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Capa de Edição 5 — Rock na Veia
Nando e Pezão

Edição 5 — Rock na Veia

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Sinopse

Sem sinopse.

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BOA LEITURA
Fonte 18 px
Espaçamento 1.4

Capítulo 1 · Tum Tum Ta Tum Tum

Beleja? Faz tempo que a gente não se fala, né? Sim, desde aquele dia em que o Pezão passou mostarda no pinto. Porra, vocês nem fazem idéia do transtorno que isso causou ao nosso amigo... hahaha... Acreditam que o pau dele está meio verde até hoje? Não, eu não vi nada não. Eu só sei que continua verde porque o Pezão me disse. Não vem com gracinha pra cima de mim. Não sou daqueles manés que vão ao banheiro masculino e ficam olhando com o rabo dos olhos o pinto dos outros. Eu estou contente com o meu e não tenho o menor interesse em ver o dos outros.

Bom, mas voltando ao assunto Pezão... o mano está passando por dificuldades. Ele já procurou todos os médicos daqui da região e até agora ninguém conseguiu fazer o bilau dele voltar à cor original. O bagulho continua verde. Putz!!!! Engraçado, se ele passou mostarda, não era para o pinto ter ficado amarelo??? Eu, hein!!! Mais um mistério misterioso do infinito oculto.

Semana passada nós saímos pra night e o Pezão até que se deu bem, catou uma mulata bem gatinha. Num determinado momento da noite a garota foi pro banheiro e Pezão chegou desesperado em mim, o coitado suava frio, ele disse:

— Porra, cara, a mina quer me levar pra casa dela!

— Uhuuuuu! Mandou bem, mano. A mina que eu catei está no maior embaço. Não sabe se dá ou desce. Que bosta.

— E agora, o que é que eu faço?

— O quê? Esqueceu como é que se faz? Pau pra dentro!

— Porra, Nando, você não entendeu! — Pezão olhou na direção da sua braguilha.

— Ah, entendi. O bagulho continua verde, né?

— Hã hã.... — e fez sinal de positivo com a cabeça.

Vocês já notaram o olhar de uma criança quando a sua fralda está toda cagada? Então, foi o mesmo olhar que o Pezão fez pra mim.

— Ah, muito simples. — eu disse. — Faz tudo no escurinho. Assim ela não vai nem perceber que o seu pau está parecendo um pepino estragado.

Pezão continuou me olhando assustado.

— O que foi? — Perguntei. — Não sabe trepar no escuro?

— Não é isso. Tenho medo de acontecer novamente.

— Acontecer o quê?

— Antes de ontem eu fui tocar uma punheta e o meu pau ficou fosforescente.

Meu, eu comecei a rir tanto, mas tanto, mas tanto... Todos que estavam ao nosso redor ficaram me encarando. E olha que o som estava altíssimo, tocando D-Devil.

— Fosforescente? Como assim?

— Não sabe o que é fosforescente, porra? O bagulho brilhou no escuro. Parecia uma lanterna.

— Santa pixirica!!! Sério?

— Caralho, olha bem pra minha cara. Acha que estou de brincadeira?

— Porra, Pezão, você está se preocupando demais. Este não é o Pezão que eu conheço. Vai embora com a mina e pau pra dentro. Se o bagulho ficar fosforescente você inventa uma desculpa e pronto.

— Por exemplo...

— Ah, fala que seu pau já veio com farol de milha instalado...

Comecei a rir feito um louco.

— Cala a boca, lá vem ela. — sussurrou Pezão, notando que a mulata acabara de sair do banheiro. — Quer saber de uma coisa? Foda-se. Pau pra dentro. Se o bagulho começar a brilhar eu falo que é a camisinha.

— Pronto! Ótima idéia, Pezão. Está vendo como você não é tão burro assim?

Pezão mostrou aquele famoso dedo pra mim. A mulata se aproximou de nós.

— Vamos? — disse ela, requebrando um popozão de respeito.

Pezão deu um beijo na mulata, deu uma olhada rápida pra braguilha e tomou a decisão.

— Claro, gata, vamos.

Este é o Pezão filho da puta que eu conheço. Não é um pinto fosforescente que vai abalar o meu amigo. Se existem camisinhas fosforescentes, por quê não podem existir pintos fosforescentes, certo? E se a mulata tem uma pexeca fosforescente também, né? Hoje em dia tudo é possível.

Pezão jogou a chave do carro na minha mão. Fiquei até espantado.

— Nós vamos no carro dela. — disse Pezão. — Porra, muito cuidado com o meu, hein!

— Quem não cuida dele é você, cara. Fica frio. — por dentro eu estava gritando "uhuuuuuuuuuuu!! Hoje o Corsa é meu!!! Hahahaha Pau pra dentro!!! " .....

— Mas não acostuma não, aproveita que hoje eu estou bonzinho.

— Você está bonzinho, é? — disse a mulata, com voz sacana. — Ah, então não sei se ainda quero você.

Pezão lascou um tapa na bunda da mulata, dizendo:

— Vamos nessa! — e olhou pra mim. — É isso aí, Nando. Amanhã a gente se fala. Se eu notar um arranhãozinho eu te mato.

— Ah, mata nada. Some logo daqui! Amanhã a gente se fala. — e sorri.

Pezão saiu agarrado com a mulatinha. Meu, a garota é baixinha, mas tem um bundão!!! Se o conteúdo for tudo isso que a embalagem promete... a mina deve ser um furacão no quarto. Pezão se deu bem. 

Bom, a mina que eu catei naquela noite estava embaçando pra caramba, mas foi só eu balançar a chave do Corsa e tudo se resolveu. É foda, eu sei que não são todas, ainda bem, mas tem mulher que adora uma gasolina. Você pode estar fodido, sem porra nenhuma na vida, mas basta você comprar uma moto ou um carro e você começa a pegar umas garotas que você jamais pegaria se estivesse a pé. Maria gasolina e coca-cola tem em qualquer lugar.

O importante é que eu me dei bem no banco traseiro do Corsa. A mina era uma delícia, tinha umas pernocas grossas. A pexeca dela não era fosforescente, mas ... hehehe. Pau pra dentro! Putz! Se o Pezão descobre o que eu aprontei ali naquela traseira... hehehe... É melhor eu ficar quieto.

No dia seguinte Pezão apareceu lá em casa por volta das 4 horas da tarde. Sua expressão não era nada boa.

— E aí, como foi? — perguntei.

Pezão ficou calado, olhando fixamente pro Corsa. Já sei, o filho da puta está procurando arranhão.

— Fica frio, cara. — eu disse. — Ele está do jeitinho que você deixou.

— Certo. Cadê a chave?

— Calma, porra, pra que esta pressa? Não vai me contar como foi lá com a mulatinha gostosa?

— Foi normal.

— Aconteceu alguma coisa, conta!

Comecei a rir.

— Não aconteceu nada. Agora me dá a chave.

Peguei a maldita chave e a entreguei. Pezão finalmente se abriu...

— Porra, mano, aconteceu outra vez! — disse ele, com voz de choro.

— Seu pau brilhou na hora "H" ???

— Brilhou. Caralho! Nós ficamos no escurinho, sabe? Até aí estava tudo bem, mas quando ele começou a ficar duro começou a brilhar feito uma lanterna.

— Puta merda! E aí? Ela percebeu?

— Porra, é claro que percebeu? O bagulho clareou todo o quarto!

— Santa pixirica!!! — Acreditem, eu não dei risada.

— Ela ficou apavorada, parecia ter visto um alien.

Ah, aí eu não consegui evitar. Saí gargalhando pela calçada. hahahahaha

Pezão tirou o Corsa da garagem e saiu queimando borracha.

— Calma, brother, termina a história!!!

E continuei rindo por uns bons 4 dias... hehehe

Rrrrrrrrrrrrrrrring!!!!!!

Maldito telefone dos infernos. Pezão, só pode ser o Pezão.

— Fala, Pezão do caralho. Beleja?

— É nóis.

— Cara, você já está sabendo do novo filme de super herói que vai passar nos cinemas?

— Não. Qual?

— Lanterna Verde!!! Hahahahaha...... Conhece? Hahahha.

— Filho da puta! Por quê você não enfia o dedo no cu e assopra?

— Ah, não. Assopro sem enfiar mesmo. Fala logo o que você quer.

— Cara, você não acredita no presente que eu acabei de ganhar da minha madrinha.

— Porra, se você ganhou aquela boneca inflável com pele sintética eu te mato, seu maldito sortudo filho de uma vaca.

— Não é isso. Caralho, agora meu presente nem parece ser tão bom assim.

— Pára de enrolar e conta logo. O que você ganhou?

Pezão começou a emitir uns sons estranhos ... mas com a boca.

— Tum tum ta tum tum ... plain!!!!

— Mas que porra é esta?

— Ganhei uma bateria, caralho!!!

— É mesmo? Completa?

— Sei lá, acho que sim. Quantas peças tem uma bateria completa?

— E eu é que sei?

— Cara, muito louco o bagulho! Estou tocando desde a hora que chegou.

— Tocando? Pezão, a única coisa que você toca é punheta.

— Sem brincadeira, Nando. Estou tocando. Escuta aí.

Pezão largou o telefone. Deve ter ido tocar a maldita...

— Tum tum ta tum tum tum ...... 

É mesmo o som de uma bateria. Mas o Pezão "acha" que está tocando. Na verdade ele está só maltratando o bagulho com as baquetas. Putz!!! Meu ouvido não é pinico!

— Está ouvindo, Nando??? — Gritou ele, todo entusiasmado.

Acho melhor eu ficar quieto. Talvez assim ele pare com esta tortura. Oba, acho que deu certo. Ele parou. Está voltando para o telefone.

— Ouviu?

— Ouvi, Pezão. Olha, você tem futuro.

— Você também acha?

— Claro, continua assim mais uns 80 anos e logo logo você vai estar tocando num grupinho de pagode do caralho.

— Vai se foder!

— Ah, vai você! Se liga! Onde você aprendeu a tocar bateria? No inferno? Caralho, foi a pior coisa que já ouvi em toda a minha vida. Pra ficar ruim falta muito ainda. Puta que o pariu!!!

— Você está com inveja, isso sim.

— Dá um tempo, Pezão. Quantos anos você acha que eu tenho, oito?

Pezão desligou o telefone.

Eu conheço a figura. Querem apostar quanto que ele vai ligar novamente? Contem comigo... 3 ... 2 ... 1 ... 0

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrring!!!!!

Ahá!!! Eu não disse??? Conheço este maldito faz muito tempo. Quando ele fica puto da vida ele bate o telefone na sua cara, mas aí a raiva passa e ele...

— Cara, acabei de ter uma idéia brilhante!!! — disse Pezão, com uma voz de quem está quase gozando na cueca.

Putz! Idéia brilhante? Lá vamos nós outra vez ...

— Fala, Pezão... qual é a idéia brilhante?

— Vamos montar uma banda!!!

Caralho!!! É mesmo!!! Uma banda!!! Milhares de fãs enlouquecidas!!! Milhares de gatinhas gostosérrimas se jogando aos nossos pés!!! Dinheiro!!! Fama!!! Turnês pelo mundo!!! Pexecas estrangeiras querendo sentir o gostinho do meu pau-brasil !!! Uhuuuuuuuuuuuuu!!! É nóis na fita!!!

— Pezão, esta foi a melhor idéia que você já teve em toda sua vida!!! Você é um gênio, cara!!!

— Claro que sou, filho da puta. Sei disso faz tempo.

Mas... esperem um pouco, temos um pequeno probleminha.... Pezão toca bateria tão bem quanto o cu dele e o único instrumento que eu sei tocar é ... ah, vocês sabem...

— Pezão, peidamos na farofa.

— Claro que não. Por quê?

— Você não sabe tocar porra nenhuma, muito menos eu.

— E daí? Das bandinhas que estão nas paradas ... alguém sabe tocar alguma coisa?

Porra, se a gente analisar friamente... Pezão tem razão.

Uhuuuuuuuuuuuuu!!! Vamos montar uma banda!!!

Capítulo 2 · Olá, Professorinha

— Pezão, peidamos na farofa.

— Claro que não. Por quê?

— Você não sabe tocar porra nenhuma, muito menos eu.

— E daí? Das bandinhas que estão nas paradas ... alguém sabe tocar alguma coisa?

Porra, se a gente analisar friamente... Pezão tem razão.

Uhuuuuuuuuuuuuu!!! Vamos montar uma banda!!!

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A empolgação durou pouco. Fui fazer uma visitinha para o nosso caro colega Pezão e.... Puta merda!!! O cara conseguiu tocar pior do que aquela outra vez ao telefone. Enquanto ele tocava eu não sabia se me matava ou se pedia pra alguém me matar, tudo o que eu queria era sumir dali. Dá até pena da bateria, novinha, cheia de frescuras, brilhando. Dá dó ver a pobrezinha ser maltratada daquela maneira bizarra. Mas o pior de tudo é que o nosso amigo não se liga, ele realmente pensa que está arrasando, fica naquele "tum tum ta tum tum" sem parar e acha que está tocando Enter Sandman do Metallica. Putz!!! Que dureza.

— Pára, pára, puta que o pariu, pára!!! — gritei, após suportar 3 minutos e 20 segundos de tortura.

Pezão me olhou torto, respondendo com aquele famoso dedinho escroto.

— Quero ver se você toca como eu. Senta aqui e tenta.

Dei risada.

— Porra, Pezão, qualquer macaco de zoológico deve tocar melhor que você.

— Ah, pega isso aqui e enfia no... — Pezão segurava a baqueta.

De repente uma coroa gostosa entrou no quarto.

— Olha a boca, meu sobrinho!!! — disse a coroa.

Pezão ficou meio sem-graça. Enquanto isso eu olhava a coroa. Putz! Que tia gostosona, hein!!! Eu dava uns catos.

— Desculpa, tia. Este imbecil aí fica pagando pau quando eu começo a tocar.

A coroa olhou pra mim. Meu, to gamando na velha. Olhos verdes e tudo. Bagageiro no lugar... Uma delícia. Será que ela é solteirona? hehehehe

— Não faça isso com o meu sobrinho favorito. — disse ela.

— Então pede pra ele não tocar nunca mais. — respondi, e sorri pra coroa.

Ela também sorriu, e olhou para o Pezão.

— Toca aí pra eu ouvir. Vamos ver quem está com a razão.

Putz!!! Agora o Pezão tomou no cuzão. A coroa vai sair gritando do quarto.

— Com todo o prazer, tia. — disse Pezão, todo animado, brincando com a baqueta.

Ai ai, baqueta rima com... hehehe... Caramba, a coroa está me deixando excitado. Ela sentou na cama do Pezão e cruzou as pernas. Cada coxão!!!

Pezão começou a contagem regressiva para o seu mico. Bateu as baquetas umas nas outras, dizendo "1 ... 2 ... 3 ... " e começou a apresentar seu vasto repertório de "tum tum ta tum tum" do caralho.

Os minutos foram se passando e Pezão foi se empolgando com a sua apresentação bizarra. Variava de "tum tum ta tum tum" pra "ta tum ta tum ta tum" e outras combinações, mas o resultado era sempre desastroso, eu continuava com uma puta vontade de enfiar a cabeça na privada e apertar a descarga. Olhei para a coroa e ela estava fazendo cara de cu, quero dizer, eu não percebi se ela estava gostando ou odiando. Ás vezes dava a impressão de que ela estava mesmo dormindo, ou talvez me imaginando pelado. Vai saber, né? Quem garante que a coroa não está precisando de uns tratos?

Eu contei no meu relógio, galera, Pezão maltratou a bateria por 5 minutos. Exausto, ele parou e olhou todo animadinho para a tia gostosa, perguntando-lhe:

— O que achou, tia?

Olhei imediatamente pra coroa. Se disser que gostou eu perco o tesão por ela.

— Eu conheço uma professora muito boa. — ela disse.

Hahahahaha.... tirou o Pezão!!!! O coitado não sabia nem pra onde olhar.

— Professora? Tia, mas eu....

A coroa levantou-se da cama, ajeitou o vestido naquele corpanzil todo e abriu a boca outra vez, dizendo:

— Ela é amiga do seu primo, vou pedir pra ela vir aqui lhe dar umas aulinhas. Aí você vai ficar jóia.

Pezão ficou puto da vida. Quando a coroa virou as costas ele esticou o dedão sujo pra ela.

— Professora o caralho! — resmungou ele.

— O que você disse? — perguntou a coroa.

— Nada, tia, nada.

— Bobo, você está reclamando porque não sabe quem é a professora.

Os olhos do Pezão cresceram rapidamente. A cara amarrada perdeu lugar pra habitual cara de filho-da-puta que só ele sabe fazer.

— É mesmo? É bonitona, tia?

— Façamos o seguinte, eu não vou dizer nada. Vou pedir pra ela vir aqui, depois você me conta o que achou. Combinado?

— Porra, mas eu estou tocando tão bem ...

Comecei a rir. Pezão me olhou puto da vida, e depois olhou pra coroa.

— Combinado, tia. Manda a professorinha vir aqui. Eu terei algumas aulas com ela.

— É sem-vergonha igualzinho ao pai. — disse a coroa, deixando o quarto.

Putz! Fico imaginando esta tia do Pezão com uns 20 aninhos... ai ai ... Se agora está gostosa deste jeito, imagine só!!! Quando ela saiu do quarto eu fiz a mais óbvia das perguntas:

— Caralho, Pezão, esta sua tia é solteira?

— Vai tomar no seu cu, cara! Você é chegado numa tia, hein!

— Eu só perguntei se ela é solteira.

— É sim, filho da puta, mas eu quero ver você perguntar isso pro filho dela, meu primo, o cara é faixa preta em Tae-kwon-do.

Caralho. Aí é complicado. Melhor eu voltar pra realidade.

— Nada a ver, Pezão, só fiquei curioso.

— Sei. Cuzão.

— Falando sério agora, legal você ter aceito a idéia da professora. Se queremos montar mesmo uma banda nós...

— Meu, se liga! Eu só aceitei porque eu acho que sei quem é esta tal professorinha.

— Quem é?

— Sei lá, eu acho que é uma ex-namorada do meu primo, uma que era baterista muito porra-louca. A mina era gostosa pra caralho. Só pode ser ela!

Os olhos do Pezão até brilharam.

— Bom, se ela te ensinar a tocar ...

— Ah, sim, ela vai tocar pra mim... hehehe... Isso aqui, ó! — Pezão botou a mão na virilha e agarrou tudo o que tinha direito.

Pezão filho de uma puta.

— Só pra conferir, — eu disse. — o bagulho aí continua verde?

A expressão no rosto do Pezão mudou completamente. Ele ficou puto.

— Não é da sua conta.

Hahahahaha..... continua verde!!! Hahahaha..... tomou no cu.

No dia seguinte...

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrring!!!!!

Puta merda, se for o Pezão querendo me mostrar uma de suas performances na bateria eu juro que jogo o telefone dentro da privada, cago em cima e dou descarga.

— Fala, Pezão dos infernos!!!

— Pezão dos infernos? Mudou? Não é mais Pezão do caralho?

— Não.

— Xiiiiiiiiii, a menina está nervosa por quê?

— Enfia o dedo no cu e assopra, cara.

— Você nem faz idéia de quem acabou de sair do meu quarto.

— O negão que dá assistência aí pra você?

— Ah, agora você resolve bancar o engraçadinho, né? Seu Zé Buceta!

— Fala logo, porra! Quem saiu do seu quarto?

— A professorinha!!!

— É mesmo?

— Opa! Meu, é ela mesma, a ex do meu primo.

— A gostosa.

— Gostosa? Bota gostosa nisso!!! A mina é tão gostosa que estou de pau duro até agora. Se eu bater o meu pau na bateria eu até tiro um som. Opa, espera aí...

Puta merda! Será que ele está pensando em fazer o que eu estou pensando que ele vai fazer??? Não, não, ah, não... "TUM!!!"

Dava pra ouvir as risadas histéricas do Pezão. Vocês sacaram o que ele fez, né?

— Deu pra ouvir??? — ele perguntou.

Nem falo nada.

— Deu pra ouvir eu batendo meu pau na bateria? — insistiu ele.

Depois dessa eu não tive escolha. Desliguei o telefone. Ah, puta merda! Você também desligaria, não? Será que só eu arranjo amigos assim? Que bosta!

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrring!!!

Ah, eu sabia. Enquanto eu não atender ele vai......

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrring!!!

Não, não vou atender. Como é que eu posso atender alguém que larga o telefone pra ir bater o pinto na bateria? Ah, tudo tem limite, né?

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrring!!!

Puta merda!!!

— Atende aí, Nando!!! — gritou minha mãe, batendo na porta do meu quarto.

Que bosta.

— Fala, Pezão do caralho!!!

— Porra, é Pezão dos infernos ou Pezão do caralho? Decida-se!

— Fala logo, meu! O que você quer?

— Eu queria dizer que a idéia de montarmos uma banda continua de pé.

— Ah, sei lá. Eu acho que não vai dar certo.

— Vai sim, Nando! A gostosa me ensinou bastante coisa, além disso o irmão dela é baixista e está procurando uma banda. Porra, demorou!!!

— Ainda falta um vocalista e um guitarrista.

— O irmão do Mamute toca guitarra, não toca?

— Acho que sim.

— Pronto!!! Morreu.

— E o vocalista?

— Oh, filho da puta, é você!!!

— Eeeeeeeeeeeeeeeeu???

— Porra, você não lembra daquele caraokê lá no churrasco da Mariana?

— Muito pouco, nós tomamos tanta pinga que eu nem me lembro direito. Teve caraokê?

— Teve, porra! Eu nem queria lhe dizer isso, mas você mandou muito bem.

— É mesmo? Ah, fala sério! E eu cantei o quê?

— Eu gostei das músicas dos Titãs que você cantou, mas a galera se amarrou mesmo quando você cantou "Pensa em mim, chore por mim, liga pra mim... ".

— Ah, vai tomar no seu cu!!! Se eu cantei isso eu enfio minha cabeça na privada e dou descarga.

— Não fala isso, hein!!!

— Sem brincadeira, enfio mesmo.

— Então pode mergulhar o cabeção no vaso.

— Por quê?

— Por que eu estou com a fita de vídeo do churrasco aqui em casa. Está tudo gravado.

— Puta merda!!! Fala sério, meu!

— Espera só um momentinho.

Um minuto depois...

— Escuta isso, cara. — disse Pezão.

De repente ouvi alguns gritos ao fundo, era a televisão, Pezão colocara a fita do churrasco no vídeo-cassete. Agora o volume estava no máximo.

— Puta merda, você está de gozação comi....

"Pensa em mim, chore por mim, liga pra mim, não, não liga pra ... "

Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta merda!!!

— Fala sério, Pezão, este aí sou eu ???

— Acredite se quiser, é você mesmo.

— Mas a minha voz está diferente!

— Depois de tanta caipirinha você queria o quê?

— Não estou acreditando.

— Então vem aqui pra você assistir a fita!

— Caralho, sou eu mesmo?

— Até que você mandou bem, não acha?

— Bom, a música é um lixo, mas eu tenho que admitir... gostei da minha voz.

— Pronto. Não falta mais ninguém. Eu detono na batera, o irmão do Mamute apavora na guitarra, o irmão da gostosona entra com o baixo e você arrisca alguma coisa no microfone. É nóis na fita, malandro. Firmão???

— Acorda, Pezão, sóbrio eu não canto porra nenhuma!

— Foda-se, a gente compra pinga pra você, não se preocupe. O importante é a gente tocar e apavorar a mulherada depois.

— É, sei lá, pode ser.

— Se liga, Nando!!! Você ainda terá a vantagem de ser o vocalista, que geralmente é o cara que come mais fãs.

— Opa, é verdade!!!

— Filho da puta, agora você se animou!!!

— Claro! Quando a gente começa a ensaiar?

— Calma, ainda está faltando uma coisa.

— O quê?

— Porra, o nome da banda!

— Porra, é verdade, o nome da banda.

Capítulo 3 · Câmera Escondida

— Calma, ainda está faltando uma coisa.

— O quê?

— Porra, o nome da banda!

— Porra, é verdade, o nome da banda.

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O nome da banda. Putz! Agora o bicho pegou. Todos os nomes legais já foram usados. Motorhead, Megadeath, Nirvana, Stratovarius, Aerosmith, Titãs. Que bosta, não sobrou nenhum nome legal pra nossa banda. Outra dúvida, devemos colocar um nome em inglês ou português? Que bosta! Agora fodeu.

Bom, uma semana se passou e alguns nomes apareceram, entre eles eu destaco:

1) Biscate's Lovers;

2) Lanterna Verde ( hehehe... Pezão ficou puto!!! );

3) Gordinho do Goonies;

4) Seu Madruga Não Morreu;

5) Saik é Sua Taffarel;

6) The Shitheads;

7) The Zongo Boys;

8) El Frangolito;

9) To com Chato no Saco;

10) Batata Doce com Repolho;

11) Peido Fantástico;

12) Urinéia;

13) Tawnee Stone ( sugestão do pirralho, irmão do Pezão, eu não entendi nada );

14) Chavasques ( em homenagem ao fantástico filme da Juciléia, é claro ).

Pois é, foi tudo o que conseguimos criar até aqui. O nome que eu mais gostei foi o primeiro, Biscate's Lovers. Sugestão minha, é claro. A única sugestão do Pezão que eu até achei mais ou menos foi a número sete, The Zongo Boys. 

Puta merda!!!! Quase 4 horas da tarde!!!! A aula do Pezão está quase terminando. Eu estou louco pra conhecer a tal professorinha. Pezão quando fala dela até baba e mela a cueca, ela deve ser gostosa pra caralho. Ah, não, eu preciso conhecer esta professorinha hoje mesmo. Se eu for de bicicleta eu acho que consigo chegar a tempo.

Subi na magrela e pedalei o máximo que pude. Cheguei na casa do Pezão em 4 minutos e alguns segundos. Rápido pra cacete! Quase fui atropelado por uma Jamanta no meio do caminho, mas tudo bem, se eu conseguir ver a tal professorinha gostosona valeu a pena. Toquei a campainha e lá estava ele, o maldito Pezão dos infernos me olhando pela janela do seu quarto, no andar superior da mansão. A casa do Pezão é um espetáculo, galera. Vocês não fazem idéia. Por quê será que tem uns filhos da puta que nascem com o cu virado pra lua e outros com o cuzão virado para um monte de espinho? Que bosta.

— Chega mais, Nando! — gritou ele, com um puta sorriso no rosto. Ele quer que eu veja a tal professorinha. Maldito Pezão filho da mãe. Ele quer que eu fique com inveja dele, isso sim.

— O portão está fechado! — respondi, gritando também.

Pezão gritou o nome da empregada. Dois minutos depois ela apareceu para abrir o portão. A empregada do Pezão é daquelas que você não comeria nem se ela lhe pagasse. A mulher é feia que dói. Até hoje eu só vi uma pessoa mais feia do que ela. Sim, vocês sabem de quem eu estou falando. Letícia, ou Lelê para os íntimos. Aquela é insuperável. No dia em que nascer uma criatura mais feia eu quero ir pessoalmente cumprimentar os pais na maternidade.

— Oi, Fernando, tudo bem? — ela perguntou, abrindo um sorriso cheio de dentes podres.

Putz! Ninguém me chama de Fernando. Quando me chamam eu até estranho.

— Beleja, e você?

— Eu não agüento mais esta barulheira todas as tardes.

— Deve ser insuportável, né?

— Nosso Deus! Horrível, horrível! Fica um tum tum tum no meu ouvido. Eu acho que vou ficar surda se estas aulas continuarem.

Entrei e caminhamos até a garagem. Caramba, até que de bunda ela não é tão ruim assim. Ops! Ela olhou para trás. Disfarce, Nando, disfarce! Olhei rapidamente para o lado.

— Tenho tanta coisa pra fazer. — disse ela, com uma cara bem desanimada.

— Se eu puder ajudar.

— Não, vai lá. Eu sei o que você veio fazer aqui.

Sorri pra ela.

— Você veio ver a moça bonita, é claro que veio. — disse a empregada, com um sorriso irônico. — Vocês são todos iguais.

— Ah, também não é assim. Há piores! hehehe

— Pior do que aquela peste? — ela disse apontando para o quarto do Pezão. — É ruim, hein! Fala sério. Você também. Apesar desta carinha de santo eu não coloco minha mão no fogo por você.

— Nem faça isso, vai se queimar toda. Se você soubesse metade das nossas vidas ficaria de cabelo em pé.

Ela teve um ataque de riso. Pensei até que ia ter um treco.

— Nem quero saber! Nem quero saber! Cruz credo!

Dei um sorriso sem graça e disse:

— Bom, deixa eu ir lá então. Tudo de bom pra você.

— Isso, vai lá. Quem sabe você não pega os dois num rala e rola?

— Sai fora!

A empregada voltou para a cozinha e largou do meu pé. Subi as escadas e dei de cara com quem? Sim, com o pirralho. O maldito moleque está crescendo e ficando com aquele mesmo olhar de filho-da-puta que o Pezão tem. Deve ser problema de DNA.

— Aceita uma balinha? — perguntou ele, com aquele sorrisinho maroto.

— Pega nas minhas balinhas aqui, ó! — respondi, agarrando meu saco.

— Quer ver algo interessante?

— Não. — respondi, passando por ele.

— Não quer ver a calcinha da professorinha?

Opa!!! Agora é diferente. O que foi que o moleque disse? Parei imediatamente.

— Rápido. — sussurrou o pirralho. — Vem aqui, vem aqui!

Voltei e entrei no quarto do moleque. Tinha uma televisão 29 polegadas ligada e...

— O que eu estou fazendo na tela da sua tevê?

O moleque balançou o tênis e a minha imagem se mexeu na televisão.

— Mas como você está fazendo isso? — perguntei, curioso.

O moleque se abaixou e passou a mão sobre o tênis. Vocês não vão acreditar. O moleque tem uma minicâmera instalada dentro do tênis. A lente minúscula filma tudo através de um pequeno furinho. Putz!!!

— O que você vai fazer com isso? — perguntei.

— Fica olhando ali. — o moleque apontou para a tevê, saiu do quarto e fechou a porta.

Sentei-me na cama do pirralho. O cheiro de punheta vinha de todos os cantos do quarto. Eca!!! Fiquei olhando fixamente para a tevê. A porta do quarto do Pezão apareceu na tela. Tem som e tudo! Ouvi o pirralho bater na porta. Ele entrou no quarto. Porra, não estou vendo nada, só o teto! Cadê a professorinha?

— O que você quer aqui? — Pezão resmungando com o guri. Vai, pirralho, chega perto da professorinha!

— Não fala assim com ele, tadinho. — Uau!!! É a voz da professorinha? Nossa, que sexy! Mas cadê ela? Porra, guri, chega perto dela!

— Estou precisando de uma caneta emprestada. — disse o pirralho.

Caneta? Putz! Que desculpa mais idiota! Cadê a professorinha? Será que ela está de saia? Tomara que sim. Espera, eu vi alguém! Ah, é o babaca do Pezão. Sai daí! Cadê a profe.... PUTA MERDA!!! Eu não acredito no que eu vi! Eu não acredito! Eu vi a professorinha! Eu vi a pexeca da professorinha! Hahaha.... Não estou acreditando! Gente, o guri meteu o pé debaixo da saia da gostosa e ela está sem calcinha! Caralho! Cadê o guri? Vai, guri! Enfia o pé debaixo da saia dela outra vez! Vai, guri, vai!

— Sai daqui, moleque! — gritou Pezão. Maldito! Deixa o moleque em paz!

Caralho, será que o pirralho está gravando tudo isso? Tomara que sim, quero ver aquela cena da saia outra vez, mas em câmera lenta, é claro.

Aaaaaaaaaaaaaaaooooooooooooooooo!!! O guri é foda! Lascou o tênis debaixo das pernas da professorinha outra vez. Uau!!! É a visão do paraíso! Hummmmm!!! Ai que delícia. Putz! Estou ficando de bilau duro. Filma mais! Filma mais! Ahhhhhhhhhh! O Pezão tirou o moleque do quarto. Que bosta! Agora só estou vendo o corredor na tevê. Que bosta! Maldito Pezão dos infernos!

O pirralho voltou pra o seu quarto, com um sorriso sacana no rosto.

— Filmei alguma coisa interessante? — ele perguntou, ofegante. — Ela veio de saia hoje! Consegui filmar a calcinha dela?

— A calcinha? Você nem imagina!! Você está gravando isso, né?

— Acho que sim, eu nem me lembro se coloquei para gravar.

— Puta que o pariu, guri! Diz que está gravando, porra! Você filmou a pexequinha da professora umas duas vezes!

— Caraca!!! É mesmo? Ah, fala sério!

— Sério, porra! A biscate veio sem calcinha!

Galera, só vendo para acreditar, o moleque deu um salto mortal até o vídeo e...

— PUTA MERDA!!! — gritou o pirralho.

— Diz que gravou, vai!

— Não gravei.

Alegria de pobre dura pouco mesmo. Puta que o pariu. Pobre guri, este ficou ainda mais abalado. Perdeu um show e tanto. Ai, só de lembrar daquela câmera filmando por debaixo da saia da professorinha eu já fico excitado... ai ai. Preciso me controlar e acalmar o Nando Jr. Vou entrar no quarto do Pezão. Não vai pegar bem eu entrar de bilau armado.

Bati na porta umas 3 vezes.

— É você outra vez, cacete? — resmungou Pezão.

— Não, sou eu. — respondi.

— Entra, Nando. 

Olhei para minha calça e ... ufa... Nando Jr. já havia se acalmado. Abri a porta e entrei.

— Por quê demorou tanto? — perguntou Pezão.

— A Cremilda me pegou de conversa. — Ah, esqueci de dizer, né? O nome da empregada é Cremilda. Putz! Com um nome desse ela só poderia ser empregada mesmo. Você já imaginou uma Cremilda ganhando o Oscar ou o Prêmio Nobel?

Puta merda! Nando Jr. terá uma batalha enorme pela frente, permanecer calmo na frente da professorinha. Putz grila! Eu já vi muitas garotas bonitas e gostosas nestes anos todos de gandaia, mas eu juro, nunca vi nada parecido com a professorinha. Mas que gaaaaaaaaaaaaaaaaata!!! Dá até vontade de fazer "Shuim! Shuim!". Quem assistiu "Quanto Mais Idiota Melhor" entendeu o que eu quis dizer. Se você ainda não assistiu, corre pra locadora e pega agora mesmo!!! Este filme é duka!!! 

— Esta é a Aneri. — disse Pezão. — A professora mais linda do planeta.

Ela abriu um largo sorriso. Meu Deus, estou me apaixonando. Eu nunca vi um sorriso tão lindo assim em toda a minha vida.

— Ah, não exagera. — ela disse, ainda com aquele sorriso lindo no rosto.

— Este é o meu amigo Nando.

Aproximei-me dela e a beijei no rosto. Senti sua pela macia nos meus lábios por apenas alguns milésimos de segundo, mesmo assim deu pra perceber que era a pele mais macia e gostosa que já toquei. Será que estou sonhando? Isso é uma garota ou uma miragem? Vocês devem estar imaginando como ela deve ser, né? Não a visualizem como uma modelo de passarela, pois ela não tem este perfil. Ela é até baixinha, tem o corpinho atarracado, mas delicioso, tem coxas grossas e a barriguinha malhada. Seus cabelos loiros chegam até os ombros. Ainda não consegui descobrir se seus olhos são azuis ou verdes, só sei que são espetaculares. Ela está usando uma blusinha verde-limão escrito "No-Stress" e, é claro, uma saia azul-marinho, que vai até o joelho. Putz! Nem acredito que eu já vi debaixo daquela saia! Uhuuuuuu! Ops! Acalme-se, Nando Jr.!!!

— Adorei o seu nome, — eu disse. — bem diferente.

— Sim, também adoro o meu nome, é de origem sueca.

— Hummmmmm. Loira e linda deste jeito só podia ser mesmo.

Admito. Estou quase babando em cima da loira. E já estou com a cueca toda melada.

— Na verdade meus pais são suecos, eu nasci aqui no Brasil mesmo, e tenho muito orgulho disso. Sou de Balneário Camboriú, Santa Catarina. Conhece?

— Não, mas se as garotas de lá forem tão lindas como você eu vou pra lá agora mesmo!!!

Ela sorriu outra vez. Ai meu Deus.

— Você nem imagina. Eu sou até feia perto das outras meninas de lá.

Uau. Além de linda a loira fala maravilhosamente bem, e ainda tem uma voz sexy pra diabo. Não, ela não existe, isso deve ser mais um daqueles sonhos onde a gente sempre acorda na melhor parte. Nossa, eu não consigo tirar os olhos dela.

— Bom, acho que por hoje é só. — ela disse, olhando o seu relógio. 

— Ah, fica mais um pouquinho! — disse Pezão, com uma voz chorosa. — Eu preciso praticar mais um pouco aquele último exercício, lembra?

— E quem disse que você precisa de mim para fazer isso?

— É claro que preciso! Você me inspira.

— Safado. Eu preciso mesmo ir. Depois de amanhã eu volto para nossa próxima aula. Pratique bastante, hein! Hoje você errou quase todos meus exercícios.

— A culpa é sua. Hoje você veio ainda mais bonita. Eu perdi a concentração. — Olha o Pezão jogando xaveco furado.

Ela olhou pra mim.

— Olha só como este seu amigo é sem-vergonha! Erra meus exercícios e ainda joga a culpa em mim!

— Você vai me desculpar, mas ele tem razão. Com uma professora linda feito você eu não iria prestar atenção na aula. De jeito algum.

Ela pegou a bolsa sobre a cama do Pezão e dirigiu-se á porta.

— Homem é bicho bobo mesmo. — e saiu rindo pelo corredor.

— Espera, eu te acompanho! — gritou Pezão.

— Eu sei o caminho, não se preocupe! — ela respondeu.

Olhei para o Pezão.

— Seu filho-da-puta sortudo dos infernos!

Pezão riu, e jogou as baquetas em mim. Putz! Uma quase acertou o meu olho direito.

— Agora me responde. É ou não é a mulher mais gostosa que você já viu na sua vida?

— A mais gostosa, a mais bonita, a mais cheirosa, etc... Meu, como é que uma coisinha linda dessa não cai no meu quarto?

— Nos primeiros dias eu ficava de pau duro a aula inteira. Sem brincadeira. Eu acho até que ela percebeu algumas vezes.

— Não tem como não ficar.

— Mas é foda, cara. Ela é difícil, ou se faz de difícil pra mim, sei lá. O pior é que quanto mais ela regula mais vontade eu fico. Tem horas que eu acho que vou explodir de tanto tesão perto dela. O cheiro dela me enlouquece.

— Se eu contar uma coisa você não vai acreditar.

— Contar o quê, cara?

— Você acredita que ela estava sem calcinha?

— Vai tomar no seu cu, Nando! Como é que você sabe? Agora você tem visão de raio x?

— Seu irmão veio aqui alguns minutos antes de mim, não veio?

— Veio, e daí?

— Sabe o que ele veio fazer aqui?

— Sei lá, veio pedir uma caneta emprestada.

— Você que pensa. Ele tinha uma câmera instalada dentro do tênis.

— O quê? Ah, fala sério!

— O pirralho é foda, você sabe disso. Enquanto ele filmava tudo o que se passava no seu quarto eu estava lá no quarto dele assistindo tudo pela tevê.

— Puta merda! Então é por isso que ele estava andando meio estranho?

— Cara, ele botou o tênis entre as pernas da gostosa umas duas vezes. Deu pra ver tudo! Tudinho!!!

— PUTA MERDA!!! — Pezão se jogou na cama de tanto desespero.

— Sério. Pezão, é cabeludinha, uma delícia!

— Seu filho da puta! Não é justo! Eu queria ver primeiro! Não é justo!

— Mas o pior você não sabe.

— O quê?

— Seu querido irmão não gravou.

Pezão ficou puto da vida. Eu cheguei a pensar que ele ia jogar a bateria sobre mim. Ele só não jogou porque sem bateria ele ficaria sem a professorinha, é claro. Putz grila! Vinte minutinhos com aquela loira, era tudo o que eu precisava para ser um cara feliz. Não precisava mais nem menos, vinte minutinhos já seriam suficientes para eu ficar com um sorriso de orelha a orelha para o resto da vida.

Quando eu me preparava para abrir o portão e ir embora para casa, Pezão surgiu na janela do seu quarto e gritou:

— Já sei! Já sei!

Não entendi porra nenhuma. Larguei minha bicicleta sobre o gramado e gritei de volta:

— Já sabe o quê?

— Já sei qual será o nome da nossa banda!

Fodeu. Lá vem merda.

Capítulo 4 · O Primo Jaime

Quando eu me preparava para abrir o portão e ir embora para casa, Pezão surgiu na janela do seu quarto e gritou:

— Já sei! Já sei!

Não entendi porra nenhuma. Larguei minha bicicleta sobre o gramado e gritei de volta:

— Já sabe o quê?

— Já sei qual será o nome da nossa banda!

Fodeu. Lá vem merda.

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— Caçadores de Pé-Vermeio! — gritou Pezão, todo animado.

Puta merda, pior que eu gostei do nome. Hehehe

— Porra, até que não é má idéia!

— Da hora, né? Não sei o que houve, foi como um estalo. De repente bateu este nome na minha cabeça.

— Espera, Pezão! Também senti um estalo!

— Assim não vale! Eu tive o estalo primeiro!

— Calma, eu acho que você vai gostar. Que tal Red-Foot Hunters ???

— Hã? Que porra é isso?

— Seria Caçadores de Pé-Vermeio em inglês!!! Ficou legal pra caralho!

Pezão começou a rir feito um doido.

— Até que ficou bacana. Gostei. 

— Então está decidido! O nome da nossa banda será Red-Foot Hunters! Animal!

Se você não manja de inglês pronuncia-se "Réd Fut Ranters" ... coisa chique.

Senti algo vibrar na minha calça. Na hora pensei que fosse meu bilau sentindo a presença da loira gostosa, mas era apenas o meu celular. O identificador de chamadas acusou o número da minha casa.

— Alô. Mãe?

— Sim, sou eu. Nando, você não se esqueceu de buscar seu primo lá na rodoviária, esqueceu?

— Primo, que primo?

— Seu primo Jaime! Nando, você se esqueceu?

Putz! Esqueci completamente.

— Não, mãe, estou brincando. Já estou aqui na rodoviária esperando ele.

Sou liso que nem um quiabo, né? Hehehe.... Ainda bem que...

— Não mente pra mim, Nando. Eu sei que você se esqueceu. Por quê acha que eu liguei?

— Fica fria, mãe. Eu vou lá buscar o Jaime.

— Anda logo! Está quase na hora do ônibus dele chegar.

— Mãe, só uma pergunta.

— Seja breve.

— O Jaime continua...

— Sim, Nando, continua. E o que você tem com isso? Deixa o rapaz. Cada um cuida da sua vida. Agora desliga isso e corre lá pra rodoviária, vai!

— Sim, mãe, pode deixar.

Assim que eu desliguei o celular Pezão gritou lá da janela:

— Quem era?

— Minha mãe. Esqueci de buscar meu primo na rodoviária.

— Primo, que primo? Ah, aquele que...

Pezão começou a rir.

— Sim, este mesmo. Puta que o pariu!!! Será que eu joguei pedra na cruz?

— Pedra eu não sei, mas você deve ter jogado muita merda de cachorro.

— Quebra o galho, Pezão, dá uma carona pra mim até a rodoviária. Quebra essa.

— Quem quebra galho é macaco. Vai lá você, vai ficar uma gracinha você carregando seu primo de bike. 

Mostrei aquele famoso dedo pra ele. Pezão filho da puta. Não custava nada. Deixa ele.

Subi na bicicleta e comecei a longa pedalada até a rodoviária. Isso me fez lembrar a época em que eu ia buscar a ... Ruthinha. Era tão gostoso. Ela chegava toda cheirosa e eu a abraçava com força, de tanta saudade que eu sentia. Bons tempos, bons tempos. Agora eu estou indo buscar o maldito Jaime. Acho que vocês devem estar curiosos pra saber quem é o meu primo Jaime. Jaime é o único homossexual da minha família, que eu saiba. Putz! Senti até um calafrio na espinha. Bom, vocês já sabem a minha opinião sobre gay, eu não tenho preconceito, cada um faz o que quer com a sua rosca, desde que não mexam na minha. Meu ânus só tem duas finalidades, peidar e cagar. Nada entra ali, comigo não tem este papo de fio-terra, odeio fio-terra, nunca experimentei e não tenho a menor vontade de experimentar. O máximo que já me aconteceu vocês já sabem, eu já contei. Lembrou, né? Isso mesmo, a linguada. Felizmente foi há muito tempo atrás e depois daquela vez nenhuma outra garota repetiu a dose. Bom pra mim e bom pra elas também. Não consigo imaginar como alguém pode ter o prazer em chupar o cu de alguém. Putz! Agora eu caí em contradição, visto que eu mesmo já estive perto de chupar o cu da americana, não é? Pois é, eu acho melhor eu mudar de assunto então... hehehe.

Onde eu estava mesmo? Ah, sim, meu primo Jaime. Jaime mora em Varginha, sul de Minas Gerais. Vocês já devem ter ouvido falar desta cidade. Sim, isso mesmo, o ET. O famoso ET de Varginha. Vocês vão achar que é gozação minha, mas o meu primo assumiu sua homossexualidade logo após a matéria sobre o ET ser exibida pelo Fantástico, da Globo. O motivo? Simples, meu primo Jaime pensou que o fim do mundo estava próximo, então ele decidiu "sair do armário" antes que fosse tarde demais. Putz! Não sei se dá vontade de rir ou de encher o meu primo de tapa. O mundo vai acabar e ele resolve que vai dar o cu? Ah, dá um tempo.

Bom, agora vocês já sabem que o Jaime é gay, mora em Varginha e assumiu seu lado bicha por pensar que o mundo iria acabar. Só faltou eu explicar uma coisa: por quê diabos ele está vindo pra minha casa? Não, ele não vem morar conosco, é apenas uma visita rápida. Jaime é jogador profissional. Sim, e mais, faz parte da delegação brasileira. O gay não é pouca bosta não. Vocês querem saber qual esporte, né? Se vocês pensaram em ginástica artística ... tomaram na cabeça, não é. Jaime é jogador profissional de Peteca. Sim, Jaime é campeão sul-americano de Peteca. Puta merda, dá pra acreditar que tem gente que se reúne pra fazer uma competição de Peteca? Não, pior do que isso, tem gente que sai de casa pra assistir. Jaime acabou de vencer o Campeonato Brasileiro de Peteca, em São Paulo, e aproveitou pra nos visitar. Que bosta, agora quem paga o mico na rodoviária sou eu. Na verdade eu nem sei se irei reconhecê-lo, pois já faz muito tempo que a gente não se vê. A última vez que nos encontramos foi no aniversário do meu avô, nós tínhamos uns 6 ou 7 anos, no máximo. Não vai ser assim tão fácil reconhecê-lo, a não ser que ele desça do busão vestido de rosinha, cantando "It's Raining Man". Acho meio improvável, não? Bom, felizmente a rodoviária é meio afastada e não corro o menor risco de alguém me ver com o Jai...

— Nando, você por aqui???? — alguém disse o meu nome! Santa Pixirica!!! Eu conheço esta voz? Claro que conheço, não me é estranha! Virei-me lentamente, com um nó na garganta e suando frio. Quem poderia ser? Jaime? Não, a voz está feminina demais, não pode ser ele. Minha mãe me disse que ele é gay, não travesti. Será que ele fez operação pra afinar a voz?

Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuta que o pariu!!!!!!! Eu joguei merda na cruz.

— Oi, Joana, como vai?

Caralho, não é possível! O que esta filha da mãe está fazendo aqui? Vocês se lembram da Joana, não lembram? Sim, ela mesma, a maior fofoqueira da cidade, aquela que eu comi na noite do show do Rappa, aquela ... que pensa que eu sou gay. Agora é que fodeu de vez. Se ela me ver com o Jaime... sou um cara morto. Bom, morto é um pouco de exagero, o máximo que poderá acontecer é a cidade inteira pensar que eu sou gay e que namoro o Jaime. Putz!!! Eu prefiro a primeira opção, a morte.

Estou suando frio.

— O que houve? — perguntou Joana.

— Não houve nada, por quê pergunta?

— Parece que você viu um fantasma. Você está branco.

— Branco, eu? Não, eu sempre fui assim mesmo. Nunca gostei de sol.

— Pele sensível?

— Sensível? Não, não tenho nada sensível. Este negócio de sensível é...

— Meio gay? — ela disse com ironia, sorrindo.

— Porra, Joana, você precisa parar com isso. Eu não sou gay!

Ela teve um ataque de risos .... parecia uma hiena com soluço.

— Eu não acho você gay. — disse ela, ainda rindo.

— Não? E por quê está rindo?

— Estou rindo da sua preocupação. 

Acabei rindo também. Não sei se de forma natural ou por nervosismo. De repente uma voz esganiçada grita o meu nome:

— Nando, primo!!! 

A voz vinha lá de trás, mas já dava pra sacar quem era. Se eu falar que a voz é meio parecida com a da Vera Verão vocês vão pensar que eu estou forçando a barra, mas infelizmente é a verdade. Sim, caros amigos, eu definitivamente joguei merda na cruz, ou no ventilador, sei lá.

— Nossa, quem é a biba louca? — sussurrou Joana, olhando espantada por cima do meu ombro.

— Deve ser o meu primo. Ele é gay.

— Deu pra notar, — Joana voltou a rir. — pra falar a verdade daria pra notar a 20 quilômetros de distância.

— É tão ruim assim? — sussurrei de volta.

Ela respondeu mexendo a cabeça, e rindo muito.

— Puta merda! — esbravejei. — Minha mãe me paga!

Virei-me na direção de Jaime e lá estava ele, ou melhor, ela, ou melhor, ele ela. Ah, sei lá que porra era aquilo! Careca, usando um óculos vermelho muito cabuloso, camisa da campanha contra o câncer de mama, vestia uma calça branca bem justa, estava com uma mochila nas costas e carregava uma bolsa pequena com a mão direita. Joana tinha razão, dava pra notar sua viadagem a milhares de quilômetros.

— Oi, primo! — disse Jaime, chamando a atenção de toda a rodoviária.

Eu não sabia o que fazer. Eu estava paralisado de constrangimento. Eu só queria uma coisa, não estar ali.

— É seu primo mesmo ou é... ???

Puta merda! Só me faltava essa! Joana está pensando que....

— Não!!!!!!!!!!!!!!!! — gritei, desesperado. — Aquela coisa ali é meu primo! Primo! Primo! 

Joana ficou espantada.

— Nossa, está bem. — disse ela. — Eu só pensei que poderia ser...

— NÃO!!!!!!!!!! 

Jaime se aproximou. Eu queria tanto sumir dali!!!!!

— O que aconteceu? — perguntou Jaime. — Por quê está nervoso deste jeito?

— Nada não. — respondi olhando para o chão. Estou com tanta vergonha que eu acho que vou ter uma paralisia cerebral a qualquer momento. Eu não sei o que fazer.

— Bom, o meu ônibus já vai sair. — disse Joana, ainda com um sorriso maroto nos lábios. O que será que está se passando na cabeça desta filha da mãe?

— Vocês são namorados? — perguntou Jaime.

— Não. — respondeu Joana.

— Vocês formam um belo par, sabiam? — disse Jaime. Finalmente criei coragem para olhar nos seus olhos.

Joana olhou para mim, e disse:

— Algum dia, talvez.

Opa! Acho que aquele papo dela me achar gay já passou mesmo.

— Mas eu não quero me meter entre vocês dois. — disse Joana.

Como é que é????? Eu ouvi isso?

— Puta merda, Joana!!!! Eu não tenho nada com esta bicha! Ela é apenas meu .... primo.

Joana subiu no ônibus e me deixou falando sozinho. Jaime estava me encarando, puto da vida.

— Ninguém me chama de bicha, está me entendendo???

Fiquei sem graça. Metade da rodoviária olhava pra mim, a outra metade olhava para o meu primo. Eu nunca senti tanta vergonha em toda a minha vida, nem quando eu fiquei só de cueca no meio da estrada eu me senti assim, nem quando eu peidei alto na igreja e o Padre parou o sermão. Se eu pudesse escolher um momento pra morrer eu escolheria este.

— Estou brincando com você, primo! Dá um abraço aqui, vai!

Foda-se, dei um abraço de leve. O cara dá o cu, mas é meu primo.

Começamos a longa jornada até minha casa. Nem preciso dizer que vou procurar as ruas menos movimentadas, né?

— E aí, primo, conte-me as novidades! — disse Jaime, caminhando e rebolando ao mesmo tempo. 

— Novidades? Nenhuma não.

— Você está com vergonha de mim, não é?

— Vergonha, não. Estou com vergonha não.

Jaime parou, largando a bolsa no chão e me encarando com uma cara nada boa. Ficou em silêncio por algum tempo, até que soltou:

— Porra, então fala comigo, caralho!!!! — sua voz saiu grossa, imponente, parecia até que havia alguém lhe dublando. — Você me olha como se eu fosse um monstro, cacete!!!

Eu me senti constrangido. Jaime tinha razão, eu mal olhava para ele. O grande problema é que eu nunca tive amigo gay, eu não sei como lidar com a situação.

— Desculpa. — eu disse, olhando para ele.

Jaime pegou a bolsa do chão e voltou a caminhar. Agora rebolando menos.

— Vamos recomeçar. — disse ele. — Conte-me as novidades.

— Eu e um amigo vamos montar uma banda.

— Banda? Putz grila! Que irado!

— Pois é, vai ser legal pra caralho.

— Qual vai ser o nome?

— Red-Foot Hunters.

— Red-Foot Hunters? Espera aí, deixe-me ver, Caçadores de… pé vermelho? É isso?

— Quase isso, na verdade seria a tradução de Caçadores de Pé-Vermeio?

Jaime caiu na gargalhada. A bicha parecia uma hiena com dor de barriga.

— Ah, agora eu entendi! Pé-Vermeio!!! Hahaha..... Eu não sabia que esta expressão também era conhecida por aqui.

— Oh, se é. E aqui tem muitas, como tem.

— E vocês sempre na caça.

— Opa, com certeza. Pé-Vermeio nasceu pra isso, pra ser caçada e devorada viva.

— Coitadas.

— Elas gostam.

— Mas diz aí, você vai tocar o quê? Você tem cara de guitarrista.

— Eu, guitarrista? Não, errou. Serei o vocalista.

— Nooooooooooooooossa!!!! — Putz! Agora a bicha soltou a franga de uma vez. Ainda bem que não tinha ninguém na rua para presenciar isso. — E você canta bem?

— Só quando estou bêbado.

— Puta merda, eu preciso ouvir isso.

— É meio bizarro.

— Já imaginou se vocês fizerem sucesso??? Não vai se esquecer de mim, hein!

— Pode deixar.

— Porra, Nando, tive uma idéia, deixa eu entrar para a banda de vocês?

— E você sabe tocar algum instrumento?

— Sim, eu toco gaita.

Era só o que me faltava. To fodido, ou melhor, to cagaita.

Capítulo 5 · Carrapato

— Já imaginou se vocês fizerem sucesso??? Não vai se esquecer de mim, hein!

— Pode deixar.

— Porra, Nando, tive uma idéia, deixa eu entrar para a banda de vocês?

— E você sabe tocar algum instrumento?

— Sim, eu toco gaita.

Era só o que me faltava. To fodido, ou melhor, to cagaita.

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Na manhã seguinte....

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrring!!!! Como sempre, o maldito telefone. Nem preciso de IFDP (Identificador de Filho-da-Puta). Você e eu já sabemos quem é. Mas hoje vou atender de outra forma. Saca só:

— Funerária Sr. Muniz, onde sua morte nos deixa feliz. Bom dia, em que posso ajudá-lo?

— Nando, é você, né? Caralho, quem lhe contou?

— Hã? Quem me contou o quê?

— Sobre o Rufos.

— O que tem o Rufos?

— Ele morreu ontem. Não foi por isso que você falou "Funerária Sr. Muniz" ?

— Não, nada a ver. Mas o coitado morreu mesmo? Sacanagem.

— Sacanagem. Morreu morrido mesmo. Está morto. Bateu com a cachuleta.

Ah, vocês não sabem quem é o Rufos. Bom, também não vou contar. Fica mais um segredo entre nós ... pode ser? Hehehe.... Brincadeirinha... brincadeirinha... De segredo já basta Ubatuba, né? Mas reparem bem... de pouco em pouco eu estou revelando alguns detalhes sobre a tragédia de Ubatuba ... quem é esperto já percebeu isso. Junte todas as dicas que eu deixei até agora e você vai ver que já dá pra montar alguma coisa. Ah, eu enrolei e não contei quem é, ou melhor, quem foi Rufos. Rufos era o Pitbull do Pezão. Rufos era um maldito Pitbull obeso que não fazia absolutamente nada o dia inteiro, igual o dono. O ladrão poderia entrar, abaixar a calça e mostrar o bundão branco e cabeludo para o nosso amigo Rufos... e nada aconteceria. Rufos, na pior das hipóteses, levantaria aquela cara gorda do chão e emitiria um lerdo bocejar, deixando cair sua baba nojenta. Rufos era a vergonha da raça. Se algum dia os Pitbulls se reunissem para fazer uma convenção... Rufos seria deserdado. Mas é claro que os Pitbulls teriam de vir até a casa do Pezão para dar a notícia, visto que Rufos certamente nem teria ido à convenção, por preguiça. Pelo menos, Pitbicha ele não era, porque pra ser Pitbicha ele teria de dar o cu, e nem pra dar o cu ele servia. Rufos só se levantava pra comer ou pra largar suas fezes fedorentas pelo quintal. Rufos era o cachorro mais esquisito que eu já vi em toda a minha vida. Só para vocês terem uma idéia, a maioria dos cães morrem de medo de barulho de trovão e fogos de artifício, certo? Bom, pelo menos os cães normais que eu conheci morriam de medo disso. Rufos não. Eu acho que ele até gostava. Rufos só tinha medo de uma coisa, pessoas usando óculos escuros. O pobre coitado se borrava todo. Ele não latia nem nada, ficava estático, em transe. Pobre cachorro gordo e esquisito dos infernos. Descanse em Paz.

— O coitado morreu do quê? — perguntei.

— Assistindo DVD comigo.

— Como é que pode isso?

— A culpa foi minha. Aluguei Matrix Reloaded.

Puuuuuuuuuuuuuuuta que o pariu!!!!! Pobre Rufos.

— Eu acho que ele morreu logo no comecinho do filme, mas eu nem percebi. Quando o filme chegou ao final ele já estava fedendo carniça. Pobre Rufos.

— Ah, a culpa foi sua mesmo, mas não se culpe. O filho da mãe morreria de ataque cardíaco a qualquer momento mesmo.

— É verdade.

Ficamos em silêncio. Emiti um longo bocejar... está cedo ainda, 10 da manhã!!!

— Liguei pra falar outra coisa. — disse ele, após uma longa pausa.

— Porra, nem vem que não tem, não vou aí pra ajudar a enterrar o desgraçado.

— Vai se ferrar, Nando. Pra início de conversa o corpo do Rufos já se foi.

— Você já o enterrou?

— Não enterrei.

— Não?

— Não. Eu doei.

— O quê???? Doou pra quem?

— Passaram uns mendigos pedindo comida. Eu dei o Rufos.

— Você enlouqueceu??? Puta merda, você não está falando sério.

— Estou sim. Enlouqueci por quê? Calma, você não ouviu tudo. Eu não dei só o Rufos, arranjei carvão e uns fósforos pro pessoal. Deu pra sentir o cheirinho de churrasco daqui do meu quarto até.

Puta merda, não sei se desligo o telefone ou saio correndo pra vomitar.

— Nando, você ainda está aí? O que houve? Fala alguma coisa, porra!

— Quando você morrer eu tenho pena da sua alma, Pezão. Puta que o pariu, você vai arder no fogo do inferno. Ah, vai sim.

O filho da mãe começou a rir feito uma hiena com conjuntivite.

— Por quê? — perguntou ele, na maior cara-de-pau. — Organizei um puta churrascão para os mendigos do bairro. Fiz uma boa ação. Só não providenciei a cervejinha e o pagode, mas aí já seria demais, né?

— Cara, eu não sei como eu perco tempo com você. Fala logo o que você queria falar e me deixa voltar a dormir!!!!!

— Dormir? Seu bosta, esqueceu que hoje será o nosso primeiro ensaio?

— Porra, é mesmo. Ah, falando em ensaio... tem gente querendo fazer parte da nossa banda.

— Quem?

— Adivinha.

— Vou adivinhar porra nenhuma! Não sou a Mãe Dinah. Fala logo!

— Só uma dica: quem chegou de viagem ontem?

— Puuuuuuuuuuuuuuuuta merda!!! Nem vem que não tem. O veadão?

— Sim, ele quer tocar junto com a gente.

— Tocar? Mas tocar o quê? A única coisa que ele deve tocar é punheta, e usando o bilau dos outros ainda. Putz!

— Porra, Pezão! Larga mão de ser idiota. O cara toca gaita.

— Depois dessa notícia eu também to cagado.

— Não, eu disse que ele to..ca ... gaita.

— Gaita? Mas que porra de banda tem gaita?

— Sei lá, acho que música country tem gaita.

— Caso encerrado então. Nossa banda é de rock, não é de country. Fala pra ele.

— Calma, não é assim. Deixa que eu vou dar um jeito.

— Porra, agora só falta você arranjar uma bicha que toca flauta, aí a gente monta uma banda gay pra tocar musiquinhas floridas no bosque aos domingos. Ah, puta merda! Era só o que me faltava!

— Pezão.

— Fala.

— Enfia o dedo no cu e morre!!!

— E você pega a gaita do seu primo e...

Bati o telefone na cara do filho da mãe. Mas eu sei que ele vai ligar novamente.

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrring!!!! 

Não falei? Conheço a peste.

— Não se esqueça. — disse ele. — Marquei com a galera, vamos nos reunir aqui em casa às duas da tarde.

— Certo.

— E dá um toque na biba aí, nada de gaita.

— Deixa que eu me viro.

— É mesmo? Vai se virar, é? Hummmmmm....

— Vai se foder.

Desliguei o telefone novamente. Maldito Pezão do caralho, o desgraçado consegue me deixar irritado logo cedo.

De repente a porta do meu quarto se abriu e o clarão do dia invadiu os quatro cantos. Quase fiquei cego.

— Acorda, primo! — Era o maldito primo Jaime.

Hoje eu dormi de bermuda. Geralmente eu durmo peladaço, mas aí eu durmo com a porta do quarto fechada, é claro.

— O que você quer? — perguntei, limpando meus olhos remelentos.

— Eu não agüento mais falar com a tia.

— Minha mãe também está pegando no seu pé? Que bom, talvez assim ela pare de pegar no meu.

— Você vai me perdoar, Nando, mas sua mãe é muito chata.

— Por quê? O que ela fez pra você?

— Ela tem um preconceito enrustido dentro dela, e não admite.

— Como assim?

— Sua mãe é igual o comercial da Nova Schin.

Putz! Só me faltava essa.

— Hã?

— Ela dá a impressão de que aceita a minha homossexualidade, mas no fundo eu sei que ela está louquinha pra me dizer... "Meu sobrinho, por quê você não tenta namorar uma menina? Experimenta! Experimenta! Experimenta!".

Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta que o pariu!!!!! Hahahaha..... Fazia tempo que eu não ria tanto. A última vez que eu ri desta forma foi há duas semanas, quando o Pezão foi tentar se fazer de gostosão para uma mina em frente ao supermercado. A garota estava num carro novinho, tentando estacionar, mas estava toda atrapalhada, coitadinha. De repente Pezão se ofereceu pra ajudar. Parou atrás do carro e foi "guiando" a moça... "Vem pra cá" .. "Vai mais um pouquinho pra direita", e assim por diante. Nem preciso dizer o que aconteceu, né? Sim, a garota detonou o carro. Eu nunca vi o Pezão correr tanto como aquele dia. A garota desceu do carro e gritou tanto palavrão, mas tanto palavrão, que se ela estivesse no Big Brother você só ouviria um piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii de 10 minutos, sem intervalos.

— Falando nisso, você já experimentou algum dia?

— Transar com mulher?

— Sim, já experimentou?

— Claro que já.

Maldito Jaime, foi abrindo as cortinas do meu quarto. Agora eu quase fiquei cego mesmo.

— Não gostou nem um pouquinho?

— Não muito. — ele até fez careta.

— Como é que pode isso? Santa Pixirica. Eu não consigo entender. Mulher é a coisa mais gostosa do mundo. Como é que você não gostou? Você deve ter catado uma mina muito horrível. Será que você não deu azar e catou a Lelê?

— Quem é Lelê?

— Ah, deixa pra lá.

— Sei lá, Nando, eu não gostei.

— Você vai me deculpar, primo, mas eu não consigo entender. Existem quatro coisas no mundo que eu não consigo entender.

Primo Jaime começou a rir.

— Quais?

— Número um, vocês, homens que não gostam de mulher. Número dois, pagodeiro rico. Como é que pode alguém fazer um negócio tão ridículo daquele e ficar rico? São geralmente seis babacas sobre um palco dando dois passinhos pra cá e dois passinhos pra lá. Eu não entendo.

Jaime quase passou mal de tanto rir. Parecia uma hiena com hemorróida.

— Quais as outras duas coisas? — perguntou ele, chorando de tanto rir.

— Número três: como o pinto do Pezão ficou verde se ele passou mostarda?

— Hã? Pezão? Pinto? Verde? Mostarda? Que é isso?

— Deixa pra lá, primo... é uma longa história.

— Tudo bem. Mas agora estou esperando pelo número quatro.

— Certo. Número quatro: como é que a Lois Lane não percebe que o Clark Kent é o Superman? Porra, a mulher é repórter, não é? Como é que ela pode ser tão tapada assim? Garanto que a Ana Paula Padrão desconfiaria, pelo menos. Eu não entendo.

— Puta merda, primo, você cheira um. Fala a verdade.

— Eu? Não. Quando eu quero ficar doidão eu tomo Fanta Uva com Caracu.

— O quê?

— Experimenta! Experimenta! Experimenta!

— Funciona mesmo?

— Se funciona? A última vez que eu tomei eu consegui me trancar dentro do meu próprio quarto.

— Puta merda, isso? Mas isso qualquer idiota faz, nem precisa estar chapado.

— Com a chave do lado de fora?

— Hã? Como você fez isso?

— Sei lá, cara. Sei lá. Só sei que o bagulho é louco.

Ficamos jogando conversa fora até uma hora da tarde. Depois almoçamos. Primo Jaime não largou do meu pé nem por um segundo. Putz! Que saco. O cara é gente boa, mas um veado me seguindo pra todo canto não é algo que eu pedi em minhas orações. E pra ser sincero eu até sou bem modesto nos meus pedidos. Geralmente peço mulher gostosa e um pouco de grana. Ah, um carrinho zero também seria bem-vindo. Porra, está me achando fútil? Eu tenho 18 anos e meu bilau endurece até com desenho animado, o que mais você quer que eu peça?

— Por quê você olha tanto para o relógio? — perguntou Jaime, sentado no sofá com as pernas cruzadas.

Devo mentir ou falar a verdade? Ah, dane-se...

— Hoje pode ser o primeiro encontro da banda.

Jaime ficou todo animadinho.

— É mesmo? Massa!

— Massa? Vocês gays não falam "Super" quando estão alegres?

— De onde você tirou isso?

— Esquece.

Na verdade eu ouvi no Southpark. Lembram do Al Gayzão? hahahaha.... Super!!!

— Mas diz aí, você não conhece os outros integrantes da banda?

— Conheço sim. Bom, só tem um que eu não conheço, o baixista. O cara é irmão da gostosa que dá aula de bateria pro Pezão.

— Pezão. Quem é Pezão? Você já mencionou este figura umas vinte vezes hoje.

— O Pezão é o maior filho-da-puta que eu já conheci. Ah, e é o meu melhor amigo.

— Deu pra perceber.

— A gente se conhece desde pirralho. Já passamos por muitas loucuras juntos. Você nem faz idéia.

Não teve outro jeito. Fui pra casa do Pezão e o primo Jaime veio junto, feito carrapato. Mas eu acho que ele já esqueceu aquele lance de tocar gaita. Espero que tenha esquecido mesmo. Não quero o Pezão me azucrinando por causa disso.

Capítulo 6 · O Celular

Não teve outro jeito. Fui pra casa do Pezão e o primo Jaime veio junto, feito carrapato. Mas eu acho que ele já esqueceu aquele lance de tocar gaita. Espero que tenha esquecido mesmo. Não quero o Pezão me azucrinando por causa disso.

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Fomos caminhando até a mansão do Pezão. Quando chegamos a bicha nem acreditou.

— Caraaaaaaaaaaaaca!!! É aqui que o seu amigo mora?

— Tem gente que nasce com o cu virado pra lua, né?

— Ai, nem me fala isso... até arrepiei.

Putz! Se o cara não fosse meu primo eu acho que batia nele. Estas frescuras me irritam. Já parou pra imaginar um exército de bicha atacando o Iraque? "ai, olha que bomba linda!!! toda verde-oliva!!! combina com a calça nova que eu comprei no brechó" hahaha.... Pensando bem, se o exército fosse gay não haveria guerra, eu acho.

Nem precisei tocar a maldita campainha. Pezão já estava na janela.

— Entra aí, eu deixei o portão destrancado! — gritou ele.

Entrei e primo Jaime ficou parado na calçada.

— O que foi? — perguntei. — Não vai entrar?

— Uma casa deste tamanho. Garanto que tem cachorro bravo. Eu morro de medo de cachorro.

— Entra logo, porra! Não tem cachorro nenhum não. Na verdade tinha, mas virou churrasco pra mendigo.

— Credo! Que nojo.

— Pois é, Pezão e suas idéias. Eu falei que era melhor você ter ficado em casa com a minha mãe, não falei?

— De jeito algum! Sua mãe está quase ligando pra filha de uma amiga dela pra me arranjar um encontro. Acredita? Ela quer me transformar num hetero de qualquer jeito.

Por fim ele entrou. Quando passávamos pelo jardim Pezão gritou novamente:

— Estão todos aqui, Nando! Hoje será um dia histórico para nós. A primeira reunião dos Red-Foot Hunters!!!

— Beleja. — eu respondi, fazendo sinal de jóia.

— Quem é este aí? — perguntou Pezão, apontando para o Jaime.

— Jaime! — respondeu o meu primo, antes de mim. — Sua casa é um espetáculo, hein!

— Valeu. — respondeu Pezão. Putz! Pezão não gostou da presença da bicha. Deu pra notar pelo "valeu". Quando ele fala assim é porque tem alguma coisa errada.

— Meu Deus, seu amigo é um gato! — disse Jaime, todo animado.

— Ah, sai de mim, satanás!!! Eu concordei em trazê-lo aqui, mas se você continuar com estas veadagens eu mando você embora!!!

— Ai, primo! Quando passou aquela morena bonita você comentou comigo, né?

— Ah, é diferente! Além disso eu esqueci que você não é chegado na fruta.

— O Pezão tem namorada?

Puuuuuuuuuuuuuuuta que o pariu!!! Assim não dá, assim não tem jeito! Até aqui eu estava levando o meu primo numa boa, mas eu não sei... se começarem estas veadagens pra cima de mim eu vou acabar me enfezando com esta bicha dos infernos.

— Não sei. — respondi, seco.

— Como não sabe?

— La la la la la la. — tampei os ouvidos e continuei. — La la la la la la la la.

Jaime ficou puto comigo.

— Nossa, primo...

Parei com os "la la la" e disse sério:

— Jaime, quer um conselho? Se eu fosse você ficava longe do Pezão. Além do cara ser um filho-da-puta ele não curte bicha.

— Ah, será mesmo? Olha, Nando, eu tenho experiência nisso. Todos os riquinhos filhinhos de papai que eu conheci até hoje curtem um ativo-passivo.

— Primo do céu, não fala estas coisas perto de mim, por favor!

— Ativo-passivo?

— Porra, não faz isso! Eu não gosto nem de imaginar estas coisas... puta merda!

— Está bem! Está bem! Não está mais aqui quem falou. Fica sossegado, não vou nem falar com o seu amigo. Fica frio.

Adentramos a mansão. Jaime finalmente ficou quieto. Quando nos preparávamos para subir as escadas eu levei um puta tapão nas costas.

— Opa!!! O que é isso? — eu gritei, assustado.

— Fala, carinhas, tudo na paz?

Puuuuuuuuuuuta merda!!! Não acredito! É ele mesmo?

— Pigmeu!!! Quanto tempo, mano! Beleja?

— Beleja, carinha. — respondeu Pigmeu, com os olhos vermelhos. O cara está mais chapado do que nunca.

— Eu pensei que você tinha morri...

De repente Pigmeu lascou um tapão no braço de Jaime.

— Ai!!! — gritou Jaime, todo escandaloso. — Meu filho, você é doido?

— Você não viu? — perguntou Pigmeu, sério.

— Vi o que, porra?

— A largatixa, e era das grandonas!

— Que largatixa??? — gritou Jaime, nervoso. — Ficou louco??? Comeu cocô??? E pra começar nem é largatixa, o correto é lagartixa!!!

Eu dei tanta risada que quase me mijei todo.

— O que houve com as borboletas, Pigmeu? — perguntei, rindo feito uma hiena com soluço.

— Não sei, carinha, elas fogem de mim. As largatixas são mais lentas. Eu gosto mais das largatixas, sabe?

Jaime sussurrou no meu ouvido:

— Este cara está chapadérrimo.

— Porra, primo, só agora você percebeu? — respondi.

— Vamos subir logo isso aqui! — disse Jaime. — Este cara está me deixando nervoso.

Ignorei.

— O que você está fazendo aqui, Pigmeu? — perguntei.

Pigmeu olhava atentamente para as paredes. Puta merda, o cara está mais louco do que antes. Após 20 segundos ele olhou pra mim e respondeu:

— Vim dar uma força pro Grilo.

Porra, é mesmo, esqueci que o Pigmeu é amigão do Grilo, irmão do Mamute.

— Ah, entendi. — eu disse.

Pigmeu continuou olhando para as paredes, e disse:

— A banda de vocês vai fazer sucesso, carinha. Vai por mim. Vocês vão ser mais famosos do que aquela banda......

Pigmeu ficou quase 1 minuto tentando lembrar o nome da tal banda e não conseguiu. Resolvi dar uma ajuda.

— Titãs? Legião? Paralamas? Mamonas?

— Não, nenhuma destas. Vocês serão mais famosos do que os Beatles.

Jaime quase caiu da escada de tanto rir.

— Porra, Pigmeu, obrigado!!! — eu disse, rindo também.

Começamos a subir as escadas novamente. Se déssemos corda para o Pigmeu ficaríamos ali umas 3 semanas.

— Mas Planet Hemp só tem um, carinhas. — disse Pigmeu. — Nem adianta. Planet Hemp e Deus. Estes vocês não alcançam.

Jaime e eu quase rolamos escada abaixo de tanto que ríamos.

— Certo, Pigmeu, Marcelo D-2 detona! — eu disse, rindo feito louco.

— Quem? — perguntou Pigmeu.

Putz!!! O Pigmeu é foda. O cara é uma figuraça. Mas é gente boa.

Finalmente chegamos ao quarto do Pezão. A galera estava toda lá. 

— Porra, Nando! — gritou Pezão, abrindo os braços. — Onde você estava? Mandei o Pigmeu procurar você!

— Tem certeza de que você mandou o Pigmeu me procurar? Eu acho que ele saiu para procurar outra coisa.

— O quê?

— Deixa pra lá. 

Nossa, olha só quem está aqui!!! A loira dos meus sonhos porno-erótico-sensuais. Dei uma olhada completa naquele corpo escultural antes de cumprimentá-la.

— Oi, Aneri, tudo bem? — agarrei a cinturinha e lasquei um beijão naquela bochecha de pele macia.

— Tudo, e você?

— Melhor agora, né?

Ela sorriu pra mim. Ai que coisa linda. Não sei, mas acho que vou ter uma ereção agora mesmo. Controle-se, Nando Jr.!!!!!!!

— Este é o meu irmão, o Bruno.

Puuuuuuuuuuuuuuuta merda!!! Irmão? Tem certeza? O cara mais parece um filhote do capeta com a Vovó Mafalda. Caralho! Cumprimentei o cara, mas tentei manter uma certa distância, confesso que fiquei com medo do cara. É muito feio!!! Imaginem um filho dele com a Lelê!!! Credo em cruz!!! Seria o próprio anticristo!!!

Olhei para o lado e dei de cara com outra criaturinha esquisita, o Grilo.

— E aí, Nando, beleza?

— Beleja, Grilo. Quanto tempo, cara!

Puta merda, outra coisa da mãe natureza que eu não consigo entender. O Grilo é esquelético, parece uma agulha, se ligarem o ventilador ele sai voando. Como é que pode ser irmão do Mamute? Coisas da genética, ou de porra estragada, sei lá.

— É verdade, faz tempo que a gente não se tromba.

— Como vai o mano?

— Ah, meu, eu já falei pra ele voltar a estudar e pá, mas o cara só quer mexer com zona e o escambau. Deixa ele, um dia a casinha dele cai.

— É foda. Ele continua tomando conta da americana?

— Continua porra nenhuma. A loira aprendeu a falar português e se mandou.

— Voltou pra casa?

— Sei lá, acho que não. Deve estar dando a bunda por aí.

Aneri, indignada, interveio:

— Mas como vocês falam merda, hein!!! Putz grila!!!

Pezão entrou no meio.

— Bom, já que estão todos apresentados, agora vamos ao que interessa e...

— Ninguém me apresentou ainda! — disse Jaime, entrando no meio da galera.

Puta merda, o cara parecia um pavão fazendo a dança para atrair a parceira para o acasalamento. Fiquei morrendo de vergonha.

— Este é o Jaime, meu primo de Varginha.

— Varginha? — disse o Grilo. — Igual ET de Varginha?

Putz!!! Ninguém merece, fala sério.

— Isso mesmo. — respondeu Jaime.

— Você já viu algum ET? — perguntou Aneri.

— Só de brinquedo. — respondeu Jaime, sorrindo. — O ET virou mascote da cidade.

— Que legal! — nossa, notei os olhos da loira brilharem ou foi só impressão minha? — Então o povo levou a história do ET na brincadeira, que legal.

— Alguns sim, outros não.

— Ah, agora eu quero que você me conte isso direitinho.

Putz!!! Será que a loira está interessada no.... Ah, não, eu preciso fazer alguma coisa.

— Antes que vocês façam algum comentário eu gostaria de dizer que meu primo Jaime é homossexual assumido. — eu disse. — Certo, primo?

Todos me olharam estranho.

— O que foi? O que foi?

De repente todos começaram a rir da minha cara.

— Puta merda, Nando, você viaja. — disse o Grilo.

Porra, acho que viajei mesmo, seria preciso ser muito tapado pra não perceber que meu primo Jaime não é bicha. Olha só o jeito da figura??? Caramba, a loira já avançou no primo Jaime feito leão numa carcaça de elefante. Mulher adora uma bicha. Elas se sentem menos ameaçadas, sei lá. Porra, se eu soubesse que a Aneri curte um gay eu teria fingido ser um só pra poder ficar agarradinha com ela por alguns minutos.... hehehe

— Porra, vamos ao que interessa ou não??? — gritou Pezão, puto da vida.

— Calma, Pezão, fica frio. — eu disse.

— Fica frio o caralho!!! — respondeu ele. — Nós estamos aqui faz um tempão e ainda nem tiramos os instrumentos para fora!

— Opa!!! — disse Jaime, todo sorridente. — Alguém falou em colocar os instrumentos para fora aí???

Putz!!! Estas veadagens me irritam seriamente. A única que gostou foi a loira. Ela riu feito uma hiena com cócegas. Pensei até que ia mijar na saia. Meu, falando em saia, ela está com as pernas todinhas de fora.... ai que maravilha. Apesar de ser loirinha ela tem o corpo bronzeado de sol, uma loucura.

Eu percebi uma coisa, Pezão está ficando vermelho. Eu acho que ele vai explodir daqui a pouco. Não sei se é porque ainda não "tiramos os instrumentos pra fora" ou é ciúme da loira ou é por causa do primo Jaime. Sei lá, só sei que ele está naqueles dias. É melhor não provocar a fera. A última vez que eu vi o Pezão assim ele jogou uma televisão 20 polegadas na cabeça do Salsicha, um amigo nosso.

Enquanto a galera tirava os instrumentos para fora eu tentei me aproximar da loira.

— Você está linda, Aneri.

— Ah, obrigada! 

Putz!!! Olhei para o decotão da loira e lembrei imediatamente daquele comercial da Coca-Cola, aquele em que o pobre coitado fica de butuca nos peitões da loira e no final diz... "Silicone, só pode ser silicone". Meu, os peitos da Aneri são idênticos aos da loira do comercial, até as pintinhas são parecidas. Será que a Aneri foi dublê da loira no comercial? Sei lá.

— Nossa, preciso ligar para uma amiga minha! — disse ela, de repente. Os peitões até balançaram feito gelatina. É melhor eu parar de olhar ou vou ter uma ereção daquelas.

Aneri se levantou rapidamente, estava procurando sua bolsa. Eu a localizei atrás do travesseiro. Peguei a bolsa e a entreguei em suas mãos. Aneri enfiou a mão delicada dentro da bolsa, mas parece não ter encontrado o que queria. Meu, eu daria qualquer coisa para ela estar procurando uma camisinha para podermos..... ai ai .... to viajando, né? São aqueles peitões maravilhosos, estou ficando louco.

— Droga! — esbravejou a loira. — Esqueci meu celular em casa!

— Se quiser... — antes que eu terminasse a minha frase ela olhou para o Jaime e:

— Empresta o seu pra mim!!!

Jaime enterrou a mão magra no bolso da calça e retirou um minúsculo celular. Tão pequeno que parecia uma caixinha de fósforo.

— Nossa, que fofo!!! — disse Aneri, toda contente, tomando o celular das mãos do primo Jaime. — É rapidinho, já já eu devolvo, tá?

— Use à vontade.

Aneri meteu o celular no ouvido e saiu do quarto, com seu andar rebolado.

— Calma, Nando, aponta isso pra outro lado!!! — disse Jaime, rindo da minha cara, olhando para o meu....

Putz!!! Olhei para a minha calça e notei uma pequena ereção. Caraca, fiquei de pau duro e nem percebi. Acho que aconteceu quando a loira saiu rebolando com o celular no ouvido.

— Você está doidinho pra traçar a siliconada, não está? — disse Jaime, em voz baixa. Acho que o irmão dela quase ouviu.

— Mas é claro, quem não quer? Você disse siliconada? Você acha mesmo?

— Ai, meu filho, aquilo ali é silicone. Vai por mim. Ninguém tem aquilo ali de graça não.

— Ah, você não entende nada disso. Nem gosta da fruta. Fica quieto.

— Posso não gostar, mas eu entendo sim. Várias amigas já colocaram e eu já segurei em minhas mãos. Sei exatamente do que estou falando.

— Puta merda! Conta isso, como assim já segurou?

— Mulher é um bicho inseguro também, Nando. Enquanto eu não segurava, apertava e beliscava pra sentir o novo material elas não sossegavam. E é claro que elas não fariam isso com qualquer um na rua, né? Elas me procuravam. Eu fazia contra a minha vontade, mas fazia.

— Seu bicha dos infernos!!! Não é justo!!! Quando elas procurarem por você mande elas passarem lá em casa que eu faço.

Jaime começou a rir.

— Ah, tá, elas virão de Varginha até aqui só pra você conferir os peitos novos. Prepare-se, pois farão fila. Você viaja, primo.

De repente Aneri retornou, com um largo sorriso nos lábios. A visão do paraíso.

— Muito obrigadinha, Jaime! — ela inclinou pra devolver o celular e meus olhos não resistiram, mergulharam no decotão dela. Quase caí de cabeça nos melões.

— Não precisa agradecer. — respondeu Jaime, com cara de bunda, guardando o celular novamente no bolso.

— Preciso ir, gente. Minha amiga acabou de brigar com o namorado e está prestes a atacar a geladeira e caixas de bombons. Não posso permitir isso, não é? Homem nenhum neste mundo vale este sofrimento todo. Bom, alguns até valem.

Caraca, é impressão minha ou a loira está jogando verde pra cima do meu primo?

— Tchauzinho, pessoal! Se der eu volto mais tarde.

Putz! Que bosta, sem a loira isso aqui vai ficar uma merda. Um monte de cueca e uma bicha sentada na cama. Pesadelo total.

Aneri se despediu de todos e quando se preparava pra deixar o quarto...

— Ah, Jaime. — disse ela, encostada na porta.

— Sim. — respondeu meu primo.

— Seu celular tem gravador de voz, né?

— Sim, acho que tem. Nunca usei isso.

A loira deu um sorriso do tamanho de um bonde. Se eu já não fosse maluco por ela eu juro que me apaixonaria ali mesmo.

— Mas eu não entendi. — prosseguiu Jaime. — O que é que tem?

— Nada não, Jaime, nada não. — ela sorriu novamente, e saiu pelo corredor.

Na mesma hora eu corri até meu primo e pedi o celular emprestado.

— Anda logo! Anda logo! Passa este celular pra cá!

— O que você quer?

— Eu quero verificar uma coisa.

Peguei o celular, mas o maldito é de uma marca diferente da minha.

— Como é que eu acesso o gravador? — perguntei, desesperado.

Jaime tomou o celular da minha mão e acessou o gravador.

— Que estranho, tem uma gravação aqui. Mas eu nunca...

Tomei o celular da mão dele.

— Porra, primo! — gritei. — Você é devagar, hein!!! Acorda!!!

Acho que finalmente caiu a ficha.

— Hummmmmmm! Você acha que ela gravou alguma coisa aí?

— Não, seu imbecil, foi o ET de Varginha que gravou!

Coloquei o celular no ouvido e selecionei a opção Ouvir Gravação. 

Galera, vocês não vão acreditar. Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta que o pariu!!! Caraca!!! O que é isso??? Santa Pixirica!!!

Capítulo 7 · Matei!!! Matei!!!

Tomei o celular da mão dele.

— Porra, primo! — gritei. — Você é devagar, hein!!! Acorda!!!

Acho que finalmente caiu a ficha.

— Hummmmmmm! Você acha que ela gravou alguma coisa aí?

— Não, seu imbecil, foi o ET de Varginha que gravou!

Coloquei o celular no ouvido e selecionei a opção Ouvir Gravação. 

Galera, vocês não vão acreditar. Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta que o pariu!!! Caraca!!! O que é isso??? Santa Pixirica!!!

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— Eu quero ouvir! — gritou Pezão, vindo em minha direção feito uma bala.

— Nem vem! Eu quero ouvir novamente e...

De repente senti algo bater com toda a força em minhas costas.

— Olha que puta largatixa gigante!!!!! Mas eu matei!!!!! Matei!!!!

Maldito Pigmeu filho de uma puuuuuuuuuuuuuuuuuuta!!! O desgraçado me deu um tapão tão forte que eu joguei o celular na casa do caralho. Não necessariamente na casa do caralho, mas só sei que ele saiu voando pela janela.

— Nããããããããããããããããããoooo!!!! — gritou Pezão, desesperado.

Corremos todos para a janela. Ao olharmos lá pra baixo veio a decepção, PT. Não confunda com o Partido dos Trabalhadores, eu quis dizer Perda Total. O celular se espatifou em 80 pedacinhos diferentes. Lágrimas escorreram dos olhos de Pezão. Sim, amigos, Pezão também chora. Poucas vezes em minha vida eu tive a oportunidade de ver uma cena como esta. Filhos-da-puta também choram.

— Pigmeu, seu filho-da-mãe!!!! — gritou Pezão, vermelho de raiva.

— Meu celular, seu maloqueiro idiota!!! — gritou Jaime, histérico.

Eu também queria gritar com Pigmeu, mas fiquei com pena do maluco. Ele só queria matar a lagartixa... hehehe.

— Por quê vocês estão bravos? — disse Pigmeu, na maior calma do mundo, como se nada tivesse acontecido. — Matei a largatixa gigante, não matei? Eu vi ela atacar o Nando e eu matei. Matei com minhas próprias mãos. Eu matei!!!

Pezão pulou na direção de Pigmeu feito uma leoa pulando sobre um búfalo.

— Eu mato este cheirador de cola do caralho!!! Eu mato!!!

Pezão grudou no pescoço magro de Pigmeu e quase não conseguimos soltá-lo. Se não estivéssemos ali Pezão teria mandado Pigmeu pra casa do chapéu. E conhecendo bem o desgraçado, garanto que Pezão daria o corpo para os mendigos fazerem churrasquinho novamente.

— Larga o Pigmeu! — gritou o Grilo, puxando Pezão pela camisa.

— Relaxa, carinha!!! — repetia Pigmeu. — A largatixa já....

— Cala esta boca!!! — gritou Pezão. — Se você disser "largatixa" mais uma vez eu jogo você pela janela, porra!!!

Acho que está na hora de tirar Pigmeu de cena.

— Vamos dar uma voltinha, Pigmeu. — eu disse, já puxando o figura pelo braço. — Preciso falar um negócio contigo.

Enquanto eu levava Pigmeu até o portão ele me deu outros 2 tapas.

— Outra lagartixa??? — comecei a rir antes de terminar a frase, mas ele nem percebeu.

— Não, era uma borboleta enorme, carinha. Ás vezes elas voltam.

Puta merda, você também tem de aturar amigos assim? Eu, hein!!! Aquela música do Milton Nascimento diz que amigo é coisa pra se guardar debaixo de 7 chaves, mas eu tenho alguns que dá vontade de jogar no porão e trancar com umas 7 fechaduras diferentes. O foda é que eu tenho pena do Pigmeu, o cara pode ser meio doidão, mas é gente boa, não faz mal pra ninguém. Abri o portão e falei pra ele:

— Beleja, Pigmeu, a gente se vê por aí.

Pigmeu ficou me olhando com aqueles olhos de peixe morto por uns 20 segundos, e respondeu com toda a calma que só ele tem:

— Certo, carinha.

— Tudo de bom, Pigmeu. — e mostrei o portão aberto.

Outra pausa.

— Mas pra onde eu vou mesmo? — perguntou ele.

— Sei lá. Você não tem casa?

— Ah, sim. Acho que tenho. Você lembra onde fica?

Puta merda, isso aqui já está me irritando. Conversar com maluco é foda.

— Basta seguir as lagartixas, Pigmeu.

— Ah, é verdade, bem sacado. Você é esperto, Nando. Sabe, eu sempre achei você o mais esperto da galera. Você só perde pro Marley.

Marley? Que Marley? Não conheço nenhum Marley. Ah, foda-se, se eu der corda pro Pigmeu eu não saio daqui tão cedo.

— Valeu, brother. O Marley é o melhor. Agora vai, estão esperando por você.

— É verdade. Estão sim.

— Sim, o Gnomo quer conversar um negócio contigo. Lembra?

— Claro, um negócio importante. Muito bem lembrado.

Santa pixirica!!!! Finalmente Pigmeu passou pelo portão e se foi. Agora eu me pergunto, quem é Gnomo???? hahaha.... eu inventei de última hora. Ah, dane-se, o importante é que Pigmeu largou do meu pé. Putz!!!! Ele está voltando!!! Corri pelo jardim feito um louco, só deu pra ouvir o Pigmeu gritando no portão:

— Agora eu me lembrei, o Gnomo também queria falar um negócio importante com o Marley!!! Chama ele aí!!!

Nem olhei para trás, continuei correndo. Eu só reparei num negócio, foi a primeira vez que eu ouvi o Pigmeu gritar. Sinistro.

Voltei pro quarto e o clima não estava bom. Pezão estava puto da vida por não ter ouvido a gravação misteriosa de Aneri; Jaime estava injuriado por ter perdido o celular; Grilo estava puto porque Pezão quase enforcara o amigo Pigmeu e Bruno porque... ah, sei lá, o rapaz já tem cara de cuzão mesmo.

— O que ela disse na gravação? — perguntou Pezão.

— Meu, vai por mim, é melhor eu nem contar.

— Por quê?

— Porque você vai chorar. — olhei para meu primo Jaime. — Este filho da puta não tem noção da sorte que tem.

— Sorte, que sorte? — disse Jaime, espantado. — Acabei de perder meu celular novinho. Onde você está vendo sorte?

— Se você soubesse o que a Aneri gravou no seu celular você entenderia.

— Porra, a loira quer dar pra bicha louca? — disse Pezão.

— Ei, olha como você fala comigo, hein!!! — Jaime ficou puto.

— Não fala merda da minha irmã também não! — disse Bruno, após um longo período em silêncio.

— Conta logo o que ela gravou no celular e acaba com isso! — disse Jaime.

— O que adianta? Você não gosta da fruta mesmo, aposto que vai ficar com nojo.

— Provavelmente. Mas conta assim mesmo, seu amiguinho parece estar bem interessado em saber.

Putz!!! Pezão vai avançar no pescoço do primo Jaime, já estou até vendo. Não, isso não aconteceu. Pezão sentou-se perto da bateria e ficou resmungando sozinho:

— Caralho, eu não entendo. Todos estes dias eu fiz de tudo e não consegui nem um beijo. A bicha aparece e a loira já quer fazer glu-glu e tudo.

— Sai fora, cara! — disse Bruno. — Minha irmã não é dessas não, entendeu?

— Com todo o respeito, cara. — eu disse para o rapaz. — Você vai me desculpar, mas o Pezão está certo. Sua irmã disse que queria fazer isso .... e muito mais.

Bruno veio em minha direção. Jaime o segurou.

— Seu filho-da-puta!!! — gritou Bruno, tentando se soltar de Jaime. — Se você disser mais uma coisa da minha mana eu arrebento sua cara.

Pobre rapaz, acha que a mana é uma santa. Cuecada de plantão, se eu contar o que tinha naquela gravação eu garanto que todos vocês vão sair correndo pro banheiro. Não vai sobrar ninguém aqui pra ler o resto deste capítulo. Como diz o seu Creyçon, eu agarântiu.

— Em respeito a você e sua irmã eu não vou contar o que ela gravou.

— Acho bom mesmo.

— Não por sua causa, porque eu nunca tive medo de mano metido a valente, mas porque eu gosto da sua irmã.

— Porra, Nando, conta logo e pára de drama! — disse Grilo.

— Não.

De repente o pirralho, irmão do Pezão, entrou no quarto. Estava com os pedaços do celular quebrado nas mãos.

— De quem era este celular? — ele perguntou, com um sorriso sacana nos lábios.

— Meu. — respondeu Jaime.

— Posso ficar com o que sobrou dele?

Notei os olhos de Pezão arregalando.

— Você sabe arrumar? — perguntou ele.

— Não, mas eu quero fazer algumas experiências.

— Faça bom proveito. — disse Jaime. — Virou sucata mesmo.

— Valeu! — o pirralho saiu pela porta todo animado. Alguma coisa ele está aprontando. Se algum dia fizerem um filme sobre aquele desenho animado "O Laboratório de Dexter" eu já sei quem poderá interpretar o papel principal. O pirralho leva jeito.

— Pentelho bicha dos infernos. — resmungou Pezão, e olhou para Jaime — Ele vai usar o seu celular pra fazer um vibrador.

Senti vontade de rir.

— Um vibrador? — sorriu Jaime. — Não seria uma má idéia.

— Não se anime, Jaime. — eu disse. — O pirralho é foda, é bem capaz dele criar uma bomba-relógio com o seu celular. Aquele moleque vai ser terrorista um dia.

— Porra, nós vamos fazer o nosso primeiro ensaio ou não? — gritou Pezão.

Não sei se há clima pra tal, mas a galera começou a ajeitar os instrumentos. Pra ser sincero eu não tenho a menor idéia de como vamos começar o tal do ensaio. Eu só canto no chuveiro e olhe lá. Aquele dia no churrasco foi algo anormal, eu estava pra lá da casa do chapéu, eu já tinha tomado todas e muitas outras, eu já estava chamando urubu de minha Carla Perez. Bom, acho que vocês já entenderam. Eu estava chapadaço.

Putz! As coisas aconteceram tão rápido que eu nem tive tempo pra raciocinar. Vocês já perceberam uma coisa? Eu e Pezão queremos comer a loira, a loira quer dar para o Jaime, Jaime quer dar para o Pezão. Meu, que rolo!!! Bom, ninguém querendo me comer eu já fico satisfeito, né? hahaha.... Sei lá, o irmão da loira me parece ser daquelas bichas que ainda não saíram do armário.

Oh, que cara é esta? Já sei, você está frustrado comigo por eu não ter contado o que tinha na gravação da Aneri, certo? Calma, eu vou contar. Você já ligou alguma vez para aqueles números de tele-sexo? Já? Então esqueça, o que a loira gravou no celular do meu primo supera tudo aquilo. Pronto. Contei. Relaxa, não fique puto comigo, um dia eu conto, no mesmo dia em que eu contar o que aconteceu em Ubatuba... hehehe. Fica frio, um bom segredo é gostoso. Você se lembra de quando descobriu que Papai Noel é apenas um gordo vestido de vermelho? Foi chato, não foi? Então... relaxa.

Um bom tempo depois....

— Estamos prontos, Nando. — disse Pezão. Estavam todos olhando pra mim.

— Sim, e daí?

— Porra, você não é o vocalista! — disse Grilo.

— Ah, é verdade.

Caralho, eu tinha até me esquecido. Fala sério, nossa banda vai ser a melhor ou não vai? hahaha....

— Como é que se começa um ensaio?

— O Bruno já teve uma banda, ele trouxe algumas partituras. — disse Pezão.

— Nós poderíamos começar com algumas músicas do Legião Urbana, o ritmo é lento e...

— Sim, vamos lá então.

Bruno me passou a letra da música. Eu conheço, você conhece, todos conhecemos. Mas... será que eu consigo cantá-la?

— Detona, primo! — disse Jaime, bem gay. Putz, este era o último grito de incentivo que eu gostaria de ter ouvido... hahaha. Teria sido muito melhor se a Aneri estivesse aqui. Mulher gostosa sempre inspira.

— Bom, todos prontos? — perguntou Pezão.

Vi todos fazendo sinal de positivo. Será que Pezão melhorou tanto assim na bateria? Putz, não falei? Mulher gostosa inspira mesmo. Com uma professora daquelas eu estaria cantando melhor que o Frank Sinatra.

— Vamos quebrar tudo, galera! — gritou Grilo.

Todos olhamos para ele, rindo.

— O que foi? — ele ficou sem graça. — Foi só um grito de incentivo!

— Puta merda, isso aqui está mais pra Mamonas Assassinas. — disse Jaime.

— Bom, agora é pra valer. — disse Pezão, começando a bater as baquetas umas nas outras. — 1... 2... 3... e...

Capítulo 8 · A Menina Bruxa

— Vamos quebrar tudo, galera! — gritou Grilo.

Todos olhamos para ele, rindo.

— O que foi? — ele ficou sem graça. — Foi só um grito de incentivo!

— Puta merda, isso aqui está mais pra Mamonas Assassinas. — disse Jaime.

— Bom, agora é pra valer. — disse Pezão, começando a bater as baquetas umas nas outras. — 1... 2... 3... e...

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Legião Urbana. Aposto que todos vocês conhecem, então cantem comigo.

Comecei:

— Quaaaaaaaaaando o soooool baaaaaaaater na janeeeeeeeela do teu....

— Pára tudo! Pára tudo! Pára tudo! — gritou Bruno. — Puta que o pariu! É este cara que vai ser o nosso vocalista?

Fiquei tão puto que eu quase arranquei meu tênis pra jogar no safado. Eu disse "tênis", tá? Não fiquei com tanta raiva assim, né?

— Sou eu mesmo, e daí?

— Puta merda, cara, onde você aprendeu a cantar deste jeito?

— Com a vaca da sua mãe, por quê?

O cara ficou puto e veio pra cima de mim. Desta vez ninguém conseguiu lhe segurar, e pra falar a verdade eu nem queria isso, eu estava mesmo a fim de briga. A mão do desgraçado passou próxima do meu rosto, mas eu desviei e lhe dei um soco no estômago. Bruno caiu feito um saco de batatas no chão. Neste momento senti Pezão e Grilo me segurarem pelos braços.

— Calma aí, cara! — repetia Grilo.

— Caralho, mas que bosta de banda. — disse Pezão.

— Homens. — disse Jaime, balançando a cabeça negativamente. — Não consigo entender vocês.

— CALA A BOCA, BICHA DOS INFERNOS!!!! — gritamos eu, Pezão e Grilo, juntos.

— Eu, hein! Pra que tanta violência? — Jaime aproximou-se de Bruno e ficou de joelhos. — Você está bem?

Bruno deu uma gemida meio esquisita e respondeu, olhando pra mim:

— Filho da puta, vai cantar mal assim lá na casa do caralho.

Desta vez eu não fiquei bravo, acabei rindo da situação. Na verdade todos nós rimos. Afinal de contas, pensando bem, ele não mentiu. Eu realmente não sei cantar porra nenhuma. Só sei cantar mulher... e de uns tempos pra cá... nem isso estou fazendo direito.

Ofereci a minha mão para o cara se levantar. Ele não me olhou com bons olhos, mas acabou aceitando. Não, não o abracei. Sai fora! Não tenho nada contra, mas isso aqui não é novela das seis, né?

Pezão deixou o quarto tão rápido que eu só percebi agora.

— Cadê o Pezão? — perguntei.

— Sei lá, disse que ia pegar alguma coisa lá na cozinha.

— Foi nada. Quando ele some assim é porque foi bater um barro. Conheço o figura.

— Primo, você não canta daquele jeito, canta? — perguntou-me Jaime.

— Canto.

— Então tchau, pardal.

— Que pardal? — perguntou Grilo.

— Esquece. — primo Jaime saiu balançando a cabeça e sentou-se na cama.

Pezão voltou para o quarto com 2 garrafas de cerveja e 1 copo. Estranho.. 1 copo?

— Aêeeeeeeeeee, grande Pé! — disse o Grilo. — Agora sim! Cerva!

Pezão olhou feio para ele, dizendo:

— Se liga, porra! A cerveja é para o Nando!

— Hã? — até eu me espantei. — Como é que é?

— Caralho, Nando, esqueceu?

— Do quê?

— Esqueceu que você só canta bem quando está chapado?

— Como é que é? — perguntou Bruno.

— Este merda aí só sabe cantar quando está pra lá da casa do caralho.

— Pezão. — eu o chamei.

— O que é?

— Enfia o dedão no cu e morre!!!

Pezão nem me deu atenção, estava abrindo uma das garrafas. Não vou falar a marca porque não vou ganhar 1 centavo mesmo, então fiquem na curiosidade aí. Só sei que, pelas gotinhas escorrendo, está geladíssima! Uhuuuuuuuuuu!!! Já estou no lucro. Mesmo que o ensaio seja uma bosta eu vou tomar umas geladas na faixa! hahaha....

Pezão encheu o copo e me ofereceu.

— Anda logo, não temos o dia todo!

— Porra, espera aí! Eu vou tomar sozinho? Sacanagem, oferece pra galera também.

— Depois eu pego mais. Agora toma!

Bom, nunca recusei cerveja na minha vida, não seria agora que eu ia começar, né? hehehe.... Peguei o copo e senti até os ossinhos da minha mão gelarem. A cerva estava realmente gelada, coisa de louco. Virei o copo na boca e tomei num gole só. Maravilha.

— Caralho, vocês vão ficar olhando pra mim? Perde até a graça.

— Pensando melhor eu acho que seria mais aconselhável algo mais forte, algo pra fazer você chapar mais rápido.

Puta merda, tantas vezes para o Pezão usar o minúsculo cérebro que ele tem... e ele resolve usar justo agora. Que merda.

— Não precisa, Pezão, passa esta segunda garrafa que eu juro chapar rapidinho.

— Vai nada! Parece até que eu não lhe conheço, caralho. Espera aí, eu já volto.

Quando Pezão deixou o quarto todo mundo avançou na segunda garrafa, até o primo Jaime.

— Caralho, primo! Você também chapa o globo?

— Também sou filho de Deus!

— Filho ou FILHA de Deus?

— Nando.

— O quê?

— Enfia o dedo no cu e morre!!!

— Vai tomar no seu cu, primo! Quem fala isso sou eu, nem vem!

Puta merda, viu? O clima está foda aqui neste quarto. Estão vendo a falta que faz uma mulher? Principalmente uma mulher gostosa como a Aneri, né? Eita bicho bão. Se Deus criou alguma coisa melhor... guardou pra ele, com cerveja. Será que tem rodinha de pagode no céu? Putz! Tomara que não. Tomara que tenha só a rodinha.... hehehe.

Minutos depois Pezão voltou com um copo cheio de um líquido branco.

— Caralho, Pezão! Que porra é esta?

Antes que Pezão respondesse, Grilo disse:

— Porra não pode ser. Nem que o Pezão ficasse 5 anos batendo punheta no copo.

Ninguém riu da piada, é claro. Só o próprio Grilo. Maldito Grilo dos infernos, tinha que ser irmão do Mamute mesmo.

— Eu não queria mostrar isso ainda, — disse Pezão — pois o mundo ainda não está preparado. Bom, foda-se, um dia isso iria acontecer mesmo.

— Mas do que você está falando? Comeu cocô? Cheirou bosta? Que papo é este de que o mundo não está preparado?

Pezão segurou o copo como se estivesse segurando o Cálice Sagrado. Mas pra mim continuava sendo apenas um copo com um negócio branco meio suspeito.

— Galera, eu lhes apresento a batida Pezão.

Todos caímos na gargalhada, parecíamos hienas com prisão de ventre.

— Batida Pezão? Puta merda!!! E quem é que vai querer tomar isso?

— Você, Nando.

Ah, mas nem morto!!! hahaha ... O negócio parece.... bem, vocês sabem.... branco... putz!!! Que nojo!!!

— Vá sonhando, Pezão. Não tomo isso aí de jeito algum. Nem a pau, Juvenal.

— Por quê não? Não tem nada de errado com a minha batida, caralho!

— Claro que tem! Foi você quem fez, só por isso já me dá arrepio na espinha.

— Vai tomar no seu cu. Se tivesse algum engrediente duvidoso eu faria isso aqui? — Pezão tomou o conteúdo do copo num gole só. Senti uma certa ânsia de vômito. Afinal de contas o negócio parecia... você sabe.

Bom, Pezão não fez nenhuma careta ao tomar o bagulho. Muito pelo contrário, fez até cara de gozo. Ah, sei lá, mas eu ainda continuo com nojo da bagaça.

— Caralho, o negócio é bom demais! — disse Pezão, lambendo os beiços chapiscados com o líquido branco do copo. — Eu vou ficar rico com isso aqui.

— Sinto muito, cara, mas eu não vou tomar isso aí não.

— Porra, Nando!!!

— Justamente por isso. — eu caí na gargalhada, sozinho. Acho que só eu entendi a piada.

— Eu estou falando, o bagulho é do bom. Você sabe que a minha mãe tem um puta estoque de bebidas importadas aqui em casa. A batida Pezão é uma mistura de algumas delas com alguns ingredientes secretos.

— Este é o meu medo.

— Vai se foder, cara. Quando eu digo secreto eu não quis dizer sacanagem não. São secretos apenas porque eu ainda vou patentear esta porra.

— Ahá! Está vendo? Acabou de se entregar.

— Estou falando sério, cara. Não tem nada de bizarro na batida Pezão. Pode confiar. Eu só lhe digo uma coisa, o bagulho chapa mesmo. Tomei só um copinho e já estou vendo coisas. Estou vendo até uma bruxa atrás de você.

— Ah, fala sério.

Todos olharam pra mim, assustados. Na verdade não olhavam pra mim, mas para alguma coisa atrás de mim. Virei-me de costas e...

— Puuuuuuuuuuuuuuuta merda!!! Sai de mim, satanás!!!

A menina ficou olhando pra mim totalmente indiferente.

— Ah, não é uma bruxa, — disse Pezão. — é a Samyres.

Samyres? Que Samyres? Ah, espera aí, é esta a namorada do pirralho metido a Bill Gates? Putz grila, se eu descrever pra vocês o naipe da menina vocês não vão acreditar em mim. A menina deve ter uns 14 ou 15 anos, é branca feito um papel sulfite, usa umas lentes de contato de cor roxa, tem cabelos tão compridos que ultrapassam a cintura. Está toda de preto, usando uma camiseta do Motorhead. Bom, apesar de muito esquisita, olhando bem pra ela ... até que é bonita. É estranha pra caralho, mas é bonitinha.

— Desculpa pela brincadeira. — eu disse, olhando seus olhos roxos.

Ela continuou me olhando com indiferença, como se nada tivesse acontecido. Após alguns segundos ela finalmente disse algo:

— Firmão. Sem casca.

Sem casca? Mas que porra de língua esta menina fala?

— Perdão, não entendi.

O pirralho entrou no quarto, todo posudo. Abraçou a menina bruxa. Maldito pirralho, o garoto está ficando sem-vergonha igual a gente? hahaha... Fodeu.

— Sem casca quer dizer "sem problema". — ela respondeu, com um ar de indiferença tão grande. Puta merda, será que ela está viva? Pela cor da pele não dá pra saber, a mina é tão branca que mais um pouco fica invisível.

Pezão passou por mim, dizendo:

— Vou fazer mais um pouco da batida. Você vai ver como isso aqui chapa, cara.

— Eu não vou tomar isso aí, Pezão. Nem vem que não tem.

— Fica frio, vou fazer um pouco e você experimenta. Você vai ver, cara, o negócio é tão bom que eu vou ficar rico. Vai por mim.

— E tem mais, você sabe muito bem que sempre toma no cu quando pega as bebidas da sua mãe. 

— Ah, ela nem vai perceber. Tem um monte mesmo. A velha está ficando cachaceira.

— É a falta de homem. — sussurrei.

— O que você disse?

Putz! O que deu no Pezão hoje? Oferece cerveja. Cria batidas. E agora tem super audição? Caralho! Que porra de Pezão é este? Cadê aquele Pezão que oferece cachorro morto pra mendigo fazer churrasquinho?

— Queremos ficar pra ver o ensaio da banda, podemos? — perguntou o piralho.

— Ah, fica aí, mas eu já vou logo avisando, vocês estão prestes a ver a pior banda de todos os tempos.

— Vocês tocam pagode? — perguntou a menina bruxa, com o mesmo olhar de peixe morto de sempre. Estou começando a desconfiar que esta menina está morta. Tipo aquelas histórias em que o cara conhece uma garota, come o cu dela e no dia seguinte descobre que ela estava morta há 20 anos. O pirralho que se cuide.

— Pagode? Enfia o dedo no cu e morre.

Acreditam que a menina nem piscou quando eu disse isso? Eu, hein!

— Firmão. Então não pode ser tão zureba.

Caralho, a mina além de estranha ... fala em outra língua. Sorte que o pirralho também é meio esquisitão, então os dois se completam.

— Zuré o quê? — perguntou Jaime.

— Zureba. — respondeu o pirralho. — Significa coisa ruim.

— Entendi.

Olhei para o Jaime, ele fez aquele famoso sinal, girando o dedo indicador ao redor do ouvido. Concordo com ele, a mina é meio pinel.

— Não cantamos pagode, mas também somos ruins pra caralho.

— Ela só curte metal. — disse o pirralho, sentando-se na cama com a namorada, ficando ao lado do Jaime. Meu primo não tirava os olhos dos longos cabelos negros da menina. Não dou nem 2 minutos pra ele perguntar qual o condicionador ela usa. 

— Metaleira então? Olhando pra ela ninguém perceberia.

Jaime e o pirralho acharam graça. A menina não. Bom, não sei se achou, ela não tem expressão facial. Se você mandar ela tomar no cu ou mandar ela tomar café a reação será a mesma. Só uma coisa me deixou encantado por ela, o olhar. As lentes de contato roxas que ela usa são estaile pra caralho.

— Muito legais suas lentes de contato.

— Não são lentes de contato. — ela respondeu, pausadamente.

— Ah, fala sério.

— É verdade, cara, — disse o pirralho. — não são lentes. Sinistro, né?

— Malévolos. — disse Jaime, quase comendo os cabelos da menina com os olhos. — Você tem cabelos maravilhosos, garota. O que você usa?

Ahá! Eu não disse? Quando alguém olha pro seu cabelo desta forma é porque adorou ou achou cocô de passarinho.

A menina virou-se para o Jaime com aquele olhar frio de sempre e respondeu:

— É mijo.

Jaime quase teve um faniquito. Pulou da cama com os dedos no nariz.

— Credo!!! É sério?

Claro que não, bicha burra do caralho. A menina fantasma deve estar apenas brincando com vo.....

— É verdade, — disse a menina. — é mijo, mas com açúcar e um pouquinho de água pra tirar o cheiro ruim.

Puuuuuuuuuuuuuuuuuuta merda!!! Quase vomitei toda a cerveja. Fala sério!

Primo Jaime manteve distância da menina, não voltou pra cama.

Pezão voltou com um copo de liquidificador cheio da tal batida especial. Mas estava vermelha desta vez, parecia vitamina de morango.

— Misturei um pouco de acerola pra dar uma cor. — disse Pezão. — E o pior é que ficou ainda mais gostoso. Puta merda, vou ficar rico.

— Pezão, você já é rico, seu bosta.

— Caralho, é verdade. Ah, vou ficar MAIS rico então.

Deu vontade de mandar ele enfiar o dedo no cu e morrer, mas já falei isso muitas vezes hoje, assim acaba perdendo a graça. Desta vez passa.

Pezão encheu um copo e me entregou, dizendo:

— Sem sacanagem, cara, pode tomar. A banda precisa de você bêbado, senão você não canta porra nenhuma.

Puta merda. E agora? Vermelho até que não ficou tão nojento. Mas continua sendo uma bebida preparada pelo cara mais nóia que eu já conheci, não é? Responda-me com sinceridade, você beberia? Não sei se foi o efeito da cerveja ou não, só sei que experimentei a tal da batida.

Caraaaaaaaaaaaaaaalho!!!! Puuuuuuuuuuuuuuuuta que o pariu! O negócio desceu que desceu legal. Não dá pra explicar qual é o sabor, é uma mistura de Fanta laranja com vodka e um pouco de Coca-Cola. Sei lá! Mas o pior é que é bom. Acho que o Pezão finalmente conseguiu fazer alguma coisa que preste. O primeiro copo eu estranhei um pouco, acho que era o medo de estar tomando uma poção mágica do capeta, mas no terceiro gole eu já estava até vendo dobrado.

Depois de tomar meu quinto copo resolvemos fazer um teste. Todos ficaram a seus postos e.... com o bater das baquetas Pezão anunciou.... 3 ... 2 ... 1 ... vai!

Eu fui...

"Quando o sol bater na janela do teu quarto

Lembra e vê que o caminho é um só

Porque esperar se podemos começar tudo de novo, agora mesmo?

A humanidade é desumana, mas ainda temos chance

O sol nasce pra todos, só não sabe quem não quer"

Puuuuuuuta merda!!!! Galera, nem eu acreditei. Eu sei cantar!!! Ou não sei? Sei lá, estou tão bêbado feito uma vaca com gonorréia. Vaca com gonorréia? Do que estou falando? Puta merda, to chapado.

Chapado, mas cantando pra caralho!!!

Ei, mas espera aí, eu estou vendo a menina do filme "O Chamado" na platéia!!! Não, tem duas!!! Siniiiiistro!

Capítulo 9 · Uma Lenda Renasce

Puuuuuuuta merda!!!! Galera, nem eu acreditei. Eu sei cantar!!! Ou não sei? Sei lá, estou tão bêbado feito uma vaca com gonorréia. Vaca com gonorréia? Do que estou falando? Puta merda, to chapado.

Chapado, mas cantando pra caralho!!!

Ei, mas espera aí, eu estou vendo a menina do filme "O Chamado" na platéia!!! Não, tem duas!!! Siniiiiistro!!!

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No dia seguinte...

Puta merda, eu nunca tive uma ressaca tão feia quanto esta. O que será que tinha naquela maldita batida do Pezão? Vai tomar no cu. Eu não sou nenhum santo, já tive minhas bebedeiras, já chapei o globo de tudo quanto é jeito, já tive até um coma alcoólico daqueles leves, mas nunca fiquei tão mal como estou agora. Dói tudo, desde meus fios de cabelo até a unha do meu dedinho do pé. Minha cabeça parece que vai explodir a qualquer momento. Estou mal, galera. O pior de tudo é o maldito cheiro de vômito que estou sentindo daqui. Não quero nem ver o chão do quarto... putz!!!

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrriiiiiiing!!!!

Puuuuuuuuuuuuuta que o pariu!!!! Quem será o maldito filho da puta que está me ligando 11 horas da manhã??? Isso são horas de acordar alguém???

¾ Não quero nem saber quem é, vai pra puta que pariu!!!!

¾ Ah, vai você, porra!!!

Preciso dizer quem é?

¾ Pezão.

¾ Fala.

¾ Enfia aquela sua batida no cu e morre, caralho!!!

Pezão caiu na gargalhada.

¾ Gostou da batida, né? Confessa.

¾ Fala baixo, porra!!! Estou numa ressaca dos infernos.

¾ Desde quando a gente tem ressaca? Ressaca é coisa de bichona. A gente sempre encheu a cara e nunca reclamou de ressaca. Seu primo-prima está transformando você, cara.

¾ Vai se foder. Tem ninguém me transformando em nada não. A culpada por esta maldita ressaca é aquela sua batida. Você vai me contar o que tinha naquela merda ou não?

¾ De jeito algum. Minha batida é segredo.

¾ Quem é que vai querer comprar aquilo?

¾ Fica frio, eu vou achar um otário que pague uma nota preta por ela, pode apostar que vou.

¾ Pezão, fala logo o que você tem pra falar e me deixa dormir. Minha cabeça está martelando.

¾ Você lembra como chegou em casa?

¾ Não tenho a menor idéia. Não me lembro de nada.

¾ Seu primo levou você, cara. Será que ele não pagou um boquete pra você no meio do caminho? Cuidado, hein!

¾ Vai tomar no seu cu, cara. O cara é bicha, mas é meu primo. Sai fora!

¾ E daí que ele é seu primo? Eu já comi duas primas minhas e uma sua. Todo mundo tem tesão por prima. Você estava totalmente chapado mesmo, se ele chupasse até suas bolas você não perceberia.

¾ Enfia o dedo no cu e assopra, cara. Se liga! E tem mais, ele está gamado em você! Hahahaha ......

¾ Eu quero é que ele morra. Se ele encostar um dedo em mim eu desmonto a cara dele em 20 pedaços.

¾ Eu quero dormir, porra!!! Pra que diabos você me ligou? Só pra me encher o saco? Se for isso então tchau, missão cumprida.

¾ Eu liguei pra contar uma história bem cabulosa. Não sei se você já ficou sabendo.

¾ História cabulosa? O fantasma da Dona Mirandinha voltou a chupar seu pau durante a madrugada?

¾ Não, finalmente a velha está me dando sossego. Acho que ela deve ter encontrado uns caralhos fantasmas lá no inferno mesmo.

Eu aqui passando mal e ainda sou obrigado a ouvir isso. Puta merda.

¾ Conta logo, porra! Que história cabulosa é esta?

¾ Deu no jornal, cara. A irmã da Joana Fofoqueira foi estrupada.

¾ Estrupada não, seu imbecil, ESTUPRADA.

¾ Ah, dá na mesma, só sei que meteram no cuzinho dela.

¾ Sei. Mas e daí? Eu nem a conhecia. Não vi nada de cabuloso até agora. Eu só estou triste pelo estuprador não ter metido no cuzinho da Joana também. Aquela filha da mãe bem que merecia.

¾ Você não me deixou terminar a história, caralho. O cabuloso é justamente o estrupador.

¾ ESTUPRADOR.

¾ Porra, vai ficar me corrigindo ou vai me deixar terminar a merda da história???

¾ Bem pensado. Termina logo que eu preciso dormir.

¾ Então, cara, parece que o estrupador foi ... foi ...

Pezão começou a rir.

¾ Porra, Pezão, vai ficar de zoeira justo agora? Conta logo!!! Foi você?

¾ Não, cara.

¾ Então quem foi?

¾ Dizem que foi o Macaco Virgem.

Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta merda!!! Hahahahahahaha.... Acho que até minha ressaca melhorou. Eu dei tanta risada, mas tanta risada que até senti gotinhas de mijo escorrendo pela minha perna cabeluda. Eu ri feito uma hiena com catapora assistindo filme dos Três Patetas. 

¾ Ah, fala sério, Pezão!! Conta logo quem estuprou a mina.

¾ Estou falando sério, cara. Eu também dei risada pra caralho, mas saiu no jornal e tudo. A biscate disse que foi uma criatura bizarra que estrupou ela.

¾ Criatura bizarra é você, cara. Não consegue nem dizer "estuprou" direito.

¾ De acordo com a descrição da biscate estão dizendo que foi o Macaco Virgem.

¾ Era só o que faltava. Putz grila. Ninguém merece. Aposto que semana que vem o Fantástico vem aqui fazer reportagem e tudo. Que bosta, o país inteiro vai zoar a nossa cidade. Já estou até imaginando o Casseta & Planeta zoando por aí com o Bussunda vestido de macaco com um pinto peludo.

¾ Ei, agora é que estou me lembrando, aquela vez lá no show do Rappa você e o Mamute quase viram o Macaco Virgem, não foi?

¾ Não viaja! Quem te contou isso?

¾ O Mamutão. Ele disse até que vocês saíram correndo e tudo.

¾ Ah, mas não vimos nada não. Porra, estávamos de cueca no meio de uma escuridão danada. Ouvimos barulhos no mato e ficamos assustados, foi só isso. Não vimos porra nenhuma de Macaco Virgem. E tem mais, isso não existe!!!

¾ Cara, depois que o fantasma da velha me chupou 5 vezes eu acredito até em passaralho dourado.

¾ Fala sério, o que eu falei pro Mamute eu repito agora: se a criatura sai por aí estuprando biscates então ele não é mais virgem. Já erraram até o nome da coisa. Concorda?

¾ Ah, sei lá, só sei que alguém comeu a irmã da Joana e encontraram porra do outro mundo no cu dela.

¾ Opa, espera aí, já examinaram o esperma no ânus da garota? Qual foi o resultado?

¾ Era porra de macaco!!!

Puta merda, depois dessa ... só voltando a dormir mesmo. Zzzzzzzzzzzzzz

Algumas semanas depois...

Acho que já descobri pelo menos 1 dos ingredientes da batida do Pezão: sonífero. Galera, eu não dormi aquele dia, eu praticamente hibernei, tipo Zé Colméia. Só fui acordar na tarde do dia seguinte. Foi tão bom acordar e não sentir minha cabeça martelando. Ufa, que alívio.

Por incrível que pareça, nossa banda está ficando cada dia melhor. Quero dizer, não melhor, mas... menos tosca. As aulas da Aneri realmente ajudaram o maldito Pezão, o cara parou com aquele "tum tum ta tum tum" dos infernos e até que está conseguindo tirar algum som. Grilo não toca lá estas coisas, mas pro nível da nossa banda está ótimo. Bruno continua com a mesma cara de cuzão, eu gostaria de colocar outra pessoa em seu lugar, mas aí eu me lembro que sem ele ... a Aneri não viria pra assistir nossos ensaios ... então ele fica. Aê, cuecada, a Aneri está cada dia mais gostosa, no último ensaio ela foi com um shortinho amarelo que, putz grila, eu não sabia se cantava ou se partia pra cima dela. Ela estava muito linda. O que me dá mais raiva é saber que ela estava doidinha pelo Jaime. Maldito veado dos infernos, tinha a loira aos seus pés, mas queria o Pezão, aberração da mãe natureza. Putz, tem gosto pra tudo neste mundo, puta merda. Ah, antes que eu me esqueça de contar, o primo Jaime voltou pra Varginha. Nem comeu a loira nem deu pro Pezão. Voltou pra casa zero a zero.

Bom, a Aneri não quer dar pra mim, mas tudo bem. Quando a gente começar a fazer shows a biscataiada vai cair matando em cima do vocalista, eu, assim espero. Afinal de contas todas estas malditas ressacas que eu sinto após os ensaios precisam valer pra alguma coisa, né? É foda, eu só consigo cantar bêbado mesmo, não adianta. Já tentei várias vezes ficar sóbrio durante os nossos ensaios, mas nunca dá certo. Basta eu chapar o globo que tudo fica bem. Posso não ser nenhum Elvis, mas apavoro. Já contei pra vocês que estou cantando Charlie Brown, CPM 22 e Raimundos? Pois é, não estou fraco não. Quero dizer, acho que não estou, porque no dia seguinte aos ensaios eu me lembro de pouca coisa. Vocês devem estar se perguntando se continuo tomando aquela maldita batida do Pezão, né? Olha, eu prefiro a boa e velha cerveja, mas tem dia que eu quero ir embora logo pra casa e acabo tomando a batida, eu chapo mais rápido. Pouco a pouco eu acho que estou desvendando os segredos daquela batida sinistra. Tem dias que eu sinto um gosto forte de guaraná, outras vezes sinto gosto de groselha. Acho que Pezão teve a moral de montar a primeira bebida alcoólica do mundo sem álcool .... hahahaha .... será possível? Ah, depois da história do Macaco Virgem eu não duvido mais de nada. Acredita que já surgiram mais duas vítimas? Pois é, até agora ninguém conseguiu desvendar o mistério.

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrring!!!!!

Puta merda, estava demorando.

¾ Fala, Pezão dos infernos.

¾ Seu porra, não vem ensaiar hoje não?

¾ Calma, já estou indo, eu estava apenas colocando o papo em dia com a galera.

¾ Que galera?

¾ Fica frio, Pezão.

¾ Cara, você nem imagina o que aconteceu. O bicho vai pegar.

¾ O Macaco Virgem comeu seu cu?

¾ Estou falando sério, porra!!! Tenho uma ótima notícia.

¾ Ótima notícia seria você estar de mudança pro Macapá.

¾ Macapá? Não, não gosto de países que nevam.

Putz!!! Esta foi forte. Ganhou do "estrupo".

¾ Eu ainda não contei esta ótima notícia pra ninguém, vem logo pra eu poder contar. Está todo mundo aqui. Nando, você não vai acreditar na saia que a Aneri está usando hoje. Meu, o Grilo está quase gozando na cueca... hahaha.

¾ A Aneri já está aí? Opa, isso é o que eu chamo de motivação. Estou indo agora mesmo! Fui!

Joguei o telefone longe e saí correndo pra casa do Pezão. A loira de saia fica uma delícia, aquelas pernas grossas e bronzeadas são uma loucuuuuuuuuuuuuuura.

Mas qual será a ótima notícia que o Pezão tanto quer contar? Ah, sei lá, a loira de saia já é uma ótima notícia... hehehe... pra mim já está bom demais. FUI.

Capítulo 10 · A Ótima Notícia

— A Aneri já está aí? Opa, isso é o que eu chamo de motivação. Estou indo agora mesmo! Fui!

Joguei o telefone longe e saí correndo pra casa do Pezão. A loira de saia fica uma delícia, aquelas pernas grossas e bronzeadas são uma loucuuuuuuuuuuuuuura.

Mas qual será a ótima notícia que o Pezão tanto quer contar? Ah, sei lá, a loira de saia já é uma ótima notícia... hehehe... pra mim já está bom demais. FUI.

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Abri a porta do quarto e dei de cara alguém que eu não via há alguns dias... meu pai. Sim, galera, eu tenho pai. Ele participa pouco da minha vida, pois está sempre viajando. Não vou explicar qual a função dele porque é um bagulho tedioso e, pra falar a verdade, eu nem sei direito o que é.

— Que pressa é esta, filho? Vai me tirar de alguma forca?

— Estou atrasado para o ensaio da banda.

— Ah, é, a banda. Sua mãe me contou.

Meu pai é bem diferente de mim. Fala mansa, tranqüila, parece um monge.

— Já sei o que o senhor está pensando. Mas pode ficar sossegado. A banda é só um passatempo.

— Sim, eu ia justamente entrar neste detalhe. Não quero que você abandone os estudos por causa de uma coisa que a gente nem sabe onde vai dar.

— Não vai dar em nada não. Nossa banda é a pior banda de todos os tempos. O máximo que pode acontecer é sairmos na próxima edição do Guiness.

— Nossa, mas vocês são tão ruins assim?

— Pior.

— E por quê toda esta pressa para o ensaio então? Não entendi.

— Mulher, pai. Mulher!

Meu pai deu um sorriso sarcástico.

— Este é o meu filho. Falando nisso, você tem usado camisinha, certo?

— Infelizmente não.

Meu pai esbugalhou os olhos, parecia estar frente a frente com o satanás.

— Como é que é??? Repete isso! Você está louco?

— Calma, pai. Eu disse que não estou usando camisinha porque a maré está fraca. Não estou pegando nem catapora.

— Poxa, que susto.

— Fica frio, pai. Eu sempre uso camisinha.

— E é para usar mesmo. Mas diz um negócio pra mim, você não está gostando de ninguém? Não tem ninguém em vista? Cadê aquele Nando que eu conhecia? Nunca vi você sem um rabo de saia, filho. E a Ruthinha? O que houve?

— A Ruthinha já era faz tempo, pai. Mas o senhor tem razão, não sei o que está acontecendo. Eu até tenho alguém em vista, ela é linda, uma loira maravilhosa....

— Mas... ???

— Mas a desgraçada estava mais a fim do Jaime do que de mim, acredita?

— Qual Jaime? O seu primo? O ... baitola?

Puuuuuuuuuuuuuuuuta merda!!! Ouvir o meu pai dizer "baitola" foi demais! Hahaha... eu não resisti, eu caí na gargalhada feito uma hiena com trombose.

O velho é gente boa, mas quando começa com estes papos furados ele vai longe.

— Pai, o papo está bom, mas eu preciso ir.

— Vai lá, Nando. Só um conselho, não fica babando pela loira, mulher não gosta disso. Ela estava a fim do seu primo porque ele era um desafio pra ela, pense nisso. Dê uma esnobada de leve, vai ver como ela virá correndo para os seus braços.

— Beleja, pai. Mas funciona mesmo?

— Funcionou com a sua mãe.

Se meu pai soubesse quem estava atrás dele não teria nem pensado em dizer isso.

— Como é que é? — disse minha mãe.

Meu pai tomou um susto tão grande. O coitado ficou até branco. Aproveitei a oportunidade para dar no pé. Em briga de marido e mulher não sou eu que vou meter a colher.

Eu já estava saindo pelo portão com a minha bicicleta, quando meu pai apareceu novamente. Putz!!! 

— A loira vai estar lá no seu ensaio?

— Vai sim, pai.

Meu pai botou a mão no bolso e tirou as chaves do seu carro. Ele tem um Golf azul, lindão. Ele ofereceu as chaves pra mim... não acredito!!!!!!!

— Pega. Você não vai impressionar a moça chegando de bicicleta, não é?

— Com certeza, pai! 

Eu raramente fiz isso em toda a minha vida, mas achei o momento bem adequado, abracei meu pai. O que será que deu no velho? Meu pai sempre foi legal comigo, mas emprestar o carro assim ... de boa ... sem eu precisar ficar horas e horas implorando??? Isso é novo. Será que ele comeu cocô?

Após o abraço ele pegou a bicicleta das minhas mãos.

— Deixa que eu guardo. Agora vai. Mas pelo amor de Deus, muito cuidado.

— Pode ficar sossegado, pai.

Uhuuuuuuuuuuuuu. Tirei o carro da garagem e saí fincando para o ensaio. Putz, o Pezão deve estar furioso. Enquanto eu conversava com o meu pai eu notei o celular vibrar umas 12 vezes.

Entrei no quarto e fiquei impressionado com a quantidade de olhos me observando. Além dos integrantes da banda havia mais 4 pessoas. O pirralho e sua namorada morta-viva, a Aneri e a Maura, irmã do Pezão. Putz, fazia tanto tempo que eu não via a Maura, ela está gostosa!!! Fiu fiu!!! O mais engraçado de tudo é que ela e a Aneri estão vestidas de forma bem parecida. A Aneri está com uma saia verde-limão incrivelmente curta e uma blusinha preta da Nike. A Maura também está com uma saia maravilhosamente curta, mas amarela, e uma blusinha preta também. Não, não vou resistir, eu preciso tirar sarro disso.

— Quando é que começa o rodeio? — eu disse, olhando para as duas.

— Que rodeio? — disse a Aneri, sorrindo.

— Onde tem show das Irmãs Galvão tem rodeio!!! Hahahaha.....

Humor sempre funciona com a "muguerada". As duas racharam o bico de tanto rir. Ponto pra mim!!! Estou gostando do dia de hoje, até aqui está dando tudo certo.

— Vai tomar no seu cu, Nando!!! — Pezão puto da vida. Pronto, meu dia já começou a ir pro saco. — Por quê demorou tanto?

— Encontrei meu pai.

— Seu pai? Está vivo ainda?

— Bem vivo. E acho que está meio doido também.

— Por quê?

— Emprestou o carro na moral, nem precisei implorar.

— Sinistro. Bom, chega de papo, está na hora de você começar a encher a cara.

Enquanto Pezão foi buscar as bebidas eu cumprimentei o restante da galera. Hoje o ensaio vai ser bom, teremos platéia e tudo. E que platéia!!!! Aneri e Maura sentadinhas de pernas cruzadas na cama do Pezão estão me deixando maluco. Não sei se vocês se recordam, mas eu já dei uns catos na irmã do Pezão. Sim, se aquele Corsinha verde dela falasse... putz!!! As duas estão no maior papo, é mão na coxa aqui, mão na coxa ali, não sei não. Mulher quando fica assim é porque está tramando alguma coisa. Ao lado das duas está o casal esquisitolândia. De um lado o pirralho metido a Professor Pardal, do outro a menina que lava os cabelos com mijo. Lindo, não? Fala sério.

Aproximei-me deles.

— Beleja? Quando sai o casório?

— Calma, está muito cedo ainda. — respondeu o pirralho, com as mãos no ombro da menina bruxa.

Olhei pra menina. Ela, com aquela mesma cara de peixe morto, virou-se lentamente pra mim e disse:

— Vocês não sabem tocar metal?

— Pra tocar Raimundos já foi um sacrifício, imagine eu cantando Iron Maiden. Vai sair uma bosta.

— Ah, não custa nada tentar, firmão?

— Vamos ver. Quem sabe?

A garotinha continuou com aquela cara de bunda. Eu estou intrigado, será que a história do mijo no cabelo é verdade? Olha, eu nunca fui de reparar nos cabelos da mulherada, eu sempre olho para outras coisas, mas os dela são realmente muito bonitos, negros, brilham, e parecem ser muito macios. Dá vontade de tocá-los. Será que mijo é melhor que usar condicionador? Eu, hein!

— Cadê o Jaime? — perguntou-me Aneri, de repente.

— Você não ficou sabendo? Ele voltou pra cidade dele.

— Varginha?

— Sim, sul de Minas Gerais.

— Vagina??? — disse Maura, toda espalhafatosa.

— Não! Varginha. Varginha. — eu corrigi.

— Prefiro vagina mesmo.

Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Sou apenas eu que estou sentindo ou vocês já perceberam um clima meio estranho no ar? Será? Primeiro as duas estão no maior papo aqui, mão na coxa aqui e ali, um puta agarra-agarra. Risinhos marotos e tudo mais. Agora a outra me solta uma dessa, dizendo que prefere vagina. Não é por nada não, mas está meio lésbico isso aqui. Está ou não está?

Puta merda!!! Estou ficando de pau duro!!! Disfarça, Nando! Disfarça!

Todo este papo de lésbicas me deixou excitado. Não é segredo pra ninguém, a maior fantasia de todo homem é ver duas mulheres se atarracando num rala e rola animal. Se você é homem sabe muito bem do que estou falando. Bom, se você é homem e nunca pensou nisso... está na hora de você se juntar ao time do primo Jaime.

Preciso me sentar urgente, caso contrário o Nando Jr. vai me fazer pagar o maior mico na frente de todo mundo. Concentração, cara! Pensa em algo broxante! Concentre-se! Vagina! NÃO!!! Cine Privet! NÃO!!! Pêlo, peluda, peludinha! NÃO!!! Meu, o que está acontecendo? Não consigo tirar sexo da minha cabeça, ou melhor, das minhas cabeças!

— Pega aí, cara. — disse Pezão, com um copo cheio da famosa batida.

Pronto!!! Nando Jr. voltou ao normal. Ufa! Quer algo mais broxante que o Pezão falando no seu ouvido? Impossível.

— O que foi, Nando? Parece que viu um fantasma! Você está suando! — Pezão olhou na direção da Aneri, e voltou o olhar para mim. — Ah, agora entendi o motivo deste suador todo. Aquela saia está foda, né? Já imaginou enfiar a mão ali embaixo e arrancar aquela calcinha lentamente? Puta merda que delícia!

Acreditem, nem o Pezão me falando isso consegui ficar de pau duro. Que bom.

— Vai encher a cara ou não? Não temos o dia todo!

— Antes me conta qual é a tal da ótima notícia.

— Puta merda!!! É verdade, eu já ia me esquecendo!

— Se a ótima notícia for a respeito da batida Pezão eu mato você, cara.

— Não é, ainda não consegui comprador pra ela.

Pezão subiu na mesinha no centro do quarto e pediu a atenção de todos. Acho que nem precisava pedir, né? Todos olharam assustados para ele.

— Psiu! Oh, galera, tenho algo importante pra dizer. Vocês nem imaginam a notícia que recebi hoje pela manhã.

— A mamãe finalmente achou um médico para curar seu pinto verde??? — gritou Maura.

Pezão ficou azul de raiva. As veias da testa dele saltavam pra lá e pra cá, acho que Pezão vai ter um treco. Puta merda, agora o bicho vai pegar. Não quero nem ver a briga. A Maura é foda, ela enfrenta o Pezão de igual pra igual, a maldita é valentona.

— Cala esta boca, sua biscate filha da puta!!! — Pezão continua sobre a mesinha. Nem acredito. Se isso tivesse acontecido alguns anos atrás os dois já estariam se enforcando neste exato momento.

— Filha da puta? Então sua mãe também é, somos irmãos!

Pronto, agora sim. Pezão saltou da mesinha fulo da vida e partiu pra cima da irmã. O barraco está mais do que armado. Maura saiu em disparada pela porta. Aneri pulou na frente de Pezão, tentando convencê-lo a esquecer e deixar a briga de lado.

— Você não vai bater na sua própria irmã, vai? — disse ela, com uma voz super sexy.

— Bater? Não, eu queria matar mesmo.

— Credo! Vira esta boca pra lá! Ela é sua irmã, sangue do seu sangue!

— Isso, sangue, eu quero ver sangue. Vou dar um teco tão forte na cara dela que quero ver sangue pra tudo quanto é lado.

Aneri pegou nas mãos de Pezão e o fez sentar. Mulher bonita é foda, faz o que quer da gente. Puta merda.

— Calma, você está muito nervoso. Relaxa. Conta até dez.

— Eu quero contar os dentes daquela piranha no chão.

— Credo! Relaxa, ninguém vai arrancar dente de ninguém aqui não. Não vou deixar isso acontecer.

Maldito Pezão dos infernos, conseguiu descolar uma massagem da loira. Olha só que merda! Eu aqui, carente, e o filho da mãe lá recebendo cafuné da Aneri. Assim não é justo, vou ficar nervoso também! Quem sabe não ganho uma massagem, né? Foda-se, vou encher a cara. Além disso, sem álcool eu não canto, então ... aqui vou eu!!! Peguei a jarra cheia da batida e mandei ver.

— Pezão, seu filho da puta, vai contar qual é a ótima notícia ou não???

Já estou até meio chapado.

Pezão nem se levantou. Deu a notícia de onde estava mesmo. Bom, ninguém é idiota suficiente para recusar massagem de uma loira maravilhosa daquelas, certo?

— Chega mais, galera. — disse ele. Incrível, sua voz estava tão calma e serena, nem parecia o filho da puta do Pezão.

Eu e todos os demais integrantes da banda nos aproximamos.

— Recebi uma ligação do Dudu hoje de manhã.

— Qual Dudu? O Dudu do Panela?

— Sim, porra!

Dudu é um amigo nosso, ele é vocalista da banda Panela Furada, muito conhecida aqui na minha região. Os caras tocam pra caralho.

— E daí? O que ele queria?

— Eles iam tocar no Forró do Zé Bedeu amanhã, mas como apareceu outro show maior lá em São Paulo eles precisaram cancelar. Sacou onde estou querendo chegar?

— Ele arranjou pra gente tocar no lugar deles?

— Claro, porra! É nóis na fita! Nosso primeiro show!!!

— Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!

Capítulo 11 · Água de Salsicha

— Eles iam tocar no Forró do Zé Bedeu amanhã, mas como apareceu outro show maior lá em São Paulo eles precisaram cancelar. Sacou onde estou querendo chegar?

— Ele arranjou pra gente tocar no lugar deles?

— Claro, porra! É nóis na fita! Nosso primeiro show!!!

— Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!

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— Nosso primeiro show, galera! — gritou Pezão, quase gozando na calça.

A alegria foi geral. Até vi um sorriso nos lábios do Bruno cara de cuzão.

— Parabéns, vocês merecem. — disse Aneri.

— Mas eu ouvi bem? — perguntei. — Você disse Forró do Zé Bedeu?

— Pois é, eu também estranhei, mas o Dudu me falou que neste dia a noite será de rock. Está tudo armado já. Chegou a nossa hora.

Bom, o Forró do Zé Bedeu é uma bosta, o lugar parece um curral, mas está valendo. Nossa banda também não vale merda nenhuma. Pra falar a verdade eu achei até bom a gente fazer nossa primeira apresentação lá, pois reflitam comigo, somente as piores bandas tocam naquela espelunca dos infernos, então se a gente tocar mal ninguém vai estranhar. Vai que por um milagre da vida a gente toca bem ... seremos ídolos da galera. Ah, esqueci de dizer, o lugar tem tudo a ver com no nome da banda também, já que o Forró do Zé Bedeu é famoso por ser o lugar onde mais aparece pé-vermeio na face daTerra. O nome poderia muito bem ser trocado para pé-vermeiolândia.

— Você já está mais calminho? — perguntou Aneri para Pezão.

— Não, estou super nervoso, continua a massagem.

— Sem-vergonha! — disse ela, sorrindo. Meu, eu nunca vi um sorriso tão lindo feito este. — Você está calminho sim. Agora deixa eu ver como está a sua irmã. Ela saiu daqui apavorada.

— Apavorada o caralho! Aquela biscate adora me provocar. Fica aqui fazendo massagem em mim que você ganha mais.

A loira deu outro sorriso e ficou de pé. De uma forma muito estranha ela começou a olhar pra mim e para o Pezão, alternadamente.

— Está tentando adivinhar qual é o mais bonito? — perguntei. — Claro que sou eu, nem precisa olhar muito.

— Não é isso. Vocês dois me fazem lembrar alguma coisa, não sei bem o que é. Parece que eu conheço vocês de algum lugar.

— Deve ser de algum sonho erótico. — brinquei.

Aneri caiu na gargalhada.

— Engraçadinho! Não, estou falando sério, eu conheço vocês dois de algum lugar. Estranho, parece que eu já vi vocês dois numa foto de jornal.

Pezão olhou imediatamente para mim. Eu também já saquei na hora. Ubatuba!!!

— Jornal? — disse Pezão, com uma voz meio trêmula. — Não, você está enganada. Nós ainda vamos sair nos jornais de todo o país, mas depois que a banda fizer sucesso.

— Eu estou quase certa de que já vi uma foto de vocês dois num jornal, sobre um rolo que aconteceu em Ubatuba, sei lá.

— Rolo em Ubatuba? — eu disse, fingindo surpresa. — Não pode ser a gente, eu sempre passo as férias no Paraná. Nem curto Ubatuba.

— Nem eu, uma vez fui lá e pisei numa merda gigantesca na praia. Muito toscas as praias de lá.

— Bom, eu não acho. Adoro Ubatuba. Mas acho que estou enganada então. Se vocês me dão licença, vou procurar a Maura.

— Ah, deixa aquela piranha pra lá, continua minha massagem! 

— Um outro dia, talvez.

E a loira saiu pelo corredor. Pezão olhou pra mim com um olhar de alívio. Sim, esta foi por pouco. Já imaginou se a loira descobre o que aprontamos em Ubatuba? Não, não quero nem pensar nisso.

— É isso aí, cambada. — disse Pezão. — É agora ou nunca, já temos nosso primeiro show agendado. Vamos começar esta porra de ensaio ou não?

Puta merda, galera, foi o melhor ensaio que já fizemos até hoje. Parece que a notícia do nosso primeiro show realmente nos inspirou. Pra variar, estou bêbado feito um cavalo. Bom, você deve estar se perguntando... cavalo fica bêbado? Porra, sei lá, também nunca vi ele dizer ... Sóbrio!!! Vai saber, né?

Só teve uma coisa que me deixou intrigado durante o ensaio ... o sumiço de Aneri e Maura. Confesso que fico excitadíssimo só de imaginar o que aquelas duas poderiam estar fazendo juntas neste exato momento. Eu preciso verificar, ou não vou me perdoar pelo resto da minha vida.

Enquanto o pessoal guardava os equipamentos eu fingi estar apertado para mijar e dei uma escapadela. Saí pelo corredor em direção ao quarto da Maura. A porta está aberta. Bom, vou me aproximar andando nas pontas dos pés. Puta merda, estou de pau duro. Já imaginou se eu chego na porta e dou de cara com as duas peladinhas dando o maior pega? Puuuuutz grila, agora é que ficou duro mesmo. Calma, Nando Jr.!!! Bom, não adiantou pedir calma. Cheguei próximo da porta e está tudo muito quieto, certamente não está rolando pega nenhum ali dentro do quarto. Que bosta! Estiquei cuidadosamente o pescoço e minha fantasia foi pra casa do caralho, não havia nem sinal das duas. A vida real é uma bosta mesmo, se isso aqui fosse um filme do Cine Privet eu daria de cara com duas loiras peitudas, uma chupando a pexeca da outra.

Estou ouvindo algo! Risadinhas! As duas estão subindo as escadas! Estão vindo pra cá! Preciso me esconder! Mas onde? Porra, estou no final do corredor, agora não tenho pra onde ir. Fodeu, serei obrigado a me esconder no quarto da Maura mesmo.

Entrei e me joguei debaixo da cama. As cortinas são transparentes demais e o guarda-roupa frágil demais, não tive outra opção.

As duas entraram no quarto às gargalhadas, pareciam duas hienas excitadas bebendo chocolate quente numa noite de inverno. Estranho, fecharam a porta. As gargalhadas continuam. Caralho, a piada deve ser muito boa mesmo, nunca vi tamanha animação. Que estranho, uma das duas trancou a porta. O que será que elas estão aprontando?

Ooooooooooooooooooopa!!! Santa Pixirica dos infernos!!!! É impressão minha ou vi uma calcinha caindo no chão??? Fechei os olhos e abri novamente, sim, lá está ela, uma calcinha atirada ao chão! Rosinha, de rendinhas. Estou sonhando??? Fechei novamente os olhos e arregalei ao abri-los novamente. A calcinha rosa de rendinhas continua lá, estirada ao chão. Splack! Este foi o som que veio logo em seguida, alguém mergulhou sobre a cama. Caralho!!!! Agora eu vi um sutiã caindo ao pé da cama! De quem será? De quem será? Agora caiu uma saia verde-limão!!! Saia verde-limão? É a saia da Aneri, puta merda! Agora vi um top voar e cair perto da porta. Caralho, as duas tiram a roupa mais rápido que eu!!! E olha que em matéria de tirar a roupa eu sou mestre.

Eu não acredito nisso, as duas estão peladinhas aqui em cima de mim e eu não consigo ver absolutamente nada!!! Meu, a cama está fazendo altos barulhos, o negócio está fervendo!!! Eu preciso ver isso, puta merda! Mas como? Caralho, está um geme-geme delicioso aqui em cima de mim, eu daria tudo pra ver o que está rolando. Só sei que as duas estão peladinhas, pois estou vendo todas as peças de roupa jogadas no chão do quarto. Porra, tem uma calcinha bem ali perto do pé da cama, de quem será? Ah, foda-se, vou dar uma fungada com todo o gosto.

Puta merda, o pior de tudo sou eu aqui deitado de bruços e com o pau duro feito uma rocha. Está me dando aflito isso. Caralho, o rala-e-rola aqui em cima está nervoso mesmo. Enquanto isso eu estou aqui, debaixo da cama cheirando calcinha. Caralho, que merda! A calcinha está com uma puta freada de bicicleta!!! Eca!!! Só pode ser a calcinha da Maura, só pode, não é possível que a Aneri tenha feito uma freada sinistra como esta, não pode ser.

Isso aqui está me matando!!! O que será que elas estão fazendo? Será que estão num 69 animal??? Uma chupando a outra? Eu acho que vou morrer aqui debaixo desta maldita cama dos infernos. Eu não estou suportando isso, eu preciso sair daqui pra espiar isso de perto, se eu não fizer isso vou ter um ataque do coração.

Porra, as duas devem estar tão concentradas que nem vão notar minha presença, certo? Claro que não, errado. Isso aqui é a vida real, Nando! Se fosse Cine Privet você certamente já estaria sobre a cama com as duas, vivendo a melhor e mais alucinante experiência pornô-erótica-sensual da sua vida.

Infelizmente isso aqui não é Cine Privet.

Acabou. Novamente as risadinhas e o geme-geme animal parou. As duas devem estar jogadas pela cama feito as calcinhas pelo chão. Eu daria tudo pra ver isso com meus próprios olhos.

— E aí, gostou? — claramente a voz da Aneri, bem cansada.

— Preciso responder? — disse Maura, com uma voz de quem acabou de ser atropelada por uma jamanta.

Bom, pelo que eu entendi esta não foi a primeira experiência da Aneri com outra mulher, mas talvez tenha sido da Maura. Ah, foda-se, perdi o espetáculo mesmo. Do que adianta ficar pensando quem chupou uma pexeca ou não pela primeira vez?

Deixa eu ficar quieto, a conversa está boa aqui em cima.

— Nossa, eu nunca vi alguém chupar meus peitos dessa maneira? — Maura falando. — Foi a sensação mais gostosa que eu já tive na minha vida!

— Eu aposto que não mesmo, nenhum homem sabe deste truque, quer aprender a técnica?

Claro que quero!!! Merda, e eu aqui debaixo desta porra!!! Vou chorar.

Enquanto eu chorava Aneri ensinava passo a passo como chupar os seios a fim de levar a mulher ao orgasmo total. E eu aqui, só imaginando. Puta merda, ninguém merece.

As duas continuaram conversando a respeito da transa por mais uns 10 minutos, até que começou o cata-cata das roupas pelo chão. Tentei chegar na beirada da cama, a fim de espiar alguma coisa, mas não obtive muito sucesso, o máximo que consegui foi ver a Aneri ajeitando a calcinha, presa no rego. E foi só.

Ambas estão vestidas novamente, eu acho. Ouvi uns beijos molhados. Fiquei excitado novamente.

A porta se abriu. As duas saíram pelo corredor, e eu aqui, pau duro e com a maior frustração do mundo. Fala a verdade, será que eu joguei pedra no capeta quando era criança??? Será que eu fiz cocô no túmulo do Satanás??? Sei lá, alguma coisa eu fiz pra merecer tamanha punição. Assim não vale.

Esperei mais uns cinco minutos e me arrastei dali. Olhei cuidadosamente pela porta e sinal verde, corredor vazio. Voltei pro quarto do Pezão, não havia mais ninguém ali. Ouvi passos na escada outra vez, mas agora era o maldito.

— Onde você se meteu? — gritou Pezão.

— Este foi o problema, não meti.

— Hã?

— Deixa pra lá, cara.

— Que cara é esta? Parece que viu o capeta.

— Teria sido até interessante mesmo, pelo menos teria visto alguma coisa.

— Porra, Nando!!! Não me diga que você fez um daqueles barrosos outra vez. Eu conheço esta sua cara, foi por isso que você demorou uma eternidade, né?

Bom, não estou muito a fim de papo, acho melhor concordar com o Pezão e ir embora pra casa. Por hoje chega.

— Foi isso mesmo, cara. Agora eu preciso ir embora.

Passei por ele, indo em direção à escada.

— Caralho, você está com uma cara péssima, você não defecou, deve ter feito um Alien.

Quando passávamos em frente ao quarto do pirralho a menina bruxa surgiu à nossa frente. Olhos de peixe-morto, braços estirados, ombros caídos, parecia uma defunta ressuscitada de algum filme do Stephen King. Até senti um calafrio. Ela ficou alguns segundos me encarando, e disse:

— Você não cantou nenhuma das músicas que eu pedi.

— Desculpa, eu me esqueci, prometo tentar alguma coisa no próximo ensaio.

— Firmão.

Agora a menina voltou os olhos para o Pezão.

— O que foi, mina? — perguntou ele, fazendo gestos com a mão, tentando tirar alguma reação da menina bruxa, mas não adiantou. Ela continuou imóvel feito uma pedra.

Alguns segundos depois ela perguntou para o Pezão:

— Seu pênis continua verde?

Hahahahaha..... Eu estava precisando disso!!!! Dei tanta risada feito uma hiena assistindo filme mudo no cinema.

Pezão ficou puto.

— Olha aqui, sua pirra....

Antes que ele completasse a frase a menina o interrompeu, dizendo-lhe:

— Eu conheço uma receita pra você voltar ao normal. Seu pênis voltar ao normal.

A menina falou de uma forma tão séria que Pezão parou para ouvi-la. Eu continuei rindo, mas agora de maneira mais discreta, eu quero ouvir a tal da receita. Hahaha.... não que eu precise dela, mas vai ser divertido ouvir isso.

A menina defunta prosseguiu:

— Água de salsicha.

Pronto. Não resisti. Caí na gargalhada outra vez.

— Água de salsicha? — perguntou Pezão, incrédulo.

— Sim, pegue duas salsichas e acrescente 3 xícaras de água. Deixe ferver por alguns minutos e depois beba a água.

— E o que eu faço com as salsichas?

Antes que a menina respondesse eu precisava dizer algo, e eu disse:

— Enfia no cu e morre!!!

Hahahaha.....

Pezão ficou puto e deu um murrão no meu braço.

— Jogue as salsichas fora, não coma. — disse a menina, mais séria do que nunca.

— Nem se eu fizer um cachorro-quente?

— Não, não coma. Jogue fora.

No dia seguinte Pezão me liga bem cedinho, lá pelas 11:30h da manhã...

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrring!!!!!

— Fala, Pezão dos infernos...

Pezão chorando desesperadamente no outro lado da linha.

— Nossa, o que aconteceu? — perguntei, fingindo preocupação.

— Eu quero matar aquela biscatinha!!!

— Que biscatinha???

— A filha do coisa-ruim!!!

— Quem? Ah, a namorada do seu irmão?

— É, porra!!! Acorda!

— Mas por quê?

— A receita que ela me passou ontem!

Comecei a rir.

— Não funcionou?

— Pra falar a verdade até funcionou. Eu fiz do jeitinho que ela me disse, fervi as salsichas e depois tomei a maldita água... um gosto horrível dos infernos.

— Mas funcionou?

— Então, eu tomei e corri pro banheiro. Cara, eu fiquei pasmo, meu pau estava novo outra vez!!! Eu nem acreditei, até toquei uma punheta pra comemorar.

— Não entendi, se funcionou ... por quê você está puto com ela?

— O foda é que eu fiquei tão empolgado que toquei umas quatro punhetas, uma atrás da outra.

— E daí?

— E daí que fiquei exausto. Voltei pra cozinha morrendo de fome.

— Ainda não entendi.

— Peguei as malditas salsichas e fiz dois hot-dogs.

— Mas a menina disse pra não co....

Pezão caiu no choro.

— Eu sei! Eu sei!

Nunca vi o cara chorar tanto em toda a minha vida.

— Caralho, o que te aconteceu? Você comeu as salsichas e ????

— Foda, cara, foda!!! Nem te conto o que aconteceu, puta merda. Estou fodido. Se eu pego aquela biscatinha eu juro pra você que eu mato.

Caralho, o que será que aconteceu com o Pezão?

Capítulo 12 · Pet Sematary

Pezão caiu no choro.

— Eu sei! Eu sei!

Nunca vi o cara chorar tanto em toda a minha vida.

— Caralho, o que te aconteceu? Você comeu as salsichas e ????

— Foda, cara, foda!!! Nem te conto o que aconteceu, puta merda. Estou fodido. Se eu pego aquela biscatinha eu juro pra você que eu mato.

Caralho, o que será que aconteceu com o Pezão?

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Puta merda, que bosta. Justo hoje, dia da nossa primeira apresentação, Pezão está baqueadaço. Mas o pior de tudo é não saber o que realmente aconteceu. O maldito não quis contar o que houve. Deve ter sido algo bem sinistro, pois do jeito que ele estava ao telefone ... o pau dele deve ter se esfacelado ou desmilingüido ... ou coisa pior. Eu quero que o bilau dele se dane, o problema é que isso afetou psicologicamente o desgraçado, e isso não vai ser bom para a banda. Tudo bem que não tocamos porra nenhuma mesmo, mas... seria melhor se o Pezão estivesse num dia inspirado. Se é que existe dia assim, né?

Após o almoço a banda se reuniu mais uma vez na casa do Pezão. A tensão pairava no ar. Pezão estava bem deprê, parecia outra pessoa, seu olhar estava bem parecido com aquele olhar de peixe morto da menina bruxa, Samires. Estava mais do que evidente, algo sinistro aconteceu com ele. Ninguém tinha coragem de perguntar o que houve, talvez temendo uma reação explosiva. Mas eu não tenho medo de cara feia, foda-se, vou perguntar mais uma vez:

— O que te aconteceu, cara? Comeu cocô?

Pezão ergueu os olhos na minha direção, sua lentidão nos movimentos era tão grande que parecia estar em câmera-lenta. Seu olhar foi tão triste que me deu vontade de mandar ele tomar no cu e parar com aquela veadagem toda.

— Eu tô fodido!!! — respondeu ele, chorando.

— Puta merda, Pezão!!! Disso nós já sabemos!!! Basta olhar esta cara de bosta que você está fazendo!!! Mas nós queremos saber o que aconteceu!!!

— Eu não quero falar sobre isso.

— Porra, mas se você não contar nós não vamos poder lhe ajudar!

— Acho que ninguém poderá me ajudar.

Comecei a rir feito uma hiena com catapora colorida.

— Do que você está rindo, cara? — perguntou Grilo, olhando assustado.

— Nada não, viajei.

Bom, pra vocês eu conto. Quando Pezão disse "Ninguém poderá me ajudar" minha imaginação logo imaginou o Chapolim Colorado entrando pela janela dizendo ... "Não contavam com minha astúcia!!!". Hahaha... tudo bem, eu sei que viajei legal, mas eu não tenho culpa ... foi o que veio na minha cabeça naquele momento.

De repente Aneri entrou no quarto, toda gostosa. Puta merda, não sei o que esta garota tem que a cada dia que passa ela parece ficar mais linda. Hoje ela está toda de azul, blusinha azul piscina e uma calça jeans super apertada no corpo. Um tesão. Nossa, tem algo de diferente nela, já sei, o cabelo está preso. Tanto faz, está mais linda do que nunca.

— Nossa, o clima está carregado neste quarto! — disse ela, olhando para cada um de nós.

— O Pezão está nunca choradeira dos infernos hoje. — disse Grilo.

— Nossa, mas por quê?

— Vão tomar no cu, seus filhos da puta. — Resmungou Pezão. Putz! Até pra xingar o cara não está convencendo. Está feia a coisa.

— Oh, dó!!! — disse Aneri, fazendo biquinho. — Tá "neuvosinho" por quê? Conta pra mim o que aconteceu!

Maldito Pezão dos infernos. Fazendo esta cara de coitado o desgraçado vai acabar comendo a Aneri hoje. Filho da mãe sem-vergonha dos infernos!!!

— Eu vou me recuperar, só estou com dor de cabeça, é só isso.

— Tadinho. — disse Aneri.

— Pezão, não sei se você esqueceu, mas a nossa primeira apresentação é hoje! Você terá condições de tocar?

— Claro que vou.

— Não me convenceu.

— Não mesmo, você está podraço, cara. — disse Grilo.

Pezão fez uma cara de poucos amigos.

— Vão se foder, todos vocês.

Aneri sentou-se na cama e disse para Pezão:

— Exercício número cinco.

— Está falando comigo?

— Sim, seu bobo. Vamos, faça agora o exercício número cinco. Já esqueceu das nossas aulas?

— Claro que não, gata.

— Então senta a bunda aí e repita o exercício número cinco até eu mandar você parar.

— Por quê isso?

— Ora, vamos ver se você está em condições de tocar hoje à noite.

Caralho, fiquei excitado com a Aneri dando uma de mandona. Gostei! Já imaginou uma coisa dessas na cama??? Loucuuuuuuuura!

Pezão não fez uma cara muito animadora, mas obedeceu a loira. Bom, quem não obedeceria uma gata linda destas, né? Se ela me mandasse pular de uma ponte eu ... bom, eu não seria idiota de pular, mas para não desapontá-la eu iria, no mínimo, procurar uma.

— Vamos, é pra hoje!!! — Nossa, a loira é mandona mesmo!!! Hehehe... quem diria?

Pezão sentou-se atrás da bateria, pegou as baquetas, engoliu seco e ... acreditem se quiser ... caiu numa choradeira incrível. Parecia um bebezinho chorando pra receber sua mamadeira. Ficamos atônitos com aquela cena bizarra.

Aneri, comovida, correu até ele e o abraçou.

— O que foi? O que você tem? — repetia ela, sem parar.

Mas Pezão não respondia nada, só chorava e chorava. Puta merda, eu nunca pensei que ia dizer isso algum dia... mas vou ... "CADÊ AQUELE PEZÃO FILHO DA PUTA DE SEMPRE??? COMEU COCÔ???"

Pezão está fora. Continuamos não sabendo o que houve com o cara, só sabemos que ele está fora da nossa primeira apresentação. Mas não se preocupem, o show continua, sim, continua. Nem preciso dizer quem vai tocar no lugar dele, né? Sim, a Aneri!!! Olha que chique! A loira mais linda que eu já conheci vai tocar na nossa banda. E isso não é tudo, além de linda ela toca infinitamente melhor do que o Pezão, né? Na verdade ela será a única integrante da banda que realmente sabe tocar, pois o resto só finge que sabe, e eu finjo que canto. Só espero que o nosso público finja que está gostando também.

Para não termos surpresas desagradáveis nós fizemos um pequeno ensaio rápido. Tomei alguns gorós pra me aquecer e começamos arriscando algumas coisinhas. Detonautas. Meu, a loira toca pra caralho!!!! Acho que Pezão chorou ainda mais quando percebeu que perto da loira ele não passa de uma ameba com pauzinhos nas mãos. Aquilo sim é que é baterista!!! A loira arrepiou nas baquetas, saía até faísca da bateria. Estou começando a sentir ótimas vibrações pro nosso show de hoje à noite. Vou comer tanta pexeca depois da nossa apresentação que vou voltar com o pinto dolorido pra casa. Aaaaooooooo iiiiiiiiiiça!!! Red-Foot Hunters em ação!!! É nóis na fita!!!

E o mistério continua ... o que terá acontecido com o Pezão? Não tenho a menor idéia, só sei que o cara está na pior.

Tudo combinado pra hoje à noite. Grilo vai pegar a Kombi do seu pai emprestada para levar os instrumentos. Bruno vai com ele. No carro do Pezão vamos eu, Aneri e o próprio Pezão, é claro. Mas do jeito que o cara está zureta ... acho melhor eu dirigir. Melhor não arriscar. O filho da puta não está em condições de sair cantando pneus hoje não. Na verdade Pezão não está em condições pra nada hoje, o cara está baqueadaço. O pinto dele deve ter caído na privada, ou coisa pior.

Estou tentando me conter, mas estou super excitado pra esta noite. Isso é muito perigoso. Lembram-se do show do Rappa, né? Sim, claro que se lembram. Desgraça dos outros todo mundo lembra. Pimenta nos olhos dos outros é refresco, e quando arde é mais doce ainda. Seus filhos da puta. Pelo menos eu tenho coragem pra contar as coisas ruins que me acontecem ... hehehe ... E vocês estão aí, sentadinhos, bonitinhos, rindo da desgraça alheia. Mas saibam que a merda voa no ventilador de todo mundo, viu? Não é só comigo que acontece rebosteio não. Hoje você está rindo de mim, amanhã eu poderei estar rindo feito uma hiena ... de você.

Calma, não estou jogando praga!!! Não precisa ficar P da vida comigo, viu? Pensem assim, por mais fodidos que vocês estejam, pelo menos vocês não têm um amigo filho da puta como o Pezão. Se vocês soubessem o que ele aprontou comigo em Ubatuba vocês entenderiam do que estou falando. Nossa amizade quase foi pro saco depois daquilo. O filho da puta teve a moral de tentar comer a Polly, minha namorada naquela época, mas... continuamos amigos. Porra, acabei deixando escapar mais uma coisinha sobre Ubatuba, né? Que bosta. Ah, falando nisso, será que alguém tem o jornal que saiu a tal da matéria comigo e com o Pezão? Eu queria fazer um pedido... queimem!!! Por favor!!! Queimem!!!

A nossa apresentação será por volta das 11 horas da noite. Mas teremos de chegar mais cedo pra passar o som e tal. Estou um pouco preocupado, pois eu nunca cantei em cima de um palco antes, e não tenho a menor experiência com público. A minha sorte é que eu estarei bêbado mesmo, talvez nem me lembre direito. Dizem que para você encarar uma multidão de frente basta você imaginar que estão todos nus. Porra, isso eu não posso fazer de jeito nenhum, se eu fizer isso vou ficar de pau duro, né? Acho que não vai pegar muito bem se isso acontecer. Melhor deixar a ereção pra depois do show, porque eu quero pegar o maior número de fãs possível. Foda-se se for tudo pé-vermeio, hoje eu quero acabar com o meu estoque de camisinhas. Não quero nem saber. Eu só topei este negócio de banda pra eu poder catar as fãs mesmo, então ... vamos nessa!

Calma, Nando!!!!!! Não se empolgue demais, cara. Lembre-se do show do Rappa, lembre-se do show do Rappa!!! Merdas sempre acontecem quando a gente se empolga demais. Então vá com calma.

Ah, foda-se!!! Hoje vai ser o dia!!! Uhuuuuuuuuuuu!!! Aqui nasce uma lenda do rock, o Red-Foot Hunters, a pior banda de todos os tempos!!! Aaoooooo iiiiiiiça!!! Beleja???

Caralho, ainda são 3 horas da tarde. O que eu vou fazer com esta empolgação toda? Bom, eu sei um jeito bom pra dar uma aliviada ... hehehe ... Mas é melhor não, preciso guardar energias para as minhas futuras fãs, certo? Certo. Bom, o jeito é tirar um cochilo. Quem sabe eu não tenho um sonho erótico com a Aneri, né? Bem que eu poderia sonhar com ela chegando aqui em casa com aquela saia curtinha do outro dia ... Opa!!! Eu a jogaria na cama e arrancaria a calcinha dela em 2 segundos. Ai caramba... é melhor eu dormir mesmo, caso contrário eu vou acabar explodindo de tanta empolgação. To excitadooooooooooooooooo!!! Calma, Nando! Comeu cocô?

Preciso da minha cama. Será que se eu ficar repetindo o nome da Aneri até eu dormir eu consigo ter um sonho erótico com ela? Bom, não custa nada tentar, né? Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri! Aneri!

— Nandooooooooooooooooooooooooooooooo!!!

Caralho! Será que estou ficando louco ou eu ouvi alguém gritar o meu nome?

— Nandooooooooooooooooooooooooooooooo!!!

Puta merda, é o filho da puta do Pezão. Seus gritos vêm lá do portão de casa. O que será que ele quer? Caralho, será que Pezão esqueceu como se usa uma campainha???

Pulei da cama e fui ver o que o desgraçado pretende com toda esta gritaria.

— Que diabos você quer?

— Entra no carro. — O corsa do Pezão está parado em frente ao portão de casa.

— Eu não! Vou dar uma cochilada, preciso estar descansado pra hoje à noite.

— Descansar do que, Nando? Você é como eu, não faz porra nenhuma o dia todo!

Bom, isso é verdade. Meu cursinho está o maior relaxo, eu mais falto do que apareço por lá. Sinto falta da professora de Matemática, uma ruiva linda, coisa chique.

— Mas aonde você pretende me levar?

— Eu quero acertar as contas com a pentelha do caralho.

— Pentelha do caralho? Que eu saiba caralho não tem pentelho. Pentelho dá no saco e na região pubiana, mas...

— Entra logo no carro, porra!!!

— Por quê eu preciso ir junto? O rolo é entre vocês dois, eu não tenho nada com a história!

— Justamente por isso. Se eu for sozinho eu juro que mato aquela fedelha dos infernos.

— Mata! Estou cagando e andando.

— Porra, Nando! Entra logo no carro e larga mão de frescura! Prefere ficar em casa tocando punheta?

— Quem falou que eu ia tocar punheta?

E a discussão permaneceu por mais uns 10 minutos, até que eu acabei topando a parada. Aqui vamos nós. Meu, que bosta, faltam algumas horas para a noite mais incrível da minha vida e eu estou dentro de um carro procurando por uma menina com olho de peixe morto e que lava os cabelos com mijo. Só me faltava essa.

— Onde a pentelha mora? — perguntei, enquanto procuro algum CD bacana para tocar.

— Nem o babaca do meu irmão soube me explicar direito, mas a gente acha, nem que eu tenha de ir até a boca do inferno a gente acha esta fedelha dos infernos.

— Porra, Pezão, agora que não tem mais ninguém por perto, conta aí o que aconteceu! Você comeu as salsichas e ... ???

— Não vou contar, cara. Desta vez não vou contar pra ninguém.

— Conta aí, meu!

— Não adianta, cara, não vou contar. Só sei que o bagulho é foda. Eu nem sei o que vou fazer quando estiver frente a frente com aquela biscatinha, acho que vou pegar no pescocinho dela e apertar com tanta força que os olhos dela vão sair pra fora.

— Agora me diz uma coisa, como você sabe que a culpa é dela?

— Eu sei, Nando. Acredite em mim, eu sei. E tem mais, aquela biscatinha não é uma menina qualquer, tem algo muito cabuloso nela.

— Como assim? Cabuloso mesmo é aquele cabelão com cheiro de mijo de cachorro.

— Não sei como explicar, só sei que tem algo muito estranho naquela biscatinha.

— Bom, dá pra notar isso de longe, não precisa nem falar.

— Mas estou falando de coisa séria mesmo!

— Só falta você me dizer que ela é uma bruxa de verdade.

Pezão me olhou sério pra caralho. Comecei a rir.

— Ah, dá um tempo! Tudo bem que a mina é estranha pra caralho, mas bruxa? Não viaja, Pezão.

— Bom, isso nós vamos descobrir hoje então. Não volto pra casa enquanto ela não desfazer esta... macumba.

Puuuuuuuuuuta merda!!! Isso aqui está parecendo aqueles filmes B que passavam na TV Bandeirantes, tipo Cine Sinistro, lembram? Meu, era um pior do que o outro. Mas o pior de tudo não é isso, o pior de tudo é saber que o diretor de um daqueles filmes é hoje um dos caras mais poderosos de Hollywood, sim, Peter Jackson, o diretor de O Senhor dos Anéis. Duvidam? Pesquise os filmes do seu currículo e verá que ele fez alguns filmes B muito sinistros. Bom, todo mundo precisa começar de alguma forma, não é? Quem garante que daqui alguns anos eu e o Pezão não viramos estrelas de cinema? Hahaha.... já imaginaram? Tudo é possível. Eu e Pezão recebendo um Oscar, olha que irado.

Já faz mais de uma hora que estamos rodando e até agora nada. Já passamos por todos os bairros mais afastados da cidade. Puta merda, cada lugar mais sinistro do que o outro. Umas ruelas estranhas, com uma gente meio esquisita. Não estou gostando nada disso. Quando Pezão finalmente admitiu estar perdido ... paramos para pedir instruções. Uma gorda com um saco de batatas nas mãos parou para nos ajudar.

— A senhora sabe onde fica um bairro chamado Terra Preta? — perguntou Pezão.

A gorda arregalou os olhos, colocou o saco de batatas no chão, fez o sinal da cruz umas cinco vezes e disse:

— Credo em cruz, moço!!! O que ceis vão fazê neste lugar? — e fez o sinal da cruz novamente.

— Nada não, mas a senhora sabe onde fica?

— Não. — A gorda pegou o saco de batatas do chão e continuou seu caminho.

Pezão ficou puto. Virou pra mim e disse:

— Olha que gorda do caralho!!! Ela sabe onde fica, mas não quer contar.

— Vamos embora, cara, pelo jeito que a gorda se benzeu é porque o lugar não deve ser muito agradável. Larga mão.

— Está com medo do que, cara? Deve ser um lugarzinho dos infernos, cheio de gente fedorenta, mas foda-se. Não volto pra casa sem dar uma prensa naquela fedelha.

— Larga mão, ca...

Pezão pulou do carro e perseguiu a gorda. Tentei impedi-lo, mas já era tarde demais. Permaneci no carro, não quero me meter. Como a gorda não tem muita mobilidade ela não estava muito longe, portanto eu pude ouvir a discussão dos dois. Ela insiste em dizer que não sabe onde fica o tal bairro, mas Pezão insiste que ela sabe. O bate-boca levou uns bons cinco minutos, até que Pezão resolveu a parada, como sempre resolve, com grana. O playba meteu a mão no bolso e tirou a carteira pra fora. Não sei se foi exatamente isso, mas acho que ele tirou uns 200 Reais e "molhou" a mão da gorda das batatas. Com um puta sorriso nos lábios Pezão voltou pro carro.

— Todo mundo tem um preço. — disse ele, batendo a porta e com o sorriso ainda mais irônico. Acho que estou começando a sentir falta daquele Pezão bundão e chorão.

— Seu idiota, quem garante que ela ensinou o lugar de forma correta? Ela pode ter inventado tudo só pra pegar seu dinheiro.

— Foda-se, não dei dinheiro de verdade mesmo.

— O quê??? Como assim???

— Aquilo não é dinheiro de verdade, meu irmão fez no computador.

— Você é foda.

Começamos a rir feito hienas com ejaculação precoce.

— Semana passada o babaquinha tentou me enganar, fez um monte de notas falsas no computador e colocou algumas na minha carteira, só pra me sacanear. Bom, eu guardei porque talvez servissem para alguma coisa, e realmente serviram.

— Sacanagem!

— Sacanagem nada! Você precisava ver os olhos da gorda como brilharam! Eu acho que ela até pensou que eu sou filho do Silvio Santos.

Pouco a pouco o filho da puta está voltando a ser o filho da puta de sempre. Maldito Pezão dos infernos. Não adianta, uma vez Pezão ... sempre Pezão.

— Mas, afinal de contas, onde fica o tal lugar?

— Longe, mas foda-se, eu vou atrás dela, mesmo que o bairro seja na casa do caralho. Mas eu vou.

O pior de tudo é que eu vou ter de ir junto. Puuuta merda!

Já que não tem volta mesmo, o jeito é curtir o momento. Achei um CD dos Ramones no porta-cd's do Pezão ... uhuuuu ... Sonzera das antigas. Aumentei o volume até o máximo e apertei o play. Pet Sematary é a primeira música a tocar. Putz! Justo esta? Meu, muito siniiiiiiiiiiistro! Não estou gostando. Será um mau sinal? Como disse a gorda ... "credo em cruz!". Por via das dúvidas eu fiz o sinal da cruz umas três vezes. Não sei se funciona, mas acho que atrapalhar não atrapalha.

Mais de 30 minutos se passaram e até agora nada do tal bairro. Mas o pior de tudo eu não contei. Quando eu coloquei o CD dos Ramones eu apertei o botão pra tocar as músicas de forma aleatória. Vocês acreditam que durante estes 30 minutos a música Pet Sematary tocou umas 6 vezes? Meu, não estou gostando nada disso, o clima está pesando. O que era pra ter sido uma tarde de descanso ou sonhos eróticos com a Aneri está virando uma tarde de pesadelo com gordas burras carregando sacos de batatas.

— Acho que é aqui! — gritou Pezão, de repente. Nem preciso dizer que tomei um puta susto dos infernos, não é? Quase tive um treco.

— Vai tomar no seu cu, Pezão! Vai assustar sua mãe, porra!

— Minha mãe não se assusta nem com barata. A véia é forte pra caralho.

Passado o susto...

— O que te levou a crer que estamos no lugar certo? 

Pezão apontou para uma placa de madeira, escrito CEMITERIO. Sim, desta mesma forma, cemitério sem o acento. Pode parecer meio clichê de filme de terror, mas eu juro, senti um puta arrepio na espinha. Senti algo gelar dentro de mim. Senti também uma puta vontade de correr para um banheiro e fazer um castelo gigantesco. Estou com cagaço urgente. Não sei se tem algo a ver com a plaquinha do cemitério ou se foram os pastéis de carne que minha mãe fez na hora do almoço, eu só sei que preciso cagar urgente.

— A gorda falou que o lugar fica logo depois da placa do cemitério. Ela me avisou que era uma placa escrita à mão, justamente como aquela.

— Porra, mas a menina mora num lugar sinistro desses? Como foi que seu irmão a conheceu?

— Eu fiz esta pergunta pra ele. Sabe o que ele me respondeu?

— Não tenho a menor idéia.

— Ele disse que não se lembra do dia em que a conheceu.

— Ah, fala sério! Até parece. Eles começaram a namorar há tão pouco tempo, acho que não faz nem 2 meses!

— Com certeza. Mas pra falar a verdade ele até ficou impressionado com a pergunta, deu a impressão de que ele realmente não conseguia se lembrar. Cabuloso.

— Eu, hein! O bagulho está ficando cada vez mais sinistro.

— Quer saber de outra coisa sinistra que a gorda me falou?

— Porra, ainda tem mais?

— Sim, a gorda falou que este não é um cemitério comum.

Comecei a rir feito uma hiena com bronquite asmática.

— Do que você está rindo? — perguntou Pezão, meio assustado.

— Porra, só falta você me dizer que este é um cemitério de animais.

Pezão ficou branco.

— Ah, fala sério!!! — agora quem ficou branco fui eu.

— Como você sabe?

— Eu não sei de nada! Só falei isso por causa da música.

— Que música?

— Porra, Pezão! Pet Sematary! Pet Sematary!

— O que tem esta música?

— Você não sabe o que isso significa em português?

— Sei lá! "Pedro alguma coisa" ... sei lá! Não é isso?

— Claro que não, sua anta!!! Pet Sematary significa "Cemitério de Animais"!

— É mesmo? Caraaaaaaaaaaaaaalho!!! Puta merda!!!

— Isso aqui está cada vez pior.

Ficamos calados por alguns segundos.

De repente o silêncio foi quebrado por um estrondoso e detestável peido. Não consegui segurá-lo, saiu sem querer querendo.

— Porra, cara, vai tomar no seu cu!!!!!!!!!!! — Nem preciso dizer que Pezão ficou puto, né? Hahahaha..... — Meu carro não é lugar pra você cagar não, caralho!!!!

— Ah, dá um tempo!!! E você não peida?

— Enfia o dedo no cu e morre, Nando!!! Puta merda, tem um alien morto aí dentro, cara! Caralho! Nunca senti um cheiro tão horrível assim! Putz grila!

De repente Pezão parou de me xingar e arregalou os olhos na direção do cemitério. Pela cara que ele fez deve ser algo muito sinistro. Pra falar a verdade eu não sei se olho, estão acontecendo tantas coisas estranhas que eu estou ficando preocupado.

Pezão pulou pra fora do carro feito um louco. O que será que ele viu no cemitério?

Capítulo 13 · Fogo na Bacurinha

— Enfia o dedo no cu e morre, Nando!!! Puta merda, tem um alien morto aí dentro, cara! Caralho! Nunca senti um cheiro tão horrível assim! Putz grila!

De repente Pezão parou de me xingar e arregalou os olhos na direção do cemitério. Pela cara que ele fez deve ser algo muito sinistro. Pra falar a verdade eu não sei se olho, estão acontecendo tantas coisas estranhas que eu estou ficando preocupado.

Pezão pulou pra fora do carro feito um louco. O que será que ele viu no cemitério?

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Não resisti à tentação, olhei para o cemitério e finalmente descobri o que chamou a atenção do desgraçado. A menina dos cabelos de mijo estava caminhando pelo cemitério de animais.

— Agora eu pego você, sua biscate!!! — gritou Pezão.

Abri a porta do carro e saí também. Quando botei um dos pés pra fora do carro senti uma pontada no ânus, a merda quer sair.

Enquanto isso Pezão corria feito um louco na direção da menina. Ela estava longe, portanto não sei se o que vou dizer agora foi verdade ou não, mas acho que pela primeira vez eu vi a biscatinha sorrir. Após o "susposto" sorriso ela saiu em disparada, desaparecendo num matagal atrás do cemitério. Pezão ficou atordoado por ter perdido a menina de vista.

— Volta aqui, sua filha da puta!!! Você vai desfazer esta macumba que você fez pra mim!!! Volta aqui!!!

Cada um com o seu dilema. Pezão procurando a menina e eu procurando um lugar pra evacuar. E preciso achar um lugar urgente, pois a merda encabeçou e encabeçou feio. Quando eu agachar vai voar merda pra tudo quanto é lado. Isso está me trazendo más lembranças. Estou recordando aquela noite das formigas. Lembram das formigas? Vocês eu não sei, mas eu lembro. Lembro de cada mordida. Tenho pesadelos com aquelas formigas me mordendo o saco até hoje. Sorte que hoje está mais claro, né? Não vou cometer o mesmo engano outra vez. Vou evacuar, mas não vou evacuar em cima de um formigueiro, de jeito algum.

— Vem aqui me ajudar a procurar a biscate, Nando!!! 

— Eu tenho algo mais importante pra fazer!

— Ah, vai cagar no mato!!!

— É justamente isso!!! E preciso fazer urgente!!!

— Então caga logo, porra! Está esperando o papel higiênico chegar?

Verdade. O que estou esperando? Não tem ninguém mesmo, a estrada é deserta, não vimos um carro desde que deixamos a gorda das batatas para trás. Isso aqui está bem próximo do local onde Judas perdeu o tênis.

Mesmo sabendo de tudo isso o instinto não deixou por menos, olhei para ambos os lados à procura de algum sinal de vida. Não achei. O lugar é deserto mesmo. Vou poder fazer o meu rebosteio sossegado. Mas onde? Cuidado com os formigueiros, acima de tudo. A cada passo que eu dou eu sinto a merda implorando pra sair. Está complicado.

— Anda logo, porra!!! — gritou Pezão, puto da vida.

— O cu é meu! Eu cago onde e quando eu quiser! Beleja?

Andei mais uns quinze metros, indo em sentido diagonal ao cemitério, até que eu não suportei mais. Foooooooooooooooooooooooooooooooi. Meu, que alívio. Desta vez não tinha nada de formigueiro nem porra nenhuma pra me morder.

Enquanto eu subia a cueca reparei algo. Eu fiz cocô sobre um túmulo. Lógico, não necessariamente um túmulo, parece mais uma cova, mas dá pra ver um cercadinho e uma plaquinha de madeira enterrada na terra, uma terra bem escura. Bom, pelo menos agora eu entendi o porquê do nome Terra Preta.

— Cadê você, cara? — gritou Pezão novamente.

Preciso descobrir o nome do animal enterrado debaixo da minha merda. Não sei o porquê, mas preciso descobrir. Acho que uma questão de princípios.

Dei a volta no cercadinho e a plaquinha diz o seguinte: "Wilbor (1969 – 1977)".

— Porra, Wilbor, mandei mal. Fiz cocô na sua cova, mas foi sem querer querendo, viu? Pega nada, né?

Pezão estava louco da vida, andando de um lado para o outro, olhando para todos os cantos, procurando pela menina.

— Quantos quilos de merda você fez, cara?

— Pezão.

— Hã.

— Enfia o dedo no cu e morre!!!

— Tá, mas agora vamos procurar aquela pentelha. Você vai por ali eu vou nesta direção.

— De jeito nenhum! Já vi isso várias vezes nos filmes. Alguém sempre se perde. Eu tenho um show pra fazer hoje à noite, não quero ficar preso aqui neste fim de mundo.

— Foda-se então, vamos os dois por aqui.

Entramos num mato sem cachorro, literalmente. O pior de tudo é que o matagal está alto pra caralho. Não dá pra enxergar porra nenhuma. Não estou gostando nada disso. Sou um cara da cidade, não estou acostumado com mato. Posso contar nos dedos a quantidade de vezes que vi uma vaca de perto. Vaca de verdade, quero dizer. Bom, vocês entenderam. Outra coisa que está me dando nos nervos é este silêncio todo, muito cabuloso.

— Acho que estamos perdidos. — eu disse, após uns 15 minutos abrindo caminho entre o matagal.

— Não estamos. Fica frio, sei o que estou fazendo.

— Sabe porra nenhuma!

— Você só reclama, cara!

— É claro! Era pra eu estar em casa agora, sossegado. Mas não! Estou aqui, no meio do mato, com a bunda toda suja de merda, e perdido.

— Acho que ouvi alguma coisa!

— Não ouvi nada.

— Shhhhhh! Fica quieto! Eu ouvi alguém cantando.

Ficamos quietos e de ouvidos atentos.

— Caralho, é verdade! Tem alguém cantando.

— Falei pra você, porra! Vamos em frente, estamos no caminho certo.

A cada passo que damos a voz fica mais clara. Puta merda, eu não acredito nisso, tem alguém cantando Iron Maiden. Era só o que me faltava, alguém no meio do mato cantando "Fear of the Dark", estas coisas só acontecem comigo mesmo.

— Que música é esta? Eu conheço de algum lugar.

— É do Iron. — respondi.

— É a pentelha! É ela que está cantando, não é? É ela sim.

— Só pode ser, né? Se liga! Você já viu algum camponês cantando Iron Maiden?

Finalmente saímos daquele maldito matagal, aquilo já estava me dando nervoso. Não acabava nunca, parecia um labirinto.

Ao sairmos do matagal demos de cara com uma casa caindo aos pedaços. Acho que o local é abandonado, não é possível que alguém consiga viver numa bagaça dessa. A música vem lá de dentro.

— Será que ela mora aqui? — perguntou Pezão.

— Porra, nem o capeta teria a moral de viver num lugar desses.

— Foda-se, ela está lá dentro. Vamos entrar.

Puta merda, neste momento cenas do filme A Bruxa de Blair vieram à minha mente. Lembrei daquela última cena, dentro da casa. Putz! O pior é que esta casa aqui é bem parecida. Era só o que me faltava, morrer justo hoje? Deixa eu morrer outro dia! Hoje tem o show da banda.

— Porra, já viemos até aqui mesmo, foda-se. Vamos lá.

Enquanto nos aproximamos da casa a voz da menina fica da vez mais alta, cantando Fear of the Dark. O pior de tudo é que eu gosto pra caralho desta música. Não seria uma trilha sonora muito ruim pra minha morte, até que seria "cool".

A porta está escancarada. Dos lados há 2 janelas, todas com os vidros quebrados. Entramos na casa. Um cheiro de mofo dos infernos. Nenhuma mobília, nada. Nada vezes nada. A casa só tem poeira e cheiro ruim, nada mais. Ah, e tem a voz da menina ecoando por todos os cômodos, é claro. Seu repertório ainda não mudou, é a mesma música. Porra, ela canta bem pra caralho. Seu inglês é perfeito. Digo mais, ela canta infinitamente melhor do que eu. Pra ser sincero ela canta muito mais do que a babaca da Britney Spears e a metidinha Avril Lavigne juntas.

— Ela manda bem pra caralho, você não acha? — eu disse, enquanto examinamos a casa.

— Não sei de nada, só sei que ela está fodida comigo.

— Pega leve com a menina, Pezão. Você nem sabe se a culpa é dela mesmo.

— Sei sim. A pentelha fez macumba pro meu lado. Agora ela vai pagar caro.

Caralho, não estou gostando do jeito do Pezão, o cara está com um ar meio psicopata. 

A menina está no andar de cima. Vamos ter de subir as escadas. Meu, isso aqui está me dando arrepios. Está cada vez mais parecido com o filme!!! Estou fodido, vou morrer antes de virar um astro do rock. Oh, vida cruel e sem justiça!

— Por quê você olha tanto para as paredes, cara? — perguntou Pezão, enquanto subimos os degraus da escada.

— Estou procurando as marcas das mãos.

— Mãos? 

— Você não lembra do filme A Bruxa de Blair?

— Isso aqui não é filme, Nando.

— Eu sei, seu bosta, mas aconteceram tantas coisas sinistras que eu estou meio velhaco.

— Bom, isso é verdade. Mas sinistro mesmo foi aquele seu peido hoje à tarde. Puta merda, nunca vi algo tão sinistro assim. Se o banco do meu carro ficou marcado você vai ter que me pagar outro novo, seu porra.

Mostrei aquele famoso dedo para o Pezão. Filho da puta.

A música parou. Silêncio total. Não estou gostando.

Terminamos de subir a escada. Estamos diante de um corredor estreito. Estou contando 4 portas. Duas portas de cada lado do corredor. A menina tem que estar dentro de um destes 4 cômodos. Nós a ouvimos cantar muito bem. Ela está aqui. Ela, ou alguma outra menina cantora. Sei lá, mas tem alguém aqui.

— Vamos pegar esta pirralha. — disse Pezão, ainda com o mesmo olhar psicopata.

Raciocinem comigo, eu estou bem na fita, não é? Estou numa casa sinistramente cabulosa, cheirando a mofo, procurando uma menina acusada de macumbeira, e pra ajudar estou com um cara completamente nóia, cujo olhar psicopata meteria medo até no demônio. Sim, caros amigos, se melhorar estraga. Pra ficar jóia só faltam as formigas sinistras grudadas no meu saco.

Caminhamos até o primeiro cômodo. Nada. Só poeira e uma cama velha. A janela aberta revelou o céu querendo escurecer. Caralho, que horas são? Peguei meu celular e tomei um puta susto. Nada. Estava mortinho. Não, caros amigos, não é falta de bateria, pois eu juro que hoje de manhã coloquei esta bagaça pra carregar, eu juro!

— Pezão, dá uma olhada no seu celular.

— Vai ligar pra mamãe? Está com medinho?

— Vai se foder, porra!!! Está achando que estou de brincadeira? Olha seu celular. Aposto que está tão morto quanto o meu.

— Cara, você anda vendo muito filme de ter....

Pezão olhou assustado para o seu celular.

— Aposto que está morto, não está?

— Ah, foda-se, está. E daí?

— Sinistro, cara.

— Vamos acabar logo com isso.

Pezão entrou de supetão no outro cômodo.

— Te peguei, filha da puta! — gritou ele.

Nada. Mais poeira, e nem cama tinha. Outra janela, desta vez fechada, mas com os vidros todos quebrados. Meu, esta casa daria um ótimo filme de terror.

— Bom, só restam aqueles dois quartos. Agora a gente pega esta filha da mãe.

Meu coração está em disparada. E eu sei que o Pezão também está nervoso, ele quer se fazer de durão mas está cagando na calça também. Estou vendo os passos trêmulos dele.

O silêncio continua. Eu gostava mais quando ela estava cantando. Ficava menos assustador. Ela tem uma voz gostosa.

Bom, é agora ou nunca. Só restaram as duas portas.

— Eu olho a direita e você olha a da esquerda. — sussurrei.

Pezão fez que sim com a cabeça.

É agora.

Nada. Pelo menos atrás da minha porta eu não vi absolutamente nada, só poeira. Até estiquei o pescoço pra dentro do quarto, mas não vi nada mesmo.

Pezão também não teve sorte melhor. Vazio o quarto dele também. Ele ficou inconformado.

— Não pode ser! Não pode ser! Nós ouvimos ela cantar, não ouvimos?

— Claro que ouvi!

— Então! Como pode isso?

Avistei a janela escancarada.

— Ela pode ter escapado por ali.

Pezão correu até a janela.

— Impossível. Olha a altura disso aqui! Não, ela não seria capaz.

Aproximei-me da janela e Pezão tinha razão, ela jamais teria conseguido escapar pela janela, o lugar era alto demais. Sinistro!

Pra não dizer que o quarto está completamente vazio há um espelho pregado na parede, só isso. E a maldita poeira. Nada de menina macumbeira. Mas a gente ouviu ela cantar! Ela estava aqui, com certeza.

Pezão, puto da vida, parou diante do espelho.

— Vamos embora, cara, — eu disse. — não há nada que a gente possa.....

De repente Pezão olhou pra mim, com os olhos tão esbugalhados que mais pareciam duas bexigas brancas.

— Não é possível! — gritou Pezão, apavorado. — Não é possível! Cadê ela? Pra onde ela foi?

— Do que você está falando?

— Ela estava do seu lado! Eu vi! Eu vi!

— Do meu lado? Você comeu cocô? Não tinha ninguém do meu lado.

— Tinha sim, porra! Eu vi vocês no espelho. Ala estava do seu lado, sorrindo pra mim. Maldita biscatinha!

— Cara, você está pirando na batatinha. Acho melhor irmos embora mesmo.

— Eu juro que eu vi! Ela estava bem aí do seu lado, cara!

Pobre Pezão, está delirando. A fim de não contrariá-lo eu dei uma olhada no espelho. Mas não vi nada além do reflexo normal. O cara está pirando, e depois fala que eu é que ando vendo muito filme de terror.

— Vamos embora, cara. Ela continua namorando o seu irmão, não continua? Espera ela vir até sua casa, seu bosta. Será muito mais fácil.

De repente eu notei algo no reflexo do espelho, algo além do Pezão.

Caraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalho!!! Eu vi a menina também! Ao lado do Pezão!!! Era ela! Aquela mesma cara de bunda. Aqueles mesmos olhos de peixe morto. Aqueles mesmos cabelos negros até a cintura. Meu coração quase saiu pela boca.

— Pra onde ela foi? — eu gritei.

— Você também viu a filha da puta no espelho, não viu?

— Caralho, Pezão! Eu vi sim. Estava do seu lado também.

— Foda-se, eu vou embora desta porra. Fui!

Pezão saiu correndo feito um doido. Eu também. Esta casa aqui está sinistra demais para o meu gosto. Fui também!

Caralho, o lance da menina no espelho ainda não deixou minha cabeça. Eu juro que vi aquela biscatinha bem ao lado do Pezão, mas não estava sorrindo, estava com a mesma cara de pastel de sempre. Que doido!

Foi foda pra achar o caminho de volta. Ficamos perdidos mais de meia hora naquele matagal dos infernos. Eu me senti dentro daquele filme "Colheita Maldita". Só faltaram os pentelhos caipiras me perseguindo e tal.

Finalmente encontramos o carro. Pezão, como sempre, saiu cantando os pneus. Desta vez só o som foi diferente, afinal de contas não era asfalto, mas terra, terra preta. Se depender de mim eu nunca mais coloco os pés neste lugar novamente. Eu, hein! Agora eu entendi porque a gorda ficou branca quando Pezão mencionou o nome do bairro. Acho que até o capeta tem medo de passar por aqui.

Durante o caminho de volta eu notei que Pezão estava meio preocupado. Toda hora ele olhava pra mim com uma cara meio estranha.

— Fala logo, cara! O que foi? Viu a biscatinha do meu lado outra vez?

— Não.

— O que é então?

— Você limpou direito o cu aquela hora?

— Ah, vai se foder!

— Porra, este banco é novinho! Você e seu cu sujo vão deixá-lo num fudum desgraçado! Hoje eu pretendo traçar a Aneri, e o rala e rola vai começar bem aqui, né?

— Como é que é? Você acha mesmo que vai comer a Aneri hoje?

— Acho não, eu vou.

— Vai o escambau! Por quê você acha isso?

— Hoje ela não me escapa. Não sei, mas estou sentindo. Hoje depois do almoço, quando eu estava ....

— Chorando igual um veadinho desamparado???

— Veadinho desamparado o caralho! Eu estava na pior, só isso. Mas então, como eu ia dizendo, aquele momento quando ela me abraçou eu senti.

— Sentiu o quê?

— Sei lá, senti que ela quer dar pra mim.

— Ah, se liga! Mulher quando quer dar ... dá logo. Ela entra e sai da sua casa faz tanto tempo, se ela quisesse mesmo já teria liberado pra você.

— Não é sempre assim. Existem algumas garotas que são difíceis. Ouvi dizer.

— Tão difícil que ela já transou na sua casa e você nem ficou sabendo.

Pezão freou o carro de forma tão brusca que se eu não estivesse usando o cinto eu teria voado longe.

— Puta merda, cara! Comeu cocô???????? Como é que você pisa no freio deste jeito??? E se tivesse uma carreta gigantesca atrás da gente?

— Como é que é? A Aneri transou na minha casa? Com quem? Quando? Como você sabe? Ficou louco?

— Também tenho meus segredos.

— Segredo o caralho! Você vai me contar agora esta história.

— Vou porra nenhuma! Você não me contou o que a menina macumbeira fez pra você até agora, também não conto a minha história.

Notei o sangue do Pezão fervendo dentro de suas veias. Ele estava prestes a explodir. Seu rosto ficou tão vermelho que mais parecia um tomate gigante.

— Você teve a moral de comer a piranha na minha casa??? Porra, Nando! Porra!

— Já falei, cara. Nem digo que sim, nem digo que não. Enquanto você não me contar o que a biscatinha fez pra você eu também não abro o bico. Beleja?

Pezão estava puto puto puto. As veias da testa dele saltavam mais que crianças num pula-pula. O filho da puta pisou com tanta força no acelerador que o carro foi jogado pra frente com uma força fora do comum. Talvez tenha sido a queimada de pneus mais irada da história. Nunca vi Pezão tão puto assim em toda a minha vida. Puta merda, e o pior de tudo é que o desgraçado está no volante. Se eu chegar em casa com vida será um milagre. Oh, vida cruel.

Lar, doce lar!!! E estou vivo!!! Milagres realmente acontecem.

— Sai! — gritou Pezão, ainda puto da vida. — Tira este cu fedido do meu banco!

— É pra já.

— Estou muito puto com você, seu porra!

— Deu pra notar. — desci do carro. — Você parece bem recuperado. Não vai tocar com a gente?

— Não sei. Acho que a banda acabou. Não quero mais saber de porra nenhuma.

— Como assim acabou? Todos estes ensaios pra nada? Ah, se liga!

Pezão pisou fundo e saiu queimando os pneus mais uma vez. O filho da puta me deixou falando sozinho. Será que ele falou sério? É o fim da banda? Que merda.

O celular está tocando. Bom, já é um bom sinal, meu celular voltou a funcionar. Não acredito! É a loira!

— Fala, minha baterista favorita, beleja?

— Beleza o caramba! Onde é que vocês dois se meteram?

— Calma, eu posso expli....

— Faz mais de duas horas que estou tentando falar com vocês e nada!

— Nossos celulares estavam mortos e....

— Esqueceram do show de hoje à noite? Foi muita irresponsabilidade de vocês, viu?

— Calma, gata! Pega leve... se você soubesse o que aconteceu estaria dando colinho pra nós ao invés deste esporro todo.

— Colinho o escambau! Estou muito puta da vida com vocês dois.

— Fica puta da vida com o Pezão, ele quer acabar com a banda, sabia?

— O quê? Como assim? Ah, ninguém merece, viu?

— É verdade, o filho da pu....

Ela desligou o telefone na minha cara. Caraca! A loira está realmente muito puta da vida, nunca a vi deste jeito. Achei sexy, vocês não? Hehehe.... Imagina uma gata daquelas gritando comigo no motel .. "Tira minha roupa agora! Vai! Me pega de quatro! Rápido!" … Melhor nem imaginar. Putz! Loucura loucura loucura.

Porra, preciso de um banho urgente. É foda cagar no mato. Não tem papel, vocês sabem. Putz, ninguém merece.

Estou no banho.

Enquanto lavo, escovo e esfrego... apenas um pensamento me vem à cabeça: Será que não vai ter mais show esta noite? Será que a banda realmente acabou antes mesmo de começar? Meu, sacanagem.

O celular está tocando novamente. Sequei as mãos e atendi o bagulho. É ela novamente.

— E aí, ligou pra me dar outro esporro?

— Não, estou mais calma. Desculpa.

— Tudo bem, não esquenta. Pra ser sincero eu acho você muito sexy quando está nervosinha.

— Bobo!

— Está conversando com um homem nu, cuidado com o que fala.

— Nossa, é mesmo? Hmmmmmmmmm.

— É sim, estou no banho.

— Isso mesmo, vai se aprontando, porque daqui a pouco vamos passar aí pra pegar você.

— Como assim? Então vai ter show?

— Claro que vai! Você acha que eu ia perder a oportunidade de subir num palco mais uma vez? Fiquei excitadíssima quando surgiu a oportunidade de tocar com vocês.

Puta merda, quando a loira falou "excitadíssima" subiu tudo aqui.

— Você falou com o Pezão?

— Falei sim. Fica frio, foi alarme falso. Já o convenci.

— Ótimo!

— Mas o que você fez pra ele, hein! O cara está irado com você.

— Ah, o Pezão viaja. Ele já aprontou tantas comigo, eu quero que ele se foda. Quer ficar puto comigo... fique. Estou cagando e andando.

— Bom, vocês são brancos ... vocês que se entendam. Já dei o meu recado. Continua seu banho aí e anda rápido, dentro de alguns minutos estaremos aí. Beleja?

Hahahaha... que bonitinho a loira falando "beleja" … gostei.

— Está aprendendo, né?

Ela caiu na gargalhada.

— Enfia o dedo no cu e morre! — ela disse, caindo na gargalhada outra vez. — Vocês dois são duas figuras. Meu, ninguém merece. Qualquer dia desses vocês vão acabar substituindo Hermes e Renato na MTV.

Sorri de volta.

— Bom, é isso. — ela disse. — Beijinhos, fui.

Puta merda, não teve jeito, terminei o banho de bilau ereto. Ai se ela estivesse aqui comigo agora... hmmmmmmm ... Um dia eu chego lá.

Saí do banho e dei de cara com o meu pai. Ele me olhou com uma cara meio sacana e disse:

— Com quem você estava falando no banheiro? Você fala com o seu.. ?

— Claro que não, pai! Se liga, né?

Meu pai ficou rindo da minha cara, parecia uma hiena velha com bronquite.

— Era a loira.

— Aquela?

Fiz que sim com a cabeça.

— Opa, então estamos progredindo. — disse ele, fazendo sinal de jóia. Meu pai é uma figuraça mesmo.

— Eu chego lá, pai. Fica sossegado. Ela vai substituir o Pezão na banda hoje, sabia? Estou sentindo ótimas vibrações.

— É mesmo? Então vocês vão "tocar" juntos.

Meu pai está foda!!! Repararam no que ele acabou de dizer? Ele até fez uma carinha sacana quando disse a palavra "tocar" ... hahaha... Nunca vi meu pai tão sem-vergonha assim antes. Caraca!

— Pelo menos em cima do palco ... com certeza.

Nós caímos na gargalhada. Como é lindo o relacionamento pai e filho, não é? Hahaha.... A pureza dos sentimentos.

Corri para o quarto e me troquei rapidinho. Não preciso ficar com frescura para roupa, não acham? Banda de rock é assim, qualquer merda que você vestir está valendo. Foda eram aquelas bandinhas Pop que cada integrante usava a mesma roupa, mas de cores diferentes, lembram? Meu, que bosta. Fala, Power Rangers!!!

Coloquei uma camiseta preta bem velha e uma calça jeans. Peguei meu tênis mais batido e pronto. Ah, e joguei 4 camisinhas em cada bolso da calça, é claro. Não volto pra casa sem comer algumas fãs, sejam elas pés-vermeios ou não, foda-se. Pexeca é pexeca, pau pra dentro. O importante é gozar no final.

Antes eu preciso tomar um lanche, certo? A cagada no mato me deixou leve demais. Estou de estômago vazio. Todo mundo sabe que encher a cara de barriga vazia é foda.

Sentei à mesa e minha mãe apareceu do nada, como uma guerreira ninja na floresta.

— É hoje que vocês vão tocar pela primeira vez? — perguntou ela, com uma cara bem desconfiada.

Dei uma puta mordida no pão com queijo e presunto, mastiguei e respondi:

— Ahã!

— Que tipo de música vocês tocam?

— Rock, mãe.

— Sei. Estas músicas de hoje em dia não prestam. Só falam palavrão.

— Nem todas, mãe.

— Música boa tinha na minha época. Aquilo sim era música.

— Sei, mãe.

— Vocês não tocam estas músicas com palavrões, tocam?

— Ah, mãe, sei lá! Algumas, né?

— Fernando!!!

— O que foi, mãe?

— É culpa daquele Pezão, você não era assim!

Mãe é foda mesmo. O filho é sempre um anjo! Ela acha que o Pezão me levou para o mau caminho. Não foi bem assim. Somos amigos há muito tempo, na verdade ninguém levou ninguém para o mau caminho, nós fomos juntos. Tudo bem que Pezão é mais filho da puta, mas eu também não sou nenhum santinho. Se algum dia Pezão resolver contar nossas aventuras do jeito dele, o bicho pode ficar feio pro meu lado também. Vocês podem estar por dentro do que acontece na minha vida, mas eu não conto tudo. Não sou doido, certo? Também mereço minha privacidade.

Ufa! Uma buzina tocou duas vezes no portão de casa. São eles.

Pulei da cadeira, dei um beijo no rosto da mama e saí correndo pela sala.

— Termina seu café, menino! — gritou minha mãe.

Mãe é sempre mãe, que bom. E eu amo a minha, apesar de algumas viajadas que ela dá.

Pezão ao volante, a porta do carro aberta, Aneri de pé ao meu portão. Bom, eu gostaria que não tivesse nenhum Pezão na história, queria que estivéssemos só eu e a loira no carro, mas ... eu chego lá.

— Está cheiroso, hein! — disse a loira, linda como sempre. 

— Minhas fãs merecem, não é? — respondi, beijando sua bochecha macia.

— Vai, metido!!! Meu irmão também vai ter muitas fãs, viu? Gato como ele é.

— Dá um tempo! Seu irmão parece o capeta chupando pirulito no escuro! Além disso eu acho que ele gosta de oooooooutra fruta.

— Besta! Não fala assim! — A loira me deu um tapão no ombro. Caraca, doeu. Ela tem uns braços fortes. Claro, a mulher é baterista, tinha que ter braços fortes mesmo.

— As duas vão entrar ou vão ficar de briguinha aí na calçada? — gritou Pezão, com uma cara de poucos amigos.

Aneri olhou pra mim, sorrindo, e disse em tom de deboche:

— Xiiiiiiiiiiiiiiii, o homi tá bravinho de novo, oh dó!

A fim de não deixar o Pezão ainda mais puto nós entramos no carro. Sentei-me no banco de trás e Aneri ficou no banco da frente. Porra, bem que eu poderia pegar o carro do meu pai emprestado e ir sozinho com a loira, né? 

Bom, parece uma ótima idéia, mas analisando bem não é. Raciocinem comigo, vou tomar todas para o show, vai ser foda voltar dirigindo, e se acontece alguma coisa com o carro do velho ... ele me mata.

Dane-se, vamos assim mesmo.

Pezão saiu cantando os pneus, como sempre. E hoje mais do que nunca, afinal de contas ele vai querer fazer de tudo para impressionar a loira. Conheço o figura. Aposto como tem camisinha espalhada por todos os cantos do carro. Ops! Não falei? Achei uma. Bom, achado não é roubado, agora é minha.

— E o Grilo? — perguntei.

— Olha pra trás. — respondeu Aneri.

Olhei e lá estavam eles, Grilo e Bruno na kombi.

— Porra, nem estou acreditando que vamos subir num palco de verdade.

— Está com medo, Nando?

— Um pouco.

— Não se preocupe, depois da primeira música você se acostuma.

Silêncio dentro do carro, até que...

— Eu fico excitadíssima quando toco. — caiu a bomba.

— É mesmo? — perguntou Pezão, olhando pra ela com aquela cara de filho da puta.

— Ahã. Eu sempre terminava nossos shows toda molhadinha.

Ah, fala sério! A loira está com fogo na bacurinha, não acham?

— Nossa, você ficava "no ponto" então. — eu falei.

— Com certeza.

Meu, a loira está a fim de dar hoje á noite, não precisa ser gênio pra descobrir. Agora resta a dúvida, ela quer dar para mim ou para o Pezão? Oh, dúvida cruel. Mas uma coisa é certa, ela está com fogo na bacurinha.

Foda-se, já que ela está provocando, vou seguir no mesmo nível.

— Sempre que terminava o show você dava pra alguém? — perguntei. 

— Sim, geralmente meu namorado me levava para o carro dele e fazíamos ali mesmo. Era adrenalina pura!

— Puta cara de sorte, hein! — falou Pezão.

— É, ele não reclamava não! — disse a loira, rindo feito uma louca.

— Claro que não, né?

— E quando não tinha namorado? Aconteceu de você transar com algum ... ?

— Fã da banda? Sim, algumas vezes.

Algumas vezes? Puuuuuuuuuuuuuuta merda! A loira está escancarando! Pelo jeito ela dava mais que chuchu na serra lá em Santa Catarina, hein! Caraca! Só tem cara de anjo mesmo.

— Bem safadinha você, não? — disse Pezão, tirando um sarrinho.

— Ah, eu terminava os shows com vontade, ué! O que tem de errado? Eu procurava o cara mais bonito da platéia e dava pra ele. Normal.

— Normal? Normal pra você, pro cara era excepcional! Pensa bem, o cara pagava 10 paus pra assistir um show e acabava a noite com uma gataça dessas. Fala sério.

— Brigadinha. Mas não pensem mal de mim, por favor! Eu só fazia com camisinha.

E a conversa seguiu neste ritmo por mais um bom tempo.

O tal do Forró do Zé Bedeu fica num bairro tão afastado quanto o Terra Preta. Eu só espero que não seja amaldiçoado quanto. Putz, a estrada tem mais buracos que um queijo suíço. Pezão está puto da vida, a estrada está detonando o seu precioso carrinho.

— Não foi por aqui que encontraram uma das vítimas do Macaco Virgem? — perguntou Aneri, com uma voz amedrontada.

— Acho que foi sim. — respondeu Pezão.

— Eu só queria saber quem foi o imbecil que inventou esta história ridícula. — eu falei.

Aneri colocou seu rosto lindo entre os bancos da frente e me olhou com uma cara bem séria, dizendo:

— Você não viu a reportagem? Acharam esperma de macaco na menina!

— Na internet você acha vídeo de mulher transando até com cavalo. Grande coisa!

A loira fez uma puta cara de nojo.

— Ai, Nando!!! Credo!!!

Alguns minutos depois nós finalmente encontramos o lugar. Como eu já citei antes, o bagulho é bem tosco, parece um curral, só que bem maior. Ah, foda-se, saiu na chuva é pra se molhar. Vamos tocar e pronto. Quem gostar, gostou. Quem não gostar ... pega aqui, ó!!!

O local ainda está vazio, por enquanto só tem o pessoal da segurança e a galera que trabalha nas barracas de comes e bebes. Pezão parou o carro logo atrás do palco, como aconselhou um dos seguranças.

Grilo e Bruno ficaram para trás. Coitada da kombi velha, deve estar sofrendo com aquela maldita estrada cheia de buracos.

— Puta merda, eu só espero que os instrumentos cheguem inteiros aqui. — eu falei.

— Não estou botando muita fé, nunca vi uma estrada tão ruim! — disse Aneri.

Ficamos calados por alguns minutos, ansiosos pela chegada da kombi. Nem sinal. Descemos do carro. Aneri ligou para o celular do irmão.

— Onde vocês estão? — perguntou ela, impaciente. — Ah, entendi. Eu sei, é realmente muito esburacada. Nós já estamos aqui. Ok, estamos esperando. Tchau, beijinho.

E a loira desligou o celular.

— Eles estão chegando, não se ... — antes que Aneri terminasse a frase Pezão agarrou sua bunda e tentou beijá-la. Ela o afastou de leve, rindo. — O que você está fazendo?

— Ah, fala sério, é isso que você quer. — ele disse.

— Você tem razão, eu quero.

Puta merda, dancei. Pezão filho da puta vai comer a loira e eu vou ficar com as pé-vermeio. Sacanagem!

Pezão tentou beijá-la novamente, ela recusou outra vez. Pezão ficou irado.

— Porra, gata, o que foi?

— Eu quero, mas depois do show.

Estranho, ela respondeu olhando pra mim. Pezão percebeu.

— Não estou entendendo! — disse ele, puto da vida. — Você quer dar pra mim ou pra ele?

Aneri sorriu para nós dois e disse:

— Vocês ainda não perceberam?

Eu acho que já percebi, e vocês?

— Percebi o quê? — perguntou Pezão.

— Eu quero vocês dois. 

Eu sabia!!! Eu sabia!!! Bem que eu desconfiei!!! Um ménage à trois!!! Bom, para os menos avisados "ménage à trois" significa uma transa a três. Caraca!!!

— Os dois? — Pezão fez uma cara de assustado.

— Sim, já faz algum tempo que eu venho pensando nisso, mas eu não sabia se vocês topariam.

Porra, a kombi tinha que chegar justo agora? Aneri começou a falar baixinho:

— Vocês topam ou não?

— Foda-se, eu topo! — disse Pezão.

— Tô dentro! — respondi.

O sorriso da loira foi tão sexy que senti uma vontade louca de partir pra cima dela agora mesmo. Mas me segurei.

Grilo parou a kombi bem ao lado do corsa do Pezão. A loira colocou o dedo indicador erguido diante dos lábios e fez um "shhhhhhhhhhh".

Capítulo 14 · 3... 2... 1... Vai!!!

— Vocês topam ou não?

— Foda-se, eu topo! — disse Pezão.

— Tô dentro! — respondi.

O sorriso da loira foi tão sexy que senti uma vontade louca de partir pra cima dela agora mesmo. Mas me segurei.

Grilo parou a kombi bem ao lado do corsa do Pezão. A loira colocou o dedo indicador erguido diante dos lábios e fez um "shhhhhhhhhhh".

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Meu, não estou acreditando! Vou comer a loira depois do show! Bom, eu e o Pezão vamos comer a loira, melhor dizendo. Ah, mas foda-se! Deve ser a mesma coisa que repartir um sanduíche, não é? Porra, na verdade deve ser melhor do que repartir um sanduíche, pois quando se reparte alguma coisa você fica com a metade, e numa transa a três você não fica com a metade da mulher ... você come ou espera sua vez ou ... Ah, vocês sabem muito bem como é, todo mundo já assistiu filme pornô alguma(s) vez(es) na vida.

Caraca, pensando bem, vai ser muito tosco olhar para o Pezão pelado, acho que isso corta qualquer tesão do mundo. Putz!!! E agora? Será que eu consigo transar com a loira sem olhar a bunda branca do Pezão? Tomara que sim, pois eu acho que esta visão vai me deixar cego por uns cem anos. Pior, e se meu pau acabar encostando nele? Puuuuuuuuuuuuta merda!!! Sai fora!!! Pior ainda, e se ... Nãooooooooooooooo!!!

Caralho, acho que um ménage à trois não será uma boa idéia. Há muitos riscos. Meu sonho sempre foi fazer isso com duas mulheres. Aí sim, deve ser maravilhoso!!!

— Nando!!! Nando!!! Acorda, porra!!! — Grilo gritando meu nome.

— Hã? O que foi?

— Acorda, caralho! Está dormindo? Precisamos levar os instrumentos para o palco. Vamos! Só porque é o vocalista você acha que não vai ajudar, porra!

Mostrei aquele famoso dedo para o Grilo.

Quando eu carregava um dos pratos da bateria para o palco senti alguém passando a mão na minha bunda, era a loira. Ela está com muito fogo na bacurinha. Olhei pra ela e recebi um sorrisão bem gostoso. Sorri de volta e continuei meu caminho.

— Vocês não vão se arrepender. — disse ela, bem baixinho, e dando uma piscada marota ao terminar a frase.

— Aposto que não. — respondi.

E foi assim o tempo todo. Enquanto montávamos os equipamentos no palco ela ficava nos provocando, quando o irmão não estava por perto, é claro. Num determinado momento ela pegou uma das baquetas e a chupou inteirinha, passando a língua de forma bem provocante. Puta merda, fiquei de pau duro só de ver. Meu, a loira quer fazer a gente gozar na cueca antes da hora? Vai com calma, Aneri! 

Uau, o bicho vai pegar depois do show. Não concordam? A cuecada do inferno deve estar roendo as unhas de inveja... hehehe. Um dia vocês chegam lá, tenham calma.

Instrumentos ligados. Técnico de som ajustando os detalhes. Pés-vermeios chegando. Barraquinhas vendendo suas primeiras fichas de cerveja e caipirinha. O negócio está começando a esquentar. Aneri continua nos provocando. Só falta uma coisa! Sim, eu ainda estou sóbrio!!! Putz, eu já estava esquecendo deste detalhe.

Pezão trouxe algumas garrafas da sua batida. As garrafas estão no carro.

— Pezão, empresta as chaves.

— Você não vai a lugar algum com o meu carro, porra! Nem vem que não...

— Não é isso, seu bosta! Eu preciso tomar umas, esqueceu?

— Ah, é. Certo.

Pezão meteu a mão no bolso e me entregou as chaves. Quando eu me afastei um pouco ouvi:

— E aí, o que você achou?

Parei e olhei para Pezão, ele estava com aquela cara de filho da puta dos velhos tempos.

— Do ménage à trois? — perguntei, já sabendo a resposta.

— Claro, porra!!!

— Cara, vai ser muito foda.

— Vai mesmo. Porra, a gente nunca fez isso .... quero dizer, juntos.

— É verdade, vai ser estranho pra caralho.

— Realmente, estranho pra caralho.

Silêncio constrangedor. Até que...

— Ah, só mais uma coisinha. — disse Pezão. — Teremos de fazer isso no escuro.

— Porra, a idéia até que não é ruim, porque eu não quero ver sua bunda branca perto de mim não e .... — caiu a ficha. — Isso tem alguma coisa a ver com a macumba da menina? — Comecei a rir feito uma hiena com câncer no ânus. — O que ela fez com o seu pau?

Pezão ficou azul de raiva.

— Não é da sua conta, porra!!!

— Eu sei que não é, mas deve ter sido algo bem engraçado, conta aí!

Pezão estava prestes a me dar um soco. Mas Bruno surgiu do nada, dizendo:

— Faltam exatamente noventa minutos para subirmos no palco, Nando! A gente ainda nem passou o som! E você continua sóbrio?

— Fica frio, já vou encher a cara, fica frio.

E foi exatamente o que eu fiz.

Pezão preparou 3 garrafas de refrigerante cheias com a sua famosa batida. Eu ainda não sei que diabos tem nesta merda, eu só sei que realmente é boa e faz você ficar muito louco bem rapidinho. Justamente o que eu preciso, não é? Então foda-se. A banda precisa de mim e eu preciso de álcool, então vamos nessa!

Meu, o lugar está ficando cheio de gente, nunca vi tanta pé-vermeio assim na minha vida, tem de todos tipos e pra todos os gostos, tem banguela orelhuda, tem vesga de cabelo desbotado, tem nariguda com as pernas tortas, e até que tem algumas comíveis. Eu só sei que o bagulho está lotando. It's now or never, baby! Não se assustem, quando eu começo a ficar bêbado eu tenho a mania de falar algumas coisas em inglês. Não é sempre, mas acontece. Não me perguntem o motivo, não tenho a menor idéia. Bom, até que não é um hábito assim tão desprezível, certo? Tem gente que fica bêbado, bota o pau pra fora da calça e sai chacoalhando, né? That's right, mother fuker!!! Suck my balls!

A banda já passou o som. Já testei o microfone. Aneri já está excitadíssima com as baquetas nas mãos. O curral está cheio. Agora não tem mais volta. Ou dá ou desce.

Estou bêbado feito um pudim de cachaça, melhor dizendo, I'm ready to rock your world, baby!!!!

Estou emocionado, o próprio Zé Bedeu veio nos desejar sorte. Bom, eu acho que é ele, sei lá! Um gordo feio pra caralho, com um palito gigantesco entre os dentes. Aproximou-se de nós, colocou as mãos no meu ombro e no ombro da Aneri, e disse:

— Olha, estou botando fé em vocês, hein! — Seu bafo está pior que o meu. — Tudo bem que eu queria mesmo a outra banda, mas já que eles não puderam tocar, foda-se, vamos ver no que vai dar.

— Não se preocupe. — disse Aneri, com uma voz calma e serena. — O caldo vai ferver, pode apostar. Vamos detonar.

O gordo olhou com cara de tarado pra Aneri. O bafo foi tão grande que Aneri fez uma careta terrível.

— É bom mesmo, mocinha. — disse o gordo. — Caso contrário a casa vai cair pra vocês. Não deixo vocês tocarem em nenhum outro lugar aqui da região. Compreendido?

— Sim, senhor. — respondemos, juntos.

O maldito gordo largou nossos ombros e subiu no palco. Sua bunda conseguia ser maior que a bunda do Mamute. Putz grila! O gordo catou o microfone e fez sinal para o cara do som abaixar o volume da música. Ele vai nos apresentar, eu acho.

— Hoje é uma noite muito especial para a banda que vai tocar para vocês, pessoal.

Uma gritaria ensurdecedora. Fiquei até arrepiado. Tem muita gente na bagaça!

O gordo prosseguiu:

— Hoje será a primeira, ou talvez a última ... apresentação destes garotos.

O maldito gordo começou a rir. Novamente uma gritaria louca. Tem muita pexeca!!! Deu pra ouvir muitos gritos femininos. Tem pé-vermeio saindo pelo ladrão. Isso é bom, se a Aneri desistir do ménage à trois eu vou partir pra cima das pés-vermeios comíveis.

— Filho de uma puta dos infernos! — resmunguei baixinho, Aneri começou a rir.

— Deixa ele falar, vamos calar a boca deste gordo tarado com rock'n roll.

O gordo voltou a falar:

— Eu tenho a honra de apresentar pra vocês ... — subimos no palco feito loucos. — ... Os Redi Fót Unters!!!

Putz!!! Já começamos com o pé esquerdo, o gordo ignorante não sabe falar inglês e pronunciou o nome da banda de uma forma super tosca. É Red-Foot Hunters, sua baleia burra dos infernos!!!!!!!!

Subimos ao palco e fomos aplaudidos. Bom, isso porque eles não ouviram a gente tocar ainda, certo? Hehehe.... Eles iriam aplaudir até o Osama Bin Laden vestido de Bozo.

Todos prontos, instrumentos em mãos. Aneri sentadinha atrás da bateria, linda como o nascer do sol numa manhã de verão. Meu, vou comer esta loira com gosto, não quero nem saber.

Peguei o microfone e confesso que fiquei com um certo cagaço. Tremi dos pés a cabeça. Olhei para aquele monte de gente me encarando e senti um calafrio como eu jamais sentira antes. Estou bêbado, mas não estou morto, né? Ainda sou um ser humano com emoções. Tudo bem que a pinga me deixa bem solto, mas uma parte de mim continua racional, eu sei que posso pagar o maior mico da minha vida diante desta multidão de pés-vermeios do inferno.

Foda-se! Let's go!!!

Apertei o microfone com força e gritei bem alto:

— Are you ready to rock'n roll ???

Silêncio. Não absoluto, mas silêncio.

Porra, será que só eu ouvi? Vou repetir:

— Are you ready to rock'n roll ???

Nada. Vi um monte de pés-vermeios olhando umas para as outras, meio perdidas.

Aneri saiu de trás da bateria e sussurrou no meu ouvido:

— Nando, acorda!!! Olha bem para a cara deste pessoal, você acha que alguém aí entende inglês??? FALA EM PORTUGUÊS, CARALHO!!!

A loira gritou tão alto no meu ouvido que eu aposto que muita gente na platéia também ouviu. Ah, foda-se. Esperei Aneri voltar para a bateria, olhei nossa seqüência de músicas no chão outra vez e mandei ver, agora em português, é claro:

— Vocês estão prontos para uma noite de muito rock'n roll ???

Agora sim!!! Foi emocionante pra caralho ouvir aquele monte de gente gritando: Simmmmmmmmmmmm!!!!

Prossegui:

— Vamos lá, galera, estamos aqui com um único objetivo, fazer a casa tremer!!! Beleja? Ah, só mais uma coisa, o nome da banda é Red-Foot Hunters.

Virei para trás e recebi o "Ok" dos três. Vi Pezão lá no fundo do palco, perto da loira. Bom, tudo pronto. É agora!!! Santa Pixirica, nunca senti tanto pavor em toda a minha vida. Foda-se, saiu na chuva é pra se molhar.

3 ... 2 ... 1 ... Vai!!!

Já começamos detonando, Raimundos, com a música Mulher de Fases. Caraca, a galera pirou! Bem que a Aneri me alertara, depois da primeira música tudo fica melhor. A adrenalina baixa um pouco e tudo começa a fluir com mais naturalidade. Eu estou adorando isso aqui! Será que eu nasci mesmo pra ser um Rock Star? Que maneiro, hein!

Tudo estava indo muito bem, até que comecei a quarta música e pintou um quebra-pau no meio do curral. Vi cadeiras e mais cadeiras voarem. A galera se esparramou geral. Paramos de tocar, enquanto isso os seguranças corriam pra lá e pra cá. Foi o maior barraco.

Quando tudo se acalmou novamente nós recomeçamos nossa apresentação, com uma das minhas músicas favoritas do Rappa, A Minha Alma. Porra, a galera gostou pra caralho. A nossa banda não é lá estas coisas, eu admito, mas a Aneri na bateria deu gás novo, a loira toca pra caralho. Ainda bem que ela está lá atrás, porque a cuecada ia ficar secando se ela estivesse aqui na frente junto comigo.

Não sei se vou conseguir terminar isso aqui inteiro, já faz mais de uma hora e meia que estou cantando, não estou acostumado com isso. Nossos ensaios jamais ultrapassavam uma hora de duração. Opa! Estou vendo o gordo filho da puta subindo ao palco, acho que ele vai pedir pra encerrarmos a nossa apresentação. Tomara!

Terminei de cantar e ele me chamou num canto. Na platéia ninguém saiu do lugar. Meu, acho que realmente estão curtindo nosso show!

— Parece que o pessoal gostou de vocês. — disse ele, com um bafo ainda mais terrível.

— Acho que sim.

— O outro ambiente não foi muito bem hoje, e reparei que vieram todos pra cá.

— Eu percebi que aumentou o número de pessoas de repente.

— Contratei uma bandinha de pagode muito fuleira, eles não agradaram.

— Sei.

Eu tenho minha teoria a respeito de bandas de pagode, mas resolvi não compartilhá-la com o gordo. Acho que seria perda de tempo. Grupo de pagode é tudo igual, tudo a mesma merda.

— Mas a galera do pagode consome bastante. — prosseguiu o gordo. — Então eu quero que eles fiquem por aqui. Cantem mais algumas músicas. Eu pago cinqüentinha além do combinado.

— Não sei se consigo, estou ficando sem voz.

— Consegue sim.

O gordo me deu um tapinha no ombro direito e me deixou falando sozinho.

Ah, foda-se. Estou bêbado mesmo, e a galera está curtindo pra caralho, vamos nessa!

Voltei para o palco e expliquei a situação para Aneri, Bruno e Grilo. Todos toparam.

Tocamos algumas músicas do Legião Urbana, algumas dos Paralamas e encerramos a bagaça com a música Cabrobró, do Tianastacia. 

"Se o cara nasce mané, cresce mané, morre mané manéeeeeeeeeeeeee!!!"

Curto pra caralho esta música. Se vocês não a conhecem precisam conhecê-la.

Meu, a galera curtiu pra caralho o nosso show. Se eu não fosse comer a Aneri eu acho que ia pegar umas pés-vermeios bem gostosinhas. Logo na boca do palco havia duas amiguinhas bem gostosas, uma morena e uma loirinha. Com a fome que estou eu pegaria as duas, sem dúvida. Isso sim seria uma ménage à trois gostoso. O foda é que a Aneri é muito mais gostosa e mais linda que as duas amiguinhas juntas. E tem outra, não sou besta de deixar o Pezão comê-la sozinho, não é? De jeito algum. Na na ni na não.

Acabou. Minha voz quase não sai mais. Chegou a hora de mandar o povo embora:

— Bom, galera, eu espero que vocês tenham curtido o nosso show. Só sei que eu curti pra caraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalho!!!!

Putz, a galera pirou quando eu falei isso. Bom, acho que pirou, estou bêbado.

Recebemos alguns aplausos, alguns gritinhos das pés-vermeios e a galera finalmente começou a ir embora. De repente Pezão apareceu do nada e arrancou o microfone da minha mão. O que será que ele quer?

— Uhuuuuuuuuuuuu!!! — gritou Pezão. — Isso aí, galeraaaaaaaaaaa!!!!

Notei que algumas pessoas se assustaram com os gritos do Pezão ecoando através do sistema de som.

— O que você está fazendo, cara? — gritei com ele, tentando retirar o microfone de sua mão.

— Você esqueceu de dar o telefone para contato, porra!

Bom, até que ele tem razão. Pezão prosseguiu. Muitos ficaram para ouvi-lo.

— Obrigado pela atenção de vocês, galera. Eu queria deixar o telefone para contato. Se alguém se interessou em nos contratar para alguma festa ou velório, sei lá.

Pezão passou o próprio celular, até aí tudo bem, o problema foi quando ele...

— É isso aí, galera!!! Rock na veia!!! FODA-SE PAGODE!!! FODAM-SE OS PAGODEIROS DO CARALHO!!! PAGODEIRO É TUDO UM BANDO DE VEADO FILHO DE UMA PUTA!!!

Não!!! Olhei imediatamente para a platéia e notei um povinho furioso. Tirei o microfone das mãos do Pezão e o joguei longe.

— Você ficou louco, porra???? — gritei para o filho da puta.

— O que foi? Só falei a verdade!

— Está cheio de pagodeiro aqui nesta bosta, Pezão!!! Você ficou louco???

Os olhos do filho da puta arregalaram-se de uma forma que até eu fiquei impressionado.

— Agora é tarde, CORRE!!!! — gritou ele, correndo pelo palco.

Quando olhei para o outro lado do palco notei porque ele falou isso pra mim. Galera, eu contei uns trinta caras vindo na nossa direção, todos furiosos. Alguns carregavam até cadeiras. Cadê os seguranças??? Porra, pra falar a verdade eu acho que tem até segurança infiltrado no meio dos caras. Estamos fodidos!!!

— Quem é veado??? — gritou um dos caras. — Quero ver você me chamar de pagodeiro do caralho na minha frente, seu bicha!!!

Puta merda!!! Olha o tamanho do cara!!! Sai correndo também.

Na verdade todos já haviam sumido do palco, só estava eu ali. Aneri, Bruno e Grilo já estavam longe. Pezão, mais longe ainda.

Desci do palco e Pezão parou o Corsa para eu entrar. Ufa, finalmente Pezão fez algo que prestasse em toda a sua vida. Entrei feito um ninja. Grilo e Bruno também estavam dentro do carro.

— Acelera, porra!!! — gritei.

Pezão pisou fundo no acelerador e saímos comendo poeira.

— Meu Deus, olha o portão!!! — gritou Aneri, apavorada.

Quando estiquei o pescoço acima do banco entendi o apavoramento da loira. Meu, tem uma multidão enfurecida esperando por nós! E agora? Fodeu!!!

Pezão parou o carro. Imediatamente olhei para trás e vi outra multidão vindo em nossa direção.

— Não pára, caralho!!! Acelera! Acelera! Olha o tamanho dos caras que estão vindo aqui atrás.

Pezão deu uma olhada rápida no espelho retrovisor e coçou a cabeça, apavorado.

— Caralho!!! Só tem pagodeiro nesta porra???

Pezão deu a partida no carro novamente, dizendo:

— Segurem-se.

— O que você vai fazer? — perguntou Aneri, com uma voz trêmula.

— Foda-se, vou passar por cima.

Antes que eu falasse qualquer coisa Pezão saiu fincando. O corsinha saiu que parecia um foguete. 

— Ai meu Deus!!! — gritou Grilo. — Não quero nem ver!!!

Apesar de estar bem cheio, o corsa pegou uma boa velocidade. Pezão acelerou tudo o que conseguiu, partindo pra cima da multidão. Eu queria fechar os olhos, mas a curiosidade falou mais alto.

— Puta que o pariu!!! — gritei. — Vai voar pagodeiro pra tudo que é lado!!!

Mas não voou, felizmente.

Quando a galera sentiu que Pezão não ia parar todos saíram da frente. Passamos direto pelo portão, numa velocidade que eu não quero nem pensar. Aneri ficou o tempo todo com as mãos sobre o rosto.

— Passou, gata. — disse Pezão. — Estamos salvos.

Aneri tirou as mãos do rosto lentamente. Ao terminar deu um grito histérico, assustando a todos nós:

— Você é louco! Poderia ter causado um acidente terrível! Poderia ter assassinado um monte de gente!

Pezão, filho da puta como sempre, respondeu:

— Você disse bem, "poderia" ... mas não matei.

Aneri deu-lhe um baita soco no ombro.

— Besta!

De repente notei um farol bem alto atrás da gente. Bruno, Grilo e eu olhamos para trás e vimos dois carros vindo a toda velocidade.

— Acelera, Pezão!!! — gritamos.

Pezão nem olhou o espelho retrovisor, pisou no acelerador imediatamente.

— Eu não quero morrer!!!! — gritou Bruno, de um jeito meio .... gay. 

Xiiiiiiiiiiiiii, Marquinho!!! Será que ele é? Bom, eu já desconfiava.

Só pra ajudar ... entramos naquela maldita estrada esburacada. Agora é que estamos perdidos mesmo, o carro não vai agüentar. E o pessoal vem babando aqui na nossa traseira!!! Acho melhor eu me despedir de vocês, galera, porque eu acho que não vou sair vivo dessa. Oh, vida cruel. Eu sabia que o Pezão ia acabar nos matando qualquer dia desses. E o dia chegou. De hoje eu não passo, com certeza. Tomara que haja sexo após a morte.

— Eles estão chegando!!! — gritou o Grilo. — Pisa fundo, Pezão!!!

— Porra, isso aqui não foi feito pra carregar uma multidão dessas!!! Além do mais olha a situação desta estrada!!! Não vamos conseguir resistir por muito tempo. Quais os carros dos caras?

Grilo deu mais uma olhada para trás e respondeu:

— Acho que um Golzinho e uma S-10, é o que parece.

— Estamos fodidos. A S-10 vai nos alcançar rapidinho.

E foi exatamente o que aconteceu.

Grilo acertou na mosca. Uma S-10 vermelha nos alcançou e ficou lado a lado conosco. O motorista abaixou o vidro e começou a gritar:

— Pode parar agora mesmo! Encosta aí! Encosta esta porra!

Pezão não deu atenção, continuou acelerando o máximo que conseguiu. Mas era inútil, o corsinha não tinha a menor condição de competir com os caras.

— Acho melhor parar, Pezão. — disse grilo.

— Ficou louco?

De repente sentimos o primeiro tranco. Os caras estão tentando nos jogar para fora da estrada. Todos entramos em pânico.

— Pára, Pezão!!! — gritou Aneri. — Pára o carro!!!

Antes que Pezão respondesse ou tivesse tempo de pisar no freio sentimos o segundo tranco, bem mais forte que o primeiro. Fomos jogados para fora da estrada, indo parar numa ribanceira. Eu parei de contar quando o carro capotou pela quarta vez. Perdi a consciência.

Horas mais tarde eu acordei com o corpo todo dolorido. Havia manchas de sangue por todo o meu corpo, mas aparentemente eu não estava ferido gravemente. Só alguns arranhões. 

Silêncio. O carro está de cabeça para baixo.

Caralho, será que todos morreram? Comecei a chacoalhar o pessoal.

— Grilo! Bruno! Vocês estão bem?

Pouco a pouco a galera começou a recobrar os sentidos. Ufa.

— Caralho, alguém anotou a placa do caminhão? — disse Grilo.

— Puta merda, onde estamos? — disse Pezão.

Logo senti falta da loira.

— Cadê a Aneri?

— Caralho, ela não está aqui! — gritou Pezão.

Bruno ficou desesperado, dando sinal de vida.

— Mana, cadê você? — sua voz ficou ainda mais gay. Mas a situação está feia, não estou em condições de tirar sarro do cara.

A porta do lado do passageiro está aberta. Caraca! Será que ela saiu voando do carro quando capotamos? Puta merda!

Pezão abriu empurrou a porta do seu lado e saiu. Logo em seguida nós saímos também. Grilo era o mais ferido, sofrera um corte bem tosco no meio da testa. Os demais sofreram apenas arranhões e cortes leves. Ainda não será desta vez que vamos conhecer o diabo. Mas passamos bem perto.

E a loira?????? Onde ela foi parar? Será que o encontro dela com o capeta não foi cancelado como o nosso? Aneri tem carinha de anjo, mas é só cara. Aquela lá vai queimar no fogo dos infernos também, não tenho dúvida. Se aqui ela já tinha fogo na bacurinha, imagine no inferno então... sai de baixo!!!

Bruno entrou em pânico, começou a gritar de forma histérica:

— Mana!!! Mana!!! Onde está você???

Olhei para o carro e fiquei bem espantado com a cena. O corsinha virou uma sucata só. Está parado de ponta-cabeça, próximo de um lago ou um pequeno riacho, sei lá. Só sei que deu PT, perda total. Mas o que importa agora é a Aneri.

A vida é injusta mesmo. Uma loira linda daquelas resolve dar pra mim e morre. Assim não vale. Joguei merda no demônio.

Bruno entrou em desespero total, chorando feito uma menininha.

— Cala a boca, porra! — gritou Pezão para o Bruno.

— Caralho, meu! — gritei com Pezão. — Sacanagem, o cara perdeu a irmã, deixa ele chorar!

— Não é isso, eu pedi pra ele calar a boca porque eu acho que ouvi alguma coisa.

Acho que Bruno também ouviu, pois parou de chorar e ....

— Sim, é ela!!! — gritou ele, limpando as lágrimas do rosto.

Pezão olhou pra mim, com aquela cara de cuzão de sempre.

— Não falei?

Quando fizemos silêncio ouvimos alguns gritos de socorro. Sim, é ela. A loira está viva! Mas em perigo.

Os gritos estão vindo do meio do mato.

— Vamos! — eu disse.

— Vai você! — disse Grilo. — Eu não entro ali nem a pau.

Bruno, Pezão e eu entramos no matagal. Os gritos continuavam:

— Não se preocupe, estamos aqui! — gritei.

— Onde você está? — gritou Bruno.

Ela nos ouviu, e começou a chorar. Depois gritou:

— Tomem cuidado! 

— Cuidado? — gritou Pezão. — Cuidado com o quê? Tem algum buraco por aqui?

— Não! 

— O que é então? — perguntei.

— Tomem cuidado com o ....... Macaco Virgem!!!

Nós três ficamos congelados ao ouvir isso.

Não que eu acredite, pois não acredito. Não que eu tenha medo, pois não tenho. Mesmo assim eu senti um certo frio na barriga. Confesso, deu cagaço.

De repente Aneri começou a gritar desesperadamente.

— Socorro!!! Socorro!!! Ele está aqui!!! Ele está aqui!!!

— O Macaco Virgem? — gritou Pezão, meio que rindo.

Bruno ficou puto com Pezão.

— Seu filho da puta, minha irmã em perigo e você fica aí rindo? Seu porra!

Enquanto isso Aneri continuava gritando feito uma louca.

— Ah, ela deve estar zoando com a nossa cara. — disse Pezão.

Mas não era bem isso que parecia. Aneri estava gritando de forma bem real.

— Tirem este bicho de cima de mim!!! Por favor!!! Me ajudem!!!

Caralho, e se for algum estuprador? Deve ser algum tarado! Porra, não é justo! É a minha vez! Eu que ia comer a loira hoje! Sai daí, tarado dos infernos!!!

Bruno e eu corremos na direção dos gritos.

— Você não vem? — gritei para o Pezão.

— Não, ela está zoando com a gente. Aposto que está.

Zoando ou não, eu comecei a ficar excitado. Sim, excitado, a loira está gemendo gostoso. Ou ela está sendo estuprada ou está tocando siririca no meio do mato!

— Mana, cadê você? — gritava Bruno, desesperadamente.

E a loira gemendo... e a loira gemendo... Só falta ela começar a gritar: "Mais! Mais! Vai, vai! Mete, mete!".

Caralho, o que está acontecendo? Será que o tal de Macaco Virgem existe mesmo?

De repente os gemidos pararam. Silêncio total. Bateu outro cagaço.

— Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta merda!!!! — gritei.

— O que foi aquilo???? — gritou Bruno. — Você viu?

— Vi! Caralho!

Galera, alguma coisa passou diante de nós! Um vulto muito cabuloso. E o pior de tudo... parecia um ... MACACO. Mas não consegui ver exatamente o que foi.

— Bruno, me ajuda! — era a loira. Sua voz estava bem cansada.

Seguimos a voz e encontramos Aneri. Estava escuro, mas pude vê-la subindo a calcinha.

— Você está bem, mana? — disse Bruno, abraçando a irmã.

— Não sei, estou meio confusa.

— O que lhe aconteceu? — perguntei.

— Não sei direito, acabei de ter a experiência mais estranha da minha vida.

Porra, só falta ela dizer que trepou com o macaco e foi gostoso.

— Acabei de fazer o melhor sexo da minha vida.

Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuta merda!!! Não acredito nisso. Ninguém merece.

— E eu guardei uma lembrancinha dele.

— Lembrancinha??? — perguntei, indignado.

— Sim, eu arranquei isso do pescoço peludo dele.

Aneri jogou a tal lembrancinha para Bruno.

— Porra, isso aqui é um coleira! — disse ele, com um certo nojo do objeto.

Alguém me belisque, eu não estou acreditando no que está acontecendo aqui. Isso só pode ser um pesadelo.

— Tem um nome escrito nela!

— Nome? — perguntou Aneri, toda animadinha. — Fala pra mim, eu quero saber!

Bruno encheu a boca e respondeu:

— Wilbor.

Puta merda.

( FIM )

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