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Capa de Edição 15 — O Motel
Nando e Pezão

Edição 15 — O Motel

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Sinopse

Sem sinopse.

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Espaçamento 1.4

Capítulo 1 · Pedido de Ajuda

Prestem atenção na hora ... 2h32 da madrugada. Sexta para sábado.

Meu celular toca ... "A minha alma está armada e apontada para a cara ... "

Ah, antes que vocês estranhem, não estou cantarolando ... Apenas coloquei a música do Rappa no toque do meu celular. Chique, né?

Olho para o display e vejo o nome do filho-da-puta do Pezão. É lógico que eu não atendi. Voltei a dormir.

Menos de 10 segundos depois, o maldito celular voltou a tocar. Não atendi.

Ele tocou outra vez, é claro.

Eu já ia me preparando para desligar o celular, quando uma voz me disse para atender, pois poderia ser um caso de emergência. Calma, não foi nenhuma assombração ou coisa parecida, foi apenas o tal do sexto sentido. Esta porcaria raramente funciona a meu favor, mas ... Vamos ver no que dá.

Atendi o maldito celular:

— Fala, Pezão dos infernos! Perdeu o sono, seu porra?

— Por que demorou tanto pra atender, caralho?

— Você sabe que horas são?

— Sei. Meu, preciso da sua ajuda.

Lá vem bosta. Ninguém te liga às 2 e meia da madrugada para contar história da carochinha.

— Ajuda o cacete! Vou voltar a dormir.

— É sério, Nando! Quebra este galho, mano!

Fiquei em silêncio, tentando imaginar que tipo de ajuda ele precisa a esta hora da madrugada. Será que foi cagar a entalou o cu na privada? Será que foi abduzido por alienígenas? Será que ... ?

— Você está aí? — perguntou ele, com uma voz ligeiramente alterada.

— Anda logo com isso! — ouvi a voz da Margareth.

— A sua namorada está aí com você, não é? — perguntei apenas para mostrar que eu já estava ciente da presença dela.

— Sim, está. Nando, levanta dessa cama. Preciso da sua ajuda, porra!

— O que está acontecendo? Desembucha logo, caralho!

— Estou preso num motel. Quero dizer, estamos; a Ma e eu.

Putz!!! Presos num motel? Essa é nova.

— Presos? Como assim? Você perdeu a chave? Liga para a recepção e ...

— Não é isso, seu idiota! Na hora de pagar a conta eu descobri que estava sem a minha carteira. Agora não querem deixar a gente sair.

— Mas como você tem a moral de ir para o motel sem carteira, porra?

— Eu acho que perdi no cinema. Ou aquele maldito pipoqueiro me roubou!

— Que bosta.

— Você vai nos ajudar ou não? — era a voz da Margareth. Ela deve ter tomado o celular das mãos do Pezão. A mina é estouradinha.

— Depende.

— Depende do que, caramba?

— Só se vocês meterem na minha frente. Eu sempre tive vontade de ver e ...

— Sem problema! Mas vem logo!

— Calma aí, eu só estava brincando.

— Eu não.

E Margareth começou a rir feito uma hiena tirando cera do ouvido.

— Do que vocês estavam falando? — perguntou Pezão.

— Nada, Pezão, nada — falei.

— Vai tirar esta bunda gorda da cama ou não, porra?

— Você vai ficar me devendo esta, hein! E vou cobrar caro.

— Pára de frescura e vem logo!

Fazer o quê, né? Depois disso tudo eu acabei perdendo o sono mesmo. Levantei, passei uma água na cara, vesti uma calça e tirei o "podrão" da garagem.

Pois é, amigos, depois de tudo o que aconteceu no episódio anterior, meu Opala ficou conhecido como "podrão". O motivo? Aquele maldito cheiro de gente morta que grudou nele. Já mandei lavar em todos os lava-cars da região, mas não adianta. O mau cheiro até passa, mas depois de uma semana ele volta. É lógico que não volta com aquela mesma intensidade, mas ... lá no fundo dá pra sentir. Para ser bem honesto eu quase já não o sinto mais, mas quem entra nele pela primeira vez ... diz que é cruel.

Parte o meu coração ter que lhes contar isso, mas estou pensando seriamente em vendê-lo. Putz! Dói, meus amigos, dói na alma. Alguém se habilita? Faço precinho camarada.

Puta merda, só no meio do caminho eu me dei conta de uma coisa: O Pezão levou a biscate da Margareth no motel mais caro da cidade: o Bally-Bally. Esta porra de motel custa uma nota preta! Só fui lá uma vez até hoje. Estão pensando o quê? A suíte mais chulé não sai por menos de 200 paus! Mas vale a pena, dá até pra escolher um quarto temático. Na minha época tinha as suítes Hollywood, Medieval, Egito e outras que eu não me recordo o nome agora. Só sei que o bagulho era chique demais. Vem muito casal de fora para meter lá. Minha cidade pode ser um lixo, mas tem o melhor motel das redondezas. Em se tratando de foda a gente entende.

Resolvi encostar o carro e olhar a minha carteira. É melhor eu me certificar de que vou ter grana para pagar a conta, né? Já imaginaram o mico? — Eu vim pagar a conta do meu amigo. — "Certo, são 300 reais". — Hã? Fica para a próxima, moça, só tenho trintinha.

Quando comecei a contar o dinheiro, notei que alguém estacionara logo atrás do Opala. Era só o que me faltava ... a Polícia!

Dois policiais vieram pelas laterais do meu carro. Um deles fez sinal para eu descer o vidro. Fiz o que ele me pediu. Eles ficaram me observando como se eu fosse um fugitivo.

Bom, vejamos ... Um Opala preto encostado numa rua deserta, em plena madrugada, com o motorista segurando uma carteira e contando dinheiro. Preciso reconhecer que é bem suspeito mesmo. No lugar deles eu teria feito a mesma coisa.

— O que você faz aqui sozinho esta hora, rapaz? — perguntou um dos policiais, com uma das mãos sobre sua arma.

— Estou indo ajudar um amigo — disse eu, tentando não demonstrar nenhum nervosismo. Não sei se consegui. Dei uma engolida a seco.

— Se está indo ajudar um amigo, por que está parado aqui?

— Só parei para ver se estou com dinheiro suficiente na carteira.

— Posso vê-la? — ele fez uma pausa. — A carteira.

— Claro — e entreguei a carteira para o policial. Fiquei feliz por saber que minhas mãos não tremiam. Bom, e por que tremeriam, não é? Não tenho nada para esconder.

O policial pegou minha identidade e ficou comparando a foto comigo.

— A foto não se parece nada com você.

Como é que é?

— O corte de cabelo está um pouco diferente, mas sou eu.

O guarda ficou me encarando e olhando para o meu RG, alternadamente e, diga-se de passagem, irritantemente.

— Paulão, vem aqui — o policial que segurava o meu documento chamou o parceiro.

O outro veio imediatamente, e não desgrudou os olhos de cima de mim um único instante. Estou começando a ficar preocupado.

— O que foi? — perguntou o tal do Paulão. — e pegou o meu documento.

— O que você acha? É ele? — e o policial apontou para mim.

— Sei não — respondeu com a maior tranqüilidade. — O cara da foto é mais ... rechonchudo. Isso, rechonchudo.

— Eu era um pouco gordinho naquela época — disse eu.

— Você está achando graça nisso, rapaz? — disse o Paulão.

— Não, senhor. De jeito algum!

— O cara está zoando com a gente, você viu? — disse o Paulão para o outro policial.

— Não estou! — disse eu, bem nervoso.

O tal do Paulão deu dois passos longos e ficou de frente para o Opala.

— Você sabia que não pode circular com o farol quebrado? — disse ele.

Fiquei mudo. Não consegui falar uma só palavra.

— Responde! — disse o outro policial para mim.

— S ... S... Sim, eu sei, mas os meus faróis são novinhos e ...

SPLAFT!!! Foi só o que ouvi quando o filho-da-puta do policial meteu seu cassetete no meu farol esquerdo.

Puta que pariu!!! Vocês acreditam nisso? Fiquei totalmente sem reação, como se eu estivesse dentro de uma sala de cinema assistindo a um filme trash. Não dava para acreditar no que estava acontecendo.

— Vai, continua zombando da gente agora! — disse o outro policial, abrindo um sorriso largo e sacana.

De repente ouvi o rádio da viatura chamar os dois policiais. Eles foram chamados para uma ocorrência. O tal do Paulão puxou uma nota qualquer da minha carteira e colocou no seu bolso. Eu estava tão transtornado que nem vi o valor da nota. Depois ele jogou a carteira com força na minha direção, acertando em cheio a minha testa.

— Vai deixar ele ir embora? — perguntou o outro policial, correndo até a viatura.

— O cara está limpo. É o mesmo idiota da foto.

E ambos entraram na viatura às gargalhadas. Filhos da puta!

Antes que eu pudesse me recompor, eles pararam com a viatura do meu lado e me ameaçaram:

— E bico calado, Fernandinho! Ou a gente te acha, entendeu?

Não é hora para bancar o herói, certo? Fiz que sim com a cabeça e eles foram embora.

O Rappa começou a tocar no meu celular. Era o Pezão, lógico.

— O que foi? — atendi, revoltado com o mundo.

— Onde você está, porra?

— Onde eu estou? FODIDO!!! Isso, sim, estou FODIDO!!! Acabei de ser assaltado, humilhado, ameaçado, e para ajudar, estou só com o farol direito!!! Satisfeito, Pezão? Agora é melhor eu desligar, antes que aqueles filhos-da-puta voltem e levem o meu celular novo!!!

— Puta que pariu, o que aconteceu?

— Vai se foder você também! É tudo culpa sua!

E desliguei o celular.

Ajeitei-me no banco, respirei fundo, contei até dez e tentei me acalmar. Foi difícil, pois um ódio descomunal havia tomado conta de mim. Foi como se tudo o que acontecera de ruim comigo nos últimos anos tivesse vindo à tona naquele exato momento. Senti que iria explodir. Senti vontade de gritar e jogar tudo para fora.

Liguei o rádio. Quem canta, seus males espanta, certo?

Errado. Sintonizei uma rádio muito bizarra. Ao invés de música, tinha um cara falando sem parar. Falando não, berrando. E acreditem se quiser, a voz era muito familiar. Familiar até demais para o meu gosto ... era a voz daquele filho-da-puta do Mestre dos Magos. Lembram-se dele? Aposto que vocês lembram do Babalu Cósmico do caralho.

Não acredito que além de solto, o cuzão ainda tem um programa de rádio! Ah, ninguém merece. Só no Brasil mesmo.

É lógico que sintonizei outra rádio imediatamente. Agora sim! Offspring, com a música Keep'Em Separated. Bom sinal, sou viciado nesta música. Senti uma vontade imensa de colocar o volume no último, mas infelizmente o horário não me permite. Já passam das 3 horas da madrugada.

Um pouco mais calmo, procurei pela carteira. Ela estava caída sobre o meu colo. Havia um pouco mais de 200 reais. Duzentos e trinta e três, para ser mais exato.

Bom, se o Pezão não pegou a suíte mais fodona de todas, acho que dá para eu pagar.

Capítulo 2 · Companhia

Um pouco mais calmo, procurei pela carteira. Ela estava caída sobre o meu colo. Havia um pouco mais de 200 reais. Duzentos e trinta e três, para ser mais exato.

Bom, se o Pezão não pegou a suíte mais fodona de todas, acho que dá para eu pagar.

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Quando eu me preparava para engatar a primeira, notei um vulto passar na frente do carro pelo lado esquerdo, o mesmo lado do farol quebrado. Puta merda, será que os policiais voltaram?

— É você, camaradinha? — gritou a voz do meu lado.

Preciso dizer quem é? Creio que não.

— O que você faz por estas bandas, Pigmeu?

Ele ficou me olhando com aqueles olhos de peixe morto e após uma longa pausa, respondeu:

— A mulher do padeiro mora nesta rua.

A resposta foi tão sem nexo que eu não tive o que dizer. Apenas balancei a cabeça.

— Ela é boa de chup-chup — prosseguiu ele, de repente.

Bom, a frase sem nexo fez mais sentido agora.

— Eita Pigmeu safado!

— Eu não! Ela que faz — Pigmeu fechou o punho direito, colocou-o próximo a sua boca e imitou sexo oral, balançando a cabeça para frente e para trás. Foi hilário.

Sei que vou me arrepender, mas ...

— Quer uma carona?

Pigmeu enfiou a cara dentro do carro, parecia estar procurando por alguma coisa.

— O que foi? — perguntei, sem esperança alguma de obter uma resposta lúcida.

— Hoje não tem gente morta, né?

— Não, maluco, hoje não.

E Pigmeu me abriu um puta sorriso. Curioso, foram raras as vezes em que o vi sorrir. Também, com estes dentes amarelados, seu sorriso está longe de ser um cartão de visitas.

Bom, como dizia um amigo meu: "O que é um peido pra quem já está cagado?".

Sigam-me os bons! Engatei a primeira e saí rasgando o asfalto. Pigmeu não havia colocado o sinto e quase saiu voando.

— Pigmeu botando chifre no padeiro — falei, rindo.

— Filho-da-puta! Filho-da-puta, isso sim! Filho-da-puta!

— O padeiro?

— Sim, tentou botar no meu cu.

— Hmmmm! Então você comeu a mulher dele por vingança?

— Vingança, camaradinha?

— Sim, pra dar o troco!

— Que troco? Ele nem quis me pagar!

Puta merda, isso aqui está parecendo conversa de maluco.

— Deixa pra lá, mano — disse eu, tentando encerrar a conversa.

Mas Pigmeu prosseguiu:

— O padeiro gosta de ver a mulher trepar.

— Como é que é?

— E eu gosto de trepar, camaradinha.

— E quem não gosta?

Agora fiquei curioso.

— E o padeiro te paga pra comer a mulher dele?

— As duas primeiras vezes sim — fez-se uma pausa. De repente ele deu um grito enraivescido: — Filho-da-puta!!!!!!!!!!!

— Porra, Pigmeu, fica frio! Está reclamando do quê? Comeu a mulher do cara, fez chup-chup e ainda queria grana?

— Ele tentou botar no meu cu, camaradinha!

Putz! Acho que finalmente entendi o que aconteceu.

— Tipo, você estava lá comendo a mulher, certo?

— Sim.

— Aí ele chegou por trás e ...

— Tentou botar no meu cu, camaradinha.

— Filho-da-puta!!!

Dizem que cu de bêbado não tem dono. Parece que de maluco tem, né?

Comecei a rir sozinho, feito uma hiena solitária no zoológico.

Estou começando a achar que não foi uma má idéia trazer o Pigmeu comigo. Pelo menos aliviou um pouco o clima tenso que pairava no ar.

Falando em pairar no ar ... Pigmeu começou a fazer caretas. Acho que o cheiro do Opala começou a fazer efeito.

— Eu quero descer!!!! — gritou ele, de repente.

— Calma, Pigmeu, por quê?

— Tem gente morta aqui!

— Não tem, cara. Fica frio.

— Tem gente morta neste carro! Eu conheço este cheiro! Eu quero descer!

— Não é cheiro de gente morta, porra! É vômito, mijo e suor! Só isso!

— Que nojo, camaradinha!

— Já mandei lavar. Mas o cheiro não sai.

Pigmeu ficou me olhando, imóvel. Nem piscava.

— O que foi? — perguntei.

Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, ele me deu mais um de seus famosos tapas. Pá!!!

— Seu idiota do caralho!!! — gritei com ele. — Não vê que estou dirigindo? Quer nos matar, porra?

— Salvei sua vida! A joaninha já estava prestes a te morder, camaradinha!

— E desde quando joaninhas mordem?

— Elas não sabiam, mas aprenderam.

— Aprenderam com quem?

— Com as largatixas — ele disse bem baixinho. Quase não pude ouvi-lo.

Para sacaneá-lo, falei bem alto:

— Ah, ta, com as LAGARTIXAS!!!

O maluco se encolheu todo, apavorado. Olhava para todos os lados, com olhos arregalados.

— Calma, Pigmeu, elas já se foram.

— Tem certeza? — e Pigmeu ficou apontando para a minha testa.

— Absoluta. E se você me der mais um tapa eu juro que arrebento a sua cara!

— Ufa! Ela foi embora, camaradinha.

O Pigmeu é maluco, mas não é besta.

E finalmente chegamos ao motel.

Como eu já havia contado, o Bally-Bally é chique. Você passa por um jardim todo florido até chegar à recepção.

— Eu conheço este lugar! — disse Pigmeu, agitado no banco.

— Fica na tua, Pigmeu. Shhhh! — fiz sinal pra ele ficar calado.

Mas não adiantou porra alguma.

— Eu quero descer!!! — Pigmeu começou a fazer escândalo. — Isso aqui é um cemitério!!! Eu quero descer!!!

— Sossega aí, Pigmeu!!! Isso aqui não é um cemitério, é um motel!!!

Pigmeu arregalou os olhos para mim, parecia ter visto um exército de lagartixas.

— Camaradinha, eu gosto de você, mas ...

Putz! Ninguém merece.

— Não é o que você está pensando, porra!!! — disse eu.

— Até você quer botar no meu cu, camaradinha?

— Se liga, Pigmeu!!! Tá me estranhando?

— Mas por que você me trouxe num motel?

— Pra livrar a cara do Pezão.

Neste momento ouvi um carro buzinar atrás de mim. Certamente um casal com pressa de meter. Olhei para trás e vi dois carros engarrafados por minha causa.

Puta que pariu!!! Agora que caiu a ficha, entrei no motel com o Pigmeu sentado ao meu lado. Vão pensar que somos um casal gay.

Era só o que me faltava.

Capítulo 3 · O Peladão

Neste momento ouvi um carro buzinar atrás de mim. Certamente um casal com pressa de meter. Olhei para trás e vi dois carros engarrafados por minha causa.

Puta que pariu!!! Agora que caiu a ficha, entrei no motel com o Pigmeu sentado ao meu lado. Vão pensar que somos um casal gay.

Era só o que me faltava.

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O desgraçado que estava logo atrás de mim começou a buzinar várias vezes.

— Calma, porra!!! — gritei, colocando meu famoso dedo para fora da janela.

Melhor resolver isso logo e ir para casa. Já estou perdendo a paciência.

A recepcionista do motel ficou me olhando por alguns instantes, até que disse:

— Boa noite!

— Boa? Só pra quem está aí dentro metendo, porque pra mim ...

Ela não esboçou nenhuma reação.

— Já escolheu a suíte, senhor?

— Na verdade eu não vou entrar.

— Como assim, senhor?

— Eu só vim trazer a grana que meu amigo está devendo aí pra vocês.

A recepcionista fez uma cara de bunda e disse para alguém do seu lado:

— Vieram pagar a suíte 19. — e depois olhou para mim. — São 215 reais, moço.

— Puta merda!

Bom, pelo menos a grana que eu trouxe vai dar para pagar. Menos pior.

Enquanto eu pegava o dinheiro da carteira, o filho da mãe lá atrás voltou a buzinar e o celular começou a tocar; provavelmente Pezão desesperado.

Deixei o celular tocando e paguei a maldita conta.

— Você vai ter que entrar e sair pelo outro lado — disse a recepcionista, enquanto o portão abria lentamente. — É só seguir as setas para a direita.

— Certo. Muito obrigado.

— De nada. Tenha uma boa noite.

Tarde demais. Minha noite já está uma bosta faz tempo. Farol quebrado e 215 reais a menos na carteira.

Será a primeira vez que entro num motel e saio sem meter. O Pezão me mata.

— Está calado, Pigmeu. O que houve?

O maluco ficou me olhando com aqueles olhos de peixe morto, depois disse:

— Seu carro fede, camaradinha.

— É, eu sei.

E tive um ataque de risos, tipo uma hiena entrando no motel com a Hellen Ganzarolli.

De repente vi algo que vocês não vão acreditar: um cara nu correndo atrás de uma garota enrolada numa toalha. Por uma incrível coincidência, a garota se parece muito com a Hellen Ganzarolli.

— Socorro! Alguém me ajuda! — gritava a garota, desesperada.

Ninguém saiu dos quartos para ajudá-la. Bom, alguém da recepção vai ouvi-la e chamar os seguranças do motel, certo? Provavelmente, mas até agora nada!

A garota viu o farol do meu carro aceso e veio correndo em nossa direção.

— Me ajudem! — gritou ela mais uma vez. A toalha era curta e no desespero ela mal conseguia se proteger. Suas pernas estavam nuas. E que pernas! A morena é mais alta do que eu. Gostosa, de parar o trânsito.

Assim que ela se aproximou do Opala, saltei para fora e fiz sinal para ela entrar no meu lugar. É claro que ela não pensou duas vezes. O peladão vinha logo atrás dela. Ele conseguia ser ainda mais alto do que a morena, parecia um lutador de kickboxing. E foi aí que me dei conta da cagada que eu havia feito. O cara vai me matar!!!

— Cuidado! — gritou a Hellen Ganzarolli cover. — Ele está fora de controle!

Fiz sinal para ela se acalmar.

Eu tenho um plano. Bom, se este falhar, provavelmente não estarei aqui para terminar a história. Então torçam por mim.

— Eu vou te quebrar, seu filho-da-puta!!! — gritou o peladão, enfurecido. 

É agora! Quando o peladão se aproximou do Opala, abri a porta do motorista com toda a velocidade que eu pude. PLAFT!!! Acertei em cheio o peladão.

Meu, deve ter doído pra caralho, pois o grito que o cara deu foi de arrepiar os ossos. Ele foi ao solo feito um pacote de açúcar. A porta do Opala amassou legal.

Um dos seguranças do motel veio correndo na nossa direção.

— O que está acontecendo aí? — gritou ele, segurando um porrete de respeito.

Agora quem veio me salvar foi a morena. Meu, ela é muito gata. A Hellen Ganzarolli é a Dercy Gonçalves perto dela. Quero dizer, exagerei um pouco, mas ela é muito gata!

— Ele ia me estuprar! — disse ela, apontando para o peladão. Depois olhou para mim, com um sorriso nos lábios e sussurrou: — Obrigado! — E me abraçou tão apertado que pude sentir os bicos dos seios durinhos debaixo da toalha.

— Se deu bem, camaradinha! — disse Pigmeu, dando a volta por trás do Opala.

Fiz sinal para ele se calar. Espero que ele tenha entendido.

— Você o conhece, moça? — perguntou o segurança para a morena, apontando para o peladão.

Ela balançou a cabeça positivamente, limpou as lágrimas do rosto, ajeitou os lindos cabelos morenos para trás e, por fim, disse:

— É meu ex-namorado.

O segurança me lançou um olhar sacana, como se dissesse: "A biscate deve ter provocado o cara, depois chegou na hora H deu para trás, e agora o coitado vira o vilão da história". A morena também percebeu o olhar, e ficou furiosa.

— Acha que eu estou mentindo, seu idiota? Acha mesmo que eu inventei tudo isso só para sair correndo seminua pelo motel? Responde, babaca!

— Sei lá. Só acho a palavra "estupro" um pouco forte demais.

— Vocês homens são uns porcos mesmo! Um defende o outro. Oh, raça!

E a Hellen Ganzarolli cover olhou para mim, vermelha de raiva.

— Você viu o estado em que ele estava, não viu?

— Ahã — respondi, praticamente hipnotizado por ela. Seus olhos verdes brilhavam de tanto ódio.

— Eu pedi para ele ir devagar com aquele maldito uísque. Foi por causa disso que eu já larguei dele uma vez. O filho-da-mãe bebe demais e perde a noção.

— Cuidado, camaradinha! — gritou Pigmeu para o segurança.

O peladão já se preparava para atacá-lo por trás. Para se proteger, o segurança desceu o porrete no estômago do peladão. O cara foi ao chão outra vez, nocauteado.

— Vou chamar a polícia — disse o segurança.

— Lá vamos nós outra vez — disse a morena, com uma puta cara de desânimo.

— Você precisa denunciá-lo — disse eu. — Senão ele vai continuar fazendo.

— Com outras! Porque não quero olhar na cara dele nunca mais!

Nem preciso dizer que adorei ouvir isso, né?

O segurança e outros dois funcionários do motel embrulharam o peladão num lençol e o carregaram até a recepção. Logo depois o segurança voltou.

— Vou ter que pedir para que espere a chegada da polícia também.

— Eu? — perguntei, assustado.

— Claro, você foi testemunha. Quero dizer, além de testemunha, você quase matou o cara.

— Mas foi para me salvar! — disse a morena.

— Eu sei, mas vocês que se entendam com eles. A diretoria do motel não quer se envolver.

— Porcaria — sussurrei. A morena ouviu.

— Fique calmo. Você é o mocinho da história. Mocinhos sempre se dão bem no final — e ela piscou para mim.

Uhuuuuuuu!!! O negócio está esquentando.

— Por favor — disse o segurança para mim. — , estacione o seu carro ali naquele canto, assim você não atrapalha a saída dos outros veículos.

Fiz sinal de positivo para o segurança cuzão. E fiz o que ele me pediu. Enquanto isso a morena foi até o quarto para se trocar. Voltou ainda mais gata, vestindo uma calça preta apertada e uma blusa amarela com um decote maravilhosamente mal intencionado.

— Você é muito gata.

Acho que ela não esperava que eu fosse tão direto. Notei que seu rosto ficou todo vermelho.

— Obrigada.

— Você merece coisa melhor — e sorri para ela.

— Eu sei disso. É que eu sempre fui muito burra. Mas a partir de hoje eu vou mudar.

Quando a conversa estava ficando boa, ouvi o Rappa tocando sem parar dentro do meu carro. Caralho, esqueci do Pezão!

— Só um segundo — falei para a morena. — Meu celular está tocando.

— Fique à vontade. Não vou poder ir a lugar algum mesmo, né?

Atendi a porra do celular.

— Fala, Pezão dos infernos.

— Cadê você? Estou esperando aqui fora do motel. O que aconteceu? Resolveu dar uma bimbada também? Está com alguém? Quem é?

— Calma. Não estou com ninguém. É uma longa história.

— Conta aí, cacete! O que está acontecendo aí dentro? Me informaram que você pagou tudo. Se pagou, por que ainda não saiu?

— Vai pra casa, brother. Amanhã eu te conto com calma.

— Nem pensar! Não saio daqui enquanto você não me contar o que está acontecendo. Você está com alguém, né? Fala pra mim, porra!

— Já falei que não estou com nin...

De repente tomei um tapão nas costas. O susto foi tão grande que eu quase pulei no colo da morena.

— PORRA, PIGMEU!!!!!!!!!!!!!!! — por muito pouco não joguei o celular no maluco filho-da-puta. Que ódio!!!

— Vi duas joaninhas iradas em você, camaradinha.

Deu pra ouvir o Pezão às gargalhadas no celular.

— Você e o Pigmeu no motel? — disse ele, rindo feito uma hiena assistindo o desenho A Vaca e o Frango.

— Não é o que você está pensando, porra!

Reparei que a morena começou a me olhar de outro jeito. Acho que foi só agora que ela se deu conta de que eu não estava no motel com uma mulher, mas sim com um cara. E um cara maluco que vê joaninhas! Putz!

Entrei em pânico. Desliguei o celular na cara do Pezão e dei um sorriso meio amarelo para a gostosa.

— Olha, não sei o que você está pensando, mas eu não sou gay!

— De boa, fica frio.

— Ele tentou comer o meu cu! — gritou o Pigmeu, de repente.

Puta merda!!! Hoje eu mato o Pigmeu!!!

A morena começou a rir.

— Calma, ele não está falando de mim. Foi outro cara que tentou comer o cu dele.

— Tudo bem se você for gay. Eu até já desconfiava mesmo.

Porra!!! Como é que é? Agora ela vai ter que explicar isso direitinho.

— Por quê? Eu não sou gay! Por que desconfiou que eu fosse gay?

— Porque eu te achei muito bonitinho. E parece ser um cara sensível.

— Porra, só por causa disso?

— Ahã.

— Não sei se sou tão sensível assim. Mas pelo menos nunca tentei estuprar nenhuma ex-namorada.

— Aposto que não mesmo.

E ficamos alguns segundos em silêncio, constrangidos, olhando um para o outro.

— Você ainda não me disse o seu nome — falei.

— Angelina. E o seu?

— Brad Pitt.

Ela teve um ataque de risos. Nunca vi dentes tão perfeitos.

— Aposto que todo mundo faz esta piadinha sem graça com você.

— Sim, mas eu sempre acho graça.

— Que bom. Pode me chamar de Nando.

Vi Pigmeu se preparando para dar um tapa na Angelina. Olhei furioso para ele.

— Meu, se você fizer isso eu chuto o seu saco até ele sair pelas suas narinas.

— Seu amigo comia fezes quando era criança, né?

— E continua até hoje.

Começamos a rir tão alto que vi casais pararem de meter para olhar a gente pelas janelinhas dos quartos. Sem exagero, vi mesmo!

Putz, o segurança voltou.

— Os policiais estão aí — disse ele, sério. — Venham comigo, por favor.

A primeira coisa que eu fiz foi pedir para o Pigmeu entrar no Opala e não sair dali. A última coisa que eu quero é a polícia interrogando o maluco, né? Já imaginaram a cena? PÁ!!! "Tinha uma joaninha irada no seu revólver, camaradinha!!!".

Melhor evitar.

Capítulo 4 · Tchau, Motel!

Putz, o segurança voltou.

— Os policiais estão aí — disse ele, sério. — Venham comigo, por favor.

A primeira coisa que eu fiz foi pedir para o Pigmeu entrar no Opala e não sair dali. A última coisa que eu quero é a polícia interrogando o maluco, né? Já imaginaram a cena? PÁ!!! "Tinha uma joaninha irada no seu revólver, camaradinha!!!".

Melhor evitar.

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Seguimos o segurança até um quartinho ao lado da recepção. O local cheirava a mofo e não tinha nada além de um sofá velho e um monte de caixas de papelão.

— Esperem aqui — disse o segurança. — Já volto.

Angelina e eu ficamos a sós. Oh, como seria bom trancar a porta e avançar sobre aquele decote! Tocar aqueles seios, beijar aquela boca maravilhosa e ...

O maldito celular começou a tocar. Era o Pezão, é claro. Não pensei duas vezes, desliguei a porcaria. Muito melhor assim. Já fiz minha boa ação de hoje, não é? Por que ele não vai embora e me deixa em paz?

— Nervoso? — disse Angelina, séria.

— Não — respondi, tranqüilo. — Eu deveria estar?

— Não sei. Mas fique tranqüilo — E ela fez sinal para nos sentarmos no sofá. — Vou contar toda a verdade e não vou deixar que nada lhe aconteça. — Completou ela, depois me deu um beijo estalado na bochecha.

Uau! Seu beijo me arrepiou dos pés até a cabeça. Pintou mesmo um clima, pena que neste exato momento recebemos visita: dois policiais e o ex da Angelina. 

Se depender da sorte que eu tenho com polícia, ou me matam e escondem o meu corpo num matagal ou vou apanhar até cagar sangue. Mesmo sem eu fazer nada já quebraram o farol do meu carro.

Um dos policiais é mulato, alto, parece professor de capoeira. Seu rosto é bem familiar, diga-se de passagem. O outro é japonês, muito baixinho, parece um anão de jardim importado. O japa tem os olhos tão fechados que ele parece estar dormindo em pé.

Não sei se estou em condições de comemorar alguma coisa, mas confesso que comemorei o fato de não serem os mesmos policiais babacas que quebraram o meu farol. Nunca vou esquecer o que aqueles dois me fizeram!

O ex da Angelina estava vestido, é claro. Mancava bastante e parecia estar meio grogue. Ou melhor, parecia estar dopado.

— Levantem-se — disse o policial mulato. Sua voz era calma e, por incrível que pareça, gentil. Muito estranho, até a voz me faz lembrar alguém. Mas ainda não sei quem.

Angelina e eu ficamos de pé.

Não sei explicar, mas eu estava calmo até demais. Tinha alguma coisa naqueles dois policiais que me fazia rir por dentro. Eles pareciam ter saído daqueles filmes da Loucademia de Polícia.

— Qual o seu nome, rapaz? — perguntou-me o policial, com sua voz calma.

— Fernando.

Assim que eu disse o meu nome ele me olhou de outra maneira. Seu rosto sério ficou mais leve e sorridente. Eu, hein! Só falta o policial ser uma bichona e ...

— Não acredito! — disse ele, empolgado. — É você mesmo, Nando? Quanto tempo, amigão!

Amigão? Porra, então minha suspeitas eram legítimas, eu conheço mesmo o policial com cara de capoeirista. Mas de onde?

— Perdão, mas quem é você? — perguntei.

— Vou facilitar as coisas para você ... EEEEEEEEEEEEEEEITA, PORRA!!!

Meu, tive um ataque de risos como há muito tempo eu não tinha. Como eu pude ser tão lesado da memória? É claro que eu conheço este maluco filho da puta! 

— Mandureba, é você mesmo?

Ele nem precisou responder. Seu rosto transbordava emoção. Porra, que surpresa agradável! O Mandureba foi um grande amigo meu do colégio. O filho da puta era da pá virada, o cara repetiu a terceira série umas cem vezes. Quando estudamos juntos, eu tinha por volta de 8 anos de idade e ele já tinha uns dezesseis. As outras crianças zoavam tanto dele, coitado. Acho que eu era o seu único amigo de verdade.

Ele me deu um abraço tão forte que quase me quebrou ao meio. O cara é forte! Já o japonês continuava do mesmo jeito; parecia dormir em pé e seu rosto não expressava absolutamente nenhum sentimento. O ex da Angelina também continuava do mesmo jeito; parecia não ter a menor idéia de onde estava; apenas vegetava.

— Seu parceiro parece ser muito sério — sussurrei no ouvido do Mandureba, referindo-me ao japa.

— Não precisa falar baixinho, ele não vai entender nada mesmo.

— Como assim?

— Ele chegou do Japão ontem. Veio conhecer o trabalho da polícia brasileira.

— Putz! Sério?

Mandureba fez que sim com a cabeça.

— E não fala nada de português? — perguntei.

— Bom, eu ensinei algumas coisinhas, é claro — Mandureba olhou para o japonês e deu dois tapinhas em suas costas. — Certo, Tanaka?

O japa continuou com aquela cara de quem está dormindo, e disse sorrindo:

— Oh, Tanaka ... gosta ... chupa lola, né?

Eu quase mijei na calça.

— Lola? — perguntei.

— Tentei fazer o japa dizer "rola", mas o mané não consegue de jeito nenhum.

Olhei para a Angelina, ela estava super séria; não tirava os olhos do ex.

— Ele está bem? — perguntou ela para o Mandureba, referindo-se ao ex.

— Tirando o fato de não lembrar do próprio nome, está.

— Nossa! É sério?

Mandureba fez que sim com a cabeça, depois olhou para mim e perguntou:

— Vocês brigaram, não foi?

Antes de responder, Angelina se adiantou e disse:

— Mas foi para me defender! Nem sei o que teria acontecido comigo se o Nando não estivesse lá para me ajudar.

Ela me abraçou e começou a chorar.

— Calma, moça — disse Mandureba, colocando uma mão sobre o ombro dela. Aí ele olhou nos meus olhos e disse, calmamente: — Vou precisar saber tudo o que aconteceu aqui, meu amigo.

Contei tudo, detalhadamente. Tive a ajuda da Angelina também, é claro. O ex dela ficou o tempo todo sentado no sofá, totalmente perdido. Calmo daquele jeito, e usando roupas, ele até parecia outra pessoa. Era difícil imaginar que era o mesmo cara que eu nocauteara minutos atrás.

— O que vai acontecer comigo? — perguntei.

— Calma, Nando, vai ficar tudo bem — Mandureba chegou mais perto de mim e disse bem baixinho no meu ouvido: — Eu conheço aquele cara; já foi detido outras vezes por violência contra mulher. Bota aquela banca de pitboy e só bate em mulher. Ele teve o que merece, amigão.

Fiquei feliz por ter nocauteado aquele cuzão. Homem que bate em mulher não vale a bosta que caga. Mas fiquei mais feliz ainda quando o Mandureba me disse que eu estava liberado para ir embora.

Ufa, que alívio! Sair do motel num camburão era a última coisa que eu precisava. Já a Angelina e o pitboy não tiveram tanta sorte; tiveram que acompanhar meu amigo Mandureba. Segundo este, o ex da Angelina terá que passar por alguns exames, por causa da aparente perda da memória. Se é que ele realmente perdeu a memória, né? Eu tenho certas dúvidas. Querem saber? Foda-se, o vilão da história era ele. Eu apenas protegi a mocinha.

E por falar na mocinha, peguei o número do celular dela. Uhuuuuu!!! A madrugada começou mal, mas parece que vai terminar bem.

Puta merda!!!!!!!!!!! Só agora que eu me lembrei do Pigmeu abandonado lá no meu carro. Espero que ele não tenha aprontado nada por lá.

Abri a porta do carro e aquele bafo azedo veio ao meu encontro. Nem sei como o Pigmeu agüentou ficar ali dentro tanto tempo.

Ah, já sei como ele conseguiu; estava dormindo. Tentei entrar no carro sem acordá-lo, mas meus planos foram para o saco quando eu fechei a porta. 

— Tira o dedo do meu cu!!! — gritou Pigmeu, com vontade.

E para ajudar, bem na hora do grito passou um carro por nós. O motorista desceu a janela e ficou olhando para nós, rindo feito uma hiena descabelada no carnaval.

Para não criar mais confusão, ignorei. Em compensação, dei um tapão na orelha do Pigmeu. O maluco deve estar vendo estrelas até agora.

— Carácoles!!! O que foi isso? — disse ele, atordoado.

— Fui eu que te bati, seu imbecil.

— Tem certeza?

— Pára com este negócio de dedo cu, porra! Daqui a pouco vão começar a pensar que fui eu.

— Você enfiou o dedo no meu cu?

— NÃO, PORRA!!! Foi o baitola do padeiro, não lembra?

— Foi ele que me bateu? Eu nem vi, camaradinha.

Meu, ninguém merece. Eu gosto do Pigmeu, mas ele estressa. Puta que pariu!

— Pigmeu, fica quieto. Nós vamos embora daqui.

— O que viemos fazer no cemitério mesmo? Quem morreu?

— Ninguém morreu. Isso aqui não é um cemitério.

Putz, não sei por que eu perco o meu tempo explicando. Pigmeu ficou me olhando com aqueles olhos de peixe morto.

— Seu carro fede, camaradinha. Seu carro é um cemitério.

— Nisso eu concordo.

Enfim, deixamos o motel.

Confesso que foi a pior noite que passei num motel. Além de não trepar, ainda entrei e saí acompanhado do Pigmeu. Sem contar com a visão horrenda de um homem correndo nu. Quer coisa mais feia do que um homem correndo nu? Pior que isso, só dois homens correndo nus. Ninguém merece!

Virando a esquina do motel, quem eu vejo? Adivinhem!!! Parei o Opala bem do lado, estiquei o pescoço para fora e gritei:

— Vocês ainda estão aí?

Pezão e Margareth nem me deram atenção; estavam se comendo lá dentro do carro. Estava um tremendo vuco-vuco! Caraça, praticamente um filme pornô caseiro. Deu vontade de ficar ali assistindo de camarote.

Pigmeu, no auge da sua sabedoria, olhou para mim e disse:

— Tem uma mina estrupando o Pezão, camaradinha.

Comecei a rir feito uma hiena assistindo o filme pornô da Gretchen. Devo ter gargalhado tão alto que o casal se deu conta de que tinham platéia. Pararam com os malhos na mesma hora. Margareth estava sem sutiã e uma das alças da sua camiseta caiu, pude ver um dos seios. Olha, eu perderia meia horinha ali, viu? Show de bola.

Pezão desceu do carro, todo cambaleante e com marcas de batom por todos os lados.

— Por que não voltam para o motel? — disse eu, zoando. — Mas dessa vez você paga essa porra, caralho!!!

Pezão ficou me olhando com cara de poucos amigos.

— Que diabos aconteceu lá dentro, porra?

— É uma lonnnnnnnnnga história.

( FIM )

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