← Todas as histórias
Capa de Edição 11 — Uma Aventura na Madrugada
Nando e Pezão

Edição 11 — Uma Aventura na Madrugada

Publicado em

Sinopse

Sem sinopse.

COMEÇAR A LEITURA
BOA LEITURA
Fonte 18 px
Espaçamento 1.4

Capítulo 1 · Preciso de um Favor

Joguei cocô na cruz.

Não, é pouco. Acho que joguei cocô, depois ainda mijei, dei uma cusparada ... e pra finalizar ainda joguei um CD do É o Tchan!

Fala sério. O que eu fiz para atrair tanta urucubaca pro meu lado?

Será que meus pais fizeram pacto com o capeta?

Será que foi alguma promessa não cumprida?

Será que fizeram alguma macumba pra mim?

Será que descobriram que vou ser o próximo anticristo e resolveram me sacanear?

Será que eu comi cocô quando era criança?

Sei lá, eu só sei que a morte da Caroline caiu como uma bomba. Eu ainda não sei o que vai ser da minha vida. Quanto mais eu tento esquecê-la mais eu lembro dela. E o pior de tudo, se analisarmos bem ... a culpa da morte é praticamente minha. Bom, é claro que o imbecil do Podrão tem mais culpa do que eu, mas ...

Nem no enterro dela eu pude ir. Acreditam? Os pais dela me matariam, né? Foda.

Ah, e falando nos pais ... eles se mudaram daqui; não suportaram a barra. Não é para menos, né? Acho que se fosse comigo eu também teria feito a mesma coisa. Ou teria me jogado de uma ponte, sei lá. Perder duas filhas assim não deve ser moleza.

Porra, galera, ultimamente eu tenho andado tão deprê. Vocês sabem que o verbo "foder" é comigo mesmo, estou sempre me fodendo. Mas desta vez o filho da puta do Murphy pegou pesado. Desta vez ele se superou.

Acordo todo dia me perguntando quando vou voltar a sorrir feito uma hiena usando fio-dental. Será que jamais vou voltar ao normal? Putz ...

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmm!!!!

Ah, fala sério. Meu, são ... duas horas da madrugada. Será que é o cuzão?

— Alô.

— Caralho, Nando, pode encomendar o caixão. Voz de morto, puta merda.

Preciso dizer quem é?

— Pezão, deixa eu te falar uma coisa.

— Fala.

— Enfia o dedão no cu e assopra, porra!!!

— Ah, agora sim, melhorou. Agora parece que tem alguém vivo na linha.

— São duas horas da madrugada, seu bosta! Caiu da cama ou o quê?

— Vamos ver se você adivinha onde estou.

— Sei lá onde você está! Estou me lixando pra ...

Duas buzinadas curtas lá fora. Putz! 

— Ouviu? — perguntou ele, rindo feito uma hiena fazendo tratamento de canal.

— O que você está fazendo no meu portão uma hora dessa?

— Preciso de um favor.

— Favor? Seu porra, você lembra o que disse pra mim na última vez em que eu lhe pedi um favor? Lembra?

— Nem lembro.

— Mas eu lembro.

E bati o telefone na cara do filho da puta. Ah, vai tomar no cu! Vocês lembram, né? Se o cuzão tivesse feito aquele favor talvez a Caroline ....

Fom! Fom! Fom! Fom!

Maldito Pezão do caralho. Vai acordar a vizinhança toda.

Opa, parou. Tomara que ele tenha desistido e ...

Trimmmmmmmmmmm!!!

Atendi o telefone, puto da vida.

— Meu, o que você quer, porra???

— Só preciso de um favor.

— Pezão, que tipo de favor eu poderia lhe fazer uma hora dessa? Depois da morte da Carolina você começou a dar o cu?

— Nando, eu já estou super atrasado, você vai me ajudar ou não?

Eu juro que a vontade maior era mandá-lo pra puta que pariu, mas a curiosidade acabou vencendo.

— Desembucha logo, porra! Que favor é este? Não é nada sexual, é?

— Claro que é.

— O quê? Nem brinca com isso, cara! Se agora você dá ré no quibe é problema seu! Eu não quero ...

— Não é isso, porra! Ré no quibe o caralho! Está me estranhando?

— Mas então o que você quer?

— Lembra da Maria Rita?

— Aquela biscate que você catava de vez em quando?

— Isso. A mina está a perigo, precisa dar urgente.

— E daí? Mulher quando quer dar arranja alguém num estalar de dedos.

— Se ela estalou os dedos eu não sei, só sei que ela usou os dedos para me ligar.

Puta merda, que mau gosto do caramba. A mina está louca pra liberar a perseguida e liga para o maior filho da puta da cidade. Agora eu pergunto: dá pra entender a cabeça de uma mulher?

— Meu, e você está esperando o quê? Vai lá, porra!

— Eu preciso que você vá comigo até a casa dela.

Como é que é? Eu ouvi bem? Pezão me convidando para um ménage à trois? 

— Pezão, eu não estou com cabeça pra isso. Até agradeço, mas ...

— Seu porra, não estou convidando você pra nada, se liga!

— Não? Mas então você precisa de mim pra fazer o quê? Esqueceu como é que se trepa? É fácil, você pega ...

— Eu só preciso que você traga o meu carro de volta. Só isso.

— Não entendi.

Pezão começou a perder a paciência.

— Meu, veste uma roupa e vem aqui me ajudar, porra!!! Se bem que você me enrolou tanto que a mina já deve ter apagado o fogo no cu com um pinto de borracha!!! Puta merda.

Foda-se. Estou precisando mesmo sair deste quarto. Não agüento mais ficar aqui rolando de um lado para o outro pensando na morte da Caroline. Bola pra frente, né? A fila anda.

Vesti uma camiseta, coloquei uma calça jeans e calcei um tênis velho. Pronto. É por isso que é bom ser macho. Se eu fosse mulher estaria procurando uma blusinha que combinasse com a calça e depois levaria mais duas horas para pentear os cabelos de acordo com o modelito.

Mesmo assim ...

— Caralho — gritou Pezão, parado em frente ao portão de casa. — , tudo isso só pra colocar uma calça jeans?

Mostrei aquele famoso dedo.

— O que eu vou levar nessa? — perguntei, enquanto abria o portão.

Pezão voltou para o carro. Estava uma pilha de nervos. Acho que era medo da mina ligar para um outro trouxa. Na verdade somos todos uns trouxas. Se a gente quer trepar precisa dar um duro danado. Quero dizer, pra catar uma mina descente. Biscate não conta. Já a mulherada, não. Basta um telefonema e um trouxa sai correndo no meio da madrugada para apagar seu fogo na bacurinha. Eu não tenho moral pra falar nada porque já fui um destes trouxas. E pra falar a verdade eu adorava ser um trouxa. Fala sério, qual o cara não gostaria de bancar o trouxa com uma ruiva gostosa como a Ana Paula? Paulinha, como eu a chamava, era uma gostosa de 36 anos que eu conheci num show punk. Recém-divorciada, Paulinha tinha um fogo na periquita como poucas vezes eu vi na minha vida. Aquilo sim era mulher com M maiúsculo. Ela me ligava às quatro da madruga e eu saía de casa, de bicicleta, pelas ruas da cidade, pedalando feito um doido. Quando eu chegava no apartamento dela quase não tinha fôlego pra dizer um "oi", mas depois .... aaaaaooooo .... o bicho pegava. Ah, e como pegava! Bons tempos. Que pena que Paulinha voltou para o Rio de Janeiro. Aposto que neste exato momento tem um maluco pedalando feito um doido pra chegar até o apartamento dela. Putz, que inveja!

— Meu, custa ajudar seu amigo? — resmungou Pezão, já sentado diante do volante.

— Seu bosta, quando sou eu que preciso você caga e anda.

Entrei no carro e Pezão saiu fritando borracha, como sempre.

Ah, só pra vocês se situarem no tempo, hoje é uma quinta-feira. Início de quinta-feira, melhor dizendo. O relógio do meu celular marca 2h34m.

— Que papo é este de trazer seu carro de volta? — perguntei, afinal.

— O pai dela vai viajar bem cedinho.

— E daí?

— Se liga, se o pai dela vê o meu carro parado lá em frente ele me mata. O pai dela é amigo da minha mãe, o velho conhece o meu carro.

— Simples, pega a mina e leva para o motel.

— Não dá, ela precisa estar em casa pra fazer o café da manhã para o pai. Depois que a esposa morreu o cara só toma o café feito pela filha. Coisa de gente fresca.

— Putz, mas não dava pra esperar o pai viajar?

— Tesão é tesão, quando bate é foda. Você ainda lembra dela?

— Lembro que ela era gostosa. Mas dava pra todo mundo também.

— Não era bem assim. Pra você ela não deu.

— Porque eu nunca tentei nada.

— Sei, sei.

Falei a verdade mesmo. Ou melhor, quase. Tive oportunidade de catar a Maria Rita sim. Ainda me lembro como se fosse ontem. Festinha de Halloween no colégio. Ela vestida de bruxa, eu com uma máscara de lobisomem, tosca pra caralho. Ela usava uma saia preta bem curta, muito provocante, e juro que estava sem calcinha aquela noite, pois no final do baile ela sentou no banquinho do corredor e vi uma pá de gente rachando o bico e apontando em sua direção. Também vi amigos meus correndo para o banheiro após o episódio. Cambada de punheteiro dos infernos!

Na hora de ir embora pegamos carona no mesmo carro. Maria Rita estava pra lá de Bagdá, estava chamando urubu de meu loiro. Estava mais fácil que roubar pirulito de criança retardada. Mas na hora H acabei desistindo. Bom, não desisti, eu fui obrigado a desistir. No meio do caminho o filho da puta do hot-dog começou a fazer efeito. Quase caguei na calça. Faltou muito pouco. Maldito hot-dog dos infernos!!! Daquele dia em diante prometi nunca mais comer esta maldita porcaria.

Pezão parou o carro.

— É aqui — disse ele, olhando para um lindo casarão.

O bairro onde paramos é um dos mais chiques da cidade. Só magnata mora por estas bandas. Prefeito, dono de comércio e o caralho a quatro.

— Caralho, tem certeza que ela mora por aqui? É a mesma Maria Rita da época do colégio?

Pezão pegou o celular e discou um número. Depois respondeu:

— O pai dela fez uns investimentos naquele bagulho de bolsa de valores e tal. O cara se deu bem.

— Puta merda, o cara deve estar cagando dinh....

— Sou eu — disse Pezão, ao celular — , sim, estou aqui em frente ao seu portão. Desce! Está bem, eu espero, beijão nesta boca gostosa.

E desligou o aparelho, com um puta sorriso nos lábios. Filho da puta.

— Há quanto tempo vocês estão se encontrando? — perguntei.

— Desde a semana passada. Mas como descobriu?

— Você pediu pra ela descer. Como você poderia saber disso se não conhecesse a casa?

— Esta foi boa. Gostei.

Silêncio. Não havia uma alma viva na rua.

— E o lance da barata? — disse Pezão, com um sorriso meio sarcástico nos lábios.

— O que tem?

— Você acreditou mesmo naquilo?

— Como assim? Do que você está falando? Comeu cocô?

— Eu quero dizer, meio estranha aquela história, você não acha?

— Porra, é estranha, mas aconteceu. Eu vi a tatuagem, cara, estava a coisa mais real que eu já vi em toda a minha vida.

— Pra mim foi assassinato.

— Assassinato? Meu, não viaja.

— A mãe já devia estar meio sacuda com a mina e aproveitou a oportunidade.

— Meu, cala esta boca. Você comeu cocô quando era criança, Pezão.

— Só estou dando a minha opinião.

— Enrola sua opinião e enfia no cu.

Os olhos de Pezão arregalaram-se. Era Maria Rita que surgia do outro lado do enorme portão de ferro. Por um instante pensei que Pezão ia gozar na cueca.

— Não quero ver um arranhão, falou? — disse Pezão, chacoalhando a chave do carro na minha direção.

— Vou bater esta porra no primeiro poste que eu encontrar, beleja?

Pezão ficou branco.

— Meu, nem brinca. Arranco seu saco fora.

E quando ele deixou a chave cair na minha palma senti algo revirar o meu estômago. O barulho foi tão alto que até o Pezão ouviu.

— Caralho, tem um Demônio da Tasmânia aí dentro.

E peidei, daqueles peidos rasgadores, daqueles que saem até estrelas do seu cu. Pezão saiu do carro feito um ninja. Nunca vi alguém tão rápido na minha vida. E logo em seguida fui obrigado a deixar o carro também. O cheiro ficou insuportável.

— Vai tomar no seu cu, Nando! Quer cagar caga em casa, meu!

Maria Rita estava meio impaciente, ao portão.

— Fala baixo!!! — sussurrou ela, fazendo gestos com as mãos.

Meu, fala sério, a Maria Rita está ainda mais gostosa! Será que foi a grana que o pai dela ganhou? Será que ficar rico deixa a gente mais gostoso? Ah, com dinheiro dá pra pagar academia, comprar produtos de beleza, fazer plástica e o escambau, né? Mas não creio que seja o caso dela. Só sei que a mina está uma delícia. Mudou a cor dos cabelos, ficou morena, ela era loirinha. Gostei mais dela assim, ficou meio parecida com aquela atriz ... acho que o nome é Letícia Sabatella, ou algo assim. Resumindo, ficou show. E o melhor de tudo, está com um baby-doll rosa ... ui ui ui!!! Loucura, loucura, loucura!!!

Ela abriu o portão e Pezão entrou sorrateiramente, como se o pai estivesse por perto e pudesse ouvi-lo. Ao entrar ele passou a mão na bunda da mina e não vou descrever o resto porque está bem óbvio. Só faltou engolir a mina.

Quando Maria Rita se preparava para trancar o portão senti outra fisgada no estômago. Agora era definitivo, eu precisava de uma privada.

— Espera! Preciso de um banheiro, urgente!!!

Nem preciso dizer que Pezão ficou irado comigo, né?

— Vai cagar na tua casa, porra! Lá não tem banheiro?

— É urgente! Vou fazer na calça!

— Vamos, ele está de sacanagem comigo, aposto que é brincadei ...

E soltei outro daqueles peidos rasgadores. O barulho foi tão alto e a rua estava tão quieta, o som ecoou pelo bairro. Garanto que acordei um ou outro cachorro vira-lata.

Entrei em pânico.

— Meu, é sério, só preciso de um banheiro!

Maria Rita estava tão irritada quanto Pezão, mas abriu o portão para mim. E disse:

— Se for brincadeira eu mato você, viu? E o barulho foi tão alto que pode ter acordado o meu pai, merda!!!

Entrei me contorcendo todo. Caralho, não me lembro de uma dor de barriga tão feia assim. Acho que a última vez que isso me aconteceu foi naquela noite do show do Rappa. Bom, melhor eu nem lembrar. Malditas formigas dos infernos! Porra, você ri porque não foi com você.

— Não é brincadeira — respondi. — a coisa está feia, muito feia.

E peidei outra vez. Eles olharam sérios para mim, não sei se estavam com nojo ou ódio. Talvez um pouco de cada.

Capítulo 2 · Ninguém Morreu, Mas...

Entrei em pânico.

— Meu, é sério, só preciso de um banheiro!

Maria Rita estava tão irritada quanto Pezão, mas abriu o portão para mim. E disse:

— Se for brincadeira eu mato você, viu? E o barulho foi tão alto que pode ter acordado o meu pai, merda!!!

Entrei me contorcendo todo. Caralho, não me lembro de uma dor de barriga tão feia assim. Acho que a última vez que isso me aconteceu foi naquela noite do show do Rappa. Bom, melhor eu nem lembrar. Malditas formigas dos infernos! Porra, você ri porque não foi com você.

— Não é brincadeira — respondi. — a coisa está feia, muito feia.

E peidei outra vez. Eles olharam sérios para mim, não sei se estavam com nojo ou ódio. Talvez um pouco de cada.

----------------------------------------

— Meu, fala sério! — disse ela, irada. — Sai de perto de mim, por favor! Olha — ela apontou para um pequeno portão de madeira, à minha direita — , depois daquele portão tem um banheiro que os empregados usam. Vai lá.

Estava escuro pra caralho. Exitei. Os dois ficaram ainda mais putos.

— Está esperando o quê? — falou Pezão. — Já passou o cagaço?

Maria Rita olhou feio para Pezão, dizendo:

— Ninguém merece, viu? Olha, não vou ficar aqui esperando seu amigo usar o banheiro — ela tirou uma das chaves do seu chaveiro e me ofereceu. — Pega, eu tenho uma cópia.

— Que chave é esta? — perguntei, quase cagando na calça.

— É a chave deste portão — e olhou para o portão que dá pra rua. — Agora Corre lá no banheiro, faça o que você tem que fazer e quando for embora tranque o portão, entendeu? — e olhou para o Pezão. — Depois você me devolve a chave.

Pezão deu aquele seu sorrisinho filho da puta e depois beliscou a bunda da mina. O beliscão foi tão forte que ela até gritou de dor.

— Meu, não faz isso! — resmungou Maria Rita. — Meu pai vai acordar, merda!!!

— Vamos, vamos! — repetia Pezão, puxando a mina para dentro da casa.

E lá se foram os dois. Andavam nas pontas dos pés. E eu no maior cagaço da minha vida. Ninguém merece. 

Bom, agora vamos recapitular, o que foi que ela tinha dito mesmo? "Depois do portão de madeira tem o banheiro dos empregados". Banheiro dos empregados? Caralho, gente rica tem cada uma, né? Como já dizia meu avô: Quem pode, pode. Quem não pode, se fode.

E lá vou eu correndo atrás da porra do banheiro. Correndo, em tese, porque se eu realmente correr aposto que vou "adubar" o quintal todo. Porra, tinha que estar tão escuro assim? Como é que eu vou enxergar o maldito banheiro?

Empurrei o portão de madeira e o bagulho fez um rangido igual àquelas portas de filmes de terror. Porra, era só o que me faltava. Agora eu abro e dou de cara com um cemitério antigo, cheio de esqueletos e o caralho a quatro. Duvidam? Se depender da minha sorte ...

Mas não. Nada a ver. Tirei o celular do bolso e apertei uma tecla qualquer, só para a porcaria clarear um pouco o ambiente. E lá estava o meu salvador, o maldito banheiro dos empregados. Meus olhos de cima brilharam, o de baixo piscou. Até peidei de alegria.

Antes que eu pudesse entrar no banheiro ouvi algo que duplicou o meu cagaço, ouvi latidos ferozes. Iluminei meu celular novamente e vi um dobermann distante; estava preso por uma coleira. Ufa!

Sorte de pobre dura pouco, vocês sabem disso, portanto corri para o banheiro. Foi o tempo exato de descer a cueca e a bosta começou a voar longe. Poloft! Poloft! Splaft! Poloft! 

Meu, fala sério, será que eu comi um boi e não me avisaram? De onde eu arranjei espaço para tanta merda no meu organismo? Eu sei que tenho muita merda na cabeça, mas jamais pensei que seria um tanto assim. Quando eu pensava que já tinha terminado vinha outra contração e ... Poloft!!! Calma, ilustríssima leitora, sei que esta narrativa está meio nojenta, mas é a realidade crua e nua. E como eu sempre digo, isso aqui não é novelinha das oito. Na vida real nem sempre o mocinho termina com a mocinha desamparada; geralmente acaba todo cagado num banheiro, às 3 horas da madrugada. Até rimou.

Depois de minutos de sofrimento .... o aliiiiiiiiiiiiiiiiiiivio. Cagado, porém evacuado.

Analisando friamente os fatos compreendo o que aconteceu. Após a morte da Caroline eu fiquei muito deprimido, e quanto mais deprimido eu ficava mais eu comia. Cheguei a comer 4 pacotes de bolacha enquanto assistia o Programa do Jô. Comi pra caralho estas últimas semanas, mas não me lembro de ter ido ao banheiro uma única vez. Resumindo, acabei de evacuar em minutos o que eu deveria ter evacuado nestas últimas semanas. Haja merda!!!

Ergui-me do vaso com o cu em chamas.

O banheiro não tem mais do que 1 metro de largura por 1 metro de comprimento. Talvez 1 metro e 90 centímetros de altura. Escuridão total. A única coisa de que eu tenho certeza é a presença do mau cheiro. Não vou descrevê-lo, pois creio que não seja necessário. Agora só me falta não encontrar papel higiênico. Seria a glória.

E não encontrei. Liguei o celular para iluminar a porra do banheiro e não vi 1 centímetro sequer de papel higiênico. Obrigado, Murphy.

Foda-se, vesti a cueca, a calça e ... gritos do lado de fora do banheiro:

— Se algum dia eu ver a sua cara novamente eu lhe arrebento inteiro, seu filho da puta!!!

Putz! O que será isso? Empurrei um pouquinho a porta do banheiro e vi o jardim todo iluminado.

— Calma, pai! — gritava Maria Rita.

Abri mais um pouquinho a porta e vi algo que me fez gargalhar feito uma hiena com paralisia cerebral: Pezão correndo só de cueca pelo jardim. O filho da puta parecia um maratonista do Quênia. Porra, se eu soubesse que ele corria tanto assim teria inscrito o mané na São Silvestre do ano passado ... hahahahahaha.

Agora eu entendi o motivo do Pezão correr tanto assim, o pai de Maria Rita soltou o dobermann atrás dele. Caralho! Mas para a sorte do Pezão o portão estava destrancado.

Puta merda, ele vai embora e vai me deixar aqui sozinho???

Não, é claro que não. EU estou com as chaves do carro, né? Sorte a minha, caso contrário aquele filho da puta não pensaria duas vezes em me abandonar aqui.

Continuei ouvindo gritos lá fora, mas ficavam cada vez mais distantes.

De repente três batidas na porta do banheiro. Putz!!! Enquanto eu subia a calça alguém empurrou a porta para espiar.

— Caraaaaaaaaaaaca, fala sério!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! — era ela, Maria Rita. — O que foi que você comeu, Nando?

Nando? Ela sabe meu nome? Lembrou de mim?

Saltei para fora do banheiro, vermelho de vergonha, porém ... ah, foda-se! Todo mundo caga, não caga? E quem é que disse que sou obrigado a cagar cheiroso? Não tenho desodorante no cu, tenho? É claro que não tenho.

Fechei a porta, para evitar um desastre ainda maior.

— Obrigado pelo banheiro — falei.

Maria Rita estava com as mãos no nariz.

— Caraca, nem com a porta fechada o cheiro passa!

— Meu, o que você quer que eu faça? Faz um tempão que eu não ...

— Meu pai está voltando!!! Esconda-se!!!

Tentei voltar para o banheiro, mas a porra da porta não abria de jeito algum!!!

— O que está havendo com esta maldita porta? — gritei pra ela.

— Você deve ter travado a maçaneta, aí quando fecha só dá para abrir pelo lado de dentro, ou com a chave! Agora fodeu, não vai dar tempo, vem comigo!!!

E Maria Rita me puxou pelo braço. Ela me levou até o seu quarto e me fez entrar debaixo da cama.

— Fica quieto aí — sussurrou ela. — , se o meu pai te pega ele ... nem sei, viu?

Caralho! Não é justo, semanas atrás eu escapo de um noivo furioso e acabo morrendo pelas mãos do pai de uma mina que eu nem comi? Fala sério, puta injustiça do destino. Será que se eu morrer vou encontrar a Caroline do outro lado? Bom, já é um consolo.

Fiz sinal de positivo para Maria Rita. E fiquei quieto, é claro.

De repente passos no corredor. Lá vem o pai da mina, ou sei lá quem.

— Estou muito decepcionado com você — era o pai dela mesmo. O cara estava muito puto da vida.

— Perdoe-me, papai.

O jeito com que ela disse foi tão meigo que até eu perdoaria. Mulher é foda, tem todo um poder de sedução com a gente. Aposto que se uma mulher tentasse convencer 10 homens a pular de um precipício, pelo menos 9 pulariam. Ainda bem que nem todas sabem deste poder.

— Ah, se eu pego aquele desgraçado!!!!!

— Acalme-se, papai.

— Muito bonito, mocinha! Descuido um segundo e você traz aquele pilantra pra dentro do seu quarto. E o filho da mãe ainda teve a moral de fugir e deixar o carro parado na frente do nosso portão. Acredita nisso? É o fim da picada.

— Esquece isso, papai, o senhor precisa descansar para a sua viagem.

— Viagem? Agora eu nem sei se vou viajar. Hoje eu descobri que não dá para confiar em você.

— Credo, pai! Também não é assim, eu só ...

— Eu quero a chave do seu quarto, agora!

— Pra quê?

— Ora, você não disse que eu preciso descansar? Então, só descanso se você estiver trancada aqui dentro deste quarto, sozinha, longe daquele pilantra.

— Ah, pai, não precisa ...

— A chave, agora!

E Maria Rita finalmente obedeceu. O cara nem deu boa noite para a guria. Bateu a porta e depois a trancou.

Olha a minha situação: são 3 e pouco da madrugada, estou preso num quarto com uma morena deliciosa usando só um baby-doll transparente, e pra ser sincero, não tenho a menor idéia se isso vai terminar em sexo ou tragédia. Bom, talvez as duas coisas.

— A barra está limpa — disse ela, colocando o rosto embaixo da cama.

— Eu estava com medo do Pezão ligar para o meu celular enquanto seu pai estava aí na porta.

— Não tinha perigo, seu amigo estava tão apavorado que largou tudo aqui em casa.

Comecei a rir, e me arrastar para fora.

— Eu quase tive um treco quando vi ele passar correndo só de cueca pelo jardim. Foi hilário demais.

— Pior que foi mesmo. Nunca vi ninguém correr tanto.

— Nem eu.

Maria Rita sentou-se diante de uma penteadeira. Havia um espelho enorme e uma grande quantidade de produtos de beleza. Eu não disse? Dinheiro não deixa você mais bonito, mas ajuda.

Sentei-me na cama. Maria Rita estava de costas para mim, mas notei que ela me olhava pelo espelho.

— Bela casa você tem — eu disse.

— Obrigada. Eu gostava mais da outra, mas esta aqui até que é legal.

Eu não conseguia parar de olhar aqueles lindos seios atrás do seu baby-doll transparente, e ela acabou percebendo. Mas não fez nada para escondê-los.

— Você se lembra de mim? — perguntou ela.

— Claro que me lembro.

E Maria Rita virou-se para mim, sorrindo. Em seguida deu uma cruzada de pernas que deixaria Sharon Stone morrendo de inveja. Fala sério, ela está me provocando!

— Sabia que eu tinha uma quedinha por você no colégio? — continuou ela.

— É mesmo? — não consegui esconder minha surpresa.

— Sério, eu te achava muito lindinho.

Dei um sorriso sacana pra ela.

— Eu não fazia a menor idéia. Por que não veio falar comigo?

— Sei lá, sempre que eu chegava perto de você eu ficava nervosa.

— Fala sério, você está zoando comigo.

— Não estou, eu juro! Teve uma vez em que eu quase cheguei junto, mas eu estava meio bêbada e fiquei com medo de vomitar em cima de você.

— Espera aí, foi naquela festa de Halloween?

— Isso, pegamos carona juntos, então você se lembra?

— Claro que eu me lembro, eu estava louco para chegar em você, mas ...

— Caraca, não acredito nisso, e por que não chegou?

— Eu não estava passando muito bem. 

Porra, eu não poderia contar que estava com outro cagaço, né? Já basta o de hoje.

De repente ela se levantou e veio caminhando lentamente ao meu encontro.

— Notei que você não tira os olhos do meu busto — disse ela, estufando os peitos.

— Sinto muito, é que ...

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa ela tirou o baby-doll, ficando só de calcinha. Quando percebi ela já estava sobre mim.

O rala e rola durou até as 5 e pouco da madrugada. Loucura, loucura, loucura.

O mais curioso veio depois, nós começamos a conversar e parecíamos tão íntimos quanto um velho casal de namorados. Foi a primeira vez que eu consegui passar algumas horas sem pensar na morte de Caroline.

Quando o relógio marcava 7:30 da manhã o pai de Maria Rita acordou e veio até o quarto. Peguei minhas roupas e enfiei-me debaixo da cama.

A porta abriu lentamente.

— Bom dia, papai.

— Bom dia. Espero que você tenha refletido muito sobre o que você fez.

— Refleti muito.

Fala sério, este mina é foda. Quase soltei uma gargalhada debaixo da cama, mas me segurei. Se algum dia eu tiver uma filha assim ... putz!!!

— Olha aqui — prosseguiu ele. — , por mais que eu acredite em você não vou deixá-la sozinha. Chamei a sua tia Selma para passar o final de semana aqui com você.

— Ah, pai, fala sério! A tia Selma?

— Ela mesma. Agora vá já pra cozinha preparar o meu café da manhã. Já estou atrasado.

— Ninguém merece, viu? 

E Maria Rita deixou o quarto, irritadíssima. Notei seus pés batendo com raiva no piso do quarto.

Quase meia hora depois ela voltou.

— Pode sair daí — disse ela, ainda meio irritada. — não tem mais perigo.

Arrastei-me para fora da cama. Antes que eu me levantasse ela arrancou minha cueca com o pé direito. Em seguida transamos no chão do quarto. Caralho, a mina só pensa naquilo? Gostei dela.

Mas quando terminamos ela mudou completamente, parecia outra pessoa.

— Rápido, rápido! — repetia ela, enlouquecida. — Minha tia está vindo pra cá e você precisa ir embora.

Vesti-me rapidamente e saímos correndo pela casa.

— Você não faz idéia de como a minha tia Selma é.

— Aposto que é uma solteirona que não trepa há anos.

— Caraca, como sabia? Mas não é só isso, ela é mó durona, faz luta livre e tudo. A mulher parece um tanque.

Quando chegamos ao portão ela me deu um beijo de língua e me empurrou para fora do portão, dizendo:

— Vamos nos ver outra vez?

— Acho que sim.

— Que bom.

E fechou o portão com toda a força. Eu, hein! Mina esquisita.

Quando virei para trás e vi o carro do Pezão estacionado ali eu senti um alívio tão grande quanto o que senti sentado no vaso esta madrugada.

Ufa!

Caralho, mas quando o Pezão ver os arranhões e os amassados que o pai da mina fez no carro dele ... putz!!! O filho da puta vai dar cria! Falando nisso, onde será que o Pezão se meteu? Será que ainda está vivo? Ah, foda-se, depois eu descubro. Tudo o que eu quero agora é ir pra minha casa dormir um pouco. Esta madrugada foi uma aventura e tanto, hein! Cagaço, perigo, sexo, sexo outra vez ... uau!!!

Entrei no carro e saí fincando.

Liguei o rádio e ... Metallica??? Caralho, será que estou sonhando? Será que finalmente as coisas vão começar a dar certo pra mim? Porra, já estava na hora, né?

De repente uma cena inédita nestes anos todos: Pezão, só de cueca, sendo algemado por dois policiais. Tentei chegar mais perto com o carro. Quando Pezão notou que era eu ele ficou enlouquecido, começou a pular e a gritar:

— Nando, me ajuda!!! Nando!!! Conta pra eles que você me conhece!!!

Quando eu estava chegando próximo um dos policiais me deu ordem para me afastar.

Pezão ficou ainda mais desesperado.

— Meu, aquele carro ali é meu!!! — gritou ele para os policiais.

Bateram com o cassetete no estômago do Pezão e mandaram ele calar a boca.

Fiquei ali olhando e os policiais me mandaram sair fora, fazendo gestos com os cassetetes.

Quando eu ia pisar fundo no acelerador um dos policiais pediu para eu parar o carro e veio na minha direção, a passos largos.

— Aquele indivíduo disse que te conhece — disse ele para mim.

Olhei para o Pezão, depois voltei os olhos para o policial e respondi calmamente:

— Nunca vi na minha vida. E tem mais, ele não parece aquele estuprador de criancinha que fugiu do cadeião de Taubaté?

E saí cantando os pneus.

( FIM )

↑ Voltar ao topo

MAIS UMA HISTÓRIA PARA GUARDAR

Que nota este conto merece?

Conclua a leitura para avaliar.

Seja um leitor fiel. Cadastre-se grátis para salvar sua leitura e avaliar.