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Capa de Edição 10 — A Garota dos Cabelos Verdes
Nando e Pezão

Edição 10 — A Garota dos Cabelos Verdes

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Sinopse

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BOA LEITURA
Fonte 18 px
Espaçamento 1.4

Capítulo 1 · O Supermercado

Caralho. Odeio pesadelo. Principalmente quando me fazem lembrar de Ubatuba. Ah, e tenho uma notícia não muito boa para vocês. Estou pensando seriamente em levar esta história para o meu túmulo. Literalmente falando. Semana passada eu vi um filme onde o cara morre e é enterrado com toda a sua fortuna, aproximadamente 30 milhões de dólares. Como eu não tenho nem 30 reais, levaria o que tenho de mais precioso, o segredo de Ubatuba. Mas tenham calma, eu ainda não me decidi.

Hahahahahahahaha.

Assustei vocês, hein!!! Calma, gente, um dia eu conto tudo. Pra ser sincero eu nem sei se compensa contar tudo, pois se isso acontecer eu aposto que muitos de vocês jamais terão a coragem de pisar naquela bela cidade outra vez. Sim, Ubatuba é linda, mas guarda segredos obscuros. Pezão e eu sabemos muito bem disso.

Bom, deixa pra lá, outro dia eu ...

Riiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing!!! Riiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing!!!

Porra de telefone do caralho. Se quando eu morrer eu encontrar o fantasma do desgraçado que inventou esta merda eu juro que dou-lhe um chute no saco.

— Fala, Pé.

— Pé o caralho, que intimidade é esta?

— É mais curto, hoje não estou com saco pra conversar.

— Está menstruada, santa?

— Meu, desembucha logo, não estou com paciência. Ah, e sua imitação de bicha ficou perfeita, hein! Nem parecia imitação!

— Vai se foder. Cara, estou com um problema sério.

— Azar o seu.

E desliguei o telefone. Se conhecemos bem o filho da puta ele deve estar ...

Riiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing!!!

— O que é, porra?

— Caralho, por que desligou? Eu preciso te contar um negócio.

— Desembucha, caralho!

— Justamente, eu estou com um problema no ... meu pau.

— E o Kiko?

— Quem?

— Nada, deixa pra lá. Porra, não acredito que você me ligou pra dizer isso.

— O bagulho é sério. Você está ligado que estou com um pinto implantado de outro cara, certo?

— Certo. E daí?

— E daí que ... é estranho, cara!

— Não me diga, é mesmo? — falei em tom irônico, é claro.

— É sério. Eu ainda não me acostumei. Quando eu pego nele sinto como se eu ....

— Porra, nem complete esta frase, por favor.

— Sacou meu dilema, não é?

— Acho que sim.

— É foda. E agora? Eu quero o meu pau de volta, o meu mesmo, o meu original, o que veio da fábrica. Entende?

— Entendo.

Coloquei a mão direita dentro da cueca. Meu, como é bom saber que o meu pau continua ali, deitado sobre o saco. Dizem que o melhor amigo do homem é o cão, mas eu não concordo. O melhor amigo do homem é o seu próprio pinto. Eu não consigo me imaginar sem o meu. Grande camarada Nando Júnior. Melhor ainda quando ele está de bom humor, não é? Ah, quantas aventuras já vivemos juntos! Sei que algum dia ainda vou me meter em enrascada por causa dele, mas amigos são assim mesmo.

— Será que ainda há chance de recuperá-lo? — perguntou Pezão. Fala sério, quem tem um amigo como o Pezão não precisa de inimigo.

— Olha, cara, melhor desistir. Fica com este aí mesmo e siga com sua vida.

— Não sei se consigo, ontem fui fazer xixi e quando relei nele eu quase vomitei, senti um nojo filha da mãe.

Comecei a rir feito uma hiena com cólica. Pezão ficou puto, é claro.

— Meu, vai tomar no seu cu então, nem sei pra que eu liguei.

— Também não sei. Posso desligar o telefone? Ainda são 11 da manhã, está muito cedo e eu quero voltar a dormir.

— Seu bosta, quero ver quando isso acontecer com você.

— O que você gostaria de ouvir? Pezão, você está com um pinto de outro cara! Quer coisa mais esquisita que isso? Nem no Ratinho a gente vê casos como este. Acha que eu tenho alguma frase pra lhe consolar? Nem tenho, porra!!!

— Vai se foder então.

— Sei lá, cara, procura uma zona, aluga uns pornôs, toca umas punhetas debaixo do chuveiro, dá um jeito! Mostra quem é que manda. Mostra que você é que manda no seu pinto, não o contrário.

Mas será que é isso mesmo? Muitas vezes é o pinto que manda na gente, né? Quem é homem sabe do que eu estou falando. Aposto que tem muito cueca concordando comigo neste exato momento. Se vocês, garotas, não entenderam nada, não se preocupem, isso é coisa de quem tem duas cabeças. É complicado mesmo. Se bem que as mulheres só possuem uma cabeça e são mais complicadas ainda, né? Bom, deixemos esta discussão para outro dia.

— Tem razão — disse Pezão. — , acho que é uma boa idéia.

— Claro que é. Só toma cuidado com uma coisa.

— O quê?

— Pra ele não cuspir na sua cara.

— Seu filho da puta.

Ele desligou o telefone.

Nem bem ajeitei meu travesseiro e minha mãe bateu à porta.

— Nando, levanta!

— O que aconteceu? Quem morreu?

— Ninguém morreu, levanta! Preciso que você vá comprar umas coisinhas pra mim.

— Ah, mãe! Por que eu?

— Anda logo, seu pai está aqui.

Meu pai? Nossa, quanto tempo eu não vejo o velho. Eu já estava com saudade.

Levantei-me, troquei de roupa e fui ver o que minha mãe queria.

— Cadê o pai?

— Está dormindo. Chegou cedinho e desabou na cama. Pobre coitado, dirigiu a noite toda só pra não perder o dia de hoje.

— Não entendi. O que tem este dia de tão especial?

— Nando, não sabe que dia é hoje?

— Sei lá, sábado?

Ela ficou me encarando com uma cara de poucas amigas. Meu, por que ela ficou assim tão nervosa? Afinal de contas que porra de dia é hoje? Será que é Natal?

— Fernando, Fernando, você está cada dia pior. Eu sabia que a amizade com aquele menino mimado não seria boa coisa.

Xiiiiiiiiii, pra me chamar de Fernando ... alguma coisa terrível eu devo ter feito. Mas o quê? É pecado esquecer em qual dia estamos?

— Mãe, o que eu fiz?

Ela saiu resmungando e não me respondeu. Entrei no banheiro para lavar o rosto e ela reapareceu, ficou me olhando de soslaio por alguns segundos e disse:

— Preciso que você vá ao supermercado. Vou fazer o prato favorito do seu pai e preciso de alguns ingredientes.

Dei uma cusparada na pia, enxuguei o rosto e respondi:

— A senhora nunca faz meu prato favorito.

— Quando você fizer por merecer eu farei.

Xiiiiiiiii, o clima está meio pesado. Melhor eu pegar a grana e correr para o supermercado, antes que ela comece a desabafar. Minha mãe é assim, ela vai guardando as cagadas que eu faço até que, de repente, ela explode e começa a jogar tudo na minha cara. Teve uma vez que ela falou tanta merda na minha orelha que eu até dormi. Acho que o recorde até hoje foi de exatas duas horas. A mama tem uma memória de elefante! Aposto que ela sabe de cor as burradas que eu fiz meses atrás. Ela está só esperando o momento certo. Pelo que eu estou percebendo hoje será o dia.

— Aqui está a lista do que eu quero — ela disse, oferecendo-me uma folha de caderno toda preenchida.

Olhei a lista, era enorme.

— Mãe, é muita coisa, tem certeza de que ...

Ela pegou a chave do carro do meu pai e colocou nas minhas mãos.

— Vai agora mesmo, quero o almoço pronto antes que o seu pai acorde.

— Está bem.

Olha, fazia tempo que eu não via esta cena. Minha mãe me entregando as chaves do carro do meu pai. Algo raríssimo.

Entrei no carro, peguei a grana que ela me deu e coloquei na carteira. Esbarrei na Carla Perez. Calma, é só um daqueles cartões com mulher pelada de um lado e calendário do outro. Fiquei alguns segundos encarando aquele belo corpo nu. Quer coisa mais linda? Difícil, hein! Bom, mais lindo mesmo só se além da Carla estivessem as duas Sheilas nuas ao seu lado, é claro. 

Após estes segundos de deleite eu virei o cartão e aproveitei para me situar no tempo. Motivo pelo qual eu peguei o maldito cartão, né? Mas foto de mulher pelada distrai a gente. Caraaaaalho!!! Agora entendi. Hoje é dia 19 de abril, aniversário da minha mãe. Meu, que mancada a minha. Então é por isso que ela ficou fula da vida comigo. 

Bom, agora a cagada já está feita, melhor eu pisar fundo e comprar tudo direitinho. Acho que minha cota de cagadas com a mama já se esgotou por hoje, não é?

Saí cantando os pneus, ao estilo Pezão.

Supermercado lotado. Filas para entrar no estacionamento. Hoje será um daqueles longos sábados, já percebi tudo.

Opa, uma vaguinha logo atrás daquele Uno cor de merda! Pisei fundo e no momento exato de estacionar .... FOM FOM!! A buzinada alta no meu ouvido quase me deixou surdo. Olhei para o lado e foi tudo o que o motorista do Fusca vermelho precisava para me distrair. Ele entrou na minha vaga, bem atrás do Uno cor de merda.

— Filho da puta!!! — gritei, socando o volante. Depois mostrei aquele famoso dedo, é claro. Ficar nervoso dentro de um carro e não fazer isso é a mesma coisa que peidar e não fingir que não foi você.

Precisei dar uma puta volta para conseguir uma vaga decente. Já o babacão do Fusca vermelho conseguiu a minha vaga, bem na entrada do estacionamento, a melhor vaga de todas. E o pior de tudo é que nem pude ver a cara do filho da puta, pois o Fusca tem vidro fumê. Mas no fundo foi até bom, pois se eu encontrasse com ele dentro do supermercado o bicho ia pegar. Meu, que raiva!!! Por isso que nestas horas é bom ser rico. Se fosse o Pezão ele ia jogar o carro em cima do Fusca e detonar tudo, afinal de contas a mamãe dele lhe compraria outro no dia seguinte, não é? Assim é fácil.

Abri a porta do carro e derrubei um garotinho. O moleque abriu o maior berreiro. Seus gritos ecoaram pelo estacionamento e seus pacotes saíram voando por todos os lados, esparramando um monte de chocolate e sacos de bala. Uma bagunça só.

— Porra, guri, não olha por onde anda? — pode parecer insensível da minha parte, mas lembrem-se, eu já estava meio irritado com o lance da vaga. Mereço um certo desconto.

O moleque olhou pra mim e chorou ainda mais.

— O que aconteceu aí? — gritou um cara lá longe, entrando no estacionamento.

O moleque apontou pra mim e disse:

— Ele bateu em mim, papai!

— O quê? Porra, eu nem ...

Quando olhei para o cara ele já estava correndo na minha direção. Meu, fala sério, o cara é o dobro de mim, tanto em altura como peso. Resultado, saí correndo feito um doido. Fui ziguezagueando entre os carros e parei atrás de uma Kombi. Acho que consegui despistar o pai do garoto. Por via das dúvidas fiquei ali escondido por alguns minutos, até que vi o carro deles deixar o estacionamento. Ufa! Esta foi por pouco.

Antes de sair detrás da Kombi senti algo quente nas minhas pernas. Um vira-lata mijava em mim. Fala sério!!!

— Sai daí, caralho!!! — disse, empurrando o maldito cachorro pra longe de mim. — Maldito vira-lata dos infernos, olha só o que você me ....

Ouvi passos cada vez mais próximos. Vinham na direção da Kombi. Procurei sair de fininho, mas uma das pessoas me viu. Acho que é o dono da Kombi.

— Ei, você, o que estava fazendo aí atrás? — gritou ele pra mim.

Fingi que não era comigo e continuei me afastando. De repente outra voz:

— Olha ali, ele mijou nos nossos pneus!

Dei uma olhadela para trás e vi um deles vindo apressadamente na minha direção. Este não era tão grande quanto o pai do moleque chorão, mas para evitar conflito eu corri outra vez, mas agora para dentro do supermercado. Por sorte ele não veio atrás de mim. Bom, eu acho que não.

Respirei fundo, enfiei a mão direita no bolso e ...

— Cadê a lista? — falei alto e acabei despertando a atenção de algumas pessoas que passavam por mim.

Puta merda, deixei a lista no carro. Bosta!

Voltei para o portão do estacionamento e ... a dupla da Kombi continuava lá. Não estão esperando por mim, estão ajeitando suas compras, mas acho melhor eu não arriscar. Senti uma raiva tão grande daquele maldito cachorro vira-lata dos infernos.

Bom, eu sempre tive boa memória, certo? Tudo bem que não é tão boa quanto a da minha mama, mas acho que posso lembrar de alguns itens da lista. Deixe-me ver, tinha azeitona, queijo parmesão e ... Não lembro!!!!!!

Bosta dos infernos!!!

Dei outra olhadela para o estacionamento. Os idiotas da Kombi ainda estão lá. Caralho, será que eles compraram metade do supermercado? Que demora!

Acho que tive uma idéia. Se eu for caminhando pelos corredores do supermercado talvez eu me recorde da lista, certo? Não custa nada tentar. Puxei um dos carrinhos e lá fui eu.

Passei pelos pacotes de bolacha. Nada. Entrei no corredor das massas. Nada. Aí virei à esquerda e dei de cara com uma pirâmide de cerveja. Meu, juro pra vocês, parecia a visão do paraíso. Era como se eu estivesse num sonho. Pra completar aquela visão maravilhosa havia um display em tamanho real da atriz Juliana Paes, sorrindo para mim. Acho que eu fiquei ali embasbacado por um bom tempo. De repente ouvi dois funcionários do supermercado cochichando:

— Será que ele sabe que é de papelão?

— Sei lá, o cara está ficando até de pau duro.

E ambos caíram na gargalhada. Depois dessa eu voltei à realidade. Chega de Juliana Paes. Eu preciso daquela maldita lista do caralho!!!

Larguei o carrinho no corredor das bebidas e corri para o estacionamento. Ufa! Finalmente uma notícia boa. A dupla da Kombi tinha ido embora. Voltei para o carro e peguei a lista. A maldita estava jogada ao lado do pedal da embreagem. Quando tranquei o carro novamente reparei duas coisas:

1.. ele estava cheirando muito mal, acho que era mijo;

2.. a porta estava com dois arranhões e ainda escreveram COVARDE, provavelmente com uma moeda.

— Filhos da puta!!! — falei tão alto que todos dentro do estacionamento olharam para mim.

Meu, estou ferrado! Meu pai tem um amor gigantesco por este carro. Talvez ele goste mais do carro do que de mim. Ninguém merece, eu joguei merda na cruz.

Voltei para o supermercado, mas minha mente estava em outro lugar. Na minha frente havia pilhas e mais pilhas de produtos enlatados, mas tudo o que eu via era meu pai me dando a maior bronca da história.

Entrei no supermercado tão avoado que nem percebi quando esbarrei numa pirâmide feita com latas de Nescau. Nem preciso dizer que causei a maior bagunça. Foram latas para todos os lados. Teve gente tropeçando nas latas e caindo, houve quem caiu sobre outras pirâmides de outros produtos. Meu, foi a maior zona! Levei o maior pito do gerente. Fiquei sem graça e acabei ajudando os caras a montar a pirâmide de Nescau outra vez. Mas nem preciso dizer que ao invés de ajudar eu só atrapalhava, né? Parece fácil quando você vê aquelas pirâmides de produtos toda bonitinha. Na verdade dá um trampo do caralho. Olha, nem vão pensar que estou fazendo propaganda de Nescau, viu? Não ganhei 1 centavo. Além disso eu não tomo. Peguei trauma quando era criança, meu avô me dizia que ele era feito de terra com açúcar. De lá pra cá eu nunca mais tomei.

Nando, um problema por vez, vamos lá, você consegue.

Respirei fundo novamente, peguei a maldita lista e lá fui eu. Puxei outro carrinho, pois aquele primeiro alguém o pegou. Item por item. Agora vai. Fui seguindo a lista como minha mãe a fizera. Pela primeira vez as coisas começaram a dar certo. Foi quando eu vi os últimos itens da lista ... dois melões. Achei a maior graça. Comecei a rir sozinho, como uma hiena solitária no deserto. Deserto? Mas não há hienas no deserto. Bom, aí está a graça, não é?

— Dois melões — falei em voz alta, rindo feito um louco.

De repente levei um tapa. Um tapa daqueles! A dor foi tão grande que deixou minha face e foi se esparramando pelo resto do corpo. Era só o que me faltava, será que o Pigmeu está aqui no supermercado?

— Seu descarado! — mas esta não é a voz do Pigmeu.

E não era mesmo. Era uma gostosona, com um par de seios tão grandes que .... Ah, agora entendi o motivo do tapa.

E a gostosa peituda partiu sem me dar tempo de explicar que os melões não eram os dela e ... Ah, deixa pra lá! Só faltam estes malditos melões para eu terminar esta porra de lista. Vamos lá! Eu preciso ir embora deste supermercado, isso aqui está me dando nos nervos.

Capítulo 2 · Caroline e Carolina

— Seu descarado! — mas esta não é a voz do Pigmeu.

E não era mesmo. Era uma gostosona, com um par de seios tão grandes que .... Ah, agora entendi o motivo do tapa.

E a gostosa peituda partiu sem me dar tempo de explicar que os melões não eram os dela e ... Ah, deixa pra lá! Só faltam estes malditos melões para eu terminar esta porra de lista. Vamos lá! Eu preciso ir embora deste supermercado, isso aqui está me dando nos nervos.

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Lá estavam eles, dois melões, os dois últimos melões. Parecia até que minha mãe tinha adivinhado. Faltando uns seis metros para eu chegar até a banquinha alguém entrou na minha frente e pegou os dois melões. Eu quase explodi de tanta raiva. Dei um soco tão forte no carrinho que quase o parti ao meio. Uma velha que passava ao meu lado me olhou estranho.

— O que foi, vai encarar? — falei pra velha.

A velha apertou os passos e sumiu.

Os melões eram meus!!! Eu os vi primeiro, certo? Certo? Claro que sim, eu os vi primeiro, eles eram meus, meus!!! Os melões eram meus, porra!!!

Sai em disparada atrás da mulher que roubara os melões de mim. Não era difícil segui-la, visto que ela tinha cabelos verdes. Acreditam nisso? A biscate tem os cabelos mais verdes e brilhantes que eu já vi nesta porra de vida. Será que esqueceram de avisá-la que o carnaval é só em fevereiro? Biscate! Ladra de melões! Maldita! Maldita!

Segui a biscate por todos os cantos do supermercado, esperando por um momento de agir. Sim, estão pensando o quê? Acham que vou deixar barato? Vou pegar os meus melões de volta. Não quero nem saber, eles são meus.

De repente a oportunidade pela qual eu esperava. Ela deixou o carrinho sozinho no corredor de doces. Não pensei duas vezes, aproximei-me o mais rápido possível e peguei os dois melões de volta. Joguei-os dentro do meu carrinho e saí em disparada. Juro pra vocês, quase gozei na cueca. Senti uma sensação tão gostosa. Foi como se todos os problemas da manhã tivessem desaparecido.

Entrei na fila do caixa como um novo homem. Eu estava tão bem que poderia cair um pacote de arroz na minha cabeça e eu nem sentiria o impacto.

A fila andava super devagar. Uma tartaruga com o pé quebrado andaria mais rápido. Mas eu estava tão calmo que isso nem me afetou. Comecei a assoviar e a batucar no carrinho. O cara que estava na minha frente não curtiu muito, mas eu nem dei bola. Continuei meu batuque.

De repente dei uma olhada despretensiosa para trás e tomei um susto enorme. A mulher dos cabelos verdes estava bem atrás de mim.

— Oi — disse ela, sorrindo pra mim.

— Olá — respondi, com um nó na garganta.

Eu não podia acreditar nos meus olhos. A biscate que roubara meus melões era simplesmente maravilhosa. Seus olhos verdes combinavam com os cabelos. Narizinho de dondoca, delicado e ligeiramente arrebitado. Seus lábios grossos lembram a Angelina Jolie. Suas bochechas são tão perfeitinhas e lisinhas feito bundinha de bebê. Seu corpo é todo bem trabalhado, aposto que ela gasta horas e horas numa academia. Sua camiseta preta colada ao corpo atrai os olhos de todos. Que seios! Acho que roubei os melões errados, eu deveria ter roubado estes. A calça jeans tem alguns furos e pedaços desfiados, revelando pernas branquinhas. Meu, muito gostosa!!! Acho que o ódio bloqueou minha visão, pois quando ela roubou meus melões eu não me lembro destes atributos todos.

E agora? Será que ela sabe que eu peguei os melões do seu carrinho? Será que ela está aqui atrás esperando uma oportunidade de me acusar para o gerente do supermercado? Será que ...

— Você tem fogo? — perguntou ela, cutucando minhas costas de leve.

Fogo? Tenho muito, boneca.

Virei-me em sua direção e ela segurava um cigarro.

Ah, entendi, é este fogo.

— Sinto muito, eu não fumo.

— Que bom.

Fiz cara de desentendido. Ela prosseguiu:

— Vou explicar. É que eu estou querendo parar de fumar. Aí eu pensei comigo, se este cara acender o cigarro eu continuo, senão eu paro.

— Quer dizer então que eu vou fazer você parar de fumar?

Ela fez que sim com a cabeça, depois disse:

— Que responsabilidade, não?

— Com certeza. Fico feliz por ter ajudado.

— Ajudado? Faz cinco minutos que não fumo e já estou subindo pelas paredes. Maldito vício dos infernos.

Dos infernos? Comecei a rir. Meu, fala sério, a mina falou igualzinho a mim!!!

— Do que você está rindo?

— Nada não, perdoe-me.

— E você, não tem nenhum vício?

— Eu? Acho que só um.

— Qual?

— Sexo.

Ela caiu numa gargalhada maravilhosa. Deu pra ver todos os músculos do seu rosto. Meu, como ela é gatinha!!! Tudo bem que este cabelo verde ofusca um pouco sua beleza natural, mas nada que um boa tinta não resolva.

— Não sei o seu nome — falei.

— Caroline — respondeu ela, ajeitando seus cabelos verdes.

— Bonito nome, Caroline. Sou Nando.

E beijei a bochecha de Caroline. É ainda mais lisinha do que eu pensava. E tão cheirosa!

— Pode me chamar de Carol. Ninguém me chama de Caroline, nem meus pais.

— Comigo também é assim. Meu nome é Fernando, mas ninguém me chama assim. Só quando estão putos da vida.

— Claro, claro. Normal. Quando meu pai está fulo da vida comigo ele diz meu nome inteirinho, enfatizando cada sílaba.

Será que fica estranho pedir o telefone dela bem aqui na fila do supermercado? Meu, não dá pra perder uma chance como esta. A garota é linda demais. O cabelo é medonho, mas a gente dá um jeito nisso mais tarde. Um beijo naquela boca deve ser algo inesquecível. E os peitões então? Ai caramba!!!

— Acho que chegou sua vez — disse ela, apontando para o caixa.

Olhei para trás e a mocinha do caixa me olhava feio, meio impaciente. Até ela percebeu que eu estava jogando o maior chaveco na menina dos cabelos verdes.

Fui passando os produtos pelo caixa, até que chegou o momento de passar os dois melões. Fiquei vermelho. Acho que todo o sangue do meu corpo subiu para a minha face. Putz grila! E agora? Ela está olhando para os melões. Pronto, fodeu. Vai ser o maior barraco, já estou até vendo.

— Nossa, acredita que passaram as mãos nos meus melões? — disse Caroline.

— Cara de sorte, hein! — respondi, tentando disfarçar.

Ela ficou sem entender, mas depois caiu a ficha e ela sorriu. Depois me deu um soco leve no braço. Adoro quando elas fazem isso.

— Bobão! Eu estou falando de melões mesmo. Iguais a estes que você comprou.

— Estes? — e apontei para os melões. — Ah, entendi. Se quiser levar um eu posso ...

— Não, não precisa.

Peguei um dos melões e coloquei no carrinho dela. Quem não gostou foi a menina do caixa.

— Eu já tinha cobrado! — disse ela, vermelha de raiva.

— Não tem problema — falei. — Eu pago mesmo assim.

— Nem pensar! — disse Caroline, recolocando o melão sobre o balcão. — Você comprou, pagou, é seu.

Peguei o melão e o coloquei novamente dentro do carrinho dela. Desta vez ela deixou como estava. Aí eu disse:

— Faço questão. E tem mais, se eu pegar aquele que passou as mãos nos seus melões o bicho vai pegar.

— Nossa, você falou igualzinho o meu ex.

Ex? Opa, gostei de ouvir isso. Dei-lhe um sorriso.

Esperei por ela e fomos juntos até o estacionamento do supermercado. Eu estava pronto a oferecer uma carona, quando ela me disse:

— Quer uma carona?

— Não, obrigado, eu estou com o carro do meu pai.

Ela sorriu e continuamos andando pelo estacionamento.

— Obrigado pelo melão — disse ela. — Você não faz idéia da importância dele pra mim.

— É mesmo?

— Mesmo.

De repente ela parou, foi quando eu vi o maldito Fusca vermelho. Senti uma fúria tão grande!

— Se eu pego este filho da puta eu arrebento a fuça! — falei, apontando para o Fusca vermelho.

— Nossa, mas o que houve?

— Este babaca embicou na minha frente e roubou a minha vaga. Era pra eu estacionar ali! Eu! Eu!

Caroline caiu na gargalhada, tirou uma penca de chaves do bolso e abriu a porta do Fusca vermelho. Putz! Minha cara quase caiu no chão. Fazia tempo que eu não ficava tão envergonhado em toda a minha vida. Isso me fez lembrar a primeira vez que me senti assim. Eu tinha uns 8 anos e a professora me pediu para apagar a lousa. Eu peguei o apagador, fui até a ponta esquerda e vim apagando tudo bonitinho. Mas quando eu estava quase terminando soltei um pum seco, daqueles longos. Toda a classe começou a rir. A professora olhou pra mim e tentei disfarçar de todo jeito, mas não tinha mais como voltar atrás. Depois daquele dia fiquei conhecido como "Cu Flautista" por um bom tempo.

— Miiiiiiiiiiiiil perdões!!! — disse Caroline, também um pouco envergonhada. — Eu não queria ter feito isso com você. O problema é que eu sempre estaciono aqui. É mais fácil pra sair.

— Aposto que é — falei, fingindo estar irritado com ela.

— Desculpa!!!

— Estou zoando com você, oh! Bom, na hora eu fiquei muito puto, mas como posso ficar irritado com um anjo de pessoa como você?

— Anjo de pessoa? — disse ela, depois caiu numa gargalhada longa e deliciosa.

— Uau, por que o susto? Então você não é um anjo?

— Diga isso aos meus pais, Nando.

— Com todo o prazer. Onde eles estão?

Ela sorriu, depois disse:

— Você é um cara legal, sabia?

Hehehe ... Esta já está no papo.

Trocamos telefones e cada um tomou o seu rumo.

Eu estava num estado de êxtase tão grande que nem me lembrei dos arranhões no carro do meu pai. Cheguei em casa e minha orelha ficou até azul de tanta merda que eu ouvi. Além do carro todo arranhado eu também errei diversos itens da lista. Comprei leite condensado no lugar de creme de leite, comprei margarina ao invés de maionese, etc... Não nasci pra fazer compras em supermercado. Já fica aqui o meu aviso, caso haja alguma interessada em se casar comigo. Pra piorar a situação eu esqueci de comprar um presente pra mama. Resumindo, levei esporro de todo mundo. Calma aí, não confundam esta última frase com um filme pornô, hein!

Posso confessar algo a vocês? Eu sei que levei uma bronca daquelas, mas sinceramente eu não me recordo muito bem como foi. Juro. Minha cabeça estava em outro lugar. Eu não conseguia tirar Caroline da minha mente. Sim, ela, a garota dos cabelos verdes horrorosos. Sinto muito, Carol, mas é a mais pura verdade. Seus cabelos verdes são horrendos, medonhos, cabulosos, toscos, etc... De quem será que foi a terrível idéia de pintá-los daquela forma? Ninguém em sã consciência faria aquilo. Ela deve usar algum tipo de droga, sei lá. E o pior ... será que ela também lava com mijo?

O relógio marcava 5 horas da tarde. Eu tinha acordado de um cochilo, onde tinha sonhado algo tão bom! Nem preciso dizer com quem, preciso? Olhei para o criado-mudo e lá estava meu celular, onde eu havia anotado o número do telefone dela. Senti uma vontade enorme de ligar e ouvir aquela voz gostosa outra vez. Não, melhor não. Ainda é muito cedo, não é? Ela vai pensar que estou desesperado. Agüenta firme, Nando! Mulher não gosta disso, e você sabe muito bem. Espere até segunda-feira, aí você liga mais tarde e...

Riiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing!!!!

Puta merda, viu? O que será que aquele bosta quer?

— Pezão, enfia o dedo no cu e ...

— Ai, credo!!!

Puta merda! Não é o Pezão, eu acho que é ...

— Carol, é você? — perguntei, envergonhado.

— Sim, sou eu, é assim que você atende o telefone?

Ela começou a rir. Ufa! Nada melhor do que uma garota com senso de humor.

— Perdoe-me!!! Eu pensei que fosse outra pessoa.

— Quem é Pezão?

— É um amigo meu. Deixa pra lá.

— Sei. E por que você mandou ele enfiar o dedo no cu?

— Na verdade eu ia pedir pra ele enfiar o dedo no cu e assoprar, ou assoviar.

— Eu, hein! Não deve ser tão difícil assim. Difícil seria ele enfiar o dedo na boca e assoviar, aí sim.

Caí na gargalhada. Não que a piada tenha sido boa, mas para impressioná-la.

— Mas que surpresa ouvir sua voz — falei.

— Desculpa ter te ligado, eu estava sem fazer nada e ...

— Não se desculpe, adorei a surpresa.

Vai com calma, nem pense em dizer pra ela que você está completamente louco por aquele rosto lindo e aquele corpinho malhado. Ah, mas também não vá zoar com o cabelo medonho da mina, né? Controle-se.

Notei que ao fundo havia uma música. Nirvana!!! Meu, eu já gostava da mina antes, imagine agora. Além de linda ela ouve Nirvana? Acho que gamei. Eu nunca dou sorte com os gostos musicais das minhas namoradas. Umas curtem axé, outras gostam de pagode, e teve uma que amava Milionário e Zé Rico!!! Ninguém merece.

— O que você estava fazendo? — ela perguntou.

— Nada. Bom, quero dizer, eu estava .... lendo uma revista. 

Meu, eu não poderia dizer que tinha acabado de ter um sonho erótico com ela, né?

— Que revista?

Putz! Agora fodeu. Eu nunca leio revista nenhuma! Por que não inventei outra desculpa? Pensa, seu porra!

— Cebolinha — respondi.

— Cebolinha? — e ela caiu na maior gargalhada. Quase matei a mina de tanto rir.

Cebolinha? Meu, de onde tirei isso? Bom, acho que tenho uma ligeira idéia, não é?

— Brincadeirinha. Eu estava lendo ... Super Interessante.

Lembro-me de ter visto uma dessas revistas lá no quarto do irmão do Pezão.

— Hmmmm! E tinha alguma coisa ... interessante?

Porra, não vamos mudar de assunto?

— Tinha uma matéria sobre ... o Ronaldinho. Cientistas estão estudando os dentes dele, querem saber se ele tem parentesco com uma lebre do mato.

Ela caiu na risada outra vez. Hora de mudar de assunto, não acham?

— Adoro sua risada — eu disse.

— Obrigada. Eu também gosto.

Silêncio por alguns segundos, até que ela falou:

— Mas fazia um bom tempo que eu não sorria assim.

— Não acredito.

— Acredite. Eu estava tão deprimida, Nando!

— Mas por quê?

— Ah, tudo começou quando meu namorado me trocou por outra. De lá pra cá as coisas só pioraram.

Eu quase soltei foguete no meu quarto, mas precisei me conter. Mantive a seriedade e falei calmamente:

— Só um idiota pra trocar você por outra. Idiota e cego, melhor dizendo.

— Sei lá, deixa ele com a biscate. Espero que sejam muito felizes. Até que um ônibus os atropele e mande aqueles dois filhos da puta para o inferno!!!

— Nossa!!!

— Desculpa. Falei demais, né?

— Qua nada. Você diz um "inferno" tão bonitinho.

— Hã? — depois deu risada. — Você me diverte.

— Que bom.

— Eu me simpatizei com você logo de cara, sabia?

— Bom, só não digo o mesmo porque eu mandei você tomar no cu uma porção de vezes, não é?

— Credo!!! Quando? Por quê?

— Esqueceu? Você roubou a minha vaga!!! — falei como se eu estivesse irritado. Depois caí na gargalhada como uma hiena de pau duro.

— Ah, é mesmo! — ela também caiu na gargalhada. — Eu tinha me esquecido.

Após o frenesi passar eu falei:

— Olha, eu preciso lhe dizer uma coisa, eu achei você muito gatinha.

Ouvi uns gritinhos histéricos ao fundo. Tem alguém com ela, ouvindo nossa conversa.

— Nossa, muito obrigada! — disse Caroline. — Também curti você.

Yes!!! Yes!!! Uhuuuuuuuuuu!!! O bicho vai pegar!!!

— Opa, que bom!!! Oh, mas que gritinhos foram aqueles que eu ouvi alguns segundos atrás? Tem alguém aí com você?

Ela sorriu. Ela e a outra pessoa. Ouvi várias risadinhas. De repente ela respondeu:

— Desculpa, é que a curiosa da minha irmã está aqui me amolando. De vez em quando ela toma o telefone das minhas mãos e fica te ouvindo.

— Hmmmm. E qual o nome dela?

— Carolina. Bemmmmm diferente do meu, né?

E elas caíram na risada. Meu, o negócio está ficando bom. Caroline e Carolina. Parece até nome de filme pornô italiano, não é? Será que a outra é tão gostosa feito a irmã?

— Muito diferente mesmo — e sorri. — Agora mata uma curiosidade minha. Eu esqueci de perguntar a sua idade.

— Credo, que pergunta mais indiscreta!

Pela voz eu suponho que tenha sido a irmã quem disse isso.

— Desculpa, eu não ....

— Estou brincando com você, oh! — era mesmo a irmã ao telefone. — Minha irmã tem ...

— Me dá isso aqui! — disse Caroline.

Xiiiii, daqui a pouco as duas vão sair na porrada lá. Caralho!!! Já imaginaram as duas brigando só de calcinha? Sossega, Nando Júnior!!!

— Tenho 21 anos, Nando — respondeu Caroline. — Ela tem inveja porque já está ficando velha.

— É mesmo? A mana tem quantos anos?

— Ela tem 25. Mó velha, né?

— Nossa, praticamente uma velha coroca.

— Bobão, eu ouvi isso, viu? — disse Carolina, com a voz um pouco distante.

Parou de tocar Nirvana, agora começou a tocar ... Midnight Oil. Meu, o gosto musical da mina é muito bom. Estou quase me apaixonando por ela.

Trrrrrrrrrrrrrrrr!!! Trrrrrrrrrrrrrrrrr!!!

Meu, que susto!!! A porra do meu celular começou a vibrar sobre o criado-mudo.

— O que foi isso? — perguntou Caroline.

— A porcaria do meu celular — olhei para o display, é o número do Pezão. 

— Não vai atender?

— Nem vou. Já sei quem é.

— É o seu amigo Pezão?

— O próprio.

— Atende o coitado, oh!

— Coitado?

E caí numa gargalhada descomunal. O celular parou de tocar.

— Tadinho, por que não atendeu?

— Porque aquele maldito só me liga pra encher o saco.

— Amigo é pra isso mesmo. Ah, pede pra ele enfiar o dedo na boca e assoviar. Assim é mais difícil, né?

E o celular voltou a tocar. Tomei outro puta susto. Caroline disse logo:

— Atenda desta vez, hein! O coitado pode estar com algum problema grave.

— Eu sei o problema grave que ele tem. Espera só um segundo e eu já libero.

— OK — respondeu Caroline.

E atendi a porra do celular.

— Desembucha, Pezão!

— Porra, seu telefone está bichado! Eu ligo, ligo, ligo e ninguém atende!

— Seu bosta, não está bichado! Eu estou conversando com outra pessoa. Não existe só você neste mundo, não é?

— Com quem está conversando?

— Não te interessa. Só digo que é uma gatinha!

— Gata igual a tua amiguinha Lu? — e Pezão caiu na gargalhada. Filho da puta.

— Vai se foder, Pezão! Esta aqui não é pro teu bico. Muita areia pro teu caminhão.

— Sério? Pergunta se ela tem irmã então, eu to catando qualquer coisa.

— Nem tem irmã, viu?

Eu não sou idiota de apresentar a irmã para o filho da puta, né? Vai que a irmã é mais gostosa e eu ...

— Nandooooooooooooooooo!!! — era Caroline, gritando desesperada ao telefone.

Peguei o aparelho e disse:

— Estou aqui!

— O seu amigo perguntou se eu tenho irmã?

E agora? Melhor eu dar de louco.

— Não perguntou, ele ....

— Responde que sim, aí a gente sai pra balada hoje! Que tal?

Tentador, hein! Ah, foda-se, vamos nessa! Tomara que a irmã seja uma mocréia!!! Tipo uma Lelê 2 – A Missão.

— Beleja — respondi.

E peguei o celular novamente.

— Cadê você, porra??? — gritou Pezão, quase me deixando surdo.

— Larga o celular e trata de tomar um banho — falei.

— Por quê?

— Porque hoje nós vamos sair pra balada !!!

Capítulo 3 · Conhecendo a Irmã

— Responde que sim, aí a gente sai pra balada hoje! Que tal?

Tentador, hein! Ah, foda-se, vamos nessa! Tomara que a irmã seja uma mocréia!!! Tipo uma Lelê 2 – A Missão.

— Beleja — respondi.

E peguei o celular novamente.

— Cadê você, porra??? — gritou Pezão, quase me deixando surdo.

— Larga o celular e trata de tomar um banho — falei.

— Por quê?

— Porque hoje nós vamos sair pra balada !!!

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Pelo menos desta vez eu não corro o risco de ficar com a patinha feia da história. Lembram da Lelê, não é? Lelê, filhote de demônio com urubu sem asa. Lelê, coisinha cuspida do inferno pela boca de um dragão. Lelê, menininha horrível que ronda os pesadelos das crianças ranhentas. Não desta vez. Agora quem corre o risco é o filho da puta do Pezão. A minha está garantida. Caroline é um tesão. Tudo bem que eu vou precisar dar um fim naqueles cabelos verdes, mas é apenas uma questão de tempo.

Saí do banho e minha mãe deu aquela olhada que só mãe sabe dar, depois disse:

— Vai sair?

— Vou, mãe.

— Posso saber pra onde?

— Eu queria fazer surpresa, mas já que a senhora insiste ... vou ao shopping comprar o seu presente.

Maior mentira, né? Mas já aprontei tanta merda hoje, eu precisava terminar a noite de bem com a mama. Ela abriu um sorrisinho maroto e me disse:

— Ah, não precisa, não ligo para presentes.

Toda mãe diz isso, mas no fundo todo mundo gosta de receber presentes. Até eu gosto! De todos os presentes que eu já recebi até hoje o melhor foi um pacote de camisinhas. Grande Claudinha! Foi a namorada mais safadinha entre todas as que eu tive. A mina era super tarada. Quando eu conto ninguém acredita, mas eu já transei num velório. Sério! Culpa da Claudinha. Estava quase a família inteira da mina no velório do tio e de repente a mina pega no meu braço e me arrasta para um canto, sussurrando no meu ouvido: "corre pro banheiro, eu to com vontade". Mantive minha cara de velório e fui saindo de fininho até o banheiro. Um minuto depois ela apareceu. Pode não ter sido a melhor transa da minha vida, mas com certeza foi a mais bizarra. O lugar tinha um puta cheiro de morte. Sinistro. Quando terminamos estávamos molhados de suor. A tarde estava quente. Voltamos para a salinha onde estava o defunto e a mãe da mina me solta uma dessa: "Nossa, Claudia, eu não sabia que você gostava tanto assim do seu tio! Está ensopada de lágrimas". Poxa, agora bateu saudade da Claudinha. Por onde será que anda aquela guria? Foi com ela que fiz sexo anal pela primeira vez. Fiz para atender aos pedidos dela, pois sinceramente eu não tinha muita vontade de experimentar. Não vejo muita graça em colocar o Nando Júnior num buraco feito pra evacuar nossa merda. Tem amigo meu que é fascinado por um cu, só porque é apertadinho e tal. Ah, fala sério! Eu acho que quem curte anal é porque tem o bilau pequeno e não consegue se divertir em "outras áreas". Modéstia à parte eu não tenho este problema. Sei brincar em todos as atrações do parque. Se é que vocês me entendem.

Campainha tocando. Deve ser o maleta sem alça.

Passo pela sala e a mama está abraçada com o meu pai no sofá. Cena raríssima de se ver. Até fiquei um pouco espantado. Ela me olha de soslaio e diz:

— Não precisa ser nada caro, viu?

— Hã?

— O meu presente. Não precisa ser caro.

— Ah, entendi. Pode deixar, mãe — antes de sair eu disse: — Juízo vocês dois, hein!

Pezão dentro do carro com o som no máximo. Nem sei se conto qual música ele está ouvindo. É muita queimação de cara. Talvez vocês reconheçam este trechinho ... "hoje é festa lá no meu apê ... "

— Porra, Pezão ... não tem outra coisa melhor? Desliga isso, cacete!!!

O volume está tão alto que ele nem ouviu o que eu disse. Dei a volta e entrei no carro. Ninguém merece, tocar Latino num puta som desse é a mesma coisa que você sair com a Fernanda Lima e comer a Dercy Gonçalves.

"Vai rolar bun" ... e abaixei o volume até o zero.

— O que você está fazendo? — gritou Pezão, puto da vida.

— Porra, meu ouvido não é pinico!!!

— Nem o meu, mas a mulherada gosta.

— A mulherada também gosta de pinto. Pendura uns no carro então!

— Vai se foder.

— Fica frio, as minas que eu descolei ouvem música de gente. Enquanto eu conversava com elas eu ouvi até Nirvana tocando ao fundo.

— Então esquece, você não vai comer ninguém esta noite.

— Por que não?

— As minas que você arranja só curtem axé e o caralho.

— Não desta vez.

E Pezão saiu queimando borracha.

Durante o caminho até a casa das irmãs eu fui contando para o Pezão como nos conhecemos. Antes de tudo troquei o CD, é claro. Vá ouvir bundalelê no raio que o parta!!! Eu, hein!!!

— Então você conheceu a mina hoje num supermercado?

— Pois é. Sou foda ou não?

— Grande bosta. Eu chavequei a Maira numa casa de ração. 

— Maira, que Maira? Ah, aquela que deu um tapão na sua cara?

— Porra, só porque eu peguei uma coleira e falei pra ela: "quer ser a minha cadelinha?". Biscate.

E finalmente encontramos a casa das irmãs. Modesta, porém decente. O Fusca vermelho estacionado na garagem confirmou o endereço. É hoje!!!

— Se a irmã da mina for um bagulho eu saio fincando — falou Pezão, olhando para o portão da casa.

— Ué, você não disse que está catando qualquer coisa?

— Mulher feia é igual trator, só serve pra trabalhar, não dá pra passear.

— Fica frio, se ela tiver 20% da beleza da Caroline você já estará no lucro esta noite.

— Sei lá, hoje eu não estou com saco pra matar dragão.

Saí do carro e procurei por uma campainha. Não encontrei. Bati palmas.

Pezão, só pra me sacanear, colocou aquela maldita musiquinha do Latino outra vez. Nem preciso dizer que subiu o volume até o gargalo. Filho da puta.

Mostrei aquele famoso dedo para ele e gritei:

— Tira esta bosta desta música!

Pezão começou a rir feito uma hiena passeando pela Disney. Comecei a ficar vermelho. Eu sentia minhas veias saltarem da testa. Olhei para ele novamente e gritei enraivecido:

— Abaixa esta porra, caralho!!! Vai tomar no seu cu, seu filho de uma puta dos infernos!!! Abaixa esta merda desta música ou eu vou até aí e chuto o seu traseiro gordo até o seu cu sair pela sua goela!!!

Pezão abaixou o volume. Quando eu me virei para a casa das irmãs havia um casal e um garotinho me olhando assustados. As mãos da mulher estavam sobre os ouvidos do garoto. Putz! São os pais e o irmão caçula de Caroline. Dei uma ligeira disfarçada e disse:

— Boa noite, a Caroline está?

— O que você quer com ela? — perguntou o coroa com um olhar ameaçador.

De repente ouvi Pezão cantando ao fundo ... "pode aparecer, vai rolar bundalelê!". Senti uma imensa vontade de arrancar o portão e jogá-lo sobre o carro. Infelizmente eu não sou um X-Men.

Caroline apareceu. Estava linda. Os cabelos verdes estavam molhados e amarrados para trás, o que amenizou um pouco sua tosquice. Usava um vestidinho preto bem curtinho e muito sensual. Decote revelador. Rapaaaaaaaz!!! Suas pernas saradas agora estão totalmente à mostra. Não vejo a hora de cair de boca nestas coxas. Ao me ver na calçada ela abriu um largo sorriso. Depois olhou para o coroa rabugento, dizendo-lhe:

— Pega leve, pai! É um amigo meu.

Amigo? Amigo o escambau! O que eu quero fazer com você nenhum amigo faz!

O coroa deu outra olhada feia pra mim e voltou pra dentro da casa resmungando muito. A mulher e o garoto foram logo atrás. Caroline veio ao meu encontro.

— Perdoe-me pela cara feia do meu pai. Ele é assim com todo mundo.

— Sem problema. Já estou acostumado com cara feia — e olhei para o Pezão.

Caroline acompanhou meu olhar.

— Olá! — disse ela, acenando para o Pezão.

— Caraaaaalho! — disse Pezão, quase despindo a mina com os olhos — Você é a Caroline ou a Carolina?

— Esta é a CaroliNE — respondi.

Ouvi passos atrás de mim. Era a irmã de Caroline que se aproximava. Torci pra que ela fosse medonha. Não é justo que o Pezão se dê bem às minhas custas, vocês não acham?

Mas ... quando notei Pezão arregalar os olhos eu notei que minhas preces não haviam sido atendidas. E não foram mesmo. Olhei para trás e dei de cara com Carolina. Simplesmente um tesão!

— Você deve ser o Nando — disse ela, estendendo sua delicada mão para mim.

— Sim, devo ser.

Fiquei petrificado com tanta beleza. Ela tem um olhar simplesmente incrível. Olhar de mulher fatal. Ela sorriu pra mim. Não vou dizer que ela é mais bonita que Caroline, pois não é. Ela é apenas diferente, a começar pelos cabelos ... vermelhos!!! Quase tão medonho quanto o da mana, porém o vermelho chama menos atenção que o verde de Caroline. Carolina é um pouco mais alta e um pouco mais magra. Pinta de modelo. Ela lembra um pouco a Sabrina Parlattore. Vestia uma blusinha branca um pouco transparente e uma calça jeans tão apertada e tão rebaixada na cintura que mais um pouco seria possível descobrir se ela é raspadinha ou não.

Pezão não resistiu e desceu do carro. Veio babando até Carolina. O filho da puta se deu bem. Descolei um puta filé pra ele.

— Meu, fala sério, como é que eu nunca vi você por aqui?

O rosto de Carolina ficou um pouco enrubescido, depois ela respondeu:

— Não moro aqui, só estou de passagem.

— Ah, mas então precisamos fazer com que esta passagem seja inesquecível, não?

Maldito Pezão dos infernos, copia até os meus chavecos mais furados.

Entramos todos no carro. Carolina sentou-se ao lado de Pezão, no banco da frente. Sua cabeça quase batia no teto do carro. Lembrei-me daquela propaganda do Fox, com uma loira do tamanho de um poste.

— Aonde vamos? — perguntou Carolina.

Por mim eu diria ... MOTEL !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Mas ... acabei dizendo:

— Podemos comer alguma coisa e depois cair na night.

— Boa idéia! — falou Caroline, empolgadíssima — Estou faminta.

— Abriu uma pizzaria nova lá no centro — disse Pezão, ligando o carro.

— Sim, a D'Angelos — disse Caroline. — Ouvi dizer que é muito boa.

— Demorou então.

E Pezão pisou fundo. As manas ficaram até um pouco assustadas.

Carolina pegou o porta-cd's do Pezão e começou a analisá-lo. Após olhar uns 7 ou 8 ela disse:

— Legais seus CD's. Seu gosto é parecido com o meu, com exceção do Iron. Não curto heavy.

— Que isso, gata, não curte Iron?

— Nem um pouco.

Caroline inclinou-se para frente, colocou o rosto entre os bancos e disse:

— Coloca um pagodinho aí pra gente!

Como é que é? Pagodinho? Ela virou o rosto pra mim e disse:

— Você curte pagode, Nando?

Meu, fala sério, na minha mente a resposta foi imediata e clara:

— Mina, vê se te enxerga!!! Eu lá tenho cara de quem gosta de pagode???

Mas ... não dá pra dizer tudo o que a gente pensa, né? Principalmente para uma mulher. Ainda mais se você espera um ... tchaca-tchaca no final da noite. Então respondi:

— Bom, não é meu estilo musical preferido, mas num churrasco à beira da piscina eu até escuto.

Resposta clássica, mas funciona. Se você é mulher e curte pagode certamente já ouviu esta resposta de um namorado ou pretendente. Vai por mim, se ele disse isso é porque ... ODEIA PAGODE!!!!!!!!

Enquanto eu respondia a mana colocava um CD pra tocar. Alice in Chains. Ótima escolha! Então quem estava ouvindo Nirvana enquanto conversávamos ao telefone era Carolina. E a maldição continua ... minhas minas só curtem música lixo.

— Ah, música estrangeira! — reclamou Caroline, sentando-se novamente ao meu lado — A gente não entende patavina do que eles estão cantando!

— Talvez se você fizesse um cursinho de inglês passaria a entender — disse a irmã.

Eeeeeeeeco!!! Caralho, até eu fiquei sem graça. Caroline ficou uma fera!

— Ah, dá um tempo, falou? Eu não sei inglês, e daí? Grande porcaria.

Esperei a tensão abaixar um pouco e perguntei pra Caroline:

— Eu pensei que você era clubber.

— Aquelas patricinhas que só curtem música eletrônica?

— Isso. Quando eu vi seus cabelos verdes eu cheguei a pensar.

— Nem sou. Odeio música eletrônica. Só fica naquele "tum ti tum ti tum". Podre!!!

De repente ouvi uns gemidos vindo da frente. Era Pezão. Meu, o que está acontecendo? Será que Carolina está tocando uma punheta pra ele? Fala sério, se for isso mesmo eu me jogo pra fora do carro agora mesmo.

— Hmmmmmmm! Oh! Hmmmmm!

Todo mundo começou a olhar para o Pezão. Dei uma olhada com mais atenção e vi que as mãos de Carolina estavam sobre suas próprias pernas. Ufa! Ela não estava tocando punheta pra ninguém. De repente Pezão fez um movimento brusco com o volante e encostou o carro num canto. Caroline e eu fomos jogados para o lado. Como não sou bobo nem nada caí com as mãos sobre os peitos dela. Nossos rostos ficaram face a face. Acabamos nos beijando. Língua e tudo mais. Foi maravilhoso.

— O que aconteceu? — perguntou Carolina com uma voz assustada.

— Sei lá — disse Pezão com uma voz ofegante — , de repente eu senti uma tontura e por um instante quase apaguei geral.

Terminamos o beijo. Caroline sorriu pra mim, depois ajeitou os peitos dentro do vestido. Após endireitar-me novamente no banco perguntei:

— Que gemidos foram aqueles, Pezão? — e comecei a rir feito uma hiena chupando cana.

— Cala esta boca — ele respondeu, puto. — , não teve gemido nenhum.

— Pior que teve sim, viu? — disse Carolina.

— Parecia até que estava ... gozando — disse Caroline.

E todos caímos na gargalhada. Exceto Pezão, é claro.

— Olha, você tem certeza de que está bem? — perguntou Carolina. — Você poderia ter causado um acidente grave girando o volante daquela forma.

Pezão ficou meio sem graça. O cara está estranho. Alguma coisa aconteceu. Será que é tudo charme pra beijar Carolina? Não, acho que não.

— Estou bem — respondeu ele, não passando muita confiança em suas palavras.

— Se quiser eu dirijo — disse Carolina.

— Não, não precisa, estou bem.

E Pezão saiu fincando outra vez. Caroline grudou em mim e nos beijamos outra, e outra, e outra, e diversas outras vezes. O bicho está pegando. Já meti até as mãos nas coxas. É hoje!!!

Nem percebi quando chegamos à pizzaria. Só ouvi alguém me chamando:

— Oh, vocês dois aí atrás! — era a Carolina. — Se quiser a gente deixa vocês num motel! — e deu uma risadinha.

Afastei meus lábios de Caroline por um instante e falei para a irmã:

— Por mim já estaríamos lá.

Capítulo 4 · O Banheiro

E Pezão saiu fincando outra vez. Caroline grudou em mim e nos beijamos outra, e outra, e outra, e diversas outras vezes. O bicho está pegando. Já meti até as mãos nas coxas. É hoje!!!

Nem percebi quando chegamos à pizzaria. Só ouvi alguém me chamando:

— Oh, vocês dois aí atrás! — era a Carolina. — Se quiser a gente deixa vocês num motel! — e deu uma risadinha.

Afastei meus lábios de Caroline por um instante e falei para a irmã:

— Por mim já estaríamos lá.

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Pois é, mas não fomos para o motel. Entramos na pizzaria recém inaugurada. Muito bacana o lugar, todo novinho e bem decorado. Luz fraca, perfeita para uns bons amassos. Bem vazia, diga-se de passagem.

— Meu, este povo daqui não sai de casa nem no sábado? — disse Carolina, olhando para as mesas vazias.

— O povo daqui prefere um motel — falei.

E todo mundo riu.

Caralho, fala sério, as duas irmãs são gostosas pra cacete. O único problema é quando estão lado a lado, pois os cabelos me fazem lembrar a camisa do Fluminense.

Sentamos na última mesa. Quem não gostou muito foi o garçom, o coitado vai ter que dar uma puta volta só pra nos atender.

— Hmmmmmmmm! O cheirinho está muito bom, hein! — disse Caroline, ajeitando-se ao meu lado.

Logo em seguida o garçom chegou à mesa.

— Boa noite — e deixou 2 cardápios conosco.

Eu nem estava com muita fome, mas o cardápio tinha umas fotos tão boas que acabei criando apetite. Quem estava realmente com fome era a Caroline. A mina estava quase babando sobre o cardápio.

— Ai, eu adoro pizza fria com café! — disse ela, lambendo os beiços.

— Xiiiiiiiii, eu acho que assim eles não servem — falei.

— Bobo, eu sei que não. Só estou dizendo que eu adoro quando sobra pizza da noite anterior, aí de manhã eu pego ela da geladeira e como com café. Uma delícia!

— Esta aí tem cada mania! — disse Carolina. — Pizza fria, Miojo cru ...

— Miojo cru é gostoso pra caralho! — disse Pezão.

— Meu, fala sério! 

— A conversa está boa — cortei. — , mas precisamos fazer o pedido. O garçom já está nos observando com cara de bunda.

— Por mim, tanto faz — disse Pezão.

— Eu queria experimentar esta de cebola — disse Caroline, apontando para o cardápio.

— Cebola? — irritou-se Carolina. — Mas nem morta! Pede pra vocês dois então.

Olhei para Caroline e falei:

— Você não acha que a cebola vai deixar um gosto meio ...

— Ah, mas eu quero! — resmungou Caroline, quase batendo os pés no chão.

Carolina olhou pra mim e fez uma cara de quem diria: "liga não, minha irmã sempre foi fresca assim mesmo". Depois ela olhou para o Pezão e disse:

— Milho verde com frango, o que acha?

— Eu prefiro isso aqui ... — e Pezão lascou um beijo na mina. Filho da puta, faturando às minhas custas. Vai ficar me devendo esta pro resto da vida.

E foi assim que pedimos duas pizzas. Uma de cebola e outra de milho verde com frango. Pra variar eu tomei no cu, não é? Meu, cebola? Fala sério! Como é que eu vou conseguir beijar a mina com um bafo desse? Ah, ninguém merece.

Depois que o garçom saiu com o nosso pedido eu falei para o Pezão:

— Este garçom não me é estranho.

— Eu ia dizer justamente ...

De repente Pezão começou com aquele geme-geme outra vez. Meu, será que Carolina está tocando uma punhetinha pra ele debaixo da mesa? Olha lá! Pezão até fechou os olhos. Oh, procurem um motel, porra!

— O que houve? — disse Carolina, assustada.

Ufa! As mãos dela saltaram sobre a mesa. Nada de punhetinha pro Pezão.

— O cara está gozando! — disse Caroline, mas disse tão alto que as poucas pessoas na pizzaria olharam para a nossa mesa.

— Ai que delícia, ai que delícia! — sussurrava Pezão.

— Meu, mas que brincadeira mais idiota é esta? — disse Carolina, meio irritada. — Olha o mico que estamos pagando!

— Pezão, pára com isso, cara!

E Pezão parou. Seus olhos abriram novamente. Até ele parecia meio assustado. Parecia ter acordado de um transe.

— Hã? O que foi? Hein, quando?

— Meu, se liga! — resmungou Carolina. — Você é doido?

Pezão fez uma cara de quem comeu e não gostou. Alguma coisa aconteceu.

— Puta merda! — disse ele, do nada.

— O que foi? — perguntei.

— Preciso ir ao banheiro — ele respondeu, com uma puta cara de pânico.

Pezão levantou-se todo contorcido, como se estivesse com uma puta caganeira ou algo parecido. Puxava a camisa pra baixo, como se quisesse esconder alguma coisa ou sei lá. Passou por mim todo torto e me falou baixinho:

— Vem comigo, preciso lhe contar uma coisa.

— Eu não! Quem gosta de ir de par até o banheiro é mulher!

— Levanta, porra! É sério! Preciso lhe contar um bagulho.

— Vai lá, Nando! — disse Caroline, cutucando-me com o ombro.

Meu, pra falar a verdade eu estou pegando raiva desta mina. O problema é que ela é gostosa e eu estou necessitado. Vou ter de suportar.

Bom, levantei-me e acompanhei o filho da puta até o banheiro. O cara me fez pagar o maior mico, Pezão parecia aquele personagem, o Quasímodo, Corcunda de Notre Dame. Entramos no banheiro e já fui tirando uma onda:

— Meu, fala sério, você cagou na calça?

Pezão ergueu a camiseta e apontou para a calça, dizendo:

— Não caguei, mas gozei na calça.

Realmente a calça estava toda manchada na frente. Ou ele gozou ou se mijou todo.

— Meu, mas como assim? Só por causa de um beijo? Eu não sabia que você tinha ejaculação precoce.

— E não tenho!

— Se não tinha, agora tem.

— Não tenho, porra! Não gozei por causa do beijo, cacete!

— Filho da puta! Então ela tocou uma punhetinha pra você debaixo da mesa?

— Quem me dera. A biscate nem encostou em mim.

Pezão pegou um punhado de papel higiênico, virou-se para o mictório e começou a limpar a melequeira toda. Putz, que nojo!

Enquanto Pezão se limpava eu lembrei de algo:

— Espere um pouco, então aquela hora no carro você também gozou na calça?

Ele continuou com a limpeza, mas respondeu:

— Sim, mas aquela foi fraquinha, se compararmos com esta última.

— Não estou entendendo, você fala como se fosse uma coisa normal.

— Preciso lhe contar uma coisa, já faz uma semana que isso vem me acontecendo.

— Duvido. Até quando peida diferente você me liga pra contar.

— Eu ia contar hoje de tarde, mas aí a porra do seu telefone só dava ocupado.

— Claro, seu bosta, eu estava conversando com a Caroline.

— Eu sei.

Pezão fechou o zíper da calça, jogou o papel higiênico no lixo e enquanto limpava as mãos com água e sabão ele disse:

— Acho que estou gozando com o pau do outro.

Ninguém merece.

— Como é que é?

E comecei a rir feito uma hiena saindo de um coma. Minha risada foi tão alta que deve ter aguçado a curiosidade de todos na pizzaria. Devem estar se perguntando: "O que será que houve com o Corcunda de Notre Dame?".

— Eu acho que sei o que está acontecendo comigo. Da mesma forma que implantaram um pinto em mim ... o meu foi implantado em outra pessoa, certo?

— Sei lá! Eu jogaria fora.

Pezão prosseguiu com a sua teoria:

— Eu acho que o cara que recebeu o meu pinto está botando pra quebrar.

— E quem goza é você?

Pezão fechou a torneira e disse:

— Oh, yeah!

— Mas então você não está gozando com o pau do outro. Na verdade é o outro que está gozando com o seu pau. Espera aí, também está errado. Você está gozando com o seu próprio pau, mas com o corpo de outra pessoa e ...

De repente alguém saiu detrás de uma portinhola. Putz! Tinha gente no banheiro ouvindo o nosso papo. O cara vai achar que somos dois malucos fugitivos de algum manicômio.

O cara veio, limpou as mãos e nem olhou nas nossas caras. Saiu de fininho. Eu, hein! Cara esquisito.

Alguns milésimos de segundos depois nós percebemos o porquê. Meu, o cara deixou o banheiro com o maior cheiro de carniça que eu já senti na minha vida!!! O cara não cagou, ele simplesmente deve ter estuprado um urubu atrás daquela portinhola. Fala sério!!! Saímos correndo do banheiro, antes que o cheiro maldito impregnasse em nossas roupas. Pezão saiu abaixando a camisa o máximo que pôde, visto que sua calça, apesar de limpa, ainda estava meio molhada. 

Quando saímos a pizzaria estava quase cheia. Imaginem a cena: Eu correndo feito um louco e Pezão vindo atrás, pulando feito um corcunda maluco e desesperado. Sem contar que logo atrás vinha aquele maldito cheiro de esgoto vencido. Sim, o cheiro estava tão forte que veio atrás de nós, igual quando você peida e ele lhe acompanha. Sabe como é?

Sentei. Finalmente! Ainda assim notei vários olhares na direção da nossa mesa.

— Puta que o pariu! — disse Caroline, depois levou a mão esquerda até o nariz.

Carolina fez a mesma coisa, depois olhou para o Pezão e disse:

— Meu, você .... cagou na calça?

— Eu? Não, porra!

Carolina olhou pra mim e ...

— Então foi você!

— Sai fora! Eu nem queria ir ao banheiro, só fui para acompanhar o ...

— Mas que cheiro terrível é este?

Pezão me olhou com aquela cara de filho da puta e falou para as minas:

— Perdoem-me o meu amigo, ele tem problema de gases e ...

— Seu filho da puta! Nem inventa, caralho! — e olhei para as minas, dizendo: — Mentira dele, não tenho problema de gases porra nenhuma!

— Mas que vocês estão fedendo ... estão! — disse Carolina.

— Um de vocês cagou na calça — disse Caroline. — Tudo bem, é super normal. Eu mesma já fiz uma vez. Foi logo no meu primeiro encontro, eu ....

O garçom apareceu à nossa mesa, dizendo:

— Com licença, aconteceu uma coisa.

— Com as nossas pizzas? — perguntei. — Mas que demora é esta? Ainda não estão prontas?

— Não, senhor, as pizzas já estão quase prontas, o que eu vim dizer é que ...

Pezão cortou o cara, dizendo:

— Porra, se as pizzas estão quase prontas você está esperando o quê?

O garçom ficou puto da vida.

— Eu vim aqui pra dizer que houve um ... probleminha no banheiro.

Pezão olhou pra mim, depois olhou para o garçom e disse:

— E daí?

— O gerente quer falar com vocês dois, por favor.

— O gerente? — eu falei.

— O que vocês aprontaram no banheiro? — perguntou Carolina.

— Nós não fizemos nada, caralho! — gritou Pezão, chamando a atenção de todo mundo na pizzaria. 

— Por favor, o gerente gostaria de falar com vocês.

Olhei puto da vida para o garçom e falei:

— Porra, você parece um papagaio! Só sabe dizer isso?

O garçom ficou ainda mais puto.

— Olha aqui — disse ele, olhando fixo para mim. — , eu tenho 3 filhos para criar e dependo desta porra de emprego! Será que vocês dois poderiam facilitar a minha vida e me acompanhar até o gerente? Eu acho que ele só quer fazer umas perguntinhas. Por favor.

Caroline me cutucou outra vez, dizendo:

— Vai lá, Nando! Coitado do moço.

Carolina estava vermelha de tanta vergonha, ou de raiva. Aposto que se voltarmos para a mesa ela já terá ido embora.

Bom, lá fomos nós até o gerente. Todo mundo olhando para nós outra vez. Eu não consigo entender como uma simples ida à pizzaria acaba se transformando numa confusão dessa. Eu devo ter jogado cocô na cruz.

O cara estava nos esperando em frente a porta do banheiro com a maior cara de cu que eu já vi. Estava de terno e gravata, todo engomadinho, parecia um padrinho de casamento. Com um pequeno lenço branco na mão direita ele tapava o nariz.

— Vocês dois — disse ele, olhando para nós com o maior nojo do mundo.

— O que você quer com a gente? — perguntei.

— Eu ia chamar a polícia, mas eu não quero propaganda negativa para a minha pizzaria.

— Chamar a polícia? — disse Pezão.

— Nós não fizemos absolutamente nada! — falei.

— Nada? — disse o gerente, retirando o lenço por um segundo. — Têm certeza disso?

O engomadinho fez sinal para o garçom abrir a porta do banheiro. Após o garçom cumprir sua ordem o gerente fez sinal para a gente entrar. O cheiro veio tão forte que eu me senti quase que jogado para trás. Um casal que estava numa mesa próxima à porta do banheiro afastou-se e foi para outra mesa.

— Rápido! — disse o gerente, apontando para dentro do banheiro.

Entramos os quatro.

— Santa Maria mãe de Jesus! — disse o garçom, com os olhos marejados.

O gerente voltou a lançar aquele olhar de nojo sobre nós, e disse:

— Vocês vão me pagar pelo que fizeram.

— Mas nós não fizemos porra nenhuma!!!! — falei.

Meu, eu estou louco pra chutar o saco deste engomadinho filho de uma puta!

— O responsável por este rebosteio todo foi um filho da puta que saiu detrás daquela porta ali! — disse Pezão, apontando para a portinhola de onde saiu o cagão.

— O cara ficou tão sem graça que nem olhou na nossa cara — eu disse. — Deve ter feito um turuzão do tamanho de um bonde e não conseguiu dar descarga.

— Os únicos que estavam no banheiro eram vocês dois — disse o garçom.

— Então você é cego, seu bosta! — falei, puto da vida. — Além disso você fica monitorando quem entra e quem sai do banheiro? Nunca vi nenhum garçom fazer isso!

O garçom veio pra cima de mim e eu mandei um soco no meio do nariz do babaca. Antes que eu pudesse dar o segundo golpe o gerente puxou o garçom para o lado.

— Nada de pancadaria na minha pizzaria! — disse o gerente.

— Sua pizzaria? — falei. — Você é gerente ou proprietário da bagaça?

Putz! O cara ficou irado comigo. Senti suas veias dançarem sobre a testa. Ele não disse nada, caminhou até a portinhola, empurrou-a com o maior nojo do mundo e aí disse:

— Eu só quero uma explicação sobre o que vocês fizeram.

Pezão ficou puto.

— Meu, quantas vezes eu vou precisar repetir que nós não fizemos porra nenhuma???

— Até vocês me explicarem o que é aquilo aqui — disse o engomadinho, apontando para a privada.

— Você nunca viu um cocô na sua vida? — perguntei.

— Cocô eu já vi muitos, mas aquilo ali ... não!

Fomos até a tal privada e demos de cara com algo que nunca tínhamos visto em nossas vidas. Perdi até o fôlego, só consegui abrir a boca para dizer:

— Santa Pixirica!!!!

Capítulo 5 · Uma Mão Lava a Outra

— Você nunca viu um cocô na sua vida? — perguntei.

— Cocô eu já vi muitos, mas aquilo ali ... não!

Fomos até a tal privada e demos de cara com algo que nunca tínhamos visto em nossas vidas. Perdi até o fôlego, só consegui abrir a boca para dizer:

— Santa Pixirica!!!!

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— Mas que merda é aquilo ali? — perguntou Pezão, olhando espantado para a privada.

— Parece um pinto — falei.

E realmente parecia. O mais curioso é que estava até meio ereto. Mas isso é possível? Bom, não tenho a menor idéia. Talvez seja de borracha, não é? Quem jogaria um pinto na privada de uma pizzaria? Eu, hein!

O gerente olhou para mim e disse:

— Não parece. É um pênis.

— Sei lá, pode ser de borracha.

— É um pênis, caramba!!!! — repetiu o gerente, sério.

— Caralho, mas como é que ele veio parar aqui?

O garçom aproximou-se de nós e disse:

— Vi o jeito como vocês entraram no banheiro — e olhou para o Pezão. — Principalmente você.

Pezão ficou puto.

— O que tem eu? Por acaso você acha que aquele pinto morto ali é meu?

— Eu não disse ...

Antes que o cara terminasse a frase Pezão abaixou o zíper da calça e botou seu pinto pra fora.

— O meu está aqui, ó! — e balançou o dito cujo.

O gerente ficou indignado, ou sei lá ... só sei que arregalou os olhos e deu o maior escândalo.

— Vira este negócio pra lá! Eu só quero saber como aquilo veio parar na minha pizzaria!

Pezão colocou o bilau pra dentro da cueca outra vez.

— E o que nós temos a ver com isso? — falei.

— Vocês têm culpa no cartório — disse o maldito garçom.

Minhas veias saltaram. Eu quase peguei o filho da puta pelo pescoço.

— Seu bosta, se você prestasse mais atenção teria visto um maluco deixar o banheiro alguns segundos antes de nós. Foi ele que jogou este negócio aí na privada.

— Depois de dar uma bela cagada, é claro — falou Pezão.

O gerente colocou novamente o lenço sobre o nariz, deu uma boa olhada para o bagulho dentro da privada, coçou o topo da cabeça por um instante e disse:

— Vocês lembram como ele era?

Antes que pudéssemos responder o maldito garçom interveio:

— É mentira deles! Não vi ninguém saindo ...

— Não perguntei pra você, perguntei? — disse o gerente.

Aaaaaaaaaaaaaoooooooooooooo!!!! Tirou grandão!!!! O garçom ficou até azul, não soube o que fazer.

— Perdoe-me, senhor — disse ele, de cabeça baixa. Estava puto da vida.

Aproveitei e respondi:

— Era um cara muito esquisito, isso sim.

Pezão me ajudou:

— Era baixinho, meio careca e tinha uma cara de cuzão como eu nunca vi antes.

— Verdade. Tinha mesmo.

O gerente coçou a cabeça outra vez.

— Eu não quero a polícia envolvida nisso. A pizzaria acabou de ser inaugurada, não quero má publicidade. Seria uma tragédia para nós.

— Será que o careca matou o dono do pinto? — perguntou Pezão.

Apesar da pergunta ter sido formulada com total seriedade eu não resisti e caí numa puta gargalhada.

— Perdoe-me, não pude evitar.

O gerente fez o sinal da cruz e apertou a descarga.

— Se matou eu não quero nem saber. Eu só quero esta porcaria bem longe da minha pizzaria!

O pinto rodou, rodou, rodou, mas não foi embora. Continuava ali, ligeiramente ereto, boiando junto com alguns restos de merda.

De repente um rapaz entrou no banheiro. Assim que nos viu ali parados olhando para a privada ele arregalou os olhos de curiosidade.

O gerente fez sinal para o garçom entrar na frente e cobrir a cena. O rapaz virou-se para o mictório.

— Ninguém mais pode ver isso aqui! — sussurrou o gerente, nervoso.

Apertou a descarga novamente. O rapaz continuou fazendo seu xixi normalmente. Imagine só o que está se passando pela sua cabeça. O cara entra no banheiro pra mijar e encontra quatro caras olhando para uma privada. O que você pensaria? 

O pinto rodava, rodava, rodava, mas a descarga não conseguia despachá-lo.

— Vai embora, filho da puta! — gritou o gerente, descontrolado.

Na verdade ele gritou para o pinto na privada, mas o rapaz pensou que tinha sido com ele. Ficou uma fera.

— Filho da puta é você!

O gerente ficou até branco. Largou a mão da descarga e foi pedir desculpas para o cara.

— Perdoe-me, eu não falei aquilo pra você.

O cara olhou meio desconfiado.

— O que vocês tanto olham aí?

— Foi só uma privada que deu defeito — disse o garçom.

O cara ficou ainda mais desconfiado, vindo em nossa direção.

— E uma privada com defeito precisa de quatro marmanjos pra arrumar?

Enquanto ele se aproximava tentamos entrar na frente da privada, mas não adiantou. O cara esticou o pescoção e viu o pinto boiando.

— Meu Deus! — disse ele, espantadíssimo. — O que é aquilo ali?

Apontei para o Pezão e falei:

— Meu amigo comeu muita lingüiça e deu no que deu.

Pensei que Pezão ia ficar puto, mas acabou entendendo a brincadeira. Mas o cara continuou com aquele olhar de criança pentelha.

— Ah, fala sério! — ele disse. — Lingüiça o caralho! Aquilo ali é um pinto!

O gerente pulou miudinho. Suava em bicas.

— Pinto? Que pinto? Muito brincalhão o senhor.

— Caralho, deixa a minha namorada saber que vi um pinto jogado dentro da privada do banheiro. Ela não vai acreditar.

O gerente quase teve um treco do coração.

— Nãooooooooooooooooo!!!! Pelo amor de Deus, não faça isso, eu imploro.

— Pode implorar o quanto quiser. Uma história dessa a gente não guarda. Espalha!

Putz!!! Será que o cara é irmão do Pezão? Até eu estou ficando com antipatia do babaca, imagine o gerente.

— Dou-lhe três meses de pizza grátis, o que acha? — disse o gerente, suando frio.

— Como é que é? Três meses?

— Sim, três meses — confirmou o gerente, coçando novamente a cabeça. Meu, acho que o cara tem piolho. — É pegar ou largar.

O cara pensou um pouco e disse:

— Um ano inteiro.

— Um ano? Está maluco?

— Tudo bem então, mas amanhã bem cedinho dê uma olhada na primeira página do jornal.

O gerente tentou partir pra cima do cara. O garçom o segurou. E o cara continuou a provocação.

— Um ano. É pegar ou largar.

O gerente estava até bufando de raiva, mas acabou aceitando. 

Ah, nem preciso dizer que nós também ganhamos um ano de pizza na faixa, né? Estão pensando o quê? O cara é esperto, mas nós também somos. Entramos no vácuo.

A descarga não conseguiu despachar aquele pinto misterioso. O garçom pegou um saco de lixo e retirou o bagulho da privada. Embrulhou-o muito bem e sei lá o que fizeram com aquilo. Pezão e eu voltamos para nossa mesa, finalmente.

As minas estavam furiosas. Bom, pelo menos não foram embora sem a gente.

— Mas que diabos aconteceu lá dentro? — perguntou Carolina.

— Um pequeno probleminha com uma das privadas — respondi.

— Ah, fala sério! — disse Caroline.

Puuuuuuuuuuuuuutz grila! O bafo de cebola foi tão forte que quase me derrubou.

— Aconteceu alguma coisa — insistiu Carolina. — Conta aí, vai!

— Aconteceu nada não — disse Pezão, chegando junto da mina.

Carolina afastou-se um pouco. Acho que já sei o motivo.

— Ah, e vocês dois continuam fedendo, viu? — disse ela.

Eu já desconfiava.

— No motel tem chuveiro — falei, após uma piscadela para a Caroline.

Ela sorriu e me deu um beijo de língua. O gosto de cebola tomou conta até do meu cérebro. Quase vomitei. Mas fingi que estava tudo bem. Peguei duas balas de hortelã do bolso e ofereci uma pra ela. A irmã percebeu o que eu tinha feito e caiu numa gargalhada monstruosa, parecia uma hiena descobrindo os prazeres da masturbação pela primeira vez na vida.

— Vocês são duas figuraças, sabiam? — disse ela, ainda rindo muito.

— Vamos para o motel ou não? — disse Pezão.

As duas irmãs trocaram olhares, sorriam sem parar.

— Vamos? — disse Caroline encarando a irmã, e jogou a bala de hortelã na boca.

Carolina sorria, mas um sorriso meio constrangido, ela não parecia muito animada.

Pezão passou a língua na orelha da mina. Putz! O cara sabe como ser sutil, né? Fala sério. Por muito pouco Carolina não lhe deu um tapão nas fuças.

— Vai ser divertido, mana! — falou Caroline. — Além disso você precisa mesmo tirar a teia de aranha, né?

Teia de aranha? Ah, fala sério! Duvido! Uma gostosa daquela não acumula teia de aranha ... de jeito nenhum! A não ser que seja por vontade própria, é claro.

— Cala esta boca, oh! — disse Carolina, meio envergonhada. 

— Você vai embora na segunda-feira, não vai?

— Segunda-feira? — disse Pezão.

— Vou.

— Hoje mesmo você me disse que os dias em que passou aqui foram tediosos. Então aproveita esta noite pra tirar o atraso, ué!

Pezão até arregalou os olhos.

— Sua irmã tem toda a razão — disse ele.

Lasquei uma mordida gostosa no pescoço de Caroline. Ela contraiu-se toda.

— Ai, Nando!

— Gostou?

— Muito. Faz de novo!

Carolina estava na maior viagem. Parecia em transe. Mas acordou.

— Querem saber? — disse ela. — Foda-se, vou trepar até amanhã de manhã.

Nem preciso dizer como ficou a cara do Pezão ao ouvir isso, né?

— Isso aí, mana — disse Caroline, enquanto eu a mordia feito um vampiro enlouquecido.

— Carpe dien! — finalizou Carolina.

E deixamos a pizzaria. Não pagamos nenhum centavo, é claro. Esqueceram do nosso acordo? Passamos pelo gerente e ele fez aquele famoso sinal de "bico fechado" para nós. Fizemos sinal de positivo e saímos de fininho.

Entramos no carro.

— Vocês não perceberam nada? — disse Carolina.

— Como assim? — falei.

— Meu, vocês não pagaram a conta! Nós comemos duas pizzas inteiras.

— O gerente é amigão nosso — disse Pezão, enquanto pisava fundo no acelerador.

Da queimada dos pneus até o motel eu não me lembro de quase nada. Só sei que durante o caminho eu quase comi a Caroline ali mesmo no banco de trás. Num determinado momento minha mão entrou lá onde a calcinha faz a curva. Putz, que delícia! Caroline também não tinha nada de santa, senti sua mão esquerda acariciando o Nando Júnior por várias vezes. Loucura, loucura, loucura!!! É hoje!!!

Tudo bem que o bafo de cebola está monstruoso. Mas tenho mais balas de hortelã. E se as balas não resolverem eu caio de boca em outros lugares ... se é que vocês me entendem.

Entramos no motel.

Enquanto Pezão ia em marcha lenta procurando os quartos ... Carolina disse algo que nos pegou de totalmente de surpresa.

Capítulo 6 · Outro Banheiro

Tudo bem que o bafo de cebola está monstruoso. Mas tenho mais balas de hortelã. E se as balas não resolverem eu caio de boca em outros lugares ... se é que vocês me entendem.

Entramos no motel.

Enquanto Pezão ia em marcha lenta procurando os quartos ... Carolina disse algo que nos pegou de totalmente de surpresa.

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— Luke, I'm your father.

Hahahaha .... Calma, não foi bem isso o que ela disse.

O que ela realmente disse foi:

— O que vocês acham de usarmos o mesmo quarto?

Quando ela terminou esta frase foi como se o mundo tivesse parado. Pezão quase enfiou o carro num pequeno canteiro de tulipas.

— Como assim? — disse ele.

— Suruba, Pezão! — gritei, apertando a cintura de Caroline.

Esta me sorriu e depois disse:

— Suruba com quatro pessoas não é suruba, é?

— Acho que suruba começa com seis ou mais pessoas — disse Carolina, colocando seu rosto entre os bancos da frente e olhando para nós.

Pezão estacionou o carro na garagem de um dos quartos.

— Eu acho que com quatro pessoas já é suruba — falei. — Ah, sei lá!

Pezão agarrou Carolina e enterrou a língua na garganta da guria. Terminada a lavagem estomacal ele disse:

— Foda-se, eu topo!

Olhei para Caroline. Ela tem cara de quem topa qualquer parada, portanto eu não me surpreenderia se a resposta dela fosse ...

— Claro, to dentro! — disse ela, com um sorriso de orelha a orelha.

Saímos do carro excitados. Olhares curiosos e um pouco desconfiados. Por um instante imaginei Caroline e sua irmã peladinhas na cama, esperando por mim. Porra, bem que poderia dar uma puta caganeira no Pezão neste exato momento, vocês não acham? Eu mereço uma noitada de sexo selvagem com duas gatas gostosas, não mereço?

Pezão abriu a porta do quarto. Carolina foi a primeira a entrar. 

Bom, vamos raciocinar um pouco ... A idéia do quarto único foi da Carolina, certo? Será que foi só pra dar uma variada ou foi pra ter a oportunidade de dar pra nós dois? Putz! Só de imaginar .... é hoje!!!!!

Entramos os quatro. Fechei a porta e girei a chave com a mão direita um pouco trêmula. Eu estava tremendo de ansiedade. A vontade que eu tinha era jogar Pezão pra fora do quarto e ficar com as irmãs só pra mim!!!

De repente senti um beliscão na bunda. Caroline olhava para mim e era só sorrisos. Ela estava só de calcinha e sutiã. Loucura, loucura, loucura!!! Gostosa pra caralho!

— Caralho, você é rápida! — falei.

— Você não viu nada — ela disse, vindo pra cima de mim.

Pezão e Carolina já estavam na cama. Ambos vestidos ainda.

Caroline arrancou minha camisa. A luz estava numa intensidade agradável. Agradável o suficiente para que eu pudesse admirar os seios de Caroline. Sim, antes que eu pudesse ver ela já tinha retirado o sutiã. Meu, a mina é The Flash?

Quando ela encostou seus belos seios na minha barriga eu enlouqueci de vez. Agarrei seu pescoço e dei-lhe um beijo tão arrebatador que quase suguei seus órgãos pela garganta. Depois fui descendo devagarinho até encontrar, enfim, os seus seios durinhos. Permaneci ali por mais de dois minutos, creio eu. Esqueci do mundo. Esqueci de tudo. 

Caroline retirou o cinto da minha calça e abaixou o zíper lentamente, enquanto fazia isso ela olhava pra mim com aquele sorrisinho de garota levada. Adoro isso. Sob aquela luz fraca seus horrendos cabelos verdes não fizeram tanta diferença. Ela estava linda agachada só de calcinha diante de mim. Agora eu me encontro apenas de cueca. Na verdade já não era mais uma cueca, mas sim uma barraca armada .... hehehe .... Se é que vocês me entendem.

De repente senti um empurrão. Caí deitado sobre a cama.

— Ai, puta merda!!!! — gritei de dor.

Bati a cabeça na canela de alguém. Quero dizer, eu rezo pra que tenha sido só uma canela.

— Nando, você está bem? — disse Caroline, vindo por cima de mim.

Meu, com uma visão daquelas ... dois lindos seios balançando sobre o meu peito ... como eu poderia não estar bem? A dor da batida passou rapidinho.

— Sim, estou — respondi, agarrando a cintura de Caroline.

Olhei para o lado e vi Pezão sobre Carolina. Ela ainda estava de calça e sutiã. Ele estava se preparando para arrancar a camisa.

— Machucou? — disse Carolina, sorrindo pra mim.

Quando eu me preparava pra responder senti minha cueca sendo arrancada. Caroline puxou com tanta violência que suas unhas me fizeram gemer de dor.

A irmã teve um ataque de risos com a cena, parecia uma hiena com dor de dente.

— Calma, mana! — disse Carolina, quase engasgando-se de tanto rir.

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa senti ... hmmmmmm! Oh, yeah! Oh, yeah!

Bom, acho que não preciso descrever o que Caroline começou a fazer, certo? Porra, isso aqui é uma história de respeito!!! Se você quer baixaria liga no Programa do Ratinho!!! Hahaha ... Só vou dizer que foi maravilhoso ... e precisei ser muito forte para não ... precipitar-me. Depois ela veio me beijando por todo o corpo. Senti um arrepio que ia do couro cabeludo até a pontinha do dedão.

— Meu, você é demais — sussurrei pra ela, com um sorriso de orelha a orelha.

Ela mordeu o meu queixo e me beijou violentamente. Agora foi a vez dela quase sugar meus órgãos pela garganta. Preciso confessar uma coisa, a mina é meio irritante, mas trepa que é uma beleza! E nem me importo mais com o bafo de cebola. Foda-se!

Terminado o beijo ela deitou-se do meu lado e sussurrou no meu ouvido:

— Agora é a sua vez, gato.

Beijei-lhe mais uma vez e respondi:

— Claro, com todo o prazer do mundo.

Enquanto eu me preparava para cair de boca naquele corpo escultural não resisti e dei uma olhadela para o lado. Lá estavam Pezão e Carolina no maior rala-e-rola. Putz! Ver a bunda cabeluda do Pezão subindo e descendo não foi bem o que eu queria. Os dois estavam na posição "papai-mamãe". Ainda bem que a cama é grande, pois se aquela bunda cabeluda encostar em mim eu acho que me mato. De repente ouvi um ... "psiu", era Caroline. 

— O que está olhando? — disse ela. — Esqueceu de mim?

— Lógico que não, meu anjo!

Eu só espero que ela não me venha com aquele papinho de "suck my anus!" ... hahaha ... vocês ainda se lembram? Eu me lembro.

Ufa! Nada de "suck my anus!".

Abri as pernas dela e caí de boca. Acho que fui com tanta vontade que a mina deu um puta grito. Não sei se de prazer ou de susto, só sei que o grito chamou a atenção do outro casal.

— Vocês curtem um oral, hein! — disse Carolina.

— Muito!!! — disse Caroline, acariciando minhas orelhas. Não parei pra responder. Continuei meu trabalho de língua.

— Cuidado que dá sapinho, hein!!! — gritou Pezão, rindo feito uma hiena idiota.

Se dá sapinho ou não eu não queria nem saber. Fiquei ali por um bom tempo. 

Depois fui subindo pelo corpo maravilhoso de Caroline, beijando cada milímetro daquele corpo sarado e suado ... até encontrar novamente os seus lábios quentes.

Preliminares finalizadas, coloquei minha boa e velha amiga camisinha e ... foi bom demais! Já sei, vocês estão estranhando o fato de que até agora nada de bizarro me aconteceu. O que eu posso fazer? Acho que Murphy saiu de férias ou ficou preso lá no banheiro da pizzaria. Sei lá! Só sei que está dando tudo certo, finalmente!

Quando terminamos eu estava exausto. Arranquei a camisinha com cuidado, dei-lhe o nó e atirei-a longe, como eu sempre faço. O problema foi que desta vez ....

— Porra, Nando, vai tomar no seu cu!!!

Acertei a bendita no Pezão. Olhei para o lado e lá estava a dita cuja caída no ombro do mané. É lógico que ao me deparar com aquela cena ridícula eu caí na maior gargalhada da história, não é? Pezão ficou ainda mais puto. Retirou a camisinha do ombro, com o maior nojo do mundo, e atirou-a em mim com toda a sua fúria. Desviei-me antes que ela me acertasse. Quando voltei o olhos para o Pezão senti o golpe. Nem tive tempo de desviar. O filho da puta me acertou um soco na testa. Caí da cama. Bati com a cabeça no chão e senti uma dor lancinante.

— Pára com isso!!! — acho que foi Caroline gritando com o Pezão.

Eu fiquei um pouco zonzo. Por alguns segundos perdi a consciência. Olhei pra cima e vi Carolina empurrando Pezão para trás. De repente o rosto de Caroline surgiu como o de um anjo. Ela me beijou a testa carinhosamente.

— Você está bem? — disse ela.

— Acho que estou — respondi. Minha cabeça doía muito.

Ela me beijou outra vez, depois olhou na direção do Pezão.

— Filho da puta!!! Você é retardado?

— Vai se foder, mina! — respondeu ele.

Outro rosto. Outro anjo. Carolina.

— Você bateu com a cabeça outra vez — disse ela. Seu olhar foi tão sincero e preocupado. Foi um olhar tão expressivo que valeu por um beijo.

— Sim, mas estou bem — falei, levantado-me com a ajuda das duas irmãs.

Sentei-me na cama. Elas ficaram do meu lado. Caroline à minha direita e Carolina à minha esquerda. Elas estavam irritadíssimas com o Pezão.

— Não precisava ter feito aquilo, seu estúpido! — disse Carolina.

— Babaca — falou Caroline, olhando para Pezão e acariciando meu rosto.

Pezão estava de cueca, com as mãos na cintura e um olhar meio arrependido. Mas agora era tarde. Eu estava louco para revidar aquele soco covarde que ele me deu. Mas não sei se vocês perceberam ... o negócio está ficando bom para o meu lado ... hehehe. Nando quer colinho!!!!

— Eu queria ver se a camisinha tivesse acertado a testa de vocês duas — disse Pezão, cínico como sempre. — , aí eu queria ver! Aposto que teriam dado um puta escândalo.

— Ele não fez de propósito, oh! — disse Caroline.

— Foda-se! — disse Pezão. — Aquela merda nojenta me acertou e eu não gostei.

Pezão sentou-se ao lado de Carolina e tentou lhe dar um beijo no rosto. Ela não deixou, levantou-se, foi até o banheiro e fechou a porta. Pezão ficou puto ... comigo.

— Veja só o que você fez, cara! — disse ele.

— Eu? Ah, se liga! A culpa foi ....

Senti uma mão bulinando meu bilau. Caroline, é claro. Olhei pra ela e vi aquele olhar de menina safada novamente. Meu, juro, só de olhar aquela carinha eu já me animei todo. Não só eu, mas o Nando Júnior também.

E rolou a segunda vez da noite. Foi rápida e sem preliminares, mas tão gostosa quanto a primeira. E com camisinha também, é claro. Esqueci-me totalmente da dor que eu sentia há poucos instantes. Sexo é capaz de tudo mesmo, putz grila!!!

Confesso que ver o Pezão esmurrando a porta do banheiro e não conseguindo absolutamente nada com a Carolina duplicou o meu tesão. É como dizem, pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Terminamos novamente exaustos. Tirei a camisinha, dei-lhe um nó bem dado e ...

— Por favor — sussurrou Caroline. — , deixa aí no chão mesmo.

Fiz sinal de positivo com a cabeça ... e fiz o que ela me pediu.

Pezão continuava batendo na porta, mas agora mudou de tática. Ao invés de gritar ele começou a apelar para uma fala mais mansa:

— Por favor, gatinha, vem pra cá! O que você quer que eu faça?

Vesti minha cueca, a qual eu levei algum tempo para encontrá-la no meio daquela bagunça de roupas por todos os lados. Caroline já estava de calcinha e sutiã. A mina deve ter algum parentesco com o David Copperfield ou sei lá.

O drama do Pezão continuava. A porta do banheiro permanecia trancada.

— Meu, então vai se foder! — gritou ele, impaciente. Depois deu um último murro na porta e voltou para a cama.

— Conheço minha irmã — disse Caroline, pegando o controle remoto da TV. — , quando ela pega birra de alguém ... sai de baixo!!! — Ela ligou a TV. Ouvimos a voz de Galvão Bueno. — Tem jogo de madrugada?

Não era jogo, é claro, era Fórmula-1. Caroline desligou imediatamente.

— Ah, quem perde tempo com aquilo? Só dá o alemão, né? — e ela deu uma risada super gostosa. — A única coisa boa da alemanha é o salsichão.

Dei risada e olhei pra minha cueca.

— E este salsichão?

— Este também é bom.

E caímos na gargalhada. O único que não riu foi o Pezão, é claro. Ele olhava fixo para a porta, parecia em transe.

— Aconteceu alguma coisa com ela — disse Pezão, sério.

— Ela adora fazer um drama — disse Caroline, recolocando o controle remoto sobre a cabeceira da cama.

— Já faz um bom tempo que ela desligou o chuveiro — continuou Pezão.

Levantei-me e fui até a porta. Bati duas vezes e disse:

— Carolina, está tudo bem aí? Estamos preocupados com você.

Nada. Nenhuma resposta. Caroline pulou da cama e aproximou-se da porta também.

— Sai daí, sua mocoronga! — ela gritou para a irmã, mas olhava e sorria pra mim. — Eu já estou quase dando a terceira e você ainda está na primeira!

Silêncio. 

O semblante de Caroline mudou totalmente, ela ficou séria.

— Eu não falei? — disse Pezão. — Aconteceu alguma coisa com a biscate.

Capítulo 7 · A Vingança de Murphy

— Carolina, está tudo bem aí? Estamos preocupados com você.

Nada. Nenhuma resposta. Caroline pulou da cama e aproximou-se da porta também.

— Sai daí, sua mocoronga! — ela gritou para a irmã, mas olhava e sorria pra mim. — Eu já estou quase dando a terceira e você ainda está na primeira!

Silêncio. 

O semblante de Caroline mudou totalmente, ela ficou séria.

— Eu não falei? — disse Pezão. — Aconteceu alguma coisa com a biscate.

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Caroline ficou uma fera com o Pezão.

— Biscate? Quem você está chamando de biscate?

— Sua irmã, mas serve pra você também.

— Biscate é a lambisgóia da sua mãe.

— Mina, analisa comigo, você está pelada num motel de quinta categoria com dois caras de cueca. Se você não é uma biscate então quem é?

Putz! Caroline até pulou de raiva. Ouvi seus dentes rangerem. Ela deu um salto e partiu pra cima do Pezão. Detalhe: peladinha inha inha.

— Seu filho da puta!

Mas antes que ela fizesse alguma coisa eu a segurei por trás. Calma, sem sacanagem.

— Me solta, Nando! — ela gritou, debatendo-se toda. — Deixa eu mostrar pra este babaca quem é a biscate!

Pezão arregalou os olhos, passou a mão sobre a cueca e disse:

— Puta merda, eu estou ficando de pau duro. Deixa ela vir, Nando!

Pra ser sincero eu também fiquei de pau duro, mas pra não irritá-la ainda mais eu fiquei quieto.

— Calma aí vocês dois!!! — falei. — Meu, temos algo mais importante pra resolver, vocês não acham?

Caroline virou o rosto e olhou para a porta do banheiro. Depois olhou triste para mim.

— O que será que aconteceu com ela? — disse Caroline no meu ouvido.

— Vista-se — falei, acariciando seus cabelos verdes. — , vou pedir a chave do banheiro. Lá na portaria eles devem ter.

Enquanto Caroline vestia sua roupa eu disquei para a portaria do motel. Uma voz rouca e sexy atendeu:

— Boa noite, em que posso ajudar?

— Você tem aí as chaves dos banheiros de todos os quartos, certo?

— Acho que sim, por quê?

— Porra ... "Acha" que sim? Tem ou não tem?

— Calma aí, moço, não precisa ficar nervoso. Eu vou verificar com a gerente.

— Tudo bem. Mas rápido, é uma emergência!

— O que houve?

— Minha ... namorada (quando eu disse isso a Caroline me olhou feio) entrou para tomar uma ducha e ficou presa no banheiro.

— Mas então é fácil de resolver, moço. Pede pra ela girar a maçaneta.

Putz!!! É uma toupeira ou não é?

— Meu, é por isso que você trabalha num motel.

— O que você quis dizer com isso, hein?

— Nada. Por favor, eu preciso urgentemente da chave do banheiro! O número do quarto é ... — Caroline olhou o chaveiro pendurado na porta e me passou o número: — dezoito.

— Vou ver o que dá pra fazer.

E bateu o telefone na minha cara. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa...

— Que papo foi aquele de "minha namorada" ? — disse Caroline, com as mãos na cintura e os olhos fixos nos meus.

— Que foi? Vai ficar com ciúme agora?

— Vou!

— Meu, eu não sabia o que dizer ... ficaria meio estranho se eu dissesse: "ei, a irmã da mina que eu acabei de comer está presa no banheiro, você tem a chave?".

— Isso aqui é um motel, Nando, eles estão acostumados com isso.

Bom, isso é verdade. E do nada ela me abraçou e me deu um beijo.

— Fiquei com ciúme — ela disse.

Pezão caiu na gargalhada, depois disse:

— Xiiiiiiiiii, Nando, isso aí tem nome: pica que fica. Fodeu.

Putz, a mina ficou irada. Tive de segurá-la novamente. Pena que desta vez ela estava vestida. E eu ainda de cueca. Vesti-me também.

Tentamos contato com Carolina outra vez, mas não obtivemos sucesso. Lá dentro do banheiro continuava tudo quieto, pra não dizer assustador. O que será que aconteceu?

Minutos depois alguém bate na porta do quarto.

— Abre aí, eu trouxe a chave do banheiro! — gritou uma voz lá de fora, a mesma voz rouca e sexy. Será que a Daniela Ciccarelli largou do Ronaldinho pra vir trabalhar como faxineira e telefonista de motel?

Abri a porta e dei de cara com dois vultos na escuridão.

— Que rapidez, hein! — falei em tom irônico.

— Nando, é você? — putz! Conheço esta voz de algum lugar.

E as duas entraram no quarto. Nenhuma delas era a Daniela Ciccarelli, é claro. Uma era feia que dava até arrepios, a outra era nada mais nada menos que ...

— Quanto tempo, Joana.

Sim, caros amigos, ela mesma, a sumida Joana fofoqueira. Lembram dela? Mas que diabos ela está fazendo aqui no motel? Larga do meu pé, chulé!

— Surpreso? 

— Um pouco. O que faz aqui?

— Eu trabalho aqui, meu filho.

— Está progredindo, hein! Faxineira de motel? Que bosta.

— Não sou faxineira, sou a gerente.

Putz!!! Imaginem só isso, a mina mais fofoqueira que eu já conheci trabalha num dos motéis mais freqüentados da cidade. Vai prestar ou não?

Caroline entrou no meio:

— Vocês vão ficar de conversinha ou vão abrir a porta do banheiro?

Não sei, mas senti mais ciúme do que preocupação com a irmã.

— Ela tem razão — disse Joana. — , abre a porta, Severina.

— Sim, senhora.

Putz!!! Severina? Caralho, de sexy a mina só tem a voz mesmo. Nem o nome a gente aproveita.

Acho que só agora Joana percebeu que o Pezão estava no quarto.

— Eu já devia imaginar — disse ela. — , Nando e seu fiel escudeiro. 

— Fiel escudeiro o caralho! — e Pezão botou a mão sobre a cueca e lhe fez um gesto obsceno.

— Estavam fazendo uma surubinha? — disse Joana.

— Não é da sua con ...

— Está aberta — disse Severina, afastando-se da porta.

Caroline girou a maçaneta e abriu a porta. Logo de cara fomos golpeados com uma imagem nada agradável, havia uma enorme poça de sangue. Caroline começou a chorar. Severina fez o sinal da cruz duas vezes. Entramos no banheiro e a situação ficou ainda pior. O corpo de Carolina estava caído no chão. O que mais me chocou foi a quantidade enorme de sangue. Lembrei-me da gravação que fizemos para o Linha Direta fajuto. A diferença é que lá não era sangue de verdade, mas aqui sim. 

Pobre Caroline, desmaiou nos meus braços. Joana correu para a portaria do motel e chamou uma ambulância urgente.

Fomos todos para o pronto-socorro. A ambulância saiu em disparada. Nós três fomos logo atrás no carro do Pezão. Fui sentado no banco de trás com Caroline. Meu, ela me abraçava com tanta força que até me doíam os ossos. Pobre Caroline. Tremia tanto. Soluçava de forma tão desesperada que partia o meu coração.

— Minha irmã não pode morrer, Nando! — ela repetia isso sem parar.

— Ela não vai morrer, meu anjo, fique calma.

E eu acariciava carinhosamente seus cabelos verdes horríveis.

— A gente ... briga muito, sabe? — prosseguiu Caroline, entre soluços. — Mas a gente ... se adora. Quando ... ela se mudou daqui eu ... chorei meses e meses. Sempre fomos ... muito apegadas.

— Ela vai ficar bem, pode apostar.

Mas Pezão tinha de abrir a boca, não é? Olha só o que o filho da puta teve a coragem de dizer:

— Sei não, gente. Vocês não viram a quantidade de sangue? Foi foda.

Putz!!! Caroline ficou ainda pior, coitada.

— Cala esta boca, Pezão! — gritei e dei-lhe um cascudo.

Quando chegamos ao pronto-socorro e abriram a porta de trás da ambulância, vi o corpo de Carolina coberto por um lençol todo manchado de sangue. Isso não está me cheirando muito bem.

— Por que eles estão demorando tanto pra tirar minha irmã da ambulância? — disse Caroline, seus olhos estavam arregalados.

O médico que acompanhava Carolina na ambulância veio em nossa direção.

— Não, não, não — repetiu Caroline — ... por favor, não ...

E saímos do carro. O médico estava a uns 6 metros de nós. Caroline deu um pique até ele.

— Sinto muito — disse o médico. — , sua irmã sofreu traumatismo cranioencefálico e não resistiu.

E Caroline desmaiou novamente. Desta vez o médico a segurou.

Puta merda, que noite terrível. Os pais de Caroline fizeram um puta escândalo no pronto-socorro, queriam bater em nós dois. Depois a polícia apareceu pra nos interrogar. Fomos suspeitos de assassinar a Carolina, é mole ou querem mais? Sim, tem mais, depois da polícia ainda tive de agüentar um puta sermão dos meus pais. Minha mãe ficou uma fera quando descobriu que eu tinha ido pro motel ao invés de ter saído para comprar o presente de aniversário dela.

Mas o pior de tudo vocês ainda não sabem, após aquela noite eu acabei me apaixonando pela Caroline. Sim, caros amigos, os filhos da puta também se apaixonam, não é? Não sei explicar, só sei que me apaixonei. Mas vocês sabem como eu sou um rapaz sortudo, não sabem? Então ... os pais dela não podem me ver nem pintado de ouro, eles me odeiam de morte. Ainda me lembro da primeira vez que eu liguei na casa dela após aquela terrível noite. O pai da mina atendeu e me disse o seguinte: "Escuta aqui, seu filhinho de papai, seu nojento de uma figa, se algum dia você colocar a fuça aqui no meu portão outra vez eu meto um revólver no seu rabo e vou enfiar tanta bala que nem sua mãe vai reconhecer o seu corpo no hospital".

Viram só? O sogrão me ama ... hehehe. Eu dou sorte pra sogro, né? Lembram do Hitler?

Bom, com este pequenino obstáculo eu fui obrigado a me distanciar do meu amor. E sofri, viu? Sofri pra caralho. Eu acordava pensando na Caroline. Almoçava pensando naqueles cabelos verdes medonhos, mas ao mesmo tempo tão lindos. Jantava lembrando do jeitinho fofo como ela dizia o meu nome. Ia dormir e me lembrava do seu bafo de cebola, tão nojento e tão excitante ao mesmo tempo. O amor é lindo.

O tempo foi passando e o meu amor por Caroline ... não. Maldita mina dos cabelos verdes. Será que foi feitiço? Putz grila.

Depois de dois meses eu já estava até me conformando, mas foi aí que algo mágico aconteceu.

Capítulo 8 · O Busão

O tempo foi passando e o meu amor por Caroline ... não. Maldita mina dos cabelos verdes. Será que foi feitiço? Putz grila.

Depois de dois meses eu já estava até me conformando, mas foi aí que algo mágico aconteceu.

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Eu estava tentando dar uma ajeitada na zona que estava o meu quarto. Meu, vocês não têm noção da bagunça que estava aquilo. Achei até uma camisinha usada debaixo da minha cama. Não sei dizer o que é pior, a bagunça ou não conseguir me lembrar quem foi que eu comi. Além da camisinha achei uma cueca azul que eu não via há anos, achei restos de comida e outras coisas que eu nem quero imaginar o que sejam. Fala sério, as baratas devem amar o meu quarto.

Mas quando decidi arrumar as gavetas aconteceu uma coisa que deveria entrar para a história. Não, isso é pouco, deveria ser decretado feriado nacional. Eu achei dinheiro!!!!!!!! Isso mesmo! Money! Bufunfa! Cascaio! Dindim! Acreditem se quiser, achei 500 reais dentro de uma caixa de sapato. Porra, fala sério, é motivo pra comemoração ou não é? Isso nunca me aconteceu antes e aposto que jamais virá a se repetir. Mas de onde saiu a grana? Depois eu acabei me lembrando, foi quando eu estava juntando pra comprar um PlayStation 2. Só não sei como eu consegui esquecer 500 paus dando sopa.

É claro que a primeira atitude foi meter a grana na carteira e sair pra gastar. Não vai dar pra comprar o PlayStation 2 que eu queria, mas foda-se. Cascaio!!!!!!!

Peguei o primeiro ônibus para o centro da cidade. O busão estava vazio. Paguei, passei pela catraca e fui sentar lá no fundão. Eu estava tão contente. Era a primeira vez que eu me sentia assim desde a morte da Carolina.

Primeira parada do busão e começou entrou uma galera enorme. A porra do busão ia lotar, com certeza. Logo bati os olhos em duas universitárias maravilhosas, ambas vestidinhas de branco. Putz grila, duas futuras doutoras! Sexy, muito sexy. Vamos ver, a sorte parece estar sorrindo novamente para mim, quem sabe elas não sentam bem do meu ladinho, né? Conversa vai, conversa vem, terminamos fazendo um ménage à trois bem gostoso.

Pois é, mas enquanto eu sonhava com o meu Cine Privé a realidade batia na minha cara com um taco de baseball. Uma velha gorda sentou-se bem do meu lado, praticamente esmagando minha perna esquerda.

— Puta que pariu, dona! — saiu sem querer, mas já era tarde. Todo mundo no busão olhou pra trás. Até as universitárias.

— Desculpa, moço — disse a velha — , eu pedi pra você me dar licença, mas você nem me deu atenção.

Claro que não dei atenção, eu estava imaginando os peitinhos das futuras doutoras.

Puta merda, olha só as pernas da velha, parecem sacos de batatas. As varizes da mulher quase me deram boa tarde, pareciam anacondas.

O busão começou a andar novamente e a velha meteu a mão numa sacola. Puta merda, só falta a mulher ser uma terrorista suicida. Aí ela tira um monte de dinamite e manda todo mundo para a casa do caralho. Com a sorte que eu tenho não dá pra duvidar de nada.

— Servido? — disse a velha para mim, quase esfregando um sanduíche de carne na minha cara.

Meu, o cheiro do bagulho estava tão ruim que quase vomitei.

— Não, obrigado.

A velha deu duas mordidas no sanduba e virou a cara pra mim, havia pedaços de carne em sua boca desdentada quando ela me disse isso:

— Tô no batente desde cedo, moço, só agora pude parar pro meu armoço.

Olhei pra velha e não disse nada, só abanei com a cabeça e fiz cara de paisagem.

— Não estou atrapalhando o moço, estou? — prosseguiu ela, após outra mordida feroz no sanduba nojento. A velha possuía poucos dentes, mas mordia o sanduba como uma leoa morde uma zebra abatida.

— Não, senhora.

A vontade que eu tinha era de pegar aquela porra de sanduíche e enfiar pela goela da velha, mas como eu sou um rapaz educado eu fiquei na minha. Enquanto isso as duas futuras doutoras gostosas estavam quatro fileiras à minha frente. Iam conversando felizes, provavelmente comentando sobre a aula que tiveram e já fazendo planos para o final de semana na casa de uma amiga no litoral. Puta merda, eu daria tudo pra estar ali sentadinho entre elas.

— Ai, moço, perdão!!! 

Quando ouvi isso tomei um puta susto. Olhei para os lados e não entendi porque a velha me pedia desculpas. O que esta gorda dos infernos me fez? Foi quando senti a mão da velha roçando pressionando o meu bilau.

— Opa, dona, espera aí!

Olhei pra baixo e finalmente compreendi tudo. A filha da puta havia derrubado molho na minha calça!!! Puta merda, estava uma meleca só!!!

— Deixa que eu limpo, eu limpo! — repetia a velha, enquanto passava a mão sobre a minha calça.

E acreditem se quiser, senti um pequeno ... movimento. De quem? Porra, galera, vocês sabem muito bem de quem! Nando Júnior!

A velha olhou pra mim com uma cara meio sem graça. Depois deu um sorrisinho ridículo com aquela boca toda desdentada.

— Está olhando o que, tia? — falei. — Foi apenas uma reação. Acontece.

E se Nando Júnior possuísse dentes eu aposto que teria arrancado a mão da velha filha da puta. Meu, eu estava sentindo tanto ódio. Ali estava eu, praticamente esmagado por uma velha cheia de varizes, com a calça suja de molho .... e pinto duro. Ninguém merece. Será que posso pedir ajuda para as universitárias?

Puta merda, esta viagem não termina nunca? Sempre foi tão rapidinho chegar ao centro. Vapt-vupt. Mas hoje não, acho que peguei o busão que vai direto para o inferno.

— Servido? — disse a velha, agora me oferecendo suco no copo mais sujo que eu já vi na minha vida.

Não disse nada, apenas mexi a cabeça negativamente.

— Suco de beterraba. — disse a velha, cuspindo na minha cara. — Gostoso, faz bem pra saúde, experimenta!

Juro que pensei em me levantar, mas era praticamente impossível, o busão estava tão lotado que eu nem conseguia enxergar as universitárias gostosas. Talvez elas nem estivessem mais no busão.

O tempo é relativo, foi exatamente nesta viagem que eu aprendi isso. Era impressionante como uma simples corrida de 20 minutos poderia se transformar em horas infernais.

A velha terminou o suco de beterraba sem derrubar em mim, já era alguma coisa a se comemorar. Se bem que a mancha de molho não me dava motivo algum para comemoração. Quando eu saísse do busão seria a maior pagação de mico, eu já ia imaginando as cenas.

De repente o busão parou e uma pequena porção de gente desceu, entre estas pessoas estavam as duas universitárias gostosas. Meu, fala sério, nunca vi duas gatas daquelas andando de busão. Uma era loirinha, parecia a Ellen Roche, pelo menos o nariz era igualzinho. A outra era uma morena lindíssima também, coxas grossas, muito parecida com uma das Mallandrinhas, só não sei o nome.

Quase estiquei minhas mãos para tocar seus cabelos quando passaram bem na minha frente. Por incrível que pareça eu acho que a loira teve a capacidade de ler meus pensamentos, ela deu uma passada de mão nos seus cabelos longos e olhou para mim. Um sorriso! Não acredito, a loira olhou pra mim e sorriu!

— Quer um pedaço?

Claro que quero!!! Não só pedaço, quero você todinha, doutora loira dos meus sonhos mais íntimos!!! Quero você peladinha só pra mim e ...

De repente senti um cheiro de banana nanica.

— Moço, quer um pedaço? — era a maldita velha dos infernos.

E a loira se foi, bem como sua amiguinha morena. O busão partiu e fiquei com a velha comendo banana do meu lado.

Olhei pra velha com olhos satânicos, aposto que com este olhar ela vai se levantar e sumir pra bem longe de mim. Mas não sumiu. Mordeu a banana e olhou pra mim, dizendo:

— Bonono ... foz bom prã saúde.

Sua boca estava tão cheia de banana que a frase saiu exatamente daquela forma.

De repente o motorista deu uma freada brusca e a velha engasgou com aquele monte de banana em sua boca. Foram necessárias três pessoas para ajudar a gorda do caralho. Eu estava entre elas, é claro. Posso ser ruim, mas nem tanto. Por um instante revivi aquele lance da Lu. Parecia replay. Foi um sofrimento pra conseguir desentalar a velha, mas conseguimos. Só teve um probleminha, a filha da puta vomitou as bananas nanicas, o suco de beterraba e o sanduíche de carne. Preciso dizer em quem?

Pois é, eu pensando que meu dia ia terminar num motel com duas universitárias ... e na verdade termino todo vomitado por uma velha gorda dos infernos. Fiquei com um cheiro tão insuportável que todo mundo pulou para a parte da frente do busão. Fiquei isolado na parte de trás.

Dizem que tudo na vida você precisa achar um lado positivo, certo? Bom, vamos ver ... Não, não há lado positivo algum nisso aqui, porra!!!!!!!!!!!!!! Quem inventou esta história de lado positivo deve ser uma bichona do caralho!!!!!!!!!! Lado positivo o escambau!!!!!!!!!! Estou todo vomitado, há pedaços de banana nanica por toda a minha camisa e uma bicha dos infernos vem me dizer que preciso achar lado positivo???? Ah, fala sério!!!!!!!!!!! Lado positivo tem o cu da mãe desta bicha que inventou este negócio de achar lado positivo nas coisas.

Desci do ônibus e nem preciso dizer que a reação das pessoas foi a mais bizarra possível, né? Não tinha uma alma viva que não olhasse pra mim. Algumas com cara de nojo, outras com cara de total espanto, outras riam feito hienas fazendo sexo anal e outras pensavam que era alguma pegadinha do João Kleber. Estas ficavam procurando as câmeras. Só sei que todo mundo parou pra me olhar. Senti-me como uma estrela do rock descendo do avião. A diferença é que não havia milhares de fãs gritando o meu nome.

Eu não sabia onde enfiar a cara. Eu não sabia o que me deixava mais vermelho, a vergonha ou o suco de beterraba que a velha vomitara em mim. Todos que passavam do meu lado se afastavam, o cheiro era insuportável.

Foi então que lembrei do meu celular. Eu tinha que ligar para alguém vir me buscar, não havia a menor condição de permanecer daquele jeito em pleno centro da cidade.

Lasquei a mão no bolso da calça e peguei o maldito celular. O coitado estava mais sujo que pau de galinheiro. Nojento, fedido, e o pior de tudo ... mortinho da silva. Putz!!!

Se eu já estava em pânico ... imaginem agora.

Olhei para os lados e vi um boteco de quinta categoria. Bar do 1000ton era o nome do bagulho. Eu precisava desesperadamente de um lugar para me esconder ou procurar um telefone. Nada melhor do que um lugar que já esteja sujo e que as pessoas já estejam acostumadas com mau cheiro. Nem pensei duas vezes, corri pra lá.

Entrei no boteco e não tinha uma alma viva no lugar. Nem cliente nem funcionários. Ufa, já é alguma coisa. Entrei de fininho e encostei no balcão. Ninguém. Fui entrando cada vez mais, procurando por um banheiro. Foi quando dei de cara com uma mocinha segurando um rodo e um balde cheio de água suja. 

— Nando, é você? — gritou a mocinha, derrubando o rodo e o balde.

A mocinha tinha os cabelos verdes como a camiseta do palmeiras. Sim, era ela, a minha amada Caroline.

Capítulo 9 · O Fogo da Paixão

Entrei no boteco e não tinha uma alma viva no lugar. Nem cliente nem funcionários. Ufa, já é alguma coisa. Entrei de fininho e encostei no balcão. Ninguém. Fui entrando cada vez mais, procurando por um banheiro. Foi quando dei de cara com uma mocinha segurando um rodo e um balde cheio de água suja. 

— Nando, é você? — gritou a mocinha, derrubando o rodo e o balde.

A mocinha tinha os cabelos verdes como a camiseta do palmeiras. Sim, era ela, a minha amada Caroline.

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Se isso aqui fosse novela ou Hollywood nós teríamos nos abraçado apaixonadamente e depois nos beijaríamos feito dois pombinhos ensaboados numa noite de verão. Mas isso aqui é a vida ... então:

— Credo, como você está fedido! — disse ela, levando a mão ao nariz.

— Olha só quem fala! E você estava limpando privada. Estamos pau a pau.

Ela deu um sorrisinho maroto e me deu um puta beliscão no braço.

— Bobo! — disse ela. — Eu só estava limpando o chão. Não limpo privada. — aí ela deu uma olhada em mim de cabo a rabo. — Mas que diabos aconteceu com você?

— Vomitaram em mim, acredita?

— Acredito, você está horrível.

— Não precisa humilhar, né?

Aí ela caiu na gargalhada. Parecia uma hiena com sarampo. Eu acabei rindo também. Já estou fodido mesmo, né? O jeito é rir da minha desgraça.

De repente alguém entrou no bar. Um moleque com a camiseta da Torcida Independente, do São Paulo. Caroline sorriu pra ele e disse:

— Janjão, toma conta do bar um pouquinho, preciso resolver um negócio.

— Mas aonde você vai? — disse o moleque, mal humorado. — Se o Milton chegar eu falo o quê?

— Ele vai demorar pra chegar, não se preocupe.

Caroline pegou na minha mão e me puxou para os fundos do bar. Passamos por um corredor imundo e depois por um quintal cheio de engradados de cerveja e outras tranqueiras. Paramos diante de uma portinha pintada de azul.

— Senti tanta saudade de você, Nando — ela disse olhando nos meus olhos. Senti até um arrepio.

— Eu também. Muita.

Acreditem se quiser, ela me beijou. Eu todo nojento, fedido, cheio de pedaços de banana nanica pela roupa e grudados nos meus cabelos ... eca!!! Mesmo assim ela me lascou um beijão de língua. Agora sim, beijão de novela.

Depois do beijo ela sorriu pra mim e abriu a portinha azul, empurrando-a delicadamente com suas mãos.

— Que lugar é este? — perguntei.

— Entra, rápido! Tem um chuveiro pra você poder se lavar.

Chuveiro? Uhuuuuu! Nem acredito, era tudo o que eu precisava. Só de ouvir a palavra chuveiro quase gozei na cueca. Segurei o rosto de Caroline com delicadeza e lhe beijei a testa.

— Mas fala sério — disse ela, torcendo o nariz. — , isso aqui no seu cabelo é banana?

Fiz que sim com a cabeça, e completei:

— Nanica.

Entramos no casebre. O lugar estava escuro e cheirava mijo de cachorro. Caroline acendeu a luz e depois fechou a porta.

— O banheiro fica logo ali à direita — disse ela, apontando para o local.

Havia um monte de entulho pelo chão. Vi uns dois ratos perambulando o lugar. Não foi nada fácil chegar até o banheiro. Antes de entrar eu olhei para trás e vi Caroline procurando um lugar pra sentar. Acho que ela não tinha visto os ratos, caso contrário teria vindo junto comigo, aposto que sim.

— Psiu! — chamei-lhe a atenção. Ela olhou pra mim.

— O que foi?

— Muito obrigado, viu? Fico lhe devendo esta.

— Fica. Mas você estava fedido demais, não tive escolha. — depois ela caiu na gargalhada. — Bobo, estou brincando com você, oh! Agora anda rápido, se o Milton chegar e não me encontrar lá no balcão ... putz!!! Só o pó meu.

O banheiro não tinha porta, mas foda-se. Eu só tive olhos para o chuveiro. Tirei minhas roupas meladas e nojentas e fiz uma bola. A água do chuveiro saiu gelada pra caralho, mas não teve a menor importância, eu precisava de água, urgente!

Havia um pequeno teco de sabonete na pia. Não pensei duas vezes, peguei e usei para me lavar e depois lavar minhas roupas.

— Como está a água?

Era Caroline. Eu nem tinha percebido ela entrar no banheiro. Continuei esfregando o teco de sabonete na minha camisa e respondi:

— Está super gelada.

Caroline tirou a sua blusa num movimento rápido. Ela não estava usando sutiã, seus seios ficaram nus e os bicos apontavam na minha direção. Delícia! Ela sorriu e disse:

— Tem lugar pra mim aí?

Oooooooooooooooooooooooopa!!!! Meu, mas é claro!!!! Será que me dei bem?

Caroline desceu a saia, deu uma rebolada e depois arrancou a calcinha lentamente. Fez de propósito, só pra me provocar. Adoro isso.

Uhuuuuuu!!! Sim, acho que me dei bem!!! Será que estou sonhando? Aposto que é sonho, querem ver? Assim que ela entrar debaixo do chuveiro comigo tudo isso vai acabar. Não tenho a menor dúvida. E a gorda das bananas foi pesadelo. Escreva o que estou lhe dizendo.

— Ai que gelo!!!! — disse Caroline ao entrar em contato com a água.

Agarrei Caroline pela cintura e desci minhas mãos até sua bunda. Apertei com vontade. Agora o sonho acaba. Querem ver? Como diria o Seu Creyçon: eu agarântiu que agora acabia!

Mas não acabou.

Não era sonho.

Estava acontecendo mesmo!

Entrou pra galera das minhas melhores transas, sem dúvida. Foi com vontade, com paixão, animal, selvagem ... foi coisa de louco!!! Caroline queria fazer sem camisinha, mas eu pensei bem e achei melhor não. Por mais que eu estivesse a fim eu resisti à tentação. Saí rapidinho do chuveiro e peguei uma na minha carteira. Não sei dizer o que me excitava mais, não sei se era o fato de estarmos distantes este tempo todo, não sei se era pelo fato de podermos ser flagrados a qualquer momento, não sei explicar, só sei que o bicho pegou e parecíamos um casal bem apaixonado. Fizemos tudo debaixo do chuveiro. Foi uma delícia. Nossos corpos ficaram tão quentes que a água gelada não foi empecilho. Gostaram dessa, hein! Hehehe .... Mas falando sério, foi bom. Bom? Não, foi ótimo.

— Eu já tinha até me esquecido de como sexo é gostoso — disse ela, deixando a água do chuveiro cair sobre o seu rosto.

— Gostoso demais.

Caroline fechou o chuveiro depressa e fez sinal pra eu fazer silêncio. Ficamos quietos e logo eu entendi o motivo de tudo aquilo. Havia vozes do lado de fora da casa.

— Onde foi que ela se meteu? — repetia uma das vozes. Era uma voz masculina e demonstrava estar muito irritado.

Caroline pegou suas roupas e começou a vesti-las numa velocidade espantosa.

— Rápido, precisamos sair daqui! — sussurrou ela.

Peguei minhas roupas e as torci com toda a força que me restava. É claro que não consegui enxugá-las o suficiente, mas não tive outra escolha. Vesti as roupas úmidas mesmo e saímos do banheiro sorrateiramente. Não ouvimos mais vozes do lado de fora. Bom sinal. 

Antes de sairmos da casa Caroline olhou pelo buraco da fechadura.

— A barra está limpa. — disse ela, segurando minha mão com força. — Vamos!

Abri a porta azul e saímos juntos. Caroline estava um pouco nervosa.

— O Milton chegou mais cedo do que eu imaginava — disse ela. Depois enfiou a mão no bolso, tirou uma chave e colocou na minha mão. — O meu carro está parado logo ali na esquina. Você lembra dele, né?

— Claro, o Fuscão vermelho. Mas por que você está me dando a chave do seu carro?

— Nando, o Milton não pode ver você aqui comigo, você vai ter que pular o muro. Meu carro está logo ali na frente. Entra lá e me espera.

Ela falava cada vez mais depressa e nervosa. Comecei a ficar preocupado.

— Calma, meu anjo, mas tudo isso é medo do tal de Milton?

— Sim.

— Mas ele é apenas seu patrão. O máximo que poderá fazer é lhe despedir. E convenhamos, isso aqui não é trabalho pra você. A mãe do Pezão está precisando de uma secretária e ...

— Nando, o Milton não é só o meu patrão.

— Como assim?

— Ele é meu ... noivo.

— Noivo?

De repente um grito raivoso, porém distante. Era ele, Milton, bufando.

— Sua biscate filha da puta!!!

Meu, gelei dos pés a cabeça. Vocês não fazem idéia do tamanho do cara. Conhecem o Maguila? Então, igualzinho. Se o cara não é irmão gêmeo ... é clone. Até a voz e o sotaque são iguais.

Caroline ficou branca também. Agarrou minha mão e me puxou com força.

— Vem, corre!!! — gritou ela.

E saímos em disparada, desesperados.

— Mas pra onde você está me levando? — perguntei. — Não tem por onde fugirmos!

Milton veio louco atrás de nós, gritando todos os palavrões do nosso dicionário. E outros que eu nem conhecia.

— Aquele muro ali é baixinho, a gente consegue pular — disse Caroline.

Eu sempre reclamo do meu azar, não reclamo? Sempre digo que Murphy pega no meu pé que nem chulé, não digo? Então, mas desta vez finalmente eu dei sorte. Havia um pequeno amontoado de tijolos encostados no muro, e isso nos facilitou a fuga. Do outro lado do muro a altura também não era assim tão avantajada. E pra ser sincero, mesmo que fosse eu teria pulado sem pensar duas vezes. Vocês não viram o tamanho do Milton. E também não viram a expressão de ódio na sua cara feia. Corno é um perigo!!!

O Fuscão vermelho de Caroline estava logo ali pertinho. Outro fator de sorte. Devido o tamanho avantajado de Milton ele teve mais dificuldade em pular o muro. Quando conseguiu nós já havíamos partido. Caroline saiu queimando os seus pneus carecas. Parecia até o Pezão dirigindo. 

Ufa! Nasci outra vez. Não sou ruim de briga, vocês sabem disso, mas eu não teria a menor chance de escapar. Teria sido um massacre. Pensem bem, além do cara ser uma jamanta ... eu acabei de comer a noiva dele! Putz! Nando dando uma de Ricardão. Por esta nem eu esperava.

— Noiva? Caroline ... você ... Noiva? Noiva? — admito, eu estava um pouco histérico, além de tremer muito.

— Pois é, né? — ela nem olhou pra mim, seguiu dirigindo.

— Há quanto tempo?

— Desde a semana passada. Ou não. Eu não consigo me lembrar, você acredita?

Caroline passou por um sinal vermelho. Por muito pouco não fomos atingidos por um caminhão de refrigerantes. Não vou dizer a marca pra não fazer merchan.

— Quer que eu dirija? — perguntei.

— Não, estou bem.

— Bem? Quase fomos esmagados por um caminhão.

— Não exagera.

— Meu, você está calma demais, como consegue?

— Hoje é o melhor dia da minha vida!

— O quê?

— Você me salvou, Nando.

— Não estou entendendo.

— Claro que está. Você é o meu anjo da guarda. Caiu dos céus naquele bar imundo. Quando eu vi você pensei que estava sonhando.

— Eu também pensei. Jamais imaginei que fosse encontrar você naquele boteco fedido.

— Na verdade quando eu te vi não pensei que estava sonhando. Acho que foi justamente o contrário. Quando eu te vi eu finalmente acordei pro mundo. Meu, como eu pude ser tão cega e imbecil? Cara, eu ia me casar com alguém que eu nem sei o sobrenome? Como pode isso?

— Fala sério, hein! Você tinha comido cocô?

— Tudo culpa do meu pai. Ele que arranjou tudo. Eu estava tão triste e desapontada com tudo ... deixei me levar. E quase fiz a maior burrada da minha vida.

— A morte da sua irmã mexeu demais com você, né?

— Você nem faz idéia. Fiquei totalmente perdida. Acho que enlouqueci de vez.

E ficamos em silêncio por alguns instantes. Eu não sabia o que dizer. Até que ela recomeçou:

— Meu, estou me sentindo tão bem! Imagine uma pessoa que perde a visão por algum tempo e de repente começa a enxergar novamente. É exatamente assim que estou me sentindo.

— Que bom, fico muito feliz.

Caroline encostou o carro num movimento brusco no volante. Tirou o cinto de segurança e veio pra cima de mim como uma tigresa no cio. Acho que nos beijamos por mais de dez minutos. Foi o beijo mais longo e mais gostoso de toda a minha vida.

O mais curioso aconteceu após o beijo. Caroline não disse nada, abriu o porta-luvas, pegou um caderninho e uma caneta e começou a escrever.

— O que foi? — perguntei, curioso.

— A partir de hoje vou viver minha vida intensamente.

— Legal. Mas o que isso tem a ver com o caderno?

— Simples. Vou fazer uma lista das coisas que eu sempre quis fazer e nunca tive coragem ou oportunidade. Depois vou executar item por item. Vou fazer tudo o que eu sempre tive vontade, nem que eu morra fazendo.

— Tipo ... ?

— Número um: transar no meio da estrada.

— Opa! Comigo?

— É claro. Se você topar.

— Tô dentro! Qual o próximo item da lista?

— Número dois: fazer uma tatuagem.

— Ah, legal também, mas prefiro a número um. Qual é a próxima?

— Acelerar o máximo que eu puder!!!!!!!!!!!!!!!!

— Como assim?

— Olha no retrovisor que você vai entender.

Nem tive tempo. Caroline saiu queimando os pneus.

— O que aconteceu? — perguntei.

— Está vendo aquele Fiat 147 preto vindo lá atrás?

Olhei com calma e o localizei. Vinha a toda velocidade. Quero dizer, tentava vir a toda velocidade, né? Afinal de contas é um Fiat 147.

— Sim, estou vendo.

— É o Milton!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

— Santa pixirica.

Capítulo 10 · Acaba Bem. Mas pra Quem?

— O que aconteceu? — perguntei.

— Está vendo aquele Fiat 147 preto vindo lá atrás?

Olhei com calma e o localizei. Vinha a toda velocidade. Quero dizer, tentava vir a toda velocidade, né? Afinal de contas é um Fiat 147.

— Sim, estou vendo.

— É o Milton!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

— Santa pixirica.

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— Não acredito! — disse Caroline, apavorada. — Justo no dia em que resolvo curtir a vida eu vou morrer.

— Vira esta boca pra lá, mina!

— Você não conhece o Milton.

— Pelo que eu sei ... você também não.

Ela ficou quieta. Olhei novamente pelo retrovisor e o Fiat 147 continuava nos perseguindo. Maldito Fusca lerdo dos infernos!!! Anda, porra!!!

— Sei que não é o melhor momento — eu disse, com um olho na Caroline e outro no retrovisor. — , mas me diz uma coisa ... Você e o irmão gêmeo do Maguila chegaram a ... ?

— Trepar?

— Isso.

Caroline deu uma puta pisada no freio. Se eu não estivesse usando cinto teria voado pela janela.

— Caraaaaaaaaaalho!!! — falei, meio zonzo. — O que aconteceu?

Caroline estava mais vermelha que um pimentão. Bufava feito um touro enlouquecido. Seu corpo tremia todinho.

— Uma besta entrou na minha frente — e Caroline apontou para um vulto atravessando a rua.

Meu, não acredito no que meus olhos estão vendo. Vamos ver se vocês adivinham quem a Caroline quase atropelou. Ele está vindo pra cá. Putz!!! Fodeu, acho que ele me viu.

— Eu nunca tinha visto uma joaninha tão grande assim, meu camaradinha!

Ele mesmo ... Pigmeu. Caroline ficou uma fera com o maluco. Será que ele vai apanhar de mulher outra vez ? Fala sério, coitado do maluco.

— Você não olha por onde anda, sua besta?

Olhei para trás e vi o Fiat 147 parado alguns metros atrás de nós. De repente Milton pulou fora do carro. Meu, o que é aquilo na mão direita dele?

— O Milton está armado!!!!!!!!!!! — gritei, desesperado. Melhor dizendo, com um puta cagaço.

Antes que Caroline pudesse dizer alguma coisa ouvimos o primeiro disparo. Pa!!! A bala passou raspando a orelha do Pigmeu. Acho que o maluco nem percebeu.

Antes que Milton chegasse a disparar novamente nós abrimos a porta do Fusca e puxamos o Pigmeu pra dentro. Saímos zunindo dali. O maluco capotou no banco de trás feito um saco de batatas.

— Agora pisa fundo!!! — gritei para Caroline.

— Meu, sinistro o bagulho!!! — disse Pigmeu, examinando o Fusca com olhos curiosos. Olhava tudo com espanto. Provavelmente deve estar pensando que está no interior de uma joaninha gigantesca ... ou sei lá!!! Cabeça de maluco é foda.

Outro tiro. Pa!!! Agora a bala acertou um pedaço da traseira do Fusca. O som foi aterrorizante, pensei que tinha chegado a minha hora.

— Abaixa aí, Pigmeu! — gritei pro maluco.

— O que foi, camaradinha? Relaaaaaaaaaxa.

Outro tiro. Pa!!! Mas este não acertou em lugar algum. Bom, aparentemente não. Só falta eu abrir o jornal de amanhã e dar de cara com o título: "Bala perdida mata cinco e fere outros dois".

— Relaxar o escambau!!! — gritou Caroline, fula da vida. — Você não está vendo que estão atirando na gente? Você quase levou um pipoco na orelha, seu idiota!

— Tiro? Ra ta ta tá?

Olhei para o maluco e fiz que sim com a cabeça. Ele ficou me olhando com aqueles olhos vermelhos e sem expressão. Depois de uma longa pausa ele disse:

— Vocês roubaram o bagulho de alguém?

— Não, Pigmeu.

— Então relaxa, camaradinha, estão atirando em mim então.

Antes que eu pudesse evitar ... o Pigmeu deu um tapão na cabeça da Caroline. Nem preciso dizer que ela ficou puta da vida, né?

— O que foi isso, meu???? — aí ela olhou pra mim, vermelha de raiva. — Seu amigo aí não tem noção do perigo, Nando. Se ele fizer isso outra vez eu acabo com a vida dele. Aí ele vai fumar um baseado lá na puta que o pariu!!!

Olhei para trás e fiz cara feia para o maluco. Ele nem me deu bola, apenas disse:

— Já te contei que odeio joaninhas? Tinha uma enorme na cabeça da tua mãe.

Na hora olhei para Caroline, ela ficou vermelhinha de raiva. É hoje que o maluco apanha outra vez.

— Mãe o escambau!!!! — gritou Caroline, quase largando as mãos do volante.

A Caroline que me perdoe, mas eu caí na gargalhada. Até esqueci que tinha alguém atirando em nós. Ri tanto que parecia uma hiena passando fio dental. Caroline mostrou aquele famoso dedo para mim ... e pelo retrovisor mostrou para o Pigmeu também. O maluco nem percebeu, estava olhando concentradíssimo para o teto do Fusca. Provavelmente observando uma borboleta.

— Está vendo o Milton? — perguntou Caroline.

— Não — respondi, aliviado. — Acho que escapamos.

— Ontem me aconteceu um bagulho irado, Nando. — disse o maluco. Lá vem merda. — Quase fui atropelado por uma joaninha gigante.

— Se liga, Pigmeu, não foi ontem. E não era uma joaninha gigante, era o Fusca.

Viajei agora. Explicar alguma coisa para o Pigmeu é a mesma coisa que tentar explicar física quântica para um bebê de oito meses. E pior, um bebê emaconhado.

— Eu deveria ter atropelado mesmo! — disse Caroline, irritadíssima. — Se eu tivesse atropelado não teria levado aquele tapa na cabeça. Meu, está doendo!!!

— Tadiiiinha! — e fiz carinho na cabeça dela.

Agora foi minha vez de levar um puta tapão na cabeça. Maldito Pigmeu do caralho.

— Você viu o tamanho da borboleta, camaradinha? Ela estava ali quietinha e de repente deu um rasante bem na tua cabeça.

Filho da mãe!!! Começo a concordar com a Caroline. Deveria ter atropelado mesmo. Maldito tapa que dói, porra!!! Ele pega a gente despreparado. Meu, se a gente parar pra analisar ... o Pigmeu foi o inventor do "Pedalada, Robinho" ... hahaha. Pedalada, joaninha!

Quando percebi já estávamos deixando a cidade. E nada de Milton. Ufa! Bom, o carro do cara era um Fiat 147, né? Pior ... só se ele estivesse de velotrol.

— Pra onde estamos indo? — perguntei, só por mera curiosidade.

— Sei lá, só sei que pra casa eu não quero ir agora.

E Caroline pegou a estrada. Pra onde a gente ia eu nem me preocupei naquele momento. Era muita coisa pra assimilar. Eu ainda estava com a imagem da bala zunindo a orelha do Pigmeu. Falando nele, olhei para trás e o coitado estava roncando, esparramado pelo banco do Fusca. Parecia um gnomo bêbado. Porra, já imaginaram se a bala acerta o maluco bem na nossa frente? Ia voar pedacinho de Pigmeu por todos os lados, inclusive dentro do Fusca. Pra limpar ia ser uma maravilha. Bom, pra quem já recebeu uma vomitada depois do almoço ... levar um banho de restos mortais nem seria tão anormal assim.

Alguns minutos depois Caroline começou a puxar conversa. Aparentemente estava mais calma.

— Seu amigo aí é meio lelé da cuca, hein!

— Você ainda não viu nada. O Pigmeu é o maior figura que eu já conheci.

— O tapa que ele me deu está doendo até agora — e passou a mão na cabeça. — Fala sério!

— Isso é que é foda nele, mas fora isso o coitado é inofensivo.

— Deve fumar e cheirar todas.

— Com certeza. Ele precisa parar com isso, o maluco agora é papai.

— Não acredito — e Caroline começou a rir. Finalmente um sorriso! Ela tem uma boca tão gostosa.

— Ele é o pai do Rodligo.

— Como? — ela me olhou espantada.

— Rodligo é o nome do guri.

— Rodligo? Não seria Rodrigo?

— É uma lonnnnnnnnga história.

Estávamos no meio da estrada e a noite começava a cair quando o Fusca ficou sem combustível. Putz! Era só o que faltava. Caroline foi parando lentamente a bagaça no acostamento. Senti-me como o Rubinho. Pelo menos na cor a Ferrari e o Fusca da Caroline são parecidos.

— Fodeu — falei, desapontado.

— Só espero que o Milton não tenha seguido a gente.

— Putz!!! Eu tinha até me esquecido dele.

Comecei a ficar preocupado. Caroline tinha razão. E se o cara ainda estiver atrás de nós? Nada pra mim é assim tão fácil, né? Vocês sabem muito bem disso. Meu, estou muito jovem pra morrer ... não é justo!!!

De repente Pigmeu começou a gritar feito um louco:

— Não, Praga!!! Fala pra ele, Xuxa!!! Não enfia isso no meu cu, Praga!!! Praga, não!!!

Eu, hein!!! O Pigmeu tem pesadelos com a Xuxa e o Praga? Faltou o Dengue e as Paquitas, né? Hahaha ... Se o Pigmeu já viaja acordado, imagine sonhando. Ninguém merece.

Dei um tapão no maluco e ele acordou. Estava molhado de suor.

— Acorda aí, Pigmeu! É só pesadelo, mano. Não tem nenhum Praga.

— O que aconteceu, camaradinha?

— Estavam tentando enfiar alguma coisa na sua bunda.

Pigmeu arregalou seus olhos vermelhos.

— A Xuxa é sinistra, camaradinha. Quando eu era pequeno fui no programa dela e o Praga roubou o meu sanduíche de mortadela. Corri atrás dele. Sorte dele que eu não alcancei. Eu ia enfiar a mortadela no cu dele. Odeio joaninhas, camaradinha, odeio!!!

Meu, será que acabamos de descobrir a origem das joaninhas na vida do Pigmeu? Hahaha ... Putz! Deira pra lá.

Celular tocando. Bom, o meu é que não é.

— E agora? — disse Caroline, espantada. — Deve ser o Milton.

Ela abriu sua bolsa e pegou o celular. Suas mãos tremiam.

— Sua mãe é gostosa, amigo — disse Pigmeu.

Caroline apertou o celular com força e por pouco não jogou na cabeça do Pigmeu.

— Eu já disse que não sou mãe de ninguém, caramba!!!

E atendeu o celular:

— Alô. Mãe? Calma, mãe! Sim, estou bem ... estou bem!

— Nando — disse Pigmeu. Olhei para trás e ele estava apontando para a cabeça de Caroline. Putz, outra vez não!!!!! A Caroline vai espancar o maluco.

— Fica na tua, Pigmeu — vi ele levantando a mão direita para o tapão. — Nem se atreva!!! Fica na tua, véio! Ela te mata!

Caroline nem percebeu meus gestos para o Pigmeu; continuou conversando com a mãe pelo celular:

— O quê? Enforcado? A senhora tem certeza? Enforcado? Então ele morreu?

Quem morreu?

Caroline fez uma cara de espanto como eu nunca tinha visto. Depois deu um sorriso pra mim, e disse:

— O Milton está morto. Depois de atirar na gente ele voltou para o bar. Quando a polícia chegou ele se suicidou. Amarrou uma corda no pescoço e ... sploft!

— Sploft?

— Sploft! Morreu. Agora fica quieto! Minha mãe não pode saber que você está aqui comigo. Se ela descobrir ... aí eu serei a próxima a fazer sploft. — Caroline pegou novamente o celular e retomou a conversa: — Mãe, fica calma, eu juro que estou bem. Avisa a polícia que eu não estou desaparecida. Eu estou na casa de uma amiga. Não, a senhora não a conhece! Calma, mãe! Amanhã cedinho eu vou voltar pra casa, não se preocupe. Eu estou bem, nunca estive tão bem em toda a minha vida! Eu sei que o Milton era meu noivo, mãe! Mãe, mãe, escuta com atenção, eu não gostava dele! Eu sei que não é motivo pra eu ficar contente com a morte dele, mãe! Eu sei, mãe! Calma, mãe, eu não vou morrer solteirona, mãe! Mãe, calma! Volto pra casa amanhã, OK? Beijão. Tchau.

E Caroline desligou o telefone.

— Puta merda! — disse ela, jogando o celular dentro da bolsa. — Minha mãe me deixa maluca. Ela queria o casamento de qualquer jeito. Eu, hein!

— Será que a sua mãe não quer namorar comigo, Nando? Ela é bem ...

Antes que Pigmeu pudesse terminar a frase Caroline pegou sua bolsa e deu-lhe uma bordoada que doeu até a alma. Ela deu com tanta força que pensei que ia arrancar a cabeça do maluco fora. Juro pra vocês, se Caroline tivesse uma arma dentro da bolsa teria metido todas as balas na testa do maluco. Ela ficou muito irritada. Após a bolsada no Pigmeu ela abriu a porta do Fusca e saiu batendo os pés na estrada. Bateu a porta do Fusca com tanta força que cheguei a pensar que o coitado desmontaria.

— Sua mãe é nervosa, camaradinha.

— Pigmeu, cala esta boca!!!

E saí do carro também. Dei a volta e fui até Caroline. Peguei nas mãos dela e lhe beijei o rosto.

— Você está bem?

— Estou. É que este maconheiro debilóide me irrita tanto!

— Eu sei, eu sei, mas esquece o Pigmeu.

Agarrei sua cinturinha e lasquei-lhe um puta beijão gostoso. Um carro passou pela estrada e começou a buzinar feito louco. Depois ouvimos alguém gritar:

— Aê, gostosa!!! Come logo, mané!!!

Mas não demos atenção, continuamos nos beijando. Estava bom demais. Após o beijo ficamos abraçados por alguns segundos ... em silêncio. Até que Caroline disse:

— Pobre Milton, acho que ele gostava mesmo de mim.

— Ah, gostava ... gostava tanto que atirou em você umas três ou quatro vezes só.

Ela começou a rir. Depois me deu um soco no braço.

— Bobo! Quem garante que ele não atirou em você? Afinal de contas quem comeu a noiva dele foi você, não eu.

— Mas foi você que deu a bundinha da noiva dele pra mim. Se analisarmos bem a culpa foi ...

E Caroline me beijou outra vez. Foi um beijo tão quente que fiquei de pau duro em poucos segundos. Ela agarrou minha bunda e depois arranhou minhas costas. Se o Pigmeu estiver assistindo isso deve estar se masturbando. Ou morrendo de nojo. O maluco acha que a Caroline é minha mãe, né? Fala sério.

O beijo terminou e Caroline deu dois passos para trás.

— Lembra do primeiro item da minha lista? — disse ela, fazendo uma puta cara de sem-vergonha.

— Ahã! — aposto que a minha cara também não foi de santo.

De repente Caroline começou a tirar a roupa. Aaaaaaaooooooo!!!

— Meu, e se passar um ônibus cheio de gente?

Ela nem se importou com o que eu disse. Continuou se despindo ... até ficar peladinha. Foda-se, estrada deserta ou não ... eu não quero nem saber. Corri até ela e a agarrei feito um animal no cio. Apertei suas coxas com tanta força que devo ter deixado muitas marcas.

— Eu quero no capô, vem! — ela sussurrou no meu ouvido.

— O Pigmeu vai ver tudo de camarote.

— Estou pouco me lixando. Vamos mostrar pra ele do que a sua mamãezinha é capaz, vem!!!

— Mamãezinha? Putz! Não fala assim que o Nando Júnior murcha!!!

— Murcha não, meu lindo! Vem!!!

Mesmo excitado pra caralho eu confesso que fiquei sem coragem de tirar a roupa ali na estrada. Meu, fala sério, isso aqui não é uma daquelas estradas desertas que a gente vê nos filmes. Esta estrada liga minha cidade com as cidades vizinhas. Pode não ser assim tão movimentada quanto uma Fernão Dias, mas também não é totalmente deserta. 

Bom, o máximo que consegui fazer foi abaixar o zíper e botar o Nando Júnior pra fora da gaiola. E foi o suficiente, né? Só lamento termos transado sem camisinha. Estávamos tão empolgados que acabamos nos esquecendo deste detalhe. Bom, agora já foi. E foi bom pra caralho!!! Durante a transa eu só me recordo de um caminhão passando a toda velocidade. Mas acho que o motorista nem reparou na gente. Acho que foi bom não ter abaixado a calça, afinal de contas um bundão branco e cabeludo deve chamar a atenção, né?

Quando terminamos estávamos exaustos. Pelo menos eu estava. E todo dolorido também. Meus joelhos doíam muito.

Caroline vestiu-se e voltamos para o Fusca. Pigmeu ficou me encarando, depois fez sinal com a mão para que eu me aproximasse dele. Depois que eu o atendi ele sussurrou no meu ouvido:

— Camaradinha, eu não queria falar, mas tinha um cara estrupando a sua mãe.

Não me controlei, comecei a rir feito uma hiena com seborréia. Não sei o que foi mais engraçado ... o "estrupando" ou a cara que o maluco fez quando me contou.

— O que este debilóide te cochichou aí? — perguntou Caroline, ajeitando o cabelo pelo espelho retrovisor.

— Deixa pra lá, Caroline, nem compensa.

— Deve ter gostado do nosso desempenho. Feio deste jeito, ele não deve pegar nem gripe.

— Pior que já vi o Pigmeu com muita mulher gostosa.

— Fala sério, hein! Só depois de muita maconha mesmo.

— Você me empresta o celular?

— Claro, mas vai ligar pra quem?

— Vou pedir pro Pezão vir pegar a gente, né?

— Mas e o meu carro?

— Fala sério, quem roubaria esta lata velha?

Putz! Eu não deveria ter dito isso. Caroline me deu uma senhora bolsada na cabeça. Doeu, viu? Doeu mais que o tapão do Pigmeu.

— Nossa, mano, sua mãe matou as cinco joaninhas iradas que estavam andando na sua testa.

Nem falo nada.

Peguei o celular da bolsa da Caroline e liguei para o filho da puta do Pezão. Será que aquela coisa ainda está viva? Bem que o Pezão poderia ter encontrado aquela bala perdida do Milton, né? Mas que acertasse no saco. Só um susto, pra ele ficar esperto.

— Fala — ele atendeu.

— Fala o caralho!!! Enfia o dedo no cu e assovia o hino da Argentina!!!

— É você, seu bosta?

— Bosta é a puta que te pariu. Escuta aí, estou precisando de um favor teu.

— Favor? Fala sério, eu lá tenho cara de quem faz favor pra alguém? Se liga.

— Porra, Pezão, quebra o galho.

— Quem quebra o galho é o maçado do Jô Soares.

— Eu estou preso aqui naquela estradinha perto da rotatória.

— Meu, sua mãe já me ligou umas duas vezes atrás de você. A velha está preocupadinha com o bebezinho dela.

— Putz!!! Meu, se ela ligar outra vez diz que eu estou bem. Diz que eu ....

E acabou o crédito da porra do celular.

— Puta merda!!! — fiquei irado, é claro. Olhei para a Caroline — Por que você não me avisou que tinha pouco crédito?

— Você não me perguntou.

Quase dei uma bolsada na Caroline, viu? Puta merda. A sorte dela é que sou um cavalheiro e não bato em mulher. Mas que deu vontade ... deu! E como deu!

— E agora, o que vamos fazer? — olhei para o Pigmeu. — Você tem celular, mano?

O maluco ficou me olhando e depois respondeu calmamente:

— Acho que tenho, espera aí — e Pigmeu enfiou a mão no bolso da calça. Depois de procurar o celular por quase dois minutos ele finalmente encontrou. — Olha ele aqui.

— Tem crédito?

Pigmeu ficou me encarando novamente. Depois disse:

— Tem o quê?

Tomei o celular da mão do maluco. O bagulho estava todo sujo e melado. Tinha um cheiro estranho pra caralho. Não consegui ligar pra ninguém, afinal de contas nem bateria tinha na porcaria. Fala sério!

Pois é, fodeu.

Foi então que surgiu a idéia de pegarmos carona. O problema é que quase não passa ninguém nesta bosta de estrada. Os únicos dois veículos que passaram nem deram bola para nós. Se um casal trepando não foi capaz de chamar a atenção ...

Tive outra idéia. Apelar para as pernas gostosas de Caroline. Mas quando revelei minha idéia quase levei outra bolsada.

— Vem vindo uma Besta! — gritou Caroline.

— O Pigmeu saiu do Fusca?

— Não — e Caroline apontou para dois faróis que se aproximavam. — , eu quis dizer aquela Besta.

Antes que eu respondesse algo Caroline saltou para fora do Fusca e ficou pulando feito uma maluca e gritando "pare, por favor!". E por incrível que pareça deu resultado. O motorista da Besta encostou o veículo. 

Na verdade eram três Bestas. As três pararam. Elas estavam voltando de uma excursão ao Playcenter. Nem preciso dizer que elas estavam cheias de crianças, né? Putz! Uma gritaria do caralho. Nas duas primeiras não havia lugar pra mais ninguém, mas na terceira havia alguns espaços vagos. Foi aí que conseguimos nossa carona. Caroline trancou seu Fusquinha e prometi voltarmos no dia seguinte para reabastecê-lo. 

Subimos então na terceira Besta. Logo quando entramos a criançada já começou a nos malhar. Uma loirinha de óculos me olhou feio, virou-se para a professora e disse:

— Tia, tia, tia, eles estão fedendo cê-cê!!!

A professora ficou sem graça, não sabia se ria das nossas caras ou se mandava a menina ficar quieta.

Pigmeu viu aquela criançada toda e pirou o cabeção. Sabe-se lá o que foi que ele viu, né? Só sei que ele arregalou aqueles olhos vermelhos e disse:

— Sinistro, olha quantos anões!

Meu, a criançada ficou puta da vida. Jogaram tudo o que tinham em mãos. É claro que também acabei atingido. Jogaram latinhas de refrigerante, sacos de pipoca, canudinhos, pães com presunto, queijo, tudo o que puderam jogar ... jogaram. Só não jogaram a professora porque a maldita era gorda que nem uma baleia encalhada.

O motorista da Besta deu a partida e finalmente conseguimos nos acomodar. Coloquei o Pigmeu bem no canto, perto da janela, assim evito que ele saia por aí dando tapa na criançada, né? Não seria nada bom. Pedalada, Joaninha!!! Já imaginaram? Um tapão daqueles num gurizinho destes poderia causar um traumatismo craniano. Putz! Lembrei da coitada da Carolina.

A viagem começou e tinha um gordinho encarando a Caroline. De repente o moleque me abre a boca e diz isso:

— Seu cabelo é verde?

Caroline sorriu e lhe respondeu:

— É verde sim. Você gostou?

— É esquisito. 

— Preciso concordar com você. É esquisito mesmo.

— Uma vez eu vi um filme — continuou o gordinho.

— É mesmo? Que filme?

— Não lembro o nome, mas tinha uma mulher com os cabelos verdes também.

— E ela era bonita?

— Era uma piranha feia que nem você.

Putz!!! Caroline pegou a bolsa pra bater no gordinho. Se eu não a tivesse impedido ela teria detonado o coitado do moleque.

E assim a viagem prosseguiu ...

Num determinado trecho a professora resolveu ter a brilhante idéia de cantarmos algumas músicas. Era só o que faltava. E lá fomos nós ...

O Jipe do padre fez um furo no pneu ...

O Jipe do padre fez um furo no pneu ...

O Jipe do padre fez um furo no pneu ...

Colemos com chiclé!!!

 

A Japa da padra faz a fara na paná

A Japa da padra faz a fara na paná

A Japa da padra faz a fara na paná

Colemos com chiclé!!!

 

E Jepe de pedre fez e fere ne penê

E Jepe de pedre fez e fere ne penê

E Jepe de pedre fez e fere ne penê

Colemos com chiclé!!!

 

E por aí foi ...

Só sei que quando eu desci da Besta eu já estava prestes a matar uma daquelas crianças malditas dos infernos. Se eu ouvisse aquela musiquinha do Jipe outra vez eu juro que ia meter a mão até na gorda da professora. Putz, vou ter pesadelo com esta musiquinha por uns seis meses.

 

Caroline não queria voltar para casa. Pra não deixá-la sozinha aquela noite eu fiquei ao seu lado. Passamos a noite na casa do Pigmeu. Um moquiço do caralho. Até as paredes da casa tinham cheiro de lança-perfume. Mas ... estávamos tão cansados que capotamos no sofá e só acordamos às dez horas da manhã do dia seguinte.

Acordei com a Caroline rindo no meu ouvido.

— Pára, Nando! Está me fazendo cócegas! Pára!

— Acabei de acordar, não estou fazendo nada!

— Mas então .... ?

Caroline pulou quase dois metros de altura. Tinha uma ratazana enorme sobre as pernas dela. Caralho, o bicho era tão grande que parecia um cachorro. O grito de Caroline foi tão alto que a ratazana saiu fincando pelo corredor.

Depois procuramos algo pra tomarmos um café da manhã, mas não havia nada ... digamos ... nutritivo. Meu, como é que o Pigmeu consegue sobreviver?

Deixamos a casa do maluco. Nem pudemos agradecer pela hospitalidade. Não havia o menor sinal do Pigmeu. Evaporou que nem peido.

Entramos na primeira padaria que encontramos. Estávamos famintos! Cada um comeu três coxinhas e tomou duas garrafinhas de refrigerante.

— O que vai fazer agora? — perguntei.

— Voltar pra casa. Minha mãe deve estar dando cria. Mas antes ... lembra do segundo item da lista?

— Deixe-me ver ... a tatuagem?

— Isso. Não volto pra casa sem fazer minha tatuagem.

Por um acaso eu tinha um amigo que possui um estúdio não muito longe dali. Seu nome é Marcio, mais conhecido por Podrão.

E lá fomos nós para o estúdio do Podrão. Caroline ficou encantada com o lugar. Havia tantas tatuagens diferentes. Uma mais legal que a outra. Ela não sabia qual escolher. Foi aí que ela virou pra mim e disse:

— Até quanto você pode pagar?

— Como assim?

— Ué, você vai pagar a tatuagem pra sua gatinha, não vai?

Putz!!! Mulher é foda. Bicho liso que nem sabonete. O que eu poderia fazer? Disse que sim, né? Eu ainda estava com os quinhentos paus na carteira. Devo estar muito apaixonado mesmo. Só pode ser isso.

— Mas então escolhe logo, né? — falei. — O Podrão não pode ficar aqui esperando por você o dia todo.

— Eu estou indecisa demais. Bom, já que é você que vai pagar ... não quer escolher por mim?

— Não, eu acho melhor você escolher. Tatuagem é algo importante. Vai que depois você não gosta e ...

— Bobo! Se é você que vai escolher ... vou gostar sim!!! Escolhe pra mim!

— Bom, você que sabe. Mas depois não vá reclamar, hein!

— Não vou. Olha, faz uma surpresa pra mim. Vou esperar lá dentro. Só quero ver a tatuagem depois de pronta. Confio no seu bom gosto, tá?

Caroline me deu um selinho e correu pra dentro do estúdio, empolgadíssima. Podrão veio falar comigo. Meu, o Podrão tem tanta tatuagem pelo corpo que fica difícil até pra achar onde fica os olhos do cara.

— Gostosa a sua mina, Nando — disse ele.

— Olha o respeito, Podrão.

O cara caiu na gargalhada. Maldito Podrão dos infernos. Só tenho amigo escroto, já perceberam?

— Mas diz aí, ela já escolheu qual tatuagem vai fazer?

— Deixou pra que eu escolhesse.

— Xiiii, é fria, mano. Isso nunca dá certo. 

— Também acho, mas ...

Neste momento Pezão aparece na porta do estúdio.

— Porra, nem acredito que achei você! — disse ele, bufando. Depois olhou para o Podrão. — Fala, grande Podre ... firmeza, irmão?

— Firmeza, Pezão. Está sumido, cara.

— Mas que diabos você está fazendo aqui? — perguntei.

— Nando, sua mãe está desesperada atrás de você, cara! Ela me encheu tanto que enquanto não saí pra te procurar ela não me deixou em paz. Por que desligou o celular? Você vem comigo ... agora!!!

Podrão ficou puto.

— Oh, mano, vai escolher a tatuagem pra sua mina ou não?

— Tatuagem? — disse Pezão, surpreso. — Sua mina? Do que o Podrão está falando? Ah, então é por isso que você sumiu ... estava com alguma pé-vermeio, né?

— É uma lonnnnnga história — olhei para o Podrão e disse: — Pega a mais barata e manda bala. Beleja?

E o filho da puta do Pezão foi me empurrando pra fora do estúdio. Antes de sair eu ainda falei para o Podrão:

— Diz pra ela que eu precisei sair, mas volto mais tarde pra ver como ficou.

Podrão fez sinal de positivo e nos despedimos.

Galera, cheguei em casa e minha mãe estava mais branca que um copo de leite. Tadinha, estava desesperada. Obrigou-me a tomar um café reforçado. Por incrível que pareça nem me interrogou tanto. Falei que tinha passado a noite na casa de uma ex-namorada e ela acabou engolindo a história. Ou fingiu que engoliu, sei lá.

Depois do café que eu não queria tomar deitei-me na minha cama e desabei. Acordei depois do almoço. Tomei um bom banho. Troquei de roupa, chamei um táxi e fui desesperado para o estúdio do Podrão, rezando para que a tatuagem ainda não estivesse pronta.

E não estava. Cheguei bem na hora! Ufa!

Entrei sorrateiramente no estúdio. Podrão estava tatuando a nuca de Caroline. Fui aproximando-me na ponta dos pés e beijei o rosto da minha gata dos cabelos verdes. Ela tomou um susto tão grande, pobrezinha.

— Bobo! Quase me mata do coração, oh! O que aconteceu? Aonde foi?

— Minha mãe também estava dando cria com o meu sumiço.

— Putz, a minha deve estar arrancando os cabelos. E o meu pai também!

— Meu, quando vai terminar isso?

— Já está pronta — respondeu Podrão. — , eu já estou nos últimos retoques.

Dei a volta para ver o que o Podrão havia tatuado. Quando vi não pude controlar o espanto. Quase caí duro no chão.

— Putz grila!!! — falei, e depois me arrependi.

Caroline ficou preocupada com a minha reação. Por isso que me arrependi.

— O que foi? — ela disse, parecendo afliga. — Ficou feia? O que foi? Você não gostou? Mas .. foi você que escolheu! Não gostou?

— Calma, meu anjo, fi ... ficou linda! Show de bola!

Não sei se consegui convencê-la. Aposto que não.

— Não mente pra mim, Fernando!

Fernando? Nossa, não me lembro dela ter me chamado pelo nome alguma vez.

— Ficou muito sexy — afirmei. — até fiquei arrepiado.

Caroline sorriu e ficou um pouco mais calma. Quem não ficou calmo fui eu. Chamei Podrão para uma conversinha particular.

Saímos do estúdio. Colei Podrão na parede e já fui desabafando:

— Meu, você tatuou uma barata na nuca dela!!!

— Sim, e daí?

— Cara, uma barata? Uma barata?

— Ué, não foi o que você me pediu?

— Podrão, eu pedi pra fazer a tatuagem MAIS barata ... não pra tatuar uma barata!!!!

— Então, foi o que eu fiz ... tatuei uma barata.

— Não, porra!!! Não era pra tatuar uma barata!!!

— Meu, você está exagerando. Ficou show de bola a barata.

— Show de bola? Podrão, você comeu cocô???? Pra piorar ... barata ficou tão real que eu quase pensei que tinha um inseto em cima da tatuagem.

— Obrigado. Eu sou foda mesmo. Ficou real pra caralho, né? Teve um momento que eu saí pra mijar e quando voltei pensei que tinha uma barata de verdade em cima dela. Quase dei uma chinelada na tua mina. Com todo o respeito, é claro.

Meu, quase soquei a cara do filho da puta. Só não arrisquei porque o desgraçado é campeão estadual de judô. 

Pra piorar a situação ainda tive que pagar pelo serviço. Ninguém merece. Acho que eu joguei cocô na cruz mesmo.

Não tive coragem de mostrar a tatuagem pra Caroline. Enrolei a coitada de todos os jeitos. Entramos num táxi e ela começou a desconfiar de que tinha alguma coisa errada. Só não fazia idéia do que poderia ser. Meu, o que vai acontecer quando ela descobrir que tem uma barata tatuada na nuca?

— A tatuagem ficou feia, não ficou? — repetia ela, sem parar. — A sua cara diz tudo, Nando! Você não gostou, não é?

— Gostei sim, meu anjo! Eu juro que gostei.

— E por que não quer me deixar ver?

— Você não sabia que dá azar olhar a tatuagem logo quando termina? Vai por mim, um amigo meu fez isso e até hoje ele só toma no cu. O cara pegou mó azar.

— Você está me enrolando, isso sim. Nunca ouvi ninguém dizer isso.

— Acredite em mim.

Bom, vocês sabem que os pais da Caroline me odeiam de morte, né? Então o táxi parou a alguns quarteirões da casa dela e de lá ela partiu sozinha. Nossa despedida foi tão fria. Ela estava fula da vida comigo. Logo que desceu do carro Caroline prendeu os cabelos e sua nuca ficou exposta. A tatuagem parecia viva no corpo dela. O motorista do táxi tomou um puta susto quando olhou pra ela.

— Moço, tem um bicho na nuca da sua namorada!

Por sorte a Caroline não ouviu. Seguiu seu destino, nem olhou para trás.

Fiquei tão mal aquele dia. Senti-me tão culpado. Eu deveria ter contado a verdade a respeito da tatuagem. Fiquei triste pra caralho quando lembrei da nossa despedida tão amarga. Senti que finalmente eu me importava com alguém. Senti que pela primeira vez meu coração acelerava só de pensar neste alguém. E este alguém era Caroline, a menina dos cabelos verdes.

Não consegui dormir aquela noite. Pensei nela o tempo todo. Eu queria ligar para pedir desculpas, mas tinha medo dos pais atenderem o telefone.

No dia seguinte acordei cedinho e fui tomar meu café. Eu não agüentava mais ficar na cama, rolando de um lado para o outro sem parar.

Sentei-me à mesa. Minha mãe estava de pé também, encostada na pia da cozinha, lendo o jornal local.

— Bom dia, mãe. Bênção.

— Deus lhe abençoe, meu filho. Dormiu bem?

— Sim.

Se eu dissesse que não ... começaria um interrogatório enorme. Conheço minha mãe.

— Que coisa horrível!!! — disse ela, de repente. Tomei um puta susto.

— O que foi, mãe?

— A página policial tem uma matéria terrível.

Provavelmente seja a história do suicídio do Milton, né?

— O que aconteceu? — perguntei, fingindo não saber de nada.

— Deixa pra lá. Tome seu café sossegado.

— Conta, mãe. O que diz a matéria?

— Você que sabe. Se perder o apetite a culpa é sua. Bom, aqui diz que ontem uma moça aqui da cidade morreu a golpes de vassoura. 

Ufa! Nada a ver com o Milton.

— Caraca. Vassoura?

— Não, vai vendo ... a moça chegou em casa e a mãe viu uma barata na sua nuca. Cruz credo! Resultado, a mãe entrou em pânico, pegou uma vassoura e tentou tirar a barata de cima da filha. Acontece que não era uma barata, era apenas uma ...

— Tatuagem.

— Isso. Mas como você sabia?

— Mãe — e uma lágrima escorreu do meu olho direito. — , é uma lonnnnnga história.

( FIM )

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