, o bagulho é realmente nojento.

— Puta merda, Nandito!!! Não tinha um lugarzinho melhor? 

— Esquenta a cuca não, Lu, o bar é modesto, mas a comida ... puuuta merda!!! Não existe salgado mais gostoso do que os do Gordo.

— É mesmo, é? Porra, os quibes me parecem deliciosos mesmo.

Vi saliva escorrer pelos cantos dos lábios da Lu. Caralho, ás vezes nem parece a mesma pessoa. Será que este projeto de elefante é mesmo a minha Lu? Não é possível.

O Gordo se aproximou de nós, colocou a mão no meu ombro e disse:

— Nossa, Nando, não vai me apresentar sua namorada?

Namorada??? Ah, fala sério, Gordo.

— Não é minha namorada.

— Somos grandes amigos. — disse ela, sorrindo para o Gordo.

— Hmmmmmmmmm!!! Amigos? Que bom!

Xiiiiiiiiiiii, Marquinho!!! É impressão minha ou pintou um clima? Puta merda, imaginem estes dois trepando, não há cama no mundo que resista ao peso total.

— Qual o seu nome, gracinha? — perguntou ele, quase a despindo com os olhos esbugalhados.

— Gracinha? Nossa, obrigada. Meu nome é Luciane, mas pode me chamar de Lu. E o seu?

— Na verdade eu nem lembro qual é meu nome. Todos me chamam de Gordo.

— Muito prazer, Gordo.

O Gordo pegou na mão gorda da Lu e deu-lhe um beijo. Não acredito no que os meus olhos estão vendo. Tem alguma coisa muito errada nisso tudo. Parece filme dos anos 20 isso aqui, mas o cenário e os protagonistas do filme não ajudam nem um pouco. Logo após o Gordo retirar seus lábios nojentos da mão da Lu uma mosca asquerosa pousou no lugar. Que nojo!!! Ela sacudiu a mão e o mosquito voou longe, passando bem à minha frente. A mosca era tão grande que fazia um esforço enorme para voar.

— O que vocês vão querer? — perguntou o Gordo, olhando fixamente para sua musa inspiradora.

— Seis quibes, duas coxinhas e me vê alguns daqueles ovos cozidos também. — disse a Lu, babando. — Ah, e um guaraná! Mas diet, eu estou de regime.

Regime? Caralho! Imagine se não estivesse.

Após anotar tudo no seu caderninho velho ele olhou pra mim.

— Eu não quero nada, obrigado. — falei.

Sai fora!!! Não como nada que passe a menos de quinhentos metros deste bar. Eu dou valor à minha vida, não é? Eu, hein!!!

Em menos de um minuto já estava tudo sobre a nossa mesa. Nunca vi o Gordo atender um freguês com tanta eficiência. Será amor à primeira vista? Colocou tudo delicadamente sobre a mesa e sentou-se conosco.

— Perdoe-me, minha querida, mas não tenho guaraná diet. Serve uma Tubaína?

— Tubaína? — perguntou ela.

— Pode aceitar, Lu, é coisa boa. — eu falei. 

Puta merda, agora meu plano não falha nem a pau. Já imaginou o rebosteio que vai acontecer naquele estômago? Quibe, coxinha, ovos e Tubaína. Se jogarem a Lu de um avião poderia causar uma explosão nuclear, não tenho a menor dúvida.

O Gordo trouxe a Tubaína e agora ficou sentado ainda mais próximo da Lu. Gamou mesmo. Só de olhar para aquele pratinho gorduroso com salgados de origem desconhecida eu já fiquei de estômago revirado. Preciso mirar num ponto e manter meu olhar fixo nele, assim eu evito os salgadinhos do inferno. Ah, já sei, tem um cartaz de marca de cerveja na parede ... e como sempre tem uma puta gostosona segurando uma latinha. Resolvido meu problema.

— Nando, puta merda, você que é um rapaz inteligente, ajuda seu amigo aqui.

— Desembucha, Gordo, vamos ver se posso ajudar.

Enquanto isso meu olhar continua fixo no cartaz. Eu que não me atrevo a olhar para a Lu mordiscando os salgados nojentos. Sinto vontade de vomitar só de imaginar a cena.

O Gordo prosseguiu:

— Eu estou com um problema sério.

Dei uma pequena desviada de olhar e perguntei:

— O que você tem?

— Eu tenho vergonha de contar.

— Ah, que nada, conta! O Nandito é um menino inteligente, vai lhe ajudar. Não vai, Nandito?

— Claro, vou sim.

— Então eu conto. Sabe o que é, toda noite eu sinto vontade de ... evacuar.

— Hã?

— Ah, sabe como é, cagar!!!

Hahahaha.... Puta merda, o Gordo sabe mesmo como impressionar uma mulher, hein!!! A Lu comendo e ele me vem com uma dessa! Hahaha..... Se bem que os salgados dele também são uma ... merda.

— Sim, mas e daí? — perguntei.

— Então, mas eu sinto vontade de cagar quando estou dormindo.

— Levanta e corre para a privada, caralho!!! Simples.

— Porra, mas eu já disse ... é quando estou DORMINDO!!!!

— Caralho! Então você acorda ...

— Sim, todo cagado.

Neste momento a Lu teve um ataque de risos tão grande que eu pensei que ela ia morrer engasgada com um pedaço de coxinha. Ela ria tanto que parecia uma hiena gorda grávida esperando uma ninhada de 20 hieninhas.

E a risada não parava. Todos que passavam em frente ao bar paravam para ver o que era aquilo. De repente foi acumulando uma multidão para observar aquela cena bizarra, uma baleia com um ataque de risos.

Pobre Gordo, não sabia onde enfiar a cara, estava super constrangido. E a Lu rindo, sem parar, sem pausa, ria e ria e ria e ria e ria.

De repente ela desabou sobre a mesa, seu corpo caiu em cima do prato vazio. Não acredito, ela comeu os seis quibes, as duas coxinhas e todos os ovos cozidos. Para completar, a garrafinha de Tubaína estava completamente vazia.

Da porta do bar surgiram os primeiros gritos histéricos:

— A gorda morreu!!! A gorda morreu!!!

Fiquei assustado, ela não me parece nada bem. Sua cor está pálida.

A multidão invadiu o bar. Alguns tentavam sacudi-la, mas seu peso era grande e eram necessários três ou mais homens para isso.

— Lu, fala comigo!!! — gritei, dando leves tapas no seu rosto.

Mas nada.

— A gorda morreu!!! A gorda morreu!!! — gritou um mendigo, parado na frente do bar.

— Chame um médico, Gordo!!! — eu falei.

De repente o mendigo gritou:

— Eu posso ajudar, eu posso ajudar!

— Vai tomar no seu cu, vagabundo! — gritou o Gordo.

— Eu já fui enfermeiro. — disse o mendigo.

— Então entra aqui, porra! — gritei, desesperado. — Dá uma ajuda pra nós!

Olhei puto para o Gordo:

— Você vai chamar uma ambulância ou não? Acorda, Gordo!!! Você vai perder o grande amor da sua vida, cara!

Ele me olhou espantado, e respondeu:

— Grande amor da minha vida? Ficou louco? Eu só queria comer a gordinha, nada mais.

O mendigo entrou e começou a tirar todo mundo de perto da Lu. Ela estava cada vez mais pálida. 

— Saiam de perto! Saiam de perto! Preciso de espaço. Aparentemente ela teve um ataque cardíaco.

Fiquei observando o mendigo e notei algo muito estranho, ele ficava apalpando muito a Lu, principalmente nos peitos e nas pernas. Eu acho que este mendigo é um tarado filho da puta, isso sim.

— Ela vai ficar bem? — perguntei.

— Sim, só preciso fazer um teste, enfiar o dedo no cu dela.

Puuuuuuuuuuta merda. Era só o que me faltava. Quando ele se preparou para descer a calça da Lu eu caí de porrada no mendigo. Meu, ninguém merece!!! Olha o cara!!!

Demos um cassete no mendigo folgado e jogamos ele pra fora do bar.

Minutos depois a ambulância chegou. Foram necessários seis homens para carregá-la. Na falta de um parente eu fui com ela para o hospital. Pobre menina gorda. Será que eu a matei? Não, ela é gorda demais, não conseguiria passar pelos portões do céu. E o inferno já está cheio de gente, não teria lugar para alguém do tamanho dela. Mas se ela não for para o céu nem para o inferno a alma dela vai ficar por aqui ... vagando sem rumo. Estou fodido, é claro que ela vai fazer de tudo pra me sacanear.

Quando chegamos ao hospital os enfermeiros me deixaram sozinho com a Lu. Lembrei que os convites para o show estão com ela. Meu, seria muita indelicadeza de minha parte retirá-los dela? Poxa, ela não vai poder usá-los mesmo, não é? Bom, indelicadeza ou não ... aqui vou eu.

Enfiei minhas mãos delicadamente nos seus bolsos da camisa. Não achei nada. Olhei para fora da ambulância e não vi nenhum dos enfermeiros. Coloquei as mãos nos bolsos da calça. Achei alguma coisa, mas não os convites, é apenas um pedaço de chocolate. Que nojo! O jeito é continuar procurando. Sobraram apenas dois bolsos, os de trás. Mas como vou conseguir fazer isso? Eu jamais conseguiria virá-la de bruços sozinho. Sei lá, não custa nada tentar.

— O que você pensa que está fazendo? — gritou um dos enfermeiros, quase me matando de susto.

Eu estava com as duas mãos sob o corpo gordo da Lu. Uma cena nada bonita.

— Eu? Ela estava fazendo uns sons estranhos, aí eu tentei ....

— Rapaz, como você pode pensar em sexo numa hora dessas?

— Sexo? Que sexo? Eu só estava ...

— Você estava passando a mão na bunda da gorda?

— Eu? Não!!! Eu ....

— Pervertido filho da puta!!! Eu já vi isso na internet, você deve ser um daqueles pervertidos que gostam de gordinhas, não é? Após o exame da moça eu vou dar queixa na polícia.

— Mas eu não estava fazendo nada disso!

Um médico e outros dois enfermeiros vieram socorrê-la. O enfermeiro histérico começou a tagarelar para os companheiros:

— Este filho da puta aí estava tentando abusar da gorda, vocês acreditam nisso?

O médico olhou pra mim e disse:

— Porra, você é louco? Se ela fosse bonitinha eu até entenderia, mas....

Explodi de raiva.

— Caralho, vocês comeram cocô??? Eu não fiz nada disso!!! Eu só estava tentando pegar ....

— Pior ainda!!! — disse o outro enfermeiro. — Estava tentando roubar a carteira da gorda??? 

— Mas que filho da puta!!! — disse o médico.

Galera, eu fiquei tão puto que estava prestes a explodir em dez mil pedacinhos.

— Vocês vão cuidar da minha amiga ou não??? — gritei.

Eles me olharam putos da vida, mas pelo menos a voz da razão falou mais alto. Pegaram a maca e levaram a Lu para dentro do hospital.

Fiquei mais de duas horas esperando por uma notícia, mas ela veio:

— Sua amiga vai ficar bem. Um ossinho de frango obstruiu sua respiração, mas agora ela está bem.

Puuuuuuuuuuuuuuta merda!!! Acho que nunca me senti tão aliviado em toda a minha vida. A Lu está bem, iiiiiiiiiça!!!! Será que os convites também estão?

Uma enfermeira me levou até o quarto. Nem preciso dizer que fui observando o requebrar de sua bunda, não é? Hehehe .... o que eu posso fazer? Sou homem, olhar bunda é algo que já nasce com a gente, mesmo em situações críticas e tensas.

Entrei no quarto e me dei conta de uma coisa ... a Lu estava com aquele roupão de hospital. Cadê suas roupas??? Procurei por todos os cantos do quarto, mas nem sinal delas.

— O senhor está procurando alguma coisa? — perguntou a enfermeira.

— Sim, as roupas da minha amiga.

Quando olhei para trás vi dois enfermeiros passando pelo corredor, rindo feito hienas gozando. Eles perceberam que eu os observava, pararam, e um deles disse para mim:

— Era isso que você estava procurando? — ele retirou um pedaço de papel do bolso do jaleco e o sacudiu no ar. Era um dos convites para o show. Em seguida o outro enfermeiro fez a mesma coisa.

Santa Pixirica!!! Filhos da puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta!!!

Resumindo:

1) Não fui no show. Os enfermeiros filhos da puta ficaram com os convites.

2) A Lu ficou morando comigo por três semanas. E vocês não imaginam o que é ter uma gorda com problemas estomacais vivendo no seu quarto por 21 dias. O inferno é fichinha.

3) Pezão foi no show, conheceu os caras e ainda ficou amigo do baterista. Fala sério.

4) E pra terminar .... não comi ninguém neste episódio.

Pior que isso ... só se alguém tivesse comido o meu cu.

Nem vem!!!

( FIM )

↑ Voltar ao topo

MAIS UMA HISTÓRIA PARA GUARDAR

Que nota este conto merece?

Conclua a leitura para avaliar.

Seja um leitor fiel. Cadastre-se grátis para salvar sua leitura e avaliar.