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Contos de Terror

A Casa que Ninguém Queria

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Sinopse

Em um domingo de verão, dois irmãos gêmeos acompanham o pai corretor a uma casa que parece impossível de vender. Para um garoto que já não acredita em assombrações, a visita promete ser apenas um passeio entediante, até que os segredos do imóvel colocam sua descrença à prova.

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Fonte 18 px
Espaçamento 1.4

Capítulo único · A Casa que Ninguém Queria

Aos dez anos eu não acreditava mais em Papai Noel. Aos onze as histórias sobre o bicho papão já não me assustavam. Quando completei doze eu não acreditava em casas mal assombradas, mas isso porque eu jamais tinha sido convidado a visitar uma.

E o convite veio numa tarde quente de verão. Lembro me de cada detalhe daquele domingo de janeiro de 1990.

Mamãe tinha viajado para Búzios com as amigas naquele final de semana. Meu pai ficara com a dura missão de tomar conta de mim e do meu irmão; gêmeos idênticos.

Idênticos não só fisicamente, mas em quase tudo. Gostávamos dos mesmos programas de TV e praticávamos os mesmos esportes. Éramos super ativos, não parávamos quietos um segundo sequer. Mamãe costumava nos chamar de Furacão Um e Dois. Eu era o Furacão Um; mas não me pergunte por qual motivo. E por mais idênticos que fôssemos, ela nunca errava ao nos dar uma bronca. Nunca. Já meu pai ... Uma vez levei uma surra no lugar do meu irmão. Hoje a gente ri muito dessa história em reuniões familiares, mas no dia eu não achei a menor graça.

Papai trabalhava como corretor de imóveis naquela época. Meu irmão e eu achávamos a coisa mais chata do mundo. Morríamos de inveja de Caio. Caio era mais novo um ano, éramos vizinhos desde o berçário; seu pai era piloto da Vasp. Aquilo sim era uma profissão legal, hein! Acho que uma vez dissemos isso na frente do meu pai. Pobre coitado, aquilo deve tê lo magoado bastante. A sinceridade de uma criança chega a ser cruel.

Estávamos os três na cozinha preparando um lanche quando o telefone tocou.

Ficamos um olhando para a cara do outro. Até que meu pai franziu a testa e olhou direto para mim.

— O que está esperando? — disse ele, não tão zangado. — Eu sou o único com as duas mãos ocupadas aqui.

E o Furacão Um foi atender o telefone.

— Alô.

— Paulo?

Reconheci a voz imediatamente. Era o Sr. Martussely, chefe do meu pai. Ele nunca acertava nossos nomes. Na verdade quase ninguém acertava.

— Não — disse eu, tentando não ser rude. — Sou o Márcio.

— Ah, desculpa. Até a voz de vocês é igual. — como se eu já não tivesse ouvido estas desculpa zilhões de vezes. — Seu pai está por aí, campeão?

— Sim — afastei o telefone da boca e gritei na direção da cozinha: — Paaaaaaaaaaaaaai, é pra você!

Voltei para a cozinha. Meu irmão já estava com um baita sanduíche nas mãos. Paulo comia praticamente em dobro; mesmo assim tivemos corpos iguais até os dezoito anos. De lá pra cá ele engordou. E se continuar engordando não vai conseguir entrar no seu carro daqui alguns meses.

— O que está olhando? — disse Paulo, com um mancha de maionese no canto da boca.

— Sua cara de idiota — respondi e sorri ironicamente.

— Se eu tenho cara de idiota você também tem.

E era a mais pura verdade. Muito cuidado ao insultar um irmão gêmeo.

Quando papai voltara para a cozinha havia algo diferente nele. Ele estava vermelho e sua mão esquerda tremia um pouco. Aqueles eram seus sintomas mais claros de que ele estava nervoso. Era um sinal de que era melhor ficarmos quietos e bonzinhos.

— Porra, hoje é domingo! — esbravejou, batendo forte na mesa. As migalhas de pão saltaram uns vinte centímetros. Se o copo de café com leite do Paulo não estivesse em suas mãos teria voado pelos ares também.

Não dissemos nada. Parti um pedaço de pão e enfiei duas fatias de presunto.

Enquanto pegava uma fatia de queijo ergui os olhos para o meu pai. Ele não estava tão vermelho e sua mão não tremia mais.

— Desculpa — disse ele, um pouco envergonhado. — Vocês não têm culpa.

— O que ele queria, pai? — perguntei, enfim.

Papai encheu um copo com leite, tomou metade do copo, depois respondeu bem desanimado:

— Tem uma casa antiga na saída da cidade. Faz anos que estamos tentando vendê la ou alugá la, mas nunca conseguimos. Nem o Francisco, o melhor corretor da empresa, conseguiu esta façanha.

— E agora tem alguém interessado nela? — perguntou Paulo.

Papai levantou os olhos na sua direção, mas ele continuava sem ânimo algum.

— Parece que sim.

— Mas hoje é domingo! — disse eu, chateado.

Papai finalmente sorriu. Foi um sorriso amarelo, mas sorriu. E olhou para mim.

— Nem tudo está perdido — disse ele. Sua voz parecia mais empolgada. — Pode até ser divertido.

Olhei para o meu irmão. Ele olhou para mim também. Se tivéssemos combinado não teria dado tão certo. Nossas expressões faciais foram as mesmas. Senti me diante de um enorme espelho.

— Divertido? — dissemos praticamente juntos. A sensação foi mais bizarra ainda. Papai terminou de beber o leite e respondeu:

— Dizem que esta casa é ... mal assombrada.

Se você deseja que esta frase tenha um efeito assustador é necessário uma certa mandinga ao dizê la. E meu pai não a possuía. Ele disse de uma forma que pareceu um final de piada. Papai quase caiu numa gargalhada seca ao dizer “mal assombrada”. Talvez ele tenha feito de propósito. Não sei se teríamos o acompanhado se ele tivesse dito de uma forma mais horripilante; ou se tivesse nos contado que nove pessoas haviam desaparecido naquela casa nos últimos anos; o que importa é que nós o acompanhamos.

Não tenho certeza se a casa continua nas mesmas condições daquela época. A descrição que farei será baseada naquele verão de 1990, quando a visitei pela primeira e única vez. A casa fica em Pindamonhangaba, quase na divisa com a cidade vizinha de Tremembé. Seus muros altos impediam que vândalos a invadissem com facilidade (Se bem que a casa tinha uma reputação tão ruim que nenhum morador local se atrevia a invadi la; mesmo com os portões escancarados). Os portões de ferro eram altos e estavam enferrujados. A tinta preta resistira em apenas alguns pontos. Passando pelos portões havia um longo caminho de cimento até a casa. Ao redor deste caminho havia árvores de todos os tipos. Elas estavam quietas; suas folhas imóveis. Tudo bem que a tarde estava muito quente e nenhuma brisa sequer; mas eu nunca tinha visto árvores tão imóveis como aquelas.

— Isso aqui está bonito demais para ser mal assombrado — disse Paulo, olhando as árvores ao nosso redor.

Eu não estava achando nada bonito. Era estranho.

— Não está faltando ninguém aqui conosco? — perguntei.

— Sua mãe iria adorar isso aqui.

Duvido muito. Mamãe era e continua sendo a criatura mais medrosa da face da Terra. É capaz de subir na cadeira e aprontar o maior escândalo por causa de uma minúscula lagartixa.

— Não estou falando da mamãe — corrigi. — Estou falando da pessoa que está interessada na casa. Ela não deveria estar aqui também?

— Ele só virá amanhã de manhã. O rapaz mora em São Paulo. Nós estamos aqui para checar se está tudo em ordem.

— Ah, ta.

Caminhamos todo o caminho de cimento até a casa. Dava a impressão de que estávamos passeando por um bosque. Uma vez ou outra tive a sensação de que alguém ou alguma coisa saltaria detrás de alguma árvore. Mas isso não aconteceu. Olhei para trás e vi como era longo aquele caminho. Os portões de ferro, lá na outra ponta, ficaram minúsculos. O nosso carro, estacionado do lado de fora, agora era apenas um borrão vermelho.

A frente da casa era grande. O revestimento externo era todo de madeira. A pintura estava mais bem conservada do que nos portões, revelando um marrom bem escuro, quase preto. Eu nunca tinha visto uma casa pintada com aquela cor. Olhei bem para a casa e, à primeira vista, tive a impressão de que ela nos observava. Havia duas janelas na parte de cima, como olhos assustados. Embaixo apenas uma porta alta de madeira escura, como uma boca gritando por socorro. Já vi uns oito filmes de terror com casas muito parecidas com esta. Talvez fosse por isso que achavam aquela casa mal assombrada.

Mas na verdade não era só por isso.

Papai girou a chave na fechadura e a porta se abriu diante de nós. Ao contrário do que estamos acostumados em ver nos filmes, a porta não fez barulho algum. Para uma porta tão grande e pesada aquilo foi curioso, para não dizer outra coisa.

— Buuuuuuuuuuuuuuuu!!! — gritou papai, virando se para nós.

Paulo e eu caímos numa gargalhada sem fim.

— Muuuuuuuuuito assustador, pai — disse eu, ironicamente.

Ele franziu a testa e sorriu orgulhoso para mim.

— Esqueci que vocês dois já são praticamente homens — e ele passou as mãos sobre nossos cabelos, despenteando nos. — Só faltam os pêlos na cara e ...

Um gato miou dentro da casa. O som foi alto e nos pegou totalmente de surpresa. Aquilo sim foi assustador. Meu coração quase parou.

— Odeio gatos — disse papai, olhando curioso para dentro da casa.

Entramos na casa; nenhum sinal do maldito gato. O sol ainda ardia do lado de fora; estávamos em horário de verão. Os dias sempre são mais longos e abafados durante esta época do ano. Odeio calor; sempre me lembro daquela tarde.

A casa tinha um cheiro nada agradável de mofo. Estava fechada há muito tempo. Cinco anos, para ser mais exato. Foi o que fiquei sabendo mais tarde.

Depois de alguns minutos nós nos acostumamos com o cheiro ruim. A sala era aconchegante, estava perfeitamente mobiliada com sofás, uma mesinha de centro, uma estante enorme de madeira cheia de livros e um criado mudo estacionado num canto.

Sobre o criado mudo havia um telefone bem antigo, daqueles que a gente só vê em museus sobre a história das telecomunicações.

— Quem é o dono desta casa? — perguntei, olhando para a estante cheia de livros.

— Na verdade é uma proprietária. Dizem que a velha é podre de rica.

— Ela mora aqui em Pinda mesmo? — perguntou Paulo.

Pinda é uma forma abreviada e carinhosa para Pindamonhangaba. Quem mora na região do Vale do Paraíba conhece.

— Não. Acho que mora em Salvador.

Percorremos cada cômodo da casa e não encontramos absolutamente nada que justificasse a fama de mal assombrada. Tudo bem, quando papai abriu a porta ouvimos aquele gato misterioso. Mas era apenas um gato, não era? Os fantasmas precisariam se esforçar um pouco mais para me convencer.

Estávamos os três na parte superior da casa. Assim como a sala, todos os quartos também estavam impecavelmente mobiliados. Havia uns oito quartos lá em cima, além de dois banheiros e uma saleta com um piano. Lembro me de ter ficado excitado ao ver o piano. Aquele era o meu instrumento dos sonhos. Na época eu tinha um teclado Casio, mas nem se comparava. Sentei me ao banquinho e tentei erguer a capa que cobria as teclas, mas não consegui. Parecia estar colada. Papai e Paulo tentaram me ajudar; mesmo assim não foi possível. Fiquei tão frustrado que chutei o instrumento com força. Meu pai quase teve um ataque.

— Márcio, você perdeu o juízo? — senti sua pele ficando vermelha e sua mão esquerda começava a tremer. — Sabe quanto custa um piano como este?

— Eu só queria tocar um pouquinho!

— E acha que chutá lo ajuda em alguma coisa?

— Desculpa!

E desci as escadas até a sala, revoltado e um pouco arrependido da besteira que tinha cometido. O chute que eu dera poderia mesmo ter danificado o piano. Seria o fim das minhas mesadas por longos anos.

Sentei me num dos sofás da sala, de braços cruzados e balançando as pernas sem parar. Devo ter ficado naquele estado de transe por uns dois ou três minutos, com os olhos fixos no meu par de tênis branco subindo e descendo; subindo e descendo. Quando comecei a ficar entediado com aquilo ergui meus olhos e vi o telefone antigo. Fiquei de pé e caminhei sorrateiramente até o criado mudo. Até hoje não entendo por que olhei para os lados antes de pegar o telefone. Não tinha ninguém ali, não é? Acho que são coisas de criança levada; a força do hábito.

Tirei cautelosamente o fone. Este estava ligado ao aparelho através de fio grosso; bem diferente dos fios de hoje em dia. Coloquei o fone no ouvido e aquilo me fez lembrar do último gibi do Batman que eu havia comprado.

— Sim, Comissário Gordon — disse eu, segurando o aparelho telefônico perto da boca. — Já estou indo ...

Ouvi um grito seco e assustador pelo telefone. Não era nenhum grito fantasmagórico ou monstruoso, mas sim de um homem. O susto foi tão grande que o aparelho caiu de minhas mãos. Para a minha sorte o aparelho caiu sobre o sofá macio.

Prontamente arrumei o telefone no lugar. Aparentemente não quebrara nada. Minhas mãos tremiam. Senti uma vontade enorme de subir as escadas correndo. Mas permaneci na sala, com os olhos vidrados naquele telefone da idade da pedra.

O telefone estava ali apenas de enfeite; não havia nenhum fio que o ligasse a coisa alguma. Um telefone de museu seria mais útil do que aquele ali diante dos meus olhos. Mas de onde tinha vindo aquele grito então? Será que eu tinha imaginado aquilo?

Não. Eu ouvi perfeitamente o grito apavorado de um homem. E é claro que aquela voz não era do Comissário Gordon sendo atacado pelo Coringa. A voz era real. Tão real quanto a minha ou a sua.

Com as mãos trêmulas peguei o fone outra vez. Levei o lentamente ao meu ouvido e ... Nada. Apenas um zumbido baixinho, perfeitamente normal. Fiquei com o aparelho no ouvido por uns vinte segundos. Assim que eu pensei em devolvê lo à base ouvi a voz daquele homem outra vez. Ele estava chorando, apavorado. Tive de me esforçar para poder entender o que ele estava dizendo. O que consegui entender foi: “Quem é você? O que quer de mim? Não!!! Não!!! Por favor, não!!!”. E a voz foi ficando baixinha, distante e ininteligível.

Quem era aquele homem? E do que ele tinha tanto medo? Seria alguma coisa do passado? Alguma coisa que acontecera naquela casa?

Quando entramos no carro para voltarmos para nossa casa eu pensei ter ouvido algumas notas do piano. E se isso realmente aconteceu eu fui o único a ouvir, pois ninguém comentou a respeito. Não contei nada sobre a voz no telefone para meu pai nem para o meu irmão. Só cheguei a contar anos depois, quando a poeira já havia abaixado. E realmente não sei se acreditaram na minha história.

No dia seguinte papai saiu cedo para trabalhar. Eu estava com a minha mãe — que havia chegado de viagem na noite de domingo — na cozinha quando o telefone tocou. Ela olhou para mim. Nem foi preciso dizer nada, entendi perfeitamente o recado. Corri para a sala e — quando olhei para o telefone — senti um arrepio pelo corpo todo.

— O que está esperando? — gritou mamãe da cozinha. — Atende logo!

Engoli seco e tirei o telefone do gancho. Daquele dia em diante eu nunca mais consegui atender um telefone sem sentir um frio na barriga.

— Alô — disse eu.

— É da casa do Sr. Henrique Lopes?

Deixei o telefone cair, tamanho foi o meu susto. Eu conhecia aquela voz. É claro que conhecia. Era a mesma voz que eu ouvira no telefone antigo.

— Alô! Alô! — repetia o homem ao telefone. — Tem alguém aí?

Mamãe veio conferir o que estava acontecendo.

— Que barulho foi aquele? — disse ela, atrás de mim.

— Nada de mais — disse eu, pegando o aparelho do chão. — , eu derrubei o telefone, só isso.

Minhas mãos tremiam. Minha mãe percebera. Mãe é mãe.

— O que você tem? — e tirou o telefone da minha mão, gentilmente.

— Alô! — disse novamente o homem.

— Quem é? — disse mamãe ao telefone.

— Meu nome é Justiniano Silveira. O Sr. Henrique Lopes está?

O homem falava muito alto. Pude ouvi lo como se eu estivesse segurando o telefone contra o meu próprio ouvido.

— Ele acabou de sair — respondeu ela. Seus olhos estavam fixos em mim, provavelmente tentando entender por que eu estava tão assustado. — Foi mostrar uma casa para um cliente.

— Acredito que eu seja este cliente.

Mamãe deu um sorriso.

— Ah, entendi — disse ela, graciosamente. Mamãe tem o dom de conversar com qualquer um como se fosse um amigo da época do colégio. — Meu marido me disse que você chegaria bem cedo de São Paulo. Você ainda está na rodoviária?

— Sim, senhora. Sabe se ele está vindo aqui me buscar?

— Sim, está. Atrasou se um pouquinho hoje, mas já deve estar chegando aí.

— Ah, que bom. Perdoe me pelo incômodo, senhora.

— Incômodo algum. Se você topar com um homem alto vestindo terno cinza escuro e carregando uma maleta preta ... é ele.

Senti uma vontade enorme de tirar o telefone das mãos da minha mãe e pedir para que o homem ficasse bem longe daquela casa sinistra. Mas o que ele teria pensado daquilo? Certamente pensaria que eu era um maluco de pedra.

— Que cara é esta? — perguntou minha mãe, passando a mão no meu rosto, procurando sinal de febre. — Parece que viu um fantasma?

Eu não tinha visto nenhum fantasma, mas talvez tivesse ouvido um.

Não consegui sossegar enquanto meu pai não voltou pra nossa casa. Senti um alívio tão grande quando ele apareceu à porta, com um sorriso de orelha a orelha. Deu um beijo tão apaixonado na minha mãe que cheguei a sentir nojo.

— Nossa — exclamou mamãe, surpresa. — , o que deu em você? Viu passarinho verde?

— Consegui vender a casa que ninguém queria — respondeu ele, quase espumando de tanta felicidade. — Vendi a casa mais difícil de se vender em todo o planeta Terra!

Apesar de toda a alegria nos olhos do meu pai, não consegui encarar aquilo como uma notícia boa. Eu sentia que alguma coisa terrível estava para acontecer.

E aconteceu.

Após duas semanas morando sozinho naquela casa, Justiniano Silveira desaparecera. Até hoje ninguém sabe o que aconteceu. Seu corpo jamais foi encontrado.

FIM

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