Edição 6 — Chiquinho Vesgo - O Esquartejador
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Sinopse
Sem sinopse.
Capítulo 1 · Um Convite Inusitado
Olá, pessoal, beleja? Como diria meu avô: vaso ruim não quebra. Mesmo após aquele acidente sinistro continuamos aqui, firmes e fortes. Dois meses já se passaram desde aquela madrugada fatídica. Ainda tenho alguns arranhões e cicatrizes, mas com o tempo isso tudo passa. Pezão já está numa boa outra vez, afinal de contas a mamãe já lhe comprou outro carro novinho. Maldito playba dos infernos. Agora ele está com outro Corsa, mas um sedã.
Antes que vocês me perguntem, até hoje eu não sei o que a menina do cabelo de mijo fez com o Pezão. Acreditam? O filho da puta sempre me contava tudo, mas desta vez ele realmente engoliu o segredo, fechou a porta e jogou a chave fora. Nunca vi coisa igual. Deve ter sido algo bem cabuloso. É mais fácil vocês descobrirem o que aconteceu em Ubatuba.
Falando na menina bruxa, vocês nem fazem idéia do que aconteceu. Ela está morta. Parece que morreu naquela mesma tarde em que a perseguimos até aquela casa abandonada. Sinistro. Mas o que eu queria contar pra vocês é que o pirralho conversa com ela. Não acreditam? Pois é verdade. Lembram do celular do meu primo Jaime? Isso, aquele mesmo, o que se espatifou no jardim da casa do Pezão. Lembram? Acreditem ou não, o pirralho fez diversas adaptações com as peças do celular e de vez em quando ele consegue conversar com a defunta. Pra falar a verdade eu ainda não vi isso com meus próprios olhos, mas o maldito Pezão jura que já viu. Não só viu como pegou o celular e mandou a defunta tomar naquele lugar. Putz! E eu que pensei que ele ia perguntar a respeito da Dona Mirandinha... hehehe
Trrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrim!!!!!
Caralho, que susto! Este maldito telefone. Preciso comprar um mais moderno, este maldito "trrrrimmm" vai me matar do coração qualquer dia desses.
— Fala, Pezão do caralho!
— Hã?
Ops! Não é a voz do filho da puta.
— Perdão, quem é?
— Boa tarde, eu poderia falar com o Fernando?
— Fernando?
— Sim, ele está?
— Ah, sim, sou eu. — caralho, ás vezes eu esqueço meu próprio nome. Ninguém me chama assim. Bom, só minha mãe, quando está muito P da vida comigo. — Quem é você?
— Meu nome é Tomaz Ferreira, eu faço parte da produção do programa Linha Direta, da Rede Globo.
Como é que é? Eu ouvi direito? Rede Globo? Plim-Plim?
— Hã? Linha Direta? Não é aquele programa que passa toda quinta-feira após a Grande Família?
— Sim, Fernando, este mesmo. O senhor já o conhece então?
— Bom, mais ou menos, acho que só assisti uma vez. Mas por quê você ligou pra mim? Estou sendo acusado de alguma coisa? Olha, eu nunca matei ninguém, o máximo que eu fiz foi dar uns tapas numa pé-vermeio uma vez, mas foi ela que pediu. Sabe como é, pé-vermeio também tem fantasias sexuais. Acredite se quiser.
O homem começou a rir ao telefone.
— Não, Fernando, fique sossegado, não foi pra isso que eu liguei.
— Não estou entendendo nada. O que você quer comigo?
— Certo, vou ser o mais breve possível. Você era amigo do Chiquinho Vesgo, certo?
Caralho! Chiquinho Vesgo. Quanto tempo eu não ouvia este nome! Maldito Chico. Por onde será que este filho da mãe se meteu? Bom, deve estar bem longe, depois de tudo o que ele fez.
— Sim, pode-se dizer que éramos amigos.
— Você tem conhecimento de que ele esquartejou a ex-namorada, suas duas irmãs, uma prima e ainda degolou a mãe, certo? Suponho que você saiba da história toda.
— Sim, é claro que eu sei. A cidade inteira sabe. Eu não consigo acreditar nisso até hoje, o Chico era a pessoa mais calma que eu já conheci em toda a minha vida. O cara não era capaz de matar nem barata.
— Bom, não é isso que a história mostra. Segundo a perícia ele matou todas aquelas mulheres com altas doses de crueldade. Algo terrível.
— Eu sei. Com certeza ele tinha dupla personalidade.
— Provavelmente.
— Bom, mas e daí? O que eu tenho com isso?
— Nós vamos fazer um programa baseado nos assassinatos que ele cometeu.
— Sinistro! Quero dizer, interessante.
— Sim, também acho. Já fizemos toda a pesquisa necessária e o roteiro do programa já está quase pronto.
— Mas eu ainda não entendi o que EU tenho com isso. Vou ser entrevistado para contar como ele era pacato? Vou ficar com cara de idiota, não acha? Vão pensar que estou defendendo o filho da mãe. Acho melhor eu não...
— Não é nada disso. Eu liguei pra você porque fiz algumas entrevistas e me disseram que você o imitava perfeitamente, além de ser muito parecido com ele fisicamente.
— Bom, isso é verdade. Ele tinha uns tiques nervosos muito engraçados, e eu costumava imitá-lo, a galera morria de rir quando eu fazia isso. Eu nunca me achei parecido com ele, mas como o desgraçado sempre copiava meus cortes de cabelo, ás vezes nos confundiam.
— Fernando, eu liguei pra lhe pedir um auxílio. Eu gostaria que você desse algumas dicas para o ator que vai fazer o papel do Chiquinho Vesgo na gravação do programa.
— Eu?
— Sim, queremos que o personagem fique o mais autêntico possível. Isso será bom para ajudar na captura dele também. Disseram que suas imitações eram perfeitas.
— Não sei, acho que eram. O mais engraçado era quando ele ficava animado com alguma coisa, ele começava a bater com os dentes e fazia uma cara muito esquisita. Hilário. O Chico era uma figuraça.
— Eu imagino. Posso contar com sua colaboração?
— Não sei.
— É claro que você receberá um cachê do programa.
— Opa, demorou! Tô dentro. Quando começamos?
Capítulo 2 · O Amor é Lindo
— Eu imagino. Posso contar com sua colaboração?
— Não sei.
— É claro que você receberá um cachê do programa.
— Opa, demorou! Tô dentro. Quando começamos?
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Meu, não estou acreditando! Eu vou trabalhar para a Globo! Putz grila, eu sou foda. Quando o Pezão souber ele vai se matar de inveja e....
Triiiiiiiiiiiiiiiiiimm!!!!
Falando no diabo...
— Fala, Pezão dos infernos!!!
— Porra, que animação é esta? Ganhou na Loteria? Espera, não precisa nem me dizer .... quando você atende o telefone com esta voz é porque você comeu alguém. Porra, conta pra mim! Foi aquela loirinha de toquinha vermelha? Meu, a mina era muito feia, parecia até a ....
— Lelê?
— Porra, justamente! Parecia a Lelê.
— Você está ficando cego, Pezão. A loirinha era até bonitinha, mas eu não catei.
— Mas quem você comeu então?
— Puta merda, Pezão! Cala esta boca e me deixa contar um bagulho muito louco que acabou de me acontecer. Você não vai acreditar.
— Fala.
— Sabe o programa Linha Direta?
— Um programinha tosco que mostra umas historinhas toscas com gente tosca?
— Este mesmo.
— O que tem?
— Vão contar a história do Chiquinho.
— Qual Chiquinho?
— Porra, Pezão, acorda! O Chiquinho Vesgo!
— Caraaaaaaaaaaaaaaaaalho!!! É mesmo? Que doido!
— O produtor do programa me ligou. Querem que eu dê umas dicas para o ator que vai interpretar o papel do Chico.
— Porra, pior que você imitava o cara direitinho. Mas como descobriram?
— Ah, sei lá! Globo é Globo, né? Os caras devem ter feito uma pesquisa fodida.
— Vão te pagar alguma coisa?
— Opa, é claro! Você acha que eu ia fazer de graça? Aqui, ó!
— Filho da puta.
Hahahaha.... eu sabia que o maldito ia ficar com inveja.
— Acho que esta semana eles chegam aqui na cidade para começar a gravar o programa. Porra, o Chico vai ficar famoso.
— Será que ela ainda está vivo?
— Eu acho que não. Você acredita que semana passada eu sonhei com ele?
— Hmmmmmmm.... sei, sei. Quem deu a bundinha? Ele ou você?
— Vai se foder, cara! Sonhei que estávamos jogando futebol lá no campinho.
— Vivo ou não, depois do programa vão acabar achando o filho da mãe.
— Verdade.
Desliguei o telefone e antes que eu saísse do quarto.....
Triiiiiiiiiiimmmmmm!!!!
— O que foi? — atendi.
— Cara, eu liguei pra contar um negócio e acabei me esquecendo.
— Porra, não vá me dizer que seu pau está enfeitiçado novamente!
— Não, não é isso.
— O que foi então?
— Não sei o que está acontecendo comigo. Lembra daquela moreninha baixinha que eu fiquei trocando idéia ontem?
— Acho que sei, e daí?
— Então, cara, eu não consigo tirar a mina da cabeça.
— De qual cabeça? A de cima ou a de baixo?
— Eu acho que das duas. Eu estou com a voz dela na minha mente até agora. Não estou entendendo o que é isso.
— Pezão.
— Fala.
— Enfia o dedo no cu e assovia!!!
— Assoviar? Não era pra assoprar?
— Assoprar é fácil demais, qualquer um faz. Pezão, seu bosta, você não percebeu o que está acontecendo?
— Não, eu estou me sentindo tão estranho.
— Pezão, seu merda, você está ... a p a i x o n a d o !!!!
— O quê ????????
Caralho, nunca vi o Pezão levar um susto tão grande.
— É isso mesmo que eu falei, você está apaixonado.
— Apaixonado o caramba! Isso é coisa de boiola!
— Quem disse? Meu, isso é a coisa mais natural do mundo! Todo mundo se apaixona algum dia na vida. Isso nunca te aconteceu antes?
— Que eu saiba, não! Puta merda, que bosta! Será mesmo?
— Você está sentindo uma puta vontade de estar agarradinho com ela, não está? Está sentindo saudade do perfume, do jeito dela falar, do olhar, do sorriso ......
— Pára com isso, porra! Já entendi, já entendi.
— Ahá!!! Acertei, não acertei?
Pezão bateu o telefone na minha cara. Filho da puta.
Meu, por esta eu não esperava, Pezão está xonado!!! Hahahaha..... será possível? Os filhos da puta também amam? Será?
No dia seguinte recebi uma nova ligação do produtor do programa, ele me ligou pra avisar que toda a equipe chegará dentro de dois dias. Tomaz e os atores ficarão hospedados na Pousada Marimar. Fui convocado a comparecer ao local no sábado, onde iremos ensaiar algumas cenas para o programa.
Porra, querem emprego mais fácil do que este? Será o dinheiro mais fácil que já ganhei em toda a minha vida. Bom, pra falar a verdade a mesada era mais fácil, né? Hehe.
No final da tarde resolvi passar na casa do Pezão pra trocar umas idéias .... e lá estava ele no maior agarra-agarra com a moreninha. Bom, não sou eu que vou ficar segurando vela, né? Achei melhor dar meia-volta e.....
— Ei, Nando!!! — gritou Pezão. — Volta aqui, cara!!!
Agora consegui ver o rosto da mina, até que ela é bonitinha. Aproximei-me do casal de pombinhos. Hahaha..... se eu falo isso perto do Pezão ele me chuta o saco.
— Oi, tudo bem? — Cumprimentei.
— Tudo. — disse a moreninha.
Ela é baixinha, acho que não chega a 1 metro e meio de altura. Pezão e eu somos altos, a pobrezinha vai ficar com torcicolo se quiser manter uma conversa com nós dois.
— Esta é a Rosabela. — disse Pezão.
— Mas todo mundo me chama de Bel.
— Muito prazer, Bel. O Pezão já tinha me falado de você.
— É mesmo? Falou bem ou mal?
Pezão começou a gesticular pra mim, fazendo sinal pra eu ficar quieto.
— Falou bem, fique tranqüila.
— Ela deu um beijo na bochecha do Pezão.
Hahahaha..... Pezão namorando ... hahaha... ti cuti-cuti !!!!
— O Pezinho é um amor de pessoa. — disse ela, abraçando o Pezão. — Nem acredito que eu encontrei uma pessoa tão boa como ele.
Como é que é???????????? PEZINHO? PESSOA TÃO BOA??? Eu ouvi direito? Hahahahaha .... Será que ela está falando da mesma pessoa que foi capaz de fazer cocô na gaveta da mesa da nossa professora na quarta-série ???
Galera, eu tive um ataque de risos, não consegui segurar. Eu comecei a rir feito uma hiena com caganeira no mato.
Pezão ficou puto e me deu um soco no braço. Filho da puta.
— Não liga pra ele, Bel. O Nando é meio retardado, de vez em quando ele tem estes ataques de riso. É doença.
— É verdade, eu tenho uma doença rara, a Síndrome do Riso Preso.
— É mesmo? Eu nunca ouvi falar.
— Minha mãe me contou que quando eu era criança ela me levou ao zoológico e fui mordido por uma hiena.
— Credo! Ai, coitadinho!
— Pois é, fui contaminado por esta doença terrível.
Eu olhava para o Pezão e notava seu rosto ficar cada vez mais vermelho de raiva. As veias saltavam da sua testa.
— Você não tem mais nada pra fazer, Nando? — disse Pezão.
— Ai, Pezinho, não fala assim com o seu amigo!
— Ele tem razão, — falei. — eu vou pra casa praticar minhas imitações.
— Imitações? — perguntou ela, com os olhos esbugalhados. — Quem você imita?
Pezão estava prestes a explodir de raiva. Resolvi me mandar.
— Outro dia eu conto. Preciso ir. Bom namoro aí pra vocês. — Olhei para o Pezão e falei: — Estou feliz por você, mano, a Bel é gente boa.
— Obrigadinha. — disse ela.
A menina é tão pequenininha que mais parece um chaveirinho Pokemon. Mas eu gostei dela, bem que ela podia mudar o Pezão, deixá-lo menos filho da puta. Será que ela consegue? Acho difícil. É mais provável o Pezão fazer uma lavagem cerebral na menina. Pobrezinha.
Preciso praticar as imitações, afinal de contas faz 3 anos que eu não as executo. Eu tinha 15 anos quando tudo aquilo aconteceu. Chico era o mais velho da turma, acho que tinha 18 ou 19 anos, não me lembro exatamente. Ás vezes eu me perguntou se foi realmente o Chico quem cometeu aquelas barbaridades todas. Ah, sei lá, todo mundo tem um lado bom e um lado ruim, né? Ele deve ter reprimido tão bem seu lado ruim durante toda a vida e de repente soltou tudo de uma vez só. Pobre Chico. Isso já me aconteceu uma vez, a diferença é que não era maldade, mas gases. Fiquei com um peido preso por tanto tempo que no dia em que eu o libertei ... nem eu consegui ficar perto. Pelo menos eu não matei ninguém por causa disso. Bom, acho que não.
Corri pro meu quarto e comecei as imitações diante do espelho. A imitação que eu mais gostava de fazer era a do seu jeito de andar. Ele costumava jogar a cabeça pra frente e para trás. Meu, era muito esquisito e engraçado.
— Você ficou maluco, meu filho?
Hã? Mãe?
— Há quanto tempo a senhora está aí, mãe?
— Acabei de entrar. Mas o que você está fazendo?
— Estou praticando umas imitações, mãe.
— Nando, você está tomando maconha?
— O quê? Maconha? Mãe, não viaja. E pra começar, maconha não se toma, a gente....
— Ai meu Jesus amado!!! O que foi que eu fiz pra merecer isso?
— Mãe, não viaja!!! Eu nunca mexi com droga nenhuma!!!
— Não mente pra sua mãe, filho!
— É sério, mãe! Eu estou apenas imitando uma pessoa.
— Quem?
— Lembra do Chiquinho?
— Aquele moleque vesgo que andava com vocês?
— O próprio.
— Espera um momento, não foi ele que .... ai, Nando!!! Não me diga que ele voltou pra cá!!! Você lembra muito bem o que ele fez com aquelas moças e....
— Calma, mãe. Ele não voltou. O negócio é o seguinte, vão fazer um programa sobre os assassinatos que ele cometeu.
— Credo em cruz. Mas não entendi o que tudo isso tem a ver com você.
— Eu vou ensinar o ator a se comportar igual ao Chico. Vou trabalhar pra Globo, mãe!
— Nossa, é mesmo? Ai, Nando, um menino bonito assim como você vai acabar na novela das 8 um dia, eu sempre falei isso para as minhas amigas e.....
— Menos, mãe, menos!!! Não viaja. Eu só vou dar umas dicas para o ator, só isso.
— E daí? Tem muita gente famosa que começou assim também e....
Putz! Ninguém merece.... Mãe tem hora que viaja na batatinha.
Sábado.
Já passava das 3 horas da tarde quando recebi o telefonema do produtor. Ele e um grupo de atores já estavam na pousada.
Aqui vou eu. O que a gente não faz pra ganhar uns trocados, né?
Antes que eu conseguisse sair de casa minha mãe me abordou na cozinha....
— Você já vai?
— Sim, o produtor do programa me ligou.
— Ai, Nando, pega autógrafo de todo mundo pra mim, hein!
— Mãe, eu acho que a senhora nunca assistiu o Linha Direta, né? Não é novela!!!
— Nossa, é assim que você fala com a sua mãe?
— Desculpa, mãe. Eu estou um pouco nervoso, só isso.
Bem que eu já desconfiava, o endereço da pousada não me era estranho. Ela fica de frente para o Bar do Gordo. Porra, quanto tempo eu não vejo meu velho e gorduroso amigo Gordo.
Parei em frente ao bar e ele demorou pra me reconhecer, ficou me olhando meio desconfiado. Tomei a iniciativa.
— Beleja, Gordo?
— Porra, Nando, é você? Quanto tempo!
— Verdade, como vão as coisas?
— Ah, a mesma bosta de sempre!
Todos os fregueses do bar olharam para ele. Na verdade eram apenas 2 bêbados sentados no canto do bar, mas percebi uma certa insatisfação em seus olhares.
— Preciso ir, Gordo, a gente se fala.
O Gordo fez sinal de jóia e voltou a fazer o que sempre faz, nada.
Entrei na pousada, toquei a sineta e esperei um pouco. Logo em seguida o recepcionista apareceu.
— Em que posso ajudá-lo?
— Eu procuro o Sr. Tomaz.
— Ah, sim, o pessoal do plim-plim.
— Quem?
— Venha por aqui, eles estão lhe esperando. Você deve ser o Fernando, certo?
— Quem? Ah, sim, sou eu.
Putz! Preciso me acostumar com o meu nome. Ás vezes eu até esqueço.
O recepcionista me levou até as escadas e me ensinou o caminho até o quarto número onze, onde Tomaz e os atores estão hospedados.
Bati na porta duas vezes. Um homem alto, vestindo calça jeans e camiseta pólo azul-marinho apareceu pra me atender.
— Fernando? — disse ele.
— Onde? Ah, sim, muito prazer. Pode me chamar de Nando.
— Eu sou o Tomaz, nós conversamos pelo telefone. Entre, Nando, eu estava esperando por você.
Entrei e de repente vi um rapaz correndo pela sala. Seu rosto estava tão pálido quanto o da menina bruxa.
— Sai da frente! Sai da frente! — repetia o rapaz do rosto branco.
— Outra vez, Jonas? — perguntou Tomaz, com uma cara preocupada.
O rapaz desapareceu pelo corredor e de repente ouvi um barulho de porta batendo.
— O que ele tem? — perguntei.
— O coitado está passando mal desde o almoço. De meia em meia hora ele corre para o banheiro. Deve ter comido algo que não lhe fez bem.
Putz!!! Será que eles comeram o que eu estou pensando e ONDE eu estou pensando?
— Só por curiosidade, onde vocês almoçaram?
— Aqui no barzinho da frente.
— No Bar do Gordo?
— Sim.
Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Fodeu!!! Coitado do cara, é bom ele pegar a coroa, porque vai passar um longo tempo sentado no trono.
— Ele é um dos atores?
— Era justamente isso que eu ia lhe dizer agora. Nando, era ele quem iria interpretar o Chico.
— Sacanagem, justamente o papel principal no bagulho.
— Exatamente. Olha só que situação complicada.
— E você já tem um substituto? Se eu conheço bem aquela cara branca que ele fez... o coitado vai ficar preso na privada uns 2 dias, no mínimo.
— Este é o problema, Nando. Eu não trouxe ator substituto e agora já está em cima da hora pra gente gravar o programa.
— Putz, e agora?
— Então, eu estava pensando .... você não quer atuar no lugar dele?
— Eu ?????? Santa Pixirica!!!!!!!
Capítulo 3 · Pagando Bem ... Que Mal Tem?
— Este é o problema, Nando. Eu não trouxe ator substituto e agora já está em cima da hora pra gente gravar o programa.
— Putz, e agora?
— Então, eu estava pensando .... você não quer atuar no lugar dele?
— Eu ?????? Santa Pixirica!!!!!!!
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Fiquei meio assustado com a oferta, mas acabei topando, por livre e espontânea pressão. O cara me azucrinou tanto que eu não tive outra saída. Além disso ele me prometeu um cachê de mil e quinhentos reais.
Putz grila, será que minha mãe estava certa? Será que é um sinal? Será que eu serei o próximo Antônio Fagundes? Hehehe.... Porra, agora quem está viajando na batatinha sou eu. Pra começar eu nem curto novela, acho a maior babaquice do mundo. Bom, mas tudo dependeria da grana, certo? Pagando bem... que mal tem? Se a grana for boa eu faço até um filme pornô com a Dercy Gonçalves.
Após tudo acertado Tomaz me levou pra conhecer o resto do elenco. Caraca, tem cada gatinha! Até a coroa que vai fazer papel da mãe do Chico é comível. Porra, agora é que eu me lembrei, eu farei o papel do assassino, isso significa que no programa eu irei matar todas estas mulheres. Eu, hein! Siniiiiiistro!
De todos os integrantes do elenco eu fiquei mais encantado pela ruivinha, seu nome é Patrícia, ou como ela prefere ... Patzinha. Patzinha irá fazer o papel da namorada do Chico, ou melhor, minha namorada. Uhuuuuuuu! Tomara que tenha alguma cena picante, né? Seria show de bola. A ruivinha é do jeitinho que eu gosto, tem praticamente a mesma altura que eu, cabelos longos, macios, rostinho de bebê... uma graça!!!
Quem mais boiou durante o ensaio fui eu, é claro. Todos já sabiam suas falas, exceto o babaca aqui, afinal de contas eu recebi o roteiro agora. Por sorte o pessoal foi paciente comigo, principalmente a ruivinha. Patzinha sentou-se ao meu lado e passou linha por linha do script. Meu, a ruivinha tem um cheirinho tão bom, nem dá vontade de sair de perto dela.
— Você já trabalhou como ator alguma vez? — ela perguntou, olhando pra mim com uma carinha desconfiada.
— Eu? Na verdade eu até já fiz um filme, mas era um filme caseiro. Tinha até uma americana, sabe?
— Nossa, mas como você conseguiu o papel principal? Faz anos que eu mandei meu currículo para a Globo e só agora me chamaram.
— Culpa do Gordo.
— Que Gordo?
— Vocês almoçaram no barzinho aqui da frente, certo?
— Eu? Deus me livre! Eu vi o garçom enfiar o dedo no nariz umas cinco vezes, isso porque eu quase não prestei atenção nele. Comi apenas uma maçã na quitanda ali do lado, achei mais seguro, e mais saudável também.
Caí na gargalhada, tipo uma hiena apaixonada por um esquilo.
— Justamente. — concordei. — Todo mundo sabe que comer qualquer coisa no Bar do Gordo é praticamente suicídio. Eu mesmo já fiquei preso no banheiro duas semanas por causa de um ovo cozido. A sorte do Gordo é que ele tem um irmão lá na vigilância sanitária.
— Fala sério, eu acho que até as baratas têm medo de entrar naquele lugar.
Dei outra gargalhada. A Patzinha é a maior comédia.
— Você foi chamada para o programa errado, você poderia muito bem trabalhar na Grande Família.
— Sério? Você acha mesmo? Olha, já me falaram isso mesmo. Já atuei em duas comédias no teatro. Não tem coisa melhor do que ver o público cair na gargalhada. Amo minha profissão.
— Estou percebendo.
— Se eu não fosse atriz eu não sei o que eu faria, atuar é tudo pra mim.
Eu não tinha percebido até agora, mas Jonas, aquele que ia interpretar o Chico, estava parado atrás de nós ouvindo nossa conversa. Nem preciso dizer a cara de frustrado que ele estava, né? Senti até um pouco de pena dele.
— Não é justo! — resmungou Jonas.
— Sinto muito, cara, eu não...
Antes que eu terminasse a frase o cara saiu correndo ... nem preciso dizer pra onde.
— Coitado, ele estava tão animadinho. — disse a ruivinha.
— É bom ele comprar algumas revistas ou arranjar algum passatempo, pois ele vai gastar muitas horas sentado naquele vaso.
Agora quem não resistiu e caiu na gargalhada foi ela. Puxa vida, a ruivinha tem um sorriso tão lindo. Será que ela toparia ser minha namorada na vida real também? Hehehe... seria show de bola.
Após um bom tempo ensaiando a sós com Patzinha eu acabei entrando no ritmo. Eu não sei o que acontece comigo, só sei que quando tem mulher bonita na jogada eu acabo me saindo bem. Olha, sei que não sou nenhum Toni Ramos, mas acreditem, não me saí mal.
O mais esquisito foram as cenas onde eu fingia esquartejar aquelas cinco mulheres, uma a uma. Durante o ensaio eu usei um porrete de borracha, mas Tomaz me avisou que durante as filmagens, em determinadas cenas, eu irei segurar um machado real. Tomaz também me perguntou se eu tenho alguma aversão a sangue, pois a cena principal será bem chocante, mesmo fictícia. Bom, por mim tudo bem, eu sempre fui fã de filme de terror, acho que não terei maiores problemas.
Já passava das 10 horas da noite quando Tomaz resolveu terminar o ensaio. Despedi-me da Patrícia, ou melhor, Patzinha para os íntimos, e quando eu me preparava para deixar a pousada Tomaz me chamou num canto.
— Nando, eu queria lhe agradecer por ter salvo minha pele.
— Beleja.
— Sem querer puxar saco, mas você leva jeito pro negócio.
— Verdade? Obrigado, bom saber.
Percebi que ele queria me dizer algo, mas parecia meio sem jeito. Será que o cara camufla? Meu, por dinheiro eu topo muita coisa, mas dar o cu ou comer boiola estão fora de questão. Nem por dois milhões de dólares.
— Quando eu lhe pedi pra fazer o papel do Chico eu esqueci de lhe contar um pequeno detalhe.
— Qual?
— Sabe a cena final?
— Quando ele mata a prima e a mãe?
— Sim, segundo dizem ele estava completamente nu.
Xiiiiiiiiiiiiiiii, Marquinho!!!
— Caralho, mas no programa vai ser diferente, né? Vou estar usando alguma rou....
— Não, nós sempre somos fiéis aos fatos.
— Então eu terei de atuar peladão?
— Peladão.
Não gostei do jeito que ele falou "peladão". Acho que o cara camufla.
— Puuuuuuuuuuuta merda! E agora?
— Algum problema?
— Porra, e você ainda me pergunta? Ficar com a bunda de fora num programa que será exibido no Brasil inteiro não é....
— Na verdade tem a Globo Internacional também, então ....
— Eu ficaria pelado para o mundo inteiro ver?
— Na verdade não totalmente pelado, pois é claro que o seu ....
— Pinto.
— Bom, eu ia dizer piu-piu, mas é isso.... o seu pinto não vai aparecer, é claro. A direção da emissora não ficaria nada contente com isso, então nós só iremos filmá-lo por trás.
Putz! Está ficando cada vez pior isso aqui. E agora? O que eu faço? O que você faria?
— Porra, Tomaz, agora eu não sei mais o que fazer.
— Não tem nada de mais, Nando, as cenas onde você irá aparecer nu são bem rápidas, não precisa se preocupar.
— Só por curiosidade, o que eu estarei vestindo nas cenas em que eu mato as outras?
— Quando Chico matou a namorada e as irmãs ele estava de cueca.
— Meu, que bosta.
Notei que Tomaz estava muito mais preocupado do que eu, o cara estava suando em bicas. Acho que o emprego dele está nas minhas mãos.
— Eu aumento seu cachê. — disse ele.
— Pra quanto?
— Pago dois e meio. É tudo o que eu posso oferecer.
— Dois mil e quinhentos, é isso?
— Sim. Na verdade é até mais do que eu poderia pagar, mas ....
— Foda-se, eu topo.
Por dois mil e quinhentos eu até boto o bilau pra fora e chacoalho.
Capítulo 4 · Raspadinha
— Pago dois e meio. É tudo o que eu posso oferecer.
— Dois mil e quinhentos, é isso?
— Sim. Na verdade é até mais do que eu poderia pagar, mas ....
— Foda-se, eu topo.
Por dois mil e quinhentos eu até boto o bilau pra fora e chacoalho.
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Conheço alguns que por 2 paus e meio liberariam até o redondo, mas eu não chegaria a tanto. Apesar de tudo o que você já leu nestes últimos anos eu ainda tenho dignidade, certo? Ah, sei lá, mas dar a bunda está fora de cogitação. Nem por 1 milhão.
Saí da pousada até meio zonzo. Meu, olha no que eu fui me meter, vou aparecer peladão na Globo. Na G L O B O!!! Minha bunda vai ficar mais famosa que muita gente por aí. E o pior ... minha bunda é horrível, é branquela igual um copo de leite, e ainda pior ... cabeluda igual um Pastor Alemão. Ah, já não sei se os 2 paus e meio compensam.
De repente alguém grita meu nome:
— Nando! Nando! — é o Gordo, esgoelando-se detrás do balcão sujo do seu bar nojento. — Arremata o último! É por conta da casa!
O "último" é um baita ovo cozido esquecido num canto. Porra, nem se aquilo fosse a última refeição da face da Terra!
— Muito obrigado, Gordo! Estou sem fome.
Ele fez uma cara tão triste, mas tão triste, mas tão triste ... que eu não resisti e acabei aceitando a oferta. Peguei o maldito ovo dos infernos. Calma, eu ainda não estou louco, eu disse que peguei, mas não comi. Falei pro Gordo que ia comer em casa, o pobre coitado acreditou e até o embrulhou. Agora eu não sei qual dos dois ficou mais nojento, o ovo ou o embrulho. O papel estava tão gorduroso que se eu o espremesse numa frigideira daria para fritar alguns pastéis para a janta. Na primeira esquina peguei o ovo e joguei para uns cachorros que passavam pela rua. Os cachorros deram uma bela fungada no embrulho nojento e passaram batido. E ainda dizem que cachorro não pensa!
Cheguei em casa e minha mãe estava na sala. Putz!
— E aí, meu filho, como foi? Pegou algum autógrafo?
— Mãe, não viaja na batatinha, não tinha ninguém famoso.
— Quando o programa vai ao ar?
— Calma, mãe, não tenho a menor idéia. Ainda nem gravaram. Hoje foi apenas um ensaio.
Não tive coragem de contar pra ela que farei o papel principal no bagulho. Se tudo der certo eu espero que ela nem saiba. Porra, já imaginou minha mãe me vendo nu na televisão? Coitada, eu mato a véia do coração.
Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmm!!!!!
Puta merda, quem será, né?
— Fala.
— Caralho, desde quando você atende o telefone assim? O que houve com o bom e velho "Fala, Pezão dos infernos" ?
— Desembucha, porra! O que você quer?
— Ah, melhorou.
— Pezão.
— Hã.
— Enfia o dedo no cu, assopra, assovia e conta até 10.
— Ah, vai se foder.
— Não, vou dormir. Amanhã terei um dia longo pela frente.
— É mesmo? Mas seu trabalho não era apenas ensinar alguns cacoetes para o ator?
— Era, mas você nem imagina o que aconteceu. A equipe parou pra tomar um lanche no Bar do Gordo.
— Puta merda!!!!! No Gordo? Eles estavam loucos? Comeram cocô?
— Cocô eu não digo, mas o ator principal comeu um daqueles ovos cozidos.
— Pior então. Daqueles cor de abóbora?
— Sim, daqueles.
— Não sei de quem sinto mais pena, do cara ou do vaso que ele está usando agora.
— Eu também estou com pena da galera que está naquela pousada. O cheiro vai tomar conta daquela birosca dentro de algumas horas. Não vai sobrar uma alma viva lá dentro.
— O babaca que comeu o ovo é justamente o ator que ia fazer o papel do Chiquinho?
— Sim. Adivinha quem irá substituí-lo?
— Puta merda, você?
— Yes!!!
— Responde, caralho! É você ou não?
— Já respondi, seu bosta! Sim!!!
— Caraaaalho!!! Mas você nunca foi ator na sua vida! Por que você não me indicou?
— Por que você? Você também não é ator, seu merda!
— Seu porra, esqueceu do clipe dos Engenheiros?
— Meu, não viaja! Você tinha 9 anos! Nem sabia que estava participando de um clipe.
Não acredito que o Pezão teve a moral de mencionar isso. Eu nunca contei pra vocês, mas o Pezão aparece num clipe dos Engenheiros do Havaí. Tem uma cena onde aparece um garotinho correndo por um bosque, era o babaca do Pezão, quando tinha uns 9 anos de idade. Nem me pergunte o nome da música, pois eu não curto o som dos caras.
— Eu sabia que estavam filmando o clipe! Vai tomar no seu cu!
— Pezão, não estou com saco pra discutir, eu estou cansado, preciso tomar banho e dormir. Então tchau, vá se foder.
E bati o telefone na cara do maldito.
Corri para o chuveiro, preciso de um bom banho urgente. Meu, não tem nada melhor, você fica ali debaixo do chuveiro, peladão, relaxado, água quente caindo sobre sua cabeça. Geralmente você lembra de alguma mina gostosa que você viu no colégio ou na rua mesmo e acaba até mandando ver um "5 contra 1", mas não é o meu caso, não hoje. Estou preocupado demais. Fazer a tal cena peladão vai ser algo complicado, não sei se vou ter a moral de fazer. Porra, imagina só!!! Vai ser foda.
Sei que em época de racionamento não devemos ficar muito tempo debaixo do chuveiro, mas acabei ficando uns 40 minutos, ou mais. Porra, mas valeu a pena, fiquei relaxadaço. O bigulim ficou até enrugado de tanta água que ele tomou.
Saí do chuveiro, dei uma bela encarada no espelho e ... do nada, resolvi conferir como está o meu .. traseiro. Meu, amanhã o maldito vai ser filmado, preciso conferir se está tudo certo com o dito cujo. Puta merda, não é por nada, mas ainda tem mulher que gosta disso ... bunda de homem é a coisa mais asquerosa e nojenta que existe.
Algo me veio à mente, será que devo ou não? Vocês pensaram o que eu estou pensando? Eu pensei em fazer uma bobagem ... talvez a maior da minha vida. Ah, foda-se, vou fazer. Vou depilar minha bunda.
Puta que o pariu!!!! Se eu soubesse que era tão difícil eu não teria nem tentado. Levei mais de 1 hora e meia pra terminar. Nem tanto pela quantidade de cabelo, mas porque não sou contorcionista, né? Mas consegui. Estou com a bunda raspada. Devo admitir que não ficou linda, mas pelo menos não está mais com aquela cara de cão pequinês.
Antes que vocês pensem bobagem, não fiquei excitado com minha bunda. Estamos entendidos?
Fiquei bem tentado a raspar os pentelhos também, mas me contive. Acho melhor eu jogar fora esta lâmina, antes que eu faça alguma besteira.
Saí do banheiro e lá estava minha mãe me encarando.
— Nossa, por que demorou tanto no banho?
Porra, nem louco vou admitir que raspei a bunda, né? Vou inventar alguma coisa:
— Comi aquele ovo cozido do Gordo.
— Nando, outra vez? Esqueceu daquele dia?
— Não, mãe, não esqueci ... mas o ovo estava com uma aparência tão ... boa.
Meu, foi foda até pra mentir ... só de lembrar do ovo eu já senti meu estômago se contorcendo todo.
Passei pela mama.
Minha cama, finalmente. Zzzzzzzzzzzzzzzzzz. Agora entendi porque os bebês dormem tão depressa ... acho que é a bunda lisinha. Deitei e desabei, dormi em questão de segundos. Se eu soubesse teria depilado a bunda há mais tempo.
Agora me deixem sossegado. Preciso dormir bem, afinal de contas amanhã será o dia das gravações, né? Santa Pixirica!!!
Capítulo 5 · Globo é Globo
Minha cama, finalmente. Zzzzzzzzzzzzzzzzzz. Agora entendi porque os bebês dormem tão depressa ... acho que é a bunda lisinha. Deitei e desabei, dormi em questão de segundos. Se eu soubesse teria depilado a bunda há mais tempo.
Agora me deixem sossegado. Preciso dormir bem, afinal de contas amanhã será o dia das gravações, né? Santa Pixirica!!!
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Pesadelos e sonhos eróticos povoaram minha pobre mente durante a noite. Dentre os pesadelos o único digno de lembrança foi aquele em que minha bunda criou dentes e personalidade própria, acreditem, foi a primeira bunda com instinto assassino da história. Porra, isso bem que daria um bom filme pornô, não daria? Oh, com certeza. Entre os sonhos eróticos destaco aquele em que eu transei com a Patzinha e a Maura, irmã do Pezão. Meu, o que foi aquilo?????? Nunca tive um sonho tão foda, literalmente foda. Acordei todo suado.
Quando o relógio marcou 6 da manhã eu não resisti, levantei-me e saí para caminhar, a ansiedade mata. Porra, hoje pode ser meu último dia no anonimato, afinal de contas vou aparecer na Rede Globo. Bom, eu e minha bunda. Santa Pixirica, salve-me!
Saí andando sem rumo certo, o comércio fechado, silêncio, era tudo o que eu precisava para me acalmar. Foi quando algo totalmente inesperado aconteceu, alguém me chamou:
— Nando, meu camaradinha!
Puta merda, será quem eu estou pensando que é? Não pode ser, são 7 horas da matina, não conheço ninguém que acorde assim tão cedo. Olhei para trás e lá estava o figura. Pigmeu.
— Meu, o que você faz na rua uma hora dessas? — perguntei, chocado.
— Ontem eu fui numa festa irada, meu camaradinha!
Vocês não botam fé no estado do cara, roupa toda suja de barro. Quero dizer, se é que é barro mesmo. Eca!
— Não vi você por lá, carinha.
— Você não me convidou.
— Nem eu!
Puta merda, ninguém merece. Comecei a rir feito uma hiena com frieira nas patas.
— Você é foda, Pigmeu. Mas me conta, onde foi esta festa irada? Não fiquei sabendo de nada.
Pigmeu ficou me encarando com aqueles olhos vermelhos.
— O que foi? — perguntei, tentando descobrir o que ele tanto olhava.
De repente levei um tapão nas fuças.
— Porra, Pigmeu, comeu cocô? Por que você fez isso?
O maluco continuou me encarando feio, como se eu estivesse com algum demônio no corpo ou sei lá. É foda saber o que se passa na cabeça de maluco.
— Tem duas joaninhas iradas caminhando sobre você. — disse ele, sério.
Puta merda, eu não sabia se dava risada ou se lascava um ponta-pé no cu do Pigmeu. Maldito maluco dos infernos.
— Porra, Pigmeu, o que aconteceu com as borboletas e as lagartixas?
— Onde? Onde elas estão? Eu sabia! Eu sabia que elas tinham voltado! Cadê?
Meu, nunca vi o cara arregalar tanto aqueles olhos vermelhos, o maluco ficou simplesmente apavorado, cagaço total.
— Calma, Pigmeu, já foram embora, fica frio.
— Porra, meu camaradinha, não me assusta assim.
Caralho, preciso me livrar deste figura o mais rápido possível, antes que minha caminhada me deixe mais nervoso e ansioso do que já estou.
De repente vi aquele braço vindo novamente na minha direção, o filho da mãe ia me lascar outro tapão daqueles, mas por sorte eu consegui desviar.
— Mais joaninhas? — perguntei.
— Sim, um casal, mas não se preocupe, já deletei.
Putz! Deletou? Esta foi forte, hein!
— Bom, Pigmeu, você deve estar cansado da festa, não?
— Que festa?
Meu, cansei. Saí andando e deixei o maluco falando sozinho. Ah, fala sério, né? Tenho mais o que fazer do que ficar dando corda pra maluco.
Andei, andei, andei e quando dei por mim já se passavam das 9 da manhã. Voltei pra casa, tomei outro café, peguei o meu roteiro e fui para a pousada me encontrar com o pessoal.
Ao passar em frente ao Bar do Gordo nem preciso dizer que ele me chamou novamente, né?
— Nando, grande Nando! — gritou ele, enquanto passava uma água num copo todo sujo com restos de café.
— Fala, Gordo, beleja?
— Desculpa te corrigir, Nando, mas eu acho que o certo é "beleZa".
— Foi o que eu disse. Beleja.
— Não, você falou errado outra vez, repita comigo ...
Xiiiiiiiiiiiiiii, esta conversa vai longe.
— Estou atrasado, Gordo, depois a gente se fala. Beleja?
Chegando próximo da pousada eu já notei um cheiro diferente no ar. Quanto mais perto da pousada, pior ficava o cheiro. Ao adentrar a pousada não tive mais dúvida, o cheiro vinha dali mesmo. Algo insuportável. Toquei o sino pra chamar o balconista com a mão direita, enquanto a esquerda eu usei pra fechar minhas preciosas narinas. O balconista veio me tender, nitidamente sentindo um desconforto nasal, se é que vocês me entendem.
— Puta merda, mataram um gambá para o almoço? — perguntei.
— Não, senhor, perdoe-nos, tivemos um pequeno incidente num dos banheiros esta noite. Mas já estamos providenciando uma solução.
— Solução? Isso aqui precisa de um exorcismo! Urgente!
Ouvi uma gargalhada muito gostosa. Era ela, Patzinha, descendo as escadas.
— Meu, você é muito figura, sabia? — disse ela, com um sotaque paulistano bem carregado.
— Ai, meu, não to te "entendéindo".
— Isso, tira sarro do meu sotaque, tira! Maldito.
Depois ela sorriu. Puxa vida, ela é bonita demais, uma beleza diferente, contagiante, sufocante. Tudo de bom esta menina.
Apesar da beleza da Patzinha tomar conta do lugar, infelizmente tinha outra coisa que também tomava conta ... o maldito cheiro de merda.
— Você teve sorte, hein! — disse Patzinha.
— Por quê?
— Porque você foi pra sua casa, nós ficamos aqui. Meu, você não tem noção do que foi passar a noite inteira sentindo este cheiro insuportável.
— Mas porque vocês não foram para outro lugar?
O balconista me olhou feio quando eu falei isso. Patzinha também percebeu a insatisfação do rapaz e abaixou o tom de voz, respondendo-me:
— Não foi possível, a verba do programa é baixa e não deu pra pagar outro hotel.
— Entendo.
Neste momento surgiu todo o restante do elenco. Todos com cara de náusea, não duvido nada se algum deles vomitar em cima de mim. Vocês não fazem idéia do cheiro que toma conta da pousada. Fez-me lembrar daquele episódio do ônibus. Lembram? Não? Memória fraca, hein! Eu já contei esta história algum tempo atrás.
Tomaz foi o último a descer. Mãos no nariz, cara de poucos amigos.
— O rapaz não melhorou? — eu falei, tentando parecer sério e preocupado.
— Não. — respondeu Tomaz, com uma cara de quem comeu e não gostou. — Vamos, estão nos esperando na locação um.
— Locação um? — perguntei.
— Conseguimos autorização pra gravar na mesma casa do próprio Chico.
— Credo, vamos filmar na cena do crime? — perguntou a atriz que vai interpretar a mãe do Chiquinho. Meu, uma coroa super gostosa, se der mole eu cato.
— Exato.
Puta merda, sair daquela pousada foi um alívio total, como foi bom poder respirar novamente. Esperamos alguns minutos na calçada e uma Besta da TV Globo veio nos buscar. Calma, a Besta que eu disse é o carro Besta, não uma besta dirigindo um carro. Bom, como eu não conheço direito o motorista então pode até ser que seja uma besta dirigindo uma Besta. Sei lá.
Meu, nunca imaginei isso na minha vida, eu me senti como um novo integrante do Casseta. Lembram da Joana Fofoqueira? Então, porque ela não aparece numa hora dessas, né? Não, mas a filha-da-puta só aparece quando estou pagando algum mico. É a velha Lei de Murphy, nunca falha.
Sentei-me do lado da Patzinha. Meu, esta saia que ela está usando é tudo de bom. Tudo bem que ela tem as pernas mais brancas que eu já vi na minha vida, mas são grossas e apetitosas, eu adoraria gastar uns minutos ali.
— Nervoso? — ela me perguntou, de repente.
— Eu? Um pouco.
— É normal, você vai fazer algumas cenas ...
— Nu.
Ela sorriu.
— É, nu. Eu não sei se teria coragem, eu sou um pouco tímida.
— Você? Não acredito.
— Sou. Quando fiquei sabendo que o papel exige uma cena com os seios de fora eu quase ....
Tóin óin óin!!!! Eu ouvi direito? Seios pra fora? Nando Júnior, sossega!!! O que eu faço? Estou tendo uma ereção fulminante. Não sei se vou conseguir disfarçar por muito tempo.
Patzinha, que não é boba nem nada, percebeu minha aflição. Só espero que não tenha percebido minha ereção.
— Nossa, o que houve? Você está bem? De repente você ficou meio pálido!
Lógico, o sangue desceu todo para o bilau, minha filha!!!
— Nada não, estou bem! Só estou meio nervoso por causa da cena mesmo.
De repente, do nada, ela me lascou um beijo na bochecha. Meu, agora fodeu!!! Nando Júnior com força total. Ficou mais duro que nunca.
— Uau ... que lábios gostosos você tem. — falei, e o bilau duro que nem rocha.
— Obrigadinha. Um beijinho sempre acalma, estou sentindo você muito nervoso.
— É verdade, estou precisando relaxar um pouco.
— Eu nunca fiz nenhuma cena seminua. — Nãoooooooooo!!!! Meu, não fala isso! — Vai ser minha primeira vez. Eu tenho vergonha até de me trocar perto das amigas, não sei se vou conseguir ficar apenas de calcinha na frente de tanta gente.
Puuuuuuuuuuuta merda!!! Agora é que o Nando Júnior não desce mesmo.
— Nando, você está branco!!! — disse Patzinha, assustada. — Mais do que eu.
Ainda bem que tenho uma mente que pensa rápido.
— Nossa, mas o cheiro da pousada estava horrível, hein!!! — eu falei.
Pronto. Era tudo o que eu precisava. Assunto novo. Só de lembrar do cheiro fiquei de pau mole. Meu, tudo tem sua hora, né? Fica na sua, Nando Júnior. Não desperdice suas energias agora, a coroa nos deu uma piscada quando entramos na Besta, talvez sobre algum servicinho pra nós esta noite. Nando Júnior ameaçou outra reação. Como diria Pigmeu ... "Sossega, meu camaradinha!!!". Hahahaha.....
Finalmente chegamos ao local da gravação. Fazia muito tempo que eu não visitava aquele velho casarão, lar do Chico.
Foi assustador ver aquele monte de gente passando pra lá e pra cá, cabos e mais cabos, câmeras, técnicos de luz, som, e outras parafernálias que eu nem faço idéia do que sejam. Rede Globo é Rede Globo, meu camaradinha. Putz! Era só o que me faltava, pegar as manias do Pigmeu. Daqui a pouco vou começar a ver joaninhas iradas.
Outra coisa que me deixou impressionado foi quando me deram as roupas pra eu usar na primeira cena. Foi impossível não lembrar do Chico. Calça moletom vermelha e uma camiseta preta do Sepultura. Caralho, os caras realmente pesquisaram a vida do infeliz. Santa Pixirica!!!
Capítulo 6 · Luz, Câmera, Gravando!!!
Outra coisa que me deixou impressionado foi quando me deram as roupas pra eu usar na primeira cena. Foi impossível não lembrar do Chico. Calça moletom vermelha e uma camiseta preta do Sepultura. Caralho, os caras realmente pesquisaram a vida do infeliz. Santa Pixirica!!!
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Por volta das onze horas da manhã começaram as primeiras filmagens. Cenas fáceis, onde eu aparecia abraçando a personagem da Patzinha e coisa e tal. Mesmo assim algumas cenas nós tivemos de repetir duas ou três vezes, em virtude do meu nervosismo. Porra, não tira sarro, você acha que é moleza? Fica aquele monte de gente olhando pra você, apontando aquelas câmeras enormes, sem contar o diretor, um baixinho mala pra caralho.
Outras vezes eu me esquecia de fazer os cacoetes do Chico e o maldito diretor gritava desesperado ... CORTA!!!! Putz, não sei se sirvo pra esta vida de ator. É um pé no saco ter de fazer a mesma coisa tantas vezes. Só achei legal quando erraram a cena do beijo, foi muito bom beijar a Patzinha oito vezes até acertarem o enquadramento correto da luz e da câmera ... hehehe.
Já passava das duas horas da tarde quando paramos numa lanchonete para almoçar. Uma parte da equipe desmontou os equipamentos e subiu num caminhão da Globo.
— Pra onde eles estão indo? — perguntou a Patzinha.
— Locação dois, um colégio. — respondeu Tomaz, ao mesmo tempo em que mastigava um pedação de frango.
Colégio? Putz, agora o bicho começa a pegar, no colégio acontece a primeira briga entre o Chico e a namorada. Será que eu consigo? Bom, no ensaio eu até que me saí bem, mas com aquele monte de câmera apontada pra minha cara é diferente.
Sim, eu consegui, após nove tomadas diferentes. Porra, eu chego lá. Se ator profissional erra, imagina eu.
Novamente a equipe desmontou todos os aparatos técnicos e zarparam dali numa velocidade impressionante. Os caras são realmente profissionais. Ainda não acredito como tiveram a coragem de pegar um marinheiro de primeira viagem como eu. Porra, ou eu tenho uma bunda muito gostosa ou o Tomaz estava sem opção mesmo.
Falando em bunda ... acho que a próxima cena será aquela. Puta merda!!! Será que eu vou ter a moral de ficar peladão na frente de tanta gente? Porra, agora não tem mais volta, ou vai ou ... hahahaha ... Sai fora!!! Não vou rachar nada não.
Patzinha se aproxima de mim e me sussurra ao ouvido:
— Nando, eu estou sentindo um calor.
— É mesmo? — perguntei, mantendo o mesmo tom de voz, baixo.
— Nossa próxima cena vai ser a mais difícil da minha vida.
— Com certeza. Eu estou uma pilha de nervos.
— Aí é que está. Eu não.
— Putz! Mas você já atuou várias vezes, eu não.
— Não, não foi isso que eu quis dizer.
— Não entendi.
— Eu não estou nervosa, mas estou ficando excitada.
Hã??? Nando Júnior até acordou.
— Como é que é?
— É isso mesmo que você ouviu. Olha isso aqui.
Vocês não vão acreditar. Patzinha pegou minha mão direita e a colocou sobre sua blusa, em cima do seio esquerdo.
— Está durinho, não está?
Nando Júnior, nãooooooooooooooooo!!!! Tarde demais. O menino se animou de vez. Mas que culpa ele tem, né? Isso é tentação do demônio!!!
— S.. s.. sim, está. — respondi, fazendo de tudo para disfarçar minha ereção.
— E agora? O que eu faço? Quando eu imagino a cena eu fico excitada.
— Olha, não sei se sou a pessoa certa pra lhe aconselhar.
— Por quê?
Após alguns segundos a ficha caiu, e Patzinha caiu numa gargalhada histérica, parecia uma hiena com herpes genital.
Precisei me sentar, porque todo mundo começou a olhar para nós dois.
Ao notar minha ereção Patzinha me deu um soco no ombro, mas ainda estava rindo muito.
— Sem vergonha, bobo!!! — disse ela, ainda rindo.
— Eu? Que culpa eu tenho? Eu estava quietinho aqui no meu canto, você me aparece e esfrega minha mão no seu peito! Acha que sou de ferro?
— Bobo! Era só pra você ver como estou.
— Vocês mulheres são foda mesmo, viu? Provocam e depois ficam se fazendo de vítimas.
— Mas falando sério agora, eu não sei se vou conseguir fazer a cena contigo. Vai ser muito embaraçosa! Quando eu fico ... você sabe ... eles ficam muito durinhos e empinados!
— Você está me torturando, sabia?
Outra vez ela caiu na gargalhada. Meu, que mina safada! Hahaha ... eu nem fazia idéia! Ela parecia ser tão na dela.
— Seja honesto comigo, você acha que a equipe de filmagem vai perceber?
— Que você está ... excitada?
— Fala baixo, Nando!!! Sim, isso, você acha?
— Ah, sei lá, são todos muito profissionais. Acho que nem vão reparar isso não. Na verdade quem precisa se preocupar sou eu, né?
— Por quê?
Olhei para minha calça, Nando Júnior estava ligeiramente animado. Patzinha começou a gargalhar novamente. Todo mundo não parava de olhar para nós dois.
— Puxa vida, é verdade. Em vocês homens fica mais ... visível.
— Oh, muito mais!!!
Droga. Eu estava tão preocupado com a bunda que esqueci do Nando Júnior. Patzinha tocou num ponto crucial. Meu, é quase certeza que ficarei excitado na hora da filmagem. Pensem bem, estarei peladão com a Patzinha, lembrando que ela estará usando apenas a calcinha. Caralho, até rimou.
Estou fodido. Já estou até vendo o "tóin óin óin óin". Meu, que mico!
Pra ajudar ainda mais ... olha o que Patzinha me conta:
— Nando, deixa eu te contar um negócio. Mas pelo amor de Deus, não conta pra ninguém!
— Pode deixar.
Patzinha se agachou diante de mim e sussurrou no meu ouvido:
— Eu sou ... ninfomaníaca.
Fala sério!!!!! Agora é que Nando Júnior não sossega mesmo!
Minutos depois o meu celular toca. Preciso dizer quem é?
— Fala, Pezão do caralho!!! Antes de mais nada enfia o dedo no cu e assovia, beleja? Só pra tu não perder o costume.
— Vai se foder, mano! Onde você está?
— Ora, onde acha que eu estou? Estou filmando o programa.
— Ah, é, tinha até me esquecido desta porra.
— Cara, você não bota fé no que me aconteceu.
— Deu o cu e achou gostoso?
— Não, mas sua mãe me falou que é bom.
— Porra, cara, se liga! Conta logo e deixa minha velha em paz, falou?
— Então cala a boca que eu conto. Meu, finalmente encontrei uma mina ninfomaníaca!!!
— É? Grande bosta! Essas minas são as piores!
— Piores? Não fala bosta, Pezão!
— São, não saem da frente do computador e tal.
— O quê? Se liga, porra! Do que você está falando? Comeu cocô?
— Porra, ninfomaníaca não é aquela mina viciada em informática?
— Pezão, depois dessa, tchau.
E desliguei o telefone na cara do imbecil. Porra, fala sério, ninguém merece, merece?
A van da Globo chegou para nos levar até a locação da tão aguardada cena. Chegou a hora, gente. Torçam por mim, por favor. Sei que vocês adoram ver o circo pegar fogo, sei que vocês adoram quando eu tomo no cu, mas por favor, pelo menos desta vez, torçam por mim. O que custa? Só uma vez!!!
Entrei na van ao lado da Patzinha. Dois funcionários da equipe técnica foram junto conosco, então precisamos nos espremer um pouco mais do que nas viagens anteriores. Patzinha ficou grudada em mim. Dava até pra sentir seus peitinhos duros encostando em mim.
Eu to me lixando pra vocês, viu? Hahaha ... sei que estão torcendo para que eu pague mico, mas saibam que mesmo pagando mico eu ainda estou sentindo que no final do dia vou comer a Patzinha. Então vocês podem torcer à vontade, estou nem aí.
Descemos da van e já fomos levados até o local das filmagens.
Putz, é agora. Nesta primeira cena eu farei picadinho das duas irmãs e uma prima. Caralho!!! Nem dá pra acreditar que tudo isso aconteceu de verdade. Como é que o Chico teve a moral de fazer isso? Porra, será que ele mastigava bosta quando era criança?
Ah, só lembrando que nesta cena eu não estarei totalmente nu. Estarei apenas usando uma cueca. Nas mãos estarei segurando um machado de mentirinha, mas ao olhar menos atento parece ser bem real. Globo é Globo, os caras pensam em tudo.
O diretor começou a dar as primeiras orientações:
— Você vem pelo corredor, vê suas irmãs e sua prima assistindo televisão e parte pra cima delas. Acerta uma machadada no pescoço de cada uma. Não precisa ser com força, pois vamos editar as cenas mesmo, só finja que está aplicando os golpes. Entendido? Lembre-se que você está interpretando alguém que está furioso.
— Pode deixar.
Por dentro eu estava tremendo de nervoso. Patzinha estava por perto, ela ficara pra assistir a filmagem. Seu sorriso bonito até me acalmou um pouco. Ela fez até um sinal de positivo com mão direita. Respondi com o mesmo gesto, e depois dei uma piscada pra ela.
— Bom, todos prontos? — perguntou o diretor, olhando para toda a equipe.
Todos fizeram sinal de OK.
— Luz, câmera, gravando!
Na primeira tomada eu entrei na sala e escorreguei. Fui de bunda ao chão. A equipe toda foi às gargalhadas, como um bando de hienas marchando num desfile de 7 de setembro.
Segunda tomada, entrei na sala com o machado na mão e a galera começou a lembrar do tombo. Nem preciso dizer o que houve, né?
— Cooooooooooooooooorta!!! — gritou o diretor, puto da vida.
Na terceira tentativa eu entrei na sala e ninguém riu, mas eu tinha esquecido de algo muito importante, o machado. Putz!
Bom, e por aí foi. Quando foi na sétima tentativa tudo deu certo. A tomada ficou do jeito que o diretor queria.
Aí fomos levados até uma legião de maquiadores.
Puxa, muito louco, eles praticamente nos pintaram com tinta vermelha por todo o corpo. A cena seria sangrenta e exigiria muitas cicatrizes e cortes profundos na pele. Coisas de filme de terror. Lembrei da época em que eu assistia Cine Sinistro na Band.
Só recomeçamos a filmar duas horas depois. A maquiagem levou muito tempo até ficar do jeitinho que o diretor queria. Meu, falando nele, não sei, acho que ele camufla. Pra ser mais sincero eu acho que alguém está comendo alguém ali, ou ele dá pro Tomaz ou vice-versa. Os dois são bambis.
Bambi ou não, o diretor deu sinal verde para a próxima cena. Putz! Cenas fortes, todo mundo cheio de sangue pelo corpo. A sala estava toda molhada com tinta vermelha cenográfica. Se eu não curtisse filmes de terror desde criancinha eu ficaria impressionado com aquela cena, mas tirei de letra. Será que tenho tendências psicopatas? Eu, hein!!!
Após filmar esta cena bizarra outras ainda estariam por vir. Na próxima Chico degola a própria mãe na cozinha. Meu, esta cena foi foda. A coroa que interpreta o papel da mãe do Chico é uma coroa gostosona. Na hora em que eu a peguei por trás eu comecei a ficar excitado e não sei se chegaram a filmar o Nando Júnior, espero que não, pois aposto que armei uma bela barraca ... hehehe.
Depois de ter fatiado as duas irmãs e a prima, depois de ter degolado a mãe, agora chegava a hora de fazer picadinho da namorada. Na cena, Margarida, interpretada por Patzinha, encontra a casa banhada de sangue e entra em estado de choque. Chico, no auge da sua loucura, arranca a cueca e parte pra cima de Margarida com uma faca em mãos. O resto vocês já sabem.
Quando Patzinha veio dar uma olhada na casa ela ficou horrorizada. Acho que ela perdeu o tesão logo de cara. Ela se aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido:
— Caraca, você acredita que este sangue todo me deixou excitadíssima???
Como é que é ????????? Fala sério, hein! Será que ela comeu cocô quando criança?
— Você está brincando comigo.
— Não estou!
E colocou minha mão no seu seio direito. Estava durinho, o biquinho estava super inchado. Caralho, não faz isso comigo agora!!! Agora não!!! Como é que eu vou fazer a cena de bilau duro??? Imaginem quando o diretor gritar "corta", imaginem o susto que Nando Júnior vai levar, pobrezinho.
Putz, nem acredito que daqui alguns minutos vou ver aqueles seios durinhos nus bem na minha frente ... hehehe ... aoooooooo!!! Estou fodido, vou pagar mico, com certeza. Caralho, já imaginou aquele monte de gente esperando meu bilau ficar mole pra poder filmar??? Putz!!! Ninguém merece.
O diretor apareceu.
— Vocês estão prontos?
Patzinha e eu nos olhamos, com um certo ar de riso em nossos lábios.
— Sim. — respondemos juntos.
— Ótimo. Patrícia, você vai entrar pelo jardim e vai ficar horrorizada com a cena da mãe do Chico caída na cozinha. Quero que você faça a maior cara de espanto que puder e que grite o mais alto possível.
E ele prosseguiu em suas orientações, até que chegou a hora. Eu entraria em cena todo ensangüentado e arrancaria a cueca na frente daquele monte de gente. Câmeras, assistentes de câmera, iluminadores, técnicos de som, o diretor bambi e outras pessoas que eu nem fazia idéia do porquê estavam ali assistindo a filmagem. Bom, o fato da Patzinha ficar só de calcinha pode responder tal pergunta, não acham? Ou vocês acham que aquele bando de marmanjo estava ali só por causa da minha bunda branca?
Meu, não sei explicar, só sei que a química entre nós dois foi tão forte que fizemos a cena de primeira. Patzinha entrou na casa, deu um grito tão alto e tão agudo que eu quase fiquei surdo. Joguei a cueca longe e corri até ela. Eu estava tão concentrado na cena que nem parei pra pensar se eu estava de pau duro ou não.
— Corta! Linda, ficou linda a cena! Linda! — gritou o diretor bichona.
Lá estava eu, completamente nu, diante de uma multidão. Mas querem saber? Eu nem me importei. Tentei agir de forma mais natural possível. Só achei meio constrangedor quando notei Patzinha olhando pra mim, com olhos arregalados. Hahaha... preciso dizer para onde ela estava olhando? Meu, a mina é tarada mesmo!
Por sorte me trouxeram um roupão. Eu o vesti imediatamente. O diretor ficou uma fera.
— Vocês estão loucos??? Se ele vestir o roupão vai perder toda a maquiagem!!!
Antes que eu fechasse o roupão o contra-regra o puxou de volta.
— Sinto muito. — disse ele, meio constrangido.
Puta merda. Patzinha continuava me olhando de cima a baixo.
— Não dá pra você olhar mais um pouco? — falei, tirando um sarrinho.
— Ai, me desculpa!
Ela riu, mas continuou olhando.
Pelo menos o que estava me preocupando até agora não aconteceu, Nando Júnior não se animou. Também, é foda ficar de pau duro com aquele monte de marmanjo me olhando e com aquele monte de sangue pra tudo que é lado da casa. Até mesmo um ator pornô experiente teria problemas, vocês não acham?
De repente um dos câmeras passou do meu lado, olhando para mim com uma cara de poucos amigos.
— O que foi? — perguntei.
— Vai tomar no seu cu!!! Eu sei que você fez de propósito!!!
— Fiz de propósito? Não estou entendendo! O que eu fiz?
Ele continuou a passos largos. Aí Patzinha me contou:
— Nando, quando você arrancou a cueca e a jogou longe você acertou em cheio o rosto daquele cameraman.
Eu caí na gargalhada. O pior é que o cara olhou para trás e me viu tirando sarro. Nem preciso dizer que ele mostrou aquele famoso dedo pra mim, né?
— Ah, foi sem querer!!! — eu disse.
Não adiantou nada, ele mostrou novamente o dedo.
Dois maquiadores vieram dar os últimos retoques na minha maquiagem. Sangue por todo o meu corpo, inclusive naqueles lugares. Patzinha, a tarada, observou atentamente o trabalho dos maquiadores. Meu, ela não tira o olho do meu bilau. Ou gostou muito do meu ou ela é fascinada pelo negócio mesmo. Pra falar a verdade eu acho que é um pouco de cada.
Bom, chegou a hora da cena final, onde eu luto com a Patzinha. Durante a luta eu arranco a sua roupa, depois a espanco e a corto em pedacinhos. Caraca, imaginem se minha mãe assiste este programa, a coitada morre do coração.
— Vocês estão prontos? — perguntou o diretor. — Precisamos filmar antes que escureça.
— Estou. — respondi.
Meu, vocês acreditam que a mina está olhando pro meu bilau até agora?
— Psiu, oh, psiu!!! — disse o diretor para Patzinha, estalando os dedos. — Acorda, menina!!! Viu passarinho verde?
— Bom, eu não diria verde. — eu disse, rindo.
Patzinha finalmente acordou pro mundo.
— Bobo!!! Eu não estava olhando pra você, viu?
Pouco falsa a mina??? Hahahaha..... Ela não estava olhando não, só arrancando pedaço. Se bobear estava até babando.
— Chega de brincadeira, — disse o diretor. — precisamos filmar logo esta cena.
E lá fomos nós. Ensaiamos como seria a luta e partimos para a primeira tomada.
— Luz, câmera, gravando!!!
Comecei a arrancar a roupa de Patzinha e senti algo.
— Corta!!!!!!
Olhei pra baixo e lá estava ele, Nando Júnior duro como um cabo de vassoura. Putz!!!
O diretor se aproximou de nós, puto da vida.
— Eu não tenho culpa!!! — eu disse.
— Não foi por sua causa que parei de filmar. — então ele olhou para Patzinha. — Minha filha, vou ser franco, você nunca viu um caralho antes??? Presta atenção na cena, na cena!!! Presta atenção, o cara está prestes a te matar e você fica olhando para o ...
— Já entendi!!! — gritou Patzinha, quase chorando. — Já entendi!!! Desculpa, vamos fazer de novo, eu prometo que vou me concentrar na cena.
Eu, hein!!! Esta foi boa, nem levei bronca nem nada. Mas pensando bem, é verdade, se eu ficar ou não excitado não faz a menor diferença, eles não vão mostrar meu bilau mesmo, tudo será editado depois.
Partimos para a segunda tomada.
— Luz, câmera, gravando!!!
Recomeçamos a briga, eu não quis nem saber, meti a mão nos peitinhos duros da Patzinha, arranquei a blusinha dela quase que no tapa, depois puxei o sutiã com vontade, quando eu ia me preparar pra puxar a calça veio aquele grito novamente:
— Cortaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
O diretor veio de mansinho, mas com uma cara ainda mais enfezada, estava soltando fogo pelas ventas. Ele parou diante de nós, abaixou-se, esperou alguns segundos e gritou:
— Minha filha, se você quer ficar olhando para alguma coisa olha para a faca!!! Entendeu? Pelo menos olha para a faca então!!! Porra!!!
Posso ser sincero? Eu estava adorando aquilo! Hahaha.... cada vez que a Patzinha errava era mais uma oportunidade pra agarrar os peitos dela, eu estava adorando.
O problema é que na quinta tentativa eu já estava meio de saco cheio. Não só eu, mas como a equipe toda. O diretor ficou tão puto que mandou eu passar esparadrapo no bilau, só pra ver se a Patzinha desviava o olhar. O pior é que funcionou.
Na sexta tomada conseguimos finalizar a cena.
Depois os maquiadores entraram e deram um banho de sangue cenográfico na Patzinha. Filmamos mais alguns closes da briga e pronto.
— Corta!!! Puta merda, até que enfim!!! — gritou o diretor, aliviado.
Olhei em volta e senti vibrações meio esquisitas, senti aquele monte de marmanjo com tesão reprimido. Aposto que depois todos correram para algum canto escuro da casa para aliviarem a tensão, se é que vocês me entendem.
Antes que eu tivesse tempo de me levantar Patzinha me puxou pelo pescoço e sussurrou no meu ouvido:
— Vejo você no banheiro dentro cinco minutos.
— Como é que é?
Sei que a pergunta foi meio idiota, mas é que fui pego de surpresa. Ela prosseguiu:
— Se eu não fizer sexo agora mesmo eu acho que vou explodir.
— Calma! Estarei lá, pode apostar. — e abri um puta sorriso de orelha a orelha.
Patzinha se levantou, vestiu o sutiã e a calça e foi correndo para o banheiro. Antes que completassem cinco minutos eu corri atrás dela.
Putz grila, galera, eu já tive algumas transas inesquecíveis nesta vida, mas esta foi demais. Eu não sei explicar se aquele sangue falso em nossos corpos teve alguma coisa a ver com o resultado, eu só sei que foi a maior loucura!!! Parecíamos dois zumbis de filmes antigos fazendo sexo numa tumba do além. Depois entramos debaixo do chuveiro e o tesão era tanto que arrancamos toda a tinta só com o vai-vem e o esfrega-esfrega de nossos corpos ardentes. O bicho pegou mesmo!
Na manhã seguinte gravamos o restante das cenas. É estranho como funciona este negócio, eles não filmam na ordem certa, varia de acordo com as locações.
Só sei que no final da tarde as filmagens acabaram. Ufa! Entre mortos e feridos salvaram-se todos.
Patzinha e eu ficamos muito grilados com o final daquilo tudo, pois a química que rolou entre nós foi algo fora do comum.
Antes dela voltar para São Paulo com o resto do elenco nós ainda fomos para um motel, mas confesso que não foi a mesma coisa da primeira vez. Será que a falta daquele sangue falso em nossos corpos fez diferença? Ah, sei lá, mesmo assim foi gostoso. Talvez melhor do que muitas outras transas que já tive.
Vou sentir falta dela. Muita falta. Eu só espero que a Patzinha não tenha sido a última ninfomaníaca a cruzar o meu caminho ... hehehe.
Só não fiquei tão triste porque eu recebi a grana, sim, recebi os dois mil e quinhentos reais. Opa!!! Ritmoooooooo, é ritmo de festaaaaaa!!! Rodando e dançando, Roque!!!
Agora é aguardar até que o programa vá ao ar. Tomaz me disse que talvez passe no mês que vem. Vamos ver.
Ou me transformo no próximo Antônio Fagundes ou minha bunda vira sucesso nacional.
( FIM )
MAIS UMA HISTÓRIA PARA GUARDAR
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