Capítulo 1 · Hoje é Sexta-Feira!
E aí, galera? Belejinha pura? Sou eu, o Nando... ainda lembram de mim? Porra, não lembram? Então vão todos tomar no .... hehehe... brincadeirinha... brincadeirinha...
Quanto tempo, né? Muita coisa rolou depois daquela madrugada no Show do Rappa. Fiquei duas semanas com a língua preta feito carvão. Maldito pirralho dos infernos. Eu ainda vou me vingar dele, e vocês serão testemunhas. Voltei lá nos fundos do clube com o Pezão e consegui recuperar minha carteira e o meu celular, ambos em estado deplorável... cheios de lama e bosta de cavalo... mas tudo bem. Até hoje quando eu falo com alguém no celular eu sinto um fudum dos infernos, tenho a impressão de que a pessoa com quem estou falando soltou um peido e chegou via Embratel. Ah, mais uma coisa... hahahaha... descobri o motivo da americana peituda ter ficado com o Mamute! Vou contar e vocês não vão acreditar em mim... mas foda-se... nem eu acreditei mesmo... dei tanta risada quando fiquei sabendo.... hahahaha.... a loira peituda dos infernos pensou que o Mamute era o João Gordo da MTV!!! Puta merda, a loira curte Ratos de Porão... mas convenhamos... os peitões dela devem ser inversamente proporcionais ao cérebro... até concordo que o Mamute até se parece com o João Gordo, mas oloko!!! Ah, estou cagando e andando pra loira... todo mundo conseguiu passar a mão nela, menos eu. Dizem que ela está rodando bolsinha lá no zonão pra conseguir dinheiro e voltar pros States. Até que seria uma boa idéia dar uma passadinha por lá e conferir este boato... aproveito pra conhecer o zonão e ainda passo a mão na loira... ah, e nos peitões também, né? Claro.
Mas não hoje, porque..... "HOJE É SEXTA-FEIRA!!!!"..... hehehehe.... quem nunca cantou aquele musiquinha sertaneja sem-vergonha do Leonardo numa sexta-feira é porque já está velho ou morto ou é mudo ou....
Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrinnnng!!!!!
Puta merda, telefone! Será que é a Ruth? Ah, vocês ainda não sabem quem é a Ruth, né? Galera, é uma mina super gata que eu conheci semana passada... estamos de rolo, sabe? Mas... deixa eu atender a porra do telefone... até já sei quem é...
— Fala, Pezão dos infernos!!! Vai tomar no redondinho!!!
— Que Pezão? Aqui é o professor de Ballet do seu pai!
— O quê?
— Te peguei, seu idiota!
— Vai se foder, Pezão. Dá um tempo.
— Eaê, mano, tudo certo pra hoje à noite, né? HOJE É SEXTA-FEIRA!!!!
Pezão cantou a musiquinha clássica. Já falei, todo mundo canta esta porra desta música... é impressionante! Mesmo odiando sertanejo.... como eu e o Pezão odiamos.
— Claro! Sexta-feira é lei. Barzinho, cerveja e muié...
— Opa! É assim que se fala... então você já terminou com a ...... Ruthinha?
Que bosta, todo mundo que fala o nome da mina se sente na obrigação de imitar o Tonho da Lua. Droga, por quê o nome da mina tinha de ser Ruth?
— Caraca, é verdade... então hoje vai ser só barzinho, cerveja e papo furado.
— Você está falando bosta, Nando... se pintar uma gostosinha dando bola você vai esquecer a ... Ruthinha — imitou novamente — e papar a mina. Eu paparia.
— Não, hoje não... faz tempo que não namoro uma garota gostosa e bonita como a Ruth. Não quero estragar tudo com uma biscate qualquer.
— Namoro? Nando, vai se foder. Você chama isso de namoro? A mina estuda fora e só vem pra cá nos finais de semana? Além disso vocês só ficaram juntos um final de semana! Ainda nem conhece os pais da mina. Isso não é namoro, seu bosta. Vocês só ficaram. Vamos pra gandaia esta noite e foda-se a ..... Ruthinha.
— Ah, cala a boca, Pezão... e desembucha logo... eu sei que pra você me ligar assim tão cedo alguma coisa você quer... Se você ligou pra eu te ajudar a lavar o seu carro nem adianta insistir. Aquele fudum que a bunda gorda do Mamute deixou nos bancos traseiros só serão removidas por profissionais.... e olha lá!!! Nem garanto.
— Seu bosta, já troquei de carro! Você acha que eu ia ficar com aquela porra fedida por quanto tempo? Ontem mesmo eu comprei um Corsa sedã prateado... coisinha linda. Estou louco pra estrear os bancos de trás.... se é que você me entende.
— É mesmo? Convida a sua irmã e eu resolvo o seu probleminha... hahaha
— Porra, vai se foder! E tem mais... que papo é este de você ter comido a minha irmã? É verdade isso?
— Pezão, brother, você acha que eu faria isso? Além disso sua irmã é mais feia que o cão chupando mexerica.
— Pior que ela é mesmo.... hahaha
Maldito Pezão dos infernos. Já imaginou você ter um irmão como este? Pesadelo total. Acredite.
— Desembucha, Pezão!
— Cara, eu liguei pra te perguntar uma coisa. Ontem me aconteceu um bagulho muito doido. Não sei o que deu em mim e resolvi depilar a minha bunda.
Puta merda! Hahahahahaha.....
— Porra, Pezão! Valeu, brother, fazia tempo que eu não ria tanto... hahahaha
— É sério o bagulho, meu, presta atenção. Usei o aparelho de barbear descartável pela quarta vez e quando eu ia jogar fora me deu um estalo... por quê não depilar a bunda? Só por curiosidade... eu já estava cansado de ver aquela bunda cabeluda todo dia. Que mal faria? Os atores de filme pornô depilam e comem a mulherada.
Eu ainda estou rindo. Pezão prosseguiu...
— Passei creme de barbear na bunda e comecei. Consegui tirar tudo. Saiu tanto cabelo da minha bunda que dava pra fazer uma peruca animal pro José Serra.
— Pezão, você não está falando sério... eu tenho mais o que fazer. — na verdade não tenho mais nada pra fazer, mas qualquer coisa é melhor do que ouvir este papo, não concordam?
— Espera, porra! Eu te liguei pra fazer uma pergunta importante.
— Pezão, eu nunca depilei a minha bunda e nem penso em fazer isso algum dia... Pronto. Está respondida a sua pergunta.
— Porra, e quem falou que a pergunta era esta? O bagulho é outro, cara. Estou muito preocupado.
Oloko... Pezão falando sério... Muito estranho.
— Desembucha, caralho!
— Então, cara, após raspar todos os pêlos da bunda eu fui dar uma olhada no espelho e... e...
— Fala logo, porra!
— .... fiquei de pau duro.
Santa pixirica!!! hahahahahahahaha
— Caraca! Você sentiu tesão pela sua própria bunda? Porra, é a primeira vez que alguém me diz isso! hahahahaha
— Puta merda, cara! Será que isso é normal?
— Cara, não acredito que você me fez perder todo este tempo precioso só pra me dizer uma merda desta. Pezão, sei lá se isso é normal, porra! Só sei que homem depilando a bunda é bem gay! Bota gay nisso! É mais gay do que o Max Fivelinha tomando banho com o Dj Zé Pedro. Fale com o seu médico. Eu falaria. — tentei imitar a voz do Pelé, mas ficou uma bosta.
— Porra, preciso resolver isso... toda vez que lembro da minha bunda eu fico de pau duro... caralho!!! Será o fim de tudo?
— Faz o seguinte, cara, respira fundo, abre o guarda-roupas e pega todas as revistas de sacanagem que você tem aí e folheia uma por uma...
— E daí? Pra que isso?
— Bom, se o bilau não levantar com pexeca das Sheilas aí você está fodido.
— Cara, estou ficando preocupado agora... semana passada eu olhei a Playboy da Leka do Big Brother e o meu pau não deu sinal de vida.
— Fica frio, Pezão, o meu também não se moveu. Já falei com uns outros oito amigos meus e com eles aconteceu a mesma coisa! Já ouvi dizer que esta Playboy está amaldiçoada. Na verdade eu acho que a Leka é que é um jaburu dos infernos mesmo.
— Porra, Nando, valeu pela dica. Vou fazer isso imediatamente. Pexeca! Pexeca! Pexeca peludinha! Pexeca raspadinha! Pexeca moreninha! Pexeca! É disso que estou precisando pra apagar a imagem da minha bunda branca da cabeça. Valeu, Nando! Mais tarde eu passo aí pra te mostrar o Corsinha prata. Fui.
— Vai pro diabo que te carregue, Pezão. Falow. Vê se lava a mão antes de vir pra cá, ok?
Ploft! Pezão desligou o telefone na minha cara. Filho da puta. Vai tocar punheta o dia inteiro só para provar pra si mesmo que não é gay. Pensa bem, eu mereço ter um amigo como este? Por quê eu não tenho amigos como George Clooney? Já imaginou sair numa balada com um cara comedor como este? Mesmo o cara comendo todas ainda sobrariam umas quatro ou cinco modelos dinamarquesas pra mim.
Sexta-feira! Eu adoro a sexta-feira! Desde a época de colégio. Não sei qual o motivo, mas eu sempre me dei bem na sexta-feira. Eu sempre catei mulher gostosa neste dia. A própria Ruth eu conheci sexta-feira passada. Porra, eu estava precisando de uma gata como ela pra compensar todo o azar que desencadeou em minha vida após o show do Rappa. Tudo dava errado! E o rolo com a minha tia? Putz! Acho melhor nem contar, além disso já enterrei bem enterrado... bem ao lado do túmulo onde está guardada a história de Ubatuba. Sei que vocês estão loucos pra saber o que houve em Ubatuba, mas eu não tenho coragem suficiente pra contar. Fiquem sossegados, pois qualquer dia eu tomo um porre daqueles e sem querer querendo vou acabar contando tudinho. Talvez hoje mesmo. A Ruth só chega amanhã de Campinas, então hoje eu vou sair com a galera pra tomar umas e outras e jogar conversa fora. Se você realmente quer saber o que houve em Ubatuba é muito fácil. Basta me pagar uma cervejada e me embebedar. Alguém se habilita?
A noite chega e a buzina do Corsa toca duas vezes. Maldito Pezão dos infernos, eu ainda não comprei nem o meu primeiro carro e o Pezão já está no terceiro. O primeiro foi um Fiat Uno Preto, depois o famoso Gol vermelho e agora o Corsinha prateado. Fazer o quê, né? Filho de rico é assim mesmo. Eu até não posso reclamar muito, levo uma vida muito boa... não trabalho e ainda tenho quase tudo o que quero, mas seria legal ter a grana que a mãe do Pezão tem. Oh, seria muito bom mesmo. O que será que eu faria se tivesse muita grana? Puta merda, boa pergunta. Acho que em primeiro lugar eu compraria uma Ferrari e daria uma volta pelo centro da cidade, e o melhor ... todas as vagabundas que viessem pra cima de mim e que me ignoraram no passado eu simplesmente mandaria todas tomarem no cu. Mas iria mandar com gosto mesmo. É impressionante como tem Maria Gasolina aqui na minha cidade. Bastou você chacoalhar um chaveirinho e a mulherada vem pra cima de você como urubu na carniça. Puta merda, por quê a mulherada gosta tanto de um cara com carro? Já reparei uma coisa, o cara pode ser mais feio do que o Batoré chupando mexerica, mesmo assim elas dão bola. Por sorte nem todas as mulheres são assim... há também as piores. Eu dei sorte, a Ruth parece ser muito legal. Estou com saudade dela. Conversamos a semana inteira pelo telefone. Um dia eu ligava e outro era ela. Puta merda, ela tem uma voz sexy pra baralho... (hahaha... pensou que eu ia dizer "caralho", né? Chega de palavrões, hoje em dia é caralho isso, caralho aquilo.... que falta de respeito é esta, caralho???) ... bom, como eu ia dizendo....
Pezão buzinou novamente. Estiquei o pescoção na janela e Pezão gritou do Corsa:
— Caralho, Nando! Você está parecendo mulher, meu! Anda logo!
Estiquei o meu lindo dedo pra ele. Pezão ficou puto e ligou o motor pra me assustar. É melhor eu andar rápido ou o filho da puta sai trincando e me deixa aqui.
Lasquei um pouco de perfume, arrumei a calça, tirei a cueca do rego, dei aquela coçada básica no saco e agora vem a checagem final:
Carteira : Ok!
40 Paus e alguns trocados : Ok!
Celular : Ok!
Camisinhas : Ok! (Sei que não estou saindo pra isso... mas é sempre bom levar)
Balinhas de menta : Ok!
Chaves de casa: Ok!
Beleja, estou pronto pra pingaiada de sexta-feira.
Entrei no Corsa. Pezão sai queimando os pneus e me diz:
— Sente o cheirinho?
— Porra, Pezão! Tomar no cu, cara! Vai peidar lá fora!
— Caralho, meu! Não é isso... sente o cheirinho de carro novo...
— Ah, entendi. Porra, é verdade... Você é foda, quanto a sua mãe pagou nele?
— Sei lá, um amigo dela comprou o Gol e ela descolou o Corsinha pra mim.
— Filho da puta, deve ser bom ser rico.
Pezão deu uma gargalhada sinistra e pisou no acelerador.
— Nem tanto, cara. Eu queria mesmo é ser famoso, saca? Comer umas 5 mulheres diferentes por dia...
— Porra, falando nisso...
— Tudo resolvido, cara! Bati tanta punheta hoje que só saí da cama porque sexta-feira é dia sagrado... — Pezão olhou na direção do seu bilau (o qual está dentro da calça, claro) — Cara, foi muito bom saber que você não mudou de time.
— Pezão, olha para o trânsito!!! Caralho, isso é hora de conversar com o seu pau? Presta atenção aí, meu! Já basta aquela madruga em que quase fomos esmagados pelo busão do Rappa.
Pezão começou a rir, mas pelo menos voltou a atenção para o volante.
— Porra, falando nisso... já soube o rolo que aconteceu com o Mamute?
— Putz! Conta aí.
— Lembra do boato da loira estar dando o rabo lá no zonão?
— Claro que lembro.
— Então, é verdade. Nem preciso dizer que o Mamute foi lá atrás dela, né?
— Puta merda, gordo babaca dos infernos. E daí?
— E daí que a loira aprontou o maior escândalo quando ele chegou lá. Chamaram a polícia e tudo.
— Caralho, nem fiquei sabendo.
— Pois é, parece que a polícia ainda confundiu o Mamute com um cafetão e deu o maior rolo dos infernos.... hahaha
— O Mamute, cafetão? Hahaha... pior que ele tem cara mesmo!
De repente Pezão tomou outro rumo, totalmente contrário ao centro da cidade.
— Aonde você vai? — perguntei.
— Vamos passar na casa do Pigmeu e do Zoinho.
— Puta merda, é hoje! Pigmeu e Zoinho?
Vocês não conhecem o Pigmeu nem o Zoinho, né? Puta merda, duas figuraças. A Globo deveria fazer uma série de TV com estes dois. O Pigmeu é um baixinho dos infernos, tomador de cachaça e um dos maiores cheiradores que eu já vi. Dificilmente você irá encontrá-lo totalmente sóbrio. O Zoinho é outra figuraça, só pensa em sacanagem. Eu admito que também penso muito em sacanagem, mas ele ganha de mim. O Zoinho tem tanta revista pornô no quarto dele que você entra lá e pensa que está preso dentro de um labirinto. Nunca vi tanta revista de sacanagem. O cara deve bater tanta punheta que o pau dele já desgastou, saca? Acho que hoje o pau dele deve ser igual a um palito de fósforo. Puta merda, hoje a noite vai ser foda. Vamos chapar o coco. Ainda bem que não estou indo pra noite com a intenção de comer alguém, pois estas duas figuras espantam a mulherada.
Paramos em frente a casa do Pigmeu. Uma muvuca do caramba. Agora eu sei o motivo dele cheirar um. Se eu morasse num lugar deste eu também iria querer curtir um barato pra esquecer.
Pezão buzinou umas três vezes e o Pigmeu saiu do barraco. Os olhos vermelhos entregam. O cara já está chapado.
— Nossa, carinhas! — diz ele, observando um Fiat branco parado do outro lado da rua. — Olha só o tamanho daquele elefante!
Eu e o Pezão caímos na gargalhada.
— Entra aí, maluco! — disse o Pezão, esticando-se para abrir a porta de trás. — Nós vamos chapar o coco hoje!
— Porra, quanta borboleta! — disse o Pigmeu entrando no carro.
— Caralho, brother! — eu disse, olhando o maluco pelo espelho retrovisor. — Isso aí vai te matar, cara!
Pigmeu me olhou esquisito e meteu um tapa na minha orelha.
— Porra, o que é isso? — gritei, puto da vida.
— Tinha uma borboleta preta no seu ouvido, carinha.
Puta merda, eu até suporto um cara chapado do meu lado... mas tudo tem limite, né?
— Caralho, Pigmeu, se você encostar em mim novamente eu pego este bagulho aí do seu bolso e enterro no seu cu, valeu?
O filho da mãe sorriu e disse:
— Irado, carinha!
Pezão começou a rir, e saiu cantando os pneus, como sempre. Agora só falta o Zoinho. Caralho, espero que ele esteja sóbrio, pelo menos o Zoinho costuma ser divertido. O Pigmeu também é gente boa, mas hoje o maluco deve ter cheirado um dos bons. Sei lá, eu não cheiro e também não fumo. O meu barato é uma cervejinha com a galera. Não tenho preconceito com quem fuma, cada um faz o que quer, fuma, cheira, dá a bunda, eu não me importo. Mas eu estou fora dessa. Olha só a cara do Pigmeu, o cara tem só 22 anos e aparenta ter uns 34. É foda.
Chegamos em frente a casa do Zoinho. Outra muvuca dos infernos. Fazia tempo que eu não vinha pra estes lados. Eu e o Zoinho fomos bons amigos de infância, na verdade eu não me lembro o que houve e cada um foi pra um lado. Continuamos amigos, mas não tão próximos como naquela época.
Zoinho entra no carro e já pergunta:
— Já viram a Playboy da Manoela do Big Brother?
— Cara, comprei hoje depois do almoço. — disse o Pezão. — Que gostosa, hein!
— Puta merda, muito gostosa.
— Beleja, Zoinho? — eu disse, mas não estiquei a mão para cumprimentá-lo, sabe-se lá onde aquelas mãos estiveram hoje... eu, hein!
— Tudo certinho, Nando? Cara, é verdade que você está catando a ..... Ruthinha? — nem preciso dizer que ele imitou o Tonho da Lua, né? Caralho.
— Porra, eu saí com a mina dois dias e a cidade inteira já sabe?
Zoinho achou graça e sorriu. Pezão saiu cantando os pneus em direção ao centro da cidade.
— Não é isso não. O meu irmão viu vocês dois juntos lá na sorveteria do Pitomba.
— Certo.
— Cara, se deu bem, hein! A Ruth é muito gostosa! Já imaginou ela só de calcinha te esperando na cama? Puta merda!
— É lógico que já imaginei!
— Idiota, — disse o Pezão de repente. — enquanto você fica só imaginando, os companheiros de faculdade comem o cuzinho dela lá em Campinas.
Todo mundo riu, até o Pigmeu.
— Vai se foder, Pezão!
— Como é que você está, cara? — disse Zoinho para Pigmeu, este levantou a cabeça e lhe respondeu:
— Zo...inho! Cu... zinho! Sabe, eu já comi um cuzinho uma vez. — de repente Pigmeu lascou um tapão na cara do Zoinho. — Tem muita borboleta aqui dentro. Porra! Odeio borboleta! Elas me deixam apavorado!
Zoinho, diferente de mim, não ficou zangado. Apenas riu da situação.
— Tem algum CD aqui pra gente escutar, Pezão? — eu perguntei.
— Porra, acho que eu esqueci os meus CD's em casa.
Fucei no porta-luvas e achei um CD pirata sem capa. O famoso CD-R, nem marca tinha.
— O que é isso aqui, cara? Você não costuma comprar CD pirata!
— E não compro mesmo. CD pirata no meu som? Nem a pau.
— Este CD aí é mais pirata que o Capitão Gancho. — disse o Zoinho. — Eu tenho uns 10 deste aí cheios de fotos de sacanagem.
— Ah, lembrei, o meu irmão gravou este CD aí pra mim. Ele disse que tem umas bandas de rock bem fodidas aí.
— O seu irmão gravou? Xiiiiiiiiii, isso aqui é armação. O seu irmão é foda, cara.
Zoinho começou a rir.
— Por quê, Nando? O irmão do Pezão é um pirralho, não é?
— Cara, aquele fedelho engana a gente pelo tamanho. Ele pode ser pequeno, mas o filho da puta faz uns bagulhos muito loucos. Uma vez o desgraçado me deixou com a língua preta por duas semanas.
Pezão e Zoinho caíram na gargalhada. Malditos.
— Me dá isso aqui. — Pezão tirou o CD da minha mão. — Deixa eu ver se tem umas músicas boas mesmo.
— Cara, não faz isso... — eu disse, preocupado. — além disso esta porra pode danificar o leitor do seu CD player.
— Ah, foda-se, uma vez só não vai fazer mal.
— Pezão, não faz isso, cara...
Pezão não me deu atenção e inseriu o CD.
— Porra, Nando! Você é um babaca mesmo, hein! O que poderia acon ... ?
Logo após Pezão apertar o play surgiu uma voz igual ao Darth Vader. A voz dizia:
"Olá, querido cabaço. Tudo bem com você, cabaço?...
— Porra, cabaço é o teu pai! — gritou Pezão.
Zoinho começou a rir. Pigmeu também esboçou uma risada, e disse:
— Darth Vader! Porra, Darth Vader, cuidado com as borboletas!
Depois dessa até eu comecei a rir... e a voz continuava...
"Oh, você é mesmo um cabaço, hein! Que belo cabaço você é... "
Pezão ficou puto e tentou trocar de faixa. Mas nada acontecia, a voz continuava...
"Sabia que você é o maior cabaço da face da Terra?"
Pezão ficou ainda mais puto quando tentou apertar o botão "Eject" e mesmo assim o CD continuou...
"Você ainda está aí, cabaço?"
Pezão começou a esmurrar o CD player, mas não adiantou nada. O CD não parava de tocar aquela voz tipo Darth Vader.
— Quem é cabaço? — disse Pigmeu — Cabaço Skywalker! Irado!
— Puta merda! — gritou Pezão, esmurrando o CD player. — Como é que eu tiro esta porra deste CD? Esta merda vai detonar o meu som!
De repente a voz disse:
"Caro cabaço, este CD irá se autodestruir em 15 segundos..... 15.... 14... 13.... 12....
— Puta merda! — eu gritei, assustado. — Pára o carro, Pezão!
— Aquele pirralho me paga! — gritou Pezão, insistindo em esmurrar o CD player. — Ele me paga!
.... 09.... 08....
— Pára esta porra que eu quero descer, cara! — gritou o Zoinho. — O seu irmão é louco!
— Nós vamos explodir! — gritou Pigmeu. — Legal! Nós e todas as borboletas.... todas as borboletas do mundo! Vamos explodir!
Pezão encostou o carro descemos rapidamente. Pigmeu ficou. Ninguém teve coragem de voltar pra retirá-lo.
— Sai daí, Pigmeu!!! — gritamos os três.
Do lado de fora ouvimos a contagem...
.... 03.... 02.... 01.... 00
Nós três levamos as mãos aos ouvidos.
Capítulo 2 · Cerveja e Pé-Vermeio!
— Sai daí, Pigmeu!!! — gritamos os três.
Do lado de fora ouvimos a contagem...
.... 03.... 02.... 01.... 00
Nós três levamos as mãos aos ouvidos.
--------------------------
Nem "BUM"... nem "PLOFT"... nem "ESCATAPLUM"... nada aconteceu. Bom, nada catastrófico, melhor dizendo. Apenas uma longa e irritante risada do irmão do Pezão, aquele maldito filho da mãe dos infernos. Galera, eu juro, se eu pego aquele moleque eu faço picadinho dele. Passo pimenta no cabo de vassoura e enterro no cu daquele pirralho. Fez a gente pagar o maior mico!
— Irado, carinhas! — gritou Pigmeu. — Eu desarmei a bomba!
Na verdade ele apenas apertou a maçaneta, mas o cara está tão chapado que eu nem quis discutir... hahaha...
— Filho da puta! — esbravejou Pezão, voltando pro carro. — Se esta bosta estragar o meu CD Player eu mato aquele bicha metido a cientista.
Zoinho caiu na gargalhada. Voltamos pro carro.
— Puta merda! Mas que cheiro é este? — eu gritei. Alguém cagou no carro, só pode ser isso. Um fudum dos infernos.
— Antes de desarmar a bomba eu peidei, galera. — disse Pigmeu. — Foi mal.
— Cara, você peidou ovo cozido com maconha? — gritou Pezão, com a mão no nariz. — Nunca senti um cheiro tão esquisito como este!
— Galera, o peido do Pigmeu está dando o grau! — disse Zoinho, o único que não levou as mãos ao nariz. Credo! — Estou quase vendo as borboletas.
— Borboletas? — Pigmeu lascou um tapão na cabeça do Pezão. — Elas voltaram!
— Porra, Pigmeu! — Gritou Pezão, puto da vida. — Tomar no seu cu, malandro! Faz isso de novo e eu te jogo pra fora, valeu? Doeu, filho da puta!
— Foi a borboleta, carinha. Eu vi, ela estava transando com o borboleto aí em cima da sua cabeça.
Eu e Zoinho caímos na gargalhada. O Pigmeu é foda. Estou começando a achar que não será boa coisa levá-lo conosco, isso pode acabar mal. O cigarrinho do capeta deixou o cara muito doido!
Pezão pisou fundo, como sempre. Agora não tem volta. Como é que é mesmo aquela musiquinha sem-vergonha? Ahá! Aposto que você até cantou aí...vamos lá, todo mundo! Comigo! HOJE É SEXTA-FEIRA!!! BLA BLA BLA BLA... TÔ DE SACO CHEIO... BLA BLA BLA.... e agora a melhor parte... CERVEJA CERVEJA CERVEJA.....
Sexta-feira é dia sagrado. Quero dizer, se não estamos com as namoradas... é claro. Reunimos a galera em frente a Churrascaria do Fróks e tomamos a "mardita" até a bexiga pedir arrego. Ah, sim, e uns petiscos são sempre bem-vindos. E, claro, o mais importante de tudo... as "Pé-Vermeio". Não sabe quem são as Pé-Vermeio? Tudo bem, eu conto... Pé-Vermeio são aquelas biscates que aparecem na sexta-feira nos barzinhos e forrós da cidade, estas criaturas são chamadas assim porque vêm dos confins do mundo, na verdade ninguém sabe ao certo de onde elas surgem, mas surgem. Ah, meu amigo... surgem. Aqui na minha cidade aparece Pé-Vermeio de tudo quanto é tipo e tamanho. Tem do tipo loira tingida, morena vesga, mulata de cabelo ruivo com a boca faltando os dentes.... Tem pra todos os gostos. Confesso que de vez em quando até surge uma ou outra bonitinha. Mas... tem outra coisa... quem garante que aquilo é mulher? Pois é, mas nem só de Pé-Vermeio vive a "Night" da minha cidade. Sexta-feira também costumam aparecer umas estudantes.... é verdade!!!.... tem várias Faculdades por estas redondezas, e isso é muito bom. Porra, se tivesse só Pé-Vermeio nesta bosta o que eu estaria fazendo aqui? Hahahaha........ Pé-Vermeio é bom quando estamos no desespero. Você mira a Pé-Vermeio e BUM!!! Joga aquele xaveco manjado e bingo. Tchaca-tchaca na butchaca até o sol raiar. Sim, a Pé-Vermeio é resistente! Nunca vi criatura tão insaciável como esta. Ano passado eu catei uma Pé-Vermeio atrás do Bar do Gordo. Galera, a criatura parecia carrapato. Eu terminava o "serviço" e a mina... "Já vai embora???"... eu me concentrava, armava a barraca... pa pum pa pum.... aaaaaaaaiiiii...... e a mina..... "Fica aí, vamos mais uma!"..... Caraca! Aquela Pé-Vermeio foi foda. Eu agradeço por ter usado camisinha todas as vezes, pois a pixirica dela estava tão frouxa.... aquela é do tipo "Batalhadeira", sabe como é? Ela dá pro batalhão inteiro.
Puta merda, quem gosta de comer Pé-Vermeio é o Pezão. Quer saber como foram? Ah, pergunta pra ele..... hahaha...... eu não estou interessado.
Pezão procurou estacionar o Corsa no mesmo lugar de sempre, mas não foi possível. Havia um Golf preto parado ali. Putz! Era só o que faltava, eu conheço esta placa: BUG7791. Este Golf preto pertence ao Pereba, o maior inimigo do Pezão. Pereba é outro filho da puta cheio da grana. O pai do babaca é dono de uma rede de supermercados aqui na região. O bacana nada em dinheiro. Pezão também sacou de quem é o carro.
— Filho da puta. — disse Pezão, procurando outro lugar para estacionar. — Pegou o meu lugar.
— Fica frio, cara. — eu disse. Hoje não estou a fim de apartar briga de Playboy. Sempre sobra pra mim. — Ali atrás tem bastante espaço.
— O Pereba está por aqui. — disse o Zoinho.
— Cara, nunca mais fale esta palavra gay dentro do meu carro, valeu?
Pezão falou tão sério que Zoinho ficou assustado, e balançou a cabeça positivamente.
Ah, tá ... você quer saber porquê Pezão não se tromba com o Pereba. Simples, no colégio os dois viviam medindo forças pra ver quem era o mais Playboy. Um comprava uma moxila bacana... o outro ia lá e comprava uma ainda mais legal.... um comprava uma bicicleta último ano.... o outro aparecia com uma bike ainda melhor.... e assim vai.... coisa de adolescente babaca. Enquanto eles se preocupavam com isso eu comia as menininhas, é lógico.
Finalmente estacionamos. Ao lado havia uma Brazilia laranja com o som no máximo, que na verdade nem era assim tão máximo, mas o dono acha que está apavorando. Puta merda, e ele está apavorando sim! Eu nunca senti tanto pavor em toda a minha vida, o cara está escutando "Pula, sai do chão, este é o Bonde do Tigrão... " Puta merda! Se este babaca não desligar isso eu juro que mato um esta noite. Esta música é foda. Ops! Chamei isso de "música" ??? Galera, perdoe-me pela gafe. Bonde do Tigrão não faz música, apenas vomita algumas palavras.
Saímos do carro e aquele maldito vômito veio todo pra cima da gente.... "Vem tchutchuca linda.... "
— Puta merda! — disse Pezão, puto da vida. Pezão também odeia Tigrão, ainda bem. — Tchutchuca linda o caralho!!! Ah, puta que o pariu! Não vou ficar ouvindo esta bosta a noite inteira. Sem chance!
Pezão abriu o porta-malas do Corsa, ligou o rádio e procurou uma estação qualquer. Por sorte a Jovem Pan estava tocando 'Lazgo - Something" ... conhecem? Esta música é legal pra caralho. Preparem-se!!! Pezão colocou todo o seu som pra funcionar. Aaaaaaaaaaaaoooooooooooo!!! Lazgo pra galera!!! Coitado do Bonde do Tigrão.... evaporou-se. O som do Corsa deixou o Tigrão com cara de gatinho malhado. Até as Pé-Vermeio saíram dos botecos pra ver o que estava acontecendo. Tum Ti Tum Ti Tum Ti....
I don´t wanna say that I´m sorry
Cause I know there is nothing wrong
Don´t be afraid there is no need to worry
Cause my feelings for you are still strong
Puta merda, esta música é ainda mais legal quando você escuta com um puta som. Os caras da Brazilia laranja mostraram alguns "dedos" pra nós, mas saíram de fininho.
— Tchau mesmo, galera! — gritou Pezão, devolvendo os "dedos". — Lugar de Tigrão é na puta que o pariu!
A Brazilia passou por nós e um dos caras esticou o pescoção pra fora, dizendo:
— Te cuida, cara, ninguém mexe comigo e fica vivo pra contar.
Enquanto isso o "som" dos caras tocava: "Só as cachorra!!! As preparada!!!"
— Tô cagando e andando, cara! — gritou Pezão, mostrando o dedão fedido pros caras da Brazilia laranja.
— Deixa quieto, cara! — eu gritei para o Pezão. — A gente nem conhece estes filhos da puta! Viu só as caras dos figuras? Tudo nóia!
— Ah, Nando, tudo cuzão... isso sim. Se os caras fossem nóias mesmo teria vindo pra cima da gente com canivetes e o caralho a quatro.
— Sei não, cara. — disse Zoinho, observando a Brazilia dobrar a esquina. — Eu achei aqueles caras muito esquisitos. Eu acho que você está fodido.
Pezão desligou o som.
— Porra, vamos chapar o coco ou não? — disse ele. — Vocês falam demais!
— É isso aí, meu camaradinha! — diss Pigmeu, quase caindo na calçada. — O importante é que fuck you as borboletas! Borboleta? Onde? Onde?
— Caralho, o cara só vê borboleta quando fica chapado? — eu disse para o Zoinho, este caiu na gargalhada. Virei na direção do Pigmeu e gritei pra ele: — Porra, Pigmeu, cheira bosta que é melhor e mais barato!
— Irado, carinha! Pode crer, só. Valeu pela dica, meu camaradinha.
Puta merda, precisamos dar um jeito no Pigmeu. A última vez que saí pra balada com um cara chapado ele passou a mão na bunda de uma mina e deu o maior fuzuê. O namorado dela era o dobro do Pigmeu. Putz! Aquela noite foi foda, não tão foda quanto Ubatuba.... mas foi foda. Vocês ainda querem saber sobre Ubatuba, né? Ah, ainda estou sóbrio. Aguardem mais um pouco. Sabem como é, né? Cervejinha vai... cervejinha vem... vou acabar contando. Não tem jeito, quando a marvada te pega de jeito você acaba fazendo merda. Uma vez eu bebi tanto que acordei de cueca dentro de um latão de lixo. Esta noite também foi foda..... nem chega perto de Uba... mas foi foda.
Pegamos a primeira mesa vazia e sentamos os quatro. Pigmeu precisou de uma ajudinha pra chegar até ali, mas fizemos de modo discreto. Ninguém percebeu que ele está um "pouco" alterado... hahaha... só eu e a torcida do Flamengo.
Primeiro pedido da noite:
1 Pizza
3 Garrafas de cerveja
... e 4 copos dos grandes! Aaaaaaaaaaaoooooooooo!
A cerveja e os copos chegaram primeiro, é claro. A Pizza veio alguns minutos depois. A churrascaria do Fróks é muito boa. Eu recomendo. Os garçons são cuzões pra caralho, mas tirando isso é muito boa. Dou só uma dica: não deixa o garçom perceber que você sabe que ele é cuzão, caso contrário a sua Pizza pode vir com um puta ranho ou uma bela catarrada. Não ri não, cara, é sério. Os garçons sofrem, vocês precisam ver os uniformes dos caras... lembra daquele filme "A Fantástica Fábrica de Chocolates" ? Os garçons se vestem como os "Ooompa Looompa". Só falta aquela musiquinha sem-vergonha.... "Ooompa, Looompa, Dooompa Di Di... Se você for esperto você vai me ouvir.... Ooompa, Looompa, Dooompa Di Du... Se você for uma boiola você vai tomar no cu". Bom, a letra é mais ou menos assim, sei lá! Assiste o filme e depois você me conta.
Um dos garçons está nos trazendo os garfos. Vou tentar algo novo hoje, falar com ele. Isso é um momento inédito. Eu nunca fiz isso antes, morro de medo. Eles te encaram feio mesmo, intimidam. Mas... foda-se, vou tentar. Se eu conseguir ficar amigo de um dos garçons talvez eu consiga alguns privilégios, como ser atendido mais rapidamente. O cara chegou.
— Beleja, amigo? Movimentado hoje, né?
Ele ficou um pouco surpreso, olhou nos meus olhos e disse:
— Beleza? Beleza está puta que te pariu! Estou vestido feito um palhaço, estou cheio de serviço, hoje flagrei minha mulher dando o cu pro moleque que entrega jornal, minha filha está grávida e não tem a menor idéia de quem seja o pai, minha sogra tem hemorróidas e está vindo passar dois meses na minha casa, minha mãe chupa rola nas horas vagas pra poder pagar as consultas médicas do meu pai, acabei de descobrir que o meu vizinho bateu o meu carro no poste e... adivinha só!!! O poste caiu sabe onde? Claro, em cima da minha sala... Beleza? Beleza? Eu acho que não! Na verdade a única coisa boa que eu fiz hoje foi passar a mão no meu cu antes de fazer esta saborosa Pizza pra vocês.
— Porra! — Zoinho cuspiu um puta pedaço de Pizza. Quase acertou a minha testa.
— Vai se foder, meu! — gritei.
O garçom começou a rir histericamente.
— Brincadeira, não fiz isso não. — disse ele, com as mãos na cintura. — Desculpa, é que a minha vida está uma bosta.
Alguém chamou o garçom. Ele deu uma olhada rápida pra dentro da churrascaria, fez um sinal com a mão e voltou a atenção pra nossa mesa.
— Não se preocupem. Sirvam-se, a Pizza daqui é muito boa.
O garçom voltou pra dentro da churrascaria. Nós quatro ficamos nos encarando pra ver quem teria coragem de pegar outro pedaço da Pizza.
— Cara, eu não acredito, — disse Pezão. — Aquele puto enterrou o dedão no cu e passou na massa?
— Foi brincadeira. — disse Zoinho. — Ele não faria isso.
Enquanto os dois discutiam se a massa estava ou não contaminada com o cu do garçom eu observava espantado o Pigmeu devorar o seu décimo pedaço de Pizza.
Resultado: Pigmeu acabou comendo a Pizza inteirinha. Cu ou sem cu, eu estava sóbrio o bastante para não arriscar.
Cerveja vai, cerveja vem, de repente uma moreninha muito gostosa aparece e senta com dois caras numa mesinha perto da nossa. Uma moreninha linda mesmo, calculo uns 22 anos. Cabelos longos, pernão e peitão. Muito gata mesmo. Os caras que estão com ela são certamente lutadores de Jiu Jitsu ou sei lá... os braços dos caras são maiores do que a minha coxa. Zoinho não tirava os olhos da moreninha.
— Cuidado com os caras ali, Zoinho! — Alertei o pobre coitado. Aposto que está tendo uma ereção só de olhar pra morena. Está quase babando!
— Vocês não sabem quem é ela? — sussurrou Zoinho, seus olhos nem piscavam.
Eu e Pezão olhamos discretamente para a morena. Após uma cuidadosa examinada na morena nós voltamos a atenção pro Zoinho.
— Vai ser gostosa assim lá em casa, hein! — eu disse.
— Viu só os peitinhos? — disse Pezão. — Meu, que delícia!
De repente o Pigmeu começou a gritar para os brutamontes, que estavam de costas para ele.
— Oh! Oh! Vocês quatro aí! Dá pra sair da frente? — ele apontava para os dois brutamontes. — Eu quero ver a gos....
Antes que os fortões olhassem pra trás eu tapei a boca do infeliz. Eles olharam novamente para os lados e acabaram desistindo. Ufa!
Soquei um tapão em cada uma das orelhas do Pigmeu. Acho que ele vai ficar um tempinho sem ouvir a nossa conversa.
— Finalmente eu consegui ver aqueles peitões de pertinho! — disse o Zoinho, praticamente babando.
— Porra, limpa esta baba nojenta e conta logo quem é ela! — Eu disse.
— Caralho, vocês estão por fora mesmo, hein! Aquela ali é a Juciléia!
— Juciléia? — eu disse, tentando puxar pela memória outra vez. — Caralho, este nome não me é estranho!
— Juciléia, a biscate? — perguntou Pezão. Por um momento eu pensei que os brutamontes tivessem ouvido, mas ainda bem que foi só impressão minha.
— Essa mesmo! — disse Zoinho, limpando a baba com a manga da camisa.
Ainda estou boiando. Eu não me lembro de nenhuma Juciléia, a biscate.
— Nando, é a biscate que fez um filme pornô no México! Lembra? Uma vez contaram esta história pra gente.
— Ah, agora eu me lembro. Mas nós pensamos que fosse brincadeira, né?
— Não é brincadeira não, cara! — disse Zoinho, olhando fixamente pra mesa da morena. — Eu já vi o filme!
— Porra, é sério? — eu disse, após tomar mais um gole de cerveja. — Você está brincando, maluco!
— Brincando nada! É sério, eu já vi o filme. Na verdade mais da metade da cidade já viu este filme, cara! Em que planeta você vive?
— Zoinho, eu vivo num planeta onde os homens comem pixiricas de verdade, não ficam batendo punheta na frente de um monitor ou olhando pra peitos de revista.
Porra, peguei pesado. Zoinho ficou até sem graça.
— Cala a boca, Nando! — disse Pezão. — Você também já bateu e bate muita punheta ainda! Que moral você tem pra pagar pau do Zoinho?
— Todo homem bate punh...
— Cala a boca, Zoinho! — gritou Pezão, tirando sua carteira do bolso. Pegou uma caneta e uma nota de 1 Real. — Agora diz aí o nome desta porra de filme.
— Só tem uma locadora que tem este fil...
— Diz logo o nome do filme, droga!
— Chavasques – Uma Aventura Anal.
Pezão escreveu o nome do filme na nota de 1 Real.
— Caralho, isso é nome de filme pornô? — eu disse, rindo.
— Este é o filme pornô mais esquisito que já vi em toda a minha vida.... e olha que sou expert no assunto!
— Mas o que tem de tão esquisito assim? Uma vez eu assisti um que tinha uma mulher com 3 pixiricas e 5 peitos. O cara ficou até zonzo na hora de trepar com ela. As opções eram tantas que ele não sabia o que fazer.
— Ah, este tipo de filme é fichinha... tudo montagem. Bizarro mesmo é este da nossa amiga... — Zoinho esticou o pescoção para conseguir uma melhor visão da moreninha. — ... Juciléia.
— Cara, agora eu fiquei curioso! — disse Pezão. — Então aquela gostosinha ali aparece peladinha dando o rabo neste filme?
— Isso e muito mais. Ela faz o papel da Chiquinha!
— O quê? — eu e Pezão perguntamos juntos.
— Estou tentando dizer isso faz tempo, mas vocês não me deixaram. Este filme é uma versão pornô do Chaves! Tem o Seu Barriga, o Chaves, o Seu Madru....
Eu e Pezão caímos na gargalhada. A risada foi tão alta que todo mundo olhou pra nossa mesa. Até o Pigmeu, coitado, conseguiu ouvir. Quando a galera parou de nos encarar nós voltamos a conversa.
— Caralho!!! Eu preciso ver este filme o mais rápido possível!!! Chaves pornô?
— Fala baixo, Nando! Porra!
— Onde é que eu posso alugar isso?
— Tem uma locadora em frente ao Bar do Gordo, não tem?
— Tem? Nem me lembro.
— Tem, mas não é essa. A única locadora que tem este filme é uma locadorinha filha da puta lá perto do Motel do Jorjão.
— Ah, sei qual é. Caralho, como é que você conseguiu descobrir isso?
— Ah, Nando, você não imagina do que eu sou capaz pra ver uma pexeca. Ainda mais se a pexeca mora aqui mesmo na minha cidade.
— Caralho, como é que uma gata daquela me faz um filme pornô no México? Como pode isso?
— Sei lá, dizem que os pais se separaram e ela foi com a mãe pro México. Ouvi dizer que e mãe dela perdeu tudo o que tinha e ambas começara a se prostituir pra viver. Sei lá, este povo fala muito! Eu acho que ela fez porque é chegada numa rola.
— Zoinho, e a galera do filme usa as mesmas roupas lá do Chaves?
— Cara, até o cenário é idêntico... eu estou falando... é o filme pornô mais bizarro que eu já vi. Como eu já disse, a Juciléia faz o papel da Chiquinha. Meu, ela dá pra todo mundo no filme, até paga um boquete pro Seu Madruga.
— Oloko!!!
— Meu, amanhã sem falta eu vou abrir uma conta naquela porcaria de locadora e vou pegar este filme.
— Boa sorte. Este filme é mais alugado que todos os lançamentos juntos.
— Foda-se! Vou madrugar em frente a locadora. Neguinho vai ter que sair no tapa comigo pra poder alugar na minha frente.
Dei mais uma olhada na moreninha. Meu, muito gostosa!!! Nem acredito que amanhã vou ver aqueles peitinhos na minha TV 29"...... Uhuuuuuuu!
De repente chega um recadinho até a nossa mesa. O famoso torpedo. É pra mim.
— Ahhhhnnnnn!!! Nando garanhão! — gritou Zoinho no meu ouvido.
— Comedor!!! Comedor!!! — gritou Pezão, batendo a palma da mão sobre a mesa cheia de garrafas de cerveja vazias.
Abri o bilhetinho lentamente e estava escrito:
"Oi, estou te olhando para voçê desde quando xeguei. Istou morrendo de tezãu. Olhe para a esquerda."
Olhei para a minha "direita" e lá estava ela, a dona do bilhete, simplesmente uma Pé-Vermeio do pior tipo... baixinha, orelhuda, nariz pontudo e dentes saltados pra fora dos beiços desproporcionais. Meu, até Letícia, ou Lelê para os íntimos, é mais bonita. Cruz credo!!! Além de tudo é mais analfabeta que uma mula! Eu, hein!!! Foi a primeira vez em minha vida que li "você" escrito com "ç".... depois dessa.... hahaha .... melhor ir embora!
— Vai fundo, mano! — disse o Pezão, batendo nas minhas costas. — Pé-Vermeio também é gente, sabia?
— Vai você, Pezão! Você sempre gostou de fazer macumba na sexta-feira mesmo!
— Eu, hein! Eu já vi muita Pé-Vermeio feia, mas aquela ali é tão feia que até os fantasmas têm medo de assombrar a casa dela. Puta merda! Tô fora, vou pra casa mesmo.
Olhei para o Zoinho.
— Vai fundo, Zoinho!!! A Pé-Vermeio está a fim de dar, cara!
— Sai fora, meu! Prefiro ficar no 5 contra 1 mesmo.
Pigmeu levantou-se repentinamente e lascou um tapa na testa do Zoinho. Este, com uma calma incrível, falou para o Pigmeu:
— Já sei, tinha uma borboleta na minha testa.
— Que borboleta, seu tonto? Eu bati pra você deixar de ser burro! O carinha ofereceu uma mulher pra você traçar e você não quis? Eu quero!
Todos caímos na gargalhada.
— Cadê a pexeca?
Apontamos a Pé-Vermeio, Pigmeu ajeitou a calça e saiu cambaleando na direção da criatura medonha.
Dividimos a conta em três. Deu só um pouquinho pra cada um, hoje bebemos pouco e falamos mais. Geralmente acontece o contrário. Enquanto pagávamos a conta vimos Pigmeu aos amassos com a Pé-Vermeio do inferno. Beijos de língua e tudo mais. Eu só queria saber com quem aquela Pé-Vermeio aprendeu a beijar? Quem teve coragem de praticar com uma coisa medonha daquela? Certamente algum sapo do brejo, sei lá. Eu, hein! Felizmente a minha Ruth chega de Campinas amanhã. Vou aguardá-la na rodoviária. Farei uma bela surpresa pra ela.
Manhã de Sábado...
Rrrrrrrrrrrring!!! O maldito telefone toca. Preciso perguntar quem é?
— Vai tomar no seu cu, Pezão! Porra, são 8 horas da madruga, véio!
— Calma, meu anjo! Por que está nervoso?
Putz! É a .... Ruthinha. (Puta merda, até meus pensamentos imitam o Tonho da Lua)
— Ruthinha? Desculpa, meu amor! Desculpa! Eu pensei que fosse o ....
— Não esquenta, fofo. Tudo bem. — Ai como é bom acordar com uma voz macia e sexy ao invés daquela voz dos infernos que o Pezão tem. — Estava eu aqui no banco da rodoviária e passou um carinha muito parecido com você. Fiquei com saudade e resolvi ligar.
— Que delícia ouvir a sua voz logo cedo. Liga todo dia, tá?
Ouvi uma leve risadinha. Poxa vida, será que eu vou conseguir namorar uma garota que passa a semana inteira fora da cidade? Vai ser foda, além disso ela é uma tremenda gata, os cuecas malditos devem ficar em cima dela como urubu na carniça. Eu ficaria.
— Nando, eu estou super a fim de ver o novo filme do Mel Gibson, o...
— Sinais... Parece ser muito legal mesmo. Não por causa do Mel Gibson, mas parece ser muito bom.
— Ei, não fala assim do meu ídolo não, hein! — Outra risadinha. — Umas amigas até me convidaram pra ir assistir ontem. Mas eu recusei. Quero ver agarradinha a você.
Uhuuuuuuuu. Tô bem na fita!
— Ruth, vem logo pra cá! Dá um jeito aí, bate no motorista, seqüestra algum cobrador, sei lá, dá um jeito!
Quase matei a menina de tanto rir. É tão bom achar uma garota bonita, inteligente e com bom humor. Putz! Será que Murphy vai deixar eu ficar com ela por muito tempo? Sempre que encontro uma garota assim alguma coisa acontece. Mas não desta vez! Ruth! Ruth! Ruth! Putz! Agora me lembrei de uma coisa. O nome daquela velha feia que trabalha no programa Topa Tudo Por Dinheiro também se chama Ruth. Eu, hein! E o que isso tem a ver?
— Nando, preciso desligar, o meu ônibus já vai sair! E o orelhão está meio longe.
— Corre lá, meu anjo! Já estou te esperando!
— Beijos, querido. Tchau!
— Tchau, gata. Não usa o banheiro do ônibus, tá!
— Por quê?
— Ah, outro dia eu te conto. Vai lá, gata! Não quero que você perca o busão!
— Tá, beijo!
— Outro, gata.
Ficaram curiosos com a história do ônibus, né? Tudo bem, eu posso contar. Vocês não estão atrasados pra pegar nenhum busão mesmo, né? Bom, tudo aconteceu numa escursão que o meu colégio havia montado pra visitarmos uma fábrica da Coca-Cola no Rio de Janeiro....
Capítulo 3 · A Escursão e mais ...
Ficaram curiosos com a história do ônibus, né? Tudo bem, eu posso contar. Vocês não estão atrasados pra pegar nenhum busão mesmo, né? Bom, tudo aconteceu numa escursão que o meu colégio havia montado pra visitarmos uma fábrica da Coca-Cola no Rio de Janeiro....
------------------------------------------
Não me lembro o que eu comi naquela manhã, só sei que não me fez bem. Não me fez nada nada nada bem. No meio da viagem o meu estômago parecia um daqueles tornados do filme Twister, dava até para imaginar as vaquinhas girando lá dentro da barriga. Foi um daqueles revertérios estomacais que você nunca se esquece. Mesmo porque o busão estava lotado. Tinha neguinho sentado até no corredor. Ah, você sabe como é escursão de colégio. Então, imagine o seguinte... eu estava sentado na terceira fila. Lembra onde fica o banheiro do busão? Claro, Murphy está sempre pensando numa maneira de foder você. Sempre. O banheiro fica justamente na outra ponta. Lá no fundão. Pensa bem, meu amigo, eu com o estômago louquinho pra desabar 10kg de terra, o busão lotado, cheio de gente no corredor.... e o que é pior. Adolescente de colégio não é gente, esta espécie é o que há de pior na face da terra. Zombam, xingam, jogam coisas, etc... Ah, você é ou já foi adolescente uma vez, sabe o que estou falando. Eu ainda sou um. Sei como é. Nóis é foda. Mas... voltando ao meu caso. Eu louco pra dar uma cagada e o busão cheio de obstáculos me impedindo de chegar até o meu alívio, o WC.
Confesso que tentei segurar aquele monte de merda dentro de mim. Mas os minutos iam passando e aquele monte de barro retorcido dentro da minha barriga ia me implorando cada vez mais para sair. E ele ia sair, mais cedo ou mais tarde. Foi então que tomei uma decisão importantíssima. Resolvi encarar o longo caminho até o WC do busão. Não seria nada fácil. Além disso o meu cu não parava de piscar. Sabe como é... você fica prendendo o bicho por muito tempo... chega uma hora em que ele fica louco e quer sair a qualquer custo, aí o seu cu fica naquela batalha. Aperta, segura, encolhe, solta, repuxa. Ah, você sabe como é. Aposto que num determinado ponto da sua vida isso já lhe aconteceu. Geralmente acontece quando você está na fila de banco. Já reparou? A explicação é simples. Você almoça, come um monte de porcaria, isso embrulha o seu estômago, aí você vai trabalhar depois do almoço e aquele maldito Office-boy dos infernos não aparece e o depósito no banco acaba sobrando pra você. Você chega lá e está aquela fila enorme. De repente, de uma hora pra outra o estômago começa... rrroc... rrroc... pronto, começa a luta. Você começa a suar frio e tudo. O Banco naquele silêncio todo e o seu estômago parece que vai dar cria. Lá em baixo o seu cu começa uma batalha, uma batalha quase tão feroz quando aquela do filme Coração Valente, do nosso amigo Mel Gibson (Porra, Mel Gibson aparecendo novamente por aqui? Que bosta. Ah, tudo bem, a Ruthinha gosta).
Santa Pixirica! Será que eu conseguiria chegar até o WC com tempo? Não dava tempo de responder esta pergunta. Eu só tinha duas opções, e nenhuma delas era agradável:
1) Pedir para o motorista parar o busão pra eu poder cagar no mato – Não, de jeito algum! Seria o maior mico de todos os tempos.
2) Encarar o corredor da morte e correr o risco de me cagar todo no meio do caminho.
Já que não tem jeito mesmo. Levantei-me lentamente do banco e a primeira batalha começou. Um puta peido apontou no meu cu. Pronto, desespero total! O que eu faço? Volto a sentar? Continuo? Se o peido sair o barro virá junto com ele? Ele vai fazer muito barulho? Santa Pixirica, me ajuda! Aqui eu tenho tempo, mas na hora eu tinha frações de segundo para decidir. Mas na verdade quem decidiu por mim foi o meu estômago. Acabei peidando. Por sorte o desgraçado saiu suave feito uma pluma, e longo, daqueles que você sente até uma brisa quente subindo pela espinha. Ahá! Lembrou, né? Você sabe do que eu estou falando, e sabe também que estes são os piores.... pra quem está perto de você. Galera, vocês podem não acreditar, mas o cheiro foi tão forte que até o motorista ficou meio tonto. Num certo momento eu pensei que o cara ia desmaiar. Já imaginaram isso? Já ouvi falar que telefones celulares provocam muitos acidentes no trânsito, mas um peido seria a primeira vez na história. E isso quase aconteceu. Faltou muito pouco pra eu matar o motorista asfixiado.
Primeiro desafio vencido. O maldito peido saiu e não causou tantos estragos assim. Quase matei o motorista e provoquei o capotamento do nosso busão, mas tudo bem, já passou. Agora ainda falta atravessar o corredor da morte até chegar ao WC. Meu, eu nunca suei tanto como naquela manhã de sábado. Sim, sábado, a filha da mãe da diretora marcou a escursão pra sábado... maldita. Espero que vá para os confins do inferno quando a morte chegar. Todo mundo sabe que escursão tem de ser em dia de aula! Claro, senão qual é a graça? Bom, voltando ao meu sofrimento... o peido saiu e já consegui caminhar 2 metros pelo corredor. Fui me esbarrando num, encoxando noutra, esfregando-me aqui e ali e de repente outra batalha se aproximava. As malditas contrações no cu recomeçaram. Parei imediatamente. Eu não sabia o que fazer, muito menos pra onde olhar, pensem bem... aquilo era um ônibus de escursão, todos se conheciam e iam para o mesmo destino, é diferente de você estar num busão lotado de gente desconhecida. Num busão assim você não tem de dar satisfação pra ninguém, mas aqui...
— Porra, Nando! — disse o maldito gordo sentado no corredor. Era o Joca CC. Seu apelido era assim por causa do maldito cheiro que seus sovacos exalavam. — Aonde você está indo, cara? Senta lá e sossega, meu! Não percebeu que o corredor já está lotado?
Maldito gordo dos infernos. O que eu deveria fazer? Meu cu estava sofrendo lá em baixo, não dava pra eu sair andando e deixá-lo vulnerável. Mas o gordo tinha razão, eu estava atrapalhando todo mundo ali no corredor. Eu precisava ter um motivo para estar ali. Contar que eu estava prestes a dar a maior cagada da minha vida? Não, de jeito algum. Foi então que eu vi a professora lá no final do corredor.
— Cala a boca, Joca! — falei pro gordo. — Preciso tratar um assunto com a professora.
— Grita, faz alguma coisa! Porra, não está vendo que o busão está apertado?
De repente, como num passe de mágica eu senti o segundo peido escorrer do meu cu. Nem tive tempo para detê-lo, e mesmo que eu quisesse não conseguiria. O dito cujo saiu bem na cara do gordo maldito. A galera que estava por ali começou a gritar de desespero.
— Porra, gordo!
— Caralho, gordo! Arruma um desodorante, porra!
— Cassete, o sovaco do gordo fede mais que cu de cavalo!
Eu não sabia se ficava aliviado ou caía na gargalhada. Não, acho que cair na gargalhada não seria bom. Eu poderia dilatar ainda mais o ânus e o rebosteio seria perigosamente catastrófico. Fiquei na minha. O maldito gordo acabou levando a culpa pelo peido. Joca ficou puto da vida com a galera.
— Vão tomar no cu, vocês! Não fui eu não! O Nando cagou nas calças, sei lá! Puta merda! Foi ele!
Respondi imediatamente. Eu não podia deixar a galera se voltar contra mim. Ainda faltavam muitos metros até o WC.
— Se liga, gordo! Assume, porra!
A galera deu risada e ficou do meu lado. Ufa! Esta foi por pouco. Seria ótimo encontrar outras pessoas com CC no meio do caminho, caso eu precise de um bode espiatório. Seria ótimo, mas já vi que não terei tanta sorte assim. Nos próximos 4 metros de busão só tem mulher. Meu, até as 2 maiores gatinhas do colégio estão ali. Putz grila! Que pressão! Se eu peidar ali não terei escapatória. Ninguém vai me perdoar, além disso vou passar o maior vexame com a mulherada. Santa Pixirica! Cu, por favor, dá uma ajudinha, dá! Eu sei que você está sofrendo, mas segura aí, parceiro. O WC nem está tão longe assim. Comecei a caminhada e o suor escorria pelo corpo como cataratas. Meu cu não parava de piscar, o barro estava fazendo uma pressão tremenda sobre ele. Pobre coitado. Eu devia estar mais branco que aqueles lençóis de comercial de sabão em pó. Eu precisava me acalmar ou iria desmaiar ali mesmo no corredor. Será que uma pessoa desmaiada segura ou alivia o barro em momentos assim? Putz! Boa pergunta.
— Você está passando mal, Nando?
Aquela voz era inconfundível. Magnólia, a maior gata do colégio. Era a primeira vez que a dita cuja falava comigo. Fiquei mais impressionado por ela saber o meu nome.
— Eu? — respondi, tremendo até as bolas do caco. — Sim, por quê?
— Você está muito pálido, e todo molhado de suor.
— É mesmo? Acho que é o calor.
Putz! Enquanto eu respondia senti outro peido sair levemente do meu ânus. O que eu deveria fazer? Eu precisava sair dali!
— Preciso falar um negócio urgente pra professora. — eu disse rapidamente.
Magnólia acenou a cabeça positivamente. Tentei sair dali o mais rápido possível. Para a minha sorte alguém abriu a janela e uma rajada de vento empurrou o cheiro na direção do gordo. Novamente a galera caiu matando sobre ele.
— Porra, gordo! O lugar pra cagar é na privada!
— Joga o gordo pra fora do busão!!!
Pobre Joca. O cara era mais fedido que defunto, mas não era má pessoa.
Faltavam poucos metros para o WC. Eu já começava a sonhar com aquele momento. Eu sentadinho no vaso e os problemas indo embora. Todos eles. Agora uma curiosidade, pra onde vai a merda que fazemos no banheiro do busão? Vai para a estrada? Mais uma vez... boa pergunta. Mas naquele momento eu não conseguia pensar em mais nada. A única meta era alcançar a privada.
Por incrível que pareça eu consegui chegar ao banheiro intacto. Meu cu piscava mais que árvore de natal, mas eu consegui. Finalmente ... o WC. Quando segurei na maçaneta da porta eu quase tive um orgasmo.
Puta merda! Não acredito. A porta estava trancada. Que merda!
— Tem gente! — gritou uma voz, parecia vinda do além, mas na verdade vinha de cima da privada mesmo.
Entrei em pânico. O meu cu não suportaria muito tempo.
— O Manoel está aí dentro faz um bom tempo, cara. — disse o Jessé.
— Puta merda. — sussurrei.
Meu cu piscando e a porta do banheiro fechada. Maior frustração não havia. Desespero total. Fodeu. Agora fodeu de vez.
De repente a porta se abriu! Galera, eu nunca fiquei tão feliz na minha vida. Eu acho que quase gozei na cueca naquele momento. Manoel saiu do banheiro com uma cara nada boa. Eu conhecia aquela cara, constrangimento. Sim, já reparou que a gente não consegue sair de banheiro de ônibus sem fazer esta cara? Mas eu já sei o motivo. Pense bem, num banheiro de clube ou qualquer outro você dá aquela aliviada, sai e ainda tem um bom caminho a percorrer até voltar para a normalidade. Mas no busão não tem isso. Você mija, caga, dá a descarga, limpa as mãos, abre a porta e já está todo mundo ali sentadinho, e todo mundo sabe que foi você que saiu do vaso. É horrível. Manoel estava tão branco quanto eu. Não, acho que eu estava mais.
Trocamos de lugar o mais rápido possível. Não sei o motivo, mas ele queria sair dali tão rápido quanto eu queria entrar. Na verdade isso era bom. Eu precisava muito do vaso. Meu cu já não estava mais suportando aquela pressão do barro. Entrei feito uma flecha. Foi aí que eu percebi o motivo pelo qual o Manoel queria tanto sair dali. Puta meeeeerda! O cheiro estava praticamente insuportável. Meu, só havia uma explicação pra todo aquele fudum desgraçado: Manoel matou alguém, cagou em cima e depois jogou dúzias e dúzias de ovo podre. Puta merda, imaginem um cheiro ruim, agora multipliquem por 100 e adicionem 200kg de estrume de vaca. Pronto, mesmo assim não vai ser tão ruim quanto o cheiro deixado por Manoel naquele banheiro. Levantei a tampa do vaso e finalmente entendi. Meu, era a maior merda que já vi na minha vida. O bicho parecia ter vida própria. Num determinado momento pensei que ele ia criar vida e falar comigo. Minha primeira reação foi apertar o botão da descarga. Apertei uma vez e nada. A pressão era insuficiente para levar aquela criatura embora. Continuei apertando por mais uns 5 minutos. Era inútil. A criatura era grande demais para passar pelo buraco da privada.
De repente meu cu deu aquela piscada fatal. Aquela em que você sabe que só tem uma alternativa. Ou você se agacha ou você... se agacha. Na tem outra solução. Foi exatamente o que fiz. Não teve jeito. Por mais que aquela criatura na privada me deixasse apavorado eu não tive outra saída. Baixei a calça e a cueca tão rápido que um tarado teria até me aplaudido. Sentei minha bunda no vaso gelado e o alívio veio rápido. Soltei tanta merda que num determinado momento fiquei com medo de alguns órgãos internos estarem saindo junto, por compaixão. Sei lá, parece ridículo, mas num momento como aquele sua mente já começa a perder a noção das coisas. Era o cheiro. Aquele maldito cheiro estava me deixando tonto. Sim, tão tonto que... desmaiei.
Resumindo, o motorista havia perdido a chave do banheiro e precisaram arrombar a porta para me tirar de lá. Puta merda! Já imaginou o mico que eu passei? Sorte que eu estava desacordado... imagine só a galera arrombando a porta e eu lá... com a calça arriada, sentado num vaso que deveria ter mais merda que o Rio Tietê. Além disso aquele maldito cheiro azedo.
Sim, é por isso que nunca mais eu entro num banheiro de ônibus. Nunca mais! Vocês acham que eu devo contar esta história para a Ruth? Caralho, melhor não. Algum dia, se a gente se casar e tudo.... aí sim eu conto. Quando já estivermos velhinhos sentados na varanda de nossa chácara.... aí.... talvez eu conte. Talvez.
Rrrrrrrrrrrrrrrrring!!! — Toca o telefone.
— Oi, meu amor... já sentiu saudade?
— Sim, meu amor, senti falta daquela sua rola pequena..
Putz! Não era a Ruthinha, era o filho da puta do Pezão.
— Que papo é este de "meu amor"?
— Sai fora, Pezão, não tenho de lhe dar satisfação da minha vida.
— Nando tá apaixonado! — Pezão pagando pau... putz! Só faltava esta. O sabadão já começou mal.
— Desembucha, cara! Não vai me dizer que depilou a bunda outra vez...
— Claro que não! Ela ainda está lisinha feito uma bundinha de bebê.
Puta merda! Que nojo! Por favor, cérebro, livre-me desta imagem bizarra!!!
— Cara, eu liguei pra você ir lá pegar aquela fita pornô na locadora!
— Porra, por quê você mesmo não vai? Você tem carro, eu não.
— Não vai dar, cara. Vou ter de levar a minha mãe para fazer compras. O carro dela está na oficina.
— Deixa ela no supermercado e volta, meu!
— Não vai dar, porra! Pega a fita lá, meu! Não custa nada. Segunda-feira eu pago.
— Puta merda, eu pego então. Como é mesmo o nome do filme?
— Chavasca e o Ânus Anal... acho que é isso.
— Não, não é isso não. Acho que é Chavasca Anal.
— Também não, cara. Porra, eu lembro que é Chavasca alguma coisa...
— Não era Chavasques?
— Porra, é isso! Chavasques. Chavasques alguma coisa.
— Lembrei. Chavasques – Uma Aventura Anal.
— Bingo! Porra, cara, não vejo a hora de ver este filme!
— Eu também. Nem acredito que a mina mora aqui na cidade! Caralho!
— Tive até um sonho erótico com ela esta noite!
— Você teria coragem de dar uns beijos nela?
— Opa! Demorou!
— Caralho! Mesmo sabendo que ela chupou o pau de um monte de mexicano cabaço?
— Porra, é mesmo! Que nojo!
— Não é por nada não, mas já vi você dando uns pegas em Pé-Vermeio ainda mais chupeteira que esta tal de Juciléia.
— Cara, você também.
Pior que o Pezão tem razão. Putz!!!
Com a imagem da Juciléia biscate em minha mente eu me levantei. Que gata. Aposto que os mexicanos ficaram malucos com ela. Não é por nada não, mas mulher brasileira não tem igual. Já vi filme pornô de várias partes do mundo e dá pra notar que a muié daqui tem algo a mais. A bunda. Os peitos. Putz! E por aí vai...
Porra, é melhor eu esquecer um pouco a Juciléia, não quero sair do quarto de pau duro, né? Não é elegante. Putz! Falando nisso acabei me lembrando de uma outra história trágica, e por coincidência também se passou num ônibus. Estava eu dentro do busão... quando de repente, não me lembro por qual motivo, fiquei de pau duro. Acho que alguma mina gostosa passou de minissaia... não lembro... só sei que o bicho ficou mais duro que ferro. Até aí tudo bem, nós homens já estamos acostumados com isso. Mas o problema foi que eu estava de calça moletom. Puta merda, entrei em pânico. A barraca ficou armada. O ponto onde eu descia estava chegando e o meu bilau não queria voltar pra posição de descanso. Coloquei alguns cadernos por cima e tentei disfarçar o máximo que pude. Até aí tudo bem. Mas.... e quando eu fosse me levantar pra descer do busão??? Não dava pra colocar os cadernos na frente, ficaria ainda mais ridículo. Comecei a suar frio. Tantas horas pro bilau ficar de pé e o filho da puta resolveu escolher justo aquele momento. Comecei a imaginar várias coisas pra tentar desanimá-lo, mas nada funcionava. Imaginei um monte de velhinhas tomando sopa, de repente as velhinhas se transformaram em dançarinas nuas lambendo o meu corpo. Putz! O bilau ficava cada vez mais animado. O que fazer? O que fazer? O ponto estava chegando! Santa pixirica, era mico na certa. Mais um, pra falar a verdade. Tentei me concentrar... "mole" "fica mole" "fica mole" "fica mole" ..... Mas nem sinal. O maldito estava mesmo a fim de brincar.
Foi então que o ponto se aproximou. Levantei-me feito um raio e apertei o botão. Não tinha mais jeito. Todos iriam ver a barraca armada. O ônibus parou. De repente eu notei que não seria o único a descer naquele ponto. Na verdade metade dos passageiros se levantou junto comigo! Isso era bom ou ruim? Eu estava tão assustado que nem deu tempo de chegar a uma conclusão. Só sei que me levantei e entrei na fila. Na minha frente entrou uma gorda. Uma gorda gorda mesmo, daquelas bundudas. Puta merda, a bunda da gorda era tão grande que ela estava sentada nos dois bancos do busão. De repente começou um empurra-empurra e eu fui de cara... (ou melhor, de pinto)... na gorda. Quase ficamos engatados. A gorda até tentou olhar para trás e ver o que estava acontecendo, mas era tanta banha que ela não conseguiu. Ufa! Enquanto isso o meu bilau continuava duro e cutucando o bundão da gorda. Confesso que mais alguns minutos naquele vai e vem eu poderia chegar ao orgasmo mais bizonho da minha vida. O empurra-empurra continuava. Comecei a desconfiar da gorda. Acho que ela começava a gostar das minhas cutucadas. Não tenho nada contra gordas, mas aquela estava fedendo gordura! Um cheiro ruim dos diabos.
Bom, o importante foi que ao passar pela porta do busão o meu bilau finalmente resolveu descansar. A barraca desarmou. Tudo voltou ao normal.
Ah, a gorda? Veio atrás de mim e queria me passar o telefone de qualquer jeito! Hahahaha....... Sai fora!
Puta merda, eu fico perdendo tempo contando estes causos para vocês e enquanto isso o tempo passa. Daqui a pouco a Ruthinha chega de Campinas. Caralho, a fita! O foda é que nem sei direito onde fica a merda da locadora. Bom, que eu me lembre o Zoinho disse que fica perto do motel do Jorjão. Nunca fui nesta joça de motel. Dizem que tem mais barata lá do que nos esgotos da cidade. Caralho, já imaginou isso? Qual é o cara que consegue deixar uma mulher no clima num lugar cheio de baratas? Porra, nem o Super-Homem. Motel do Jorjão. Porra, é longe pra caralho. É melhor eu pegar a bike.
Pedalei pra caramba, mas consegui achar a joça da locadora. Puta merda, lugarzinho mocozado dos infernos. Como é que alguém tem coragem de abrir uma locadora num lugar como esse? Só pode ser louco.
Prendi a bike com cadeado e encostei na parede da joça. Nem lugar pra prender as bikes a merda tem. Entrei na locadora e um cara do outro lado do balcão já me deu uma encarada. Calma, tio! Só vim alugar... não vim roubar e estuprar sua esposa não... O cara continuou me encarando. Meu, este cara me lembra alguém! Porra, é claro... Hitler. Meu, o nóia é a cara do Hitler. O mesmo bigodinho gay, o cabelinho penteado de lado, o olhar frio e assustador. Puta merda, era só o que me faltava.
— Oi. — Tentei quebrar o gelo. O cara estava me encarando tão feio que eu pensei que ele ia atirar em mim... ou sei lá.
— Bom dia. — Ele respondeu, ainda me encarando.
Galera, sem brincadeira, se colocar um uniforme alemão no cara e largar a figura em Berlim... vai ter chucrute achando que Hitler ressuscitou.
De repente uma mulata gostosa surge atrás do balcão. Puta merda, eu odeio alugar filme pornô quando tem mulher na locadora. Sei lá, fico com vergonha. Porra, já estava foda com o Hitler me encarando... agora a mulata também começou a me olhar. Fodeu. Será que devo abortar a missão? Ah, dane-se, já pedalei tanto pra chegar até aqui... agora eu vou até o fim.
Pra dar uma disfarçada eu fui direto pra sessão de lançamentos. Se eu for direto para os pornôs vão me achar um pervertido, né? Garoto esperto.
Puta merda, lançamento??? O Hitler tem a cara de pau de chamar isso aqui de lançamento? Meu, não é por nada não, mas "Pânico 2" é mais velho que a minha vó! Puta merda, nem "Pânico 3" é lançamento. Que bosta de locadora. Hitler continua me encarando. Peguei a fita do "Pânico 2", dei um sorrisinho falso e disse:
— Muito bom este filme. Vi no ano retrasado.
Eu não devia ter feito isso. O Hitler ficou com uma cara ainda mais brava. A mulata deu uma risadinha de leve, mas quando percebeu que o Hitler estava puto ela disfarçou. Porra, será que o Hitler anda comendo a mulata? Oh, mandou bem, Hitler!
Continuei na sessão de "lançamentos"... puta merda, dá até vontade de rir. Tem filme aqui que já passou até na Bandeirantes. Dá pra acreditar nisso? Bom, acho que já fiquei o tempo suficiente aqui. Chegou a hora de atacar o cantinho dos pornôs. Hitler e a mulata ainda me encarando. Que bosta! Ah, foda-se, podem encarar. Alugar fita pornô não é crime, é? Claro que não. Se fosse eu já estaria preso há muito tempo.
Cheguei e dei de cara uma pexeca cabeluda. O nome do filme é "Vaginas Enlouquecidas 8 – Versão Dublada". Puta merda, já tem filme pornô dublado? Hahahaha....... era só o que estava faltando mesmo. Meu, quando eu crescer quero ser dublador de filme pornô! Cara, que maluco isso.
Puta merda, já sei o motivo dos lançamentos serem todos velhos... o Hitler é tarado! O cara só compra fita pornô! Meu, nunca vi tantos filmes pornôs na minha vida! Nem o Zoinho tem isso aqui, e olha que o cara tem fita pra caramba. Porra, como eu vou achar aquele filme no meio de tantas fitas assim??? Eu não tenho coragem de ir lá no balcão e perguntar: "Oh, clone da Globeleza, você tem o filme Chavasques – Uma Aventura Anal?".
Que bosta, e agora? Bom, o jeito é eu procurar então. Olhei para o balcão e notei a mulata falando algo no ouvido do Hitler. Não acredito nisso! O cara deu risada! Puta merda, deu risada olhando pra mim! Porra, sobre o que eles estão falando? Puta merda, devem estar pagando pau da minha cara. "Olha ali o pervertido!" "Não come ninguém, precisa de filme pornô pra tocar punheta". Meu, que bosta. Agora eu fiquei puto, vou alugar esta bosta deste filme nem que eu tenha de olhar todas estas capas. Foda-se.
Peguei fita por fita em minhas mãos. Eu vi tanta cena de sacanagem que eu já estava prestes a gozar na bermuda. Tinha filme pra tudo quanto é gosto:
"Ânus Incríveis"
"Ramboceta 2 – A Missão"
"Querida, Encolhi o Pinguelo"
"Fodida em Nova Iorque"
"Cabação Valente"
"Tetanic"
... e muitos outros. Puta merda, como tem filme pornô neste mundo! Hahahaha.... garanto que enquanto você diz "P i n d a m o n h a n g a b a" outras milhares de fitas pornôs são lançadas no mercado. Sexo vende. Tudo que tem sacanagem vende. Você tem um produto encalhado aí na sua loja? Experimenta colocar uma foto da Tiazinha pelada na embalagem pra você ver. Meu, mulher pelada vende até remédio pra hemorróida. Nós homens somos completamente idiotas. Não podemos ver uma pixirica. Ficamos sem noção de tempo, espaço, tudo... Quer fazer um teste? Domingo á tarde... você está sentado no sofá assistindo TV. Está passando um puta jogo. Seu time está jogando pra caralho. Fazia muito tempo que você não via seu time jogar tão bem. Ou então está passando aquele filmão que você estava louco pra ver e não teve tempo de alugar. De repente você encosta o dedo no controle remoto e BUM! Você cai no SBT... Domingo Legal.... Banheira do Gugu... BUNDA!!! Confessa, você esqueceu o jogo ou o filmão e ficou olhando a bunda da Carla Perez entrando e saindo da banheira. Confessa! Não precisa ter vergonha. Você não cometeu nenhum crime. Você é homem. E quando se trata de bunda nós agimos assim mesmo, feito idiotas. É a natureza masculina. Seus hormônios dizem para o cérebro: "Deixa com nóis, malandro. Fica frio... relaxa... agora nóis assume".
Ah, mas fique ligado... Se isso NUNCA aconteceu com você... então você é boiola, ou é pobre pra caralho e não tem TV em casa.
Achei!!! Chavasques – Uma Aventura Anal!!! Uhuuuuuu!!! Meu, que capinha mais ridícula!!! Um mexicano safado vestido de Chaves comendo a Chiquinha.... ou melhor, a Juciléia biscate. Aaaaaaaaaaaaoooooooooooooo!!! Os zoinho do mexicano estão até virando! Meu, esta Juciléia pode ser biscatona, mas é muuuuuuuuuuito tesuda!
Olhei para o balcão e os dois não paravam de cochichar. Isso está me deixando louco! O que será que eles tanto cochicham? Puta que o pariu!
Quer saber? Fodam-se, segurei a fita com firmeza e caminhei normalmente até o balcão. A mulata estava com cara de riso. O Hitler não, continuava com aquela cara de cuzão. Caralho, até rimou.
Coloquei a fita sobre o balcão. Minhas mãos tremiam... acho que de raiva, não de vergonha. A mulata olhou pro título do filme e eu percebi que ela estava morrendo de vontade de cair na gargalhada, mas conteve-se.
— Mais alguma coisa, moço? — perguntou ela. Seus lábios tremiam. Ela estava prestes a explodir numa gargalhada histérica, mas continuou firme.
— Só. — Respondi, olhando para o computador. Um PC 486 velho pra caralho, mais sujo que pau de galinheiro.
— Qual o seu nome?
— Ah, esqueci de dizer, ainda não tenho ficha aqui.
De repente o Hitler saltou da cadeira e se aproximou de mim, dizendo:
— Nome completo, RG, CIC, Título Eleitoral, Carteira de Reservista, comprovante de endereço, telefone, fiador, nome do pai, da mãe e endereço e telefone do local de trabalho. Sem estes documentos ninguém abre ficha aqui.
Puta que o pariu! O cara parece uma metralhadora humana. Ele estava louco pra me foder, mas não foi desta vez. Eu vim preparado. Trouxe todos os documentos possíveis e imagináveis. Eu não ia arriscar pedalar até a puta que o pariu pra depois voltar só por ter esquecido uma conta de luz. Eu sou mais eu. Enfiei a mão no bolso e peguei a carteira. Quando eu botei os documentos no balcão o clone de Hitler não fez uma cara nada boa.
— Está tudo aqui. — eu disse pra mulata. Poxa, se eu não estivesse com a Ruthinha eu até jogaria um xaveco nela. A mulata é um pedaço de mau caminho. Quando ela se levantou para ir até o computador eu dei uma bela analisada no bagageiro dela. Coisa de louco!
Hitler pegou a fita de cima do balcão, deu uma boa olhada e depois olhou pra mim. Não disse nada, mas seu olhar era claro feito uma lâmpada de luz fria. Ele estava pensando... "Punheteiro dos infernos. É melhor você não sumir com a minha fita... ou eu mando te fuzilar". Colocou a fita novamente sobre o balcão e deu um sorrisinho malandro. A mulata começou a digitar os meus dados. O Hitler voltou pro seu banquinho de madeira.
— O filme não é pra mim não. — Eu disse.
O Hitler balançou a cabeça positivamente.
— Meu irmão queria ver a ...
— Juciléia. — Completou a mulata, e deu um sorrisinho.
— Você a conhece? — eu perguntei.
— Estudamos na mesma classe.
Hitler deu uma pancada no balcão. Eu e a mulata tomamos um puta susto. Quando olhamos em sua direção o babaca fez sinal pra ela continuar digitando. Puta merda, deve ser uma bosta ter um patrão mala assim. As mãos da mulata começaram a tremer, o que dificultava ainda mais a digitação dos meus dados. Que bosta. Eu preciso voltar pra casa logo! Quero me arrumar pra ir buscar a Ruthinha na rodoviária. Estou até pensando em levar flores pra ela. Não, acho melhor cancelar as flores. Se eu chegar lá muito meloso ela pode se assustar. Mulher assustada é foda. Você não pode tratá-las feito um cavalo, mas também não pode ficar meloso demais... já aprendi isso.
— Prontinho. — disse a mulata, levantando-se da cadeira.
Dei-lhe um sorrisinho meio sem graça, afinal a situação toda está meio embaraçosa. Eu só queria saber se o Hitler é assim com todo mundo ou não gostou de mim. Puta merda, ele não pára de me encarar. Duas coisas, ou ele me odeia ou está a fim de dar o cu pra mim. Eu prefiro a primeira hipótese. Já tem um monte de gente que não gosta de mim mesmo. Um a mais um a menos não faz mal.
A mulata pegou a fita, deu uma olhada no código impresso na etiqueta e saiu por uma porta à esquerda. Foi pegar a fita. No balcão está só a caixa, é claro. Aliás a caixa está tão arrebentada.... já deve ter passado pelas mãos de todos os tarados da cidade. Putz! Quando eu chegar em casa é melhor lavar a mão com desinfetante. Esta gosma na caixa está me deixando preocupado.
O tempo foi passando e nada da mulata. De repente ela grita lá de dentro:
— Eu não estou achando a fita!
Neste momento começa a entrar mais gente na locadora. Um casal de namorados e duas amigas.
— As fitas de sacanagem ficam lá no fundo! — grita o sósia do Hitler. Puta merda! A galera olhou imediatamente pra mim. — Anda rápido! Tem cliente chegando!
Quando eu pensei que as coisas não poderiam piorar... a mulata grita novamente:
— Como é mesmo o nome do filme?
Hitler nem se mexeu. Olhou pra mim e disse:
— Diz pra ela, rapaz. Eu preciso atender os outros clientes.
Puta merda! Isso só acontece comigo mesmo. E para piorar a locadora está ficando cada vez mais cheia. Outro casal entrou, com três filhos.
— Eu preciso saber o nome do filme! — gritou a mulata, agora mais alto. — Os filmes pornôs estão misturados!
Puta merda, todo mundo olhou pra mim. Que bosta. Enquanto isso Hitler conversava com o casal de namorados. Não tem outro jeito....
— Chavasques – Uma Aventura Anal !!! — gritei na direção da porta.
Todo mundo rindo. Que bosta.
— Chavasques é com X ou CH ??? — gritou a mulata.
Santa Pixirica! Eu mereço?
Vinte minutos depois a mulata reapareceu com a fita nas mãos. Peguei a sacolinha com a fita e saí voando daquela joça. Olhei para o relógio e...
— Puta merda!!! A Ruthinha já chegou de Campinas.....
Destranquei a bike o mais rápido que pude e saí em disparada. Ao dobrar a terceira esquina do quarteirão eu dou de cara com quem?
— Nando?
— Ruth?
Puta merda! Olhei para a sacola e notei que era possível ver a capa do filme. O Chaves mandando ver na Chiquinha.... ou melhor, na Juciléia.... ah, vocês sabem.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou ela.
Dobrei a sacola o máximo que pude e tentei esconder a capa da fita.
— Eu queria te apanhar na rodoviária, mas...
— O que é isso na sua mão?
— Ah, i... isso aqui? Um filme que aluguei pra nós assistirmos juntinhos.
— Qual filme?
— Ah, se eu contar estraga a surpresa.
— Lindinho. — Ruth se aproximou e nos beijamos.
Puta merda. Não vou conseguir esconder a fita por muito tempo. É melhor eu sair daqui o mais rápido possível. Poxa, se a Ruth me pega com esta fita é o fim. Qual garota sairia com um cara que aluga um filme pornô com o Chaves e a Chiquinha trepando na capa? Talvez as Pé-Vermeio namorem, mas a Ruthinha não é Pé-Vermeio.
— Ruthinha, meu anjo, eu preciso ir!
— O que houve?
— Eu preciso comprar uns negócios e o comércio já vai fechar!
— Tudo bem, Nando. — Meu, a Ruthinha é animal!!! That's my girl!!!
Dei-lhe um longo beijo e saí pedalando feito um louco.
— Passa lá em casa depois, gata! Minha mãe quer muito te conhecer!
— Passo sim, gato. Beijo!
— Outro!
Depois do almoço...
Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrring!!! — O telefone toca.
— Alô?
— Conseguiu a fita, cara? — Acho que não preciso dizer quem é, né?
— Consegui, Pezão. Puta que o pariu, cara... foi um sacrifício dos infernos. Mas consegui.
— Uhuuu! Eu não vejo a hora de ver aquela moreninha fazendo um regaço.
— Cara, o bagulho é bizarro mesmo. Na capa tem ela vestida de Chiquinha. Meu, ela está muito gostosa nesta capa. O cara vestido de Chaves está quase pirando de tanto tesão.
— Puta merda, mais tarde eu passo aí pra pegar a fita!
— Pezão, mas toma muito cuidado com esta bosta, cara. O dono da locadora é um tremendo cuzão. Seu eu chego com a fita detonada na segunda-feira ele me frita vivo.
— Garanto que esta fita já está mais melada que pirulito de caramelo.
— Porra, pior que está mesmo. Não pego naquela joça sem colocar uma luva não. Puta que o pariu... cruz credo!
— Mais tarde eu passo aí pra pegar.
— Beleja.
— Vai fazer o quê hoje á noite?
— Vou sair com a ...
— Ruthinha — Pezão imitou o Tonho da Lua. Putz! Já estou ficando de saco cheio disso. — Meu, estou pensando em ligar pra Mariana. Se ela topar nós podemos sair todos juntos.
— De jeito nenhum, cara! Eu quero ficar sozinho com ela. Mais pra frente... até pode ser. Mas hoje não.
— Porra, vai te catar então!
— E tem mais... você acha que a Mariana vai querer alguma coisa depois do que você aprontou com ela? — Mariana flagrou Pezão comendo a prima dela no quintal da própria casa. Vixi!!! Mulher nenhuma perdoaria. Só sei que até hoje nunca tive esta sorte.
— A Mariana já esqueceu tudo, cara. Além disso ela sabe que a prima é uma tremenda biscate. Ela sabe que foi a prima que me seduziu.
— Pezão, depois dessa é melhor eu bater o telefone na sua cara. Dá um tempo! Você vivia olhando pra bunda da prima. Eu sei disso porque eu também olhava.
— Porra, olhar pra bunda a gente olha mesmo. Nada a ver.
— Mas você não olhava, você encarava. É diferente. Ainda mais se a gente está com a namorada ao lado. Aí é fatal.
— Ah, vou ligar pra Mariana. Foda-se. Tchau.
— Vai com o diabo que te carregue.
Dez segundos depois o telefone toca novamente.
— Vai se foder, Pezão! Não enche o saco!
— Nossa, Nando! — Putz! É a Ruth! — Por quê você sempre atende o telefone nervoso deste jeito?
— Desculpa, gata. Você e o maldito Pezão ligam sempre na mesma hora. Impressionante.
— Este seu amigo Pezão parece ser uma figura.
— Parece? Parece nada. Ele é uma figura. Não quero você perto dele... de jeito nenhum.
Ruth deu a risadinha de sempre.
— Olha só, eu estou muito cansada. Você me perdoa se eu ficar em casa pra descansar?
— Oh, gatinha, sem problema. Você precisa descansar sim.
Além disso eu estou louco pra ver o filme da Juciléia! Foi até bom.
— Brigadinha. Estou morta. Fiz umas 5 provas importantíssimas esta semana. Não vejo a hora de cair na minha cama.
— Isso. Descansa bastante, pois hoje á noite nós vamos aprontar muito por aí!
— É mesmo, é? — novamente a risadinha. — Hummmmm. E o que vamos fazer hoje á noite?
— Tudo!!!
— Olha lá, hein! Promessa é dívida.
— Claro, gata. Fica sossegada.
— Nando, meu travesseiro me chama. Beijão.
— Beijão, Ruth. Ah, que horas eu passo aí pra te pegar?
— Acho que 10 horas está bom. Eu costumo demorar muito pra me arrumar, viu?
— Ah, mas quando termina eu garanto que fica a gata mais linda deste mundo.
— Bobo! — outra risadinha. — Beijão, Nando. Estou louca pra noite chegar depressa.
— Eu também. Beijo!
Uhuuuuuu! Eu acho que hoje o sabadão promete! Hoje vai dar tudo certo. Hoje não tem Berimbau. Não tem Jurumina. Não tem segurança filho da puta. Não tem travesti maluco. Hoje sou eu e a Ruthinha. Só nós dois. Juntinhos. Aaaaaaaaaaaooooooooooo!
Tranquei a porta do meu quarto, peguei aquela maldita fita melada e enfiei no meu vídeo. Abaixei o volume da TV, é claro. Deitei-me na cama e peguei o controle remoto. O filme começou a rodar. Trailers. "Piranhas Pernetas 4". Puta merda! Piranhas Pernetas? Oloko! Oh, mexicano é tudo maluco? Lasquei o dedão no botão " >> " e passei a fita uns 14 minutos. De repente surgiu o título em letras garrafais... "Chavasques", em baixo saiu a legenda amarela escrito "Chavasques – Uma Aventura Anal". Putz! Brasileiro adora dar títulos dramáticos. O nome do filme é apenas Chavasques, mas chega no Brasil e os caras mudam pra Chavasques – Uma Aventura Anal. Brasileiro é foda mesmo.
Aaaaaaaaaaaaaaoooooooooooo! Juciléia vestida de Chiquinha está uma delícia! Meu, que pernas esta garota tem! Caralho, nem acredito que esta mina mora na minha cidade. Não é possível. Que coisa de louco!
Ainda bem que tem legenda, vai dar pra eu acompanhar toda a bizarrice da estória. Quero dizer, se é que tem estória. Aaaaaaaaaaaaoooooooooooo! Chiquinha entra no barril do Chaves e... tchaca tchaca na butchaca. Caraca!!! Oh, coitado do barril... Cara, eu nunca pensei que ia ver isso na minha vida. Meu, o cenário é idêntico ao do Chaves! Como eles conseguiram isso? Superprodução pornô mexicana? Ai, caramba!
Aaaaaaaaaaaaoooooooooooo! Juciléia está peladinha fazendo gluglu no Chaves. Puta merda, eu que pensei que já tinha visto de tudo... hahahaha..... Este mundo só tem maluco mesmo. Aaaaaaaaaaaoooooooooo! O que é aquilo? Juciléia, Juciléia, como é que você conseguiu fazer isso? Meu, este filme é ducaralho!!! Putz grila! É uma pena que vocês não estão vendo isso... caraca! Juciléia biscate, casa comigo! Como é que ela consegue fazer um treco daqueles e não quebrar o pescoço ... Oloko!
Putz! O filme nem bem começou e já estou mais excitado que tarado em porta de vestiário feminino. Galera, vocês vão me desculpar, mas não vai dar pra eu continuar narrando o filme pra vocês... Sabe como é, né? Não dá pra escrever e .... ao mesmo tempo. Daqui a pouco eu volto. Espera, não saia daí. Don't touch the dial.
Uma hora e vinte minutos depois...
Aaaaaaaaaaaaoooooooooo! Eitcha filminho danado da porra! Zoinho tinha a razão, é o filme pornô mais bizarro da história. Meu, que suruba mexicana! Chiquinha fazendo gluglu no Chaves. Seu Barriga fazendo Chapéu Russo na Dona Florinda. Seu Madruga fazendo espanhola com a Bruxa do 71. Nhonho fazendo 69 com a Chiquinha enquanto a Dona Florinda enterra o dedo no Professor Girafális. Putz!!! Nunca vi uma suruba tão bizarra como esta. O mais engraçado de tudo é que alguns atores até se parecem com os personagens verdadeiros. Porra, o ator pornô que faz o Seu Madruga é a cara dele! Se não for irmão gêmeo.... sei lá. Meu, a Juciléia foi a única que deu pra todo mundo no filme. Até uma cena lésbica com a Bruxa do 71 rolou. Maldita Juciléia dos infernos, como é que eu nunca vi esta garota antes aqui na minha cidade? Oh, eu teria cuidado direitinho dela... hehehe... não deixaria ela ter ido pro México não. Eu adoraria vê-la brincando com o meu Nhonho. Putz! Vai ser muito estranho encontrar esta garota num boteco qualquer. Acho que vou ficar de bilau duro na hora, só de lembrar do filme.
Agora eu preciso apagar estas imagens bizarras da minha mente, afinal hoje á noite tem Ruthinha!!! Uhuuuuuu! Putz! Nem consigo imaginar a Ruthinha fazendo aquelas posições do filme. Não, isso é impossível. Uma garota como ela nem cogitaria fazer uma coisa daquelas. Ou toparia? Hehehe.... não, não toparia. Ah, mesmo assim... O sabadão promete!!! Uhuuuuuu!
Rebobinei a fita e a coloquei de volta na caixa toda melada. Iéc!!! A fita está até fedendo. Ao desligar o vídeo a TV passou automaticamente para a Globo. Futebol. Galvão Bueno narrando Atlético Paranaense X São Paulo. Tô fora. Desliguei e voltei pra cama. Talvez seja uma boa idéia tirar um cochilo. Quero chegar em ponto de bala pra Ruthinha. Au au au ... Ruthinha é animal! Poxa, fazia muito tempo que eu não encontrava uma garota assim tão legal como ela. Estou sentindo ótimas vibrações a respeito do nosso relacionamento. :)
A noite chega...
Pezão passa em casa pra pegar a fita. Quando eu contei como foi o filme ele tomou a fita de minhas mãos, pulou no Corsa e saiu queimando os pneus... novidade, né?
Tomei um super banho de 40 minutos. Lavei tudo. Não sei onde a Ruthinha vai querer colocar a mão em mim, né? Hehehhe.... por via das dúvidas lavei até lá. Pois é, lá mesmo.
Dei aquela escovada reforçada nos dentes e na língua também. Ouvi dizer que a nossa língua tem muitas bactérias. Eu, hein!
Uma aparadinha nas costeletas e... pronto. Nando está pronto para uma noite de Love. O sabadão promete!!! Porra, será que é bom ficar repetindo isso? Naquele sábado trágico eu fiquei fazendo isso e deu no que deu, né? Ei, não ri não, viu? Um dia aquilo pode acontecer com você também. Afinal Murphy nasceu pra todos.
Bom, já estou lindo, cheiroso e gostoso. Está na hora da checagem final:
Carteira : Ok!
88 Paus e alguns trocados : Ok!
Celular : Ok!
Camisinhas : Ok! Uhuuuuu!
Halls Eucalipto: Ok!
Chaves de casa: Ok!
Beleja, tudo em ordem. Ruthinha, aqui vou eu!!!!
Eu ainda não conheço a casa dela, mas sei mais ou menos onde fica. Na verdade eu só tenho o endereço e o número. Bom, pelo menos eu sei ler, né? Eu me viro. O importante é ela estar lá me esperando. Espero que esteja usando um vestidinho bem apertado. Adoro isso! Fico completamente maluco. Mas... muito apertado também não é bom. A cuecada dos infernos fica com os olhos arregalados. E todo mundo sabe que olho gordo é uma bosta. Olho gordo existe, galera! Eu já vi muita gente derrubar sorvete por causa dele. É foda. Mistério Misterioso do Infinito Misterioso.
Quarenta minutos depois...
Oh, a mina mora longe pra caralho! Se eu soubesse teria vindo de bike mesmo. Ia pagar o maior mico, mas pelo menos eu estaria menos cansado.
A casa dela é muito bonitinha, toda pintada de verde-oliva, duas janelas persianas e um baita portão de ferro. Legal.
Eu costumo ficar nervoso quando vou conhecer os pais da namorada, mas hoje estou sentindo uma boa vibração. Pela primeira vez na vida eu sinto que os pais dela vão me adorar. É claro que vão. A Ruth é um doce de pessoa. Certamente herdou isso dos pais, né? Uhuuuuuuu! O sabadão promete!!!
Toquei a campainha. Logo em seguida a porta se abriu e a Ruthinha apareceu. Fiu fiu!
— Nossa senhora! Ruth, você está linda! Quero dizer, você já é linda, mas ... uau!
Ela deu um baita sorriso e veio até o portão.
— Bobo.
Lasquei um beijão nela. O Nando Jr. até acordou.... hehehe
— Vem aqui, Nando, eu quero que você conheça o meu pai.
Entramos em sua casa e vi um homem de costas na cozinha. Era o pai dela. Estou sentindo ótimas vibrações. Já estou vendo ... nós dois conversando sobre futebol, marcando finais de semana pra caçarmos juntos.... garanto que vamos ser bons amigos. Quem sabe até o sogrão? Oh, quem diria... acho que estou apaixonado pela Ruth.
— Papai, este é o Nando, o meu namorado...
O homem se virou e...
Puta que o pariu!!! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!! Hitler!!!!!!!!!
( FIM )
MAIS UMA HISTÓRIA PARA GUARDAR
Que nota este conto merece?
Conclua a leitura para avaliar.
Seja um leitor fiel. Cadastre-se grátis para salvar sua leitura e avaliar.
