Capítulo 1 · O Convite.
Olá, tudo bem com vocês?
Eu sou o Nando. Bom, na verdade meu nome é Fernando, mas ninguém me chama assim.
Acho que será uma total perda de tempo eu tentar explicar quem e como eu sou. Talvez seja melhor a gente deixar rolar ... aí vocês poderão tirar suas próprias conclusões, certo?
Certo. Façamos assim então.
Porra, vocês devem estar se perguntando quem é este tal de Pezão. Aguardem só um pouco, está quase na hora do filho da puta me li ...
Triiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmmmmm!!!!
Pronto. Telefone tocando. Olha o filho da puta aí. Aposto que ele me ligou pra contar sobre a carona.
Ontem foi sexta-feira. Bom, sexta-feira é sexta-feira, né? A night chega e a gente sai.
O barzinho onde a gente foi não estava lá estas coisas. Sejamos honestos, estava uma bosta. De repente, quando o galo já estava quase cantando, chegaram duas garotas.
Uma delas era até comível, já a outra era uma gordinha feia pra caralho. Calma, não é preconceito contra garotas acima do peso, o problema é que a gordinha era feia mesmo. O rosto era meio esparramado para os lados, como se alguém tivesse passado um ferro de passar roupas sobre a cara da mina. Deu pra entender?
Resumindo a história: nós dois resolvemos chegar nas garotas, e é claro que nenhum dos dois quis a gordinha dos infernos.
Oferecemos cerveja para as duas. Elas aceitaram. Ficamos nós quatro enchendo a cara até o bar fechar.
Detalhe, olha o naipe do nome da gordinha: Jurumina. Meu, isso é nome ou castigo? Fala sério!!! Como é que um pai e uma mãe têm a coragem de colocar um nome desse na própria filha? Com um nome assim a pessoa já cresce amaldiçoada.
Já o nome da comível era mais comum: Angelita. Tudo bem que de anjo ela não tinha absolutamente nada, só o nome mesmo.
Na hora de ir embora eu até pensei que ia me dar bem, mas Angelita disse que estava passando mal. Eu acho que foi desculpa, mas tudo bem. Com a gordinha eu nem tentei nada, só de imaginá-la nua numa cama de motel já me dava arrepio nos cabelos do saco.
As duas moravam longe, então Pezão ainda tomou no cu, além de não comer ninguém ainda teve de virar taxista de mocréia.
Eu fui o primeiro a descer do carro, então não sei o que rolou depois disso. Mas aposto que não deve ter sido nada interessante, além de feias as minas não tinham um bom papo.
— Fala, seu bosta!!! — atendi, carinhosamente.
— Vai tomar no seu — respondeu Pezão com voz de ressaca.
Bom, pelo menos já deu pra perceber que somos bem educados.
— E as barangas, moravam muito longe? — perguntei.
— Cara, a gordinha pagou o melhor boquete que já vi até hoje! Nem te conto.
Como é que é? O Pezão teve coragem de catar a gordinha? Putz! Não acredito.
— Você teve a moral de comer aquela coisa gorda?
— Bêbado como eu estava nem notei diferença. Peguei a gordinha de jeito. Cara, e como ela gosta de um bilau!
— Talvez ela tenha imaginado que seu pinto fosse um pedaço de frango.
E caí na gargalhada, tipo uma hiena com reumatismo.
— Foda-se, o importante foi que eu comi alguém e você não.
— Na verdade você papou duas! A bunda da gorda era praticamente uma outra pessoa. Gamou na gordinha então?
— Vai se foder, mano. Acabou o boquete eu mandei a gordinha pra casa do caralho. Acredita que quando eu gozei a vaca me mordeu?
Putz!!! Tive outro ataque de riso.
— No pau? ? reconheço que a pergunta foi idiota, mas perguntei.
— Não, seu idiota, no meu nariz. É claro que foi no meu pau!!! Bem na ponta, cara. Vai tomar no cu aquela gordinha do caralho.
— Bem feito! Tomara que tenha arrancado pedaço.
— Vira esta boca pra lá, porra!!! Doeu só de imaginar.
— Pezão.
— Fala.
— Enfia o dedo no cu e assovia!!!!!!!!!!!!!! Meu, você não me ligou só pra contar a história da gordinha, né? Desembucha logo o que você quer!
— Bom, você já deve estar sabendo do show do Rappa hoje.
— É claro. Eu queria ir, mas as merdas dos convites acabaram na quarta-feira. Puta que pariu!!! Cambada de gente fominha dos infernos.
— Calma, brother, eu não vivo dizendo pra você que eu sou foda? Eu sou mesmo! Consegui dois convites. Vamos?
Porra, e precisa perguntar??? Demorou!!!
Acreditem, acho que esta foi a primeira vez que o Pezão me deu uma notícia boa nestes últimos anos.
O filho da puta só me liga pra encher o saco ou contar vantagem.
À medida que eu for narrando nossas aventuras vocês vão ver como ele não vale nem o cu que tem.
Mesmo assim eu aposto que ele vai conseguir muitas fãs, pois existe gosto pra tudo neste mundo, né? E tem mulher que adora homem filho da puta.
O Pezão é foda. O cara já teve a moral de espalhar um boato sobre a irmã, dizendo que ela estava com Aids, só pra se vingar de uma briga que eles tiveram.
Nem preciso dizer a cara que fiquei quando ele me disse isso, né? Eu tinha comido a irmã dele dois dias antes ... hehehe.
Agora eu só não sei quem foi mais idiota: o Pezão ou eu, que acreditei no boato e passei 4 horas na fila do hospital pra fazer o teste de HIV.
Capítulo 2 · O Sabadão Promete!
Beleja pura! Já arranjei o que fazer no sabadão. Olha, caro amigo, a situação estava feia. Só pra você ter uma idéia eu já estava consultando o jornal pra ver a programação das emissoras na madruga de sábado pra domingo. Eu procurava o nome do filme do Cine Privet da Band, é claro. Ahá! Então você já conhece, né? Hehehe.... Eu já desconfiava. Não conheço nenhuma criatura do sexo masculino que desconheça Cine Privet. Ele pode até negar, mas no fundo ele lembra até das cenas favoritas. Tipo, eu gostei muito daquele episódio do baixinho eletricista que vai consertar o chuveiro e acaba traçando a dona da casa, a irmã, a cunhada da irmã, a empregada, a cozinheira, e mais uma vagabunda que eu não me lembro. Só sobrou a cadelinha poodle. Quero dizer, acho que sim, pois não cheguei até o final do filme... hehehe ... se é que você me entende.
Sempre que a gente joga muita esperança no sabadão as coisas tendem a dar errado. Isso também acontece com você? Putz! Comigo é direto. Mas hoje eu estou sentindo vibrações positivas. Já estou preparando meu estoque de camisinhas pra esta noite. Carrego sempre comigo, peça indispensável. Tenho de morango, abacaxi, banana, queijo muzzarela e repolho refogado. Pois é. Nunca se sabe o gosto da mina, né? E falando em mina, eu preciso catar alguém de respeito hoje, meu. A última mina que catei eu até cortei do meu caderninho. A mina tinha a moral de peidar quando eu apertava o peitinho esquerdo dela. Eu mereço? Caralho, pior que é verdade. O direito nada, mas bastava dar uma apertadinha no esquerdo... xiiiii ... e vinha daquelas bufas mortais. Pobre Vivian, se não tratar disso logo vai morrer solteira. Que nada, mais cedo ou mais tarde ela encontra um Creitão. Ah, você quer saber quem é o Creitão? Sério, mano, você não quer saber quem é o Creitão. O cara é uma versão piorada do Pezão. Tipo o Pezão é o Windows 98, o Creitão seria o Windows 95 com algumas DLL's deletadas. Saca? Só pra você ter uma noção ele era conhecido no colégio como Creitão Porcão. Meu, o cara tinha a moral de arrotar no portão do colégio e o barulho chegar até a última sala. Meu, o colégio inteiro ouvia. E o pior é que ele nunca passava pelo portão sem dar a sua famosa arrotada do dia. Lembro-me que eu, o Pezão e outros manos apostávamos todos os dias pra ver quem acertava o tempo dos arrotos. Putz! Teve um dia que todo mundo errou feio! O Creitão teve as manhas de arrotar por 20 segundos. Recorde total! O pior é que teve neguinho que até se levantou da carteira pra aplaudir.
O dia vai passando e cresce a ansiedade. Você sabe como é. Será que vou comer alguém? Ou pensando como uma garota... Será que vou conhecer o gato da minha vida? Putz! Eu ainda prefiro as minas com este pensamento, mas anda meio difícil. Hoje em dia todas as minas que conheço pensam assim... Pra quantos será que vou dar hoje? Hahaha .... É, mano. Não ri não, quem garante que sua irmã não está pensando isso neste exato momento? Hahaha ... Só sei que a minha não está, afinal não tenho irmã. Infelizmente tenho dois irmãos, um mais filho da puta que o outro. Acho melhor nem falar nada, não estou a fim de estragar meu sabadão. Afinal o sabadão promete! Show do Rappa, muita gatinha, muita mão nos peitinhos, muito beijo na boca, é isso aí. Pensamento positivo.
Já são 4 e meia da tarde, futebolzinho na globo. Campeonato Paulista, São Caetano X Ituano. Puta que o pariu! Meia hora de jogo e nenhum goleiro viu sequer a cor da bola. Melhor desligar a bagaça, além disso a voz do Kleber Machado me irrita.
Desligo a TV e ouço a campainha. Tomara que não seja a Claudinha. Tudo bem, você não conhece a Claudinha. Eu explico. Ei! Agora que eu percebi, vocês vão ficar sabendo muita coisa da minha vida, né? Caralho, só agora caiu a ficha. Bom, dane-se. Não tenho nada a esconder mesmo.... exceto aquele dia em Ubatuba, mas... outro dia eu conto. Agora eu vou explicar quem é Claudinha. Ela é a minha ex-namorada, ficamos juntos por 3 meses, até que um dia eu a encontrei com a mão naquilo e aquilo na mão com o verdureiro. Pois é, amigos. A mina me chifrou com um cara que vendia mamão papaia na feira. Nada contra os vendedores de mamão papaia, mas seria mais legal pro meu ego se ela me chifrasse com um advogado bem sucedido ou sei lá, esta foi foda. Então, geralmente sabadão a tarde bate arrependimento nela e a desgraçada resolve vir aqui pra dizer que me quer de volta. Ah, sai fora! Fica lá com o tiozinho dos mamão papaia. Caralho, a campainha! Puta merda, seria melhor não ter atendido. Eu não acredito no que meus olhos estão vendo. A família buscapé! Oh, não, fodeu.
A família buscapé foi como eu apelidei uns parentes da minha mãe. Na verdade são a minha Tia Marcelina, o meu Tio Josué, a minha prima Adalgiza(gostosinha, diga-se de passagem), e os meus dois primos(tudo pirralho, um de 8 e outro de 13 anos). Eles moram em Itapopoca do Norte, na Paraíba. Eles são como aquele programinha do Imposto de Renda : baixam aqui uma vez por ano. Eu vou ser sincero, eu odeio! Minha mãe me tira do meu quarto, fico dormindo na sala junto com meus primos pentelhos. Os filhos da puta peidam a noite inteira. Um verdadeiro inferno. Além disso estes meus primos mexem em tudo! E eu tenho um puta cuidado com as minhas coisas, principalmente com meu Sony 2.300W P.M.P.O. Eu juro, ladrãozinho pode entrar em casa e roubar tudo, menos o meu Sony. Tenho até tesão por ele.. hehehe ... só não faço amor com ele porque o buraquinho do fone de ouvido é muito pequeno. Bom, voltando ao assunto da família buscapé.... a única coisa boa é a minha prima Adalgiza, confesso que já perdi muitas horas no banheiro por causa dela. Meu, não tenho culpa se a mina rebola aquela bundinha num shortinho ultra hiper mega maxi minúsculo. Será que transar com prima é pecado? Hahahaha.... Se for, dane-se, depois de tudo que eu já fiz eu tenho certeza de que vou encontrar o coisa-ruim no final do túnel. O único problema é que ela nunca demonstrou interesse em liberar a vai-que-é-sua-tafarel pra mim.
Beijinho daqui, abraço dali, aperto de mão de cá, e a família buscapé se instala. Seria um mau sinal pro meu sabadão? Ai ai ai ... Bati na madeira 3 vezes e dei um peido. Ah, o peido foi por conta, não faz parte do ritual pra dar sorte.
Saí pra comprar gel pro meu cabelo. Pois é, hoje eu quero estar lindo e gostosão! Hahaha ... As minas vão passar por mim e fazer miau. Volto pra casa assobiando minha música favorita do Rappa "Oh, la lá! Oh, la lá! Eeeeeeeia! Faltou luz, mas era dia, dia!" Entro na sala e dou de cara com a minha prima gostosona.
— Oi, Nando. — Diz ela, cruzando as pernas. Caralho, que coxa! Dezenove aninhos, meu camarada!
— Oi, coisinha fofa. Dá pra nóis. — Bom, na verdade não foi exatamente isso que eu disse. Eu só consegui dizer: — Opa, tudo bom?
— Tudo jóia. Ainda está namorando aquela moreninha, a Marcinha?
— Não, não... Já terminei faz tempo. Eu estava com ela quando você veio aqui pela última vez?
— Sim, ela era uma graça. Por quê terminaram?
— Longa história. Nem te conto.
Ela sorriu. Putz! Acho que vi dois dentes podres!
— Que pena... pra ela.
Não acredito! Ela está me cantando? Uhuuuu! É a magia do sabadão! Hoje eu vou me dar bem. Despeço-me da prima gostosa com um sorrisinho sem-vergonha e entro no meu quarto. Putz! Estava demorando muito.
— Você tem um monte, Nando! — diz o meu primo de 8 anos segurando uma penca de camisinhas que estavam dentro do meu criado-mudo. Eu mereço?
— Larga isso, moleque.
— Você vai usar tudo isso?
— O quê? Você nem sabe pra que serve isso! — Meu, eu estou a ponto de enfiar uma bolacha no pirralho.
— Eu sei sim! Você coloca no pinto antes de transar.
Caralho! O moleque só tem 8 anos, meu!
— Você acha que sou bobo, é?
— Puta merda, moleque, você só tem 8 anos! Não está na idade pra estas coisas não.
— Ah, eu sei tudo sobre isso. Na casa do meu amigo tem internet. Meu amigo tem um monte de foto de cavalo transando com mulher. Ele tem até um vídeo de um negão transando com uma cabrita.
Meu, eu juro que já vi e ouvi muita coisa, mas o pirralho é demais! Hahahaha .... O maldito conseguiu até me fazer rir.
— Qual o tamanho do seu pinto? — Oh, o molequinho já está abusando!
— O quê? Pra que você quer saber?
— Quando eu crescer o meu vai ser assim, ó. — e abriu os braços.
— Bom pra você. Seu pinto vai medir 1 metro? — Falei sério, já tenho algo preparado pra sacanear o pirralho.
— O do namorado da Ada era pequenininho.
O quê? O pirralho é muito louco, meu! hahaha
— Do que você está falando?
— Uma noite eu vi ela entrar com ele no quarto. Eu fiquei escondido e vi tudo. Quando ele tirou a cueca deu pra ver o pinto dele. Era assim mais ou menos. — E abriu um espaço entre as mãos, dando uns 20 centímetros mais ou menos. Oloko! hahahaha
— Só isso, Pedro? — hehehe... primeira vez que usei o nome do fedelho, né? Isso é bom, não gosto de dar muita intimidade pros pirralhos. Caso contrário eles montam e aí você está fodido.
— Muito pequeno. Quando eu crescer o meu vai ser grandão, bem grosso.
Caralho, acho que nunca ri tanto em toda a minha vida. O Pezão precisa conhecer este pirralho! hahaha
— Eu sei um jeito de deixar o ... pinto bem grande.
— Eu já vi na internet. Usam um tubo de plástico, né?
Cassete, o pirralho é esperto. Mas eu pego ele.
— Tem este também, mas o jeito que eu conheço é de graça e muito fácil de fazer.
— É mesmo? E ele fica assim? — O moleque abriu os braços novamente. Caramba, o que o pirralho quer fazer com um pinto de 1 metro? Eu, hein! O moleque anda vendo muita internet.
— Opa, fica sim, e fica grosso também. — Está difícil me controlar, meus lábios estão se contorcendo. — Quer saber como é que faz?
— Quero sim, Nando.
— É muito fácil, dói um pouco no começo, mas depois o cara se acostuma. Você pega uma cordinha e amarra um tijolo.
— Tijolo?
— Sim, precisa ser um tijolo. Amarra bem amarradinho. Depois você amarra... — Cara, acho que não vou conseguir... estou quase me mijando de rir. — ... no pinto.
— Nossa! E funciona mesmo?
— Claro!
— Ah, é mentira.
— Juro que não. Eu fiz e funcionou.
O pirralho olhou para a minha virilha. Sai fora, moleque!
— E ficou grandão?
Abri os braços o máximo que pude. Não acredito como consegui segurar o riso.
— Uau...
Quando o moleque saiu do meu quarto eu explodi numa gargalhada enlouquecida. O sabadão promete!!! Uhuuuuu!
Contagem regressiva. Já são 9 horas da noite. Hora de fazer a barba e tomar aquele banhão. Muito cuidado com a gillete. Não quero sair pra night com cara de Freddy Krueger, né?
Saí do banheiro uns 40 minutos depois e dei de cara com a minha mãe.
— Aonde você vai?
— Vou num show, mãe.
— Com quem?
— Com uns amigos maconheiros.
— O quê?
Eu faço esta piada há mais de 5 anos e ela sempre cai. Putz!
— Tô brincando, mãe. A senhora sabe que eu vou com o Pezão.
— O Maurício bebe?
Obs.: Maurício = Pezão.
— Só um pouquinho. — Na verdade o Pezão e eu bebemos juntos umas 16 latinhas de Brahma por noite.
Obs.: Não ganhei nada da Brahma pela propaganda.
— Olha, Sr. Fernando.. — Xiiiiiiiiiiii, falou meu nome. Aí vem sermão. — Não seja estúpido de voltar pra casa com um bêbado no volante, hein! Pelo amor de Deus!
— Tá, mãe. Eu sei, eu sei.
Passei por ela.
— Ah, mais uma coisa.
Caramba, o que será agora?
— Sua prima e seu primo também querem sair com você.
— O quê? Sem chance!
— Eles vão com vocês sim. Não seja mal educado.
— Mãe, sem chance. Não tem mais como eles entrarem no show. As entradas estão esgotadas desde quarta-feira.
— Então como vocês dois vão entrar?
— O Pezão conseguiu 2 entradas.
— Nando, não tenta me enrolar não!
Prossegui o meu caminho até o meu quarto.
— Não estou! Se não acredita em mim liga lá pro clube, ora!
Papo encerrado. Minha mãe sossegou. Ufa! Agora é me concentrar no sabadão.
Aproveitei o máximo de tempo para ficar no meu quarto, já que ele seria tomado pela família buscapé nos próximos dias. Se mexerem no meu Sony vai ter morte!
Hora da checagem final.
Carteira : Ok!
90 Paus e alguns trocados : Ok!
Celular : Ok!
Camisinhas : Ok!
Balinhas de menta : Ok!
Cuecão de couro : hahahaha... peguei você, hein! Sai fora! Tá me estranhando? Eu sou o Nando comedor.
Sabadão nosso de toda a semana, aqui vou eu!! Uhuuuuuu!
— Nando, não vai levar agasalho? Está frio!
— Tá, mãe. — preciso dizer que é tudo igual?
O Pezão mora a uns 5 quarteirões da minha casa. Pode parecer muito, mas nem tanto, tenho as pernas compridas, chego rápido. Putz! Olha só quem está na esquina, fodeu. Já avistei o Zé Biruta. É ele mesmo. Ah, já sei, você quer saber quem é. O Zé Biruta é um mendigo chato que fica enchendo o saco até você dar uma nota de R$1,00 pra ele. Uma tremenda mala sem alça. E o pior é que eu vou precisar passar por ele. Bom, foda-se, lá vou eu. Se o mala vier pra cima de mim eu ignoro.
O mala veio pra cima.
— Dá um Real aí, moço!
Fiquei quieto e tentei passar batido, não consegui.
— Só um Real, moço!
— Não tenho, cara!
— Estou vendo sua carteira, moço!
— Mesmo assim não vou dar.
— Só um Real.
Fiquei puto.
— Nem que você me faça uma chupetinha!
— O que é chupetinha, moço?
Corri e consegui escapar do Zé Biruta. Afastei-me e dei uma olhada para trás. Zé Biruta colocou as mãos em forma de concha sobre a boca e começou a gritar:
— Um Real! Um Real! Eu faço uma chupetinha! Um Real! Eu faço uma chupetinha!
Quase me caguei nas calças de tanto rir. Ri mais ainda quando 2 homens saíram do bar e foram em sua direção balançado uma nota de um Real nas mãos. Depois senti pena. Ah, só um pouquinho. O cara é muito mala! O Pezão conta uma estória muito engraçada dele, mas não sei dizer se é verdade. O Pezão conta que deu uma nota de R$1,00 para o Zé Biruta e ele abaixou as calças e limpou o cu com a nota. Verdade? Sei lá. Este mundo é muito louco. Depois de ver aquela foto da cagada no site do Julio Fantasma eu não duvido mais de nada.
O Pezão não mora numa casa, mas numa mansão. Pois é, o pai dele morreu e deixou uma herança bem gorda pra família. Hoje ele mora com a mãe(Advogada, uma coroa muito gostosa, com todo o respeito... hehehe), a irmã(que não tem AIDS, ufa) e o irmão. Meu, o irmão do Pezão é um pirralhinho, parece um toquinho de árvore, mas vocês precisam conhecê-lo, o carinha é muito figura. Ele é uma espécie de mini-gênio. Tipo um Bill Gates mirim. O pirralho inventa uns trecos muito loucos. O que o Pezão tem de estupidez o irmão tem em inteligência.
Toco a campainha e quem aparece? Sim, o mini Bill Gates, até o óculos é parecido.
— Oi, Nando!
— Beleja, Bill Gates?
— Sai fora, meu! O meu sistema operacional não vai dar pau!
Não entendi direito o que ele quis dizer com isso, mas dei risada pra não parecer estúpido perto do pirralho.
— Pois é. Seu irmão está aí?
— Acho que sim. Entra.
Entrei e fiquei esperando o Pezão sobre o gramado. Meu, eu daria qualquer coisa pra morar num lugar destes. Bom, quase tudo. Aqui é só válvula de escape!
O Bill Gates mirim volta correndo, com um sorriso maroto nos olhos. Aí tem.
— Pega. — ele me ofereceu uma bala verde.
— Hummmm. O que você está tramando?
— Nada! Estou inventando uma nova bala. Prova aí.
— Eu? Nada disso.
Ele pegou outra bala igual e colocou na boca.
— Boa, muito boa. Mas ainda não está do jeito que eu quero.
— Você está querendo me sacanear.
— Não tô não! Hummmm! Prova!
— Murilo, se esta bala me fizer mal eu te mato!
O pirralho deu um sorriso maroto. Resolvi confiar no garoto. Afinal quem garante que não estarei provando uma bala que vai revolucionar o mundo dos doces? Vocês estão rindo? Estou falando sério! O pirralho tem as moral. Vocês precisavam ver o que ele fazia com uma caixa de Lego aos 4 anos de idade! Muito louco.
— Ok, vou provar. Olha lá, hein!
— Fique sossegado.
Coloquei a bala na boca. Meu, nota dez!!!
— Caralho, muito boa! Muito boa mesmo!
— Não falei?
— Que diabos você usou pra fazer este bagulho?
— Perna de barata.
Quase cuspi a bala longe.
— Tô brincando. Os ingredientes são segredo.
— Porra, Murilo, quase me caguei nas calças!
O moleque deu uma gargalhada e se foi novamente. Meu, a bala é muito boa! O moleque tem futuro. Só espero que não tenha porra de cachorro nesta bala.
O celular toca.
— Alô.
— Oi, gato!
Caralho, eu conheço esta voz.
— Claudinha? Oh, mina, desencana!
— Não é nenhuma Claudinha. Um Corsa verde te lembra alguma coisa?
Claro que me lembra, foi no Corsa verde que tracei a irmã do Pezão. Aliás o Corsa verde é dela.
— Maura, é você?
— Adivinhou, gato.
A irmã do Pezão não é bonita, mas é gostosa pra caralho. Está no auge dos seus 26 aninhos de vida.
— Tudo bem com você, Maura?
— Mais ou menos. — seu tom de voz mudou.
— Por quê, gata? — falso!! Nós homens não prestamos mesmo.
— Eu estou grávida.
— O quê??? — Caraca! O Pezão não me falou nada.
— E você é o pai.
Meu, caí de bunda, sorte que a grama fofa amorteceu a queda.
— Puta merda! Não pode ser! Não me zoa, Maura?
Foi aí que comecei a ouvir uma gargalhada. Olhei pra cima e lá estava a vaca da Maura na janela.
— Porra, gata, não faz isso comigo! Meu coração é fraco, sabia?
Ela continuava a rir histericamente.
— Aonde você vai assim todo arrumado? Não vá me dizer que conseguiu ingressos para o show do Rappa? Estou puta da vida. Ganhei 2 ingressos e ficaram de me entregar aqui em casa, mas não entregaram. Vou ficar chupando dedo.
Putz! Maldito Pezão, roubou os ingressos da irmã. Hahahaha... Foda-se!
— Vamos a uma festa de aniversário de um amigo nosso. Nada demais. — hehehe... acham que sou louco de entregar o mano? Não agora, né? Depois até pode ser.
O Pezão saiu de casa com os um ingresso em cada mão, e balançando-os! Desesperado, fiz sinal pra ele guardar os ingressos.
— O que foi, mano? — gritou ele. — Pirou de vez? O que você tá fazendo?
Tarde demais, a Maura viu o babaca do Pezão segurando os ingressos.
— FILHO DA PUTA!!!!
Meu, nunca vi alguém gritar "Filho da Puta" tão alto e com tanto gosto. Acho que o bairro inteiro ouviu.
— Corre, mano! Corre! — gritou o Pezão correndo como nunca vi antes.
Maura não estava mais na janela. Putz! Fedeu! Também corri atrás do Pezão, indo na direção do Gol vermelho prateado dele. Entramos desesperados no carro.
— Você é foda, cara. — eu disse, com o coração acelerado.
— Eu sei disso. — respondeu o Pezão, já engatando a marcha-ré. Depois olhou pra mim espantado.
— O que houve com a sua língua? — Pezão começou a rir.
Olhei no espelho retrovisor. Minha língua estava mais preta do que carvão.
— Seu irmão é um filho da puta, Pezão!!!
Pezão caiu na gargalhada, outro filho da puta.
Maura aparece na garagem, gritando histericamente:
— Você vai ver quando voltar, seu babaca! Vou ficar te esperando!
Pezão colocou sua mão esquerda para fora da janela e mostrou aquele famoso dedo para sua irmã.
A mãe do Pezão aparece na janela do quarto da Maura. Neste momento já estávamos atravessando o gramado em marcha-ré.
— Que zona é esta aqui no meu quintal? — gritou a mãe do Pezão.
— O puto do Maurício roubou os meus ingressos para o show do Rappa!
Tarde demais, Maura! Mega Music Night Club, aqui vamos nós! Pezão engatou a primeira, a segunda, a terceira e saímos cantando os pneus do Golzinho novo. Uhuuuuu! O sabadão promete!
Capítulo 3 · O Caminho até o Clube
Quase 11 horas. Estou sentindo a vibração. O sabadão vai ser foda! A fuga da Maura foi muito legal pra ajustar a dose de adrenalina. Vocês precisavam estar lá pra ver, parecia cena de cinema, daquelas em que mostram os bandidos fugindo após assaltar um banco. Porra, agora eu só preciso dar um jeito neste linguão preto. Eu sabia que tinha alguma coisa estranha naquela bala do inferno.
— Seu irmão é foda, Pezão! Tomar no cu, viu!
Pezão riu histericamente.
— Você chupou a bala, né? Você tá fodido, cara. Meu padrinho colocou aquela porra na boca e ficou quatro dias com o linguão preto.
— Filho da puta! O que é que eu faço agora?
— Sei lá, vamos dar uma parada lá no bar do Gordo. Aproveito pra tomar umas e você tenta alguma coisa.
Foi exatamente o que fizemos. Tentei de tudo, mas a minha língua ficava cada vez mais preta. Pezão aproveitou e tomou duas latinhas. Tomei apenas uma, afinal o linguão preto me deixou deprê.
— O que houve com a sua língua, Nando? — perguntou o Gordo, preparando uma dose de pinga para um cliente. Querem uma dica? Se algum dia vocês passarem aqui no bar, NUNCA bebam ou comam nada que não estivesse totalmente embalado ou selado. Só hoje eu já vi o Gordo tirar meleca do nariz umas cinco vezes. Limpar as mãos? Acho que ele nem sabe o que isso significa.
— É a nova onda do momento, Gordo.
— Porra, muito louco. Deixe-me adivinhar... é coisa de americano, certo?
Eu e Pezão quase caímos na gargalhada. Segurei o riso e respondi.
— Tu é foda, Gordo. Acertou.
— Americano é um povo filho da puta mesmo. Eu queria ser americano.
— O Mamute passou as férias lá. — disse o Pezão, tomando o último gole da latinha.
— É verdade, cara. — eu disse. — Será que ele já voltou?
— Acho que sim.
— Mamute? — perguntou o Gordo. — É algum amigo de vocês?
— Sim, é um gordão feio pra caralho. O apelido dele é Mamute porque além de gordo ele tem um monte de pêlo no corpo.
— Acho que sei quem é. Sempre que ele vem aqui come umas duas coxinhas e algumas empadinhas. Bom freguês.
Putz! Está explicado o dia em que ele ficou dois dias entalado num vaso sanitário.
— O Mamute não manja nada de inglês. — paguei pau. — Imagino a confusão que não aprontou por lá.
— Eu queria falar inglês. — disse o Gordo, novamente com o dedão no nariz. Putz! Ainda bem que eu nunca comprei outra coisa a não ser latinha de cerveja nesta bagaça. Acho que já sei o motivo de tanta gente morrer por intoxicação nesta cidade. Se fizerem uma investigação vão descobrir que eram todos fregueses do Gordo. — Deve ser legal assistir um filme sem precisar ler as letrinhas chatas que ficam passando em baixo da tela.
Putz! Depois dessa é melhor ir embora.
— Caralho, Gordo! Tu é muito burro! Nos Estados Unidos os filmes não têm legenda!
— Cassete! É verdade? Americano é foda mesmo. — o Gordo guardou a garrafa de 51 e voltou pro balcão. — Como se fala bar em inglês?
Antes de voltar pro carro resolvi fazer uma boa ação. Ajudar o Gordo a falar inglês.
— Deixe-me ver. Acho que é "Shit".
— Oh, legal. Até isso em inglês é mais bonito. Shit. Shit. Shit. Gostei! Como se escreve isso?
Soletrei letra por letra. Pezão não manja nada de inglês, portanto o único a entender a piada era eu. Putz!
— Vamos indo nessa, Gordo. Beleja? Falou aí.
— Falou, galera. Bom show pra vocês.
Olhei pra trás e vi o Gordo apagando os preços dos salgadinhos que estavam escritos numa losinha. Preciso dizer o que foi que ele escreveu? Hahahaha. S H I T. Em letras garrafais.
— Issaê, Gordo! — gritei da porta do bar. — Ficou estaile, mano!
Saí rindo como um louco. Pezão já me esperava no Gol.
— Do que está rindo, mano?
— Nada, deixa pra lá.
Saímos cantando os pneus novamente.
Obs.: Nunca tente fazer isso em casa. Sair cantando os pneus é apenas para criaturas abomináveis e desmioladas como o Pezão. Além disso o cara é podre de rico, mesmo se entrar com esta porcaria no poste amanhã a mãe dele compra outro zerinho bala. Quero dizer, isso se o coisa-ruim não vier buscá-lo. E virá, assim como eu o Pezão também tem encontro marcado com o coisa-ruim.
— Você está fodido, cara. — disse eu, tentando sintonizar uma rádio que não estivesse tocando axé ou pagode.
— Do quê você está falando?
— Sua irmã já deve estar preparando alguma vingança.
— Que nada, a Maura late mas não morde. Conheço a figura.
— Lembra daquela vez em que ela entrou no seu quarto e quebrou todos os seus cd's? Ela é foda!
— Hoje saí preparado. Tranquei porta e janela. No meu quarto ela não entra nem fodendo.
Uhuuuu! Achei uma rádio que não estivesse tocando axé ou pagode. Putz! KLB??? Fala sério!
— Porra, Nando! Tira estas bichas do meu som, caralho!
Continuei apertando o botãozinho e não achei nada que prestasse.
— Deixa aí, deixa aí! — gritou o Pezão repentinamente.
Tirei o dedo do botãozinho e o dial mostrava 69,69Khz. Putz!
— Esta rádio é duka, mano! Já ouviu? Só tem putaria.
— Acho que já, sei lá. Não ouço rádio não.
O locutor da rádio dizia: "E agora vamos às ruas com a nossa pergunta do dia!" E tocou uma musiquinha cafona.
— Puta merda, você vai cagar de rir, Nando! Este programa tem um cara que sai perguntando um monte de coisas sobre sexo pelas ruas. Tem cada resposta idiota!
Eu estava mais a fim de ouvir um Black Sabbath ou Judas Priest pra entrar no clima do sabadão, mas como o carro não é meu....
O locutor continua: "E a pergunta de hoje é.... O que você faria se descobrisse que seu filho é heterossexual?"
— Puta merda! — gritou Pezão, afundando o pé no acelerador. — Esta vai ser engraçada! Deixa aí.
Quando eu disse que o Pezão é estúpido você ficou com peninha dele? É mesmo? Então saca só.
Esperei alguns minutos daquela babaquice, abaixei o volume do rádio e disse sério:
— Puta merda, e o que VOCÊ faria se seu filho chegasse um dia e lhe dissesse que é heterossexual?
— Porra, sai fora! Filho meu não pisa na chapinha! Filho meu tem que ser macho! Filho meu vai comer todas as minas do bairro, saca? Filho meu só vai usar o redondo pra cagar e pra peidar!
Bom, caro amigo, acho que não preciso dizer mais nada, né?
O clube fica numa região afastada da cidade. Grande e com uma qualidade de som espetacular. Sempre que fui nunca me arrependi. O sabadão promete! Uhuuuuu! Desculpa ter falado isso novamente, mas é que estou muito animado! E ainda nem tomei nada! Aquela latinha? Ah, uma latinha só não conta. Vou comer todo mundo hoje!
Estávamos passando pelo puteiro mais conhecido da cidade...
— Cara, o negócio aí deve estar pegando fogo! Olha só quanto carro estacionado ali na bagaça!
Pezão reduzindo a velocidade. Aí tem.
— Qualquer dia a gente precisa vir aqui pra sentir como é o esquema.
Pezão pára o carro no acostamento. Fodeu.
— Por quê parou?
— Estou vendo uma puta muito gostosa ali parada.
— E daí? Não vai dar uma rapidinha agora, vai?
— Vontade não falta. — e riu. Maldito Pezão do inferno.
— Acelera esta bosta aí, meu.
— Calma, cara! Eu só me lembrei de um bagulho engraçado que vi num filme alguns dias atrás.
Fodeu. Fodeu.
O Pezão continuou: — No filme o cara chegava perto da puta e perguntava se ela fazia uma determinada posição.
— E qual a graça disso?
— Calma, eu ainda não terminei, porra! Só que ele inventava uns nomes muito loucos. Tipo assim... "Ei, você sabe fazer cavalo-marinho com hemorróida?". Aí a puta ficava sem jeito. Foi muito engraçado no filme.
Putz! Será que ele quer fazer o que estou pensando?
Pezão ligou o carro e foi em segunda marcha até a prostituta. Diga-se de passagem, uma loiraça super gostosa, usando nada mais do que um top e um shortinho rosa. Nada mau. Pezão encostou devagar e abaixou o vidro do carro.
— Eu não acredito! — Sussurrei, enquanto procurava um lugar para esconder minha cara. O Pezão é louco! Eu avisei, né?
— E aí, gata!
— Oi, tudo bem?
Xiiiiiiiiiiii, imediatamente eu percebi uma coisa. A voz. Aquilo ali não era uma loira, mas sim um loiro, ou sei lá o quê! Ele devia estar muito tempo sem abrir a boca, e quando abriu deu uma entregada legal.
— Pezão, isso é homem! — Sussurrei desesperado, e louco para cair na risada.
Pezão não me deu atenção.
— E aí, gata, você sabe fazer um pica-pau com diarréia?
Quase me mijei de tanto rir! Mas a loira, ou o loiro, não gostou! Puxou um 38 da meia e falou grosso:
— Fodam-se, seus filhinhos de papai de uma merda!
— Acelera, Pezão! — gritei desesperado. — O cara tá armado!
Pezão pisou o mais fundo que pôde. Saímos dali quase que voando. E o traveco gritando:
— Acham que podem vir aqui e tirar uma com a minha cara?
Ouvimos um tiro! Mas acho que foi pra cima, sei lá. Mas foi um tiro!
— Cara, que loucura!!! — Eu não sabia se gritava, se gozava ou me mijava. Talvez mais tarde eu faça as três ao mesmo tempo!
— Uhuuuuu! — gritou o Pezão. — Você viu o 38 do cara?
Voltamos para a estrada à toda velocidade.
— Cuidado, Pezão!!! — gritei desesperado, atrás de nós vinha um ônibus ainda mais rápido.
— Caralho!!! — Nunca vi os olhos do Pezão tão esbugalhados.
O motorista do ônibus pisou no freio com toda a força, pois os pneus cantaram como eu nunca ouvira antes. Pezão jogou o volante para a direita e fomos parar no mato. O ônibus passou raspando a traseira do Gol. Ufa! Escapamos por pouco. Muito pouco mesmo. O coisa-ruim já estava prestes a levantar sua bunda gorda do inferno para vir nos buscar.
— Puta merda, cara! — gritou Pezão, com um sorriso mórbido. — Eu sou foda ou não?
— Como é que você me entra na estrada sem olhar para o retrovisor? Vai tomar no cu, Pezão!
O ônibus parou uns cem metros a nossa frente.
— Fodeu! — eu disse. — Agora vai descer o ônibus inteiro pra querer bater na gente.
— Putz! Será?
Pezão engatou a ré. Nada, o Golzinho nem deu sinal. Tentou novamente, a bagaça funcionou. Está pensando o quê? Isso aqui não é filminho americano barato não, daqueles em que o carro pifa e só pega no último segundo, justamente quando o trem ia pegá-lo em cheio. A vida real não é assim. Não tem eletricista baixinho que come a patroa, a irmã, a cunhada e a cozinheira. A vida é um complexo jogo de rápidas decisões. Putz! Será que ter passado por uma experiência de quase-morte mexeu com a minha cabeça? Eu, hein! Prometa-me, seu eu começar a falar assim você me dá uma bolacha nas fuças, ok? Beleja. Combinado. Segue a bagaça.
O ônibus tomou seu rumo novamente. Acho que o motorista só parou pra ver se os passageiros estavam bem, sei lá.
— Você viajou na maionese, Nando. Ninguém desceu do busão.
— Sorte a nossa. — Olhei para o relógio, 11:48hs. — Pisa fundo! Já estamos atrasados.
Pra quê fui dizer isso? Se em condições normais ele já pisa fundo, imagina agora! Saímos como uma Ferrari. Não a do Rubinho, a Ferrari do alemão, a que funciona. Alcançamos o ônibus em questão de segundos. Quando passávamos por ele o motorista abriu a janelinha e mostrou aquele simpático dedo para nós, e gritou:
— VÃO TOMAR NO CU, SEUS FILHOS DA PUTA DO CARALHO!!!
O grito do motorista não foi tão raivoso quanto aquele da irmã do Pezão, mas foi legal. Em retribuição eu também mostrei o meu dedinho lindo para ele. Pezão pisou mais fundo ainda e deixamos o busão comendo poeira.
Chegamos ao clube uns dez minutos depois. Meu, uma penca de gente! Carros estacionados pra tudo que é lado. Por sorte achamos uma vaguinha. Fechamos as janelas do Golzinho e descemos.
— Um Real, moço.
Putz! Zé Biruta me seguiu? Não, não é o Zé Biruta, mas um pirralho usando um boné do Chicago Bulls virado para trás.
— Não tenho, garoto. — disse o Pezão, trancando o Gol.
— Não estou pedindo esmola, cara. — disse o pirralho. — É um Real ou eu não garanto a integridade física do veículo.
Putz! O pirralho tomou umas aulinhas de dicionário Aurélio ou o quê?
— Sai fora, pirralho. — Pezão é um cavalheiro.
— Então é assim? — o pirralho ficou puto. — Se depois do show você encontrar um arranhão no Golzinho eu não tenho culpa, falô ? Ah, também pode acontecer de alguém pegar uma moedinha de 10 centavos e escrever "Cuzão" nos vidros. Pois é. Às vezes acontece, sabe?
Pezão deu meia-volta, meteu a mão na carteira e colocou cinco notas de um Real na mão do pirralho.
— Se eu encontrar alguma coisa diferente no carro, nem que seja um cocô de passarinho, eu pego estas notas novamente e enfio no seu rabo. Uma a uma. Entendeu?
O pirralho ajeitou o boné, pegou as notas e respondeu:
— Pó dexá, moço. Também não vou deixar que os pingaiadas mijem nos pneus. Fica frio.
O Pezão é cheio de querer, mas no fundo não passa de um bundão filhinho da mamãe. Ele tem sorte por ter grana, senão estaria completamente fodido.
Do lado de fora do clube já dava para se ouvir um puta som alto. Mas não estávamos perdendo grande coisa. Conheço a banda que está tocando, os "Nóia do Espaço Sideral". Bandinha filha da puta. Só tocam Reggae. Eu até curto Reggae, mas quando é bem tocado. O vocalista dos caras se veste como o Ozzy Osbourne, é mole? Agora tente imaginar um palco com alguém vestido de Ozzy cantando Reggae. Putz! Pra esta porra ficar famosa é mais fácil cada um pegar um pandeiro, rebolar a bunda e cantar pagode. Afinal qualquer um pode fazer isso. Se eu chegar aos 30 anos pobre eu já tenho uma saída, chamar aqueles meus amigos vagabundos e montar um grupo de pagode. Ganho uma puta grana e me mudo para Búzios. Fácil, né? Pior que é mesmo. Eu só conheço uma coisa mais fácil do que gravar um cd de pagode, a irmã do Pezão.
A fila para entrar está gigantesca. Acho que a região inteira baixou aqui. Meu, pra onde eu olho vejo mina gostosa. Bom, mas também tem os tribufus do inferno rondando. O negócio é procurar alguém conhecido para furar fila. Eu e Pezão começamos a caça. Encontro a primeira, a Claudinha. Xiiiiiiiiii, esta não, de jeito algum. Opa, espera aí, ela está acompanhada, mas o cara não é o vendedor de mamão papaia.
— Não é a Claudinha? — grita Pezão, apontando.
Claudinha nos vê. E o pior acontece, faz sinalzinho com a mão nos chamando. Putz!
— Cuzão. — dei um murro no braço do Pezão.
Chegamos até eles. Mesma ladainha de sempre, aperto de mão, abraços e beijinhos falsos, etc... Coisas de ex-namorada mala.
— Curtem Rappa? — pergunta o cara com a Claudinha. Jurandir é o nome dele.
— Não, odiamos, — respondi. — por isso viemos aqui para matar todo mundo. — eu tinha de tirar uma onda com o cara. Que pergunta idiota, não acham? Putz!
Todos rimos.
— O que houve com a sua língua, Nando? — perguntou a Claudinha, agarrada à cintura do Jurandir.
— Não sabiam? Última moda nos Estados Unidos. A minha está preta, mas tem de tudo quanto é cor. — e olhei bem para a Claudinha. — Até cor de mamão papaia deve ter.
Claudinha me olhou feio.
— Bom, precisamos entrar na fila. — eu disse, louco para sumir dali. — Foi bom te ver, Cláudia. — Aproximei-me para o beijinho falso na bochecha. Claudinha encostou seus lábios no meu ouvido e sussurrou:
— O do Jurandir é 8cm maior que o seu.
Fiquei pasmo. Eu não esperava isso dela. Perdi a cabeça, e disse:
— Então combina com o seu cuzão enorme! Ah, vá pra puta que o pariu!
Putz! Todos que estavam ali ouviram e olharam pra mim. Ah, dane-se, eu não me arrependo. Jurandir tentou vir pra cima de mim, mas Pezão o segurou.
— Segura tua onda aí, Jurandir.
A vantagem de sair com os amigos é esta.
Saímos dali e continuamos nossa busca. Encontrei muitos rostos conhecidos na fila, mas era um mais mala que o outro. Prefiro perder um pedacinho do show a encarar uma destas figuras:
Jonas Cravo – Estudante de programação, com certeza virá com aqueles papos chatos sobre Delphi e Visual Basic. Vetado.
Mário Martelinho – Viciado em automóveis, certamente vai querer me contar todos os lançamentos do mercado automobilístico, vai querer dar aula sobre o que é um 2.0, um turbo, etc... Vetado.
Juliana Argolinha – Acabou de ser promovida a gerente na loja da sua tia, sempre que me encontra me enche o saco para aparecer por lá pra comprar alguma coisinha. Meu, o que eu vou fazer numa loja de lingerie? Comprar um par de calcinhas pra minha mãe? Vetada.
Gerson Papudo – O falso comedor, este é um dos mais chatos. Cada mina que passa pela fila ele insiste em dizer quando e onde a comeu. Geralmente apenas 1% costuma ser verdade, o resto é puramente trabalho manual e muitos sites de sacanagem.
E por aí vai.... muitas outras figuraças estão por aqui, espero não esbarrar com nenhuma delas esta noite. O sabadão promete, só não sei o quê. Por enquanto estou desconfiado de que promete ser um pé no saco.
— Eu vi o Mamute! — gritou o Pezão de repente, apontando para um pedaço da fila.
Olhei atentamente. Era ele mesmo. Localizei-o facilmente, o Mamute é grande pra caralho.
— Não acredito. Olha a loira que está com ele!
— Puta merda! Não é possível, o Mamute é feio pra caralho.
Precisávamos ver mais de perto aquilo. Meu, só vendo vocês acreditariam naquela cena bizarra. O Mamute, puta gordo feio pra caralho, ao lado de uma loira maravilhosa. Os dois juntos pareciam um trailer do filme Shrek.
— Grande Mamute! — gritou o Pezão, dando dois tapinhas na barriga do Mamute.
— Olha só quem está aqui...
Eu ainda estava admirando a loira. Cara, que coisinha fofa!
— Beleja, Mamute? — disse eu.
— Tudo ótimo, cara. — e olhou para minha boca. — Mas que diabos aconteceu com a sua língua? Caralho!
— Última moda nos Estados Unidos, você sabe.
— Cara, acabo de chegar de lá, não vi porra nenhuma disso não.
— Ah, deixa quieto. — e olhei pra loira. — Não vai nos apresentar?
— Gostosa pra caralho, né? — disse o Mamute, bem na frente da mina.
A loira nem deu bola.
— Ela é americana, cara. Não sabe uma palavra em português. Bom, "quase" nenhuma. — Mamute lascou um puta beijo de língua na loira. Meus olhos quase cegaram. Ao término do beijo a loira vira pra mim e Pezão e diz:
— Eu, gostar, Brasil. — disse bem lentamente, e sorriu. Meu, que loira!
— Ela só sabe dizer isso? — perguntei.
— E o que mais ela precisa dizer? — disse Pezão, encarando os peitos fartos da loira.
— Sai fora, Pezão! Não é para o seu bico. Eu conheci a Jennifer na Disney.
— Mas como foi isso? Ela não fala português e você não fala inglês!
— Ah, sei lá. Coisas do amor.
Meu, ri muito. O Mamute apaixonado! Hahahaha De repente a loira começa a falar para o Mamute:
— Io quero te chupar todino.
— Putz! — diz o Mamute. — Eu ensinei um monte de frases pra ela, o problema é que ela troca tudo!
— Filio da puta, caralio — disse a loira com um baita sotaque gringo.
— Putz! No No No — dizia o Mamute, fazendo sinal com o dedo.
Eu e o Pezão rimos muito. O importante é que encontramos alguém pra nos ajudar a furar a fila. Meu inglês não é perfeito, mas eu conseguiria me virar com a loira. O problema é que o Mamute é ciumento pra caralho, e levar uma porrada do cara não estava nos meus planos. Achei melhor ficar na minha.
A fila ia andando lentamente. De repente meu celular toca.
— Alô! — precisei falar em voz alta.
— Nando?
— Lógico, caralho!
— Isso é jeito de falar com a sua mãe?
— Mãe? Desculpa, desculpa! O que foi? Por quê está me ligando?
— Estamos no pronto-socorro, Nando!
— Pronto-socorro? — gritei espantado. — O que houve?
— Seu primo, o Tadeu.
— O que aconteceu com ele, mãe?
— Eu ainda não entendi direito. Parece que ele amarrou um tijolo no ....
Tive o maior ataque de risos da minha vida. Todos na fila olharam pra mim. Pezão começou a me cutucar pra eu contar o que tinha acontecido, mas ignorei. Minha mãe prosseguiu: — Do que está rindo? Nando! Você não tem nada a ver com isso, tem? O garoto amarrou um tijolo no .... Ah, acho que você já entendeu. Parece que foi o seu primo mais novo que falou isso pra ele. Essas crianças!
— Mãe, dá um tempo! Por quê eu teria alguma coisa a ver com isso? Eu, hein!
— Você sabe muito bem porquê. — é, eu sei. Certa vez eu falei pro meu vizinho que se ele comesse sabão em pó ele peidaria bolinhas de sabão. Resultado, ele comeu meio pacote de OMO. — Bom, eu só liguei pra avisar, pois não sei quando vamos sair daqui do pronto-socorro.
— Valeu, mãe. Espero que não seja grave aí o problema do Tadeu... — não consegui segurar o riso. Notei que minha mãe também começou a rir, mas aí ela desligou o telefone.
Eu não conseguia parar de rir. Peço perdão, leitores, mas foi incontrolável. Quando contei para o Pezão e o Mamute ficamos os três às gargalhadas. Até a loira, que não tinha a menor idéia do que estávamos falando, deu risada.
Aproximávamos cada vez mais do portão de entrada, foi quando Pezão avistou a gordinha que ele comera no dia anterior. Lembram? A Jurumina.
— Puta merda, olha quem está ali.
Eu já tinha visto antes, mas fingi surpresa.
— A gordinha! — e dei uma risada alta.
— Fala baixo, cara! Eu não quero que ela me veja aqui.
— Seu cuzão, com a Claudinha você fez o maior escândalo, né?
Amigo que sou, retribuí o favor. Dei várias batidas na grade e chamei a atenção da gordinha. A mina estava com a mesma roupa, só mudara a cor, verde. Ela já estava para dentro dos portões do clube. Conversava com o chefe dos seguranças. A gordinha olhou para nós e localizou o Pezão imediatamente.
— Vacilão, você me paga! — sussurrou Pezão pra mim.
Mamute notou nossa briga e ficou curioso.
— Vocês conhecem a Jurumina? — perguntou o Mamute.
— Você a conhece? O Pezão comeu ela ontem.
— Não só comi como mandei ela pra casa do caralho.
— Puta que o pariu! — Mamute fez uma cara não muito boa para o Pezão, e olhou na direção da gordinha, esta ainda estava parada conversando com o chefe dos seguranças. — Está vendo aquele cara conversando com ela?
Pezão balançou a cabeça negativamente.
— Cara, aquele é o irmão dela!
Putz! Dei outra olhada pro cara. Baixinho, atarracado, certamente praticante de Jiu-Jitsu ou sei lá o quê. Cabelo com rabo de cavalo e um cavanhaque bem sem-vergonha. Figuraça. Um mano-a-mano com o cara não seria fácil. A gordinha não parava de olhar para nós, apontava e tudo mais, eles estavam falando de nós, com certeza.
— E daí? — disse Pezão, fingindo tranqüilidade. — Foda-se! O que ele vai querer fazer? Brigar? Nós três damos um jeito nele, certo?
Mamute fez uma cara não muito boa.
— De jeito nenhum, mano. O cara é chefe dos seguranças. Pensa bem.
— Puta merda. — disse Pezão, olhando para os dois.
A gordinha veio em nossa direção, sua cara não enganava, estava furiosa.
— Lembra de mim? — perguntou ela, com as mãos na cintura.
— Claro, gata! — os lábios de Pezão até tremiam. — Precisamos marcar um dia pra gente sair novamente. Eu gostei muito de você.
— Dá um tempo, cara! Eu tenho nojo de você.
— É mesmo? Ontem você não teve.
Dei um baita beliscão no Pezão. Ele enlouqueceu? O irmão da mina é chefe dos seguranças do clube, porra! Pra que irritar a gorda?
— Você está fodido, cara. — disse a gordinha. — Eu aconselho você a ir embora, caso contrário eu tenho até pena do que vai sobrar de você. — e olhou para mim. — E que diabos é isso aí na sua língua? Comeu bosta? — Fiquei na minha, eu não quero briga com o chefe dos seguranças. Eu, hein!
— Vamos ver então. — disse Pezão calmamente.
Não é coragem, meus amigos leitores, tenho certeza de que Pezão já tem um plano. Este plano é mais velho que a minha vó, mas vem funcionando com ele faz muito tempo. Grana. Neste exato momento Pezão já deve estar calculando quanto vai oferecer pros caras liberarem ele de uma possível surra. Conheço o cara, afinal somos amigos desde os 6 anos de idade. Sei o que a peste é capaz de fazer.
A gordinha voltou para o clube soltando fogo pelas orelhas.
— Cara, eu não acredito que você comeu a irmã do Berimbau. — disse Mamute, agarrado à loira.
— Be o quê?
— Berimbau. É o apelido do cara.
— Caralho, mas que porra de apelido é este? Berimbau?
— Por quê Berimbau? — perguntei.
— Calma, — disse Mamute, sorrindo. — daqui a alguns minutos o Pezão vai descobrir porquê.
Capítulo 4 · O Show.
A fila começou a andar. Estávamos bem próximos do portão. Pezão precisava tomar uma importante decisão. Entrar e arriscar um possível conflito com o Berimbau e os guarda-costas ou perder o show.
— Porra, dá uma luz aí pra mim, mano! — gritou o Pezão pra mim.
— Não sou lâmpada, Pezão! Decide aí, cara! Você sabe muito bem que eu até te ajudaria, mas olha só o tamanho dos caras! Nem fodendo! Eu quero ver o show com as minhas próprias pernas, não estou a fim de usar muletas.
— Com tanta mina por aí e você tinha de comer justo a irmã do Berimbau? — disse Mamute, encoxando a loira. — Tu é muito burro!
— Sai fora, Mamute! Burra é esta loira aí! Como é que um pitelzinho desse tem as moral de dar pra um cara feio como você?
A loira nem deu bola. Não entendeu nada mesmo.
— Vai tomar no seu cu, cara! Pelo menos eu não fico catando tribufu em barzinho de esquina, falou? A Jurumina é mó cruzamento de urubu com elefante! Acho que nem chapado eu teria coragem de comer uma mina daquelas.
Enquanto os dois brigavam eu fiquei de olho no decote da loira. Putz! Vai ter peito assim lá em casa! Maldito Mamute do inferno. Ainda não consegui entender o que a loira viu nele. Caralho grande? Não, já tive o desprazer de ver o bilau do Mamute num vestiário. Não é tudo isso. Ah, foda-se, o que me importa isso? Se tudo der certo eu também vou sair deste show com uma gostosa. Pensamento positivo!
— Quer saber? — disse Pezão de repente. Faltavam apenas uns três metros para o portão do clube. — Foda-se! Vou entrar.
— Issaê, mano! — Incentivei. Será que acabei de empurrar o Pezão para seus últimos minutos de vida? Hahaha ... Sei lá! Tenho certeza de que ele teria feito o mesmo por mim.
Mamute continuava encoxando a loira. Imagine só um elefante brincando com uma gazela. Imaginou? Beleza. Não está muito longe da imagem que estou vendo agora.
Passamos os cartões magnéticos pela catraca do clube.
— Esta porra aqui é falsa, cara! — gritou um dos seguranças. Nem preciso dizer que era justamente o meu cartão.
— Que isso, mano? Falso o caralho! — fiquei nervoso.
Os malditos seguranças começaram a rir.
— Brincadeira, cara. — disse o segurança, sorrindo e encarando os peitos da americana, bem atrás de mim.
Puta merda! Por quê será que nós homens adoramos fazer uma gracinha quando estamos próximos de uma mulher gostosa? Caralho! A cabeça de baixo é um perigo. A culpa é dela, tenho certeza. Bom, os peitões da americana também ajudaram um pouco.
Mamute quase ficou preso na catraca.
— Tá precisando de um regimezinho, Mamute! — disse Pezão, coçando o saco.
— Sua mãe não acha!
Os seguranças saíram pagando pau.
— Se tu não fosse tão gordo eu te arrebentava a cara! — Pezão ficou puto.
— Fica na tua, Pezão. Berimbau vai dar um jeito em você.
Mamute passou pela catraca. Pronto. Estamos os quatro dentro do clube. Falta só passar pela revista dos seguranças e partir pro meio do salão. Vou pular muito esta noite! Não quero nem saber!
— Berimbau o caralho! — disse o Pezão. — Foda-se o Berimbau.
Quando Pezão virou o corpo deu de cara com o próprio. Berimbau. Estava com as mãos na cintura e tudo. Cara de poucos amigos. Fodeu.
— O que você falou aí? — disse o Berimbau. Apesar de atarracado a sua voz não era nada assustadora. Tipo Mike Tyson, saca?
— E... e... eu? — Putz! Nunca vi o Pezão com o cu tão apertado em suas mãos. — Eu não falei nada.
— Eu ouvi você dizer Berimbau. Nunca mais repita esta palavra aqui no clube. Entendeu?
— Mas não fui eu quem disse, foi o meu amigo... — Pezão procurou o Mamute. Putz! Acreditam que o Mamute não estava mais ali? Maldito gordo do inferno! Como é que ele conseguiu ser tão rápido assim? Ele e a loira peituda já estavam pra lá dos seguranças. Acabavam de passar pela revista. O medo faz coisas impressionantes, não concordam? — Filho da puta. — sussurrou Pezão.
— Você vem comigo. — Berimbau agarrou sua nuca e o puxou.
— Oh, mano, me larga! — e olhou pra mim. — Não vai me ajudar, Nando? Porra, faz alguma coisa!
Dei um passo a frente e dois seguranças me barraram.
— Mas que porra é esta? — eu esbravejei. — O que ele vai fazer com o meu amigo?
— Fica frio, cara. — disse um dos seguranças, o mesmo que fez a gracinha com o meu cartão. — O Berim.... quero dizer, o chefe só vai...
— Conversar com ele. — completou o outro segurança, com um sorriso meio irônico nos lábios.
Fiquei um pouco preocupado. Mas eu conheço bem o Pezão, neste momento ele já deve estar com a carteira de couro aberta subornando o pessoal. Este é o Pezão que eu conheço. Ouvi alguém me chamar. Mamute, já dentro do salão. Passei pela revista sem maiores problemas e cheguei até ele. Sobre a luz fraca os peitões da loira pareciam ainda maiores. Cara, acho que estou gamando na americana! Hahahaha.... Também, com uns airbags daqueles até você estaria babando agora.
Já estava chapado de gente no salão. Graças a Deus a bandinha sem vergonha já havia sumido do palco. Agora tem um DJ comandando o ambiente, tocando Californication. Putz! Ainda me lembro de quando eu e uns amigos fizemos uma versão pra esta música. A nossa se chama Caralho Furniqueition. Bom, nem adianta me pedir, não vou contar como era a letra. Não neste horário. Hahaha ...... Tem criança assistindo.
Mamute chegou perto do meu ouvido e gritou para que eu pudesse ouvi-lo:
— Quer saber porquê o apelido do cara é Berimbau?
Acho que foi isso que ele me perguntou. O barulho está alto demais, do jeito que eu gosto!
— Claro! — e dei risada.
Mamute caiu na gargalhada, e deu um puta beijo na loira. Tô ficando de saco cheio deste agarramento. Preciso achar alguém depressa pra fazer isso também, porra! Não vim aqui segurar vela pro Mamute. Nunca imaginei que um dia eu ficaria segurando vela pro Mamute. Meu, no colégio o cara não comia nem as mina vesga e banguela!
— Ele não gosta deste apelido. — gritou o Mamute. — Ninguém tem coragem de falar isso na cara dele.
— Eu percebi mesmo. Mas conta logo! Por quê o apelido dele é Berimbau?
Mamute chegou perto de mim e gritou:
— Berimbau, DÁ O CU PRA NÃO GASTAR O PAU!!!
Puta merda! Eu quase me mijei nas calças! Hahahaha..... Putz grila!
— Caralho, Mamute! Você está brincando comigo.
— É verdade, cara. O nosso amigo pisa na chapinha.
Dei mais risada ainda. "Pisa na chapinha?" Eu pensava que só eu usava esta expressão.
Lembrei do Berimbau levando o Pezão pra dentro de uma sala fechada. Não me segurei. Caí na gargalhada.
— Putz! Só o pó do Pezão! Hahahaha
— Pezão já era, Nando. A partir desta noite vai ser Pezinha, a moçoila desgarrada.
Meu, eu preciso tomar um ar! Hahahaha .... Se eu continuar a rir deste jeito vou ter um ataque cardíaco! Putz!
Mamute começa a chorar de tanto rir, e aponta pra um lugar.
— Olha só quem vem vindo ali. — diz o Mamute.
Era o Pezão. Vinha caminhando lentamente, com as pernas meio bambas. Hahaha.... Estava meio escuro por ali, mas era ele mesmo.
— Pelo menos está vivo. — eu disse, tentando conter o riso.
Pezão chegou até nós.
— E aí, o que aconteceu? — Não suportei, acabei rindo no final da frase.
Pezão estava com uma cara séria. Apenas me encarou. Não disse nada.
— Vamos ali no bar, Nando. — disse o Mamute. — Estou com fome, quero comprar uma ROSCA! — e caiu na gargalhada.
Pezão ficou puto, e desconfiou de que já sabíamos de alguma coisa.
— Porra, ouçam bem o que eu vou dizer, — Nunca vi o Pezão tão sério. Nem parecia a mesma pessoa. — se contarem o que houve aqui esta noite eu conto pra todo mundo o que aconteceu em Ubatuba.
Opa! Nada disso. Ubatuba é caso arquivado. Tipo arquivo X. Não se comenta.
— Beleza, Pezão. — disse Mamute, sério. — Fica frio.
— Grande Pezão, fica frio. — eu disse. Afinal Ubatuba é algo que não deverá ser revelado nunca! Puta merda, não gosto nem de me lembrar. Olhei para o Mamute e disse: — Não aconteceu nada aqui, certo?
— Isso aí, Nando. — Mamute também tem problemas com o famoso incidente em Ubatuba.
— Isso aí. Já é passado. — disse Pezão, passando a mão na bunda da loira. Maldito cara, só ele mesmo. Mamute nem percebeu. A loira fingiu que não viu nada. Hahahaha.... Se eu soubesse que a reação dela seria esta eu teria apalpado aquela bundinha faz tempo! — Uhuuuuuuu! Agora é sair catando a mulherada! — Pezão voltara ao normal.
O maldito DJ começa a tocar a música Bota Pra Mexer, do Maurício Maniéri. Putz! Alguém aí me vê uma bala pra eu matar este maldito DJ! Porra, fala sério! Depois de Californication ele emenda Maniéri? Este DJ deve ter cheirado um do bão.
— Vamos lá pegar uma. — disse Pezão, já indo em direção ao bar do clube.
— Claro, demorou! — Uhuuuuu! A noite promete!
Mamute e a loira foram para outra direção.
— A gente se tromba por aí. — disse Mamute, agarrando a bunda da loira.
— Beleja. — respondi. Meu, só eu não belisquei a bunda da americana? Porra, sacanagem!
A fila do caixa estava longa. Meu, quem será o cara que inventou a cerveja? Se algum dia você descobrir fala pra ele passar lá em casa pra gente tomar umas. Este cara foi um gênio. Devo umas quatro transas a ele. Fala sério, comer mulher bêbada é muito engraçado, e arriscado também. Lembro-me de que destas quatro, três estavam tão chapadas que nem se lembravam o que é uma camisinha. Eu ficava falando: "Espera um pouquinho, vou pegar a camisinha", e a mina respondia, aos soluços: "pega não, cara! Pega não! Pra que mais uma camisa? Você já está usando uma, vai sentir calor, cara!" hahahaha .... Eu, hein! Uma delas confundiu o câmbio do carro com o meu bilau. Este dia foi muito engraçado. Eu ainda tirando a cueca e a mina tendo seu quarto orgasmo sentada em cima do câmbio. O pior de tudo foi que eu fiquei apavorado, pois eu cheguei a pensar que tinha perdido a sensibilidade do meu pau! Hahahaha.... Eu pensava comigo: "Caralho! A mina está quase morrendo de tanto tesão e eu não tô sentindo nada! Maldita Caracu!" Hahahaha..... Histórias de bebedeira todo mundo tem, ou não tem? Fala sério, confessa. O pior é quando a gente chega em casa e encontra os pais sentados na sala te esperando. Ainda bem que isso nunca aconteceu comigo, ou eu estava tão chapado que não me lembro, sei lá.
Quase a nossa vez no caixa, só tinha uma morena baixinha muito gata na nossa frente.
— Uma latinha de cerveja e uma de Pepsi, obrigada. — disse ela, enfiando duas notas de um Real pelo guichê.
— Tá faltando 50 centavos, mocinha. — disse o caixa, com uma cara de poucos amigos.
— Ah, quebra o galho da menina! — gritou Pezão de repente.
A moreninha olhou para trás e deu um sorriso para o Pezão. Pronto, o filho da puta já arranjou alguém. Querem apostar?
— Não sou macaco pra quebrar galho. — disse o caixa.
— Sabia que você é muito grosso? — resmungou a moreninha, pegando o dinheiro de volta.
O caixa a ignorou completamente. Pezão enfiou a mão na sua volumosa carteira e comprou três cervejas e uma Pepsi. Uma cerveja pra moreninha, outra pra mim e outra pra ele. Maldito Pezão, quando tem mulher na parada o filho da mãe parece um anjo caído do céu. O problema das minas é quando elas descobrem que ele não passa de um lobo em pele de cordeirinho.
A moreninha pegou a latinha de cerveja, abriu e tomou com gosto. Eu e Pezão ficamos espantados. Pelo menos eu nunca vi uma garota tomar cerveja com tanto gosto. Pezão já colocou a mão na cintura da moreninha e perguntou próximo ao seu ouvido:
— Então a Pepsi é para quem? Não é para o namorado, é?
— Não. — Pezão olhou pra mim e fez sinal de jóia, a moreninha não viu. — A Pepsi é para a minha amiga.
Uhuuuuuuuu! Também me dei bem!!! Uhuuuuuuuuu!
Voltamos para o salão, agora o DJ me inventa de tocar um pagode. Putz! Eu preciso saber quem é este filho da puta deste DJ. Onde ele aprendeu a tocar? Caralho! Quem se deu bem foi o Pezão, a moreninha gostosa começou a rebolar sua bundinha, jogando todo seu charme pra cima dele. E precisa? Pezão é tarado por natureza, assim como eu! Hahahaha...... O nome da moreninha é Kátia, veio ao show com a amiga Letícia. Hummm, belo nome. Espero que seja tão gata quanto a morena. Pezão botou a mão na cinturinha fina de Kátia.e começou a beijar o pescoço da morena. Após deixar uma tremenda marca de chupão no pescoço de Kátia ele se estica todo e chega até o meu ouvido e diz, com um largo sorriso entre os lábios:
— É hoje, mano! Me dei bem!
— Cadê a amiga? — perguntei.
A moreninha vira e lasca um beijo de língua no Pezão. Maldito safado filho da mãe. Agora eu me pergunto, teria a moreninha feito tudo isso se não tivesse visto a carteira gorda na mão do Pezão? Posso ser sincero? Aqui, ó! Fiz uma banana, mentalmente, é claro.
Após um longo beijo o Pezão perguntou pra morena:
— Onde está a sua amiga? Meu amigo ali já está a perigo!
Kátia sorri e olha pra mim.
— Você vai gostar da Lelê, ela é super legal.
Lelê? Legal? Xiiiiiiiiiii, estou sentindo cheiro de encrenca. Eu gostaria tanto de rebobinar a fita e ouvir: "Você vai adorar a minha amiga! Ela é linda e gostosa. Precisa ver os peitinhos durinhos e e bundinha empinada!" Bons sonhos, Nando. Esqueceu? Isso aqui não é filminho americano. Não é episódio de Malhação. Isso aqui é a vida, onde Vespúcias, Izildinhas, Juruminas e outros tribufus dos horrores existem. Seria a Lelê um tribufu? Seria a Lelê uma combinação de coisa-ruim com porco-espinho? Agora é tarde, vamos em frente.
— Como ela é? — é ridículo perguntar isso pra amiga. É lógico que ela nunca iria dizer que a amiga é vesga e com dentes podres. Mas agora já perguntei.
— Ah, não quero estragar a surpresa. Já estamos quase lá, espera um pouquinho. Deixei ela com o meu irmão.
Putz grila! Deve ser fubanga, a menos que o irmão dela...
— Meu irmão é o DJ que está tocando hoje. Legal, né? — ela olhou pra mim. Será que a morena lê pensamentos?
— Oh, da hora. — Putz! Sorte a dela ser uma gatinha, e se tem uma coisa que aprendi é que sempre devemos concordar com mulher bonita. Não importa o assunto, eu concordo. — Só musicão. — Putz! Esta doeu. Ainda mais com a música que o irmão dela começou a tocar: Dança da Garrafinha.
Pezão agarrou novamente a cintura da morena e lascou o linguão na sua orelha. Enquanto recebia a linguada a morena olhou pra mim e disse:
— Achei estaile a sua língua. Como é que você deixou ela desta cor?
— Produto importado da Dinamarca. — Até eu já estou começando a acreditar nesta estória.
— Só, maneiríssimo.
Já vi tudo. Esta mina é daquelas que topam transar a três. O famoso Ménage à Trois, para os tarados de plantão. Você já conhece, né? Fazer que é bom ... nada. Liga não, eu também nunca fiz. A menos que o câmbio do Pálio seja considerado uma terceira pessoa, né? Hahaha ... Bom, tudo tem uma primeira vez, certo? Uhuuuuuuuu!
Voltamos pro salão, o lugar estava mais cheio que Maracanã em dia de Flamengo X Vasco. Foi empurrão pra lá, sovaco pra cá, passada de mão ali, beliscão acolá, e tudo isso só pra chegar até o babaca do DJ, e é claro, até a Lelê. Vocês precisam ver, estou com as duas mãos fazendo figas. Tomara que a Lelê seja uma tremenda gatinha como a amiga Kátia. Tomara!
De repente o ambiente fica ainda mais escuro. A galera se agita e começa a gritar: "Rappa! Rappa! Rappa! Rappa!" Uma voz surge nos alto-falantes. A galera vai ao delírio, mas ao perceber que o dono da voz não tinha nada a ver com a banda começa uma vaia ensurdecedora. A voz no alto-falante surge novamente:
— Calma, pessoal! Calma! — repetia o cara. — Deixe-me explicar o que está acontecendo.
Olhei no relógio, já era quase 1 da madrugada. O show estava atrasado.
— O show do Rappa vai atrasar um pouco.
Mais vaia. Meus ouvidos quase estouraram.
— Calma, pessoal! Deixe-me explicar o que houve.
As vaias diminuíram.
— A banda teve um pequeno probleminha vindo pra cá. Mas está tudo bem. Só vai atrasar um pouco a entrada deles no palco, só isso.
Mais vaia. Um mais exaltado gritou:
— Sai daí, cuzão!!!
— Enquanto isso o nosso grande DJ Adbaílson vai detonar todas na pista, valeu?
Putz! DJ Adbaílson? Agora quem ficou com vontade de gritar "Sai daí, Cuzão" fui eu!
— É o meu irmão! — gritou a Kátia, arrastando Pezão pelo braço.
Porra, mina, se eu tivesse um irmão deste eu me matava com três tiros na testa. Fala sério. Enquanto isso DJ Adbaílson me coloca um CD arranhado. E tome vaia!!! Esta vaia até eu fui no embalo. To cagando e andando se a Kátia ouviu. Quem está a fim de comê-la é o Pezão mesmo, não eu. Quero dizer, a fim eu também estou, mas a preferência está com o Pezão. Maldito Pezão do inferno. Além disso eu não acho interessante meter minha boca onde o Pezão já enfiou o linguão dele, me dá arrepios só de imaginar.
Neste momento o salão está tão escuro que tive de agarrar a camisa do Pezão para não me perder deles. Larguei minha latinha de Brahma pelo chão. Estávamos próximos do local reservado para o DJ, o que indicava que também estávamos próximos de Letícia, ou Lelê para os íntimos. Só vai ter um problema: ver como ela é. A porcaria do lugar está um breu só! Bom para Pezão e Kátia, que já estão aos amassos. Mão naquilo e "coiso" na coisa. O bicho tá pegando entre os dois.
— O motel é pra outro lado! — brinquei, cutucando os dois. Kátia virou pra mim e disse:
— Wando, né?
— Meu nome? Não! É NANDO! Na verdade é Fernando, mas nem meu pai me chama assim.
— Ah, tá. Espera um pouquinho, vou ali buscar a Lelê. Ela curte caras de aparelho, vai gostar de você.
— Mas eu não uso aparelho! — Porra! Esta mina é maluca?
— Ah, só. Ela também. Espera aí. — Antes passou a mão na bunda do Pezão. Putz! Pezão se deu bem mesmo, descolou uma biscate das boas. Bonitinha, gostosinha e o mais importante... safadinha. Tomara que a minha também seja assim.
Quando a Kátia sumiu na multidão Pezão veio pra cima de mim, com o olhar sacana de sempre.
— Meu, que coisinha! Viu só? Quando os peitinhos encostaram em mim eu fiquei com medo do zíper da minha calça não agüentar a pressão do...
— Vai se foder, Pezão! Não estou a fim de saber disso não. Sai pra lá.
— Está nervosinho por quê, mano? Ela foi buscar a amiga, meu! Deve ser um tribufu dos horrores, mas... Foda-se! Eu cataria.
— Falar é fácil, você ficou com a gostosa.
— Gostosa e biscatona mesmo! Nem imagina o que ela me falou baixinho nos meus ouvidos. Cara, me dei bem! É hoje que o Golzinho vai quebrar a suspensão!
Bom, não custa perguntar:
— Será que ela topa Ménage à Trois?
Pezão me olha com cara de maluco e:
— Homenagem pra quem?
Pra quê fui perguntar, né? A culpa foi minha. Perdão, amigo leitor.
— Deixa pra lá, Pezão.
Puta merda, como tá escuro! Nem mesmo o jogo de luzes do clube ajuda. De repente...
— Aqui está a Lelê, Wando.
— É Nando! — Porra, será que é de propósito?
— Oi, Nando. — Oloko, gostei da voz, o problema foi saber de onde vinha. Ta um breu danado. Ah, sim, um vulto. Agora melhorou um pouco.
— Oi. Letícia, né? — peguei alguma coisa, uma mão. Macia! Estou gostando.
— Pode me chamar de Lelê.
— Tudo bem, Lelê. — Beijei-lhe a face. Até aqui tudo bem, eu só queria ter a oportunidade de ver o rosto dela. Apesar das silhuetas não dá pra ver como ela é.
— Vou deixar vocês dois sozinhos. — disse Kátia. — Divirtam-se!
Sorrimos. Bom, pelo menos eu acho que a Lelê sorriu. Tentei olhar bem pra ela, deu pra notar que era mais alta que a Kátia. Cabelos compridos, talvez. Esta curiosidade está me matando!
— Você é daqui? — perguntei.
— Não, estou de férias. Moro em Curitiba. Vim passar uma semana na casa da Kátia. Somos amigas de infância.
— Só por curiosidade, quantos anos você tem?
— Tenho 18 anos, e você?
Uhuuuu! 18 aninhos! Bom sinal.
— Sou bem mais velho. — brinquei.
— É mesmo?
— Pois é, tenho 19 anos. São 12 meses a mais, sabia?
Ela sorriu. Não sei o motivo, minha piada foi horrível. Pra ajudar, o irmão da Kátia começou a tocar Ivete Sangalo. Ah, não curto, mas também não mata ninguém. Passa.
— Meu, eu amo esta música! — disse Lelê.
— É mesmo? Quer dançar?
— Sim.
Agarrei a cintura de Lelê e depois de algumas cotoveladas conseguimos encontrar um ponto razoavelmente vazio no salão. Notei que a cinturinha dela não era tão fininha quanto a da Kátia, mas... dá pro gasto.
— O que você faz? — perguntei. — Estuda? Trabalha?
— Trabalho com o meu pai durante o dia e estudo no período da noite.
Garota batalhadora. Gostei. Na verdade eu queria a biscate, mas tudo bem.
— O que o seu pai faz?
— Ele é agente funerário.
— Interessante.
Obs.: Interessante = "Eu, hein! Putz grila!"
— Eu gosto de trabalhar na funerária. Eu me dou bem com os mortos, sabe?
— Legal. — Putz! Quem é esta garota? A Mortícia da Família Addams?
— Eu falo com os mortos, sabe? Faço carinho neles. Só por quê morreram não significa que não sintam afeto. Não concorda?
— Opa, é verdade. — Putz! Alguém me tira daqui!!!
Não riam, caros leitores. Estou numa situação delicada. E se ela for uma tremenda gata? Peitinhos e bundinha empinada. Oh, alguém aí em cima, sei que nunca fui bem visto por aí, mas me ajuda! O que eu faço?
— Meu pai fala que eu levo o maior jeito com os mortos, sabe?
— Interessante.
— Você deve estar me achando uma louca, não é?
Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu? Imagina!
— Estou não, Lelê. Eu também curto estas paradas aí de gente morta. É verdade. Conhece Julio Fantasma?
— Não. É alguma banda?
Puta merda, eu preciso descobrir como é o rosto dela de qualquer jeito. Se ela for gostosa eu simplesmente ignoro tudo o que ela me disse até aqui e sigo a noite com muito beijo de língua e a famosa mão boba. Nem vou me importar se ela já transou com morto.
— Não é banda não. — e dei um sorrisinho. — Quer tomar alguma coisa?
— Ainda estou tomando. Minha Pepsi não acabou.
— Ah, ta. Mas a minha ... coca-cola já acabou. Vamos até o bar comigo?
Preciso levá-la até um local claro urgentemente!!!
— Ah, mas tem muita gente pelo caminho. Prefiro ficar aqui e...
Puxei-a delicadamente:
— Vem comigo, vai ser divertido. Te compro umas balinhas de menta. Vem.
— Tudo bem então.
Entre cotoveladas, apalpadelas daqui, beliscões dali nós fomos passando pela multidão. Em certos momentos eu nem via pra onde estava indo, mas segui em frente. Mais cedo ou mais tarde eu chego lá no bar.
— E você, estuda? — perguntou Lelê.
— Estou fazendo cursinho. Ano que vem vou prestar vestibular pra Direito.
Acho que ela não ouviu o que eu disse. Na verdade nem eu ouvi direito, o babaca do Adbaílson começou a tocar "Olha olha olha a água mineral...." O bicho pegou, meus amigos, nunca vi tanto sovaco passar diante de meus olhos como estou vendo agora. Brasileiro é foda. Não pode ouvir música de carnaval que fica louco. Precisa ver, até a galera heavy metal com camisa do Iron Maiden e Stratovarius pulando ao som da Timbalada, ou sei lá quem canta isso.
Bom, o grande momento da noite está próximo. Chegamos ao bar, onde a luz já era o mais próximo do normal. Minha mão direita agarrada à mão delicada de Lelê. Bastava apenas eu olhar para trás e vislumbrar o físico de Letícia, ou Lelê para os íntimos. Será ela uma deusa? Será ela um cruzamento de jumento com mamão papaia? Putz! É agora. Virei lentamente meu rosto em sua direção e...
Capítulo 5 · O Rappa no Palco. Agora o Bicho Pega!
SANTA PIXIRICA!!! Diga que não é verdade! Diga que não é verdade! Não é possível isso acontecer comigo! O que eu fiz de ruim para merecer isso? (Bom, na verdade eu fiz muitas coisas ruins para merecer isso.) Mas não é justo! Eu já vi meninas feias nestes meus 19 anos de vida. Já vi meninas que pareciam cruzamentos de girafa com o filho do demônio. Sim, amigos, eu já vi. E garanto que você também já viu. Mas... Letícia.... ou Lelê para os íntimos... superou todas. Lelê é tão feia, mas tão feia, que ao me virar em sua direção eu pensei que havia morrido e o coisa-ruim estava ali pra me levar. Lelê é tão feia que conseguiu abrir um clarão próximo ao bar. Todos ficaram com medo dela. Lembra daquela sua vizinha feia pra caralho? Lembrou, né? Sei que você deu uns amassos com ela naquele feriadão em que todos foram para a praia e vocês ficaram sozinhos. Bom, mas isso não vem ao caso. O importante é que você lembrou dela, né? Então... multiplique a feiúra dela por 500. Agora acrescente duas Dercy Gonçalves e mexa bem. Depois deixe ela chupando limão sobre um formigueiro por mais 5 horas. O resultado? O resultado ainda será bem melhor do que Letícia, ou Lelê para os íntimos.
— Hummm, agora dá pra eu ver o seu rosto. — disse ela, apertando carinhosamente minha mão.
E agora? O que eu faço? O que eu falo? Eu mal consigo olhar pra ela!
— Pois é. Lá estava escuro, né?
O povo ao meu redor olhava para Letícia um pouco assustado. Caro leitor, não pense que eu estou zombando da garota. Não é isso! Eu só não tenho culpa da mina ser o maior tribufu do inferno que já vi em toda a minha vida!!! Agora eu entendo porquê ela se dá bem com os mortos. Acho que eles pensam que ela também já morreu, e de um acidente bem feio, tipo batida de caminhão basculante com trem-bala.
— Você é muito bonitinho. O que achou de mim?
Puta merda! Eu já me vi em situações complicadas, mas esta aqui vai entrar para a história. Maldito Pezão, ele tem as manhas de dizer para a mina: "Olha, tu é feia pra caralho!". Mas eu não sou assim.
— Olha, tu é mó gatinha.
Pra quê acabar com a noite da garota, não acham? Só porquê a minha noite está uma bosta não é justo eu fazer um rebosteio geral na noite da Lelê.
— Brigadinha. — ela sorriu pra mim. Será que sorriu? Seu rosto é muito estranho. Bom, acho que sorriu, ou seria uma fungada? Sei lá. — Preciso ir ao banheiro. Não saia daqui, ta?
Fiz sinal positivo com a cabeça. Estou transtornado demais para dizer alguma coisa. Preciso tomar alguma coisa! Além de tomar no cu, é claro. Pois não sei se vocês já perceberam, mas só tomei no cu até agora. Isso, vou encher a cara! Talvez bêbado a Lelê fique parecida com a Sheila Carvalho, não concordam? Você deve estar gostando da minha desgraça, não está? Claro que está. Baranga no pau dos outros é diversão.
Putz! Cabeção vem vindo pro meu lado. Ele é o maior xarope que já conheci. Outro playboizinho metido a gostosão. Ás vezes saía comigo e Pezão para as baladas. Mas agora está namorando e sumiu. Ainda bem! Mas agora está aqui.
— Diz aí, Nando! — disse ele, acariciando seu cabelo melado com gel. Eu também uso gel, mas ele usa um tubo por noite. Fala sério!
Putz! Será que ele me viu com a Lelê? Aí fodeu.
— Eu não sabia que você costuma levar seu cachorro para passear à noite!
Do que ele está falando? O filho da puta começou a rir. Putz! Só agora caiu a ficha.
— Não fala assim da mina, Cabeção. Porra!
— Desculpa, aquilo com você era uma garota? Caralho, eu pensei que fosse um daqueles anões feios pra caralho que tem no programa do Marcos Mion.
— Vai se foder, cara. — e empurrei o mala. Cabeção, já meio bêbado, quase caiu dentro do salão. Os outros playboizinhos de merda o seguraram. Depois disso me afastei. Não estou a fim de briga. Estou a fim de uma birita!!! Só a birita me salva hoje.
Cheguei no caixa para fazer meu pedido. Não havia fila. Só eu. O mesmo cara ainda estava ali atrás do guichê. O mesmo que não quis vender a cerveja e a Pepsi para Kátia, a biscate.
— Se deu mau, hein! — disse ele, retirando alguma coisa entre os dentes.
— Porra, e precisa me dizer?
— A outra, a moreninha, aquela é uma tremenda biscate. Deve dar um cu como só ela sabe. Seu amigo, o playboizinho, aquele se deu bem.
— Tomara que a mina tenha gonorréia.
Incrível! Consegui fazer o caixa dar uma risada. Em tantos anos de clube eu nunca vi aquela figura sorrir.
— Não duvido nada. Aquela dá pra todo mundo nos finais de semana. — ergueu o corpo e olhou pelo guichê. — Cadê a coisinha feia?
— Foi ao banheiro. Deve ter ido bater um barro. Enquanto dançávamos eu senti um puta cheiro estranho. Acho que era ela peidando. Sei lá. A mina é mó estranha.
— Será que ela consegue distingüir quem é ela e quem é a merda?
Putz! Coitada da Lelê. Mesmo assim eu acabei rindo do que ele disse.
— O que acha que eu devo fazer, cara? — xiiiiiii, resolvendo problemas com o caixa do bar do clube? Tô literalmente fodido. Cheguei ao fundo do poço.
— Ah, não sei não. Só não faça com a sua vida o mesmo que eu fiz com a minha.
Puta merda. Agora o caixa vai querer contar sua história de vida. Fodeu mais ainda.
— Pois é. — Tentei sair fora. — Tem Brahma aí, meu velho?
— Ouça o que eu vou lhe dizer... na sua idade eu também era assim. Ficava escolhendo muito. Só ia nos filés. Sabe o que aconteceu comigo? Estou eu aqui, 33 anos, solteiro, ganho uma bosta de um salário e não como ninguém. Nem sei mais como é uma xereca. Ainda tem pêlo e tal? — Fiz que sim com a cabeça. Não quero alongar o assunto. — Então, é isso que tenho a lhe dizer. Não seja tão seletivo. Nem sempre a mulher dos seus sonhos é uma Izildinha Goretti.
— Quem?
— Ah, não é do seu tempo. Só te digo uma coisa, os peitos de Izildinha eram capazes de amamentar um exército. Sua xereca era tão cheirosa que fizeram até um perfume. Vinha nuns vidrinhos muito bonitos. Você é muito garoto pra se lembrar disso. Minha tia usava este perfume: Xereca de Izildinha. Bons tempos...bons tempos...
— Pois é. E a minha cerveja?
— Ah, sim, desculpa. — e olhou meio estranho para mim. Putz! Já sei. — Que porra é esta aí na sua língua? Comeu cocô?
Fiquei na minha. Melhor ficar quieto e me livrar dele. Enquanto isso vi Lelê sair do banheiro.
— Caralho! É feia demais, cara. — eu disse em voz baixa.
O caixa me entregou a latinha de Brahma. Abri rapidamente e tomei 2 goles. Eu mereço, não mereço? Claro que mereço.
Virei para o caixa e disse:
— Foda-se, vou seguir seu conselho. Vou ficar com a mocréia esta noite.
O caixa me olhou espantado e me disse:
— O quê? Você está louco? Siga o meu conselho amanhã! Aquilo ali eu não comeria nem se um Padre fizesse exorcismo!!! Eu, hein!
Puta merda! Lembrem-me de nunca mais ouvir histórias de um caixa de bar! Pelo menos as do Gordo são engraçadas.
Lelê se aproxima. Quase não consigo olhar pra ela. Ela me lembra a namorada do Ashley, do filme "A Morte do Demônio". Lembra daquela cena em que ela fica presa no porão? Putz! Esta é a Letícia, ou Lelê para os íntimos. Será que se eu tomar esta latinha de uma vez só e correr com a Lelê até o meio do salão escuro eu consigo esquecer que ela é a cara da filha do diabo? Não custa nada tentar, né?
— Oi, sentiu minha falta? — disse Lelê, ajeitando a calça apertada naquela bunda murcha.
— Opa, senti sim.
Na verdade eu senti falta de uma espingarda. Estou louco pra dar um tiro na minha própria testa e esquecer o que vim fazer aqui neste mundo cruel.
— O banheiro não tinha papel higiênico. Acredita nisso? Não deu pra eu me limpar.
Oh, será que só eu ouvi isso? A mina, além de ser a cara do satanás, vai começar a feder carniça? Porra, assim já é demais. Eu devo estar num pesadelo. Deve ser isso. Vou me beliscar. Puta merda! Não é pesadelo, o beliscão doeu pra caralho! Alguém aí já assistiu Contos da Crypta? Se você nunca assistiu aproveite, pois isso aqui está praticamente a mesma merda. A única diferença é que aqui não vai ter nenhum diretor dizendo "Corta!" no final da cena. Aqui é a vida real. No final eu vou acabar fodido. Só não sei como e onde. Mas vou acabar fodido, disso eu tenho certeza.
Não, pára com isso! Pensamento positivo! Será que eu consigo? Afinal eu estou com a mina mais feia da festa, além disso já estou sentindo um cheirinho de ovo podre.
— Que coisa chata, hein! — eu disse, fingindo indignação. — Não tinha jornal, nada?
Neste momento ouvi uma puta gritaria vindo do salão. Isso só pode significar uma coisa! O Rappa no palco! Tomei a metade da latinha num só gole, agarrei o braço de Lelê e corremos feito loucos para o salão. Foda-se. Vou pular tanto que nem vai sobrar tempo para lembrar da cara feia de Lelê.
Depois de muito empurra-empurra, cotoveladas, sovacadas, beliscões na bunda e tudo aquilo que só uma multidão faz por você.... chegamos até um ponto legal dentro do salão. Não estávamos nem muito perto nem muito longe. O importante é que estávamos. Eu e Lelê. Finalmente sobre a escuridão. Oh, coisa boa! Agora no escurinho a Lelê vai dar pro gasto. Isso se o cheiro da xereca suja dela não me deixar tonto e eu desmaiar, né?
O Falcão, vocalista, pegou o microfone e começou a dizer algumas palavras. Não entendi direito, pois.... eu estava beijando Lelê!!! Sim, e de língua! Como diria o velho filósofo: Fodido por 1, fodido por 10! Enquanto eu passava minha língua preta pelo céu da boca de Lelê o Falcão dizia:
— ... e é uma puta honra pra gente estar aqui tocando pra vocês. — A multidão gritou e aplaudiu pra caralho. — Eu, em nome da banda, peço desculpas pelo atraso. Vocês não imaginam os filhos da puta que encontramos na estrada. Dois palhaços num Gol vermelho.....
O quê? Eu ouvi bem? (Minha língua ficou paralisada dentro da boca de Lelê) Gol vermelho? Será que .. ?
Falcão prosseguia:
— Eu não sei se estes dois estão aqui no show. Na verdade eu não dou a mínima, eu só digo uma coisa, se vocês dois estão por aqui..... PEGUEM AQUELE ADESIVO DO BAD BOY E ENFIEM NO CU!!!
Puta merda! O carro do Pezão tem um adesivo...
O celular toca. Nem sei como consegui ouvir.
— Alô? — atendi.
— É nóis na fita, manô!! — Pezão, é lógico, aos berros.
O Gol vermelho do Pezão tem um puta adesivo "Bad Boy" no vidro de trás.
— O ônibus era dos caras! Puta merda!
Pezão não parava de rir ao celular.
— Fica quieto aí, cabação! Se esta galera descobre que somos nós os "dois babacas" responsáveis pelo atraso do show nós estaremos mortos! Segura a tua onda, mano!
— Dá um tempo, Nando! — e desligou o celular. Maldito Pezão filho da puta.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Lelê, agarrando a minha bunda.
— Nada não.
Só sei que nunca mais compro CD dos caras. Não costumo comprar nada de quem me manda enfiar coisas no meu cu. Concordam?
Enquanto isso o Rappa já estava tocando "... todas comunidades do engenho novo. Eu moro na comunidade do engenho novo." Não está entre as minhas músicas favoritas, mas... foda-se. Agarrei a bunda murcha de Lelê e me esfreguei ao máximo naquele amontoado de carne seca. Putz! Acho que a birita já está agindo. Ah, manda bala! Saiu na chuva é pra se molhar, certo?
O tempo foi passando e fui me esquecendo da feiúra de Lelê. Só achei uma pena ela ter aquela bunda murcha e os peitos ovos-fritos. Necessitada como ela está.... eu teria acesso livre aos dois.... hehehe.... Putz! Marvada birita! Olha só o que ela está fazendo comigo! Eu, encoxando a própria filha do satanás. Isso não deve ser nada bom para o meu currículo.
Quem é vivo sempre aparece.... Mamute. Agora sozinho.
— Cadê a loira? — perguntei, abraçado à Lelê. Pois é. Que dureza!
Mamute custou pra me achar. Estava meio chapado e com a cabeça baixa.
— Hã? Nando? Porra, cara, a gata me deixou.
Opa! Será que agora eu tenho chance com a peituda?
— Caralho, Mamute! Mas o que aconteceu?
Dica: Você até pode sentir tesão pela mulher do próximo, mas nunca demonstre se você estiver próximo.
— Ah, sei lá, ela começou a falar uns negócios em inglês ... tipo ... fãquiu... fãquiu ... sei lá. Não entendi nada. Só sei que tomei um pé na bunda.
— Esquenta não, cara! — Porra, enquanto estou aqui falando a loira está desamparada por aí!!! Bom, na verdade eu duvido muito disso. Uns peitões daqueles nunca ficariam desamparados em lugar algum. Nunca!
— Vou dar uma mijada. — disse Mamute, com os olhos cheios de lágrimas. — Porra, nem consigo me lembrar onde fica esta merda deste banheiro.
Também estou louco pra dar uma mijada. Acho que vou acompanhar o Mamute.
— Você me espera aqui, Lelezinha? Preciso ir ao banheiro. Já volto.
— Vai lá, gato.
Eu disse Lelezinha? Putz! A birita é da boa mesmo!
Neste momento a banda começou a tocar minha música favorita: "Lado B Lado A". Mas não tem jeito, eu realmente preciso mijar. Ou vou acabar mijando pra todos os lados, lado B, lado A, lado C e o escambau. Quando o bicho pega não tem outra solução a não ser o bom e velho WC.
Garotas, se vocês ainda não tiveram a oportunidade de conhecer um WC masculino... nem percam seu tempo. Não perderam nada. Um fudum desgraçado, o chão todo molhado com água, mijo e sabe-se lá o que mais.... Putz! Dá até arrepio. Geralmente você tem o mijódromo, que é aquele latão comprido na altura da canela. Não costumo usar as privadas não. Sempre que me arrisquei encontrei cada puta cocozão boiando. Ah, sai fora! Embrulha o estômago ver aqueles submarinos marrons girando naqueles vasos amarelos e imundos. Além disso você corre o risco de olhar para o lado e encontrar um daqueles poemas lindos, tipo: "Cagar é um coisa profunda. A merda bate na água. A água bate na bunda.". Lindo. Comovente. Não acham? Mas, pra mim, o pior do WC masculino é o simples fato de estar cheio de pessoas do sexo masculino. Não gosto de ficar rodeado por um monte de caras bêbados com o bilau pra fora não. Sai fora! E sempre tem aqueles que ficam te olhando. É verdade. Sempre tem aqueles que vão ao banheiro só pra comparar o próprio bilau com os dos outros. Pois é. Eu adoraria descrever como é a situação nos banheiros das garotas, mas infelizmente eu só entrei uma vez, e mesmo assim não prestei muita atenção aos detalhes, pois eu estava mais preocupado com os detalhes da calcinha da ruiva Ana Paula. Oh, coisinha fofa! Carinha de anjo, mas ... só a carinha! Aquela dava mais que chuchu na serra. Melhor nem pensar nela, ou não vou conseguir voltar para os braços de Lelê satanás.
Eu e Mamute mijando. Lado a lado. Ambos olhando para a parede, como devem se comportar dois machos num banheiro.
— Por quê ela me largou, cara? — Puta merda, Mamute chorando! Era só o que me faltava.
— Sei lá, cara! Pára com esta choradeira! Tu é macho ou não é?
De repente começo a ouvir vozes. Uma destas vozes não me é estranha.
— Todo mundo pra fora! Vamos! Saindo!
Eu conheço esta voz! Sim, é o segurança que tirou uma onda com a minha cara lá no portão do clube. Maldito filho da puta.
Após os seus gritos ouvi uma penca de gente levantando os zíperes e saindo em disparada. Senti até um jato de mijo passar raspando no meu calcanhar. Virei-me imediatamente para ver quem fora o filho da mãe.
— Porra, vai mijar nas costas da sua mãe, cara!
Para a minha surpresa só estávamos eu, o Mamute, o segurança babaca e um outro segurança dentro do banheiro. Puta merda, não estou gostando nada disso. Tentando passar tranqüilidade, voltei a mijar sossegado. Foi quando o outro segurança disse:
— Vocês dois aí. Vocês vão ter de nos acompanhar.
O quê? Oh, está louco? Que papo é este? Terminei a mijada e guardei meu "Nando Jr." dentro da cueca. Aquilo só podia ser brincadeira. Eu não fiz nada! Nem o Mamute! Ou será que fez?
— Dá um tempo! Que brincadeira é esta? Ah, isso é algum tipo de trote, né? Bem engraçado, agora eu posso voltar pro show?
— São ordens do Berim.... quero dizer, do chefe.
— Porra, que sacanagem é esta? — sinto que meu coração está prestes a sair pela boca. — Quem comeu a irmão do Berimbau foi o Pezão! Nós dois não temos nada a ver com isso não!
— Estou cagando e andando, cara. Ordens são ordens.
Tentei gritar por socorro. Mas do que adiantaria? Os caras são seguranças desta bosta. Além disso lá fora o show está comendo solto! Quem iria me ouvir? Mamute, apesar de grandão, nem reagiu. O chute na bunda que a loira lhe deu acabou com a moral do cara.
Os seguranças agarraram em nossos braços e nos arrastaram até um corredor escuro do clube. Não invente nada sacana aí nesta sua cabeça podre não! Nada sexual acontecera. E nem vai acontecer! Está maluco? Prefiro morrer.
— Porra, sacanagem! Nós não fizemos nada, meu! Diz isso lá pro Berimbau!
— Como eu disse, ordens são ordens. Foda-se o que você fez ou não. Só não vou perder meu emprego por causa de dois bacaninhas filhos da puta.
O outro segurança, que segurava Mamute, deu quatro passos a frente a abriu uma porta de ferro no final do corredor.
— Vocês dois. Tirem suas calças e suas camisas.
Porra, agora já foram longe demais! Que porra é esta?
— Caralho, eu vou denunciar todos vocês pra polícia, sabiam? Que merda de clube é este? Todo mundo louco!
— Vocês têm 30 segundos. Ou vocês fazem o que estou mandando ou vão levar tanta porrada que nem vão se lembrar de seus nomes hoje de manhã. Fui claro?
Quando você ouve isso de um negão de quase 2 metros e meio fica bem claro. Puto da vida, e cagando de medo, entreguei minha calça Jeans e minha camisa para o filho da mãe. Antes peguei minha carteira e meu celular. Nenhum dos seguranças fez questão de....
— Ei, está pensando que sou algum idiota? Quero o celular e sua carteira. Agora!
Filhos da puta! O maldito pegou o celular e minha carteira e os jogou através da porta. Do lado de fora eu vi um puta matagal. Pronto, tomei no cu. Agora estou de cueca, tênis, sem dinheiro e sem telefone. O mesmo aconteceu com o Mamute. Este nem se deu conta, apenas choramingava por causa da loira peituda. O que mais pode acontecer? Putz! Pra que fui perguntar?
— Vocês dois! — gritou o mais filho da puta dos seguranças. — Vamos, pra fora! Fora! Rápido! — e nos empurrou com força para o matagal. Caímos, eu e Mamute, ambos de cueca e tênis, sobre o matagal. Logo em seguida ouvimos o barulho da porta de ferro fechando com toda a força atrás de nós. Fodeu de vez.
— Filhos da puta!!! Eu vou contar tudo isso pra polícia, ouviram? Isso não vai ficar assim não! Vocês estão fodidos! Muito fodidos!!!
Porém, fodidos estamos eu e Mamute. Fodidos. Completamente fodidos. Nem faço idéia de onde estamos. Um vento frio da porra. Levantei-me. Olhei atentamente para os lados e percebi que não estávamos totalmente perdidos. Vi um barulho de carro. Seria a estrada? Sim, acho que sim, a mesma estrada que nos trouxe até o clube. Acho que estamos atrás do clube. Nos fundos.
— Vem, Mamute. Levanta daí, cara! Porra, tem muitas outras loiras peitudas por aí! Você parece um bebê chorão, caralho!
— E pra onde vamos? Além disso, já percebeu que estamos só de cueca e tênis? Eu não saio daqui não.
— Levanta esta bunda gorda daí agora! Precisamos achar o Gol do Pezão.
Mamute não me deu bola.
— Porra, cara. Se você quer ficar aí fique. Mas eu não vou ficar aqui no mato de cueca com um gordo filho da puta, também de cueca. Boa noite. FUI.
Andei uns 10 metros na direção da estrada e notei algo se mexendo atrás de mim. Mamute ficou de pé, e vinha em minha direção.
— Espera aí, cara! — gritou ele, coçando a bunda gorda.
Não esperei. Apenas diminuí o ritmo. Depois de uns 3 minutos Mamute me alcançou.
— Não me ouviu, seu filho da puta? — gritou ele, ofegante.
— Ouvi sim. — e dei risada. Mas dei mais risada ainda quando vi a cueca do Mamute. Puta merda! Hahahaha..... — Que porra de cueca é esta, cara? Com desenhinho do Mickey? Hahahaha...
— Vai tomar no seu cu! Pega aqui no meu Mickey, pega!
Segui os próximos 10 metros às gargalhadas. Um baita homenzarrão daqueles com uma cuequinha amarela do Mickey era algo muito bizarro, e hilário.
— Ganhei várias coisas lá na Disney. E daí? Não posso usar cueca do Mickey? Ah, Foda-se! O pau é meu, eu uso a cueca que eu quiser! Foda-se!
Isso me fez rir ainda mais. Fodido do jeito que estou é a única coisa que resta a fazer. Chorar nunca foi da minha natureza. A última vez que chorei já faz uns 3 anos. Eu sonhei que a minha vizinha tinha decepado meu pinto. Acordei aos berros. Por sorte foi só um sonho. Ou será uma premonição? Putz! Nem gosto de imaginar. Já imaginou?
O barulho dos carros estava cada vez mais alto. Estávamos perto da estrada, assim espero. O problema é chegar até lá somente de cueca e tênis. E pior ainda, acompanhado do Mamute, também de cueca e tênis. Eu mereço? Se algum dia eu encontrar meu anjo da guarda eu juro que dou 5 tiros na testa dele e faço um churrasco com o seu pau.
— Mas que bunda murcha, cara! — gritou Mamute, uns 2 metros atrás de mim.
Parei e olhei para trás.
— Bunda murcha tem a vaca da sua mãe. E que papo é este de você ficar olhando para minha bunda? Tu é chegado em bunda de macho, é? Sei.
Mamute ergueu sua mão direita e me mostrou seu dedo gordo. Mamute cuzão.
— Como sabe que é este o caminho? — perguntou ele.
— E quem disse que eu sei? Sei lá, é melhor tentarmos alguma coisa. Se pelo menos os filhos da puta não tivessem jogado meu celular naquele matagal...
— E por quê não voltamos lá e procuramos seu celular?
— Sai fora. Eu não vou ficar num matagal cheio de cobras andando só de cueca.
— E ouvi dizer que esta região tem o tal de Macaco Virgem.
Parei novamente. O que o Mamute disse?
— Que porra é esta que você falou aí? Macaco Virgem?
— Dizem que nesta região acontece muita coisa maluca. Meu pai mesmo disse que já viu uma mula-sem-cabeça por estas bandas, quando voltava do Rio de Janeiro numa sexta-feira 13.
Prossegui o caminho. Mamute está viajando, ou querendo me pregar alguma peça.
— Alguns anos atrás três mulheres e um garoto foram estrupados até a morte aqui pertinho. Dizem que encontraram esperma de macaco nos corpos.
— Mamute, vai tomar no seu cu. Em primeiro lugar o correto é "estuprar", não "estrupar". Segundo, se o macaco já comeu 3 mulheres e um garoto ele não é mais virgem, certo? E terceiro, pega aqui no meu orangotango, aí você vai ver o que é esperma de macaco!
Putz! Mamute ficou puto.
— Porra, Nando! Você acredita até em ET, não acredita?
— E daí? Só por isso também vou acreditar num macaco tarado? Ah, dá um tempo!
Algo se mexeu no meio do mato. Eu e Mamute paramos imediatamente.
— Ouviu também, cara? — disse Mamute, espantado.
— Porra, vamos ali dar uma olhada. Deve ser algum casal de namorados dando uma no mato. Eu nunca trepei no mato, mas deve ser legal.
— Ah, é nada. Já fiz uma vez. Junta um monte de mosca no cu da gente. É foda.
O mato se mexeu novamente, e não foi o vento. Tenho certeza, o vento não está tão forte assim.
— Tô falando, cara! É o Macaco Virgem! Ele quer estrupar a gente!
— Dá um tempo!
Caralho, maldito Mamute cagão do inferno! O cara saiu correndo e me deixou sozinho para trás. Como é que ele consegue ser tão rápido certas horas? Tudo isso é medo do Macaco Virgem? Hahahaha.......
Algo se moveu novamente. Caralho, que barulho esquisito foi este? Eu, hein! Querem saber de uma coisa? Macaco Virgem ou não.... eu vou é dar o fora daqui o mais rápido que eu posso! FUI !!!
Corri o mais rápido que pude e alcancei o Mamute rapidamente. Ele corre, mas a banha atrapalha e ele perde resistência. Não posso dizer que eu tenha um corpinho de atleta, pois não tenho. Mas se algum dia vocês apostarem numa corrida entre nós, apostem em mim.
— Agora você acredita no Macaco Virgem? — perguntou Mamute, ofegante, quase morrendo.
— Acredito, e ele mandou isso aqui pra você... — estiquei "aquele" dedo.
O importante é que eu estava certo. O lugar onde Pezão estacionara o Gol não está tão longe assim. Finalmente uma coisa boa. E é claro, outra ruim também. Como sempre. Quando você pensa que Murphy está dormindo sossegadinho ele acorda. Já reparou nisso? Assim que paramos de correr senti algo se mexer, mas agora dentro do meu estômago. Puta merda! Isso é hora de revertério estomacal? Justo agora? E é daqueles fortes, daqueles tipo "SAI DA FRENTE QUE A MERDA VEM QUENTE!!!". Saca? Todo mundo já teve ou um dia vai ter. É foda. Uma vez isso aconteceu comigo no colégio. Putz! Dizem que até hoje as faxineiras tentam limpar o vaso que eu usei naquele dia, mas não conseguem.
— Caralho, mano! — gritou Mamute, tapando o nariz. — Você morreu e esqueceram de te enterrar? Caralho!
Não posso culpá-lo. A bufa que soltei fez até o mato murchar.
— Preciso dar uma cagada.
— Ah, vai pra lá então, meu! Sai de perto de mim.
Procurei um lugar para evacuar. Só havia um lugar. O matagal. Puta que o pariu! E agora? E se eu estiver cagando e uma cobra morder o meu saco? Ai! Dói só de imaginar. Quer saber? Foda-se, não tenho outra opção. O revertério está cada vez mais forte. Ou eu cago no mato ou.... putz! Melhor nem imaginar a outra opção, certo?
Bom, lá vou eu pro matagal.
— Manda um alô pro nosso amigo Macaco! — Mamute gritou, coçando o saco.
— Ele está ocupado! Ah, olha ele ali comendo o rabo da sua mãe!
Ninguém tira onda comigo. Nunca.
Ainda me lembro de ontem. Eu deitadão na cama ouvindo meu CD novo do Linkin Park, e só imaginando como seria boa esta noite. Show do Rappa! O que pode dar errado? Na minha opinião o máximo que poderia dar errado seria eu comer a Jurumina e a camisinha estourasse. O que resultaria desta união? Um Nandomino? Uma Jurunando? Caralho! Deu até arrepio. Maldita gorda feia do inferno. Como o Pezão conseguiu? Sei lá, acho que o Pezão já comeu até a cadelinha dele. Qualquer dia ele vai pegar uma gonorréia das boas, aí vou dar muita risada. Bom, mas como eu ia dizendo.... eu pensava que o sabadão seria duka. E aqui estou eu. De cuecas arriadas até os pés, agachado com o cu a três palmos do chão esperando o almoço se despedir de mim em formas fecais. Putz! É por isso que não devemos esperar muito de uma noite. Dá sempre errado. Garanto que se eu tivesse passado o sábado inteiro imaginando bobagem eu estaria neste exato momento chupando os peitos da americana. Falando nisso, onde será que ela está agora? Provavelmente fazendo uma "espanhola" com um daqueles seguranças filhos da puta.
— Anda logo com isso, meu! — gritou Mamute. Sua voz parecia tão distante. Ainda bem, esta posição aqui não é nada agradável, imagine com platéia então! Putz!
Opa, senti uma pequena picada na bunda! Ei, o que é isso? Caralho! Puta merda! FORMIGA!!! Puta merda! Um monte delas! Puta merda! Puta merda! Tem um monte subindo pela minha canela, na bunda, no meu saco! Caralho!
— O que está acontecendo aí? — gritou mamute. — O troção está dando trabalho?
Enquanto isso eu dava pulos de quase 2 metros com as formigas me picando até a alma. Puta merda! Arranquei minha cueca e senti que havia um monte de formiga nela. Procurei uma árvore e comecei a bater a cueca contra ela com toda a força, a fim de espantar as formigas para longe. Mas, caralho! Elas não param de me morder! Na bunda, no saco, no cassete, e até lá... Puta merda! Puta merda! Mas quantas formigas estão sobre mim? Um batalhão? Caralho, só no meu saco eu calculo umas 15! Bati a cueca contra a árvore umas 50 vezes. Ou a cueca está aos pedaços ou eu consegui jogar fora todas as filhas da puta pra bem longe! Bom, acho que um pouco das duas.
— Tem um batalhão de formigas aqui sobre mim, cara! — gritei desesperado. Ouvi Mamute às gargalhadas. Maldito filho da puta.
Enquanto ele se divertia eu pulava de dor. Pouco a pouco fui sentindo as malditas formigas caírem do meu corpo. Era um alívio gigantesco. Meu saco ainda está cheio delas, dei uma coçada daquelas e joguei umas 7 ou 8 pra longe. O que será que elas viram no meu saco? Será o tecido rugoso? Caralho, e se eu ficar estéril por causa das picadas? Santa pixirica! Melhor nem pensar nisso agora. Deixe-me livrar destas putinhas malditas. Porra, aí não! Por quê será que elas adoram picar onde a gente menos espera? Puta merda! Como dói! Pulei quase 1 metro com esta última mordida. Foi aí que caí sobre algo mole! Putz! Será que caí sobre.... ? Não, não, mil vezes não... era só o que faltava, né? Porra! Será que o meu anjo da guarda sempre tira férias quando eu preciso de uma ajuda? Ergui meu pé e dei uma cafungada no tênis. Ufa! Não pisei ... naquilo. Pelo menos ainda não.
— Você morreu aí? — gritou Mamute, ainda rindo muito.
Não respondi. Não tenho tempo pra isso. Ainda tem umas 10 ou 15 desgraçadas sobre mim. Pelo menos já pude colocar minha cueca novamente. Agora eu tenho 2 preocupações: tirar estas formigas que faltam e sair do matagal sem pisar na minha própria obra-prima. Caro leitor, perdoe-me se isso aqui está meio nojento, mas não tenho culpa, a vida tem dessas coisas. Ou vai me dizer que você não caga e não mija? Por exemplo, a Julia Roberts e o Brad Pitt também cagam tão fedido quanto você. A única e exclusiva diferença é que eles limpam o rabo com um papel higiênico que custa mais caro que a sua TV de 20 polegadas CCE. Pois é. Ou limpam com uma nota de um Real, como o Zé Biruta. Falando nisso, por onde andará Zé Biruta uma hora dessas? Coitado, provavelmente caído em frente ao bar do Gordo. Pra ser sincero eu trocaria com ele. Melhor bêbado jogado na calçada do que ficar de cueca e tênis no meio do mato, e todo picado por formigas taradas e canibais.
Pronto. Acho que finalmente me livrei de todas. Agora só resta a maldita dor das terríveis picadas. Meu saco está com o dobro do tamanho, o mesmo aconteceu com o meu bilau... hehehe... tomara que fique assim pra sempre. Alguma coisa boa eu preciso levar desta noite, não concordam? Duplicar o bilau seria bom, embora eu não precise. Minha cueca está aos frangalhos, toda esburacada. Querem saber? Acho que o que tinha de acontecer de ruim já aconteceu. Não é possível a situação piorar ainda mais. Será?
Capítulo 6 · O Show Acabou. E Agora?
Com o saco, a bunda e todo o resto doloridos, voltei para o ponto onde eu deixara Mamute. Este, nem preciso dizer, estava às gargalhadas. Seu monte de banha chacoalhava feito um pudim de leite condensado. Maldito Mamute do inferno.
— Caralho, mano! — disse ele, rindo. — Você está parecendo aquele personagem.... O Coisa!
— É, eu vou mostrar a minha coisa pra você ... ó.
— Você gritou tanto que eu pensei que o Macaco Virgem tinha pego você por trás e.... crau! Bem no meio do redondo.
— As putas daquelas formigas fizeram pior. Eu tenho a sensação de que algumas delas ainda estão andando lá dentro do meu cu. Sei lá.
Mamute olhou para o seu relógio. Incrível como eu só o notei agora.
— Quase 3h, cara!
— O show já deve estar acabando. Precisamos achar logo o carro do Pezão.
— Puta merda! Já imaginou a multidão que vai sair do clube? Vamos pagar o maior mico de nossas vidas.
— A gente se esconde, foda-se. Pior que Ubatuba não vai ser.
— Puta merda, é mesmo. Pior não pode ser.
Mamute levantou o bundão gordo do chão frio e começamos a caminhar em direção ao estacionamento do clube. Este, por sorte, nada mais é do que um puta terreno abandonado. Sem muro ou portão. O único problema vai ser chegar até lá sem pagar muito mico. Vai ser difícil. Imagine dois marmanjos de cueca e tênis caminhando no meio do mato. Bom, se você é gay deve estar imaginando um conto erótico. Mas pra mim, é ridículo até o máximo da ridicularidade ridícula. Resumindo: é o fim do mundo. Porém eu estou contando até os segundos para ver esta porra desta noite ir embora. Eu daria qualquer coisa para ter aquele aparelhinho apagador de memória do filme Homens de Preto. Lembra? TOIN!!! E pronto. Nova memória e tudo mais. Mas como eu já repeti várias vezes .... isso aqui não é Hollywood. Aqui é a vida real, onde as merdas acontecem e não tem diretor dizendo "Corta!" no final.
Enquanto eu prosseguia com meus pensamentos profundos.... Mamute me interrompe:
— Puta merda, Nando! Eu já te contei que vi o Silvester Stallone de pertinho lá em Nova Iorque?
Ignoro ou deixo o papo rolar? Ah, já estou fodido mesmo.
— Grande bosta. Eu queria conhecer a Sharon Stone. Puta gostosona ela.
— Ele estava atravessando a rua. Eu cheguei na janela da loja onde eu estava com uma galera e gritei "Ei, Raaaaaaaaaambo!!!"
— Puta merda! Você fez isso? Tu é muito babaca mesmo, Mamute. Puta merda. E o que ele fez?
— Acredita que fez a mesma coisa que a Jennifer? Disse uns Fãquiu Fãquiu pra mim... sei lá. Rambo cuzão. Se eu assistir os filmes novamente vou torcer pros russos acertarem o rabo dele com uma bazuca.
Estávamos bem próximos do estacionamento. Foi quando eu ouvi um carro se aproximar pelo acostamento da estrada. Putz! Começou a diminuir a velocidade. Olho para trás ou não? Caralho, que mico! Eu com a bunda praticamente à mostra caminhando ao lado de um cara com a cueca do Mickey no acostamento. Pode acontecer coisa pior? Sim, pode...
— Caralho, galera, é o Nando e o Mamute!!! — Putz! Eu conheço esta voz.
— Vai se foder, Joana! — gritou Mamute.
Meu, Joana é simplesmente a mina mais fofoqueira que eu já conheci em toda a minha vida. A mina era minha vizinha. Sabia da vida do bairro inteirinho. Acho que ela soube que eu perdi a minha virgindade antes de mim. Sério. O Leão Lobo e o Nelson Rubens precisam se aposentar logo, pois em breve eles terão uma concorrente filha da puta. E ela é filha da puta mesmo. Não duvidem.
Olhei para o lado e lá estava ela, Joana Ela e mais uma penca dentro de um Escort Preto. Pelas minhas contas tinha uns 7 ou 8 dentro do carro. Ou estavam vindo de uma suruba ou estava indo para uma suruba. Sei lá.
— Quem diria, hein! — disse ela, com sua voz irritante. E neste exato momento estava 10 vezes mais irritante. — Nando e Mamute fazendo amor dotoso no matinho.
O quê? Eu vou mandar esta filha da puta pra casa do caralho! E vai ser agora!
— Vai se foder, Joana! Sai fora, meu!
A galera dentro do carro caiu na gargalhada. A agitação foi tanta que o motorista quase foi esmagado, batendo o corpo contra a buzina. Esta disparou por alguns segundos.
— Fomos... assaltados! — eu disse. Se eu me conheço bem, devo estar mais vermelho que um pimentão neste momento, num somatório de raiva e vergonha.
— Ah, sim, e o que estavam fazendo aqui no matagal antes do assalto?
Puta merda. A minha vontade agora é de pegar um pedaço de pau que vi jogado ali no mato e enterrar no cu desta vaca. Estou a ponto de explodir. Mas tudo que consegui fazer foi mostrar meu belo dedo bem esticadinho pra ela.
— E que negócio preto é este na sua boca, Nando? Comeu cocô?
— Cala esta boca e ajuda a gente, caralho! — disse Mamute. Finalmente algo construtivo saiu da boca desta baleia inútil.
— Ah, sim, com todo o prazer. — disse Joana. Será que ela disse mesmo isso? Não acredito. Joana olhou para a galera do carro e gritou: — Vamos colaborar com os dois! Alguém aí tem VASELINA!!!
Todos caíram na gargalhada, e o Escort partiu lentamente.
— Tchau, Nando! — gritou Joana, com o cabeção esticado pra fora. — A galera da rua vai adorar saber do seu namorado!
Sincronizados, eu e Mamute mostramos nossos dedos esticados pra ela. Incrível, mesmo se combinássemos fazer aquilo nunca conseguiríamos.
— Fodeu, cara. — disse Mamute. — Fodeu legal mesmo. O que esta vaca espalha o fedor fica por muitos anos. Lembra do Pintolho?
— O Luisinho Pintolho? Claro.
Bom, eu sei, mas acho que vocês não conhecem. No primeiro ano de colégio a nossa "amiguinha" Joana espalhou pra todo mundo que um dos caras do 2°B possuía uma pequena deformação genética no seu pênis. Será que eu consigo terminar a estória sem dar risada? Putz! Então, Joana espalhou que Luís, ou Luisinho para os íntimos, tinha um terceiro olho. Sim, e que este terceiro olho ficava no pinto. Você pode achar engraçado agora, mas a estória se espalhou com tamanha rapidez que em todos os lugares só se falavam de um assunto: Luisinho Pintolho. O cara foi tão humilhado, mas tão humilhado que foi obrigado a deixar a cidade. Sei lá onde ele está agora, só sei que foi pra bem longe daqui. Ás vezes eu até me pergunto, será que ele realmente tinha um olho no pau? Imagine só que estranho. Eu comendo a garota e podendo olhar dentro da pixirica dela ao mesmo tempo. Meu, que irado seria isso, hein!!! Além disso eu poderia levar colinha das provas dentro da cueca! Eu poderia ver tudo sem a professora saber de nada. Cara, já estou começando a ter inveja do Luisinho. Eu também quero um olho no meu pau!!!
Comecei a rir.
— Não ri, não, cara! — disse Mamute, sério. — A partir de amanhã seremos conhecidos na cidade como Rosa e Rosinha. É isso que você quer?
Parei de rir imediatamente. Caralho, Mamute tem razão. Aquela vaca da Joana tem a boca mais maldita que já vi. O que ela fala pega. Mas...
— Um problema por vez, Mamute. Já chegamos até aqui mesmo, agora é achar o carro do Pezão e grudar nele até aquele filho da puta sair do show. Depois a gente pensa no que fazer com a Joana do inferno.
Vocês já devem ter percebido que tenho o costume de inserir um "do inferno" aos nomes das pessoas quando estou nervoso. Já perceberam? Mamute do inferno. Pezão do inferno. Joana do inferno. Putz! Nem faço idéia de quando esta mania começou. É inexplicável. É como coçar o saco. Você faz e nem percebe. Simples. Na verdade a vida é simples, a gente é que complica muito. Ah, e tem o Murphy também, é lógico. Dele é que eu tenho medo. Muito medo. Eu prefiro ver o coisa-ruim com uma puta foice nas mãos, pronto para cortar o meu pescoço. Pelo menos com o coisa-ruim você já sabe pra onde vai. Com o Murphy você nunca sabe pra onde vai. Por exemplo, você pode sair de casa para assistir ao Show do Rappa e de repente estar de cueca caminhando pelo acostamento de uma estrada. Na verdade, será que isso é Murphy ou carma ruim? Será que eu fiz algo de ruim numa outra vida e estou sendo castigado nesta? Será que eu fui Adolf Hitler numa vida passada? Caralho, eu acredito em reencarnação. Deve ser isso, eu devo ter aprontado um fodaréu dos infernos numa vida passada. Só pode ser isso. Ou será culpa do meu anjo da guarda? Sim, pode ser isso também, eu devo ter feito cocô na cabeça dele, sei lá. Ou devo ter comido alguma mina que ele gostava enquanto tomava conta de mim. Ah, dane-se! O importante é que o Gol vermelho com o adesivo "Bad Boy" está aqui do meu lado. Sim, chegamos ao estacionamento. Finalmente, sinto-me próximo de casa.
— Cara, que alívio. — eu disse, olhando para o meu molho de chaves repousado sobre o painel do Gol. — Coisinha fofa! Papai estava com saudades.
Nem acredito que esqueci minhas chaves no carro. Murphy ás vezes falha e seu efeito acontece ao contrário. Estou certo? Sim, acho que estou. Caralho, Murphy nunca falha, do contrário não seria Murphy. Seria? Porra, fiquei até tonto.
Sentamos e nos encostamos na lateral do Gol. Mamute começou a chorar.
— Porra, eu quero a Jennifer!
— Putz grila, cara! Vai começar tudo de novo? Esquece!
— Falar é fácil, cara. Sabia que a gente ia no Motel depois do show?
Caralho, imaginar o Mamute comendo a loira não seria uma boa imagem para se ter. Fiz de tudo pra não imaginar isso. Não consegui. Lembrei de um Cine Privet que passou semana passada. Maldito Cine Privet do inferno!!! Será que a Band não tem nada melhor pra passar? Putz! Pior que não. Ou é Cine Privet ou aqueles malditos filmes chineses do inferno. Puta merda! Mais trash do que aquilo... só Cine Sinistro.
— Esquenta não, Mamute. Há muitas loiras no mundo.
— Eu sei, mas a Jennifer era a única que queria dar pra mim.
Putz! Eu quase caí na gargalhada. Não sei por quais motivos não o fiz, afinal o Mamute quase teve um ataque de riso quando as formigas canibais me atacaram, não foi?
— É foda, mano. É foda. Mulher é foda.
Putz! Papo de bêbado é foda!
— Bater punheta é foda, mas tem suas vantagens. Pelo menos a sua mão nunca te abandona. Está sempre ali pra você. Companheirona mesmo.
Caralho. Acho que estou bêbado. A frase do Mamute fez sentido pra mim.
— Mas mão é mão e pexeca é pexeca. — disse Mamute, quase dormindo encostado ao Gol.
Caralho, eu preciso gravar estas conversas de bêbado. Daria um bom livro de filosofia. A "Filosofia do Bebum". Acho que já existe este livro. Sei lá.
De repente alguém se aproxima:
— Ei, o que vocês estão fazendo aí? — Sim, era ele, o pirralho com o boné dos Bulls. Aquele mesmo que recebeu os 5 Reais do Pezão em troca de .....
— Saiam daí, suas bichinhas taradas! — gritou o pirralho. — Não quero ninguém sujando o carro do meu cliente!
— Dá um tempo, pirralho! Não está me reconhecendo? Eu sou amigo do dono deste carro e....
— Paaaaaaaaaaaaaai! — gritou o pirralho com toda a força. — Paaaaaaaai, corre aqui!
Caralho! Este pirralho é cego ou o quê? Só porque estou de cueca não posso estar tão diferente assim, porra!
— Sou eu, moleque! Posso provar. O dono deste carro estava com uma camisa verde, não estava? Ele lhe pagou 5 Reais para....
O pai do moleque apareceu. Ele e mais dois. Talvez os irmãos do moleque, sei lá. Só sei que todos eles estão com pedaços de pau na mão.
— O que aconteceu, filho? — gritou o pai.
— Estas duas bichas estavam arranhando o carro do cliente, pai!
— O quê? Dá um tempo, garoto! Eu sou amigo do dono do.....
— É melhor vocês correrem, suas bichas do caralho! — gritou um dos outros caras, vindo pra cima de mim e Mamute.
— Isso aí! — disse o pai. — Vamos dar um cassete nestas bichas!
Caralho! Não tem outra alternativa! Corremos como nunca corremos em nossas vidas! Mamute correu tanto ou até mais do que eu! Impressionante o que o medo faz. Mais da metade da sua bunda ficou pra fora da cueca, mas Mamute não se importava, corria e corria feito um condenado. Corremos em direção a estrada. Os três nos perseguiram por um bom tempo, mas não corriam com a mesma vontade que nós. Talvez a motivação não era a mesma, sei lá. O importante é que conseguimos escapar. Exaustos, suados, meio bêbados e de moral baixa. Não necessariamente nesta mesma ordem, mas foi assim que voltamos para a estrada escura. Fodidos, completamente fodidos. Eu devo ter jogado muita bosta no ventilador pra merecer isso. Por onde andará Pezão? Maldito. Por onde andará Lelê? Certamente aos amassos com algum carinha chapado, afinal de contas no escuro toda tribufu do inferno vira princesa.
Enquanto eu procurava uma saída pra sair do fodaréu que a minha noite se transformou.....
— Vem vindo um carro! — disse Mamute, animado.
— E você acha que alguém vai ter coragem de dar carona para dois caras de cueca no meio da noi.....
Incrível!!! O carro parou. Sim, parou! Não acredito! Um fusquinha vermelho.
— Vem, porra! — gritou Mamute.
Eu fiquei atônito, não estava acreditando nos meus olhos. Uma carona! Uhuuu!
Corremos até o carro e o motorista abriu a porta para nós. Sentei-me no banco de trás e Mamute sentou-se ao lado do motorista. Não consegui ver direito a cara da figura, mas era homem.
Antes que o cara começasse a pensar bobagens a respeito de nós dois de cueca....
— Fomos assaltados, cara! — eu disse, demonstrando espanto com a voz. — Muito obrigado por ter parado.
— Que coisa, hein! — disse o motorista, engatando a primeira marcha. — Aonde vai parar este nosso mundo?
— Vai parar lá na puta que pariu. — disse Mamute, tentando ajeitar sua bunda gorda no banco do Fusca.
— Estão indo para o centro? — disse o motorista. Não sei, mas eu acho que conheço esta voz de algum lugar. Mas não conheço ninguém com Fusca vermelho.
— Sim. — disse Mamute. — Valeu mesmo, cara. O senhor caiu do céu.
O Fusca pegou no tranco. Cheguei até a pensar que ia morrer depois de engatar a segunda marcha, mas foi só um susto. A bagaça está andando, isso é o que importa. Não vejo a hora de chegar em casa. Putz! Vou acordar todo mundo ao tocar a campainha, a minha chave ficou no Gol do Pezão. Ou então eu durmo na casa do Mamute. Sei lá. Eu quero é esquecer tudo.
— Nós estávamos no show do Rappa. — disse Mamute para o Motorista.
— Ah, sei, era hoje? Nem fiquei sabendo.
Caraca! Eu conheço esta voz. Mas... de onde?
— Estava chapado de gente, meu. — eu disse. — Muito louco.
Notei o motorista olhando pra mim pelo pequenino espelho retrovisor. Não consegui reconhecer seus olhos. Acho que estou viajando na Maionese, não conheço o cara. A voz deve ser parecida com a de alguém, só isso.
O Fusca parece uma lesma. Vamos levar uma eternidade pra chegar em casa. Se estivéssemos com o Golzinho turbinado do Pezão já estaríamos bem distantes daqui. Mas... não adianta reclamar, né?
Notei que do meu lado havia alguma coisa sobre o banco. Estava escuro, estiquei meu braço e o toquei de leve. Dei algumas apalpadelas e percebi o que era. Sim, um vestido. Vários anos me esfregando na mulherada serviram pra alguma coisa. Mas o que este vestido de mulher está fazendo aqui? Bom, provavelmente deve ser da namorada ou esposa do cara. Sim, deve ser isso.
O tempo foi passando, o Fusca ia andando feito uma tartaruga com artrite e nós três calados. Eu não estava gostando daquele clima. Começava a ficar embaraçoso.
De repente o cara quebra o silêncio:
— Quantos anos vocês têm?
— Vinte. — diz Mamute, com voz de sono.
— Dezenove. — eu respondo.
— Interessante.
Eu conheço esta voz, porra! Mas não consigo me lembrar de onde! Maldito cérebro do inferno, funciona!
O cara começou a diminuir ainda mais a velocidade do Fusca. Puta merda! O que será que houve? Agora ele virou o carro para a direita. Sim, ele vai parar o Fusca. Porra, não estou gostando disso!
— Aconteceu alguma coisa? — Eu perguntei, já assustado.
O cara não falou nada.
— Por quê está parando, meu? — Perguntou Mamute.
O Fusca parou. O motorista deu uma olhada rápida para os lados e começou a olhar para o Mamute.
— Tá olhando o quê, cara? — Gritou Mamute, nervoso.
— Aqui está bom? — disse o motorista.
— Do que você está falando, cara? — eu perguntei.
De repente eu vi o braço do cara fazer um movimento brusco em direção ao Mamute.
— Que porra é esta, cara? — gritou Mamute. — Tira a mão do meu pau!
Mamute empurrou o motorista contra o volante.
— Sai fora, seu filho da puta! Sai fora!
Puta merda! O cara meteu a mão no pau do Mamute? Eu, hein! Que nojo!
O cara tentou outra vez. Mamute repetiu o gesto, empurrou-o novamente. Agora com mais força.
— Sai pra lá! Mas que bicha louca do caralho!
— Mas... eu pensei que era isso que vocês queriam! — disse o cara.
Porra! Ele enlouqueceu? Eu quero chegar em casa! Só isso!
— Vai se foder, cara! — eu gritei.
— Mas vocês não são os irmãos tarados Billy e Kiddy?
— Sai fora, mano! — gritou Mamute. — Billy e Kiddy o caralho! Vai se foder!
— Porra, que bosta! Já faz mais de um ano que eu dirijo por esta estrada e nunca fui atacada por eles!
Atacada? Nossa, bichinha assumida mesmo! Puta merda! Já sei quem é! É o traveco que estava em frente ao puteiro! Lembram? Aquele que tinha um 38 escondido na meia.
Mamute abriu a porta do Fusca e saiu.
— Dá um tempo! Eu não entro mais neste Fusca de gay. Prefiro ir a pé.
— Eu pensei que hoje seria a minha vez de ser estrupada por dois garotões gostosos como vocês!
Empurrei o banco do Fusca com toda a força e saí feito um jato pela porta. Eu, hein! Esta bicha aí está armada! Lembram? Tô fora!
— Vai dar a bunda em outro lugar, meu! — Eu disse, fechando a porta do Fusca na cara da bichona. — Eu é que não quero! E tem mais uma coisa... não é "estrupar", o correto é....
Percebi a bicha se abaixar.... Putz! Nem pensei duas vezes, saí correndo pro mato que tinha ao lado do acostamento e gritei para o Mamute:
— Corre, cara! Corre! Ele tem um 38. Corre, gordo do inferno! Corre!
Assim que me ouviu pronunciar "38" o Mamute correu feito um condenado. Suas banhas tremiam feito uma gelatina.
Entramos mato a dentro e ficamos escondidos. Eu tremia mais que máquina de lavar. Mamute se borrou todo. A bicha começou a gritar todos os palavrões possíveis e imagináveis. Alguns eu nunca ouvira em minha vida. Eu quase comecei a rir. Mas achei melhor não arriscar. Afinal ela está armada, não está? Passaram-se uns 2 ou 3 minutos e o motor do Fusca começou a funcionar novamente. Eu e Mamute voltamos a respirar aliviados.
— Caraca! Como você sabe que a bichona estava armada? Eu não vi porra de arma nenhuma não!
— Eu e o Pezão já topamos com este travecão antes. Acredite, ele estava armado.
— Como assim? — Mamute começou a rir. — Você e o Pezão...
— Sai fora, meu! Nada a ver. Outra hora eu conto como foi.
Ouvi o motor do Fusca bem longe. Voltamos para o acostamento.
— O show já deve ter acabado. — eu disse. — Daqui a pouco vai passar alguém conhecido.
— Os piores são justamente estes. Vão pagar o maior pau da gente. Puta merda!
— Quer saber? Foda-se. Eu quero chegar em casa. Estou cagando e andando se vão pagar pau ou não. Eu quero minha cama!
De repente um farol iluminou a bunda gorda do Mamute. Sim, vem vindo alguém. Tomara que seja algum amigo meu vindo do show. Tomara!
Putz! Fodeu. O carro diminuiu a velocidade e parou ao nosso lado.
— Vocês dois novamente? Estão apaixonados, hein!
Sim, é ela. Joana, a fofoqueira. Mas agora o Escort está mais vazio. Ela, o namorado e um casal no banco de trás.
— Vai se foder, Joana! — eu disse, mostrando o dedo para ela.
— Vocês precisam de um Motel. Este negócio de trepar no mato é ultrapassado!
Mamute ficou puto e deu uma bica no Escort. Nem preciso dizer que machucou o pé, preciso? O namorado da Joana ficou puto.
— Você é louco, cara? Gordo maluco do caralho!
Joana abriu um sorriso sarcástico. Eu odeio esta garota, mas .... eu estou no desespero. Vou tentar uma loucura.
— Tem espaço pra nós dois aí, Joana? — perguntei.
— Dá um tempo, cara! — gritou o namorado dela. — Não vou levar duas bichonas no meu carro não!
— Porra, eu não sou viado!
— Nem eu! — disse Mamute, fazendo careta de dor por causa do chute.
Joana desceu do Escort e abaixou o encosto do banco onde ela estava sentada.
— Entrem. — disse ela. Milagre! Joana fazendo caridade? — Mas estamos indo pro Motel. De lá vocês pegam outra carona para o centro.
Tudo bem, já é alguma coisa. Entramos no Escort. O casal que ali estava ficou bem apertado no canto esquerdo. O bundão de Mamute tomou conta do banco. Foda-se. Se eu me lembro bem o Motel está perto.
O Escort começou a andar.
— Eu não sabia que você era gay, Nando? — disse Joana.
— Puta merda! Eu não sou gay!
— Nem eu! Sai fora, Joana!
— E mesmo que eu fosse... você acha que eu ia trepar com uma baleia gorda como esta? Quem gosta de baleia é o Greenpeace.
A galera do carro caiu na gargalhada. Menos o Mamute, é claro. hahaha
Cinco minutos mais e chegamos ao Motel. Um lugarzinho sem-vergonha de vagabundo. Só as letras "O" e "L" ainda piscam. Já vim aqui uma vez, mas na época a letra "T" também piscava. Putz! Eu daria qualquer coisa pra voltar àquela noite. Foi a minha primeira transa com a Claudinha. Estávamos nos curtindo pra caralho. Bom, até ela encontrar o maldito vendedor de mamão papaia, né? Odeio mamão papaia!
O namorado de Joana desceu do Escort e ergueu o seu banco, o casal que estava espremido do meu lado saiu do carro também. Joana olhou para trás e disse:
— É isso aí, chegamos. Nós vamos brincar um pouco. — e sorriu. Porra, até que ela não é tão feia assim. Ou será a maquiagem? Sei lá.
O namorado dela esticou o pescoção para dentro do carro e disse:
— Vamos, galera, todo mundo pra fora. Não vou conseguir trepar sabendo que tem um casal de bichas no meu possante, né?
Possante? Fala sério! Um Escort meia-boca do caralho. Nem um som descente a bagaça tem! Deu vontade de rir.
— Deixa a gente ficar aqui, mano! — disse Mamute.
— Nós não somos viados não, cara. — eu disse. — Além disso a gente protege o possante pra você. Este lugar aqui é perigoso, sabia? Já roubaram uma CG de um amigo meu aqui. Pois é.
Deixei o cara assustado. Agora é ver se ele morde a isca. Enquanto isso Joana desceu do carro e fechou a porta.
— Puta merda, tudo bem. — Ele mordeu a isca! Uhuuu! — Mas tem uma coisa, se eu voltar e encontrar vocês dois fazendo troca-troca no meu possante eu mato vocês! Beleza? Vai ser bichinha pra tudo que é lado desta porra de estrada.
— Fique sossegado, cara. Vai lá dar sua metidinha boa. Esquenta com a gente não. Vamos ficar aqui tomando conta do possante. — Quase caí na gargalhada.
— Isso aí, mano. — disse Mamute. — Vai lá e mostra pra Joana que você é o bom. Dá uma por nóis.
O cara deu risada.
— Olha lá, hein! — disse ele, batendo a porta do Escort.
Fiz sinal de positivo pro cara. Babaca.
Os quatro começaram a caminhar até a recepção do Motel. Putz! Agora vamos ter de esperar os filhos da puta meterem. Eu mereço? Ah, foda-se. Melhor ficar sentado sossegado no banco de um Escort que ficar caminhando de cueca pelo acostamento da estrada. Não concordam?
— Caralho, a Joana tem uma cara de piranha. — disse Mamute. — Aquela lá deve gostar de serviço completo. Chupeta Russa até Helicóptero Mexicano.
— Chupeta Russa eu até conheço, mas qual é este outro aí que você disse?
— Helicóptero Mexicano. É legal, tinha uma namorada minha que gostava. Ela deita e você repousa o saco sobre a testa dela. Depois você....
— Ah, deixa pra lá! Não estou a fim de ouvir isso não.... deixa quieto.
— Cara, é de virar os olhos!
— Chupeta Russa é muito bom também. A Ana Paula uma vez .....
O que aconteceu? Joana e seu namoradinho babaca estão voltando pro carro. Estão discutindo feio.
— Eu não estava olhando pra ela não, porra! — ouvi o babaca gritar.
— Não! Claro que não! Você só estava babando sobre o decote daquela piranha, só isso! — gritou Joana.
Os dois pararam em frente ao Escort.
— Pára com isso, Jô! Não inventa!
— Eu estou inventando? Ah, eu estou inventando, né? Cretino. E na minha frente!
O babaca ficou puto, esmurrou o Escort. Putz! Deve ter doído.
— Que barraco, cara! — sussurrou Mamute, e riu.
— Caralho, Jô! Não viaja!
Joana sentou-se num banco de madeira que havia por ali.
— O que você quer que eu faça? — perguntou ele, tentando se aproximar.
— Ah, suma da minha frente!
Ele tentou tocar os cabelos dela. Joana tirou a mão do cara e gritou:
— Vá se foder, Milton! Me
O cara ficou puto da vida. Veio em direção ao carro como um touro. Quase vi sair fumaça de suas narinas. Ele abriu a porta, afastou o banco e gritou feito louco:
— Sumam do meu carro, seus porras! Vamos! Rápido, caralho! Rápido!
— Dá uma carona pra gente, mano! — disse Mamute.
— Mano o caralho! Saiam agora! Vamos! Saiam!
Putz! Não teve jeito. Saímos. O cara entrou no Escort e saiu queimando os pneus. Lá se foi nossa carona.
— Caralho! Pra ficar pior só falta chover cocô. — eu disse, coçando meu saco. Minha cueca está tão arrebentada que sinto que o vento vai levá-la embora a qualquer momento. Sério mesmo.
Joana estava chorando. Caminhei até o banco e sentei-me ao seu lado. Odeio ver mulher chorando, me dá um desespero total. Não sei o que fazer, o que dizer, fico perdidaço. Arrisquei colocar meus braços sobre o ombro dela. Acho que funcionou.
— Fica assim não. — eu disse.
— Vocês são todos iguais! Não valem nem a bosta que fazem!
— Eu sei. Somos sim.
— Mas você também gosta de homem!
Fiquei puto. Quase joguei a mina pra longe do banco.
— Puta merda, Joana! Eu pensei que você estava só zoando com a minha cara. Eu não sou gay!
Joana deu um sorriso e olhou para o Mamute.
— Mas ele é, não é?
Dei risada.
— Acho que nem a mãe do Mamute sabe que diabos ele é.
Ambos caímos na gargalhada.
— O que aconteceu? — gritou Mamute. — Do que estão rindo? Minha bunda está aparecendo? Puta merda!
Rimos ainda mais.
— É uma pena você ser gay, Nando, pois ....
Caralho! Agora fiquei puto mesmo. Levantei-me do banco e gritei a plenos pulmões:
— Porra, Joana! Quer saber? Vou provar quem é o gay aqui. Você tem grana?
Joana ficou assustada, mas respondeu:
— Sim, tenho, mas por quê? Vai me assaltar?
— Não, claro que não. Estamos em frente ao Motel, não estamos?
Ela fez que sim com a cabeça.
— Se você pagar um quarto pra nós dois eu prometo te proporcionar a melhor trepada da sua vida. E aí, topa? Você vai ver que eu não tenho nada de viado! Vou fazer seus olhinhos virarem e revirarem de tesão. Prometo!
Joana me olhou um pouco assustada, olhou para a sua bolsa, e voltou os olhos pra mim, sorrindo.
— Claro, por quê não? Sempre te achei bonitinho mesmo. Foda-se o cafajeste do Milton.
Mamute começou a rir.
— Puta merda! Só faltava essa, vocês vão trepar e eu fico aqui sozinho! Que beleza, hein!
Eu e Joana rimos.
Neste momento um farol iluminou o estacionamento do Motel. Ah, puta merda! Será o Milton voltando pra pedir desculpas? Ah, caralho! Do jeito que a minha sorte está hoje deve ser ele mesmo.
Mas não é! É o Gol do Pezão. Puta merda! Ele, a Kátia e tem mais alguém no banco de trás. Sim, é ela, Letícia, ou Lelê para os íntimos. Virei de costas imediatamente. Já imaginou se a Lelê me encontra e resolve participar de um Ménage comigo e a Joana? Ah, eu sempre sonhei em participar de um Ménage à Trois, mas com duas gatas, né? Eu, a Joana e a filha do demônio não vale! Eu quero filmar e transformar num Cine Privet caseiro, não num Cine Sinistro.
— Aquele não é o seu amigo Pezão? — perguntou Joana.
— É sim. — permaneci de costas para o Gol.
— E por quê está se escondendo dele?
— Não é dele que estou me escondendo.
— Seria a morena?
— Também não.
— O Pezão está aqui? — perguntou Mamute. De onde ele estava não dava para ver o Gol do Pezão chegar.
— O que é aquilo dentro do carro dele? — perguntou Joana, observando o Gol — Ele trouxe um cachorro Bulldog no banco traseiro?
Para não alongar o papo eu concordei.
— Sim, eu estou me escondendo do... Bulldog. O nome dele é Killer. Ele gosta muito de mim, se me ver aqui vai ficar arranhando a porta do Gol para sair e o Pezão vai ficar puto comigo.
— Ah, ta. Sujeitinho estranho este seu amigo. Já ouvi muitas coisas sobre ele. São todas verdadeiras?
— Quase todas.
Pezão e Kátia vieram em nossa direção. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa o Mamute agiu primeiro:
— O Pezão agora é comedor? — gritou ele.
Pezão olhou assustado. Imagine você chegando com uma garota num Motel e de repente um gordo de cueca grita isso pra você. Hahahaha.... Eu também me assustaria.
— Caralho, Mamute! — disse Pezão, e começou a rir. — A loira te deixou só de cuecas? Se deu bem, hein!
— Porra, Pezão, nem te conto...
Pezão me localizou.
— Nando? Caralho, você também aqui? Não me diga que vocês participaram de uma suruba e não me chamaram!
Kátia estava mais chapada do que qualquer coisa. Nem me viu.
— Quem me dera, cara! Só tomamos no rabo esta noite! Tudo por sua causa!
— O quê? Vai se foder, cara! Pra começar eu nem vi vocês durante o show!
— O Berimbau mandou os seguranças nos jogarem pra fora do clube. Acho que eles também queriam jogar vocês, mas não sei como não te acharam.
Pezão caiu na gargalhada.
— Puta merda! Sério mesmo? Caralho, Nando... que azar! Suas chaves estão no Gol.
— Eu sei.
— Ah, a Letícia também está lá. Vai lá, mano, a garota está no desespero!
Olhei para Joana, e voltei o olhar para Pezão.
— Já tenho par para esta noite.
Pezão olhou para Joana.
— Eu conheço você. Tu é aquela fofoqueira do caralho!
Joana mostrou o dedo para Pezão.
— Porra, não vão brigar agora, né? — eu disse.
Pezão agarrou a cintura de Kátia.
— Vem, gata, Pezão vai te dar um trato. — e deu um puta beijo de língua na morena.
Olhei para Joana.
— Vamos?
— Mais dois minutos e eu já estava desistindo. — respondeu ela, revirando sua bolsa.
— Ei, e o que eu vou ficar fazendo aqui? — gritou Mamute.
Pezão olhou para trás, meteu a mão no bolso, tirou as chaves do Gol e as jogou para o Mamute.
— Senta esta bunda gorda lá e espera a gente terminar, cara! Ah, não mexe no meu som, falou?
Mamute fez sinal de positivo com a mão esquerda, enquanto chacoalhava as chaves com a mão direita. O gordo ficou contente. Sua barriga imensa balançava feito uma geléia de mocotó.
Enquanto nos dirigíamos à recepção do Motel eu comecei a refletir sobre a possível besteira que eu fiz. Já pararam pra pensar? Eu estou prestes a trepar com a maior fofoqueira da cidade! Eu confio no meu taco, mas... e se algo der errado e eu broxar? Putz! A cidade inteira vai ficar sabendo! Bom, mas eu acho que é melhor ser chamado de broxa do que de Rosinha.... não é? Putz! Santa Pixirica, me ajuda!
Caro leitor, isso aqui não é conto erótico, portanto não esperem que eu lhes conte os detalhes de minha trepada com Joana. Sim, já trepamos. E fiquem sossegados, pois não os farei esperar outro capítulo para dizer como foi. Não, eu estou louco para contar!!! Sim, foi a melhor trepada que eu já dei! Sim, amigos, quatro vezes, sem sair de cima. Coisa de louco! Joana, ou Jô para os íntimos, é praticamente uma profissional. Fizemos desde Chupeta Russa até a Garganta do Diabo. Sim, até o tal de Helicóptero Mexicano nós fizemos. Ela também conhecia o bagulho. Galera, eu sei que vocês me viram sofrer durante horas e horas, mas não precisam mais se preocupar comigo. Estou bem, estou no céu, estou no paraíso! Sei lá onde estou, mas estou bem. E tem mais, a cidade inteira vai saber do meu desempenho! Uhuuuuuuu! Ah, antes que eu me esqueça.... fizemos tudo com proteção, viu? Sempre. Proteção sempre. Jontex. Sou louco, mas não suicida.
Obs.: Se algum executivo da Jontex estiver interessado em me recompensar pela propaganda eu estarei de braços abertos. Uma caixinha com 500 unidades está bom? Pode mandar, eu as receberei com todo o carinho. Sedex 10, please!!! Porte pago, é claro.
Deixamos o quarto com as pernas até meio bambas. Do outro lado uma porta também se abriu. Sim, Pezão e Kátia também estavam saindo. Eu e Joana com largos sorrisos nos rostos, do outro lado discussão e cabeças baixas.
— Isso nunca me aconteceu antes, gata! — repetia Pezão.
Pezão broxou!!! Hahahahaha....... A noite fica cada vez melhor! Hahahahaa.......
— Você bebeu tanto que ficou com esta boceta toda murcha! — disse Pezão. — Acho que foi por isso que eu...
Kátia deu-lhe uma bofetada tão forte que doeu até em mim. Putz!
Saímos os quatro juntos. Eu estava louco para cair na gargalhada, mas conheço Pezão muito bem. Se eu fizer isso o filho da puta me deixa aqui e sai cantando os pneus com o Gol. Ele já fez isso uma vez.
Fomos caminhando lentamente e em silêncio até o Gol. Este balançava feito uma .... máquina de lavar!!!
— Porra, Mamute, não! — gritou Pezão, e começou a correr em direção ao Gol. — Eu te mato, gordo filho de uma puta!
Será o que estamos pensando? Mamute e Lelê? Só faltava essa. Imaginem só a criança oriunda desta união! Putz! Tenho medo até de imaginar. De uma coisa eu tenho certeza, a criança já nasceria com um contrato para trabalhar no filme Alien 5.
— Puta merda, Mamute! — gritou Pezão, de frente para Gol.
Comecei a rir e corri até o carro para ver esta cena inusitada. Imaginem só um hipopótamo trepando com um diabo da tasmânia! Deve ser parecido, né? Kátia e Joana apenas apertaram os passos, não correram. Mesmo que tentassem, não conseguiriam. Joana está meio tonta até agora.... hehehe.... e Kátia está chapada demais.
Aproximei-me do Gol e lá estavam eles. Mamute e Lelê no maior rala e rola. Puta merda! Quase fiquei cego ao olhar para o bundão branco de Mamute raspando o vidro do Gol. Que horrível! Era como ver um filme de terror ao vivo. De vez em quando os peitos murchos de Lelê também apareciam. Pezão estava quase enfartando. Batia no vidro sem parar, gritando desesperado:
— Pára, Mamute! Vou matar vocês dois! Parem com isso! Meu carro não é zoológico! Caralho!
— O gordo está comendo o cu do bulldog? — perguntou Joana. Eu caí na gargalhada.
Os dois não davam a menor atenção. O bicho estava pegando mesmo! Eu nem conseguia mais olhar para aquilo. Era bizarro demais. Eu curto filme de terror, mas aquilo era demais para meus olhos. De repente eu olho para a placa do carro estacionado ao lado do Gol e tenho um flash em minha mente. Bum! Como um raio! Sim, aquela placa pertence ao Fusca vermelho do traveco pistoleiro! Puta merda!
— Caralho, Pezão, acho melhor a gente sair logo daqui!
— E acha que eu quero fazer o quê, porra? Mas esta jamanta gorda não desgruda da filhote de pigmeu ali dentro! Cassete!
— Sabe de quem é este Fusca vermelho aí ao lado?
— Estou cagando e andando! Quem seria babaca o bastante para comprar um Fusca vermelho?
— Eu, meu querido! — Gritou o traveco, saindo do Motel com um coroa bem vestido. — Algum problema?
Puta merda! Corri para o Gol e comecei a dar tanta porrada no vidro que quase o quebrei.
— Abre esta porra aí, Mamute! O traveco maluco está aqui!
— Do que você está falando, cara? — perguntou Pezão.
— Aquilo ali é o traveco com o 38 na meia, lembra?
Imediatamente...
— Puta que pariu!!! — gritou Pezão esmurrando o próprio carro. — Abre esta porra aí, balofa gorda do caralho!!!
Mamute fez uma pausa no rala e rola e viu o traveco com o coroa.
— Puta merda! — gritou ele, abrindo a porta do Gol rapidamente.
Pezão correu para o volante.
— Entra, porra! — Pezão gritou para mim.
— Eu não! Os dois estão pelados ali atrás! — empurrei Joana e Kátia para o banco de trás e sentei-me no banco da frente, ao lado de Pezão.
O traveco recebeu o pagamento do coroa e veio correndo até o seu Fusca.
— Agora eu pego vocês, seus filhos da puta!
— Liga esta porra, Pezão! Anda logo!
— A chave está toda melada, caralho! Eu mato você, Mamute! Puta merda!
— Vai logo com isso, caralho!
O motor do Gol roncou. Saímos tirando faísca dos outros carros. O Fusca também começou a se mover. Mas já estávamos longe. Nessas horas é que é bom ter um carro turbinado. Oh, como é bom! Voltamos para a estrada a toda velocidade. Praticamente um repeteco daquela primeira vez em que tiramos lasca do ônibus do Rappa. Só que desta vez não havia nada vindo em nossa direção... a não ser... o ÔNIBUS DO RAPPA!!!
— Puta que pariu!!! — gritou Pezão, olhando o espelho retrovisor. — Segurem-se, o bicho vai pegar!!!
— Eu não quero morrer!!! — gritou Mamute com os olhos arregalados observando o ônibus vindo em nossa direção.
Pezão pisou fundo no acelerador e o ônibus tirou lasca da traseira do Gol. Foi realmente por muito pouco. Se Pezão não tivesse turbinado o Golzinho nós estaríamos jantando com o coisa-ruim neste exato momento. O motorista do ônibus começou a buzinar freneticamente. Acho que ele vai ter pesadelos com o Gol vermelho com adesivo "Bad Boy" para o resto de sua vida. Se você também tem um Gol vermelho com adesivo "Bad Boy" na traseira.... eu aconselho você a trocar de carro ou a retirar o adesivo. Pois se algum dia o Rappa for tocar aí na sua cidade você poderá ter uma surpresa ruim. Sei lá, é dica de amigo.
— Uhuuuuu! — gritou Pezão. — Eu preciso entrar para a Fórmula 1, galera! Vou ensinar o Rubinho como é que se pilota!
— Vai tomar no seu cu, cara. — disse Mamute, tentando achar a sua cueca.
— Desencosta, meu! — gritou Kátia, empurrando Mamute para o outro lado.
— Que isso, gatinha? Eu já estou pronto para ação, vem brincar com o Mamute.
— Que nojo! — disse Joana. — Vista alguma coisa, sua baleia assassina!
— Baleia assassina é a sua mãe, sua vaca!
— Ordem no galinheiro, caralho! — gritou Pezão. — Vocês estão no meu carro! Aqui mando eu!
— Ah, você não manda nem no seu próprio pau! — sussurrou Kátia.
— Sai fora, biscate!
Putz! O Gol virou um verdadeiro inferno. Nem o coisa-ruim sobreviveria ali dentro por 10 minutos. Enquanto todos brigavam eu e Lelê nos olhávamos.
— Perdoe-me, Lelê, eu tive problemas e....
— Lelê o escambau! Meu nome é Letícia. Letícia!
Quer saber? Não devo explicações a ela. Foda-se a Lelê. Ela e os seus peitinhos murchos.
Levamos uns 12 minutos para voltarmos para o centro da cidade. Kátia desceu e esperou a amiga se vestir novamente. Foi a primeira e acho que vai ser a última vez em que vi uma garota trocando de roupa dentro de um carro com três machos e nenhum deles se atreveu a olhar para ela. Lelê terminou de se trocar e saiu. Nenhuma palavra. Adeus, filha adotiva do coisa-ruim.
— Me liga, ta? — disse Mamute de repente.
Caí na gargalhada. Mamute me deu um puta soco no braço.
Lelê enfiou a cara feia dentro do carro e disse:
— Lugar de baleia é no oceano, ta?
Caímos na gargalhada. Lelê ajeitou os peitos murchos dentro do sutiã e saiu rebolando aquela bunda murcha ao lado de sua amiga Kátia. Esta, chapada, caminhava com dificuldade. Duas figuraças! Só vendo mesmo.
Pezão dobrou mais 5 quarteirões e foi a vez de Mamute descer. Usando cueca do Mickey e com toda sua banha balançando. Uma imagem linda de se ver ao amanhecer.
— Falou aí, galera. A gente se tromba por aí.
— Falou, Mamute. E mais uma coisa, o seu Mickey está pra fora.
Mamute olhou imediatamente e viu seu bilau mole pra fora da cueca. Guardou-o novamente em seguida.
— Nando, lembre-me de nunca mais ficar perto de você numa balada... Puta que pariu! Vai ter azar assim lá na casa do caralho!
Mostrei meu lindo dedinho para ele, todo ereto e brilhante. Mamute correu até o portão de sua casa. Foi muito engraçado ver aquele monte de banha chacoalhando novamente. Tocou a campainha. Pezão engatou a primeira e saiu cantando os pneus, como sempre. Próxima parada, casa da mãe Joana. Hahaha...... Quero dizer, casa da mãe da Joana. Esta estava de cabeça baixa, encostada no vidro.
— O que foi, Joana? Está tudo bem?
— Não muito. Estou com muita raiva.
— De quem?
— Lembra do coroa que saiu do Motel com o traveco?
— Lembro, e daí?
— Era o meu pai.
Putz!!! Caraca!!! Essa foi forte. Já imaginou isso acontecer com você? Caralho.
— Seu pai dá a rosca? — disse Pezão, rindo.
Joana deu-lhe um puxão de orelha no capricho. Doeu até em mim.
— Oh, pra que isso? — gritou Pezão. — Vai se foder!
— Pára o carro. — disse Joana.
— Com todo o prazer. Você vai descer, né?
— Lógico, babaca. Esta bosta deste carro está um fudum horrível. Sabia que este cheiro nunca vai sair?
— Eu compro outro, gata. Esquenta não.
Pezão está mexendo com a garota errada. Ah, azar o dele! Hahahaha.....
Abri a porta e desci do Gol. Ajudei Joana a descer.
— Você é legal, Nando. Não devia andar com uns.. — e olhou para dentro do Gol. — certos babacas.
Pezão ignorou, e ligou o rádio.
Dei um selinho rápido em Joana e voltei pro carro.
— O que achou da nossa.....
— Trepada? Muito boa, levando em consideração que você é gay....
Fiquei muito puto!!!
— Porra, Joana, vai tomar no .....
— Estou brincando!
— Faz isso não, mulher. Já sofri muito hoje.
— Tadinho. Precisa descansar. Eu preciso descansar. Afinal de contas eu preciso contar para todas as minhas amigas o que me aconteceu hoje.
Fechei a porta do Gol. Pezão ligou o motor.
— É mesmo? Vai contar sobre as quatro vezes sem sair de cima?
— Isso também, mas a melhor parte da história é outra.
— Qual?
Pezão engatou a primeira.
— Finalmente consegui converter um gay em hetero!!!
Pezão saiu cantando os pneus e às gargalhadas.
— O quê? — eu gritei, olhando Joana ficar para trás. — Não! Eu sempre fui hetero! Sempre fui! E vou continuar sendo até morrer!
— Tomou no cu! — disse Pezão, rindo.
— Seu puto! Por quê não me deixou explicar?
— Eu quero ir embora pra casa, meu! Esta noite foi foda.
— Foda? Você nem sabe o que é ter uma noite foda! Noite foda tive eu!
Pezão me deixou na porta de casa.
— Como é que a gente faz agora? Enquanto o Berimbau for chefe daquela porra lá nós não poderemos voltar. Puta merda!
— Eu volto lá a hora que eu quiser.
— Então você gostou do que aconteceu lá entre você e o Berimbau, né?
— Vai se foder, mano! Já avisei, nunca mais mencione isso. Jamais!
Desci do carro com um sorriso maroto nos lábios. Só pra provocar o Pezão.
— Hoje á tarde na casa do Zé?
— Claro, domingo no Zé é sagrado. A gente aparece por lá. Beleja?
— Beleja. Té mais.
— Ah, e vê se leva esta sua prima gostosa lá, falô?
Estiquei meu dedo pro filho da puta. Está pensando o quê? A prima é minha! A preferência é minha! Além disso ela me deu bola ontem, não deu? Acho que deu.
Entrei de mansinho em casa. Porra, a casa está cheia. Já imaginou o mico eu chegando só de cueca e tênis? Abri a porta da sala e andei na ponta dos pés até o meu quarto. Baixei a cueca, joguei-a longe e desabei sobre a minha cama.
— Ei, o que é isso? — alguém gritou.
Putz! Agora é que eu me lembrei! Meus tios dormem na minha cama quando estão nos visitando! Acho que eu caí com todo o meu "equipamento" sobre a minha tia!
— O que é isso? — gritou meu tio. — Quem está aí?
— Eu tropecei e caí, tio! Desculpa.
— Nando, é você?
— Acho que sim, tio. Estou meio chapado, sabe?
Putz! Que mico! Minha tia percebeu que eu caí sobre ela peladão. Mas pra minha sorte preferiu ficar quieta. Será que ela gostou? Hahahaha..........
Saí rapidinho do meu quarto e voltei pra sala. Mas agora tem mais um problema! Estou peladão peladão! Joguei minha cueca e nem faço idéia de onde ela foi parar. Acho melhor eu ir para o banheiro. Tranco a porta, deito sobre o tapete e durmo até onde for possível. Depois finjo que estou tomando banho e saio com a toalha de alguém. Isso, perfeito! Só tem um problema, chegar até o banheiro sem tropeçar nos meus primos espalhados pelo chão da sala e sem acordar alguém pelo corredor.
Mesma tática, andar na ponta dos pés e seja o Deus quiser. Vamos lá. Devagarinho eu chego. Meu bilau começou a encostar na parede fria. Putz! Acho que vou espirrar! Segura! Segura! Putz! Vou espirrar! Vou....
Alguém puxou meu braço. Caralho, alguém me puxou para o quarto da empregada! Mas nós não temos empregada! Só pode ser....
— Oi, primo, chegando agora?
Não acredito! Minha prima! Ela me puxou para dentro do quarto e fechou a porta rapidamente.
— Pois é. — estou peladão! E agora?
Ela ascendeu a luz do quarto. Imediatamente levei minhas mãos sobre meu equipameto. Não sei se ela quer ver ou não, né? Sei lá, melhor não arriscar. Seria meio constrangedor a família inteira acordando aos berros dela: "Tarado! O Nando é tarado!"
Putz grila! Ela está usando uma blusinha curtíssima e uma calcinha rosa cheia de patinhos amarelos. Caraca! O Nando Jr. começou a crescer! E Ela percebeu.
— Tudo bem, Nando. Isso é normal. Não precisa ficar tão vermelho assim!
— Estou vermelho? — Porra, é lógico que estou vermelho!
Ela caminhou lentamente até a porta. Puta merda, que bundinha redonda! Que pernas lindas! O Nando Jr. começa a tomar forma. O que eu faço? Agora ela trancou a porta! Isso aqui está melhor do que todas as minhas fantasias juntas! Não acredito!
— Você sempre me olhou de um jeito diferente, Nando. Eu sei.
Adalgiza tirou a blusa num piscar de olhos. Putz! Ela está querendo! Sim, está! E o Nando Jr. também. E como está!!! Se comer a própria prima é pecado... então meu ticket para o inferno já está mais do que carimbado!!! É hoje! Avancei sobre os peitinhos duros de Adalgiza e abaixei sua calcinha, alisando suavemente suas pernas torneadas. Quando me aproximei do Parque de Diversões..........
Rrrrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiing!!! O maldito telefone.
Adalgiza se fora. O quarto da empregada se fora. Eu estava sonhando.
— Alô!
— Nando? — a voz no telefone perguntou. Era o Pezão.
— Vai pra puta que o pariu! — eu disse, e desliguei o telefone, puto da vida.
De repente senti alguém alisando minha bunda. Era uma mão delicada. Sim, diga que não foi um sonho! Diga que não foi um sonho! Eu realmente comi a minha......
— Oi, sobrinho.
— PUTA QUE PARIU !!
( FIM )
MAIS UMA HISTÓRIA PARA GUARDAR
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